Diplomacia para um mundo entre Deus e leigos
É possível que o padre Ryan J. Maher tenha um bom argumento. Jesuíta, foi o primeiro professor de religião cristão de uma universidade em Doha, no Catar. Discutia com seus alunos questões como a existência de Deus quando percebeu o quanto os jovens muçulmanos eram diferentes de seus alunos norte-americanos, na excelente universidade de Georgetown.
Era uma diferença simples: seus alunos muçulmanos acreditavam profundamente em Deus. Em Georgetown, a principal universidade da capital e que forma muitos dos futuros diplomatas dos EUA, mesmo os mais interessados em religião tratam a idéia de Deus como uma curiosidade. Mesmo aqueles que não se dizem ateus não levam uma vida religiosa. Ele escreve:
Alguns anos atrás, tive uma conversa agradável com um amigo, diplomata com experiência em negociações internacionais complexas. Estávamos em 2004 e a conversa passou pela campanha eleitoral. Meu amigo argumentava que a relutância do senador John Kerry de falar sobre sua fé era uma coisa boa, pois mostrava que fé e política não deviam se misturar.
Do nada, me ocorreu uma pergunta. ‘Além de mim, você tem algum amigo ou colega de trabalho, não importa de que religião, que freqüenta um templo pelo menos uma vez por semana?’ Ele pensou por um bom tempo. ‘Não que eu saiba’, respondeu.
Penso sobre esta conversa desde então. Ela me ajudou a compreender o que prejudica a educação superior norte-americana na lida com profissionais que trabalharão com questões internacionais. Sabemos sobre religiões. Mas não entendemos o poder transformador da fé.
O problema, diz o padre, é que esta incompreensão de como as pessoas encaram a fé produz diplomatas piores. Leigos encaram a questão religiosa como menor. Num mundo ideal, eu tenho minha religião, você tem a sua, mas nós podemos nos entender de qualquer jeito. Assim como quem torce pelo Flamengo se entende com corintianos. Mas a questão, diz Maher, é muito mais complexa do que isso. Não é como torcida, é como amor. E amor traz uma gama de emoções muito mais profundas e imprevisíveis para a discussão.
É uma das questões mais delicadas das relações internacionais. E não está resolvida.
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pd, você “freqüenta um templo pelo menos uma vez por semana?”
só um curiosidade….
Creio que o grande problema da temática não é o poder transformador da fé ou a religião propriamente dita. O problema nesta quetão que envolver relacionamentos internacionais são as diferentes doutrinas que envolvem essa fé.
Fé é uma coisa, ampla, sagrada e irestrita. Doutrina é outra bem diferente.
Mas não deixa de ser muito interessante (e algo a se pensar) a reflexão do padre Ryan J. Maher .
Digo: questão, envolve e irrestrita.
gstv, entendo um bocado de várias religiões. Mas é um entender puramente intelectual. Sou ateu. Já fui a templos vários, mas sempre com olhar meio antropológico, de repórter. Estou entre os que não compreendem algo de essencial nos diálogos internacionais na definição do padre Maher.
Mas desconfio de que ele esteja certo.
Não é de admirar, a maioria dos norte-americanos olha só prô próprio umbigo, empatia zero.
Essa do padre é só uma das facetas.
PD,
vim aqui pedir algum comentário seu sobre o caso do bebê nigeriano,
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3028536-EI6789,00.html
e chego aqui e encontro este seu post, que em certo sentido, trata do mesmo assunto:
Quando houve aquela “crise do véu” na França, fiquei incomodado - até que ponto aquilo era uma “defesa do Estado laico” ou também mais uma demonstração de intolerancia? No caso do bebê, juntam-se a intolerancia com o imigrante pobre com a incompreensão do islamismo. É má-vontade ou é inépcia? Ou ambas?
axé
z.e.h.
O padre tem razão. Para derrotar o Islã, só mesmo abraçando profundamente a fé cristã.
E organizando uma nova Cruzada para repelir os invasores.
:-)
Eu depreendi do texto que:
A) os diplomatas deve amar-se uns com os outros
Eu marcaria a letra ‘A’ numa prova.
O ateísmo é aliado dos radicais islâmicos, mesmo que não o saiba.
O comentário # 6 do z.e.h. e o link que coloca é uma prova da ingorância dessa gente, esses esquerdistas bem-intencionados que serão a ruína do futuro.
Ora, agora uma criança morre por causa de uma operação de circunsição caseira com gilete, e a culpa segundo a reportagem é… das autoridades “de direita” italianas. Que não incluíam a “circuncisão ritual” no seguro médico gratuito. Ou que criavam um “clima de medo contra os imigrantes”, e por isso a mãe não levou o bebê ao hospital até não ser tarde demais.
Ora…
Aliás, a reportagem (li agora o link) é de uma perfídia sem fim. Diz que o garoto teve o “azar” de nascer na Europa. Azar?!?
Como se nos países atrasados de onde vem essa gente não fizessem circuncisão até com caco de vidro e metal enferrujado.
Caro Pedro Doria.
De fato, os pressupostos religiosos dos diversos povos se desdobram em tantas variáveis, inclusive éticas, que o assunto não deveria ser restrito ao domínio da mera curiosidade cultural “turística”. Entretanto, como escreveu G. K. Chesterton, “Religious liberty might be supposed to mean that everybody is free to discuss religion. In practice it means that hardly anybody is allowed to mention it.”
Abraço.
“O ateísmo é aliado dos radicais islâmicos, mesmo que não o saiba. ”
É pra rir?
Se é, já estou. Só falta falar que o Edir Macedo é um santo e sua igreja uma maravilha com os milhões que ganham.
“esses esquerdistas bem-intencionados que serão a ruína do futuro. ”
É pra rir também?
Berlusconi é a dádiva para um mundo melhor.
Do texto 9 eu
depreendi que o ser humano é frágil.
E em consequencia dessa fragilidade pode vir ao óbito.
Qual a necessidade de abraçar a fé cristã para entender e negociar (ou derrotar, hahahahahaha, esse Mr. X é um pândego) com a fé islâmica? Convenhamos que uma religião a mais na negociação só pode piorar, não melhorar a conversa.
Sério, não sei porque se insiste em culpar “o extremismo religioso” quando se fala nos horrores da circuncisão em lugares como a Nigéria. É SABIDO que essa herança horripilante é cultural - local - e não religiosa, tanto que em outros países de maioria muçulmana isso não acontece.
Outra coisa: Na minha humilde opinião, não creio que “esses esquerdistas bem-intencionados serão a ruína do futuro” (por quê? por sua suposta tolerância? Então é olho por olho, dente por dente? Nações agindo à mesma maneira de indivíduos ignorantes que acham nobre se autoexplodir?)
De qualquer forma, não acho que comportamentos radicais (leia-se idéias como as de Berlusconi) são a fórmula para combater o problema do radicalismo islâmico que, para mim, tem suas causas mais no nacionalismo exacerbado do que nos preceitos do Corão.
