¡Que viva Yoani! – sobre Cuba e liberdade
Mauro Malin entrevistou, para o site do Museu da Pessoa, a blogueira cubana Yoani Sánchez. A entrevista é uma lindeza. Não só por bem conduzida, mas porque revela o pacato cotidiano de uma vida sob a ditadura.
Não me agradam os apáticos. Meu país me dói. Se nada me importasse, se eu me alienasse de minha realidade, não escreveria as coisas que escrevo.
Em Cuba, respiramos política, comemos política. Eu me considero uma pessoa que é da sociedade civil, tratando de descrever como vive e de conectar-se com outras pessoas da sociedade civil. Claro, para o governo isso é oposição. Mas eu mesma não me defino como uma opositora.
A questão da comida é, no momento, uma preocupação geral dos cubanos. A maioria dos alimentos necessários para sobreviver não tem um preço correspondente aos salários.
Quase a cada minuto temos que transpor a linha entre a legalidade e a ilegalidade. Em Cuba, o mercado negro é muito importante para sobreviver.
Yoani escreve um dos blogs mais inteligentes, bem escritos e sensíveis da Internet. A entrevista de Malin vem em boa hora.
Primeiro, por conta da conversa que temos tido desde ontem, a respeito de nossa própria ditadura.
Segundo, porque Caetano Veloso tem razão. Cuba é o país com menos liberdade das Américas.
Não podemos mais fazer, como já se fez, uma discussão na base da ditadura do bem e ditadura do mal. Ditadura é um conceito absoluto. Viver sob uma ditadura nunca é bom.
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Fábio,
Não morro de amores pelos EUA. Menos, ainda, pelo Bush.
Mas isso não muda os fatos: o regime castrista é uma ditadura das mais retrógradas.
Não acho que necessite me alinhar com os EUA pra reconhecer e dizer isso.
Há algum tempo, uma talentosa urbanista cubana foi convidada a visitar o Brasil. Ela faria umas palestras e passaria um pouco da sua experiência em trabalhar tão bem com tão pouco dinheiro.
Tudo acertado / honorários em dólares / passagem comprada pelos anfitriões / hotel reservado / flores, bombons e cartão de boas vindas no apartamento e…
…e ela não veio.
Motivo: um cara lá de onde ela trabalha decidiu que ela não deveria ser liberada. Ela argumentou que suas faltas ao trabalho seriam descontadas de sua remuneração e ele: “Não creio que deva permitir que você saia do país. Não creio que você mereça.”
E ela ficou sem passaporte.
Isso não tem nada a ver com os EUA, Fábio.
É, apenas, uma arbitrariedade de um regime tirânico.
Aqui um pouco mais para entender os limites impostos ao povo cubano pela ditadura estadunidense:
“segundo a chamada Lei Helms-Burton que internacionaliza unilateralmente o bloqueio a Cuba, fica proibido:
- Que subsidiárias norte-americanas sediadas em terceiros países realizem qualquer tipo de transação com empresas em Cuba.
- Que empresas de terceiros países exportem para os Estados Unidos produtos de origem cubana ou produtos que na sua elaboração contenham algum componente dessa origem.
- Que empresas de terceiros países vendam bens ou serviços a Cuba, cuja tecnologia contenha mais do que 10% de componentes estadunidenses, ainda que os seus proprietários sejam nacionais desses países.
- Que entrem nos portos estadunidenses navios que transportem produtos desde ou para Cuba, independentemente do país de matrícula.
- Que bancos de terceiros países abram contas em dólares norte-americanos a pessoas jurídicas ou naturais cubanas ou realizem transações financeiras nessa moeda com entidades ou pessoas cubanas.
- Que empresários de terceiros países realizem investimentos ou negócios com Cuba em propriedades vinculadas às reclamações de cidadãos estadunidenses ou que, havendo nascido em Cuba, adquiriram essa cidadania.”
