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O etanol brasileiro e a ecologia

June 29th, 2008 · · 40 Comentários

Alguns números e dados que a Economist da semana cita para defender o etanol brasileiro das críticas no exterior.

Um dos problemas dos combustíveis é a relação entre energia gasta para produção e o resultado final. Para cada 1 consumido na produção de etanol de cana, ganha-se 8,2; a relação do etanol de milho é de 1 para 1,5. Ou seja, para produzir etanol de milho é preciso gastar gasolina à beça. Com a cana, açúcar puro, é diferente.

Uma crítica contumaz diz que as plantações de cana expulsam o gado e, portanto, aumenta o desmatamento na Amazônia voltado para pasto. Os canaviais ocupam 7 milhões de hectares no Brasil e apenas metade é voltado para combustível; o pasto ocupa 200 milhões. Segundo a Economist, os canaviais podem se expandir só em pasto degradado sem sequer tocar no preço da carne.

Isto não leva em conta o fato de que a tecnologia para aproveitamento de cana na produção do etanol está próxima de dar um grande salto de produtividade. A manipulação genética já produz espécies com 80% mais de sacarose ou capazes de agüentar sem água por 45 dias.

O grande problema da cana são os trabalhadores, com cujas imagens do serviço exaustivo e degradantes estamos acostumados a ver. São 440.000 homens e mulheres. O problema destes não é que o trabalho seja duro demais. (Um em cada 26.000 bóia fria da cana morre por acidente de trabalho; a média agrícola nacional é um em cada 16.000.) O problema é que espera-se que a colheita de cana seja feita totalmente por máquinas até 2012. São quase meio milhão de pessoas sem qualquer preparação formal desempregadas.

Mas, se este é um problema que o Brasil terá de encarar, ele nada tem nada a ver com impacto ambiental. O etanol de cana é uma das melhores alternativas já existentes para substituir o combustível a base de petróleo.

Tags: Brasil · Energia e Aquecimento global

40 Comentários até agora ↓




  • 1 Proftel // 29/June/2008 às 16:48

    Pedro Doria, não colocaria “para substituir o petróleo”, e sim “par substituir gasolina” ou “substituir combustíveis automotivos”.
    Não dá pra fazer asfalto com alcool por exemplo.
    De boa, melhor ajeitar.

    :-)

  • 2 Ricardo Cabral // 29/June/2008 às 16:53

    Bem colocado, Prof, sem falar no resto da indústria petroquímica.

  • 3 Arpex // 29/June/2008 às 17:00

    Concordo com o Proftel.

    Bons números. Preto no branco. Certeiro. Não há quem negue. O etanol brasileiro é do bem.

    Agora falta descobrir se a energia que o governo gasta fazendo lobby do etanol de cana é a mesma que gasta no auxílio aos cortadores de cana…

  • 4 Pedro Doria // 29/June/2008 às 17:16

    Proftel, vc tem razão, consertado.

  • 5 Proftel // 29/June/2008 às 17:20

    Bom,

    Cabral, citei só um exemplo claro, há outros tanto na indústria quanto nas aplicações.

    :-)

    Arpex, para total mecanização da colheita há o impedimento do relevo, essas colheitadeiras de cana são meio chatas (se não me engano foi a Jhonn Dree que saiu na frente, produzindo em Catalão essas máquinas).
    Legislação para “enquadrar” a mão-de-obra já há, o bicho pega é na hora de fiscalizar.

    De resto, é por aí que a lebre deve ser levantada mas, será que o Brasil sozinho dá conta de suprir as necessidades do mundo todo?
    E o problema do frio? Será que o alcool será uma boa pra ligar um carro com temperatura abaixo de zero?
    Sei não, primeiro colocaria toda a frota nacional funcionando a alcool, o excedente é que a gente vende.
    Se esse negócio pegar mesmo lá fora, pode acontecer dos usineiros darem preferência à exportação e deixarem o mercado interno no racionamento ou com preços extorsivos.
    Ainda há muita água pra rolar debaixo da ponte.

    :-)

  • 6 Proftel // 29/June/2008 às 17:22

    Pedro Doria, beleza, o post está ótimo, é por aí.

    :-)

  • 7 Ana Pulg // 29/June/2008 às 18:29

    No imaginário já estou vendo o pampa gaúcho, coberto de canaviais. Adeus gramíneas… Os técnicos dizem que o ph do solo é excelente.

