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O pobre Zimbábue nas mãos de Robert Mugabe

June 24th, 2008 · · 68 Comentários

A primeira vista, pode não parecer muito. Mas tem muito significado o fato de que o Conselho de Segurança da ONU condenou as eleições de segundo turno que acontecerão no Zimbábue, sexta-feira. Quer dizer que, desta vez, o embaixador da África do Sul, que tem assento no Conselho, não impôs seu veto para bloquear a votação. Como a condenação foi unânime, quer dizer que a África do Sul votou contra o governo de Robert Mugabe.

Ou seja, Thabo Mbeki, o presidente da África do Sul, retirou seu apoio tácito a Mugabe.

Que ninguém tenha dúvidas: Mugabe é um bárbaro. Fiscais eleitorais do candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, foram assassinados. Outros tantos apanharam. Mugabe imaginou que venceria o primeiro turno eleitoral só pelo medo que inspira. Confiante, permitiu que cada zona eleitoral afixasse os resultados conforme ia apurando-os. Quando a vitória de Tsvangirai ficou evidente, já era tarde. Aí virou a eleição na marra, fraudando. Agora, explica a quem perguntar que só Deus o tira do governo. É no mínimo razoável concordar com o CS da ONU: não dá para esperar uma eleição limpa.

Mugabe contava com o apoio de todos os governantes seus vizinhos – principalmente o mais poderoso deles, Thabo Mbeki. Para o mundo, ele é um bárbaro. Para os principais líderes africanos, é diferente. Mugabe, do seu ponto de vista, é o último líder da geração que derrubou os poderes imperiais europeus. É um sobrevivente. Ditador carniceiro, por certo. Mas a barbárie faz parte do cotidiano africano há muitos séculos. Há um choque geracional. Os velhos líderes olham com respeito para a história de Mugabe. Os jovens olham-no com horror. Querem uma África moderna, democrática, parte da comunidade internacional.

Primeiro, foram Zâmbia e Botsuana que renegaram Mugabe. Agora Mbeki está aparentemente cedendo. E também José Eduardo dos Santos, um de seus principais aliados, em Angola. O Zimbabue tem a pior inflação do mundo. Depende dos vizinhos para receber armas e alimentos vindos da China por navio, já que não tem porto. (As armas estavam vindo via Angola.)

A esperança para um Zimbábue livre de Mugabe é que o Conselho de Segurança imponha sanções, os vizinhos as implementem e a pior inflação do mundo resolva o resto. Seria um poder conjunto equivalente à mão de Deus para fazer Robert Mugabe cair.

Tags: África

68 Comentários até agora ↓




  • 1 aiaiai na noruega // 24/June/2008 às 11:28

    Pena que não tenha muito petr’oleo la…se tivesse o bush ia l’a e mandava o mugabe para a forca kkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!! Sei que o assunto ‘e s’erio mas não resisti…os loucos por bush tamb’em devem adorar o mugabe

  • 2 Silvio // 24/June/2008 às 11:28

    Seu bigodinho a la Hitler indica o quanto ele fede. Pouparia valioso tempo e muito sofrimento aos que lá vivem se alguém o retirasse de lá. One shot.

  • 3 Credun Fas // 24/June/2008 às 11:28

    pô, cadê o Fabio Passos, HRP e Hugo para defender o Bob Mugabe?

    Um líder revolucionário contra o imperialismo!

  • 4 Nhé! // 24/June/2008 às 11:51

    Pobre Zimbábue. Ninguém merece tanta desgraça!

  • 5 O Espezinhador // 24/June/2008 às 11:53

    Ué, mas ele não é um antiimperialista que tirou as terras dos latifundiários brancos para distribui-las aos pobres nativos? Não é mais ou menos isso o que prega o MST?
    Cadê a esquerdalha indo às ruas defender esse herói???

  • 6 Mr X // 24/June/2008 às 11:53

    aiaiaiai, cretinete,

    o mugabe é socialista, quem gosta dele é esquerdófilo.

    aliás acho curioso o pessoal querer agora que o bush invada o zimbabwe, o sudão… poxa, não reclamaram tanto do iraque?

    quanto a esperança de que a inútil ONU faça alguma coisa… será que é piada de mau gosto do PD?

    parece aquele desenho animado, “Mutley, faça alguma coisa!”, só que neste caso seria, “ONU, faça alguma coisa!”

    kkkkkk.