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=29759
Tirso W. Sáenz
Basta ler o que está acima e abaixo para não diminuir o que significa este bloqueio desumano…
“- O dano econômico direto causado ao povo cubano pela aplicação do bloqueio, em cálculos estimados, ultrapassou os 89 bilhões de dólares. Esta cifra não inclui os danos diretos ocasionados a objetivos econômicos e sociais do país pelas sabotagens e atos terroristas instados, organizados e financiados dos Estados Unidos…”
Tirso W. Sáenz
Nada é mais retrógrado do que a ditadura global estadunidense e as nações submissas a seus interesses… como o Brasil!
Vejam porque Fidel é o maior estadista das Amérias…
“Um mundo melhor é possível”
Fidel Castro
http://www.youtube.com/watch?v=5AEiwOM4fAY
Sensacional discurso inserido no documentário SURPLUS.
É Cristina….eu não conheço Cuba……quem conhece né?
Complexo de que?
voces em Portugal não percebem o que são?
São o derrame de josta da Europa!
E Cuba é o novo……..
Vai dormir querida……..a nós outros aqui na América cabe fazer as novidades….voces são o passado…..complexo cara pálida?
Ou semi pálida?
Fala sério……..
Comentário 152…só o burraldo Fucs não entende!
EEEEEEEEE , e a Cris…Claro!
Elias,
Eu nem ia voltar nesse tema, mas analisando seu comentário (escrito com a elegência que lhe é pecululiar), resolvi voltar e comentar mais alguma coisinha.
Se me permite discordar, a comparação da condição de Cuba com a de Israel é descabida.
Israel é um país formado por europeus em pleno século XX, alguns deles muito ricos e outros tantos com algo mais importante que dinheiro: Conhecimento e técnica acumulados por séculos, até mesmo desenvolvidos por eles dada a importância dos judeus no desenvolvimento cientifíco europeu.
Cuba tem uma origem muito parecida com a nossa, com o agravante de ter sido colônia por mais tempo e ter tido sua soberania mais acintosamente ameaçada pelos americanos que a nossa.
Israel tem muitos inimigos, mas nenhum-nenhum- é mais desenvolvido que ele, mais ainda: Israel tem os EUA ao seu lado.
Cuba por sua vez tem um único inimigo: Os EUA, a maior potência econômica e militar do mundo.
Cuba, nas palavras do dono desse prestigioso blog é “irrelevante”-talvez seja mesmo-, é uma ilha, tem a população tão pequena quanto qualquer paiseco europeu, do tamanho de um Portugal, por exemplo, e briga com um país 30 vezes mais populoso e infinitamente mais rico, não pelos seus defeitos, mas por suas virtudes.
O Estado de Guerra em que vive Cuba é pior do que aquele que vive Israel, mesmo que não seja disparado um único tiro de canhão contra o país. Existem métodos mais sofisticados que isso, acredite.
Respeito sua opinião quanto a ilha, também não acho que ela seja a ilha paraíso pintada por muitos, mas também não o inferno desenhado por outros tantos.
O que está em jogo ali, repito, não são os defeitos daquele regime, mas sim suas virtudes.
Também não sei como seria aquele país se não tivesse sofrido a reação americana logo nos primórdios da Revolução quando sequer havia soviéticos no jogo.
Não, não são santos os líderes daquele país, mas não podem ser julgados sem que seja ao menos considerado o contexto em que o jogo se desenrola e mais, o que está em jogo.
Fabio Passos…
bela tentativa:
- Que subsidiárias norte-americanas sediadas em terceiros países realizem qualquer tipo de transação com empresas em Cuba.
Ok. Nada mais justo que um país que despreze os EUA não tenham acesso às empresa norte americanas.
- Que empresas de terceiros países exportem para os Estados Unidos produtos de origem cubana ou produtos que na sua elaboração contenham algum componente dessa origem.
Nada mais justo, afinal os EUA declaram o embargo e não deveriam quebrá-lo via proxy business/intermediários
- Que empresas de terceiros países vendam bens ou serviços a Cuba, cuja tecnologia contenha mais do que 10% de componentes estadunidenses, ainda que os seus proprietários sejam nacionais desses países.