  • 8 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/June/2008 às 18:44

    já existe uma industria “petroquimica” à base de álcool em gestação no Brasil.

  • 9 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/June/2008 às 19:43

    ana pulg, a cana não é uma graminea?

  • 10 El Torero // 29/June/2008 às 20:44

    Eia Brasil, capaz de grandes feitos como ser o norte para uma produção eficiente e limpa de energia, e ao mesmo tempo não saber o que fazer com 500.000 pessoas quando da maior modernização da cultura da cana.
    Assim foi com a adoção das catracas eletronicas para onibus em diversos lugares…modernizando o setor e barateando custos, muitos cobradores ficaram desempregados e sem preparo algum para o mercado.

  • 11 Elias // 29/June/2008 às 20:48

    PD

    Um outro problema da cultura da cana, tal como é praticada no Brasil, é o uso da mão-de-obra infantil. Com muita freqüência, crianças são usadas no plantio.

    Há muito trabalho escravo, também.

    Mas, como observou o Proftel, isso não ocorre por falta de lei. Dia desses uma equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho autuou uma empresa canavieira por fragá-la escravizando.

    Um monte de deputados federais e senadores se ouriçou, saindo em defesa da empresa. Ao que eu saiba, ela ainda não foi punida.

    Por causa desse tipo de safadeza, o etanol brasileiro vai acabar sendo estigmatizado lá fora, prejudicando enormemente o país.

    Do ponto de vista tecnológico, o Brasil vai bem com o etanol. O mercado externo tende a ser cada vez mais receptivo. Há condições de ampliar significativamente a produção no Brasil, sem que isto provoque um único milímetro de desmatamento.

    De mais a mais, pelo que se sabe, o projeto brasileiro de etanol não está fundado no aumento da área plantada e sim no domínio tecnológico. O aumento da área plantada, se e quando necessário, seria compartilhado com outros países.

    O desafio é não fazer besteira aqui no Brasil, mesmo.

    Um bom começo seria moralizar a produção da cana, expurgando-a da bandidagem que hoje campeia no pedaço.

    A canalha tem que ser tratada com mão firme.

  • 12 Ana Pulg // 29/June/2008 às 21:26

    Chest, vc deve conhecer a região do pampa.

    Viaja-se horas e mais horas onde só se vê gramíneas rasteiras e alguns arbustos esparsos. Pequenas coxilhas ondulam o terreno e mais nada. É o céu e o pasto. Zona de pecuária.

    Então, imagine canaviais na área, com a inclinação das folhas pelo vento. Diferente, não?

    Acredito que esta mudança de paisagem, pouco mexerá no Bioma, ao passo que onde houver desmatamento, certamente interferirá. E, uma região cheia de latifúndios pode ser ideal para o cultivo. Além da carne, haverá o açúcar.

  • 13 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/June/2008 às 22:22

    o pampa gaucho é conhecido como o deserto verde….

  • 14 Linda // 30/June/2008 às 1:18

    O bom mesmo seria desacelerar…

  • 15 Nhé! // 30/June/2008 às 8:14

    Isso graças aos engenheiros do ITA!
    Bons profissionais, sucateados pelo governo.

  • 16 Diogo Slov // 30/June/2008 às 8:36

    Proftel, os bicombustíveis de hoje em dia injetam um tiquinho de gasolina pra fazer o motor funcionar, aí depois eles passam a rodar em álcool. Eles têm dois tanques: um grande, onde se escolhe o que se coloca, e outro pequeno (500-700ml), onde se coloca apenas gasolina. O sistema da Honda, inclusive, faz isso todas as vezes que se dá a partida no motor — evita que a gasolina não fica velha no reservatório. (Cerca de seis meses parada e ela estraga.)

    Sobre deixar toda a frota brasileira rodando com álcool, aí creio que teríamos que exportar a gasolina que sobraria do petróleo que refinamos. Do jeito que está agora — metade da frota de carros com álcool, metade com gasolina — é bom porque nos dá liberdade de escolha. Se um está caro, escolhe-se o outro. Tampouco ficamos à mercê de entressafras, excesso ou falta de chuvas, usineiros temperamentais, etc.

    O problema ambiental também se dá de outras formas: alteração no microclima da região é um deles.

    Chasterix levantou um ótimo ponto, sobre a indústria “petroquímica” da cana. Li em algum lugar que, se a pesquisa de 20 anos atrás não tivesse sido interrompida, talvez a tecnologia já existisse.

