Após 15 anos sem fazer nada, as Forças Armadas russas voltaram a suas patrulhas planetárias. Missões aéreas de reconhecimento já chegaram perto de invadir o espaço aéreo norte-americano e o britânico, já invadiram de fato o japonês, têm sido avistadas pela marinha dos EUA com regularidade.
Enriquecida com dinheiro do petróleo, Moscou anuncia planos de refazer seu arsenal. Desenvolve armas e as produz. Pretende atingir a marca de 50 aviões bombardeiros em 2015, tem um tanque novo que lançará em 2009, e uma nova geração de mísseis balísticos já ativos. A velha Moscou anuncia sua volta e por conta disso Robert Gates, o secretário da Defesa dos EUA (equivalente a ministro), anda falando para seus oficiais que é bom manter o arsenal nuclear nos trinques.
Os russos não se incomodam: gostam de ser levados a sério. Mas, pergunta-se a Der Spiegel alemã, este é o início de uma nova corrida armamentista? De uma Guerra Fria, portanto? Principalmente, o que quer Moscou? Pode ser angariar apoio patriótico. Pode ser um recado para vizinhos como Ucrânia e Geórgia para que não se distanciem muito da esfera de influência. Pode ser que os russos de fato achem necessário estar prontos para qualquer ofensiva ocidental.
Stanislav Belkovsky, do Instituto Moscovita de Estratégia Nacional, é especialista no assunto e não anda impressionado. Segundo ele, as Forças Armadas mantiveram a capacidade herdada do período soviético até a virada do século. Desde então, o arsenal está em declínio. Dá números: durante o governo Putin, 405 mísseis e 2.498 cargas nucleares foram aposentadas. Apenas 27 mísseis foram produzidos no mesmo período. Esses novos mísseis balísticos, os Topol-M, são grandes e fáceis de eliminar ainda em solo. O veredito de Belkovsky é simples. Em oito ou dez anos, a Rússia terá o potencial militar de uma nação européia de porte médio, incapaz de enfrentar Japão ou Turquia.
Os EUA investem 25 vezes mais nas Forças Armadas e contam com um contingente de 1,5 milhão de homens. Os russos têm 600.000.
Ainda assim, Moscou confunde, age como se fosse um superpoder. No ano passado, o país deixou o Tratado Europeu de Forças Armadas Convencionais. Parece uma afronta, mas é faz de conta. A Rússia não tem condições de manter sequer o contingente que o tratado lhe permitia. E o governo sente-se cercado. Por um lado, a influência norte-americana na Ucrânia e na Geórgia incomoda Moscou profundamente. A idéia dos EUA de colocar mísseis nas vizinhas Polônia e República Tcheca provoca compreensíveis acesso de fúria.
O medo maior, no entanto, não é com o Ocidente. Há um vizinho à espreita: a China. A demonstração de poder, as patrulhas, a exibição de armas, o abandono de tratados de paz, no fim, são um recado simples. Não há uma nova Guerra Fria. Mas o jogo de poderes no mundo está mudando a galopadas de tão rápido.
dica do André Monsores







42 Comentários até agora ↓
1 Tales // 27/June/2008 às 11:45
Tchecoslováquia???
2 Pedro Doria // 27/June/2008 às 11:57
Tales: me perdi no tempo, não foi? Vá, o mundo anda mudando muito rápido… =)
Corrigi, obrigado.
3 Ricardo Cabral // 27/June/2008 às 12:25
Interessante esse final, estava mesmo me perguntando sobre o que isso teria a ver com a China quando dei de cara com ela no teu texto…
Aliás, sempre fui curioso sobre as relações entre China e Rússia, desde os tempos da URSS. Caberia um post aprofundando o assunto, Pedro?
4 Nhé! // 27/June/2008 às 12:40
Olha só, o patrão dando dicas para o PD!!
5 Jåµë§ ßønd™ // 27/June/2008 às 12:53
-= … eu me preocuparia sim com os russos. Tenho certeza de que conselheiros e políticos próximos ao poder central já analisaram a questão.
Por outro lado, em perspectiva, a história muitas vezes foi feita por líderes que fizeram bobagens históricas.