Vejamos, Souza Campos, o diplomata brasileiro que deu visto de entrada a judeus mesmo proibido pelo governo, era religioso? Dag Hammarskjöld era? Faz tanta diferença um diplomata ser religioso ou não? Tem muito ateu com mais amor ao próximo que muito religioso.
Diego, Gloria P., Clara C.,
O Mr. X é um cara gente boa, mas não pode ser levado a sério…
Sempre os ocidentais tem que aprender a lidar ou, abrir exceções para muçulmanos e etc. Eu acho um erro muito grande tentar entender os muçulmanos como um todo e, boa parte dos povos do oriente médio. Acho sim que os muçulmanos deviam entender de direiros humanos ou ao menos respeitar estes direitos.
Correção: Souza Dantas.
Darwinista #16
Começo a perceber isso.
Nessas questões diplomáticas, quanto mais a fé e a religião de cada povo ficar distante, melhor.
A igreja nunca aceitou muito bem o estado laico…
Eu acho que o padre Maher está certo. E olha que eu sou o agnóstico de carteirinha do Weblog.
Mas pra certas comunidades e nações, é impossível dissociar a questão religiosa dos assuntos diplomáticas. Afinal, a crença faz parte do sentido de cidadania, ela determina em grande parte o modo de agir do país.
Se os diplomatas conseguirem compreender melhor como se dá essa relação entre religião e Estado, mais habilidosos e competentes se tornarão.
Agora, só pra deixar registrado, como sempre faço, sou defensor intransigente do Estado laico.
mas fé e religião são coisas diferentes!
Concordo com o Darwinista. Talvez a crença seja alguma coisa importante para que as pessoas se sintam incluídas num grupo, num país ou mesmo na humanidade, e se reconheçam a sim mesmas, dando assim algum sentido a própria existência.
Muitas vezes sinto a solidão da responsabilidade de ter que assumir todas as minhas atitudes, e nas vezes que algum revés acontece em minha vida, lamento o fato de deus não existir.
Mas, não crer não foi uma escolha e seria hipócrita se dissesse que creio.
Agora, descobrir que não cria em um ser supremo me foi mais leve que descobrir que não mais creio em homens.
Talvez eu não tenha me explicado direito. Tento de novo.
Não gosto muito do Berlusconi, e concordo que muita gente na Europa é racista, xenófoba, etc (o pessoal da Lega é racista até contra o próprio sul do país, de um modo absurdo). Não gosto dos partidos fascistóides que se formam aqui e ali na Europa.
Porém, vejo com tristeza que é uma reação à falta de ação governamental para algo que é visto pelos habitantes como um problema. O fato é que os imigrantes trazem crime e hábitos que são vistos por muitos com estranheza. Não sei em qual cidade anunciaram a construção de uma mesquita de não sei quantos metros quadrados. Imediatamente o valor das propriedades nas redondezas caiu pela metade. O caso dos ciganos (rom) é parecido. Há preconceito? Há, demais. Mas eles roubam? Roubam, muitas vezes sob o olhar beneplácito das autoridades (em Roma as ciganas roubavam os turistas que visitavam o Vaticano. A polícia sabia, claro, mas elas não eram presas, até porque seriam soltas no dia seguinte. Os policiais, diziam todos, estavam mais preocupados em perseguir os vendedores ambulantes ilegais, que não pagavam imposto e portanto não colaboravam com os cofres do Estado.)
Até que ponto se deve aceitar, e até que ponto não? É preciso ajudar os imigrantes? Sim, sem dúvida. Mas quantos milhões pode a Europa sustentar? Onde está escrito que a Europa deveria aceitar milhões de imigrantes, dar-lhe casa, comida e assistência médica gratuita (que inclua circuncisão), e construir centenas de mesquitas, tudo na conta do contribuinte?
A mtilação genital feminina, deve ser incluída no plano de saúde pública também? Afinal, também é um hábito deles (seja religioso ou não).
E quantos milhões do dinheiro público precisam ser gastos em circunsições islâmicas (segundo a nossa repórter), quando devido ao envelhecimento da população e da baixa natalidade o dinheiro é cada vez menor, e há pessoas que esperam meses no mesmo serviço por uma operação de catarata?
Os judeus também estão reclamando da falta de circunsição gratuita nos hospitais?
Alguns acharão que sendo bonzinhos em tudo estão ajudando o Terceiro Mundo e dando uma vida melhor para os imigrantes, mas isso é verdade só até certo ponto.
Quando não se impõe limites, e tudo é aceito em nome da opressão às minorias, o resultado é o oposto: a terceiromundização e orientemediação da Europa. É o povo que faz o país, e não o contrário. Uma Europa que não é mais cristã, que finalmente aceita a sha’ ria (ou a poligamia, como ocorre na Inglaterra) e a circunsição caseira, difere do que da Nigéria?
É bacana ser bem-intencionado. É óbvio que a maioria dos imigrantes NÃO são terroristas nem nada no estilo. É óbvio que a MAIORIA só quer uma vida mais digna, etc. O problema é outro. O problema é a falta de crença em valores, quaisquer valores, e a crença de que tudo deva ser responsabilidade do ESTADO, e nada da cultura ou do indivíduo.
(O Coutinho escreveu sobre isso no outro dia, bem melhor do que eu.)
Quanto ao resto: acho que a religião é uma necessidade humana. Se não for a cristã, vai ser a islâmica. Ou então algum culto new age pagão. Ou a astrologia. O culto a Gaia. Sei lá.
Esse padre é tendencioso.
Porque ter fé “em Deus”?
Os que tem fé no Alan Kardec, no Buda, no Confúcio ou nos ditames do xintoísmo estão fora do problema e/ou fora da solução?
Engraçado que os comentários mais reforçam do que desmentem o comentário do diplomata.
Na nossa sociedade (mesmo no Brasil, país - ao menos teoricamente - profundamente católico), as pessoas se recusam a misturar religião e política. Claro que isso faz sentido, que é democrático e que é um avanço cultural que nós fizemos no Iluminismo; isso nos trouxe muitos ganhos.
Mas perdemos a possibilidade de entender sociedades como a muçulmana, em que religião e política SEMPRE estiveram ligadas (o Profeta foi também o primeiro chefe político, o Alcorão trata de política e de leis, etc.) e provavelmente nunca poderão se separar.
Pra retomar a metáfora futebolística, é como se os nossos diplomatas não entendessem que, em casa de corinthiano fanático, você só vende camisa do timão se tiver algum dia perdido emprego ou namoro por causa de futebol. Sem o mesmo amor que eles pela coisa, nada feito.
Quando vejo um padre falar, normalmente, torço o nariz. Dessa vez não foi assim.
