Entre Hamas e Fatah, guerra civil divide Palestina

Israel e Palestina · 5/08/2008 - 10h28 - 84 Comentários

No último dia 26, uma bomba colocada num ônibus que passava na avenida à beira mar, em Gaza, matou cinco homens das Brigadas de al-Qassam do Hamas e uma menina de cinco anos. Foi a segunda bomba. Na sexta, dia 25, outra explosão num café havia custado a vida de uma pessoa. A reação imediata do Hamas foi fechar ONGs ligadas ao Fatah e prender 162 dentre os suspeitos habituais.

Dentre os presos estavam vários jornalistas palestinos que, vindos da Cisjordânia, cobriam os acontecimentos na Faixa. Foi o fim de uma trégua entre Gaza e Cisjordânia. No início de julho, o presidente Mahmoud Abbas, do Fatah, havia pedido uma abertura de diálogo com o premiê Ismael Haniyeh, do Hamas. Algum tipo de entendimento parecia possível.

Na madrugada de domingo, o Hamas fez uma ofensiva contra o bairro de Sajaiyeh, onde fica a comuna do clã Hilles. Segundo o grupo que tem o controle de Gaza, eles eram os responsáveis pelas bombas. Na troca de tiros que se seguiu, morreram 11 e se feriram, alguns em estado grave, 90. Perante uma batalha que não parecia cessar antes da morte de mais, os homens da família Hilles deixaram a região, depuseram as armas, e pediram aos israelenses que lhes fosse permitido deixar Gaza.

Os feridos foram hospitalizados no próprio domingo. Preocupado com o fato de que o último clã seu aliado estaria deixando Gaza, o presidente Abbas pediu a Israel que devolvesse os homens para a Faixa. No mesmo dia, à tardinha, os primeiros 35 homens dos 185 que haviam se rendido foram transladados de volta. O Hamas os prendeu imediatamente. A reação do ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, foi ligar para Abbas. Ele tinha medo de que o destino dos homens seria a execução e que a responsabilidade poderia recair sobre Israel.

Ontem, o Hamas celebrava para a imprensa o fato de que extirpou o último grupo leal ao Fatah de Gaza.

Nada, em Gaza, é sempre tão certo e tão exato que um conflito de clãs e alguns atentados podem ser explicados apenas como a briga entre Hamas e Fatah. Assim, a história segue mal contada. Um dos homens Hilles disse ao diário israelense Yedioth Ahronoth que nem todos são do Fatah no clã. Alguns pertencem à Jihad Islâmica. Segundo o Jerusalem Post, logo após a morte de Yasser Arafat, os Hilles tentaram assassinar Mohammed Dahlan, ex-líder do Fatah em Gaza, e o próprio Abbas. As provas de que a família estendida seria mesmo responsável pelas bombas de sexta e sábado da semana retrasada não foram apresentadas ainda.

Velhos, mulheres e crianças do clã Hilles permanecem em Gaza.

Atualização - Alertado pelo Credun Fas, nos comentários, alterei o texto acima.

As disputas entre clãs, em Gaza, já foram assunto cá no Weblog.

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