Nada mais justo novamente. Fidel vive a reclamar do imperialismo e do capitalismo norte americano, esquece-se que boa parte das tecnologias que utilizamos são fruto da iniciativa privada, muitas vezes norte americana. É notório que durante a década de 80 a IBM gastava mais em Pesquisa e Desenvolvimento do que o próprio governo americano.
Ainda assim, diabos, há tanta tecnologia estrangeira a solto pelo mundo… ademais a maravilhosa nação caribenha pode sempre se utilizar de seus fantásticos cientistas para inventar alternativas ou porque não clonar? Os chineses vivem a fazê-lo…
- Que entrem nos portos estadunidenses navios que transportem produtos desde ou para Cuba, independentemente do país de matrícula.
O que não falta no Caribe são portos… rotas entre o Caribe e a Europa são mais antigas do que andar pra trás… vou mais longe, cuba vende açucar, o qual é hidro-solúvel e não voa…
- Que bancos de terceiros países abram contas em dólares norte-americanos a pessoas jurídicas ou naturais cubanas ou realizem transações financeiras nessa moeda com entidades ou pessoas cubanas.
Diabos mas o dólar anda tão fraquinho! Precisa de conta em dólar para uma país se desenvolver? Eu aposto que a maioria dos empresários aqui há de concordar que contanto que não paguem com dinheiro de banco imobiliário, qualquer dinheiro é dinheiro.
Que empresários de terceiros países realizem investimentos ou negócios com Cuba em propriedades vinculadas às reclamações de cidadãos estadunidenses ou que, havendo nascido em Cuba, adquiriram essa cidadania.”
E essa lei é imposta como mesmo??? Fiquei curioso… quem, não sendo cidadão dos EUA já foi preso com base nessa lei? Melhor ainda, quem foi extraditado com base nessa lei?
Ué, vai questionar a ditadura estadunidense… não eu que não tenho bulhufas a ver com mais este abuso vergonhoso do império.
E que absurdo… Cuba não despreza os EUA… Fidel inclusive ofereceu ajuda para socorrer as vítimas do Katrina… abandonadas pela ditadura estadunidense porque eram pretos e pobres.
Cuba (…e quase todo o resto do planeta), tem horror a minoria assassina e inescrupulosa que governa o império.
A ditadura estadunidense é que despreza todas as demais nações do planeta e inclusive… seu próprio povo.
Salta aos olhos.
Vejam o que os assassinos pscicopatas deste império são capazes de fazer:
“Operação Northwoods”
“Podemos fazer explodir um barco americano na Baía de Guantanamo e responsabilizar Cuba”
“Podemos lançar uma campanha terrorista comunista cubana na área de Miami, noutras cidades da Florida e até mesmo em Washington”
“…as listas de baixas nos jornais americanos provocariam uma onda de indignação nacional muito útil”
Como negar? EUA = ditadura terrorista.
http://www.gwu.edu/~nsarchiv/news/20010430/
Só não ve quem não quer!
Hugo e Fábio,
A citação que fiz de Israel foi apenas para ilustrar que o estado de guerra não é obstáculo para a democracia. Outros países enfrentaram guerras sem que, por isto, a democracia tenha sido sacrificada.
Por outro lado, outros países não necessitaram de guerra para mergulhar em ditaduras.
Quem quer que conheça minimamente o socialismo marxista, sabe que ele desdenha do tipo de democracia que conhecemos e praticamos.
O socialismo marxista entende que enquanto houver classes sociais não poderá haver democracia. Esta só seria possível numa sociedade sem classes (supostamente, o comunismo).
Para o socialismo marxista, a “democracia burguesa” é, na realidade, a ditadura da burguesia. Ele propõe, em substituição, a “ditadura do proletariado”, como etapa intermediária entre o capitalismo e o comunismo.
Essa a razão pela qual as sociedades que viveram ou vivem sob o socialismo marxista não tiveram (ou não têm) democracia.
Honestamente, nenhum marxista considera o socialismo uma democracia. Honestamente, os marxistas declaram que o socialismo é a “ditadura do proletariado”.