A questão é a seguinte, não conhecer sobre religião, principalmente a alheia, não faz com que os grandes diplomatas dêem menos enfase ao tema e justamente por isso, tenham menos problemas?
Ora, quanto mais conhecedor eu for de um assunto, mais vou querer expor meu ponto de vista e menos vou querer que digam que estou errado.
Quando a religião exercia uma influência maior na vida dos cidadãos, era também motivo de mais briga. Podemos ver guerras santas no mundo hoje, mas somente onde ainda se leva religião a sério - o que no Ocidente está cada vez menos frequente.
Para não perder meu espírito provocador, quanto menos religião houver no mundo e quando mais cedo esse assunto for considerado “um estranho hábito antigo de delirar”, mais acreditarei na evolução coletiva da humanidade.
Mr. X, Mr. X, não deixe a necessade retórica de acarretamento cartilhesco direita-religião esculhambar seu discurso. Você até que às vezes acerta, mas essa gana de se contrapor ao ateísmo só porque bandeira esquerdista soa muito, muito canhestra. Religião é pra quem quer, period. Não fale asneiras senão te ponho no meu circo.
Como ateu militante, um comentário como este do PD seria muito bem aproveitado, mas sempre e sempre tem os que pura e simplesmente aparecem aqui e dizem: “- Deus(es) existe(m) porque eu falo com ele(s)”. Isso seria tão lógico quanto afirmar que cães falam só porque eu lato como eles.
Mas uma das maneiras mais “inteligentes” de provar a existência de deus(es) é criar um fuzuê miserável de grande com conceitos, teses, regras e dogmas que simplesmente desanimam qualquer ateu de contestar todas estas coisas . Na verdade, a crença em deus(es) deve-se apenas à preguiça dos ateus ( como eu ). Simplesmente não vale a pena perderem-se horas e horas de conversas com gente que acredita em deus(es). É como tentar provar pruma criança que não existem papões debaixo da cama.
Já a fé quando usada na diplomacia, pode descambar para atentados tipo os do Osama, onde a diplomacia é exercida por meios um tanto quanto violentos.
Eu não tenho religião e muito menos fé. Mal e mal acredito nos outros sêres humanos. Confio na minha mulher, mas sempre que vou chegar em casa antes do horário marcado, ligo antes ou já de longe dou umas buzinadas…
De fato muita gente passa a vida inteira sendo educada para temer ou respeitar um tipo de deus e quando por um laivo de inteligência resolve “discutir a relação” com a divindade, é de novo convencida que tudo aquilo que ela aprendeu na verdade não é bem assim, que existe um porrilhão de letrinhas e livrinhos que dizem isso e assado e que no fim não interessa muito tanta baboseira e que deus(es) existem e pronto, portanto deve calar a bôca, pagar o dízimo e parar de pensar…
Religião e o uso que fazem dela (este uso tambem é chamado de fé) constituem um negócio muito lucrativo e que tem importância política e social relevantes e por isso estas coisas são mantidas a qualquer custo pelos que se locupletam destas coisas.
Hoje é dia de São Cristóvão padroeiro dos motoristas, muitos têm o santinho em suas carteiras e mesmo colados em seus caminhões e ônibus. Conheço muitos que nunca falam de religião, mas o santo Expedito está lá na mesa deles, ou a Aparecida ou ainda São Jorge. Nas estradas em comum a distribuição de doces em São Cosme e Damião.
O Brasil é a maior nação católica romana do mundo, no entanto boa parte dos brasileiros não vai nem a missa do galo no natal, embora compareçam para batizar seus bebes e em missas do 7º dia. Muito provavelmente não se interessam por discussões mais profundas, intelectuais e acadêmicas sobre religião, mas têm as suas devoções bem individualizadas. Este quadro tem se transformado desde o chute na santa, tem havido uma reação e movimento carismático católico romano tem atraído milhões que antes não se sentiam muito achegados ao pomposo e formal ritual europeu, que poderiam até achar bonito, mas sem apelo emocional e cultural para a nossa gente.
Religião, futebol e política não se discutem cada um tem a sua, acho que é um ditado brasileiro. Religião privada, mas não menos presente e arraigada.
ô Josué, falou e disse.
Parabéns.
Te #15
“Tem muito ateu com mais amor ao próximo que muito religioso.”
Concordo.
O que vejo são muitos religiosos amarem aos próximos da fila do dízimo ou aos próximos que concordarem com a religião deles.
Nassau #31 uma coisa que não entendo são esses religiosos que só abraçam os rituais e conceitos que melhor se adaptam a eles.
Tenho um amigo que, como eu, já foi crédulo e hoje engrossa as filas da razão (apesar de, vez em quando, dar uma titubeada). Ele percebeu uma coisa muito interessante no discurso dos crentes (sem uso pejorativo do termo): quando confrontados com algo contraditório, ilógico e absurdo, sacam da cartola um discurso que sempre começa com um veja bem, e aí passa a despejar um monte de desculpas mal ajambradas pras inconsistências de sua fé.
E aí, cai quem quer.
Maldito e amaldiçoado itálico…
PSOL Barnum,
Não sou contra o “ateísmo”, qualquer um deve ter liberdade para seguir a religião que quiser.
Aliás eu mesmo teria que me definir como agnóstico segundo as categorias oficiais.
Mas escrevi no meu blog sobre essa coisa de religião versus ateísmo no outro dia. O ateísmo é bacana, mas a maioria das pessoas parece precisar de religião, ou algo parecido. E isso não muda por decreto. Está aí a cientologia e a Igreja Universal pra comprovar.
Por isso, justamente pelo que o padre dala da força da “fé” do pessoal que tem religião, acho que na luta entre o secularismo e o islã (ou, na verdade, qualquer outra religião), ganha o islã com uma mão nas costas.
Por quê? Por que um fiel muçulmano pode se matar pelo islamismo, mas poucos vão arriscar a vida pelo “secularismo” ou pelo “estado laico”.
Daí a minhe teoria (radical, confesso) que se a Europa não quiser virar muçulmana em cem anos vai ter que se re-converter ao cristianismo. Salvo que os muçulmanos, com o tempo, virem todos ateus. Ou (esperança de muitos, não comprovada) surja uma variante mais benigna, um certo tipo de islamismo europeu light. Como o cristianismo light de hoje.
Uma alternativa possível (talvez a que se seguirá) seria transformar em religião oficial o que é, de fato, a atual religião européia: esse misto de politicamente correto, multi-culturalismo, ecologismo, socialismo, direitos humanos etc. Bastaria construir alguns templos e instituir alguns mandamentos, etc.
Mas acho que uma sociedade não pode viver sem religião, ou sem acreditar em alguma coisa sobrenatural.
Sempre acho estranho alguns ditos “ateus” mas que acreditam em astrologia, pedras mágicas, poder das pirâmides, socialismo, etc.
Porém: posso estar errado.