  • 7 Edu // 24/June/2008 às 11:58

    Credun,

    kkkkkkkkkkkkkk

  • 8 Murilo // 24/June/2008 às 11:59

    Pedro,
    salvo engano, membros não-permanentes não têm poder de veto no CS.

  • 9 Edu // 24/June/2008 às 11:59

    Mr X.,

    kkkkkkkkk

  • 10 Pedro Doria // 24/June/2008 às 12:03

    Murilo, não tem poder de veto nas votações quando elas chegam, mas consegue interferir na pauta aliviando as questões que são trazidas a voto.

  • 11 bitt // 24/June/2008 às 12:05

    Ora, ora, ora… E quem se lembra desse lugar se não estiver acontecendo alguma matança por lá? E quem conseguir dizer onde fica isso sem olhar num mapa?

    Tanto é que nem prá escrever sobre o assunto aparece gente…

  • 12 Ricardo Cabral // 24/June/2008 às 12:14

    Mudanças, urgentes. Pena que quando o Mugabe sair, é pouco provável que as coisas melhorem logo. Haverá o costumeiro caos que a gente tem visto em países com histórico semelhante, e duvido que os países vizinhos ajudem muito, já foi “boa vontade demais” eles tirarem o apoio a Mugabe.

  • 13 Edu // 24/June/2008 às 12:36

    País falido, povo sofrido… alguém já ouviu essa história antes?

  • 14 MaGioZal // 24/June/2008 às 12:51

    Que ninguém tenha dúvidas: Mugabe é um bárbaro.

    Pois é… mas o tristemente engraçado é que lá por volta dos anos 70 Mugabe era tido como o herói libertador negro na luta contra a opressão branca de Ian Smith, que era o pária (ou quase isso, visto que os EUA compravam a produção metal da então Rodésia por causa de seu alinhamento anti-comunista) da vez.

    Só que quando Mugabe chegou ao poder, ele gradativamente foi gostando dos palácios e passou a fazer tudo aquilo que o regime anterior fazia, com o “plus” de ter o salvo-conduto de ser um pan-africanista.

    Acabou dando no que deu. A Rodésia, que era um dos países mais avançados da África nos anos 60, se tornou o buraco do inferno é o Zimbábue de hoje. Não estou aqui defendendo a discriminação racial que havia antes, mas a ditadura e a irresponsabilidade que vieram depois.

  • 15 Chesterton Dracul // 24/June/2008 às 12:52

    perai, Bit, periodicamente venho alertando para a situação da Rodesia, (o pD apaga as vezes). Claro que é problemas das esquerdas revolucionarias e dos grupos afro radicais. Cadê os imbecis? Quietinhos…..

    Quando era colonia, o povo era mais feliz, certamente.

  • 16 MaGioZal // 24/June/2008 às 12:52

    Pois é… mas o tristemente engraçado é que lá por volta dos anos 70 Mugabe era tido como o herói libertador negro na luta contra a opressão branca de Ian Smith, que era o pária (ou quase isso, visto que os EUA compravam a produção metal da então Rodésia por causa de seu alinhamento anti-comunista) da vez.

    Só que quando Mugabe chegou ao poder, ele gradativamente foi gostando dos palácios e passou a fazer tudo aquilo que o regime anterior fazia, com o “plus” de ter o salvo-conduto de ser um pan-africanista.

    Acabou dando no que deu. A Rodésia, que era um dos países mais avançados da África nos anos 60, se tornou o buraco do inferno é o Zimbábue de hoje. Não estou aqui defendendo a discriminação racial que havia antes, mas condenando a ditadura e a irresponsabilidade que vieram depois.

  • 17 Chesterton Dracul // 24/June/2008 às 12:53

    será qual o problema dos negros africanos?

  • 18 MaGioZal // 24/June/2008 às 12:57

    Ah, mais duas coisas: uma das maiores desgraças da África foi que seus países ficaram independentes justamente durante a Guerra Fria, o que inundou o continente de armas vindas do exterior e de ideologias que amargaram os conflitos e as relações dos novos países co as antigas metrópoles… além das próprias relações entre os novos países.

    E outra desgraça é que o processo de descolonização foi na maioria dos casos muito mal-feito, tornando a maioria das ex-colônias países governados como ditaduras de partido único até os anos 90.

  • 19 MaGioZal // 24/June/2008 às 13:01

    O povo tem que parar de pensar que “a culpa é dos brancos” ou “a culpa é dos negros”, ou ainda atualmente como está em voga “a culpa é da inconsistência étnica destes países”.