    E por fim, outra bola levantada pelo Proftel é a da exportação e do desabastecimento interno. Isso já aconteceu em 1989 (eu não me lembro porque só tinha 7 anos), quando o petróleo foi baixando de preço e o açúcar estava em alta. Foi solucionado através de regulamento estatal, onde um percentual mínimo da produção canavieira precisa ser dedicado à produção de etanol. É só fazer algo parecido com a exportação, desde que não seja draconiano: vendeu X no mercado interno, tem o direito de exportar 4X.

    Nem é jabá nem nada, mas eu tenho um blog onde estou organizando as leituras do meu mestrado sobre agricultura no Brasil e biocombustíveis. (Haha!) O endereço é http://agrifuel.wordpress.com/ e, apesar dele ser escrito no meu inglês torto, visitas e opiniões são bem-vindas.

  • 17 Diogo Slov // 30/June/2008 às 8:38

    Aliás, acho que o grande plus do etanol é a possibilidade de se usar a mesma rede de distribuição da gasolina, fazendo diminuir a nossa dependência, e pulverizando o fluxo de petrodólares pra ditaduras sem transparência.

    Ao invés de financiar governos corruptos, essa grana pode ajudar a revitalizar o setor agrícola. Isso já acontece nos EUA, à base de subsídios para o etanol de milho, e pode vir a acontecer em muitos outros lugares do mundo com clima parecido com o do Brasil — sem subsídios, claro ;-)

  • 18 Leila Ferreira // 30/June/2008 às 9:11

    Assunto muito complexo para se colocar uma opinião leviana. Tantos são os pontos a ser ponderados. Produção de energia x fome. Produção de energia x desemprego. Produção de energia x desmatamento. Produção de energia x aquecimento global. Misture-se a tudo isso corrupção x lobby (muito, aliás) e temos uma bela combustão.
    No mais, pena que não viverei para ver a substituição do Petróleo…

  • 19 Lean, green and not mean (The Economist) « Agrifuel - Clipping // 30/June/2008 às 9:27

    [...] Susteinability, News, Poverty and Hunger by Diogo Slov on June 30th, 2008 Pedro Doria today drew my attention to an interesting article that outlines a few pros and cons of Brazilian ethanol. [...]

  • 20 Leila Ferreira // 30/June/2008 às 9:37

    E para vc’s me apedrejarem como o velhinho na ‘Vida de Brian’, se não me engano, gde parte do que é petróleo hoje, foi açúcar um dia, ou seja, hidrocarboneto. Tecnologias são substituídas porque ficam obsoletas, foi assim com o carvão, será assim com o petróleo.

  • 21 Guilherme // 30/June/2008 às 9:42

    Essa questão de a mecanização da lavoura de cana desempregar centenas de milhares me parece algo inexorável. Tem sido sempre assim. Foi assim na revolução industrial. Foi assim com a entrada da soja no Brasil em meados dos anos 70, onde se substituiram lavouras como algodão, amendoim, café, que empregavam milhões, por soja e suas colheitadeiras. O boom do inchaço das nossas cidades se deu a partir disso.
    O mercado age, claro, conforme suas conveniências, mas os fracos governos brasileiros nunca apresentam uma política para absorver esses impactos. Vai acontecer de novo.

  • 22 Guilherme // 30/June/2008 às 9:45

    No mais, sou fã do etanol como combustível. Sempre fui, apesar de nos anos 80 ter tido um Prêmio que no frio só pegava se o mecânico viesse lhe aplicar uma “chupeta”. Nessa hora eu xingava a Fiat, o álcool, o governo, a minha mulher e quem mais estivesse perto.

  • 23 Diogo Slov // 30/June/2008 às 9:45

    Leila,

    É inegável que a energia tenha muitos desafios pela frente. Você citou 3 (pobreza, mudança climática e sustentabilidade), também poderia ter mencionado a segurança energética.

    A pobreza tem várias faces. O debate entre comida e energia é um deles, mas não se aplica ao Brasil. Atualmente 0,5% das nossas terras agricultáveis são ocupadas com o plantio de cana, e isso abastece 40% dos carros brasileiros. (Sei que parece exagero, mas as fontes pra esses dados aqui: http://agrifuel.wordpress.com/2008/06/23/its-corn-vs-soybeans-in-a-biofuels-debate-ny-times/) E acho também que os 0,5% também já respondem a tua questão sobre o desmatamento: para o Brasil isso tampouco é válido.