Não sei se isso é mais temeroso ou menos.
6 Cláudio Melo // 27/June/2008 às 13:00
Segundo um livreto que li há muitos anos, a então URSS fez com a jovem China da década de 50 o mesmo que os EUA lhe fizeram: ameaças, chantagens e intimidações, porque a China, apesar de comunista, não se submeteu à órbita de interesses de Moscou.
A URRS foi tratada a cordão sanitário, mísseis balísticos instalados em países pro-ocidente formando uma linha intimidatória e a URSS fez o mesmo com a China.
A China precisava crescer militarmente para ser respeitada. Já foi tratada como a prostituta do mundo. Hoje a situação mudou e as ideologias do século XX se tornaram ultrapassadas, em termos econômicos. Em termos militares, não.
Poder militar dissuassório ainda é necessário, principalmente como sustentáculo da economia.
Sei que o blogueiro anfitrião discorda e muitos comentaristas também, mas não acredito em desarmamento. A paz armada é possível mas o desarmamento puro e simples está a anos-luz do atual estágio do desenvolvimento humano. Ainda somos pouco confiáveis e acreditamos em demasia na força. O complexo industrial militar tem um peso considerável na principal economia do mundo, a dos EUA, e eles nem cogitam diminuir seu poder dissuassório.
Com a palavra o Bitt, Elias, etc.
7 Chesterton // 27/June/2008 às 13:22
Bitt falando em desarmamento?
8 Caramujo // 27/June/2008 às 13:23
É… tudo isto é muito bonito, mas ninguém cogita atacar a Rússia, né mesmo?
A “maior potência do planeta”, os USA, foi escorraçada do Viêtnam, está atolada no Iraque e ainda quer se meter no Iran. Enquanto sua economia e o dólar estao indo pro brejo, comidos pelas beiradas pela China. Afinal, que adianta ter um milhao de bombas atômicas estocadas?
O mundo atual é multipolar; acabou o reinado absoluto do Tio Sam e Europa. O da Rússia já é história, coisa do passado. A China está engolindo tudo! O nível de vida da classe média ocidental está caindo como uma pedra. Quem mandará no mundo daqui uns 20 anos - pela fôrça do trabalho escravo e destruiçao do meio ambiente em seu país sao os huns. Um verdadeiro rolo compressor. Deng Xiao Ping, o iniciador de tudo isto, tá dando gargalhadas no túmulo!
E nao há nada que Tio Sam, Albion ou os Putinhos deste mundo maravilhoso poderao fazer, senao bater palmas…
9 Cláudio Melo // 27/June/2008 às 13:46
Não, Vlad, sobre as implicações do rearmamento da Rússia.
10 César // 27/June/2008 às 14:43
Precisa hoje em dia ter paridade de armas com qualquer país? Não sou especialista mas, para se defender, há uma assimetria de forças, não há que se ter a mesma capacidade p/ atacar, é o que me parece.
11 Ray // 27/June/2008 às 16:43
independentemente dos atores..russia..china..
é dificil imaginar uma nova guerra fria,pelo menos na concepção classica…
o mundo mudou muito…
vale o comercio a grana…O MERCADO…
12 Chesterton // 27/June/2008 às 17:09
a URSS acabou por causa de uma guerra comercial contra ela….
13 Cláudio Melo // 27/June/2008 às 17:24
E se lutar direitinho a nova guerra comercial poderá ressurgir como potência. Parque industrial, pesquisa básica, tecnologia, educação…
14 Cláudio Melo // 27/June/2008 às 17:40
Ah, ia esquecendo do detalhe: petróleo e o gás que a Europa precisa para não morrer de frio no inverno.
15 Renato // 27/June/2008 às 17:50
Cláudio, lembrando que que colocar esse potencial nos trinques não é rápido. Países como a Argentina e o Iraque que achavam que era só uma questão de ir as compras sentiram no lombo o custo. O de não produzir e manter forças armadas também uma indústria de defesa forte. De certa forma a Rússia está correndo atrás do prejuízo.
A França inclusive fez um grande mudança em sua orientaçãomilitar reduzindo a ênfase em armamentos estratégicos e se voltando para inteligência e segurança.
