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Por que Oscar Niemeyer é bom?
(E por que também é ruim?)

July 13th, 2008 · · 46 Comentários

Uma resenha assinada por Benjamin Schwarz de vários livros sobre Oscar Niemeyer na última edição da Atlantic Monthly oferece, ao leigo, uma aula de arquitetura:

[Styliane] Philippou mostra que as maiores obras de Niemeyer foram permeadas por uma estética brasileira, que há muito fez de formas sinuosas parte de seu vocabulário visual. (Basta ver as calçadas alternado ondas de pedras pretas e brancas, tanto no período colonial quanto no início do século 20, em Copacabana.) Desde os anos 60, esta queda de Niemeyer por curvas e, pior, pela forma de discos voadores, custou-lhe em parte a qualidade. (Só o desenvolvimento de seu material favorito, o concreto reforçado, permitiu-lhe tais excessos.) Muitos de seus prédios mais recentes, como o Museu de Arte Moderna de Niterói (1996) lembram uma visão kitsch do futuro.

Seu melhor trabalho se dá quando seu vocabulário estético brasileiro é temperado pelo modernismo ou, posto de outra forma, quando a retidão do modernismo tempera sua obsessão pelos excessos esculturais e biomórficos. Philippou mostra isso em sua análise brilhante da primeira obra-prima de Niemeyer, o Prédio do Ministério da Educação (1943), no Rio de Janeiro. (O time de arquitetos contou com Le Corbusier como consultor e foi liderado por Niemeyer, que desenhou os traços principais.) O edifício foi considerado ‘o mais belo prédio governamental das Américas’ pelo Museu de Arte Moderna de Nova York.

Philippou apresenta as peculiaridades dessa mistura brasileira de um modernismo brilhante: os jardins tropicais na cobertura e na rua que apresentam caminhos curvos e plantas locais; os azulejos de origem moura-portuguesa para compor o mosaico da parede externa (um elemento nada moderno); o brise-soleil (quebra-sol) inspirado pelas venezianas em madeira do colonial brasileiro (que até hoje diminuem a necessidade de ar condicionado no verão); o traço livre nos carpetes (esta atenção para os mínimos detalhes até no acabamento final interno se encontram nos melhores trabalhos de Niemeyer, embora não seja típica de todos seus projetos); a praça, criada por colunas cilíndricas, unifica o prédio com o local em que ele está e com as ruas paralelas e com as construções coloniais do século 17 nas redondezas.

Ainda sobram elogios, no texto, para o Palácio do Itamaraty e a sede do Supremo, ambos na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O prédio do MEC é realmente muito bonito. O Itamaraty é, pessoalmente, meu favorito.

Tags: Artes · Brasil

46 Comentários até agora ↓




  • 1 Pax // 13/July/2008 às 13:33

    O Oscar Niemeyer é um patrimônio do Brasil. Mas tô com medo de escrever isso. Estou sendo vigiado pela lei Azeredo.

  • 2 Memento Morti // 13/July/2008 às 13:42

    Sublinho que é importante mantê-lo (Niemeyer) afastado de todo projeto de prédio onde se desenvolvam atividades humanas.
    Cidade, prédio de moradia, escolas, hospitais. Ele é um imaginador de monumentos. Gente não vive em monumentos. Só os defuntos se dão bem nesses lugares.

  • 3 Gerson B // 13/July/2008 às 13:55

    É isso ai. Ele é um bom escultor. Ótimo para políticos que queiram fazer obras monumentais, que todo mundo fique admirado de olhar-por fora.

    Por dentro já é outra coisa.

