A Arábia Saudita promete que aumentará o fluxo de petróleo em direção ao mundo. Maior oferta, cai o preço. Quem sabe assim o barril a 200 dólares nunca chegue.
Muitos analistas estão céticos. Uns dizem que os sauditas já fizeram essa promessa antes e não a cumpriram; outros sugerem que eles sequer têm como. Seu maior campo está próximo do pico e não agüentará o tranco de aumento.
É sempre tudo muito nebuloso quando o assunto envolve Arábia Saudita e petróleo. Há pouca informação e muita interpretação.
Thomas Friedman, do New York Times, vai na contracorrente. Ele acha que os sauditas vão mesmo aumentar a oferta. Acha mais: que eles não têm escolha. George W. Bush está tentando diminuir o preço da gasolina nos EUA a todo custo e combustível é um dos grandes temas das eleições presidenciais.
Para os sauditas, não é apenas o impacto no eleitor norte-americano e o tipo de presidente que podem eleger o que importa. É também o mercado para energias alternativas. Com combustíveis fósseis em alta, mais fábricas de painéis de energia solar ou moinhos de vento surgirão. Maior oferta, menor preço. Nos EUA, por exemplo, onde a energia elétrica vem de combustíveis fósseis, alimentar a casa ou a empresa com uma fonte própria sai em conta conforme aumenta o preço do petróleo.
Vai ainda além: petróleo caro faz com que o desenvolvimento de fontes alternativas seja melhor financiado e, portanto, fica mais eficiente.
Há um ponto ótimo para que a máquina comece a girar. Os sauditas querem mais dinheiro, evidentemente, mas temem uma crise financeira mundial como a dos anos 1970. É preciso alimentar o vício mas sem matar o hospedeiro. E temem que alternativas ao seu combustível comecem a surgir com maior rapidez. Assim vai o raciocínio de Friedman.
E, evidentemente, sempre há um ou outro que vive no mundo maravilhoso de Gordon Brown, o premiê britânico. Ele tem essa idéia: os sauditas ganharam 3 trilhões de dólares. Por que não investem eles próprios em fontes alternativas de energia?
Ora, pois. Quem sabe pedindo por favor não ajuda.







23 Comentários até agora ↓
1 Renato // 26/June/2008 às 16:42
Ora ora, é legal saber que a relação entre dirigentes e frases idiotas não é uma exclusividade brasileira.
2 Ray // 26/June/2008 às 16:46
post correto.
porem no curto prazo..não tem jeito.
mais um recorde hoje.
os 200 dolares são uma realidade…
e outra coisa..
se o petroleo cair 40% ele volta para os 100 dolares…
pode parecer muito…mas não muda a atual realidade..
3 Monsores // 26/June/2008 às 17:14
Foi-se embora minha idéia do armazem pra estocar barris.
4 Amarred // 26/June/2008 às 17:34
“Nunca” é muito tempo… os US$ 200 virão, mesmo que demore um pouco mais. O que tem me preocupado é essa explosão de demanda por mineração, soa como preparação para a guerra.
5 Radical Livre // 26/June/2008 às 17:39
Os EUA têm o menor imposto sobre combustíveis do mundo. A gasolina lá ainda está bem barata em relação a outros países desenvolvidos.
O problema é a total dependência deles em relação a carros - eles construíram uma sociedade maluca onde é comum as pessoas morarem a dezenas de quilômetros do trabalho e terem como única opção de transporte o automóvel.
E o governo Bush, apesar de ter sido avisado sobre este problema do ‘Oil Peak’ desde 2001, não fez nada para aumentar as pesquisas sobre fontes alternativas de combustíveis e ainda se meteu numa guerra inútil que paralisou a produção de um país que possui uma das maiores reservas do mundo.
Outro dia eu estava lendo uma notícia dizendo que dispararam os pedidos de socorro de motoristas parados no meio da estrada com o tanque vazio. E ainda vai piorar.
6 Caramujo // 26/June/2008 às 17:56
Quanto mais e mais cedo investirmos em energias alternativas (solar, eólica, maremotriz), melhor para todos. O grande problema sao os veículos movidos à gasolina e as refinadoras que ganham trilhoes por ano com a especulaçao. Isto tem que mudar. Veículos menores, de menor cilindrada, híbridos (elétrico/gasolina como o Prius da Toyota - 18 kms/litro de gasosa, pessoal!, ou com bateria de hidrogênio). Queimar o lixo para reduzir o impacto no meio ambiente e aproveitar a energia produzida na queima. Priorizar o transporte ferroviário.
