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É difícil ser japonês sem ofender sul-coreano

July 17th, 2008 · · 32 Comentários

Conflito internacional tem de todo tipo. Uns despertam guerras sanguinárias. A briga pela posse das Ilhas Liancourt não deve chegar a tanto.

O nome é francês mas elas ficam mais ou menos no meio do caminho entre Coréia do Sul e Japão. ‘Ilhas’ talvez seja um nome por demais formal. São pedras, mais de 90, com uma área total que não chega a 0,2 quilômetros quadrados. Os coreanos as chamam de Dokdo, ilha solitária; os japoneses de Takeshima, ilha do bambu.

Três pessoas moram lá, são policiais contratados por Seul.

Na segunda-feira, a Coréia do Sul reconvocou seu embaixador no Japão em nome delas. Sul-coreanos foram às ruas para, ofensa das ofensas, comer a bandeira japonesa.

O alarde vem por conta de um dentre os 14 livros didáticos infantis aprovados este ano citarem as Ilhas Liancourt como parte do território imperial do Sol Nascente.

Enquanto não se decidem, não custa seguir usando o nome que o colonizador branco deu para as pedras. Liancourt era um baleeiro francês que, no século 19, aportou por lá. Não compromete.

(O premiê japonês Yasuo Fukuda estava todo feliz; era o primeiro em anos em sua posição que tinha conseguido não ofender os sul-coreanos. É uma tarefa árdua.)

via Japundit

Atualização - Em 2006, Lucia Malla deu uma aula sobre o que está em jogo entre Japão e Coréia. É bem mais do que meu post irônico faz parecer. A questão não são as pedras e sim os recursos pesqueiros e o gás natural no mar em volta.

Atualização 2 - Diogo Shimizu Lima traz mais detalhes, nos comentários, sobre os conflitos territoriais japoneses.

Tags: Ásia Sudeste & Pacífico

32 Comentários até agora ↓




  • 1 Deise // 17/July/2008 às 9:34

    É bom conhecer outras histórias, mesmo que sejam conflitos, além dos EUA e Palestina. A sensação de que esta última domina toda a realidade mundial se desfaz um pouco.

    É uma situação bastante peculiar, embora não diferenciada de tantas outras, se considerarmos toda a cultura oriental que envolve esse enredo.

    Mais uma vez, parabéns PD, por nos trazer o prazer de tomar conhecimento do que acontece nesse planeta. Coisa rara, hoje em dia.

  • 2 Cleopatra // 17/July/2008 às 9:40

    Concordo com a Deise. Obrigada PD pela informação.

    O Brasil não sofre algo semelhante em relação aos livros didáticos nos EUA ao colocarem a Amazônia como propriedade norte americana? Ou esse papo é lenda?

  • 3 Deise // 17/July/2008 às 9:44

    Cleo,

    Li algo a respeito, em um email que recebi. Entretanto, no virtual a gente espera de tudo. Espero que seja lenda. Embora acredito que o mundo nunca irá acreditar nisso.

  • 4 Darwinista // 17/July/2008 às 9:44

    É lenda Cleopatra. Mais uma das lendas urbanas que correm por aí.

  • 5 Nhé! // 17/July/2008 às 9:45

    Realmente, foi de grande importância saber que dois países “civilizados” estão brigando por causa de umas pedras no meio do mar.

    Vamos à rua tacar fogo na bandeira?

  • 6 Darwinista // 17/July/2008 às 9:46

    Dá uma olhada aqui:
    http://www.quatrocantos.com/LENDAS/54_amazonia_finraf.htm

  • 7 marcus // 17/July/2008 às 9:59

    Malvinas, alguém?

  • 8 Cleopatra // 17/July/2008 às 10:00

    #6
    Valeu a dica :-)

  • 9 Deise // 17/July/2008 às 10:17

    Darw,

    Valeu mesmo.