A ausência de democracia no socialismo marxista não tem a ver com os EUA nem com qualquer outro país, portanto.
Tem a ver com uma determinada concepção ideológica.
Se um marxista — ou simpatizante do socialismo marxista — me aparece negando essa concepção, entendo que, no mínimo, ele está sendo contraditório.
Se ele simpatiza com o socialismo marxista, não há como tentar enquadrar o debate no conceito de democracia que conhecemos porque, para ele, esse conceito não é válido. Não interessa ao socialismo marxista, senão como objeto da ruptura que ele pretende conduzir.
Vale dizer: o debate seria sobre o conceito.
Nesses termos, não há como dizer que a ausência de democracia em Cuba é culpa dos EUA. Ou da guerra.
Não é?
Olá Elias,
Cara… não tenho a mais remota idéia.
Mas uma coisa te digo:
Trata-se de um gigante poderosíssimo, inescrupuloso e capaz das mais terríveis barbaridades, abusando de seu imenso poder para punir todo o povo de uma nação pequena, porque simplesmente não vergou o lombo.
Covardia?
Não.
Já é muito mais que isso. Trata-se de um império pervertido.
Uma terrível ditadura global…
E não vejo como dissociar a história dos EUA e de Cuba…
HRP
eu morro de rir contigo…:))) quanta raiva com os ex-colonizadores, quanto ódio, quanto ressabiamento, e enquanto isso o povo aí morrendo de fome não é? ..é isso, o facto de por exemplo só 40% dos habitantes de Minas Gerais terem acesso à saúde (dados revelados por uma comissão brasileira que visitou o meu hospital) que vos devia, TE devia reocupar e não essa obsessão em dizer mal de Portugal.
vai ver é Portugal que tem a culpa….
já uma vez disse aqui que assim não vão longe. caiu o carmo e a trindade. mas não atiro mais nenhuma pedra, fique descansado…ao contrario de si, sempre pronto a dizer mal do meu país. mas isso, é a sindrome do ex-colonizado que está a durar demais a passar, eu entendo e sorrio, com pena.
Também não sei como seria aquele país se não tivesse sofrido a reação americana logo nos primórdios da Revolução quando sequer havia soviéticos no jogo.
Elias, esse é o penúltimo paragráfo do comment #157 que eu dirigi a você.
A partir dele permita-me fazer algumas considerações sobre a Revolução Cubana; Em primeiro lugar não havia soviéticos em Cuba no fim dos anos 50 e em segundo lugar a Revolução não foi feita apenas por socialistas, foi feita por todos os setores progressistas cubanos contra a ditadura de Baptista.
O fato é que os EUA reagiram prontamente a Revolução, não por motivos ideológicos (não nesse momento), mas por considerarem que Cuba assumir uma postura mais firme em relação a sua soberania era um acinte.
Quebrar os privilégios de algumas empresas americanas principalmente em um lugar que era
praticamente sua colônia era inadimissível e a isso se seguiu uma manobra de isolamento da ilha e a célebre invasão da Bahia dos Cochinos.
Isso pôs o regime revolucionário em estado de guerra, obviamente. Daí você pode concluir duas coisas de acordo com sua visão:
1-Fídel foi beneficiado por isso porque o isolamento lhe permitiu manter seu regime maléfico por todo esse tempo sob a prerrogativa da guerra eterna contra os americanos.
2-A política isolacionista contra Cuba jogou o país num estado de guerra perene que impediu o regime revolucionário de atingir seus objetivos na libertários na totalidade obrigando-o a pôr em prática um estado de exceção que é negativo, porém necessário.
Não há como dissociar o que aconteceu dos EUA; Primeiro pelo próprio processo de “independência” cubana em relação a Espanha que lhe converteu em colônia americana e depois pelo que aconteceu ao longo do século XX antes e depois da Revolução.