    A culpa é, basicamente, da falta de direitos das pessoas e, principalmente, de democracia.

  • 20 Jåµë§ ßønd™ // 24/June/2008 às 13:20

    #16… consideradas as proporções… ele não te lembra alguém?

  • 21 Igor // 24/June/2008 às 13:25

    Moro na África do Sul há um ano e meio e Zimbabwe é um assunto corriqueiro por aqui. Todo mundo que emigrou de lá tem a pior imagem possivel do Mugabe, mas muitas vezes quando a TV mostra imagens de lá ele aparece sendo ovacionado pelo povo (o que não prova nada, tem um partido brasileiro que arma esse tipo de espetáculo muito bem, por exemplo). Mas eu até acredito que o Mugabe tenha ainda algum apoio da população mais pobre pelo sua tática de manipulação. É gente que ainda cai na ladainha do “brancos são mal, fora brancos!”. Todo discurso dele basicamente culpa a Inglaterra pelas desgraças do país e não é impossível que grande parte da população compre essa idéia.

  • 22 Diego // 24/June/2008 às 13:32

    Se o Zimbábue tivesse petróleo, Bush e sua trupe já teriam tirado Mugabe há muito tempo do poder. Nem isso eles têm. Pobre Zimbábue.

  • 23 13.GuE // 24/June/2008 às 13:43

    Não querendo instigar a barbárie
    ! Head Shot !

  • 24 13.GuE // 24/June/2008 às 13:45

    MaGioZal

    o teu comentário Nº18 foi muito bom
    Não esta informação sobre a guerra fria
    interessante

  • 25 Guilherme // 24/June/2008 às 13:51

    Zimbábwe tinha ouro.

  • 26 Pax // 24/June/2008 às 14:05

    O velho e bom Chesterton, sempre provocando: “Quando era colonia, o povo era mais feliz, certamente”.

    Tô cá pensando. Não consigo concordar. E não consigo discordar.

    Boa, Chesterton, velho e bom Chesterton.

    será?

  • 27 Pax // 24/June/2008 às 14:06

    desculpem-me.

  • 28 Edu // 24/June/2008 às 14:44

    Pax,

    Fiquei com a mesma impressão.

    Mas, existe forma de medir a felicidade de um povo somente olhando dados históricos? Talvez seja por isso que vc não consiga concordar nem discordar…

    Não existe pesquisa de clima organizacional nos países, ainda mais para países que sofreram com falta de democracia.

    Fico pensando em outra coisa, dado o texto: que direito o resto das nações do mundo tem em intervir em um país assim? Este país não é uma ameaça global, nem regional. Não entendo direito o papel da ONU nesse caso, acho que é uma boa oportunidade pra aprender. Como já foi questionado, qual a utilidade da ONU pra isso?

  • 29 nada será como antes // 24/June/2008 às 15:11

    ………..

  • 30 Eduardo // 24/June/2008 às 15:25

    E a responsabilidade do Brasil nesta eleição fraudada? Pelo que li nos jornais, o Brasil - isto é, a diplomacia petista - colaborou com a fraude de Mugabe, ao fornecer observadores para a eleição que disseram que tudo tinha corrido OK. Houve até um pilantra do Itamaraty que disse algo como: “Só está reclamando da eleição quem perdeu…” Estes são os cretinos que nos governam: ladrões e coniventes com assassinos.

  • 31 Jåµë§ ßønd™ // 24/June/2008 às 15:35

    -= #30 … por que fizemos isso? Digo, mandamos observadores para lá?

  • 32 Bruno Mota // 24/June/2008 às 15:44

    JB: “-= #30 … por que fizemos isso? Digo, mandamos observadores para lá?”

    O Itamarati fez mais que isso. O Brasil votou *contra* a condenação do Zimbabwe no Conselho de Direitos Humanos da ONU (juntamente com a maioria do conselho, incluindo luminários da liberdade tais com Belarus, Arabia Saudita e Cuba). Já está claro a muito tempo que o tal ‘conselho’ é uma farsa, mas eu esperava mais do meu pais.

