A Newsweek da semana traz uma excelente reportagem chamada A mitologia de Munique. É, fundamentalmente, uma constatação e, a partir dela, uma análise.
O texto constata que dos anos 1970 para cá a política externa norte-americana caiu na armadilha de dois clichês.
O primeiro já um bocado discutido aqui no Weblog é o de Munique e do Apaziguamento. Segundo ele, quem busca a paz com ditadores periga cometer o erro de quem negociou a paz com Hitler.
O segundo é o do Atoleiro no Vietnã – é o clichê resposta. Envia soldados, põe dinheiro, e a guerra é impossível de ser vencida. Quanto mais anda, mais afunda.
Não deixa de ser curioso o fato de que os EUA se meteram no atoleiro do Vietnã para não apaziguarem como acontecera em Munique. Mas não importa – os clichês estão dados e, perante eles, o editor de política da Newsweek, Evan Thomas, se põe a pensar.
Como político, John McCain passou a acreditar no tudo ou nada: os EUA só deveriam entrar numa guerra se estivessem plenamente comprometidos com todo o necessário para a vitória. Assim, em 1983, ele foi contra a intervenção no Líbano porque acreditou (corretamente) que os EUA não estariam plenamente comprometidos com o esforço de paz necessário ao fim do conflito. Em finais dos anos 1990, quando Washington se envolveu na Península Balcânica, McCain queria enviar tropas norte-americanas porque acreditava (erradamente) que os sérvios não recuariam perante um ataque aéreo. No Iraque, ele se opôs ao governo Bush quando este não enviou soldados o suficiente. E se tornou o principal aliado do governo quando mais soldados foram enviados. McCain alerta para as graves conseqüências de uma derrota para a região e para a alma das Forças Armadas norte-americanas.
O conceito do tudo ou nada faz algum sentido e traz um quê de pureza e nobreza. Mas não reflete a realidade desorganizada de guerras locais contra grupos insurgentes. O chefe de Estado, principalmente de uma superpotência, inevitavelmente tem de encontrar um acordo mesmo que isso, em alguns casos, seja dizer uma coisa e fazer outra. Os melhores estadistas sabem disso e, intuitivamente, a maioria das pessoas também o sabe. Basta que abandonem os clichês.
Thomas logo saca do bolso um exemplo: Ronald Reagan. Só se referia à União Soviética como o Império do Mal. E, no entanto, a partir do final de seu primeiro mandato, negociou com os líderes soviéticos o tempo todo. Reagan tinha poder, principalmente após investir muito em armas que não usaria. E este poder que não usou foi o que lhe permitiu negociar.
John Kennedy era outra que compreendia que não é preciso escolher entre apaziguamento e uso da força. Quando os soviéticos instalaram mísseis em Cuba apontando para os EUA, Kennedy falou duro em público, fazendo toda sorte de ameaças. Nos bastidores, Robert Kennedy negociava a retirada de mísseis velhos dos EUA na Turquia em troca de os russos tirarem os seus de Cuba. E foi esta negociação que resolveu a pior crise da Guerra Fria.
A questão, fundamentalmente, é como se colocar numa posição de força no momento de sentar à mesa de negociação. Thomas, infelizmente, não chega tão longe quanto a fazer uma avaliação do cenário que John McCain e Barack Obama encontrarão quando chegarem à Casa Branca. E negociar com a União Soviética – que embora muito mais poderosa tinha um único governo central – é mais simples do que negociar com meio Oriente Médio.







66 Comentários até agora ↓
1 HRP FAST Reloaded // 17/June/2008 às 9:14
“MACcain alerta para as graves consequencias de uma derrota para a região e para a alma das Forças Armadas N.Americanas!”
Que se dane a alma Norte Americana!
2 Guilherme // 17/June/2008 às 9:31
Também torço pra que a alma das Forças Armadas norteamericanas frite no mármore do inferno. Mas esse discurso do McCain pode mexer com os brios americanos e prolongar a guerra e seus horrores.
3 HRP FAST Reloaded // 17/June/2008 às 9:42
Quando os EUA sairam da Indochina, o fizeram da maneira mais estupida….atirando, destruindo…mostrando que não tinham sido derrotados(e querendo acreditar nisso)……e nisso tudo mais alguns milhares de seres humanos foram pro saco!”