Voltando ao que eu coloquei lá no terceiro parágrafo deste comment e partindo da sua premissa acerca do socialismo marxista, considere o seguinte: E se os americanos simplesmente não tivessem voltado as costas para as reinvindicações sociais do povo cubano que em sua maioria fez a Revolução? Mesmo que Fídel quisesse, seria possível decorrer daquilo (da Revolução) uma ditadura? Será que o intercâmbio com os EUA em igualdade de condições jurídicas (isto é, com os americanos respeitando a soberania cubana), não impediria isso obrigando Cuba a ser uma democracia por osmose? Ou ao menos dando poder ao setores progressistas que apoiaram a queda de Fulgêncio?
Aí está o ponto, mesmo partindo de um ponto de vista anti-marxista, não há como não responsabilizar os EUA pela realidade daquele país, não por ação, mas por omissão.
Cristina,
Desculpe interromper o seu diálogo com HRP, mas eu tenho de fazer umas perguntinhas:
E o ouro e os diamantes das gerais iam pra onde? Pra Tailândia? E, perdoe-me, mas sem o dinheiro da UE o que seria do seu país? Será que vocês conseguiriam prover hospitais para 60% da população? Se nós aqui no Brasil conseguimos isso a despeito das explorações que sofremos, vocês só conseguem por contam com piedade dos países europeus que realmente tem dinheiro.
“por que contam com a piedade”
Gente, desculpem… essa discussão é tola. O Brasil não é mais colônia há quase 200 anos.
O ouro de Minas não ia para Portugal. Ia para a Inglaterra. Financiou, aliás, seu Império.
Portugal dependeu de recursos da UE? Sim. E daí? Aproveitou-os muito bem.
O Brasil vai, diga-se, muito bem. Como jamais esteve em sua história. E isso não por causa do governo Lula pontualment e sim por conta de uma sucessão de decisões de governos vários.
Que rivalidade é essa? Estamos juntos no mundo, unidos pela língua.
Olha, não é por nada não, mas todo mundo sabe que o Brasil é ainda, em boa parte, uma colônia estadunidense. Quintal yankee…
Pedro Doria,
Dei uma provocadinha aí, mas não podia deixar de fazê-lo. Mil perdões se eu passei da conta.
Quanto ao fato do ouro brasileiro ir pra Inglaterra, ia porque os portugueses por uma série de motivos, não conseguiam gerir direito aquilo que eles produziam nas suas colônias; Por fim, com ou sem bom aproveitamento dos reecursos que advém da UE, Portugal depende dele e não faz sentido zombar da saúde de um país subdesenvolvido se você de certa maneira não se banca sozinho.
E segue uma homenagem a Cuba e Portugal:
“Saramago: Cuba irradia solidariedade
por Rosa Miriam Elizalde
- Em abril, o senhor assinou o apelo de intelectuais do mundo que denunciou as manobras dos Estados Unidos contra Cuba em Genebra. Aí se dizia que “os EUA não têm autoridade moral para se proclamarem juiz dos direitos humanos em Cuba”. O que viu nesses dias corrobora essa afirmação?
- Absolutamente. Desta vez, nós tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais. Estivemos em dois lugares muito importantes: a Universidade das Ciências Informáticas (UCI) e a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM). Na UCI, houve um momento em que me emocionei muito. Os meninos me contaram que ali se recebe pessoas que vêm da Venezuela com catarata, retinose e que cuidam deles, que às vezes chegam um avô e um neto cegos, e que regressam a seu país olhando-se um ao outro, dizendo um ou outro: “Eu sou teu avô, e posso vêlo”, e o neto: “Avô, agora, sim, posso vê-lo”.
Estas coisas tocam diretamente o coração da gente. Que isso aconteça é maravilhoso…”
Hugo,
Em diferentes momentos — às vezes, também em iguais momentos — os EUA patrocinaram ou apoiaram toda sorte de desmandos na América Latina, pra favorecer o estabelecimento ou a permanência de ditaduras de direita ou, ainda, a derrubada de governos democráticos.
Foi assim com o Brasil, com o Chile, com a Bolívia, com o Peru, com a Guatemala, com a Nicarágua, com um porrilhão de etcéteras e… com Cuba.
Cuba não foi a única.
O envolvimento dos EUA com os “contras” nicaraguenses foi infinitamente maior e mais duradouro que o patrocínio da malograda invasão da Baía dos Porcos.