Naturalmente prefiro o Estado laico a uma teocracia religiosa, seja da religião que for.
Aliás, na verdade (esclarecendo os comentários anteriores), nem sou contra a religião e nem mesmo contra a circuncisão muçulmana (não confundir com a extirpação do clitóris das mulheres).
Sou é contra isso ser, como quer a repórter em sua solução imaginária, pago pelo Estado no serviço médico gratuito.
Darwinista #16: tá bom, eu já imaginava. rss
E só uma outra coisinha (sei que não é open thread, mas o assunto pode ser relacionado):
Alguém viu o que o escritor Andrew Klavan falou no Wall Street Journal sobre “as semelhanças entre Bush e o novo filme do Batman”??
Algo do tipo “Batman é como Bush: vilanizado por confrontar terroristas nos únicos termos que eles entendem”.
Que medo. Tá no G1 e no próprio site do WSJ também, pra quem quiser ver.
Esse tal de Kavlan segue o mesmo discursinho do conservador que tenta justificar as ações de Bush: ele confrontou terroristas, é uma guerra, bla bla bla…
Tudo bobagem. A comparação é esdrúxula. O personagem Batman é movido por vingança e quer acabar com o crime. Ponto.
Bush não quis livrar o mundo do terrorismo, usou isso como desculpa pra aumentar a influência no Oriente Médio por interesses meramente econômicos.
Mr. X, a princípio também acho a idéia de atendimento médico gratuito pra circuncisão um pouco estranha…
Mas pensando bem, se a prática é tão disseminada (eu nem sabia que muçulmanos também era circuncisados, mas enfim) e as pessoas “vão fazer isso de qualquer jeito” porque sua religião ordena, não custaria muito aos cofres públicos liberar o cortezinho dos prepúcios nos hospitais…
Glória P., concordo.
Assim como o aborto.
no dia que saiu de casa o primeiro estelionatario e encontou o primeiro, digamos, miolo mole ,nasceu a primeira religião…
Estudo relaciona descrença religiosa a QI alto
Um artigo de pesquisadores europeus, que será publicado na
revista acadêmica Intelligence em setembro, defende a tese de
que pessoas com Quociente de Inteligência (QI) mais alto são
menos propensas a ter crenças religiosas.
O texto é assinado por Richard Lynn, professor de psicologia
da Universidade do Ulster, na Irlanda do Norte, em parceria
com Helmuth Nyborg, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e
John Harvey, sem afiliação universitária.
#45, aham, aham. Mas é claro.
” ateísmo é bacana, mas a maioria das pessoas parece precisar de religião, ou algo parecido.”
ou …”a gente precisa acreditar em alguma coisa não é? eu creio que vou tomar uma cerveja”..G. Marx
”ateísmo é bacana, mas a maioria das pessoas parece precisar de religião, ou algo parecido.”
Favor ler o comentário #45.
do edir macedo no radio ontem ..”nao adianta vc bater no peito e dizer que acredita; é preciso por a mão no bolso e contribuir, só assim dará verdadeiro testemundo de sua fé..mas por favor pegue o boleto com o obreiro e deposite direto no banco”..só faltou dizer: nao entregue dinheiro vivo a esse malandros (pastores, obreiros..) senão to ferrado…rsss
Glória P., pq a religião não paga a cirurgia? Não custaria muito aos cofres do salvador encarnado.
Ted #49 vc tb se diverte ouvindo essas baboseiras?
“Os Deuses são a encarnação do que nunca poderemos ser. O cansaço de todas as hipóteses…” Fernando Pessoa
Sendo a democracia e, consequentemente, o estado laico um alicerce atual do ocidente, porque nós que devemos retroceder e abandonar nossa visão livre de religião? Não seriam os islamicos que deviam abadonar a teocracia e o fundamentalismo religioso?
É incrível como sempre nós q temos de ceder. Agora a culpa da irresponpabilidade e ignorância dessa mãe nigeriana é do Estado italiano? Eu acho que não.
Atualmente é como se a Europa tivesse pagando pelo seu colonialismo. Agora é ela que está submetida a reações unilaterais, onde só cabe a ela ceder. Ceder economicamente, culturalmente, socialmente.
Logo será a civilização ocidental que morrerá levando consigo o estado laico, os direitos humanos, os direitos femininos, os direitos homossexuais, a liberdade de expressão…
nao me divirto Nhé..foi por acaso que ouvi essa.
O som da area de serviço ficou por conta da empregada quando nao tinha ninguem em casa.
Acho um negocio muito preocupante pq o povo embarca mesmo nesse negocio… e pra falar a verdade o que me preocupa mesmo é que as mulheres em geral gastam todo seu dinheiro com esses vigaristas e nao sobra nada para encarar as despesas necessarias nas casas dos pobres.
Às vezes eu acompanho Ted. Ou é isso ou é rádio Nativa…
Tenho uma preferência pelo pai de santo em outra estação. A ladainha é a de sempre: a solução dos seus problemas só vai chegar depois do cheque ser descontado. Uma lástima.
“Não confio em gente que sabe exatamente o que Deus quer que elas façam. Sempre coincide com aquilo que elas próprias desejam.” Susan Brownell Anthony
“Deus é um ser mágico que veio do nada, criou o universo e tortura eternamente aqueles que não acreditam nele, porque os ama.” Steve Knight
Pedro Dória,
O Nassif é o meu blogueiro preferido. Mas você não fica atrás no quesito originalidade, singularidade.
Assim como o Nassif faz as abordagens mais interessantes sobre economia e política brasileira, você idem em relação à temática internacional.
Parabéns!!
“A religião nunca será capaz de reformar a humanidade porque religião é uma escravidão.” Ingersoll
“O médico vê o homem em toda a sua fraqueza; o jurista o vê em toda a sua maldade; o teólogo, em toda a sua imbecilidade.” Schopenhauer
Nhé!,
Você já ouviu, acho que no 102,5, o pastor chorão? É bem tarde da noite, o programa tem mais ou menos uma hora. Ela gasta 5 minutos ensinando alguma coisa da Bíblia e o resto pedindo dinheiro e chorando, além de enrolar a língua de vez em quando:
(chorando copiosa e falsamente) Por isso irmãos… Nós precisamos pra manter o programa no ar… achuricantalabia… de 20 irmãos doando 50 reais… oooooooooo… aleluia….
“A idéia de um Ente supremo que cria um mundo no qual uma criatura deve comer outra para sobreviver e, então, proclama uma lei dizendo: ‘Não Matarás’é tão monstruosamente absurda que não consigo entender como a humanidade a tem aceito por tanto tempo.” Peter de Vries
Para os peixinhos do aquário, quem troca a água é Deus.” Mário Quintana
Por simples bom senso, não acredito em Deus. Em nenhum.” Charles Chaplin
Oba! Hoje os ateus estão com tudo!
Sejam bem-vindos.