  • 10 Lucia Malla // 17/July/2008 às 10:25

    Pedro, eu estive em Dokdo em 2004, meses antes da Coréia do Sul liberar o desembarque na ilha a barcos de turismo por 1 hora - uma medida para tentar incentivar que os coreanos se orgulhem mais ainda daquele pedaço de pedra. Em 2006, escrevi um pouco mais em meu blog:

    http://www.interney.net/blogs/malla/2006/04/20/dokdo_ou_takeshima/

    O q está em jogo nessa disputa são, na realidade, os recursos pesqueiros ao redor (lulas, principamente) e de gás natural, que aparentemente são valiosos, ainda mais para um país com tão poucos produtos primários como ambos o são.

  • 11 Mr X // 17/July/2008 às 10:25

    Pela soberania das ilhas Liancourt! Liberdade para o povo liancourtense! Etc.

  • 12 Leave a Comment // 17/July/2008 às 10:36

    Eles poderiam tranquilamente “repartir o pão”, no caso repartir as pedras:

    45 para o Japão

    45 para a Coréia.

    Pronto! Fim de papo.

  • 13 Murilo // 17/July/2008 às 10:39

    Pedro,
    história de país ofendido, a melhor que conheço vem, claro, da terra dos hermanos.
    Vc deve lembrar, uns anos atrás circulava uma piadinha pela internet com um título na linha “um mundo ideal”. Abria-se a mensagem e, pimba, lá estava o mapa da América do Sul sem a Argentina, substituída pelo “Mar da Alegria”.
    Não tardou para o Clarin, o bastião do esquizofênico complexo de inferioridade/superioridade portenho classe média, meter a história, em tom indignado, na primeira página.
    A indignação não vinha, porém, do fato de os humoristas brasileiros terem afundado a Argentina, e sim da constação de que as Malvinas não haviam sido submersas junto, prova cabal que, para os macaquitos, “Las Malvinas no son Argentinas”…

  • 14 Denão // 17/July/2008 às 11:11

    EEEEEHHHHH! Japãaaaao! Imperialistaaaa! Chama o Cháveeeez!

  • 15 Diogo Shimizu Lima // 17/July/2008 às 11:38

    Oi Pedro!

    Escrevi um trabalho pra faculdade a respeito das pedras, vai na linha do que a Lúcia já falou: um raio de 200 milhas marítimas onde se pode pescar e/ou procurar petróleo e gás.

    Eu também falo dos outros conflitos territoriais japoneses, sempre na linha da disputa por recursos comerciais. São eles:

    Territórios do Norte, ao Norte de Hokkaido — a Rússia controla território historicamente japonês desde 1945.

    Ilhas Diaoyu, ao Sul de Okinawa — sempre foi território chinês/taiwanês (olhando no mapa é bem mais perto de Taiwan), são pedras desabitadas cujo subsolo é rico em gás natural.

    A China tem várias disputas territoriais do gênero, principalmente com o Vietnã. Mas aí já é outra história…

    Sobre o meu trabalho, faço aqui o jabá e deixo os links pra quem quiser mais detalhes:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o#cite_ref-32 (citação na Wikipédia)

    http://www.pucsp.br/geap/artigos/diogo-japao.PDF (PDF do artigo)

    []s!

  • 16 Diogo Shimizu Lima // 17/July/2008 às 11:45

    Ah, observação final!

    Historicamente o relacionamento entre Japão e Coréias sempre foi mmuito bom. Nos áureos tempos em que a China fazia jus à etimologia do nome e era o “País do Centro”, o Japão importava tecnologias chinesas através da Coréia. Há 500-600 anos atrás, comércio e trocas entre o Japão e a China passavam pela Península Coreana.

    A birra dos asiáticos com os japoneses começou mesmo com o imperialismo que culminou com a Segunda Guerra. Aí não teve jeito. O cenário atual é de muita cooperação econômica por parte dos japoneses (construção de infra-estrutura, importação de matérias-primas) e de alguma chiadeira eventual no campo diplomático pra reassegurar a grana nipônica.

    []s!

  • 17 Leave a Comment // 17/July/2008 às 12:11

    Murilo assisti um documentario onde varios ex-combatentes do lado britânico e do lado argentino

    falavam sobre o conflito em si

    E para minha surpresa, quase a Argentina vencia aquela guerra, contando com a perícia e a coragem dos seus aviadores, que pilotando de maneira ousada e perigosa, muito próximos do mar, causaram muitas baixas nos navios de guerra britanicos.

