Maluf e o progresso de São Paulo
Cá da janela do Estadão, na Marginal Tietê, o horizonte está cinza. É um tom encardido, levemente amarelado, opaco. O nariz, já faz alguns dias, sangra.
Haja rinosoro para a mistura de baixa umidade e alta poluição.
Aí, lembro daqueles 10% de paulistanos que cogitam votar em Paulo ‘fumaça é progresso’ Maluf e me pergunto: que pensa essa gente?
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MaGioZal, taí uma coisa a se debater com seriedade, proposta que estava tentando ser implementada pela Marta de revitalizar o centro trazendo gente para morar, os consecutivos governos estaduais e prefeitos decidiram de forma irracional colocar as classes menos abastadas o mais distante possível de seus bairros, de maneira que o crescimento da cidade se deu em sentido do extremo leste, Guainazes, cidade Tiradentes, Itaim paulista e extremo sul, capão redondo, jd são Luis, jd Angela, Pedreira, Parelheiros, tendo que levar infra-estrutura a esses bairros longínquos, com isso grande massa de trabalhadores cruzam distancia enormes, quando vários bairros centrais são praticamente desabitados, como, por exemplo, Centro, Brás, Pari, Canindé, Barra Funda partes do Belém e Cambuci e até mesmo áreas do Bom Retiro e Santa Cecília. Fala-se tanto em transporte publico e não se comenta em colocar o publico mais perto, não necessitando sequer deste transporte.
…e as casinhas e sobradinhos foram substituídos por prédios de apartamentos com duas vagas na garagem de cada unidade. Exemplos típicos: Vila Olímpia e Campo Belo. Esse exemplo serve para qualquer grande cidade brasileira. As médias cidades querem ser grandes como São Paulo: quanto mais prédios, carros e congestionamentos, melhor.
Diga-se de passagem que antes da companheira Marta ser prefeita desta tiborda, andava-se de Kombi e Besta, quem organizou o transporte publico municipal obrigando os “perueiros” a adquirirem micro-onibus e criou o bilhete único, foi ela. Ninguém tinha coragem de peitar os donos de empresas de ônibus e os marginais ditos perueiros. Aquela que até os petistas chamam de perua, fricoteira, mandona é que teve peito. A classe merda lembra mais do relaxa e goza dos aviões, mas o povão caga e anda para isso e lembra com gratidão das medidas implementadas por ela, daí o 1º lugar nas pesquisas…
Dino, chamo-no-na de perua sim, não tenho outro termo para o chilique do Iptu para ricos e tarifa do lixo, mas no caso do transporte, tens rasgão peitou de silicone e tudo. Esse Gunnar não é hippie de pulseirinha, deve ser hippie de botique. Sujeito avariado das telhas.
Camarada Dino,
O governo do Estado, depois de mais de 20 anos de omissão na questão dos esgotos, finalmente tomou a peito a tarefa. Itanhaém virou um canteiro de obras, o que é até incômodo às vezes. Eu me aborreço, mas sei que estou ainda mil vezes melhor do que se morasse em São Paulo. E, sim, o prefeito da vez, o Forssell, cujo pai, por uma estranha coincidência também foi prefeito, fez uma mini reforma urbanística na cidade, cujo centro está, reconheço, muito mais bonito. (ainda que tal reforma favoreça uma fábrica de paralelepídos mais bonitinhos, com os quais esticou as esquinas e que pertence, por coincidência, é claro, ao citado indivíduo e o projeto urbanístico é do Ruy Santos, vice-prefeito) .
Ora, saúdo essa notícia sobre Praia Grande. Eu sempre ia até lá para o cinema. O caso é que, duas, ou três vezes, quase voltei, porque estava TUDO parado, já que a PG é pertissimo e aí os paulistanos transferem o congestionamento, data vênia.
Magiozal,
Você tem razão. É assustador ver como bairros inteiros foram, de alguma forma descaracterizados pela falta de um mínimo de planejamento. Agora se aposta tanto na verticalização que temo ver chegar o dia em que será preciso derrubar meia cidade pra dar lugar a estacionamentos. E, aí, Tavarich Dino, acho que o Gunnar tem seu tanto de razão.