  • 4 Ricardo Leal // 13/July/2008 às 14:14

    Bacana o extrato do Schwarz; didático. Sobre o Itamaraty, de pleno acordo. Também o Alvorada é excepcionalmente bonito. Bom, sempre que o assunto “Niemeyer” aflora, morando em Brasília eu me lembro de um artigo despretensioso a respeito da cidade, publicado em “No Mínimo”, no início desta década. Não achei mais na web, mas no tal artigo André Corrêa do Lago, o autor, didaticamente situa BsB no grande arco do desenvolvimento da arquitetura moderna do século passado, cujo símbolo mais patente é a ruptura com a coluna clássica. Aponta que na Europa, “a era das construções monumentais modernas (…) ainda não havia chegado quando a Segunda Guerra começou.” É no Brasil que esse estilo dá o salto para o monumental, com o belo prédio do antigo MEC no Rio (1937-1943), comentado aí no post. Queimaram-se etapas com o excepcional complexo da Pampulha, em BH, 1943 (a capela franciscana com painéis de Portinari, o iate clube, a casa de baile e o cassino), que garantiu de vez a ON projeção internacional. ACL aponta que, na altura da construção de Brasília, a aceitação da cidade planejada “pelo público não especializado foi imensa, e não apenas no Brasil”. O Alvorada e o Planalto mostraram que “o monumental podia ser ao mesmo tempo moderno e leve”. Ainda que boa parte da “crítica especializada” dos anos 60/70 tenha procurado “derrubar o ícone popular”, ACL segue recordando artigo de Paul Goldberger muitos anos depois, na New Yorker em 1999, PG dizendo que BsB simboliza, “com mais força do que qualquer coisa construída nos EUA [terra de Frank Lloyd Wright!], a fé inquebrantável dos anos cinqüenta de que o design moderno podia criar um mundo melhor”. Também em 1999, na sua “millenium edition”, a Economist elencava a construção de BsB entre “os momentos mais memoráveis dos últimos mil anos” e referia-se à cidade como “glória e tumba do ideal modernista”. Glória porque, diz ACL, “dentro de cem anos a imagem de cidade planejada do século XX será Brasília”. Tumba porque, recordando Goldberger, Brasília “prova melhor do que qualquer outro lugar (…) que a arquitetura moderna não sabe fazer cidades, apesar de fazer edifícios maravilhosos”. Haverá quem discorde (e mesmo sobre os prédios, é sabidamente fraco o liame forma-função em muitos deles), mas independente da opinião a respeito, há algo de extremamente valioso, para o País e mais amplamente para a memória do século XX, a ser preservado por aqui, na concepção de Lúcio Costa e de ON.

  • 5 marco // 13/July/2008 às 17:30

    O Renascimento definiu o homem como a medida de todas as coisas.

    Niemayer fez esse conceito mudar para concreto em forma de ovo estalado esmagando a criatura humana.

    Brasilia é um horror.

    O supremo exemplo da arte caipira.

    Não é por acaso que Niemayer sempre morou no Rio.

    Ele tem consciência do que andou fazendo nos últimos verões.

    ma

  • 6 HRP FAST RELOADED // 13/July/2008 às 17:33

    Pronto ….Oscar é uma merda……estão contentes?…..e é tudo culpa do Lula!

  • 7 efedeele // 13/July/2008 às 18:56

    Iconoclastas! Em todo o mundo o homem é reconhecido, aqui, um bando de zé ruela quer
    quer aparecer em cima do gênio.

  • 8 Pixotte // 13/July/2008 às 19:15

    Contam-se nos dedos das mãos o número de brasileiros relevantes em alguma coisa em escala mundial como Oscar Niemeyer.

  • 9 Luiz // 13/July/2008 às 19:25

    O Oscar é muito bom. tem coisas dele que eu não gosto, de fato o disco voador de Niteroi, é assim meio, sei lá.

    mas o Alvorada….. meu Deus….. o Alvorada e a construção mais linda que eu já vi na minha vida.

  • 10 Rolando // 13/July/2008 às 19:49

    Não se pode renegar que Niemeyer é e será referência em arquitetura. Há prédios bonitos, como alguns mencionados no texto e o “olho” do museu que leva o nome do arquiteto em Curitiba. No entanto, dentro desse mesmo olho o que se vê é um enorme espaço pouco funcional e muito quente e abafado demais.
    A construção da Biblioteca Nacional em Brasília é um horror. Além de tampar a linda visão da Catedral, é feio, disfuncional, ultrapassado e bate sol da tarde onde supostamente ficarão as estantes com livros. E ao redor, em vez de um jardim, um gramado, ou até mesmo uma área para estacionamento, há um chão desolador de concreto puro, tal qual a Praça dos Três Poderes.
    Quem mora no “centro” de Brasíla ainda tem uma qualidade de vida que não se vê em quase nenhuma capital brasileira. O comércio com áreas verdes e bucólicas funcionou, como queria Lucio Costa. De resto, Brasília apresenta muitas deficiências que levariam grande tempo para discorrer aqui.
    Mas o problema maior é que Brasília está se resumindo a Oscar Niemeyer. E essa unanimidade entre os governantes, hoje José Roberto Arruda, tem sido nociva para a cidade. Qualquer novo edifício público de impacto dispensa-se concurso - o que seria ótimo estímulo até para o surgimento de novos nomes na arquitetura - e convoca-se Niemeyer. Seu trabalho hoje não é bom, é cópia de si próprio, e é simplório no pior sentido. É parede curvada e uma rampinha idiota a circundar parte do prédio.
    Está prevista a Praça do Povo, atrás do Teatro Nacional, um local com arena para apresentações e recitais. O projeto de Niemeyer já foi encomendado.
    Especialistas afirmam que o desenho - e o histórico de Niemeyer - será péssimo para a acústica.
    E uma nova torre de telecomunicações também será erguida. Projeto de quem? Dele mesmo. Podem ter certeza que haverá rampinha em curva.