Nhé 35,
Uma coisa é a fé individual das pessoas, outra coisa a expressão cultural desta fé. É natural que brasileiros latinos miscigenados (português, negro e índio), informais e calorosos que são, se identifiquem com manifestações de religiosidade ou quaisquer outras, compatíveis com a sua formação e o seu jeito de ser. Antes elas não eram menos religiosas, até beijavam as mãos dos padres e acreditavam em seus santos e patronos, mas não se sentiam atraídos em particular com a liturgia européia importada, embora pudessem até verem beleza estética na teatralização do cerimonial da missa. Algo assim como ela é bonita, mas incessível.
abs.
“A crença em Deus subsiste devido ao desejo de um pai protetor e imortalidade, ou como um ópio contra a miséria e sofrimento da existência humana.” Sigmund Freud
Se a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer pra onde iremos?” Justin Brown
“O fato de um crente ser mais feliz que um cético não é mais pertinente que o fato de um homem bêbado ser mais feliz que um sóbrio.” George B. Shaw
Monsores,
Mas são tantos ateus, e todos só colando citações, que acho que são várias encarnações de um mesmo ser místico…
“os russos só vão a igreja pq lá é o unico lugar onde tem boa música” L.D.Trotski
Nassau #66
Fé individual nem discuto.
Mas não dá para ter muita empolgação com pessoas que batizam os bebês mas não botam fé nesse ato.
Que dessem um banho em casa mesmo, oras!
Darw, esse pastor chorão não é muito diferente dos pastores que tocam aqui… rsrsrsrs
Tem razão darwinista: quase nao existem ateus no Brasil…tava na midia recentemente; Brasil e Guatemala são os paises com mais “crentes” em todo o mundo..mais de 95 % da população.
Um cara outro dia, num programa da Tv cultura sobre estrangeiros em S Paulo..um cara cujo emprego em uma empresa de petroleo ja o levou a mais de 40 paises disse que o Brasil é o unico país dos que ele conhece onde pessoas instruidas fazem o nome do pai ao entrar em avião.
Darw,
Se continuar assim, vão chamar esse post de “post do mau”.
Se 5 bilhões de pessoas acreditam em uma coisa estúpida, essa coisa continua sendo estúpida.” Anatole France
“Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.” José Saramago
Darwinista há muito eu desconfio desta alta concentração aqui, não bate com a realidade.
abs.
Nhé quem disse que elas não acreditam, se não acreditassem não o fariam, só que elas acreditam do jeito delas.
abs.
“‘Fé’ significa não querer saber o que é a verdade.” Nietzsche
“Religião é uma coisa excelente para manter as pessoas comuns quietas.” Napoleão Bonaparte
Bem como já diz o velho ditado que religião, futebol e sexo não se discute, eu concordo.
O questionamento, entretanto, não deixa de ser válido. É algo a se pensar…
Adorei este espaço. Cheio de sacadas interessantes!
Até a próxima,
Carlos
na hora da doença e da morte todos esses ateus se lembram de Deus..e rezam pedindo perdão
Nassau, uma parte não acredita mesmo. Creia. (rsrsrsrs)
E acreditar do “jeito delas” acho que não é válido. Por isso que repito: não entendo esses religiosos que só abraçam os rituais e conceitos que melhor se adaptam a eles.
Nhé #50, “a religião não paga a circuncisão” pelo mesmo motivo pelo qual as organizações feministas e de esquerda não são obrigadas a pagar os abortos porque os defendem. Se é disseminado e põe a vida de muita gente em risco se mal-feito, vira uma questão de saúde pública, mas do que religiosa.
A idéia de que Deus é um gigante barbudo de pele branca sentado no céu é ridícula. Mas se, com esse conceito, você se referir a um conjunto de leis físicas que regem o Universo, então claramente existe um Deus. Só que Ele é emocionalmente frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade!” Carl Sagan
Perdão - mais do que religiosa (na última frase).
Don doca,
Os cinco por cento restantes dizem não ter religião o que não quer dizer necessariamente que não tenham suas crenças ou crendices intimistas.
abs.
Fabiano,
Eu já estive bastante doente e nem por isso pedi pelo nome de deus. No máximo sussurei baixinho “Chuck, me ajude”.
“O crédulo – A fé pode ser definida em resumo como uma crença ilógica na ocorrência do improvável. Ela contém um sabor platônico; extrapola o processo intelectual normal e atravessa o viscoso domínio da metafísica transcendental. O homem de fé é aquele que simplesmente perdeu (ou nunca teve) a capacidade para um pensamento claro e realista. Não que ele seja uma mula; é, na realidade, um doente. Pior ainda, é incurável, porque o desapontamento, sendo essencialmente um fenômeno objetivo, não consegue afetar sua enfermidade subjetiva. Sua fé se apodera da virulência de uma infecção crônica. O que ele diz, em suma, é: ‘Vamos confiar em Deus, Aquele que sempre nos tapeou no passado’.” H. L. Mencken
Mais um post religioso.
PD vc quer passar alguma mensagem?
Vc vai confessar?
vc quer dizer que somos 100% retardados???
não esta sendo um ppouco radical???
“Nassau // 25/July/2008 às 15:57
Don doca,
Os cinco por cento restantes dizem não ter religião o que não quer dizer necessariamente que não tenham suas crenças ou crendices intimistas.
abs.
Onde fica o cemitério dos deuses mortos? Algum enlutado ainda regará as flores de seus túmulos? Houve uma época em que Júpiter era o rei dos deuses, e qualquer homem que duvidasse de seu poder era ipso facto um bárbaro ou um quadrúpede. Haverá hoje um único homem no mundo que adore Júpiter? E que fim levo Huitzilopochtli? Em um só ano – e isto foi há apenas cerca de quinhentos anos – 50 mil rapazes e moças foram mortos em sacrifício a ele. Hoje, se alguém se lembra dele, só pode ser um selvagem errante perdido nos cafundós da floresta mexicana. Falando em Huitzilopochtli, logo vem à memória seu irmão Tezcatilpoca. Tezcatilpoca era quase tão poderoso: devorava 25mil virgens por ano. Levem-me a seu túmulo: prometo chorar e depositar uma couronne des perles. Mas quem sabe onde fica? (…) Arianrod, Nuada, Argetlam, Morrigu, Tagd, Govannon, Goibniu, Gunfled, Odim, Dagda, Ogma, Ogurvan, Marzin, Dea Dia, Marte, Iuno Lucina, Diana de Éfeso, Saturno, Robigus, Furrina, Plutão, Cronos, Vesta, Engurra, Zer-panitu, Belus, Merodach, Ubililu, Elum, U-dimmer-an-kia, Marduk, U-sab-sib, Nin, U-Mersi, Perséfone, Tammuz, Istar, Vênus, Lagas , Belis, Nirig, Nusku, Nebo, Aa, En-Mersi, Sin, Assur, Apsu, Beltu, Elali, Kusky-banda, Mami, Nin-azu, Zaraqu, Qarradu, Zagaga, Ueras. Peça ao seu vigário que lhe empreste um bom livro sobre religião comparada: você encontrará todos eles devidamente listados. Todos foram deuses da mais alta dignidade – deuses de povos civilizados –, adorados e venerados por milhões. Todos eram onipotentes, oniscientes e imortais. E todos estão mortos.” H. L. Mencken
Nhé as pessoas são assim, elas abraçam conceitos religiosos, políticos, econômicos e ideológicos que se adaptem a elas. Convença a um economista que atua no mercado financeiro dos méritos do Keynesianismo, eles são monetaristas ou liberais clássicos porque se sentem mais leves assim.
abs.
