O Brasil de Lula quer mercado aberto,
os EUA de Bush apelam para os subsidios
Após o fracasso das negociações na OMC e, provavelmente, o fim da rodada de Doha para liberalização do comércio internacional, o chanceler Celso Amorim saiu dizendo que o Brasil começaria a investir em acordos bilaterais.
Já elegeu seu primeiro alvo e, a princípio, parece disposto a negociar duro. São os EUA.
Brasília está pondo os toques finais em dois processos que apresentará contra Washington. O primeiro é uma acusação de que o país subsidia ilegalmente o algodão local. Em junho, o Brasil ganhou na Organização Mundial do Comércio autorização para retaliar os EUA em um bilhão de dólares onde dói mais: propriedade intelectual e serviços.
É o primeiro passo e na seqüência há um segundo alvo: os EUA impõem uma tarifa de 54 centavos de dólar para cada barril de etanol brasileiro que entra lá. É para proteger seu etanol nativo, a base de milho.
Essa é uma discussão na qual as chances de sucesso são maiores. Os fazendeiros de milho e o mercado que representam compõem uma parcela importante do eleitorado, principalmente para Barack Obama. Nem ele, nem McCain, vão comprar uma briga em ano eleitoral. Bush, diga-se, tampouco. Seria jogar esses fazendeiros no colo do adversário.
Mas governar é trair promessas de campanha. Tanto McCain quanto Obama já insinuaram para os próprios fazendeiros que suas proteções não poderão durar muito e, a esse respeito, já há consenso entre os dois partidos. Há uma lei, de 2007, que exige que se use mais e mais etanol como combustível, misturado à gasolina ou independentemente. A produção interna não agüentará o ritmo. A influência do desvio do milho – importante na dieta norte-americana – para a produção de combustível num período de inflação de alimentos também pega mal.
O problema do Brasil não é tanto conseguir que os EUA reduzam o uso do etanol do milho. O problema é que seus políticos não querem substituir uma dependência (do Oriente Médio) por outra (do Brasil).
Não deixa de ser curioso. O Brasil de Lula é, hoje, um dos maiores proponentes do livre mercado negociando pelo mundo. Os EUA governados pelos republicanos estão entre os maiores vilões.
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yeah
Pedro, a questão do subsídio ao algodão americano já foi ganha pelo Brasil na OMC, no valor de 1 bilhão de dólares.
Clara, vc tem toda razao. Mudei.
Pedro Doria, corrigiria isso aqui também:
“Os fazendeiros de milho são uma parcela importante do eleitorado, principalmente para Barack Obama.”
Na verdade os agricultores representam somente 2% do eleitorado americano. A indústria à sua volta é que representam uma parcela importante do eleitorado.
Como escrever, então, se é que estou certo, é problema teu. Sou pago pra comentar, não pra escrever posts. :-)
representa.
Uma coisa boa: o Brasil parece, que depois de muito tempo, aprendeu a jogar no OMC. Até há bem pouco tempo, os outros países é que penalizavam o Brasil (EUA, inclusive)
Uma coisa ruim: o governo brasileiro não consegue assegurar nem o abastecimento de etanol interno, quem dirá para exportação. Até há bem pouco tempo (de novo) o etanol sumia dos postos de combustíveis sempre que os usineiros queriam um aumentozinho. Aí os consumidores deixavam de comprar carro à álcool, o governo diminuia o teor de álcool na gasolina ao mesmo tempo que perdoava as dívidas BILIONÁRIAS dos usineiros. Ou seja, os usineiros brasileiros não são fornecedores confiáveis. ( por isso o sucesso dos carros flex).
A política de comércio exterior do governo Lula surpreende muito mais porque ela contraria uma imagem que se fabricou a respeito dele e do PT de modo geral.
Não que essa imagem tivesse alguma coisa a ver com a realidade. Mas foi a imagem posta a venda por muitos, e por muitos comprada como se verdadeira.
Lá por volta de 2001, li, numa publicação de uma instituição que presta consultoria empresarial, a avaliação de que, eleito Lula, o governo federal direcionaria a produção para o mercado interno, negligenciando o mercado externo.
Fiquei estarrecido. Àquela altura, participava bastante dos debates internos no PT, e jamais tinha visto uma tese desse tipo ser levada em conta. Ao contrário, falava-se no incremento da inserção do Brasil na economia mundial, como estratégia para manter os preços internos em níveis sustentáveis, via economia de escala (o que acarretaria implicações sobre a modernização do parque produtivo, etc, etc).
Mas lá vinha aquela respeitável publicação, com um monte de porralouquices atribuídas ao PT, seguida de uma crítica assinada por abalizado analista, repetindo as obviedades de sempre.