Mas acho que isso também é um reflexo da UE e OTAN
16 Renato // 27/June/2008 às 17:51
Seguindo o comentário do Chesterton acho que a China prestou a maior atenção nessa história de guerra comercial e está aprendendo a fazer da sua maneira.
17 T.T. Cricket // 27/June/2008 às 17:53
A Geórgia que se cuide e o Ocidente que abra bem os olhos.
18 Hugo Albuquerque // 27/June/2008 às 18:27
Do ponto de vista estratégico, o pior momento da Rússia esteve nos anos 90 com Yeltsin.
Mesmo com o aparato militar herdado da URSS, aquele país estava inofensivo por conta de seguidas e severas quedas no PIB.
A situação era tão precária que os russos não conseguiam manter o controle do seu próprio quintal e sofreram seguidas derrotas na Chechênia. Por que o país não desabou? Simples: Putin. Ele pode ser o que for, mas incompetente ele não é, não é mesmo.
Evidentemente a Rússia sob seu mandado tem se beneficiado do aumento do preço dos hidrocarbonetos, mas e daí? Sem administração isso não reprensentaria nada.
Moscou sob o comando putinesco acabou retomando o controle sobre inúmeras regiões rebeldes dentro do país e, resolvidas as questões internas, parte para se impor no plano externo o que é de certa forma necessário.
A Rússia hoje, apesar do crescimento de vários setores da economia depende de um tripé: Petróleo, Gás e armas.
O primeiro aumentou pelas razões que conhecemos bem. O segundo aumentou puxado pelo petróleo junto a demanda européia e o terceiro anda saindo (formal e informalmente) que é uma beleza estimulado pelo anti-americanismo da era Bush. No entanto, não é a venda de armamentos que incomoda o Ocidente, são os hidrocarbonetos.
Se antes Moscou incomodava por razões políticas, hoje incomoda por razões energéticas; Talvez seja aquele país a única grande reserva energética não-iraquianizável do mundo e isso incomoda muita gente.
Some-se isso a dependencia violenta da Europa em relação ao gás russo, o crescimento economico dos últimos anos (hoje a Rússia já é sétima economia do mundo, depois de anos fora do grupo dos dez, a frente, inclusive, da França) e a iniciativa de Putin em reestruturar as forças armadas russas após o desastre da era Yeltsin e isso explica porque o governo Bush e sua secretária de Estado Rice (especialista no assunto, diga-se) estão tão empenhados em construir uma barreira anti-misséis.
19 mila // 27/June/2008 às 18:28
Por que só algumas nações é dado o direito a ter arsenal nuclear e a outras não?
Levo a serio a um programa de extinção de TODO o arsenal nuclear existente. Não proliferação é programa para otário.
20 mila // 27/June/2008 às 18:29
É O PETROLEO!
Até defunto levanta.
21 marco // 27/June/2008 às 19:30
” Em oito ou dez anos, a Rússia terá o potencial militar de uma nação européia de porte médio, incapaz de enfrentar Japão ou Turquia.
Stanislav Belkovsky”
O professor ficou doidão.
A Russia sempre foi potência. Continua sendo. Pode destruir os EUA ou a Europa com um primeiro ataque nuclear.
Quanto a ser incapaz de ganahar uma guerra contra a Turquia, só se for na Eurocopa.