Para um bom olhar antropológico em Washington D.C
http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Churches_in_Washington%2C_D.C.
As pessoas dirão que, sem os consolos da religião, elas seriam intoleravelmente infelizes. Tanto quanto este argumento é verdadeiro, também é covarde. Ninguém senão um covarde escolheria conscientemente viver no paraíso dos tolos. Quando um homem suspeita da infidelidade de sua esposa, não lhe dizem que é melhor fechar os olhos à evidência. Não consigo ver a razão pela qual ignorar as evidências deveria ser desprezível em um caso e admirável no outro.” Bertrand Russell
Teste…
Nassau, vou pensar a respeito.
Pedro, a caixa de comentários não aceito nem um link?
Daniel Dantas, o ator, disse à jornalista Bruna Fioreti, do ‘Estado’, que quer seu nome de volta.
Dependendo de quanto pague, pode até ser que o banqueiro do Opportunity faça negócio com a marca homônima.
Na pior das hipóteses, Naji Nahas já disse que topa trocar.
http://ateus.net/citacoes/
Clara, o anti-spam é de Lua. Já liberei.
No cristianismo, nem a moral nem a religião têm qualquer ponto de contado com a realidade. São oferecidas causas puramente imaginárias (‘Deus’, ‘alma’, ‘eu’, ‘espírito’, ‘livre arbítrio’ – ou mesmo o ‘não-livre’) e efeitos puramente imaginários (‘pecado’, ‘salvação’, ‘graça’, ‘punição’, ‘remissão dos pecados’). Um intercurso entre seres imaginários (‘Deus’, ‘espíritos’, ‘almas’); uma história natural imaginária (antropocêntrica; uma negação total do conceito de causas naturais); uma psicologia imaginária (mal-entendidos sobre si, interpretações equivocadas de sentimentos gerais agradáveis ou desagradáveis, por exemplo, os estados do nervus sympathicus com a ajuda da linguagem simbólica da idiossincrasia moral-religiosa – ‘arrependimento’, ‘peso na consciência’, ‘tentação do demônio’, ‘a presença de Deus’); uma teleologia imaginária (o ‘reino de Deus’, ‘o juízo final’, a ‘vida eterna’). – Esse mundo puramente fictício, com muita desvantagem, se distingue do mundo dos sonhos; o último ao menos reflete a realidade, enquanto aquele falsifica, desvaloriza e nega a realidade. Após o conceito de ‘natureza’ ter sido usado como oposto ao conceito de ‘Deus’, a palavra ‘natural’ forçosamente tomou o significado de ‘abominável’ – todo esse mundo fictício tem sua origem no ódio contra o natural (– a realidade! –), é evidência de um profundo mal-estar com a efetividade… Isso explica tudo. Quem tem motivos para fugir da realidade? Quem sofre com ela. Mas sofrer com a realidade significa uma existência malograda… A preponderância do sofrimento sobre o prazer é a causa dessa moral e religião fictícias: mas tal preponderância, no entanto, também fornece a fórmula para a décadence…” Nietzsche
Nhé retificando, pode ter certeza que boa parte dos cinco por cento que dizem não ter religião querem dizer que não se sentem contemplados com as instituições religiosas vigentes ou majoritárias, e suas doutrinas mas têm lá as suas crenças intimistas em Deus, santos, entidades, espírito, energia imaterial, fluidos ou o que quer que seja, eu mesmo conheço muitos assim dentro dessa “condição de sem religião”.
abs.
Acabei de falar com Deus e ele me segredou que esse negócio de religião não foi invenção dele.
Well, Nassau, eu devo me enquadrar em outros 5%, pois não acredito em deus, santos, runas, luz e acho muito estranho quem faz esse samba do criolo doido.
Para se fartar na visão antropológica das práticas religiosas em Washington DC:
http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Churches_in_Washington%2C_D.C.
Tentei e nada…
É o deeeus ateeeeu….
:-)
Nhé você tem companhia no subconjunto deste mesmo conjunto dos 5%.
abs.
“Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.” José Saramago
Que espetáculo de frase. Genial!
Bater em deus é chutar cachorro morto, próximo tema.
“As pessoas vão à igreja pelos mesmos motivos que vão à taverna: para estupefazerem-se, para esquecerem-se de sua miséria, para imaginarem-se, de algum modo, livres e felizes.” Bakunin
Ok, Mr. X # 38,
Não me oponho (e quem sou eu para?) às premissas de sua dissertação. Só me incomodam as invectivas brandidas com a clara intenção de polemizar, do tipo “sem religião não há solução”. No mais, d’accord.
Amplexos
“Deus morreu, Freud morreu, Marx morreu..e eu tb to sentindo umas dorzinha aqui…”
dos grafite do maio68, em Paris.
VIVA O DEMÔNIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
“Ah, duvido que exista algum ateu de verdade, claro que eles acreditam em alguma coisa”…
Esse pessoal não consegue imaginar que existem mentes diferentes das deles próprios?
Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
Eu, josef mario, devo dizer que este negócio de diplomacia, seja no lugar que for, é coisa de viado. Agora, esta babaquice de ajoelhar e ter que rezar, francamente, também é coisa de viado boqueteiro. Aliás, acreditar em deus, no diabo, na virgem maria ou nesta porrada de santos que existem por aí, é a maior de todas as viadagens. Faço, apenas, uma honrosa excepção ao companheiro são judas tadeu que é o padroeiro do mengão e para quem eu, josef mario, faço sempre as minhas preces antes dos jogos do mais querido - sem ajoelhar.
Muito obrigado
Acreditar em deus é desacreditar nos homens.
josef mario, sem ajoelhar você reza como para São Judas Tadeu?
Dando uma curvadinha?
os materialistas acham que ao destruir o legado judeu e cristão herdarão um mundo pós religião, quando na verdade assistirão ao completo domínio do islã.
ué, PD, reza na cama, deitadinho, com as mãos palmadas.
Companheiro pedro doria
Eu, josef mario, devo dizer que, como todos sabem, felizmente, sou macho e bota macho nisso. Este negócio de dar curvadinha, para desespero do protocolo, nem no dia que fui apresentado aquele papa que veio ao brasil em 1980.