  • 33 Bruno Mota // 24/June/2008 às 15:52

    O Brasil também apoiou, mesmo que tacitamente, a certificação por parte dos paises do sul da África, de uma série de eleições no Zimbawe progressivamente mais roubados. O primeiro turno foi talvez o caso mais gritante. O Morgan Tsangarai quase certamente ganhou mais de 50% dos votos válidos, apesar da intimidação e uso descarado do arremedo de aparelho de estado que ainda resta. A comissão eleitoral demorou mais de um mês para soltar os resultados, e marcou o segundo turno para quase 4 meses depois (ambos os prazos contrariam as leis eleitorais zimbabwanas). Mesmo assim, a Africa do Sul e o sul da África endorsaram todo o processo como ‘livre e justo’, e se limitaram a expressar ‘preocupação’.

    Nem todo mundo na Africa do Sul finge que esta tudo bem, porém. A alguma semanas um barco chinês carregado de armamentos destinados à Harare foi impedido de aportar em Durban pelo sindicato local de estivadores.

  • 34 marco // 24/June/2008 às 16:29

    ” Ditador carniceiro, por certo. Mas a barbárie faz parte do cotidiano africano há muitos séculos.”

    Ora, Pedro Dória, como fica seu comentário anterior sobre a Europa? Lá também a barbárie faz parte do cotidiano há muitos séculos.
    O que vale para um não vale para o outro?

    E quanto a eterna culpa européia - sempre destacada por você - do colonialismo?
    Por acaso você também dirá que a bárbarie atual do Zimbábue pesará eternamente sobre quem nascer naquele país daqui a 100 anos?

    Algo assim - os cadáveres insepultos da era de Mugabe rondam as hoje prósperas cidades do Zimbawe querendo vingança”

    abs,
    ma

  • 35 Jåµë§ ßønd™ // 24/June/2008 às 16:47

    #32, Bruno Mota… impressionante.

    Estou surpreso que nossa parcela de interferência internacional seja mais do que o estágio (não-remunerado?) que estamos fazendo no Haiti.

    Mas, pensando bem agora, não é de se estranhar que tenham escolhido brasileiros para esta tarefa.

  • 36 Jåµë§ ßønd™ // 24/June/2008 às 16:51

    -= O comentário #35 esclareceu todas as dúvidas que eu pudesse ter sobre o tema.

  • 37 El Torero // 24/June/2008 às 16:55

    #28…creio que a ONU deveria intervir em quaisquer países aonde os direitos humanos estivessem sendo violados, mas também, sendo assim, não haveria lugar em que ela não se meteria.

  • 38 Renato // 24/June/2008 às 17:14

    O problema é que a ONU é obrigada a levar a questão da soberania das nações. O Iraque invadiu o Kuwait o que justificou a guerra do golfo. A Iugoslávia implodiu no caso dos Balcãs.

    Enquanto Sudão, África do Sul nos tempos do apartheid e Zimbabwe são nações soberanas, sejam justas ou não?

  • 39 Edu // 24/June/2008 às 17:20

    El Torero,

    Vc está entendendo onde eu quero chegar.

    É justamente esse tipo de dúvida que nós viemos discutindo esses dias: se a ONU intervém hoje em favor da teórica maioria da população que sofre, os países desenvolvidos correm o risco de ter que aceitar, depois de finalizada a intervenção, imigrações deste país (Zimbábue). Se a ONU não intervém ficamos todos penosos do sofrimento pelo qual passam milhares de habitantes do país.

    Pior:

    Se a ONU intervém, no futuro, o povo ganha o direito de se rebelar contra o “imperialismo de seja-lá-quem-for” e iniciar atividades terroristas.

    Se a ONU não intervém, o grupo dos “politicamente corretos” e dos direitos humanos do mundo inteiro questionam e pressionam a Europa, os EUA dizendo que eles mandaram no mundo muito tempo e agora estão fazendo pouco caso para quem realmente precisa.

    E aí?! É pra arrumar um culpado? Eu acho que não, por isso que eu digo: falta clareza política para essas questões. Nós vivemos chafurdando fatos históricos, arrumando em quem por a culpa: nos direitistas, nos esquerdistas, no lucro, na religião, na cultura, nos costumes, na diferença de oportunidades entre países etc… porém ninguém se alinha para dizer o que de realmente prático deve ser feito nesses casos.

    Isso eu acho o fim do mundo.

  • 40 chesterton // 24/June/2008 às 17:37

    o problema da África é que a maioria dos lideres pós coloniais foi formada em Moscou….em marxismo……mistura isso com as tradições africanas e a zona é essa. Faltou aceitar a civilização do colonizador.