Num bate papo com um diplomata europeu, que se referia ao “sul de Cuba”, o Che traçou uma linha imaginária no ar e disse: “Cuba não tem sul…”. O diplomata rebateu, sarcástico: “…mas tem um norte…”. E o Che, rápido e no embalo: “…e um leste…”
Pois bem: a Nicarágua sandinista nem tinha um “leste” — estava mais desprotegida que Cuba, portanto. Nem por isso enveredou pelo caminho da ditadura.
Não desdenho dos males que os EUA causaram ou tentaram causar a Cuba. Também não ignoro nem faço pouco caso das melhorias que o regime castrista realizou, em especial nas áreas de educação, saúde e tecnologia agrícola.
Só acho que esses avanços não foram alcançados graças ao regime ditatorial, mas apesar dele.
Creio que, sem ditadura — de esquerda ou de direita — Cuba teria feito muito mais.
A ditadura cubana não foi uma imposição histórica. Foi uma escolha consciente do grupo que conquistou o poder.
Sabemos que não foi o “16 de julho” que derrubou Batista. Foi uma federação de organizações.
Mas também sabemos da luta interna que houve após a tomada do poder. Sabemos quem venceu, o que fizeram os vencedores e o que aconteceu com os derrotados.
Que os vencedores tenham feito as escolhas deles, usando — e, não raro, abusando — dos direitos de guerra, conquistados em campo de batalha, é uma questão. Ai dos vencidos!
Só não vale é vir, agora, dizer: “Eles não têm culpa, coitadinhos…”
Ninguém vence guerras sem culpa.
ave fabio passos
toda essa geração criada a novela das 8 e cabelo louro defende a tal liberdade que se tem no capitalismo.criticam cuba e cospem em toda luta para libertar realmente esta terra que um dia pertenceu aos indios.quando alguma nação tenta viver sem os “costumes” da burguesia do velho mundo ou não promove fast foods nem consumismo e demonizada.admitam:direita e quem escravizou negros,matou indios e concentra riquezas em seus imperios de crueldade e hipocrisia.viva a cuba e principalmente,as cubanas
Elias,
Vamos fazer um exercício de imaginação como eu propus no comment 164, vamos considerar aqui que Fídel Castro é um total, completo e acabado canhalha, um ditador, alguém sem dó (nem piedade), um cara com sangue nos olhos que bebe o sangue de criancinhas ao amanhecer e janta miolos humanos. Sem concessões, vamos partir desse pressuposto, de nenhum mais.
Segundo ponto, sendo que o embargo econômico dos EUA a Cuba continua a existir é fato que Washington continua a lançar mão de uma política isolacionista em relação à ilha mesmo nos dias atuais.
Posto isso e levando em conta o primeiro paragráfo bem como o fato da manutenção do regime instituído em 59 até os dias atuais, não há como negar que esta política americana para a ilha, além de não derrubar o “ditador barbudo feio e bobo” é o que mantém sua “ditadura” dando combustível para a manutenção do seu regime pelo anti-americanismo.
Sem o isolacionismo Cuba continuaria igual? Claro que não, ou o regime faliria ou provaria que o sistema cubano realmente funciona;Qual o medo dos americanos se eles estão tão certos da disfuncionalidade dele?
Não há, repito, como negar a influência americana, para mim todos em Cuba são vítimas (ser vítima não significa ser um santo, mas ser prejudicado por algo ou alguém numa situação específica) incluso aí Fídel.
Mesmo que você não considere isso, é obrigado a concordar no minímo que a maioria dos habitantes daquela ilha é prejudicada pela política americana, portanto, quando falo que Cuba é vítima não minto sob quaisquiser aspecto que você resolva analisar.
É necessário pesar que se os EUA continuassem a por em prática suas políticas intervencionistas contra os demais latino-americanos ainda viveríamos numa ditadura ou senão estaríamos em guerra contra eles, numa situação em maior ou em menor grau parecida com Cuba.