Muito obrigado
O problema no discurso do jesuita é que ele sugere que para compreendermos melhor os outros a partir da inerente religiosidade deles, nós precisamos também ser mais religiosos, ter mais fé em deus, frequentar mais a igreja… Pode até ser que isso ajude, mas não acho certo e nem que é preciso tanto. Mas ele está certo quando diz que é preciso procurar compreender mais a fé alheia para que haja um melhor diálogo, principalmente quando a fé deles é parte fundamental do que eles são, não só em termos sociais, mas tbm politicos. Mas a questão da imcompreensão da fé é só um aspecto da incapacidade ou da má vontade dos ocidentais de comprender o outro para além das suas atitudes. Nessas horas os ocidentais sempre gostam de se ver como uma civilização moralmente superior, mais humana, mais avançada. Não é preciso muito esforço para admitir que para quem está de fora, isso pode nao passar de um discursinho que nem sempre bate com a vivencia que eles tem com nossas mais sombrias e gananciosas praticas perpetradas ao longo da historia. Não basta conseguir ver o outro, é preciso ver o que eles veem na gente. E talvez o que ele veem não é uma civlização que respeita a liberdade e outros “direitos” humanos, mas um monstro mecanizado e ganancioso que só pensa em riqueza, que subjulga outros povos para tranforma-los em mercadoria, sem um minimo resquicio de espiritualidade. Só um exemplo.
Hmmm, pegando algumas frases listadas abaixo me pergunto: Vocês tem certeza que são só os religiosos que discriminam ateus? Considerando as pérolas listas a recíproca não é verdadeira?
Fala sério… acho lindo quando a intolerância alheia se torna desculpa para esquecer a própria.
E não me venham com o argumento “foram eles que começaram”. Gostem ou não comprova-se que o padre tem razão. Ainda que várias citações pareçam ter saído do mesmo fake.
Talvez hajam ateus mais razoáveis que religiosos do que se imagina. Mas em todo o grupo, sejam religiosos ou ateus, os preconceituosos e radicais são sempre mais barulhentos.
“O radical é antes de tudo um pé-no-saco” (eu mesmo)
Quanto às pérolas:
“O homem de fé é aquele que simplesmente perdeu (ou nunca teve) a capacidade para um pensamento claro e realista.”
“O médico vê o homem em toda a sua fraqueza; o jurista o vê em toda a sua maldade; o teólogo, em toda a sua imbecilidade.”
“Estudo relaciona descrença religiosa a QI alto”
Médico sugere menos filhos para salvar planeta
Um editorial publicado na edição desta sexta-feira da revista científica britânica British Medical Journal afirma que ter menos filhos é uma forma de contribuir para o combate ao aquecimento global.
O artigo, assinado pelo professor de planejamento familiar do University College, de Londres, John Guillebaund, afirma que ”a população mundial atualmente excede 6,7 bilhões e o consumo de combustíveis fósseis, água potável, colheitas, peixes e florestas excedem a demanda”.
Segundo o especialista, ”estes fatos estão relacionados”, uma vez que cada pessoa que nasce contribui para a emissão de gases poluentes e é impossível escapar da pobreza sem que haja um aumento dessas emissões.
Guillebaund conclui que ”aplicar contracepção ajuda, portanto, a combater as mudanças climáticas, ainda que não seja um substituto direto para a redução das emissões per capita de elevados emissores”.
chest- eis a explicação pela qual os materialistas acabarão suplantados pelos religiosos. Principalmente se for preponderante a visão feminista do materialismo. Sociedades machistas e religiosas são absolutamente invencíveis em termos demográficos.
mas tem mais a seguir….
Mitos
O autor destaca que o senso comum econômico diz que casais pobres muitas vezes preferem ter vários filhos para compensar a alta mortalidade infantil, fornecer mão de obra para aumento da renda familiar e cuidar dos pais quando eles estão mais velhos, fatores que, endossados por argumentos religiosos e culturais, reforçam a aceitação de grandes famílias.
Mas ele afirma que ”os economistas tendem a ignorar o fato de que relações sexuais no período fértil são mais freqüentes do que o mínimo necessário para ter concepções intencionais. Portanto, ter uma família maior em vez de uma menor é menos uma decisão planejada do que um resultado automático da sexualidade humana”.
Para Guillebaund, ”algo precisa ser feito para separar o sexo da concepção - ou seja, a contracepção”. Mas ele acrescenta que o acesso à contracepção é muitas vezes difícil, devido a abusos por parte de maridos, parentes, autoridades religiosas ou até ”lamentavelmente” fornecedores de anticocepcionais.
O editorial afirma que a demanda por anticoncepcionais aumenta quando eles se tornam acessíveis e quando as barreiras à sua obtenção são derrubadas, acompanhadas de informações apropriadas relativas à sua segurança e uso.
O autor procura derrubar algumas crenças e reforçar outras que haviam sido desacreditadas. Ele lembra que no século 18, Malthus previu que com o aumento significativo da população, a escassez de alimentos seria inevitável.
E que a chamada ”revolução verde”, idealizada pelo agrônomo americano Norman Borlaug, aparentemente provou que Malthus estava errado, mas que o significativo aumento populacional vem levando a uma escassez de alimentos sem precendentes, à escalada de preços e a protestos violentos.
Guillebauns enfatiza ainda que das inovações da ”revolução verde”, como o amplo uso de fertilizantes, pesticidas, tratores e transporte, hoje também contribuem para o aquecimento global, uma vez que dependem de combustíveis fósseis.
o argumento desse cara poderia se resumir no seguinte?
- vamos matar os bebês agora porque no futuro eles podem morrer de fome….toing
em Porto Alegre sobram vagas de residencia em pediatria, um sinal de que em breve o RS ficará : “despopulado”.
Companheiro chesterton
Eu, josef mario, devo dizer que sempre achei que todo gaúcho fosse viado, agora, francamente, não sabia que eram também broxas.
Muito obrigado
Bom, é mais ou menos a filosofia da esquerda… Vamos abortar todo mundo pois se não poderíamos morrer…
bem Josef, se toda trepada que você desse, dezenas por dia, resultassem em procriação, o mundo já teria morrido de fome….
eu quero que o Josef e o Mr X me expliquem o que é isto daqui
http://www.unb.br/ics/dan/Dissertacao201e.pdf
interessante discussão sobre o Luiz Fernando falsíssimo
http://novoleitedepato.blogspot.com/2008/07/verissimo-melindrado.html
Masturbação intelectual (literalmente)?
acho que só o josef para explicar….mr x, sexualidade do messetê? demais para meus neuronios.