  • 11 Ricardo Leal // 13/July/2008 às 19:50

    http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq066/arq066_00.asp

    Marco, sua lembrança do Renascimento faz sentido. Entre outras coisas, o texto no link acima expõe (de maneira às vezes frouxa conceitualmente, mas ainda assim razoável), a diferença que Lúcio Cardoso fazia entre moderno e modernista na arquitetura, e como percebia na situação do Brasil de meados do século passado as condições para um diálogo do moderno com a tradição, diferentemente do que sucedia na Europa, veja você. E claro, enraíza no clima pós-medieval o que viria a resultar no “moderno” após a revolução industrial. O terço final do artigo tem pontos de equilíbrio, apontando para a possibilidade de um trabalho a um tempo moderno e distante do “autoritarismo ingênuo do urbanismo ortodoxo, que causou severos danos, ao confundir prancheta com campo social, e propor modos de organização espacial, pensando, assim, contribuir para alterar formas de vida.” Não me sinto competente pra discutir isso com propriedade, mas ainda que admitamos a hipótese de ter o ON pensado menos em gente e mais em maquetes; ainda que suas idéias políticas não sejam exatamente as de um herdeiro de tradições que refletem sobre a “polis” como campo de possibilidades a serviço do que a transcende (mas nisso ele faz companhia a toda uma tradição burguesa, exatamente, pós-renascentista); enfim, ainda que nos últimos verões essas coisas como a biblioteca pública e o museu de arte pareçam pastiches de algo cujo sentido merece mais do que a fossilização de grandes moldes; pergunto se não haverá certo exagero retórico (e descontextualizado em termos de história da arquitetura) nisso de rotular BsB como “supremo exemplo de arte caipira”. Salvo alguma ironia rosiana da sua parte, sei lá, até que me convençam do contrário ainda acho que o Goldberger tem razão. Caipirice, claro, também não falta por aqui - mas em diversos edifícios monstruosos que lembram o pior da Flórida ou da California. E pô, será que nem as intervenções de Burle Marx e Athos Bulcão escapam desse crivo severo que você aplica a BsB?

  • 12 Leila Ferreira // 13/July/2008 às 19:59

    Não se constroe um estilo pensando em agradar a todos. Niemeyer é genial! E não só na forma, mas nos detalhes dos projetos. O teatro do Ibirapuera é um exemplo interessante para ilustrar o que disse. Um bloco branco que na planta é um trapézio, na elevação um retângulo e em corte um triângulo. O detalhe m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o da marquise vermelha no acesso principal é de parar o olhar até dos mais distraídos. Sua obra é repleta de detalhes e mais detalhes de simplicidade e riqueza geométrica, acessos sinuosos, corrimões, curvas, formas delgadas que se fundem e se completam como notas de uma sinfonia. Só quem já projetou sabe a dificuldade de criar, da sair da mesmice e Niemeyer, quer gostem ou não do seu estilo, ousou.
    E não tô nem aí se ele escorregou na casca de banana num projeto aqui outro acolá, na média ele saí dando tchauzinho pra todo mundo.

  • 13 Pax // 13/July/2008 às 20:16

    Bem lembrado Leila. O teatro do Ibirapuera desmente totalmente os antolhados contra o Niemeyer. É um dos melhores teatros que conheço, super bem bolado, prático, confortável, ótima acústica, uma sacação genial de abrir pra dentro e pra fora, enfim, mais uma das brilhantes obras do mestre.

    A parte dos camarins podia ser melhor, é o único porém que é bem pequeno.

  • 14 Epicuro // 13/July/2008 às 20:33

    Concordo. Dizer que tudo que o Niemeyer fez é maravilhoso é loucura. Tem coisa feia e burra pra caramba!

  • 15 aiaiai // 13/July/2008 às 20:54

    Quem critica o Niemeyer dizendo que só fez monumentos, devia dar uma espiada - aqui mesmo na internet - e descobrir a quantidade de prédios residenciais que ele projetou, maravilhosos e ainda hoje modernos. O cara é genial, reconhecido por arquitetos do mundo inteiro. Mas aqui ele é só um velho comunista…ô raça!

  • 16 Antonio Ermírio de Moraes // 13/July/2008 às 21:19

    aiaiai,

    um grande abraço para você.

    Tem gente que acha que é “chic” criticar uma pessoa que é quase unimidade, mas deixa prá lá.

    Niemyer em nada perderá com isso.

    E seu nome ficará para a história.

  • 17 Antonio Ermírio de Moraes // 13/July/2008 às 21:19

    aiaiai,

    um grande abraço para você.