  • 41 chesterton // 24/June/2008 às 17:40

    qual foi mesmo aquele pugilista negro que ao desembarcar no Zaire para uma luta exclamou:
    - thanks god my grandad got in that boat…

  • 42 Edu // 24/June/2008 às 17:42

    Chesterton,

    kkkkkkkkkkkkkkkk

  • 43 Guilherme // 24/June/2008 às 17:44

    Grandes potências como Haiti, República Dominicana, Honduras, Bolívia, Paraguai, El Salv…aceitaram a civilização do colonizador. Por isso são paraísos da democracia e bem-estar.

  • 44 Igor // 24/June/2008 às 18:14

    Ao Bruno Mota,

    O que houve por parte dos governos do Sul da África foi um “lavar de mãos” e não exatamente um apoio. A gente pode até argumentar que numa situação fingir que não está acontecendo nada seja uma forma de apoio, mas oficialmente os governos não assinaram embaixo das barbaridades no primeiro turno do Zimbabwe.

    A gritaria mesmo veio do povo, nisso você está certo. A decisão de não descarregar o navio com armas foram dos trabalhadores portuários de Durban e da Africa do Sul. Depois alguns juízes tentaram impedir legalmente o transporte das armas através do território sul-africano para outros país, parece que tem um lei que impede isso, mas acabou que não foi nem necessário. Namíbia e Moçambique também negaram acesso aos seus portos (aí foi coisa oficial dos presidentes desses países).

    A questão do Zimbabwe é um dos problemas que mais “queima o filme” do presidente. Nesse episódio do navio enquanto o país inteiro reclamava ele era retratado nas charges dos jornais como um avestruz com a cabeça enterrada no chão.

    Aliás, a tirinha Madam & Eve é uma excelente fonte de informação sobre o tema, quem quiser:

    http://www.madamandeve.co.za/

  • 45 Haitiano desenvolvido // 24/June/2008 às 18:15

    Guilherme, você esqueceu de mencionar o Brasil e a Argentina, países que se destacam pelo desenvolvimento, produção de conhecimento e respeito à dignidade humana.

  • 46 Igor // 24/June/2008 às 18:20

    http://www.madamandeve.co.za/cartoons/me004006.gif

    Um dos exemplos que comentei

  • 47 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 24/June/2008 às 18:44

    as falhas dos paises sul e centro- americanos se devem justamente a falta de racionalismo economico que provem do civilizado norte hemisfério da Terra…..

    Cara de cimento.

    Depois de autorizar e negociar diretamente a presença do Exército como milícia do Crivella no Morro da Providência, para o projeto eleitoreiro “Cimento Social”, Lula, ontem, manifestou-se contra a presença dos militares no local. De cimento é a cara do presidente da república. Disse Lula que considera “injustificável” a presença de homens do Exército em “uma obra terceirizada” , já que os trabalhadores ali empregados são da comunidades, e os únicos militares seriam dois engenheiros. E mais: além de defender indenização para as famílias dos traficantes mortos, ainda quer que o julgamento dos militares seja feito pela justiça comum. Como se o que houvesse nas favelas do Rio não fosse uma verdadeira guerra, tanto é que chamaram quem? O Exército.

  • 48 Edu // 24/June/2008 às 18:48

    Haitiano desenvolvido,

    Qual é a sua idéia então?

  • 49 Edu // 24/June/2008 às 18:49

    Guilherme,

    E vc? Qual a sua idéia?

  • 50 El Torero // 24/June/2008 às 18:55

    A minha: ONU intervem, sai Mugabe, entra outro ditador…daqui a quatro anos ONU, ou qualquer país que tenha interesses por lá, vai e depõem este também…

    O fato é que, obviamente, há que se deixar o país nas mãos dos cidadãos, pois que com o andar do caminhão as melancias se ajeitam.

  • 51 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 24/June/2008 às 19:04

    Fora do tema — PD

  • 52 Edu // 24/June/2008 às 19:18

    El Torero,

    Acho que as duas saídas são viáveis, só que é necessário tomar uma decisão. Essa história de vai-não-vai abre margem a interpretações políticas.

    Na verdade há um problema nisso: não há interesse nenhum em se tomar uma decisão clara. Afinal, tomar decisões significa assumir responsabilidades e eventualmente as conseqüências, como já comentei. Além disso, faz parte da política deixar essas coisas subentendidas.