    Já o etanol de milho é problemático. Milho é comida de gente, é base pra indústria alimentícia, é ração de animal… Tem americano que argumenta que o etanol de milho é bom porque ele aumenta a quantidade de espigas de milho dedicadas à produção de ração animal, mas essa é uma meia-verdade. O lobby agrícola de lá tem bastante interesse em fazer parecer que o etanol de milho é parecido com o de cana quando não o é, por causa dos famigerados subsídios.

    A pobreza também tem a face do desemprego rural, que é a bola levantada pelo artigo da Economist que o PD citou aqui. Quanto a isso, o que fazer? O Brasil terá que ir além do Bolsa-família.

    Sobre o aquecimento global, a proporção citada de 1 pra 8 é isso mesmo. Ao invés de consumirmos 8 unidades de combustível fóssil e liberarmos tudo na atmosfera, consumimos apenas 1 pra fabricar 8 de um combustível renovável, cujo ciclo se renova periodicamente. A matéria ainda menciona uma nova variedade de cana que se sustenta por até 45 dias sem água, mas cabe lembrar que as variedades atuais de cana já usam pouca água (principalmente em comparação a outras culturas, como milho e soja). A cana é mais sustentável.

    E sobre a substituição do petróleo, realmente nenhum de nós viverá para isso. O que talvez vejamos é a redução da nossa dependência e o aumento da segurança energética dos países a partir da diversificação de suas matrizes energéticas. Já é um belo passo pra asfixiar algumas ditaduras e proto-ditaduras por aí…

    Sobre corrupção e lobby, bem, tenho pouco a dizer. Todos lemos jornal, não é mesmo?

    []s!

  • 24 Diogo Slov // 30/June/2008 às 9:53

    Meu ponto principal é: o etanol brasileiro de cana é, sim, um ótimo combustível. Também é uma boa oportunidade para o Brasil em diversos aspectos — divisas externas, liderança, capitalização do campo…

    Mas não é o Emplasto Brás Cubas, está longe de ser perfeito. Aquele relatório recente de DDHH da Anistia Internacional (http://thereport.amnesty.org/eng/Regions/Americas/Brazil) mencionou os trabalhadores rurais e não foi por causa da possibilidade de desemprego… Abusos têm sido cometidos.

    []s!

  • 25 HRP FAST Reloaded // 30/June/2008 às 9:57

    Esse Lula safado que tanto incentiva o alcool de cana nos nossos carros!
    Pilantra!

  • 26 Leila Ferreira // 30/June/2008 às 11:52

    Diogo acho que não deixei claro que não sou contra a produção de etanol e acrescento que fiquei embasbacada qdo vi a União Européia colocando a culpa no Brasil e seu etanol sobre a questão da fome no mundo.
    Que piada de mau gosto!
    Enfim, há pessoas como o nosso amigo HRP recarregado rápido que deixa de racionar com clareza para colocar a culpa no político da vez. Políticos e políticas à parte, a questão que vc levantou sobre a segurança energética foi muito pertinente. Mas discordo qto a produção de petróleo produzir ditaturas ou proto-ditaduras. Só pra ficar no raso, quem ‘estragou’ a África não foi o petróleo e sim o colonialismo. Quem estragou o Oriente Médio, também não foi o petróleo, e sim o colonialismo. A diferença é que são ditaduras com mais dinheiro para gastar com os seus apadrinhados.

  • 27 Microempresário // 30/June/2008 às 12:05

    Resolvido o problema da gasolina, o Brasil precisará resolver o do diesel, senão continuará precisando de petróleo do mesmo jeito, e ainda vai ter o “problema” de vender a gasolina que sobra do refino.

    Além da absurda predominância do caminhão sobre as ferrovias e hidrovias, o direito de passear movido a diesel é proibido aos pobres possuidores de carros 1.0, mas permitido aos possuidores de Pajeros, Cherokees, Pathfinders e similares.

  • 28 landyield.com | Lean, green and not mean (The Economist) // 30/June/2008 às 12:09

    [...] Doria today drew my attention to an interesting article that outlines a few pros and cons of Brazilian ethanol. [...]