Atualmente nao existe carência alguma de petróleo ou gás; isto é uma balela. Tudo nao passa de especulaçao no mercado. A Petrobrás anuncia a descoberta de reservas gigantescas a todo mês, nao? :o)) O Uruguai acaba de descobrir uma gigantesca jazida de gás e pensam até em exportar para os USA. O Alaska e o Ártico estao cheios de petróleo. Claro, tudo isto nao durará mais que 100-150 anos, tomando em conta a explosao populacional e as necessidades de países como China e Índia, e continentes como a Europa.
A OPEP, com ajuda das petroleiras, irao matar a galinha dos ovos de ouro, sufocar o Ocidente. Que venham as energias alternativas! O povao comprará scooters e lambrettas para circular nas cidades, e carros híbridos. Quanto mim, a OPEP e os os sauditas que se fodam!
7 Zé Bush // 26/June/2008 às 18:39
well….o petróleo não é um recurso renovável. Um dia vai acabar. Nem adianta dizer que o Brazil tem reservas trilionárias, pois demandam alta tecnologia e (pelo menos no momento) será o petróleo mais caro do mundo.
Tá na hora de renovar fontes de energia. A meu ver, a energia solar e eólica são as mais viáveis. Não poluem nada e são renováveis, apesar de ser cara a produção e a distribuição, outro fator limitante. Enfeia um pouco a paisagem, mas o povo se acostuma.
Mas ainda está longe para acabar a dependência por energia fóssil. Vai ficar caro e mais caro, até ninguém mais ter condição de usar.
8 josef mario // 26/June/2008 às 19:18
Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
Eu, josef mario, devo dizer que as maiores bacias petrolíferas estão localizadas a grandes profundidades, abaixo da chamada camada de sal (reservatórios do pré-sal), como é o caso de tupi, recentemente descoberta pelo companheiro lula. A grande dificuldade para a exploração destes imensos reservatórios é a exigência de uma tecnologia, ainda não totalmente desenvolvida, e portanto, os seus altos custos. Porém, companheiros, é inevitável que, em muito pouco tempo, esta tecnologia estará disponível e, então, as reservas petrolíferas do pré-sal, ainda praticamente intocadas, estarão em plena exploração, fornecendo petróleo durante muitos séculos para toda a humanidade, antes de se esgotarem. Este negócio de fontes alternativas é coisa de ambientalista viado.
Muito obrigado
9 marco // 26/June/2008 às 22:14
Thomas Friedman, do New York Times, delira.
Do alto de sua coluna diz aos altos mandatários do mundo o que fazer e quando.
Já tem o doce olhar daqueles que perderam qualquer contato com a realidade.
Vai acabar num hospital tomando valium na veia.
ma
10 Rodrigo // 26/June/2008 às 22:17
E eu aqui pensando, e se a Arábia Saudita fosse uma democracia? Será queo povo ia apoiar que seu principal produto fosse vendido a preço de banana? Pois é, talvez coincidencias acontecam…
11 anrafel // 26/June/2008 às 22:17
A ‘morte’ do petróleo já foi anunciada diversas vezes, mas ele sempre ‘ressurge’. E continuará ‘ressurgindo’ quando as tecnologias necessárias à exploração dos poços de acesso dificílimo forem alcançadas, o que certamente acontecerá.
Mas não será usado como dantes. O processo de criação/exploração de novas formas de energia é irreversível, tanto por estratégia ambientalista como por conveniência econômica.
Bio-diesel, energia solar, eólica, hidrogênio e outras formas farão parte de programas de diversificação da matriz energética. Questão de estratégia.
O desenvolvimento das tecnologias que permitirão a exploração dos novos poços de petróleo caminharão em paralelo aos investimentos em pesquisa sobre novas fontes
de energia.
Não há posicionamento no espectro político que consiga negar com isso com razoabilidade.
Como opinião, tá bom para as 10 da noite.
12 HRP FAST Reloaded // 26/June/2008 às 22:26
Caracas….03 trilhões de dollares?
E eles se dizem numa decendente?
Os EUA os defenderiam sem qualquer pruido……
Como fazem com os Israelenses!
13 Nassau // 27/June/2008 às 2:56
Os EUA também têm reservas de petróleo no Alasca e em suas bacias marítimas, não o exploram por pressões ecológicas, devido a uma contaminação oceânica que houve há anos atrás, mas principalmente para preservar as suas reservas estratégicas. A própria Petrobras vai explorar petróleo no golfo do México que fica na plataforma marítima dos EUA.
O candidato McCain voltou atrás em relação a sua posição anterior contrária a exploração de petróleo no litoral norte-americano, e o medo de um desastre ecológico nas praias da Califórnia, dando como exemplo o Brasil que não teria a paranóia de ver as famosas praias do Rio inundadas de óleo. Segundo McCain os EUA deverão lutar para serem auto-suficientes em petróleo se não me engano lá para 2040.
