A costura diplomática entre Irã, EUA e Europa
Há definitivamente tensão no ar por conta da possibilidade de um ataque ao Irã. Esta semana, em vários pontos do mundo, distintos esforços diplomáticos saíram à tona veladamente na imprensa.
Na edição de semana passada da revista The New Yorker, o decano dos repórteres investigativos Seymour Hersh publicou um longo texto a respeito dos conflitos internos entre Casa Branca e Congresso, nos EUA.
Segundo Hersh, a liderança democrata e republicana, no Congresso, autorizou o financiamento de operações secretas dentro do Irã por parte da CIA e das Forças Armadas. Em geral isso quer dizer dar dinheiro e treinar forças de oposição. Há receio, no entanto, de que estas atividades estejam indo além.
Um dos que manifestam preocupação é o secretário de Defesa Robert Gates. Falando numa reunião privada a senadores, Gates disse que se houver ataque ‘vamos criar gerações de jihadistas e nossos netos vão lutar contra esses inimigos aqui nos EUA’. Perguntaram-lhe se ele falava em nome do presidente Bush ou do vice, Dick Cheney. ‘Digamos que falo apenas em meu nome.’ Sim, o ministro de Bush é contra os aparentes esforços da Casa Branca de atacar o Irã. Hersh diz ainda que a resistência entre os generais também é muito grande. Mas que a pressão por um ataque continua.
Ali Ettefagh, um financista iraniano que mora entre Irã e Europa, analisa assim a situação: ‘Estes são vazamentos propositais vindos direto do escritório do vice-presidente para Seymour Hersh. É um jogo psicológico, uma onda cíclica de noticiário intenso contra o Irã que demonstra a falta de boa vontade do governo norte-americano. Essas notícias de operações secretas chegam para desestabilizar o Irã no momento em que o grupo 5+ 1 (EUA, França, Reino Unido, Alemanha, China e Rússia) fazem uma oferta de acordo para resolver a questão nuclear. O Irã não deve se permitir confundir pelo jogo.’
Segundo Ettefagh, sempre que algum tipo de acordo está sendo seriamente discutido, vaza na imprensa dos EUA alguma notícia que afasta o Irã das mesas de negociação. O Irã fica parecendo o vilão. Talvez. Aí, passam-se uns dias, o presidente Bush vem deixar claro que nada disso está acontecendo e que a solução que seu país busca é diplomática. Exatamente como aconteceu esta semana. A questão, porém, é mais complexa.
Mesmo quando nós jornalistas não percebamos o jogo – e, muitas vezes, não percebemos mesmo que estamos sendo usados – diplomatas percebem. Sabem exatamente o que acontece, tanto no Irã quanto fora. O desconforto com o governo iraniano é grande. O presidente Mahmoud Ahmadinejad fala demais e não tem qualquer vontade de diplomacia. É um incendiário. E é por isso que uma carta publicada ontem no jornal francês Liberatión é particularmente importante.
No ano passado, o presidente francês Nicolas Sarkozy procurou ser recebido pelo aiatolá supremo Ali Khamenei. Para negociar em que condições tal encontro poderia ocorrer, o velho aiatolá ordenou que seu braço direito, Ali Akbar Velayati, fosse à França. Velayati então procurou o presidente Mahmoud Ahmadinejad para informá-lo da missão numa visita de cortesia. Ahmadinejad deixou-o esperando por horas madrugada adentro até recebê-lo e foi rude. Então, o presidente do Irã escreveu uma carta a Sarkozy chamando seu par francês de ‘jovem e inexperiente’ e fazendo ameaças veladas. O fato de que Sarkozy é cinco meses mais velho do que Ahmadinejad é irrelevante. A conversa foi abortada antes de ser negociada.
A carta publicada no Liberatión é de Velayati. Parece que veio do nada. Responde, naquele tom floreado da prosa persa, a uma pergunta jamais feita. ‘Apesar de seu vasto poder, o líder supremo só intervém em casos muito importantes, deixando a maior parte das questões para os responsáveis pelo Estado. Ao receber dignitários e líderes de outros países, ao se comunicar com eles, o líder dá mostras de sua presença crucial na diplomacia iraniana.’
Quer dizer que, no ano passado, Ahmadinejad cruzou uma linha de poder interno que não deveria ter cruzado. Foi um recado para o governo francês: desculpem a grosseria do rapaz, aqui em casa quem manda ainda é o velho.