    Mas infelizmente por problemas relacionados a equipamento, logistica e falata de planejamento eficaz,

    Perderam o conflito, infligindo grande vergonha à america latina.

    Eu sinceramente fico ao lado dos hermanos.

    Os europeus estão para nós (excetuando os portugas) assim como os extraterrestres estão para os terráqueos.

  • 18 Leave a Comment // 17/July/2008 às 12:12

    16

    sim claro me referia as malvinas (ou falkland :)

  • 19 Burn the Witch! // 17/July/2008 às 12:12

    Leave a Comment, os outros 10 seriam para fazer uma “terra de ninguém” entre os dois quinhões de 45?

  • 20 Burn the Witch! // 17/July/2008 às 12:14

    Os espanhóis e marroquinos não se envolveram numa história parecida com essa? Me lembro até dos franceses brigarem por uma rocha, ainda por cima submersa.

  • 21 13.GuE // 17/July/2008 às 12:25

    “A questão não são as pedras e sim os recursos pesqueiros e o gás natural no mar em volta.”

    Bom assim sendo Pedro, acredito que os EUA entrarão nesta negociação, erguendo a bandeira contra o terrorismo.

  • 22 Dino // 17/July/2008 às 12:48

    As ilhas kurilas são infinitamente maiores que essas rochas e ninguém quer morar lá, apesar de todos os litígios.Agora quanto a área de pesca, ninguém abre mão…A briga é feia.

  • 23 Dino // 17/July/2008 às 12:55

    Sim é verdade, se tiverem petróleo, os EUA podem até colocar o povo Aino ou os aborígines australianos na lista de terroristas e incluir-los no eixo do mal.

  • 24 HRP FAST Simple // 17/July/2008 às 13:17

    Dino….ainda hoje no Japão há pessoas e politicos que não aceitam a troca das Ilhas Kurilas pela Sacalina com a Russia…..l´, na Sacalina, ainda existem muitos povoados de ainos……..e a Sacalina está situada a poucos Kmts. de Hokkaido.

  • 25 Credun Fas // 17/July/2008 às 13:24

    ohhhh. milagre, não consigo acreditar que alguém finalmente escreveu sobre constantes crises diplomáticas por esse lado do mundo.

  • 26 Edu // 17/July/2008 às 13:46

    Lendo tudo isso só consigo chegar a uma conclusão: não existe o direito internacional então… nem tratados internacionais, nem diplomacia.

    O que acontece é que disputas sobre determinadas regiões do mundo são comuns em todos os lugares. Mas interessante mesmo é a forma como os interesses são comunicados:

    1 - Navios de pesquisa para atualização de mapas
    2 - Livros de história dizendo que as ilhas pertencem ao Japão.

    Alguém foi atrás das bases pelas quais os EUA e a Inglaterra já estão dando razão ao Japão? Não consigo acreditar que qualquer desses países anunciem seus vereditos sem no mínimo analisar tratados internacionais e o que é de matéria do direito internacional.

    Da forma como isso está sendo comunicado, aquilo que deveria ser simples está se tornando uma teoria da conspiração.

    Afinal, não acham que todos esses “recadinhos” indiretos, não acham que essa “linguagem diplomática”, se é que podemos incluir esse tipo de movimento no âmbito da diplomacia, é no mínimo esquisita?

  • 27 Doida de Pedra // 17/July/2008 às 13:55

    É bom saber o que acontece por aquelas bandas do mundo, porque parece que só Europa, Oriente Médio e Américas que vivem conflitos…

  • 28 Zictor // 17/July/2008 às 14:55

    Olha eu aqui!!

    Não posso ler tudo porque tá tarde da noite e amanhã é dia de branco. Mas posso dizer o seguinte:

    O Japão não pode dar um peido na Ásia sem que TODO MUNDO se doa e reclame. Tudo por causa da Segunda Guerra.
    Os únicos lugares onde eles não são odiados são Taiwan e Indonésia (creio). Taiwan era colônia japonesa e parece que a Indonésia foi ocupada por uma arma diferente da que invadiu outros países (um foi o exército e a outra foi a marinha, mas não sei qual foi qual). Os japoneses pintaram miséria por aqui.

