O Jogo Real de Ur

Harry Potter · História · Iraque · Pop · 21/06/2008 - 10h54 - 19 Comentários

Na década de 20 do século passado, o arqueólogo inglês Leonard Woolley escavou cinco tabuleiros de um jogo das tumbas reais de Ur, a antiga cidade da Suméria localizada no atual Iraque. O mais luxuoso deles misturava pedras coloridas várias cuidadosamente encaixadas e data de 2.600 a.C.

Com o tempo, novos tabuleiros ou indícios de sua existência foram descobertos no Irã, Síria, Egito, Líbano, Sri Lanka, Chipre e Creta.

Ele ficou conhecido como o Jogo Real de Ur. E ninguém sabia como jogá-lo até que Irving Finkel o descobriu.

Desde menino, Finkel era fascinado com o mundo dos jogos de tabuleiros e o da Mesopotâmia. Na universidade, estudou a escrita cuneiforme e, em 1979, foi contratado pelo Museu Britânico como especialista para decifrar a coleção 130.000 de tabletes de argila. Num deles, descobriu instruções.

Cuidadosamente, ao longo dos anos, ele recuperou a forma de jogar o Jogo Real de Ur, fez o Museu botar a venda uma reprodução com instruções, descobriu sua história.

O Jogo Real de Ur foi o mais popular da antigüidade até que, uns 2.000 anos atrás, ele morreu de vez, substituído por outro jogo bem mais sofisticado no seu equilíbrio entre sorte e técnica. O Gamão.

Ou quase morreu: há alguns anos, folheando uma obscura revista técnica israelense de arqueologia e história, Finkel passou por fotos da comunidade judaica de Cochin, na Índia. Eram imagens do início do século 20 e, ali no meio, havia um tabuleiro de jogo. Era do Jogo Real.

Não há mais judeus em Cochin, todos vivem em Israel. O velho professor rastreou, num kibutz, uma senhora que ainda tinha memória de como jogar. Pegou um avião para encontrá-la. Havia algumas modificações nas regras, mas era ele próprio. Passaram uma tarde gasta em partidas. Ainda vivo até, ao menos, o início dos 1900s.

(No site do Museu Britânico, há uma versão online para ser jogada. É preciso instalar o plugin Shockwave.)

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