    Tem gente que acha que é “chic” criticar uma pessoa que é quase unimidade, mas deixa prá lá.

    Niemyer em nada perderá com isso.

    E seu nome ficará para a história.

  • 18 Antonio Ermírio de Moraes // 13/July/2008 às 21:24

    Perdoem, os anos me pesam.

    O que eu quis dizer é que Niemeyer é quase uma unanimidade mundial.

  • 19 marco // 13/July/2008 às 21:49

    Ricardo Leal, caro,

    Conheço Brasília de passagem.
    Três vezes, no máximo.
    Tenho amigos que moram na cidade e não saem daí por nada do mundo.

    Uso caipira no sentido de mau gosto extremo.

    Não vai aqui um pingo de preconceito, pois nasci numa pequena cidade do interior, portanto sou caipira - no bom sentido. )

    Caipira do tipo ON / Brasilia, é algo como construir um castelo medieval no agreste ( sim, existe um assim no Brasil )

    E também no sentido de fonte luminosa, se é que você me entende.

    Juscelino, como bom prefeito do interior de Minas Gerais, fez sua ” fonte luminosa”- Brasília.

    ( de novo, a pequena cidade onde nasci é em Minas - e sim tinha uma fonte luminosa de péssimo gosto. )

    Deve existir uma Brasília que não conheço aonde a vida pulsa. Meus amigos atestam isso.

    Na outra, a Brasília das obras de Niemayer o homem é esmagado.

    O que é uma constante nas arquiteturas totálitárias, aonde o Estado reina triunfante sobre os trêmulos seres que lhe devem obediência.

    Oscar Niemayer era, e é, comunista.

    Sua obra expressa o que lhe ia e vai pelo coração.

    Muito concreto estatal, pouca importância pelo humano.

    abs,
    ma
    .

  • 20 Ricardo Leal // 13/July/2008 às 22:16

    Caro Marco, cheia de surpresas a vida aqui neste mundo sub-lunar. O comunista Niemeyer é um homem cujo trabalho,pra muitos, tem valor poético de gênio inventivo, às vezes até excessivamente auto-referente, mas a um tempo originalíssimo e expressivo de uma sociedade ainda plástica. A nossa, brasileira, que em meados do século passado floresceu criativamente entre o mais moderno (extremo oposto da caipirice, posso lhe assegurar) e o pré-renascentista. Ariano Suassuna teria o que dizer a respeito; mas sei lá, experimente aquele truque antigo, combinar uma coisa com outra e olhar pra capital lembrado dos grandes poetas de meados de século, Jorge de Lima, Drummond, Murilo Mendes; ouça o Villa dos últimos quartetos, já nos anos 50, ou em registro mais pop veja nossa produção de imagens pros mass-media (cinema, diagramação de revistas, etc) na mesma época. Enfim: Brasília é um gosto adquirido, mas sei lá - Guimarães Rosa também é. Que eu saiba, ninguém sério deixa de gostar (ou não) de Pound porque namorou o fascismo, ou de Shostakovich porque em certo ponto da vida ganhou o prêmio Stalin. Quem sabe um passeio pelo Ibirapuera em manhã de sol lhe ajuda a perceber melhor a coisa. Em certo plano, independe de gosto.

  • 21 S Leo // 13/July/2008 às 22:26

    Niemeyer é genial, tem prédios belíssimos, casas maravilhosas e também construções inabitáveis. Mas craque mesmo é o calculista dele, que bota aqueles troços de pé.

    O museu de Niterói não é particularmente bonito visto de fora, mas, por dentro, tem a vista mais espetacular já vislumbrada de dentro de um museu, é uma experiência de tirar o fôlego. Como Museu é um problema, não tem a estrutura apropriada (como também o novo museu de Brasília, que não tem portas para deixar entrar obras de grande porte, e uma amiga minha jura ter sido feito para abrigar, no futuro, o mausoléu do arquiteto).
    O Itamaraty é um palácio e tanto, e a capela do Alvorada uma das coisas mais singelas que existem na capital. A biblioteca é um dos maiores equívocos do país, e a construção feita nas coxas piorou a coisa, não serve nem para abrigar história em quadrinhos do Seninha.

  • 22 Mr X // 13/July/2008 às 22:36

    o marco disse tudo

  • 23 Microempresário // 13/July/2008 às 22:58

    Como de costume, o mais difícil é aceitar o Niemayer (ou outros nomes influentes) como um ser humano que acertou algumas coisas e errou em outras. Tem que ser na base do “é um gênio e só um idiota poderia criticá-lo” contra “é um imbecil e só um idiota poderia elogiá-lo”.Transformar o coitado em um símbolo de sei-lá-o-quê.