Mas petróleo não é só combustível automotivo e doméstico, nem todos têm o privilégio de ter bacias hidrográficas abundantes como o Brasil. Indústrias e indústrias pesadas precisam de gás e óleo combustível mas poderão utilizar a energia nuclear. Mas o encarecimento do petróleo irá encarecer ainda mais as demais fontes como o urânio. Quando a carne de boi aumenta de preço, os seus reflexos acompanham o preço da carne de porco, de frangos e do peixe. É a lei da oferta e da procura.
Ainda assim existe uma série de produtos oriundos do petróleo desde a composição de medicamentos sintéticos, adubos e fertilizantes que garantem o suprimento em larga escala para o consumo mundial de alimentos, pneus, plásticos e tantos outros que ainda não encontraram substitutos a altura ou mesmo nenhum.
14 anrafel // 27/June/2008 às 6:50
É verdade, o senso comum parece se referir ao petróleo apenas como origem da gasolina e do diesel. Esquece que em casa e no trabalho estamos rodeados de produtos derivados dele.
Um amigo meu, executivo da Brasken, gigante do ramo petroquímico, me conta que a empresa já começou a trabalhar com etanol. Acho que na planta do Rio Grande do Sul.
15 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 27/June/2008 às 8:34
qual o partido de Gordon Brown?
16 Theo // 27/June/2008 às 10:59
Eu sou a favor das hidrelétricas, mas aqui no brasil se vc tem que deslocar 14 índios numa área do tamanho de pernambuco, cria-se o maior bafafá.
17 Calango // 27/June/2008 às 11:09
“Este negócio de fontes alternativas é coisa de ambientalista viado.”
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!
Que falta faz um Josef Mario na política nacional.
18 Calango // 27/June/2008 às 12:12
Pedro,
A Arábia Saudita não tem condições de aumentar a produção. A última grande jazida descoberta lá foi, se não me engano, em 1980. E a pressão nos poços está sendo mantida através de contínuos bombeios de água marinha.
Os dados sobre as reservas sauditas estão guardados a sete chaves pelo governo saudita. Talvez sejam menores do que o mundo pensa.
19 Caramujo // 27/June/2008 às 12:51
Deixa que o Brasil dá conta! A cada mês a Petrobrás “descobre” uma jazida sensacional na plataforma submarina. Nunca se descobriu tanto petróleo no Brasil que durante o govêrno dos neopetistas. O Noço Guia, pai dos pobres e santa maezinha dos banqueiros é, além de vigarista, um milagreiro!
20 Chesterton // 27/June/2008 às 13:19
kkakakaka… e viva a Petrobras….quer dizer, as companhias que fazem a prospecção para a Petrobras, como a Haliburton.
21 Elias // 27/June/2008 às 16:42
No assunto: tramita no Parlamento Europeu um projeto pra quebrar em 24% a taxa de redução das emissões de gases poluentes em cada tipo de agrocombustível.
O que isso significa:
a - pelos critérios atuais, e em relação à gasolina, o etanol brasileiro emite 75% menos gases poluentes;
b - aprovada a europroposta, essa vantagem competitiva cairia para 50%.
Entendeu, Chesterton, o que significa “leis de mercado”?
Obviamente que uma proposta desse tipo, feita pela euromalandragem, jamais viria à tona sem uma eurojustificativa pra lá de eurocorreta politicamente.
A justificativa dos euroespertos é que a avaliação ambiental dos agrocombustíveis não pode ser dissociada do impacto que o cultivos dos ditos cujo provoca, seja pelas implicações negativas sobre a produção de alimentos (e a elevação dos preços destes), seja pela pressão que exercem para o aumento de desmatamentos em biomas sensíveis, a Amazônia, o Pantanal e outros.
Evidentemente que, eurotolo que sou, vou acreditar que a europroposta é realmente bem intencionada, e que aí não há nenhuma euroinfluência do cartel petroleiro.
Afinal, como todos sabem, ninguém neste mundo tem tantas e tamanhas preocupações nem tantos e tamanhos cuidados com o meio ambiente como tem o cartel petroleiro.
Todos sabemos do obsessivo respeito que as petroleiras devotam às mais rígidas normas de proteção ambiental.
Ontem mesmo, conversei com Papai Noel a esse respeito…
Bem, taí mais um desafio para a diplomacia brasileira. Pelo que se sabe, ela está em campo, discretamente, tentando desmontar essa eurobandalheira.
Não vai ser fácil…
22 Alba // 27/June/2008 às 19:45
Elias,
:-))
23 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 27/June/2008 às 22:13
eu tb não gosto da euro-quadrilha……viva São João…
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