” Misseis grandes podem ser destruidos no chão…” Meu Deus, quanta ignorância…
ma
22 Dino // 27/June/2008 às 19:56
Para quem não sabe, mais da metade dos abusos cometidos contra crianças costuma ser feito por parentes próximos. Aí vem a pergunta, o que tem isso a ver com o armamento da Rússia e tal? É que eu acho interessante como o desconhecido desperta medo e cuidado quando o perigo na verdade mora ao lado. Os russos não exportam sua cultura de forma massiva, não conhecemos seus filmes, cantores, não entendemos seu alfabeto cirílico, sempre ouvimos falar que são pessoas sombrias, daí para esses caras esquisitos resolverem acabar com o mundo é questão de uma dose a mais de vodka, ou se for os iranianos, basta duas orações a mais para Ala e lá vem a inspiração para acabar com Israel ou o mundo. Só que eu já convivi com toda essa gente e não se distinguem de outros povos, são pessoas como nós, trabalham, amam seus filhos, levam flores para a esposa e namorada, querem ganhar dinheiro e ser feliz, não saem de casa a fim de acabar com o mundo, então essa punheta de guerra fria é babaquice, o que eles estão fazendo é o que deveríamos fazer. Ao mudar de patamar econômico e ter em seu quintal commodities que estão escasseando e são cobiçadas por todos, é necessário sim ter um arsenal dissuasivo. Os estadunidenses já deram mostras ao mundo de sua cobiça e incapacidade de tentar mudar seu modo de vida esbanjador, para se adaptar a uma nova realidade. Já questionam até as águas territoriais brasileiras onde foi descoberto petróleo. Então não se preocupem com os russos, mas fiquem de olho nos EUA. Como eu disse, o perigo mora perto…
23 Dino // 27/June/2008 às 20:05
O mito dos russos malvados que são geralmente confundidos com os hunos ou com os mongóis de gengis khan, geram esse tipo de comentário como o do marco aí em cima, que os russos podem destruir a Europa se quiserem… Esquece o detalhe deles se encontrarem na Europa… Ou será que o marco acredita que a Rússia começa depois dos Urais? Alem do mais, porque mesmo eles lançariam um ataque preventivo? Haaa! Tá… é porque são malvados…
24 Edu // 27/June/2008 às 20:12
Cláudio Melo,
Não acredito em armamentos como sustentáculo da economia, porém,
“A paz armada é possível mas o desarmamento puro e simples está a anos-luz do atual estágio do desenvolvimento humano. Ainda somos pouco confiáveis e acreditamos em demasia na força.”
Concordo plenamente com isso.
Só que por estranho que pareça eu acho que o motivo para voltar às pesquisas bélicas é outro: a Rússia é um país muito grande, com probelmas de diferenças culturais, sociais e étnicas internas enormes de um extremo a outro do país, tanto ou maiores que aqui no Brasil (corrijam-me se eu estiver errado). A população da Rússia não é crescente e diz-se que há uma disparidade enorme entre a região de Moscou e o resto do país em relação à economia e nível de desenvolvimento social. Hum… será que se fareja algum movimento separatista? Será que, dado o tamanho do país, o exemplo do Tibet e todo esse reconhecido sucateamento militar facilitariam as coisas para eventuais separatistas? Lembremo-nos de o trânsito de informações, ao contrário do que alguns economistas pensam, não é eficiente. Tudo bem que existe um contexto mundial que nos soa muito mais forte do que essa teoria da conspiração minha, mas… né?
25 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 27/June/2008 às 20:23
A Russia sempre foi potência. Continua sendo. Pode destruir os EUA ou a Europa com um primeiro ataque nuclear.
chest- dizem que o exercito deles era uma sucata enferrujada.
26 Edu // 27/June/2008 às 20:24
Caramujo,
Não entendi por que os chineses comerão os americanos pelas beiradas… eles não estão se tornando classe média? Não estão começando a consumir, o mesmo que os americanos consomem? Será que eles vão substituir toda a tecnologia americana da Mac, da Dell, da Microsoft, da GE, e até mesmo do Mc Donnald’s para não comprar mais nada dos americanos? Os chineses podem até ajudar essas empresas a fabricarem seus produtos, mas lembremo-nos de que os maiores acionistas destas empresas ainda estão localizados bem longe da China. Ou será que a classe média chinesa vai continuar procurando produtos com baixo valor agregado que é só o que conseguem fabricar?
27 Edu // 27/June/2008 às 20:26
Chest,
Desculpe-me, mas com todo esse poderio, pq a situação de Kosovo demorou tanto pra ser resolvida?
28 marco // 27/June/2008 às 21:14
Dino // 27/June/2008 às 20:05
DINO - O mito dos russos malvados que são geralmente confundidos com os hunos ou com os mongóis de gengis khan, geram esse tipo de comentário como o do marco aí em cima, que os russos podem destruir a Europa se quiserem… Esquece o detalhe deles se encontrarem na Europa…
Ou será que o marco acredita que a Rússia começa depois dos Urais?