    De minha parte, acho uma pena o fato de que, por causa da “santificação” do Niemayer, outros arquitetos brasileiros estarão sempre em segundo plano.

  • 24 Zé Bush // 13/July/2008 às 23:02

    well….é evidente que o Niemeyer fez coisas belíssimas lá pelos anos 50/60. Sua obra foi necessária e oportuna e tem seu valor. O problema é que o vocabulário do rapaz parou no tempo e hoje não encontra mais ressonância. As obras (pelo menos as mais recentes) de Niemeyer não dialogam com porra nenhuma, muito menos visam o homem como usuário final. São monumentos balofos, pesados, simplórios,repetitivos, vazios. Agridem a paisagem ignorando o entorno, num delírio de cimento.

    Niemeyer cometeu o disparate de projetar um museu sem janelas! Tudo fechado, iluminação artificial, clautrofóbico, frio, excludente. Seus espaços são inertes e tudo se resume a um mundão de cimento. Fica a impressão de que se ele fosse chamado para projetar uma cidade, sua primeira providencia seria eliminar o verde para…cimentar tudo! Niemeyer odeia planta e luz natural! Constrói seus mausoléus e quem quiser que lasque o rabo no chão escorregando nas rampas.

  • 25 surfando na jaca // 14/July/2008 às 0:11

    Para que discutir o que é óbvio? O Niemeyer é um gênio do concreto e consagrado mundialmente, ainda que alguns bovinamente torçam o pescoço para sua obra. Nem Jesus agradou a todo mundo.
    Mas por que esqueceram a Catedral de Brasília? Uma das melhores obras do camarada? Linda por fora e por dentro. O Palácio da Alvorada é um dos prédios mais belos, simples e refinado. Vida longa ao Oscar!

  • 26 bitt // 14/July/2008 às 0:12

    É lógico q as pessoas têm direito de dizer o q quiserem, e nem Niemeyer nem ninguém, vivo ou morto, justifica unanimidade. Como dizia o bom Rodrigues (volta-e-meia tb alçado à categoria em questão) “toda unanimidade é burra”.

    Mas tamb é burrice atacar um artista como ON em função de uma mera espiada em suas obras ou (pior) de suas inclinações políticas.

    Não se deve esquecer que o obra dele é um conjunto, com começo, meio e fase final, na qual ele se entregou a sua fixação pela curva. Dizer que “craque mesmo é o calculista dele” é estupidez semelhante a dizer q a beleza de um Lamborghini está no motor de 750 CV. Nos anos 40, qdo a tecnologia do concreto armado estava chegando à maturidade, ON teve a perspicácia de perceber as possibilidades daquele sistema. Ao contrário do q se diz, ele nunca fez nada q um bom calculista não pudesse detalhar.

    Tamb não se deve esquecer q Brasília é uma obra à quatro mãos, e que ON apenas povoou de prédios monumentais o plano de Lúcio Costa. Alguns desses prédios - por exemplo, a Catedral e o Itamaraty - são brilhantes.

    Qto ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói, é um prédio problemático, como museu, mas um monumento integrado de forma comovente ao litoral da região. Ao contrário do q alguém disse, o monumento coloca sobre um promontório, diante do mar, um toque de humanidade q, como disse o marco, aí em cima, põe o homem como medida de todas as coisas, inclusive a medida de conceber e reconceber a natureza. Aquilo nunca teve a intenção de se parecer com um disco-voador: é um belvedere, e a arquitetura moderna está cheia deles - basta lembrar o pequeno mirante plantado em certo pt da estrada Rio-Petrópolis, a cavaleiro da Baixada Fluminense e de uma vista espetacular. Nos anos 1990, alguns europeus (acho q alemães) fizeram um documentário onde ON aparecia “pilotando” o prédio como se fosse uma espaçonave. Quiseram frisar, ao q parece, a visão futurista dele e o resultado foi uma babaquice - exatamente essa de q estamos falando.

    Não tenho uma opinião formada sobre ON. Pessoalmente, acho q ele não pode ser ignorado, como não é. A obra do Phillipou (q não é tão recente) é respeitosa e situa bem o artista, inclusive ao separar o joio do trigo - suas gdes obras daquelas nem tanto. Surpreendente mesmo é o tom desrespeitoso - e até xulo - com q alguns dos postistas, sem base alguma q não seja um “achismo” um tanto arrogante, se referem a esse brasileiro notável.

  • 27 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 14/July/2008 às 1:18

    ON é brega…..

  • 28 Theo // 14/July/2008 às 1:27

    Olha eu sou de brasília, não sei se é por isso mas eu acho essas obras do niemeyer ridiculas, como disse o rolando, uma rampinha e curva, sem falar no concreto que não acaba mais.