    Mas, ao contrário da Alemanha, que pediu tanta desculpa que destruiu a auto-estima nacional por 60 anos, o Japão nunca pediu desculpas de uma forma satisfatória.

    No máximo umas admissões meia-boca de que “coisas ruins aconteceram durante a Segunda Guerra, nós lamentamos que tenham ocorrido”.

    Isso tudo tem a ver com o bom e velo conceito de Face, que é tão prevalente no Extremo Oriente. OS outros países asiáticos sempre lembram das atrocidades japonesas na hora de negociações comerciais. Os japoneses em geral, cediam, para fazer bons negócios. Eles também enviam ajuda financeira e logística pela Ásia.

    Mas pedir desculpas diretamente, isso não fizeram.

    Então o povo comum é puto. Tanto na China ditatorial quanto na Coréia democrática.

    Eu estava na China em 2005 quando uma situação parecida aconteceu. Foi aprovado um livrinho minoritário aí que aliviava nos massacres que o Japão patrocinou na China. O povo chinês ficou furibundo e tomou as ruas. (um colega de classe estava na hora que um protesto desses estourou, foi punk)

    O governo bem que quer, mas não tem coragem de suprimir essas manifestações. Se eles tiverem as credenciais patrióticas questionadas, a legitimidade do partido comunista corre sério risco.

    Deng e Mao tinham credenciais patrióticas irreproxáveis, então podiam mandar o povo calar a boca. Hu e Jiang nunca tiveram.

    Susan Shirk, autora de Fragile Superpower, diz neste livro que um dos motivos que levou aos protestos na Praça da Paz Celestial em 1989 foi a repressão de passeatas anti-japonesas dos anos anteriores.

    Acham que é brincadeira?

    Tem muito mapa mal resolvido por aqui, e com mais países ficando econômica e militarmente forte, isso ainda vai dar MUITO pano pra manga.

    Vou dormir, amanhã comento mais.

  • 29 Adam Victor Nazareth Brandizzi // 17/July/2008 às 18:13

    Oh, isso é mais comum do que parece! Quando li a história, lembrei na hora de Rockall: http://en.wikipedia.org/wiki/Rockall

    Mas essa história está estranha… Parece que pela Convenção das Nações Unidas sobre Direto do Mar (que tanto o Japão quanto a Coréia do Sul ratificaram) rochedos que não suportem habitaçaõ humana por si só não contam na demarcação de territórios marítimos:

    Os rochedos que, por si próprios, não se prestam à habitação humana ou a vida econômica não devem ter zona econômica exclusiva nem plataforma continental.

    Então, será que não é mesmo mais uma questão de nacionalismo que de fatores econômicos mesmo? Bem, vou esperar o Zictor responder ;)

  • 30 Alba // 18/July/2008 às 0:04

    Diogo,

    Obrigada pela informação. Salvei seu trabaho e lerei com calma depois.

    Outra coisa é que a disputa por águas territoriais têm se tornado cada vez mais comum.

    Há alguns anos estive numa palestra exatamente sobre essa questão.

    E isso, quando a disputa por petróleo e gás, era bem menor… Ia escrever mais, mas a preguiça me rendeu…

    Beijo

  • 31 Lucia Malla // 18/July/2008 às 1:08

    Adam, a Coréia mantém pessoas (militares e/ou pesquisadores) em Dokdo sempre. Há uma casa/estação de pesquisa lá, que permite a habitação.

    É exatamente o mesmo esquema que o Brasil faz com os rochedos de São Pedro e São Paulo, mantidos pela Marinha, para garantir soberania sobre uma área de ZEE oceânica ao redor.

  • 32 Zictor // 18/July/2008 às 2:07

    @Adam Victor Nazareth Brandizzi

    O povo vai às ruas por nacionalismo. Coréia, China e Japão são países muito nacionalistas. Mas os políticos disputam essas águas por quesões econômicas e militares.

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