MA- O assunto é simples. Para exemplificar o poder de uma potência eu poderia dizer que o Reino Unido poderia destruir a Europa num ataque nuclear ( o UK tem umas 300 a 400 bombas ” oficiais “) ), embora, veja só, faça parte da Europa.
DINO -Alem do mais, porque mesmo eles lançariam um ataque preventivo? Haaa! Tá… é porque são malvados…
MA- Não acredito em um ataque nuclear russo preventivo. A represália seria selvagem e por sua vez destruiria a Russia. Mais uma vez procurei ressaltar a força negada pelo professor doidão.
Quanto a ” russos malvados ” esse tipo de pensamento - colocando adjetivos em comentários que não fiz, - é tudo seu, amigo.
ma
ps- A Russia tem 17 milhões de k2. Os Urais são um detalhe em meio a essa vastidão.
Quem queria que a Europa terminasse nos Urais era o General De Gaulle.
29 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 27/June/2008 às 21:35
Edu, não me consta que os sovieticos tentaram invadir a Europa…
30 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 27/June/2008 às 22:53
oia
http://www.reason.com/UserFiles/stantis.jpg
31 Rodrigo Santos // 27/June/2008 às 23:50
Pedro, de acordo com esse link:
http://en.rian.ru/russia/20061215/56980585.html
Os russos contam com 48 Topol-M fixos em silos e 6 móveis, ou seja, 54 mísseis, e não 27 como vc citou.
Se essa informação é confiável ou não, é outra história ;-)
32 Guilherme // 27/June/2008 às 23:58
Não acho, como disse alguém acima, que a URSS caiu por “guerra” comercial. Não foi tão simples.
Durante décadas, ela desenvolveu uma invejável tecnologia espacial, e essa tecnologia é tão abrangente, que poderia contribuir pra modernizar todo o parque industrial soviético.
Mas premissas ideológicas totalmente equivocadas, que nada tinham a ver com o marxismo (mas que os dirigentes diziam ter), levaram-nos a tratar tudo como segredo de estado.
Toda a tecnologia ficou restrita aos interesses militares da Guerra Fria, e quase nada se transferiu para a indústria. Resultado: produtos de péssima qualidade, sem a menor competitividade no mercado internacional.
E como eles controlavam o leste europeu, isso contaminou também todos os países em sua esfera de influência, inclusive a Alemanha Oriental.
33 Edu // 28/June/2008 às 0:41
Chest,
Desculpe, vou ali estudar mais sobre Kosovo, jajá eu volto. hehehe
34 Edu // 28/June/2008 às 1:08
Chest,
Pronto, na verdade eu errei, pensei numa coisa e saiu outra, hehehe, era a Chechenia. Pq o conflito da Chechênia se demora tanto para resolver?
Se os russos têm todo esse poderio, já deveriam ter tirado de letra esse negócio. Aliás, é interessante mesmo vcs terem comentado o lance do petrólio. A Chechenia possui um terreno acidentado e pobre, assim como a população totalmente diversa dos caucasianos russos, porém, possui petróleo.
Agora, me desculpem os pró-russos, mas um estadinho daquele tamanho, dando a canseira que está dando, está muito pior do que os EUA com o Iraque. O Iraque é uma terra totalmente distinta dos EUA, o Iraque tem muito mais gente e muito mais território para ser controlado. A Rússia não consegue controlar um estadinho daquele tamanho, dentro do seu próprio território, com uma população ridícula e pior, sem histórico nenhum armamentista. Sério, não vi demonstração nenhuma de poder russo, pior, inclusive totalmente sem moral política.
Agora esse ponto reforça minha teoria de que a vontade de coerção de eventuais “rebeldes” é muito maior do que a “ameaça capitalista”, se é que realmente existe isso hoje.
35 T.T. Cricket // 28/June/2008 às 1:43
O Marco andou bebendo vodka demais. A Rússia hoje é apenas uma ditadura sucatedada tentando reerguer-se. Da potência, sobraram as armas obsoletas. Vivi lá e sei que tecnologicamente eles estão uns dez anos atrasados em relação ao Ocidente. Em termos políticos, bota aí quarenta anos. E são maus sim. As piores criaturas que já conheci. Gente de quem se pode esperar qualquer coisa.