    Essa biblioteca nacional é a coisa mais feia do mundo, acho que usou mais concreto do que a represa roosevelt.

    uma bosta.

  • 29 Fabio Negro // 14/July/2008 às 2:52

    Alguém sabe qual é aquele prédio relativamente recente do Niemeyer, cujo prédio em si não toca o chão, ele é suspenso por colunas?

    Sensacional, lindo de morrer!

    Não fica no Brasil, é uma encomenda internacional.

    Alguém?

  • 30 Julio Meirelles // 14/July/2008 às 3:44

    Niemeyer é um gênio.

    Nem por isso gosto dele.

    Admirar a inteligência e gênio e de uma pessoa e a obra produzida por ela é diferente de gostar da obra produzida por essa inteligência e gênio.

    Concordo com aqueles que consideram que o gênio de Niemeyer se ajusta melhor às grandes obras, principalmente os palácios.

    Sem dúvida que o Palácio da Educação no Rio, a Pampulha como um todo (não a conheço pessoalmente, por isso não faço comentários individualizados) e o Plano Piloto, onde se destacam o Palácio do Planalto, o Itamaraty, o STF e o Congresso, impressionam.

    A Catedral de Brasília ultrapassa tudo isso.

    Mas o mesmo homem que produziu essas obras foi capaz de projetar o prédio dos Cieps, que não possui paredes completas separando as salas de aula, o que obriga os professores a usarem sua vozes de forma inapropriada.

    Essa peculiar característica dos Cieps já custou ao Estado do Rio de Janeiro a aposentadoria precoce de inúmeros professores. Consultado pelo Sindicato dos Professores sobre a possibilidade de mudar o projeto dos Cieps, Niemeyer respondeu que os professores deveriam aprender a sussurrar.

    O Parlatino é outro exemplo da visão de Niemeyer sobre a funcionalidade de seus projetos.

    Para quem não conhece o Parlatino é um prédio no meio de uma praça de concreto no Bairro da Barra Funda, um dos lugares mais carentes de São Paulo de áreas verdes.

    Quando o projeto foi apresentado foi perguntado a Niemeyer se poderiam ter árvores no lugar, ou se poderia o concreto ser substituído por grama. A resposta dada foi de que as pessoas deveriam aprender a admirar a beleza do concreto nu.

    É por isso que eu não gosto de Niemeyer, pois sua preocupação com o homem é rala, e sua visão de urbanismo me parece inexistente, pois parece jamais questionar o impacto de sua obra sobre o entorno ou a cidade.

    Sua única preocupação aparente é com o choque que a obra projetada produzirá, bem assim com a capacidade que ela possui de quebrantar e subjugar a natureza. Seu ardor pelo concreto demonstra isso.

    É por essa razão que não gosto do MAC, com sua estrutura inadequada para ser um museu e sua incapacidade de adaptar-se ao local que se encontra. A estética é incrível, mas para por aí na minha visão a lista de qualidades dessa obra.

  • 31 Rodrigo // 14/July/2008 às 8:56

    Tem gente que não gosta de Niemeyer por causa de sua ideologia e ser arvora de arquiteto pra criticar as obras dele. Barbarismo…

  • 32 Chesterix-Darlymple (velho colega) // 14/July/2008 às 10:34

    Não é isso, eu critico o ON por usar de sua fama como arquiteto (merecida, eu não gosto, mas aceitp o fato) para dar palpite em política….e é comunista, o que achom ser uma deficiência mental.

  • 33 Elias // 14/July/2008 às 11:20

    Com muita freqüência, fala-se que a obra de Niemeyer “esmaga o ser humano”. Como o Marco fez aqui.

    Por ironia, uma dos projetos do Niemeyer que eu mais gosto, não é de arquitetura, mas de urbanismo. E gosto exatamente pela prioridade que ele confere ao ser humano.

    Estou me referindo à cidade de Neguev, em Israel. Desafio a que se encontre outro projeto urbanístico no qual a integração humana tenha rececebido a mesma atenção, com pelo menos metade do brilhantismo.

    Na arquitetura concordo com PD: Itamarati, disparado, o mais belo projeto.

    Pra mim, vem, em seguida, a Casa das Canoas. Estive lá e fiquei babando para o modo como ele integrou ao projeto a pedra que havia no lugar (aliás, acho que ele integrou o projeto à pedra…).

    Depois vêm o prédio do Ministério da Justiça, o do STF e a Catedral de Brasília. Até então, catedrais eram sinônimos de prédios escuros, quase lúgubres, “associados ao pecado”, como disse Niemeyer. A partir dele, a coisa mudou.

    Também por ironia, um outro belíssimo projeto de Niemeyer não tem linhas curvas: é o MAM de Caracas.