Por fim, também acho que tentar revitalizar o centro só merece elogios, já que é uma área que conta com toda infra-estrutura e é subutilizada, embora eu ache até que melhorou, sabe? Estive No CCBB ontem e o espaço ´me pareceu menos degradado que em outras ocasiões.
“de maneira que o crescimento da cidade se deu em sentido do extremo leste, Guainazes, cidade Tiradentes, Itaim paulista e extremo sul, capão redondo, jd são Luis, jd Angela, Pedreira, Parelheiros, tendo que levar infra-estrutura a esses bairros longínquos, com isso grande massa de trabalhadores cruzam distancia enormes, quando vários bairros centrais são praticamente desabitados, como, por exemplo, Centro, Brás, Pari, Canindé, Barra Funda partes do Belém e Cambuci e até mesmo áreas do Bom Retiro e Santa Cecília.”
Pois é… desde 2007 eu saí do bairro onde eu morava (onde para ir para qualquer lugar dependia-se de uma rodovia que estava cada vez mais congestionada) e passei a morar na Bela Vista (a.k.a. Bixiga).
Ficou muito mais prático para mim, sem dúvida.
Outra coisa que queria dizer aqui é que em São Paulo a especulação imobiliária, que nunca teve empecilhos sérios (pelo contrário: ela muitas e muitas vezes foi apoiada pelas administrações municipais), parece atuar como nuvem de gafanhotos: sempre quando uma região tem seu potencial de verticalização esgotado, ela tende a “entrar em decadência” e ser substituída por uma nova “frente de especulação”, que cada vez mais parece se deslocar mais para o sul da Marginal Pinheiros, e de acesso cada vez mais difícil para quem nào tem carro.
Exemplos: Parque (e shopping) Villa Lobos, e o Credicard Hall.
Hippie? Boutique?
Eu sou direitão ateu, trabalho desde os 17 e pedalo simplesmente porque eu POSSO.
Quem precisa de um motor quando se tem pernas?
Fiquem aí com os engarrafamentos de vocês, eu seguirei pedalando e sendo ameaçado de morte todo dia pelo simples fato de querer exercer esse direito.
Exagero? Acho que não: http://bicicletadacuritiba.wordpress.com
Para quem sabe ler:
“O Automóvel e o Desgaste Social - Tatiana Schor”
http://www.seade.gov.br/produtos/spp/v13n03/v13n03_13.pdf
http://www.ta.org.br/site/Banco/7manuais/Arquivos3/restrição_automoveis.pdf
Alguns trechos desse último:
“O automóvel é o meio de transporte que mais prejudica o desempenho de toda a rede
viária. É o veículo com menor capacidade de transporte e maior grau de ocupação dos espaços de
circulação. (…) (POYARES, 2000; WOOTTON, 1999).”
“Investimentos no aumento da oferta de sistema viário têm vida útil bastante curta e,
assim, costumam falhar no seu propósito, uma vez que estas medidas atraem ainda mais o
automóvel, comprometendo locais de convivência urbana e como conseqüência, diminuindo a
qualidade de vida (WOOTTON, 1999). Considera-se que, na maior parte das cidades, a
capacidade viária não aumentará o suficiente para suportar um aumento indiscriminado do uso do
automóvel.”
O que é interessante nessa história toda é que os próprios moradores da cidade de São Paulo muitas vezes não estimam a cidade onde vivem. Tanto o poder como aqueles que enfrentam o trânsito da marginal todo dia vêem a cidade como apenas e simplesmente “uma cidade só para se trabalhar, e não para se viver”, e por isso acabam pouco se lixando para qualquer tipo de coisa que lembre cuidado urbanístico. Se esquecem das praças e das calçadas para se lembrar das alças de acesso de concreto.
E mesmo assim, a despeito do desprezo pela face turística da cidade, São Paulo é a cidade que recebe mais turistas em todo o Brasil — e não é só turismo de negócios, não.
Mais detalhes, aqui:
http://txt4.jt.com.br/editorias/2008/07/27/ger-1.94.4.20080727.25.1.xml