B om, que os carolinhas aí caudatários (no pun intended com os espermatozóides) da cartilhinha vamos-foder-e-procriar-porque-foi-isso-que-papai-do-céu-mandou
já são atrações típicas do meu circo, não há a menor dúvida.
o circo vai fechar as portas por falta de gente que compre ingressos…
Cá estou eu, aparentemente, a empilhar as cadeiras e apagar a luz deste thread bêbado. Cheguei tarde, infelizmente; fica pra próxima.
Assim como é difícil imaginar um pândego abraçado a um pundonoroso, a natureza sagrada do mundo (do cosmo e de cada um de nós, dentro dele) e a natureza dos negócios humanos são como água e azeite. O pândego faz uma graça; o pundonoroso não ri, pois é governado pela razão e pela reverência à própria dignidade; o pândego é movido pela imaginação e, como disse o Emanuel Kant, ‘a felicidade é um ideal da imaginação e não da razão’.
No entanto, tenho certeza de que vocês todos ainda estão úmidos do sagrado. Com a palavra Mircea Eliade:
“A grande maioria dos ’sem-religião’ não está, propriamente falando, livre dos comportamentos religiosos, das teologias e mitologias. Estão às vezes entulhados por todo um amontoado mágico-religioso, mas degradado até a caricatura e, por esta razão, dificilmente reconhecível. O processo de dessacralização da existência humana atingiu muitas vezes formas híbridas de baixa magia e de religiosidade simiesca.
Não nos referimos às ‘pequenas religiões’ que pululam em todas as cidades modernas, às igrejas, seitas e escolas pseudo-ocultas, neo-espiritualistas ou intituladas herméticas – pois todos esses fenômenos ainda pertencem à esfera da religiosidade, ainda que se trate quase sempre de aspectos aberrantes de pseudomorfose. (…) Também não fazemos alusão aos diversos movimentos políticos e profetismos sociais, cuja estrutura mitológica e fanatismo religioso são facilmente discerníveis. Bastará, para dar um só exemplo, relembrarmos a estrutura mitológica do comunismo e seu sentido escatológico. Marx retoma e prolonga um dos grandes mitos escatológicos do mundo asiático-mediterrâneo, a saber, o papel redentor do Justo (o ‘eleito’, o ‘ungido’, o ‘inocente’, o ‘mensageiro’; nos nossos dias, o proletariado), cujos sofrimentos são chamados a mudar o estatuto ontológico do mundo. Com efeito, a sociedade sem classes de Marx e a consequente desaparição das tensões históricas encontram seu precedente mais exato no mito da Idade de Ouro que, segundo múltiplas tradições, caracteriza o começo e o fim da história. (…) a luta final entre o Bem e o Mal, que pode aproximar-se facilmente do conflito apocalíptico entre o Cristo e o Anticristo.
Mas não é apenas nas ‘pequenas religiões’ ou nos misticismos políticos que se encontram comportamentos religiosos camuflados ou degenerados: pode-se reconhecê-los também em movimentos que se proclamam francamente laicos, até mesmo anti-religiosos. Citamos, por exemplo, o nudismo ou os movimentos a favos da liberdade sexual absoluta, ideologias nas quais é possível decifrar os vestígios da ‘nostalgia do Paraíso’, o desejo de restabelecer o estado edênico anterior à queda, quando o pecado não existia e não havia ruptura entre as beatitudes da carne e a consciência.”
Já está tudo escuro aqui, ninguém vai ler, mas fica o texto aí para os arqueólogos, ou algum possível bêbado retardatário :) Não custa muito ler o livro todo, de onde saiu este trecho, 30 pratas – “O sagrado e o profano”, Mircea Eliade, Martins Fontes.
“Assim como é difícil imaginar um pândego abraçado a um pundonoroso, a natureza sagrada do mundo (do cosmo e de cada um de nós, dentro dele) e a natureza dos negócios humanos são como água e azeite.” OK, Roberto. A questão é saber a) se as tais duas naturezas são mesmo água e óleo e b) se uma reflexão a respeito em esferas de poder (e mais especificamente naquela das relações internacionais) é desejável e/ou viável em termos razoáveis. Engraçado, por exemplo, como os longos arrazoados de Maquiavel, Hobbes e Rousseau a respeito do papel da religião em assuntos de estado são esquecidos como anacronismos. Não se trata primariamente de simpatizar ou não com eles, mas de observar que o “amor [de que fala o PD] traz [realmente] uma gama de emoções muito mais profundas e imprevisíveis para a discussão”. Burrice ignorá-la. E no fundo, pra evitar essa obtusidade basta um esforço de olhar honesto. Aqui na terra do sol poente, isto implica “estar ciente dos limites (…)[da] ciência, a saber, que ela não consegue refletir sobre os seus próprios pressupostos e conseqüências”. Por que? É Gadamer quem observa (”Elogio da Teoria”, edições 70): por associar-se “na moderna sociedade industrial” a uma razão que “dirige o poder” e “está sempre em ação”, curiosamente avessa à teoria em sentido platônico e mais-que-platônico, theorein, algo como ver, contemplar “o conhecimento da ordem da natureza”. Se uma “razão presunçosa” reduz a ciência exclusivamente à “praxis”, deixa inclusive de ser iluminista e perde-se enquanto “razão [aberta a seus próprios limites e ] a cujo serviço estava a clássica ´scientia practica et politica´”. Ih, vão fechar.
cuma?
De Cujus, o bar já fechou e me parece que não reabre mais. Aqui do lado, veja só, tem uma livaria com as obras completas do Aristóteles em boa tradução. Era ele que entendia haver ciências especulativas (vg, matemática, metafísica) e práticas (caso da política e da economia). Em duas palavras, as segundas têm enorme importância, mas pra ele deviam servir à ordenação das coisas, sociais inclusive, em benefício daquilo que as transcende e que está associado às ciências especulativas. Nisso ele foi bem aluno de Platão. Agora aproveitando esquematicamente o contraste teoria e praxis: ao fazer o elogio da teoria na década de 80 do século XX, o filósofo alemão Gadamer sugeriu que em nosso tempo enviesamos de tal maneira os circuitos de conhecimento, que perdemos a noção do todo e caímos numa praxis a-crítica, que renuncia à reflexão pra valer a respeito do que a motiva e do que acarreta. Uma reflexão desse tipo interessa aos religiosos porque viabiliza seqüência praquela conversa antiga sobre fé e razão. Desnecessário o night-cap; obrigado…
ããããããããnnnnnhhhhhhhh??????
Ricardo Leal chegou surpreendentemente sóbrio a este botequim e deixou um comentário equilibrado, esmiuçou minha tagarelice de bêbado com grande competência e foi-se embora.
Tá tudo certo, Ricardo, mas os filósofos e os cientistas gauches podem espernear à vontade que não vai mudar é nada. A ciência sobrevive como concubina do kapital, e muito pouco mais. Geradora de tecnologia cara.
Quer continuar a conversa num outro boteco?
[...] - Religião SEMPRE é um problema. [...]