    Bem, já estive dentro de um porrilhão de prédios projetados pelo Niemeyer. Até trabalhei dentro de alguns deles. Jamais de senti esmagado. Pelo contrário: sempre louvei a funcionalidade (apesar das sempre presentes agressões que a barnabelândia brasileira costuma cometer).

  • 34 Guida // 14/July/2008 às 11:58

    Trabalho há 30 anos em prédios - 2 - projetados por ON, em Brasília. Que desgraça!

  • 35 Antonio // 14/July/2008 às 12:26

    Entao ta.

    Deixemos de ler Pound, Heidegger, Nietzsche, Borges. Ou, no outro espectro, Conrad, Kippling, Cortazar, e muitos outros.

    Deixemos de ouvir Shostakovich, Wagner, ou Chico Buarque.

    Deixemos de admirar Niemeyer (em seus melhores momentos).

    Ficaremos sem duvida mais inteligentes e cultos reduzindo, julgando e descartando a criacao somente pela inclinacao politica do artista ou intelectual.

    ACT

    E a proposito, a definicao “o homem eh a medida de todas as coisas” eh de um grego. Protagoras, eu acho.

  • 36 Mr X // 14/July/2008 às 12:35

    Protágoras? Não seria Protógenes?

  • 37 Ricardo Leal // 14/July/2008 às 12:38

    Elias, nota de pé de página ao seu comentário. Catedrais medievais, ao contrário do que supõe a imaginação popular pós-romântica, são lugares cheios de luz filtrada por vitrais. Existem livros e mais livros e um montão de imagens na web sobre isso. À época de sua construção, eram provavelmente claras por fora. A catedral de Niemeyer em BsB famosamente dialoga com esse esquema ; o sujeito entrando por um túnel escuro para chegar a um templo aberto à luz do Planalto. Verdade que é difícil e caro pra manter em bom estado de conservação. Pessoalmente gosto muito das linhas e do adro com os evangelistas dispostos 3 a 1 (São João é de fato um caso à parte) e dos anjos também de Ceschiatti. Fica muito digno ainda em noites de céu claro; e com certeza a nave pode ser valorizada em cerimônias nas quais se planeja adequadamente a iluminação. O espelho d´água suaviza o concreto. Surpreendente a citação de Niemeyer que você reproduz e eu não conhecia: pra um católico de saída é um contra-senso, e com certeza pra muitos historiadores de arquitetura. No mais, um pouco na linha aí do Júlio Meirelles, nesse caso específico admiro mas recorro para comentar a um excerto de Alceu Amoroso Lima, parte de um ensaio publicado em 1936. Trata-se de resenha em que reflete sobre “artes sociais” como a arquitetura e fala de “drama estético” na Igreja, que no século XX tem necessidade “de exprimir uma filosofia ´material e espiritual´da vida (…) em formas que são o produto de uma concepção puramente ‘material´da mesma e portanto unilateral.” Imagino como será a nova catedral de BH, recentemente encomendada ao Niemeyer…

  • 38 Gerson B // 14/July/2008 às 13:04

    Lendo o Julio Meirelles (30) entendi uma coisa. Uma vez fui a uma reunião no CIEP do Catete. Era domingo e apesar do trânsito estar fraco o ruido atrapalhava. Fiquei me perguntando como seria possível dar aula em dias de semana. Sabia que havia algo mal projetado quanto à acústica. Pode ser o que ele descreveu.

    O que ele disse confirma e reforça minha visão do Sr Oscar.

  • 39 Gunnar // 14/July/2008 às 13:26

    Concordo com Chest, O.N. é brega.

  • 40 Rodrigo // 14/July/2008 às 14:40

    Pra essa cambada de reaça, o único brasileiro de destaque na história e no mundo deve ser o Eulevo de Carvalho. Deus me livre…

  • 41 marco // 14/July/2008 às 16:40

    Ricardo Leal // 13/July/2008 às 22:16

    Que eu saiba, ninguém sério deixa de gostar (ou não) de Pound porque namorou o fascismo.

    marco - certo, Ricardo.
    Tanto que os aliados, depois da vitória, não sabendo o que fazer com um gênio de tal porte amigo dos facistas enfiou o coitado em um asilo de loucos.
    Importante- Jamais faria um juízo de um artista tendo em vista seu DNA político. Mas, no caso de ON, ele mesmo faz questão disso.
    Se sua obra soltasse em vez de esmagar eu bateria palmas.
    Mas não é o que acho.