    Pra mim, esse tipo de decisão deve ser amadurecida, esclarecida e tomada. Só assim a humanidade evolui, bem como nossas relações políticas e sociais.

  • 53 El Torero // 24/June/2008 às 19:44

    Uma ação que realmente mexesse com a atual situação, só seria tomada se o Zimbabue ou fosse detentor de algo que realmente interessasse a alguém, em termos financeiros claro, fosse ameaça quando nas mãos deste presidente a alguém, se sua instabilidade comprometesse outros a sua volta…algo assim ocorre!? Eu não sei.
    Se não, oque se pode esperar são discursos, maior ou menor pressão, enviados para observar eleições e que sem levar algo de concreto ainda dão aval para barbaridades-seja por desonestidade ou inocência. E lá o pau come. Mortos se amontoam…nada que antes não tenha acontecido.

  • 54 Edu // 24/June/2008 às 19:57

    El Torero,

    Pois é…

  • 55 Mr X // 24/June/2008 às 21:02

    Acho engraçado que os mesmos que reclamam do Iraque, reclamam que “ninguém vai fazer nada no Zimbabwe pois não tem petróleo”. Um dia são contra a derrubada de ditadores por forças externas, no outro são a favor… Vai entender!

  • 56 Pax // 24/June/2008 às 21:13

    Prezados,

    Esta discussão nos leva ao papel da ONU. Já tive verdadeiros arranca-rabos com o velho e bom Chesterton sobre esse assunto e ainda considero uma discussão inacabada.

    Como sempre, gosto de ir na origem e missão das instituições. Pra que servem? Quais são seus princípios? Onde está escrito oficialmente?

    Bem, aqui está. E reparem que grifo lá embaixo um dos princípios que me deixa encafifado com relação ao Zimbábue do post.

    Propósitos e princípios da ONU

    As Nações Unidas são regidas por uma série de propósitos e princípios básicos aceitos por todos os Países-Membros da Organização.

    Os propósitos das Nações Unidas são:
    • Manter a paz e a segurança internacionais;
    • Desenvolver relações amistosas entre as nações;
    • Realizar a cooperação internacional para resolver os problemas mundiais de caráter econômico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais;
    • Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para a consecução desses objetivos comuns.

    As Nações Unidas agem de acordo com os seguintes princípios:

    • A Organização se baseia no principio da igualdade soberana de todos seus membros;
    • Todos os membros se obrigam a cumprir de boa fé os compromissos da Carta;
    • Todos deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais;
    • Todos deverão abster-se em suas relações internacionais de recorrer à ameaça ou ao emprego da força contra outros Estados;
    • Todos deverão dar assistência às Nações Unidas em qualquer medida que a Organização tomar em conformidade com os preceitos da Carta, abstendo-se de prestar auxílio a qualquer Estado contra o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo;
    • Cabe às Nações Unidas fazer com que os Estados que não são membros da Organização ajam de acordo com esses princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais;
    Nenhum preceito da Carta autoriza as Nações Unidas a intervir em assuntos que são essencialmente da alçada nacional de cada país.

    E agora, José?

  • 57 El Torero // 24/June/2008 às 21:28

    Quando diz…”promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais;” mas sem intervir diretamente no país…é que só pode mesmo pressionar, fazer discursos e mandar observadores.

  • 58 Edu // 24/June/2008 às 21:29

    Mr X.,

    Não sei exatamente a quem vc está se referindo, mas na minha cabeça o quadro é esse:

    No Iraque, talvez o real motivo que levou à invasão pelos EUA tenha sido o petróleo. O que eles alegaram foi ameaça bélica. Nesse caso, eu concordo com a alegação feita

    No caso do Zimbábue não há nem petróleo, nem ameaça bélica, segundo um post lá em cima há ouro, mas isso eu acho que não é motivo pra nada hoje. Paira a questão se a ONU tem ou não poder/direito de intervir.

    Pax,

    De acordo com isso, a ONU não pode fazer nada. Ela pode expressar profundo sentimento de dó a todos os habitantes desse pobre país, porém não há nada que a ONU possa fazer. No máximo, como ela fez, foi dizer que o Bob foi um “menino malvado” que não deveria fazer mais isso pq é feio…

    Minha posição é de que:

    1 - A ONU deveria ser obrigada a manifestar se intervirá ou não.