  • 29 Nassau // 30/June/2008 às 12:57

    O Brasil vai bater outro record de produção de grãos este ano. A inflação dos alimentos coloca o Brasil em posição de vantagem para a próxima rodada de Doha, é um ingrediente novo que nos favorece junto aos protecionistas europeus e norte-americanos, algumas razões o PD colocou aí em cima.

    A Volkswagen acabou de lançar o gol flex. Todos os carros novos que conheço já são flex, então na falta de álcool é só colocar gasolina, trunfo na mão do consumidor e tecnologia nacional. A Fiat já produz o Siena tri-cobustível, álcool, gasolina, gnv.

    Os campos de pré-sal em nossa plataforma continental, Tupi, Carioca, Júpiter etc, com imensas jazidas de petróleo leve podem colocar o Brasil como terceiro ou quarto maior produtor mundial de petróleo, insumo ainda insubstituível em uma gama de produtos que vão desde a composição deste meu teclado, mouse, PC, notebook, solventes, tintas, até os ainda insubstituíveis e pra lá de valorizados insumos agrícolas, e a Petrobras já está retornando a sua participação na produção de fertilizantes como a uréia granulada até então importada em sua totalidade o que alavancará ainda mais o agro-negócio brasileiro.

    A inflação das commodities coloca o Brasil em uma posição extremamente privilegiada diante da história, e de um mundo com um apetite cada vez mais voraz por energia e alimentos, resta saber se seremos capazes de fazer frente a tantas oportunidades que o cenário global apresenta.

    Estamos com o garfo, a faca e o queijo na mão.

  • 30 Guilherme // 30/June/2008 às 13:02

    Nassau,

    Também acho. E acho mesmo que esse conjunto de fatores que você citou aí parece mesmo ser o Emplastro Brás Cubas.

  • 31 Gunnar // 30/June/2008 às 15:00

    PD

    Vamos falar de eficiência energética? Então tá.

    Quanto do combustível (seja ele qual for) usado para mover um carro é destinado ao transporte da pessoa (80 kg) e quanto é destinado ao transporte do próprio carro (1800 kg) ?

    Não começa por aí a distorção?

    Nem alcool nem petróleo. Sigo movido a arroz e feijão, andando e pedalando com as 2 pernas que deus me deu exatamente pra isso.

  • 32 Gunnar // 30/June/2008 às 15:05

    PD

    O grande problema, a meu ver, é que os “dois lados” atualmente na verdade são iguais no julgamento da questão: AMBOS discutem só o lado da oferta. E a demanda? Ninguém discute? Deve ser saciada a qualquer preço? Ou melhor: o crescimento desmedido da demanda é justificável?

    Mais energia, mais energia, mais energia. E quem disse que precisamos de tudo isso?

    Vamos continuar nos preocupando com as fontes de energia que movem os automóveis particulares de apenas 30% da população?

    Nem venha dizer que transporte público também depende de combustível - pois se todos os deslocamentos fossem feitos por esse modal, já reduziriamos de tal forma a demanda por esses combustíveis que as perspectivas de estoques, poluição e todo o resto virariam um problema de terceira ordem.

  • 33 Clara // 30/June/2008 às 15:06

    O que me pergunta é: qual a capacidade de produção do etanol no mundo? Supre quantos porcento do consumo de combustível? Que países podem produzir, e qual a garantia que o plantio de terra não tirará plantações de alimentos -aqui no Brasil e outros países que tenham terra e clima para plantar?

    O impacto ambiental - destruição de floresta para uma energia mais limpa me parece paradoxal - e social deve ser cuidadosamente analisado.

    Quem confia em promessas de autoridades, quaisquer que sejam?? Eu, não!! Até porque elas mudam, como é normal e desejável numa democracia.

    Até onde o etanol pode ir realmente?

  • 34 Clara // 30/June/2008 às 15:12

    Não se pode esquecer que o Brasil, depois de ter 80% da frota movida a álcool nos anos 80, deixou uma grande falta de credibilidade em relação aos usineiros, a tal ponto que 95% da frota passou a ser vendida com motor para gasolina.

  • 35 Chesterton // 30/June/2008 às 17:37

    Gunnar, compra uma Mobilette.