Agora quanto a minha opinião pessoal, é óbvio que Cuba não conquistou as melhorias sociais que você mesmo admite por conta do estado de exceção que a ilha se meteu por conta dos americanos; Conquistou por conta das políticas sociais decorrentes da Revolução de 59. Sem ela, aliás, seria Cuba um lamaçal de prostituição, jogo e drogas nos dias atuais.
Hugo,
1 - Não acho que Fidel seja um canalha.
Há muita gente no mundo que acredita, firme e sinceramente, na necessidade de regimes totalitários para o cumprimento de algumas tarefas históricas.
Creio que Fidel é uma dessas pessoas. Ele mesmo já se declarou assim, em algumas das centenas de milhares de declarações suas publicadas.
Mas Fidel não roubou, não enriqueceu com o poder.
Ao contrário, ele era rico antes de chegar ao poder. A primeira propriedade cubana a ser desapropriada para a reforma agrária foi a propriedade dos Castro. Daí porque Juanita se desentendeu com o irmão e se mandou para os EUA.
Fidel não é um ladrão.
Mas é um ditador. Dos mais violentos.
2 - Como já disse, não minimizo os efeitos do embargo.
Mas Cuba não é o único país espoliado pelos EUA. Pra falar a verdade, nem sei se, com os EUA fora dela, Cuba está sendo mais roubada que o seria se os Filhos de (tio) Sam estivessem dentro da ilha.
O embargo prejudica, mas não inviabiliza nada. Com os EUA lá dentro, talvez o prejuízo fosse maior.
Como é para tantos outros países.
É contraditório viver dizendo que os EUA roubam de todo mundo e, ao mesmo tempo, dizer que tal ou qual país é pobre porque não comercia com os EUA.
3 - Cuba era um prostíbulo da Máfia. Nicarágua era uma fazenda dos Somozas (como o próprio Tacho expressamente declarou).
Hoje, Cuba não é mais um prostíbulo e Nicarágua não é mais uma fazenda dos Somozas.
Mas Nicarágua não necessitou se tornar uma ditadura para superar a antiga condição.
Elias,
1-Não disse que você considera Fídel um canalha, disse para partirmos de uma situação hipotética e extrema onde Fídel fosse o maior canalha possível, para, num exercício de imaginação chegarmos a conclusão de que, mesmo nessa situação, os EUA com sua atitude não estariam colaborando para nenhuma melhoria em Cuba, entendido?
2-A relação de Cuba com os EUA é bem singular como é singular o tipo de espoliação sofrida pelos americanos; Cuba foi praticamente uma colônia americana, é diferente. Em momento algum eu disse que o embargo inviabiliza algo em Cuba, mas sim que prejudica e põe o país sob uma perene e gigantesca pressão.
Tamabém não disse que os “EUA roubam de todo mundo”, mas que eles jogam duro, jogam e o fazem mais com uns do que com outros. No começo da Revolução cubana a reinvindicação não era parar de negociar com os EUA, mas fazê-lo de modo soberano, coisa que os americanos não aceitaram.
Quanto a Fídel ser um “ditador do mais viloentos”, tenho minhas dúvidas, há uma pilha de gente muito mais violenta do que ele no mundo.
3-O caso de Cuba é sim diferente até mesmo da Nicarágua, ele é singular;
Bem é isso Elias, já considerei meus pontos, você os seus, isso aí em cima são alguns esclarecimentos, por aqui encerro minha participação no debate.
EsTive em Cuba por uma semana, o que me impressionou foi o baixo índice de criminalidade, a questão da honestidade em relação ao que ganham mensalmente e produzem diariamente, a diferença é muito grande.
Não discuto o embargo americano, pois foi ele que deu condições da China dar o salto de desenvolvimento que tem, inclusive colocando a hegemonia americana no mundo em check.
Outro fator que devemos como cristão de observar é que o ser humano ´cria condições de sobreviver diante de adversidade, e que seria bom para Cuba poderia não ser bom para os americanos.
Nada adianta eu querer ser grande se não existem os pequenos, pois, se assim fosse não haveria parâmetroa para comparações.