    2 - Se a ONU resolver intervir, ela deveria justificar a intervenção, para começar a existir alguma espécie de “jurisprudência mundial”. Nesse caso ela deveria intervir em muitos outros assuntos mundo afora.

    Deve haver uma decisão e uma justificativa, para que se tenha formas de cobrar coerência nas posições tomadas.

  • 59 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 24/June/2008 às 22:37

    Civilização

    O Igor disse no seu Mosca Azul que alcançamos um estágio de civilização onde certas explorações do homem pelo homem não devem mais ser toleradas. 100% de acordo.

    E digo mais.

    Alcançamos um estágio onde situações como as de Cuba, Sudão e Zimbábue são inadmissíveis.

    É uma responsabilidade dos países mais desenvolvidos agir para que o povo destes países sejam libertados da opressão à qual estão submetidos. A soberania não pode servir como escudo de déspotas e nem como desculpa dos países para que nada façam.

    Sanções econômicas são patéticas. Somente a ação militar é efetiva.

    Repito aqui o que eu disse quando do início da Guerra do Iraque: minha única bronca com os EUA é que eles pararam ali.

    Não importa se chegaremos ao planeta Marte ou a outras galáxias. Enquanto aberrações como Sudão e Zimbábue existirem, não passaremos de bárbaros em relação a qualquer eventual observador. Como disse Calvin, “Sometimes I think the surest sign that intelligent life exists elsewhere in the universe is that none of it has tried to contact us”.

  • 60 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 25/June/2008 às 0:33

    az esquerdalhada deve ler este livro…contra o que Munagmbi fez

    http://docs.google.com/View?docid=dgf79kkn_13fwrvqwc2

  • 61 Frangotix, o incólume // 25/June/2008 às 0:35

    “Repito aqui o que eu disse quando do início da Guerra do Iraque: minha única bronca com os EUA é que eles pararam ali.”

    Pois é… a guerra é uma força geradora de estabilidade onde não há a menor chance das intenções não serem alcançadas e da situação sair de controle.

    Os libertadores não se aliam a um dos vários lados de nações faccionalistas e, vejam só, nem usam a máquina de guerra para fins de grandes empresas.

    O mundo de Chesterton é uma espécie de mundo de Marlboro. Ou de terra da fantasia. Ou de paraíso olaviano fora de controle.

  • 62 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 25/June/2008 às 9:10

    passem o rodo na escumalha.

  • 63 Renato // 25/June/2008 às 9:45

    Que o Mugabe tornou o Zimbabwe um inferno na terra eu não discordo. Agora eu quero ver a hora em que também decidirem que o que fazemos na amazônia também é inadimissível.

  • 64 Chesterton // 25/June/2008 às 10:33

    pois tratemos de ocupar a Amazonia e defendê-la contra mos interesses estrangeiros acumpliciados com falsos indios.

  • 65 r // 25/June/2008 às 16:53

    qual é o pior ditador da áfrica?
    (talvez não seja Mugabe)
    http://www.slate.com/id/2193870/

  • 66 Bruno Mota // 25/June/2008 às 18:20

    r, de fato é muito pertinente apontar para o horror que é a Guiné Equatorial (ou o Sudão, ou Somália, ou a RD do Congo, etc). O Zimbabwe de fato provavelmente não é o pior pais da África (embora o Robert Mugabe esteja trabalhando duro neste sentido).

    Uma coisa notável e deprimente a respeito do Zimbabwe é que ele passou em alguns poucos anos de um dos paises mais promissores do continente para um dos piores. É o melhor exemplo de um padrão recorrente na África que induz à desesperança: Anos de progresso arduo e lento são postos a perder de forma catastrófica por um governante que não quer largar o osso.

    Existe uma enorme hipocrisia americana na maneira com que tratam das ditaduras no Zimbabwe e na GE. Mas isto não significa que a politica atual de condenar o Mugabe esteja errada; o que está errado é o silêncio a respeito dos desmandos na GE.

  • 67 Mr X // 25/June/2008 às 23:03

    Não há nada que seja mais desesperançador para quem tem esperanças na humanidade do que a África

  • 68 AlGUEM - R.C.N.T // 26/June/2008 às 2:08

    A solução é doar um pouco de armamento para os indignados > Ak,RPD,M14,16,PT,AT4,RPG,Gsa,Mina, e etc etc etc…… É a unica coisa que o lula pode fazer pra melhorar esta situação aí meu cara > assim não dá > como tomar o poder na Africa sem ter armamento ?

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