  • 36 Nassau // 30/June/2008 às 18:07

    Microempresário,

    Esta distorção é antiga, o Brasil consome muito mais diesel do que gasolina, devido às máquinas industriais e principalmente devido à frota de caminhões e ônibus que carregam as mercadorias os alimentos e os trabalhadores, então a prioridade é que os custos do transporte de alimentos, por exemplo, sejam menores que os custos para os carros de passeio. Esta inversão não começou agora, e ninguém fez nada para mudá-la, está para chegar o governante que invista pesado em ferrovias, navegação por cabotagem, barcas e mesmo no transporte coletivo rodoviário racional, confortável e rápido, com mais vias expressas para desafogar o trânsito e com ramificações vicinais e interligadas, de modo a desestimular o transporte pessoal.

    Até lá contentemo-nos em bater recordes de superávit primário, conforme os 75 bilhões que o governo conseguiu agora de janeiro a maio para pagar os juros da dívida e tornar o Brasil menos vulnerável e mais seguro para atrair investimentos conforme recomenda o Banco Central e os monetaristas.
    Abs.

  • 37 Diogo Slov // 30/June/2008 às 18:43

    Gunnar,

    Bicicleta? Onde é que você mora? Ou você trabalha no mesmo bairro, ou é esportista e tem um bovado de tempo livre — além de um chuveiro no trabalho e não se importar com uma boa dose de adrenalina no meio do nosso trânsito! ;-)

    Não me leve a mal. Eu mesmo fazia parte do trecho de ida à faculdade de bicicleta — meia hora de pedalada, o suficiente pra me livrar de um dos trens diários sem transpirar muito. E hoje eu me mudei pra ainda mais perto da faculdade, chego nos lugares que me interessam em 15-20 minutos a pé.

    Mas eu moro em Kobe, Japão…

    Quando eu morava em SP, demorava 1h15 entre minha casa e a faculdade. Super bonito ver a Soninha indo de bicicleta pros lugares, mas é impraticável pra maior parte da população. E não vou mencionar o estresse no trânsito — que, ouço dizer, tem piorado a cada semana.

    O melhor gasto de combustível que fiz nos últimos meses foi a passagem aérea pra fugir do caos. Adoro SP demais, mas prefiro conviver com a saudade das coisas boas do que com a queda de cabelo das ruins.

    []s!

  • 38 marco // 30/June/2008 às 19:10

    PD - “O problema destes não é que o trabalho seja duro demais. (Um em cada 26.000 bóia fria da cana morre por acidente de trabalho; a média agrícola nacional é um em cada 16.000.)

    MA - Também era baixo o número de acidentes de trabalho entre os puxadores de barcos Volga acima, na época de ouro da servidão humana na Rússia cazarista. No máximo um ou outro pobre diabo congelado quando desmaiava de exaustão no suave inverno russo e era deixado para trás pelos companheiros de miséria - por que o barco tinha que subir.Uma certeza tão grande como a de hoje em dia no Brasil- o mundo vai ter que se curvar ao etanol brazuca.

    Triste.

    ma

    ma

  • 39 Alba // 1/July/2008 às 0:21

    marco,

    Concordo com você e estranho esse dado, pelo PD. Afinal, já foram registradas várias mortes por exaustão, para escândalo internacional.

    Que a carreira de cortador de cana é breve, sabemos, também. Mas como lembrou o Guilherme (ou, desculpem, outra pessoa) já passamos por isso antes, e os resultados são impactantes, porque se multiplicam os sem-terra e os sem emprego. Não havendo emprego no campo, só restam as cidades e sabemos tudo mais. :((

  • 40 Nassau // 1/July/2008 às 4:43

    Alba, um conhecido meu há muitos anos atrás foi visitar uns parentes que tinham uma lavoura no interior da Bahia se não me engano. Ele me contou uma cena angustiante em que um trabalhador da lavoura chegou a desfalecer devido as duras condições de trabalho debaixo do sol. Enquanto isso ele se admirava do contraste de seu café da manhã, uma lauta ceia com bolos, broas, pães, biscoitos, frutas, sucos no casarão confortável de seus anfitriões.

    Acho que temos aí uma associação entre mão de obra abundante, barata, não qualificada mentalidade atrasada e feudal daqueles proprietários de terra e falta de fiscalização das condições de trabalho no campo aliada a corrupção.

    Enquanto estas condições persistirem mesmo que tenhamos um bom desempenho comercial, econômico e ainda alcançado pela ONU em 2007 alto grau de desenvolvimento humano, ainda teremos muito chão pra rodar ou bicicletar ou caminhar, e haja gasolina, diesel, etanol ou feijão com arroz.
    bjs.

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