Não é dizer, de forma alguma, que Sarkozy e Khamenei estejam prontos para se encontrar na semana que vem. O encontro talvez jamais aconteça. Mas Khamenei acaba de desautorizar o presidente Ahmadinejad perante a França. É a maneira iraniana de usar a imprensa em sua diplomacia. Seu objetivo é botar panos quentes.
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a esperança é sempre a penúltima a morrer!
Sei não….não acho que essas pessoas sejam tão naifs assim…mas pode ser…tudo pode ser!
Se colocarem fogo naquele vespeiro, vai ser um corre-corre danado de ruim.
Melhor negociar e negociar.
E não esquecer que o Bush é o culpado do Ahmadinejad estar no poder.
aí está a prova do que eu disse…
Pô, e logo o Sarkozy que tá estragando o barato da reaçada e negociando com o Irã? Outro dia estava conversando com o Chávez, já já vai ter reaça dizendo que ele também é espião chinês…
Como assim Fucs?
pax, já disse,
a esperança é sempre a penúltima a morrer…
É um pouco off, mas ontem passei o dia com 2 espanhóis. Um catalão e outro aragonês.
Dei os parabéns pela vitória na Eurocopa e o catalão disse-me que não torceu pela Espanha. Que a Espanha impediu um time catalão de disputar um jogo amistoso contra a Itália no fim do ano passado etc.
Perguntei mais, falou que Aznar era um hitlerista, mas Zapatero enfraquece os regionalismos a tal ponto que os movimentos separatistas, principalmente o basco, catalão e galego, se fortalecem. Principalmente com os problemas econômicos que surgem. O aragonês reclamou que também eles são fortes, enfim, um dia curioso, mas os com os caras, super simpáticos. O catalão conheço faz um tempo. Aliás, ganhei um canivete Simon feito em Albecete, maravilhoso.
Aí perguntei se esses movimentos eram mais fortes que o incômodo da possibilidade de uma Europa islâmica. Pensaram bastante e acharam que nesse caso, a Espanha se une.
Acredito que parecido com o mundo islâmico, no caso de uma invasão no Irã, mesmo sendo persas.
Sei lá, pensamentos incômodos.
Kakakakaka. Divertido, Pax.
Mas Bush não pode ser culpado de algo pelo qual tem pouco controle.
Quanto ao Sarkozy, foi unútil nas negociações pela Ingrid, acho que vai ser inútil aqui também…
Deixem a diplomacia com a Força Aérea Israelense… É maia garantido…
mais
O enorme e desengonçado Mr X de 2,11 m de altura e um bom blog desalmado nega que Ahmadinejad subiu ao poder quando os EUA se recusaram a negociar com o Irã em 2003?
Vou dar uma do velho e bom Chesterton: Vá estudar Mr X !
Pôu Pax… Magoei… :-(
:-P
certo, se o Ira tivesse negociado quem estaria no poder, Pax Ajax belix?
…o Aiatolá Al-Obama?
Sei láx, talvez o Aiatolax.
Mas não o Ahmadinajax.
o Panoramix?
Fora de tema — PD
Fora de tema — PD
pô.
encontri o hexavö do PD
http://pt.wikipedia.org/wiki/Franklin_Dória
comprei!
Os herdeiros do poder
Francisco Antônio Dória e outros
História 272 páginas
ISBN: 8571060819
Chesterton, o barão de Loreto não foi meu hexavô, mas obrigado pela preocupação. Ele é do ramo Menezes Doria. Sou Costa Doria. Os dois grupos têm origem na mesma gente da Bahia, mas o parentesco fica meio distante depois de alguns séculos… O artigo da Wikipédia explica.
Rapaziada: O barril de petróleo já está a US$145. A Gazprom russa já declarou que chegará aos US$250 (e está trabalhando para isto!) em 2009 ou até antes. Se a malta aloprada atacar o Iran, bate nos US$500. Aí, prezados, vocês irao fazer fila na sopa popular; vai evaporar emprêgo que nao será brincadeira!
Mió sentá i negociá, já dizia o minerim capiau…
negociar com quem?
Apesar de sempre torcer pela negociação e democracia, não acredito que os detentores da força bélica vão deixar de testar seus novos brinquedinhos e dar uma calibrada no estoque de armamentos. Parece-me que eles adoram essa situação, às vezes acredito que eles até provocam-na. Essa turma é tarada por uma rinha. Mas, em outros depoimentos de outros tópicos pude perceber que tem gente a favor de uma redução em massa da humanidade, ou melhor, da vida animal na terra. Que conflitos ou catástrofes da natureza serviriam pra dar uma equilibrada na situação do caos. Engraçado, o caos pelo caos. E aí, quem se manifesta? Não seria essa a hora de diminuir a população? A hora do equilíbrio? Deve ter comandante se coçando pra manda umas atômicas por aí, e depois dizer com cara de pau: “__Foram eles que começaram!”(tipo menino birrento).