    Ricardo- Quem sabe um passeio pelo Ibirapuera em manhã de sol lhe ajuda a perceber melhor a coisa. Em certo plano, independe de gosto.

    marco- claro.

    abs,
    ma

  • 42 marco // 14/July/2008 às 16:50

    bitt // 14/July/2008 às 0:12

    É lógico q as pessoas têm direito de dizer o q quiserem, e nem Niemeyer nem ninguém, vivo ou morto, justifica unanimidade. Como dizia o bom Rodrigues (volta-e-meia tb alçado à categoria em questão) “toda unanimidade é burra”.

    Mas tamb é burrice atacar um artista como ON em função de uma mera espiada em suas obras ou (pior) de suas inclinações políticas.

    marco- bitt, caro, detonar um artista por suas inclinações políticas é de uma burrice exemplar.

    Seria o mesmo que negar a genialidade de Nelson Rodrigues, que chamava Marx de besta.

    Acontece que eu não vejo, sinceramente, nenhuma genealidade em ON.
    O que fazer?

    abs,
    ma

  • 43 marco // 14/July/2008 às 17:13

    Elias // 14/July/2008 às 11:20

    Com muita freqüência, fala-se que a obra de Niemeyer “esmaga o ser humano”. Como o Marco fez aqui.

    marco- caríssimo Elias, as catedrais medievais simbolizavam sua época.
    A do homem esmagado por Deus.
    Os humanos eram tão pouco merecedores de respeito que quase todas as catedrais são anonimas.
    Uma obra coletiva que se estendia por muito tempo aonde nomes não eram importantes. Assinar a obra seria algo como pecar.
    Seria colocar o Homem acima de Deus…heresia!

    E, no entanto são belíssimas.

    Como é belíssima a catedral de Brasília - vista de fora. Os semi arcos se erguendo como em uma preçe aos céus. Beleza.

    Por dentro, o vazio.
    Anjos sem alma.
    Enfim, o retrato de seu autor.

    Os anônimos que construiram as catedrais góticas o fizeram pela Fé dominante.

    Para ON, a obra da catedral de Brasília era apenas mais uma oportunidade de concretar, segundo seus critérios.

    abs,
    ma

  • 44 marco // 14/July/2008 às 17:18

    Antonio // 14/July/2008 às 12:26

    Entao ta.

    Deixemos de ler Pound, Heidegger, Nietzsche, Borges. Ou, no outro espectro, Conrad, Kippling, Cortazar, e muitos outros.

    Deixemos de ouvir Shostakovich, Wagner, ou Chico Buarque.

    Deixemos de admirar Niemeyer (em seus melhores momentos).

    Ficaremos sem duvida mais inteligentes e cultos reduzindo, julgando e descartando a criacao somente pela inclinacao politica do artista ou intelectual.

    ACT

    marco- Antonio, caro, eu não disse isso.

    Antonio - E a proposito, a definicao “o homem eh a medida de todas as coisas” eh de um grego. Protagoras, eu acho.

    marco- pois a Renascença foi exatamente isso, Antonio : o renascimento dos ideais gregos.

    abs,
    ma

  • 45 Gerson B // 14/July/2008 às 22:07

    Rodrigo,(40) eu acho Chico Buarque um gênio. As letras dele são incríveis. E tenho vários livros do L.F.Veríssimo. O fato de discordar deles não muda minha opinião. O que penso sobre os trabalhos do Oscar não tem nada a ver com o fato dele ser comunista.

  • 46 Elias // 16/July/2008 às 10:03

    Marco,

    Não discordo quanto a que as catedrais medievais sejam belíssimas.

    Digo apenas que Niemeyer inverteu o conceito — ao invés se passar da claridade para a penumbra, fez com que se passasse da penumbra para a claridade — com um resultado belíssimo.

    Não tenho convicção religiosa, mas não consigo entender por que alguém se sentiria “esmagado” na Catedral de Brasília.

    E, insisto: jamais me senti esmagado em nenhum dos prédios públicos projetados pelo Niemeyer nos quais trabalhei.

    O que torra o saco é o incontrolável hábito do brasileiro de extinguir uma instituição pública e, em seu lugar, criar outras 4.

    Ou pegar uma instituição pública e decuplicar o número de funcionários em menos de 6 anos.

    Ou fazer com que um processo que poderia ser resolvido com 5 ou 6 peças, passe a demandar 100 vezes mais. E tome de certidão de nascimento da princesa Isabel, atestado de vacinação do Duque de Caxias, etc, etc.

    Aí os prédios se enchem de “anexos” e de espaços redivididos. As salas se enchem de tapumes, os tampos dos balcões passam a funcionar como armários para armazenar papelório, enfim, tudo se torna uma bagunça monumental.

    Mas, o que o Niemeyer tem a ver com isso?

    Ele ainda não era nem nascido e o Brasil e os brasileiros já eram assim…

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