O petróleo saudita e as fontes alternativas

EUA · Energia e Aquecimento global · Europa · Oriente Médio · 26/06/2008 - 16h16 - 24 Comentários

A Arábia Saudita promete que aumentará o fluxo de petróleo em direção ao mundo. Maior oferta, cai o preço. Quem sabe assim o barril a 200 dólares nunca chegue.

Muitos analistas estão céticos. Uns dizem que os sauditas já fizeram essa promessa antes e não a cumpriram; outros sugerem que eles sequer têm como. Seu maior campo está próximo do pico e não agüentará o tranco de aumento.

É sempre tudo muito nebuloso quando o assunto envolve Arábia Saudita e petróleo. Há pouca informação e muita interpretação.

Thomas Friedman, do New York Times, vai na contracorrente. Ele acha que os sauditas vão mesmo aumentar a oferta. Acha mais: que eles não têm escolha. George W. Bush está tentando diminuir o preço da gasolina nos EUA a todo custo e combustível é um dos grandes temas das eleições presidenciais.

Para os sauditas, não é apenas o impacto no eleitor norte-americano e o tipo de presidente que podem eleger o que importa. É também o mercado para energias alternativas. Com combustíveis fósseis em alta, mais fábricas de painéis de energia solar ou moinhos de vento surgirão. Maior oferta, menor preço. Nos EUA, por exemplo, onde a energia elétrica vem de combustíveis fósseis, alimentar a casa ou a empresa com uma fonte própria sai em conta conforme aumenta o preço do petróleo.

Vai ainda além: petróleo caro faz com que o desenvolvimento de fontes alternativas seja melhor financiado e, portanto, fica mais eficiente.

Há um ponto ótimo para que a máquina comece a girar. Os sauditas querem mais dinheiro, evidentemente, mas temem uma crise financeira mundial como a dos anos 1970. É preciso alimentar o vício mas sem matar o hospedeiro. E temem que alternativas ao seu combustível comecem a surgir com maior rapidez. Assim vai o raciocínio de Friedman.

E, evidentemente, sempre há um ou outro que vive no mundo maravilhoso de Gordon Brown, o premiê britânico. Ele tem essa idéia: os sauditas ganharam 3 trilhões de dólares. Por que não investem eles próprios em fontes alternativas de energia?

Ora, pois. Quem sabe pedindo por favor não ajuda.

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