Diplomacia para um mundo entre Deus e leigos

Mundo · Religião · 25/07/2008 - 11h37 - 139 Comentários

É possível que o padre Ryan J. Maher tenha um bom argumento. Jesuíta, foi o primeiro professor de religião cristão de uma universidade em Doha, no Catar. Discutia com seus alunos questões como a existência de Deus quando percebeu o quanto os jovens muçulmanos eram diferentes de seus alunos norte-americanos, na excelente universidade de Georgetown.

Era uma diferença simples: seus alunos muçulmanos acreditavam profundamente em Deus. Em Georgetown, a principal universidade da capital e que forma muitos dos futuros diplomatas dos EUA, mesmo os mais interessados em religião tratam a idéia de Deus como uma curiosidade. Mesmo aqueles que não se dizem ateus não levam uma vida religiosa. Ele escreve:

Alguns anos atrás, tive uma conversa agradável com um amigo, diplomata com experiência em negociações internacionais complexas. Estávamos em 2004 e a conversa passou pela campanha eleitoral. Meu amigo argumentava que a relutância do senador John Kerry de falar sobre sua fé era uma coisa boa, pois mostrava que fé e política não deviam se misturar.

Do nada, me ocorreu uma pergunta. ‘Além de mim, você tem algum amigo ou colega de trabalho, não importa de que religião, que freqüenta um templo pelo menos uma vez por semana?’ Ele pensou por um bom tempo. ‘Não que eu saiba’, respondeu.

Penso sobre esta conversa desde então. Ela me ajudou a compreender o que prejudica a educação superior norte-americana na lida com profissionais que trabalharão com questões internacionais. Sabemos sobre religiões. Mas não entendemos o poder transformador da fé.

O problema, diz o padre, é que esta incompreensão de como as pessoas encaram a fé produz diplomatas piores. Leigos encaram a questão religiosa como menor. Num mundo ideal, eu tenho minha religião, você tem a sua, mas nós podemos nos entender de qualquer jeito. Assim como quem torce pelo Flamengo se entende com corintianos. Mas a questão, diz Maher, é muito mais complexa do que isso. Não é como torcida, é como amor. E amor traz uma gama de emoções muito mais profundas e imprevisíveis para a discussão.

É uma das questões mais delicadas das relações internacionais. E não está resolvida.

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