Quem acreditou naquelas bobagens, deve estar achando tudo muito estranho…
Quem não acreditou, não se surpreende. O caminho que o Brasil vem seguindo é o caminho lógico a ser seguido. Qualquer outro governante com um mínimo de bom senso faria o mesmo.
Durante o primeiro mandato do Lula as exportações brasileiras quase quadruplicaram.
É certo que o setor mínero-metalúrgico — de baixo valor agregado — pesou feito minério. Também é verdade que alguns setores levaram farelo, como o calçadista, diante do rolo compressor chinês.
Mas o Brasil avançou nas relações comerciais com a América Latina, onde a maior parte dos países está vivendo uma boa onda de crescimento. Era um mercado que o Brasil desprezava e que agora está proporcionando bons parceiros, em que pese um ou outro “fator chave de instabilidade”, como escreveu o irônico redator de atas do Banco Central.
A pendenga com os EUA dá jogo. Pode vir acompanhada com muita dor de cabeça e chateação, mas, no fim, vai compensar.
Por trás de seu discurso liberal, os EUA sempre foram um poço de protecionismo, o que fez da ALCA pouco mais que um factóide. Era aquela história do “faz o que eu digo, não o que eu faço”. Rendia muito como tema de artigos de liberais de almanaque. Nada a ser levado a sério.
Mas é um discurso velho e muito repetido. Várias partes dele foram transformadas em normas do comércio internacional. Nada mais justo que essas regras sejam, agora, usadas contra quem as criou e não respeitou.
Quem pariu o diabo que o embale…
¨Não deixa de ser curioso. O Brasil de Lula é, hoje, um dos maiores proponentes do livre mercado negociando pelo mundo. Os EUA governados pelos republicanos estão entre os maiores vilões.¨
O último parágrafo desse post está uma graça. Uma peça de humor infelizmente involuntário. O blogueiro parece gostar muitos dos discursos, sem se importar muito com a prática.
Para você saber que país é protecionista e qual país defende o livre comércio de verdade, esqueça os discursos patéticos do líderes mundiais e faça uma viagem aos supermercado.
O país onde um suco de laranja, um litro de gasolina, um automóvel zero, um laptop e qualquer bem de consumo custarem menos será o país do livre comércio.
Será que depois de fazer esse pequeno teste você ainda acreditar que conseguiu escrever o último parágrafo?
Elias — na mosca, como de hábito.
Grande abraço,
ACT
Por aqui fomos atingidos em cheio pela crise do dólar. O m3. da nossa madeira mais barata entrava nos EUA a US$ 300,00 quando o dólar estava em R$ 2,85. Hoje ainda são os mesmos US$ 300,00 contra um dólar de R$ 1,60…
Nós cá na empresa e o patrão lá em Seattle sabíamos que as regras do jogo eram estas e embora reclamemos bastante, estamos no jogo, pelo menos até o dólar chegar aos 1,45 ou 1,40.
Quanto ao protecionismo americano, é mais ou menos a mesma coisa que fizemos cá nos tempos passados, quando o mundo usava PCs. 186 e nós ainda nos CP 500 da Prológica e comprando Chevettes quando lá fora já se fabricavam Unos…
Efetivamente ser agricultor nos EUA é mais ou menos como ser um inútil valorizado: O produto deles é caro e mesmo toda a tecnologia agrícola e florestal não consegue barateá-los, daí dá-lhe subsídios.
Mas não podemos esquecer que lá a carga tributária é pequena e muito menor que nossa, mas eficientemente cobrada (que o diga Al Capone…) e vai daí que torna-se possível pagar menos ao governo e mais ao trabalhador e toma as teorias de mais dinheiro em circulação e não sendo desviado para Caymãs e afins…
Na verdade nossos produtos são mais baratos por que pagamos mal, muito mal nossa mão de obra e bem muito bem os parasitas estatais.
Pudéssemos nós pagar mais salários e menos extorsões travestidas de tributos, as coisas seriam diferentes.
Lá nos EUA subsidiam-se muitos produtos contra impostos extorsivos aqui. Na verdade, quem exporta está sendo é esfolado vivo pelos dois lados…
Então o Amorin acordou invocado e ligou para o Bush.
É isso?
Elias, caríssimo, me aguarde.
Depois do jantar farei comentários sobre os seus comentários. Nada demais. Fique calmo.
abs,
ma
Pedro Dória,
Seu blog é, possivelmente, o único espaço direitista onde é possível respirar… parabéns!
Já este jornaleco opus-dei-propriedade-dinheiro em que você trabalha… não chego nem perto.