“24 Chesterton // 4/July/2008 às 15:52
negociar com quem?”
Com o Dracul. Tá na cara!
C. Barbosa: Fica quieto, aí, cara! Nao tente o Chesterton/Dracul/Chupacabra - ele é general (da banda e do teclado) e anda com umas dezenas de bombas atômicas no bolso do colête, prontinhas pra soltar no Iran e na Venezuela.
Quem sabe você o convence a largá-las na China? Aquilo ali bem que precisa de um controlezinho de populaçao tal como você sugeriu…
Fora do tema — PD
#27,
Uma sugestão sarcástica, só pra fomentar o debate. Prefiro soluções como redução do consumo, sei que eles acham utópico, mas é uma questão de comportamento, construção de uma nova consciência, pelo bem coletivo.
Israle vai fazer o serviço com dinheiro saudita. Os aiatoloucos que se preparem. Vai ficar tudo em casa, no Oriente Médio. Bush vai declarar:
- que coisa…..(depois, lógico).
Bom, se um dia atacarem o Irã, o.k. Mas não este ano. Seria absurdo um presidente com só mais seis de mandato começar uma nova guerra. Obama e McCain iam se encontrar numa situação à la Lincoln. Com a diferença que nenhum deles é Lincoln.
Obama já está desdizendo tudo o que disse sobre retirar as tropas do Iraque. Acho uma coisa e vou dizer a vocës.
Esse Obama, se eleito, vai dar uma decepção as esquerdas do tamanho daquela que o Lula deu….e criou o Psol, a Genro, e aquelas doidetas todas.
simplesmente não tem mais muito espaço para uma esquerda radical, vai ficar tudo na mesma mediocridade petista…será que os EUA estão se contaminando via América Central?
O Reinaldão está hilário hoje….
Que os pôrra-louca ataquem - quero ver!
A GM americana tá indo pro brejo; analistas afirmam que pode até ir à falência. E isso com o barril a US$145. Imagine o que acontece com a economia yankee - e com seus empreguinhos, caro bloguistas - quando o barril saltar pra US$500!
Seu Barbosa, o subversivo: Reduçao de consumo nao reduz populaçao; pode até fomentar. Se o cara nao tem iPod, Blackberry, celular e TV pra olhar e se escravizar, vai começar a ter idéias eróticas e querer trepar na muiézinha à toda hora - filhinho à beça! Tem que ser na bomba H mermo!
Beócio é aquele que crê que o Obama é de esquerda….
Dracul: Ocê tá brincano? É pra rir ou pra chorar, mermao?
#33
… na verdade radicalismo, tanto esquerda quanto direta. Concorda?
E, pra terminar: A mediocridade neopetista é o melhor que se pode ter em Banânia. No mesmo nível da mediocridade tucana, collorida, sarneísta, jucelinista, etc. Nada muda em Banânia; só muda pra ficar no mesmo, nunca mudar. Agora, essa “mudança” fica ótima pra rentista, banqueiro, bolsistas de todo tipo, deputado, senador, vereador. Ao povao, as migalhas. E serviços africanos.
Boa noite a todos e…
Até amanha
Se deus quiser
Se nao chover
Eu volto pra te ver, ô galera!
Companheiro caramujo
Eu, josef mario, devo dizer que concordo com o companheiro - este companheiro obama nunca foi e nunca será de esquerda. Aliás, de esquerda de verdade eu, josef mario, só conheço dois: o companheiro hugo chavez, enquanto bolivariano e a minha jeba que insiste sempre em pender para o lado esquerdo.
Muito obrigado
Caramujo, numa recessão você vai viver de que mesmo?
36…eu e o mundo caramujo….
cadê a esquerdalhada?
Sarkozy pode ser a coisa nova nesa relação ocidente -oriente médio e Irã…..
Que Deus o ilumine e guarde……
Nos recebeu com grande consideração e tratativas para um acordo militar Fraça -Brasil estão indo de vento em popa!
Tomára ele chame o Irã ao mundo dos países “normais”….eles tem cultura, escolas, pet´roleo e a juventude atual clama por ventos frescos e novos…….
E é somando que faremos um mundo melhor……
Sem Chesters,Mrs.X e outras “coisas loucas”!
HRP, vai matar todo mundo que discorda de você?
Não dá né?
….então é aguentar as pragas!