O Brasil de Lula quer mercado aberto,
os EUA de Bush apelam para os subsidios

Brasil · EUA · 6/08/2008 - 14h35 - 15 Comentários

Após o fracasso das negociações na OMC e, provavelmente, o fim da rodada de Doha para liberalização do comércio internacional, o chanceler Celso Amorim saiu dizendo que o Brasil começaria a investir em acordos bilaterais.

Já elegeu seu primeiro alvo e, a princípio, parece disposto a negociar duro. São os EUA.

Brasília está pondo os toques finais em dois processos que apresentará contra Washington. O primeiro é uma acusação de que o país subsidia ilegalmente o algodão local. Em junho, o Brasil ganhou na Organização Mundial do Comércio autorização para retaliar os EUA em um bilhão de dólares onde dói mais: propriedade intelectual e serviços.

É o primeiro passo e na seqüência há um segundo alvo: os EUA impõem uma tarifa de 54 centavos de dólar para cada barril de etanol brasileiro que entra lá. É para proteger seu etanol nativo, a base de milho.

Essa é uma discussão na qual as chances de sucesso são maiores. Os fazendeiros de milho e o mercado que representam compõem uma parcela importante do eleitorado, principalmente para Barack Obama. Nem ele, nem McCain, vão comprar uma briga em ano eleitoral. Bush, diga-se, tampouco. Seria jogar esses fazendeiros no colo do adversário.

Mas governar é trair promessas de campanha. Tanto McCain quanto Obama já insinuaram para os próprios fazendeiros que suas proteções não poderão durar muito e, a esse respeito, já há consenso entre os dois partidos. Há uma lei, de 2007, que exige que se use mais e mais etanol como combustível, misturado à gasolina ou independentemente. A produção interna não agüentará o ritmo. A influência do desvio do milho – importante na dieta norte-americana – para a produção de combustível num período de inflação de alimentos também pega mal.

O problema do Brasil não é tanto conseguir que os EUA reduzam o uso do etanol do milho. O problema é que seus políticos não querem substituir uma dependência (do Oriente Médio) por outra (do Brasil).

Não deixa de ser curioso. O Brasil de Lula é, hoje, um dos maiores proponentes do livre mercado negociando pelo mundo. Os EUA governados pelos republicanos estão entre os maiores vilões.

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