O neoliberalismo é propaganda tola.
Liberdade para mercadorias e capital, mas para o ser humano… necas.
Tem de acabar com a ditadura global estadunidense!
E o Lula que pare de seguir esta pieguice de livre-comércio-escravidão-humana… sequer os países ricos seguem a cartilha.
Apenas os tolos… e os ricos.
Doce ilusão.
Vocês acham que com uma crise no calcanhar algum presidente maluco irá abrir o mercado pra importação?
Nem a páu.
Poderão até tirar os subsídios por lá mas, se por lá produzem, tentarão se virar com o que tem.
Não se esqueçam que pra barrar saída de divisas (por aqui) até impuzeram “cotas” de dólares aos turistas que saíam.
Lembram também da proibição da importação de automóveis?
Vocês acham que é diferente em relação aos EUA? Nada disso.
:-/
Pax, caro, os agricultores americanos, mesmo que sejam apenas 2 % do eleitorado, ocupam um lugar muito especial no imaginário americano.
E isso ( a imagem de nobreza do trabalho na terra ) influencia milhões de votos.
Aliás, na Europa os agricultores também mantém intacta uma certa aura de heroísmo.
No Japão, idem.
Mais ainda, na Rússia.
E por aí vai.
Assim, Baracks e MaCains tratam essa gente a pires de leite. Com muitos, muitos, subsídios.
Faz parte do jogo.
Caríssimo Elias,
Permita um aparte nos brilhantes comentários do amigo: a única coisa mais ou menos parecida com um plano do PT para o comércio exterior do governo Lula, foi o próprio declarando que ia para a China ” mudar para sempre a geo política do mundo…”
Delírio puro.
Acabamos dando á China um status mentiroso de economia livre afim de agradar os caras e conseguir uma cadeira na ONU, sei lá para quê.
( quem manda naquilo são as potências com direito a veto, o resto é jogo de cena )
Veio então a avalanche de produtos chineses tratorizando setores importantes da economia brasileira.
Em tímida contra partida instalamos a Embraer lá. O fim desse filme é conhecido: assim como fez com as outras industrias de ponta, de outros países adiantados, os chineses vão copiar os aviões da Embraer e depois vende o produto chines mais barato para o mundo.
Algo parecido com o super campo de petróleo descoberto pela Petrobrás no Iraque.
Os iraquianos simplesmente tomaram o campoe se lixaram para os bilhões gastos pela Petrobrás. que apanhou como mulher de malandro.
Em contra partida vendemos armas para o democrático e grande humanista Saddan Hussein, pré invasão do Kuwait.
A ressaltar que os expostadores brasileiros de sapato, por exemplo, não são exportadores de fato. Quase nenhum deles matém uma agressiva presença de vendas no exterior. Pelo contrário.
Sonolentos, esperam que os compradores, americanos, por exemplo, a procura de mão de obra barata, venham até eles com os modelos já desenhados e projetados nos mínimos detalhes.
Com preço também estipulado.
Em outras palavras, não vendemos, somos comprados.
Os dólares entram lindamente.
Mas, é dessa maneira que exportamos sapatos.
O Brasil deverá decuplicar as vendas de grãos.
E de minérios.
O mundo tem fome desses produtos.
Isso, graças a Deus, independe da ação dos burocratas politizados do Itamaraty.
Se dependesse, os grãos apodreceriam nos campos.
Haja visto a Argentina, com Madame metendo a pata rescendendo a perfume barato nas exportações agrícolas de su pais.
Deu mierda.
Tens razão de sobra quando dizes que o Brasil tradicionalmente desprezava o comércio com a América Latina.
Mas, realizado politicamente com vistas a maldita cadeira da ONU, e com o obssessivo propósito de encher o saco dos americanos, o Mercosul virou pó.
Na hora H, cada um por si e Deus só para mim, os outros que se danem.
Em resumo: O bRasil deve negociar.
Não existe negociação ” certa ” ou ” errada”
Devemos negociar em Doha, com os EUA, com o Mercosul, com a Europa, Japão, África, Russia, China, Turquia, o mundo todo.
Sem babaquice idelógica.
Hoje, nos jornais, pode-se ler uma inacreditável declaração de Mangabeira Unger.
Essa mistura de Carmem Miranda com sotaque de Pato Donald parte para uma política de confrontação militar, mais especificamente, naval, com os EUA!!!
Sentar e negociar.
Sem arrotos stalinianos, bolivarianos, e outras esquisitices que não levam a nada.
è isso aí
abração,
ma
nada mais preciso do que o timing do governo brasileiro…