36 T.T. Cricket // 28/June/2008 às 1:44
sucateada
37 MaGioZal // 28/June/2008 às 3:18
Os grandes problemas relacionados a esse jogo todo são a base militar russa que está em Sebastopol, que fica na Ucrânia, e mais três territórios que são administrados indiretamente pela Rússia mas que legalmente não pertencem a ela: Transnístria na Moldávia, e Abkházia e Ossétia do Sul na Geórgia.
38 O Espezinhador // 28/June/2008 às 11:33
Pra mim, isso significa que o Olavo de Carvalho estava com a razão: quem pensava que a União Soviética havia acabado comeu mosca.
39 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 28/June/2008 às 12:40
32, Guigui salvando o Marx de novo…que tedio.
Palmas para Bush
Porque hoje é sábado, contrariemos a sabedoria convencional. Aplaudindo George Bush, por exemplo.
Primeiro, por sua teimosia. Pela teimosia? Sim: sigam meu raciocínio. Se o Iraque hoje pode comemorar uma relativa, mas importante, redução no número de atentados terroristas, isso se deve ao aumento do contingente militar americano no país - The Surge, para os íntimos. Em retrospecto, pode parecer fácil ter ordenado o reforço. Mas como bem lembra David Brooks, do New York Times, a proposta do Surge, bancada pelo “pior presidente da história americana” (sic), contava com a oposição firme da opinião pública americana, dos republicanos (exceto McCain), dos generais (exceto Petraeus), dos iraquianos (a começar pelo Primeiro Ministro al-Maliki) e mesmo de Condoleezza Rice. O que determinou o Surge salvador, então? A teimosia de Bush, CQD.
Em segundo lugar, aplaudamos Bush por ter começado a dobrar a Coréia do Norte. Verdade que o caminho é longo até a Coréia comunista deixar de ser uma ameaça (se Condoleezza o diz, quem sou eu para contrariar?), mas quem negar progressos nesse front está sendo desonesto. Mais interessante é notar como o acordo coreano desmente certas verdades estabelecidas sobre a política externa americana atual. Já li muito pseudo-intelectual por aí dizendo que Bush prima pelo unilateralismo e despreza solenemente a diplomacia. (Em algum lugar do meu quarto tenho um livro em que a besta do Edward Said diz isso textualmente, mas estou com preguiça de procurá-lo.) Pois bem. Sabem como foi negociada essa prestação de contas nuclear da Coréia do Norte? Em conversações diplomáticas envolvendo 6 (seis) países: EUA, Japão, Coréias do Norte e do Sul, China e Rússia. Segundo meus cálculos, esse é o unilateralismo mais populoso da História.
[FM]
40 marco // 28/June/2008 às 20:09
T.T. Cricket, ás vezes bebo um vinho tinto acompanhando um jantar.
A Russia já levou tundas homéricas durante sua história. E sempre ressurgiu como potência.
O motivo ? Sei lá, pode ser que alguma coisa diferente na vodka que eles bebem.
abs,
ma
41 Linda // 30/June/2008 às 0:50
Hoje ninguém deve ser ingênuo. Esta política dos EUA de passar a mão no que interessa e nem dá a mínima pelota para comprar o que precisa, faz com que todos tenham ou desenvolvam a política armamentista. Olhem aqui, recentemente os EUA recriaram a 4ª frota, desabilitada há 58 anos, diante de tantas descobertas de petróleo pelo Brasil. E há a floresta e a água amazonense.
http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=138600
A Rússia tem que procurar se proteger mesmo e o Brasil, Venezuela, Bolívia, enfim, quem tem petróleo, gás, água, urânio e outros minerais, se tiverem juízo, farão o mesmo. A elite colombiana já se entregou para o capeta.
42 Nassau // 1/July/2008 às 5:51
Diante um mundo em rápidas transformações, com os EUA perdendo a hegemonia mundial, com o dólar em queda, crise de sub prime, crise dos fundos de pensão à vista, divida triliónária e ascenção de blocos econômicos como a União Européia, Rússia e China podem não morrerem de amores um pelo outro mas pragmaticamente e como estratégia de longo prazo devem empreender esforços militares conjuntos.
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