Alma americana…..alma de mier……!
4 Chesterton Dracul // 17/June/2008 às 9:45
Grande alma, os coitados daqui não tem ideia da alternativa. Alias, é só ver o que ocorre na Venezuela e nos morros do Rio para perceber como é a alternativa a alma americana.
5 confetti* // 17/June/2008 às 9:51
ah ta….clichê ? bobagem ? redundancia ?
“O conceito do tudo ou nada faz algum sentido e traz um quê de pureza e nobreza. Mas não reflete a realidade desorganizada de guerras locais contra grupos insurgentes, etc…”
6 HRP FAST Reloaded // 17/June/2008 às 9:52
Fora de tema — PD
7 Jåµë§ ßønd™ // 17/June/2008 às 10:25
-= Mais importante: o que Brian Boitano ou Tyler Durden fariam?!
Bom dia, ladies and gentlemen deste animado covil
8 Chesterton Dracul // 17/June/2008 às 10:31
Churchill representa a civilização, a educação,que não tem nada de pacifista, é porrada mesmo.
9 Darwinista - Los Tres Coitados // 17/June/2008 às 10:34
JB,
Pergunta inevitável: quem?
10 João // 17/June/2008 às 10:35
É, mas o Reagan forçou a União Soviética a se abrir, por não ter mais dinheiro para nada que não a corrida armamentista…
11 HRP FAST Reloaded // 17/June/2008 às 10:36
Fui censurado!
12 Rodrigo // 17/June/2008 às 10:48
Eu também quero mais é que a alma americana se foda.
13 anrafel // 17/June/2008 às 10:50
Os Kennedy’s negociaram com o “comunismo insidioso”, Nixon/Kissinger com o Império do Meio e Reagan com o Império do Mal.
O chauvinismo militarista de McCain talvez seja artes do reflexo condicionado aplicado à campanha eleitoral.
Ele e Obama devem saber que os EUA não sairão imediatamente do Iraque. Durante esse processo vai haver conversa, diplomacia, ou seja, negociação.
E a alma das Forças Armadas norte-americanas também deve obediência ao poder civil. E oito anos de Bush Jr. já foram demais da conta.
14 Pax // 17/June/2008 às 11:07
Si vis pacem, para bellum
Os tempos são outros. Churchill foi, na minha opinião, o cara certo na hora certa, mas daquele tempo. A Europa tinha caído aos pés da Alemanha que preparara a guerra enquanto o resto dava de cigarra em cima do Tratado de Versailles, e se enfraquecia. Aquela foi uma guerra necessária e duvido que alguém duvide disso. Alguém são, claro. Lutou-se sem necessidades de mentiras, lutou-se para acabar com a estupidez humana que atacava, invadia, dominava, subjugava e exterminava gente inocente.
A estupidez humana não acabou. Mas não está atacando nem invadindo. Exceto aqui e ali vemos genocídios localizados, barbáries em que não atuamos ou atuamos com pouca eficácia. Quem invade hoje é o lado de cá. Baseado em mentiras. Vietnã foi assim e Iraque foi muito pior.
Aí chegamos num ponto nevrálgico: Israel. Alguns fanáticos da região não aceitam o estado de Israel. Mas não o estão invadindo. Há promessas como a do presidente do Irã, ou de líderes locais radicais, de varrer o país do mapa,. Só que a força do lado de cá é infinitas vezes maior que do lado de lá. Essa é a grande diferença para os tempos de Churchill.
A hora é de negociar. E de sair do Iraque da forma menos catastrófica que se puder.
E proteger Israel com muita sabedoria. E muitas ações de inteligência bem planejadas e executadas. Discretamente….
Acredito que hoje os dias são mais para Barão de Rio Branco que para Churchill. Mais para Obama que para McCain. Os aliados ocidentais precisam se unir e ter força. Mas não para usar, e sim para negociar. Si vis pacem, para bellum
Ps.: só pra nos lembrarmos e aprendermos: os erros de Versailles foram a terra fértil para o nascimento da Alemanha Nazista.
15 DumDum // 17/June/2008 às 11:08
“Alias, é só ver o que ocorre na Venezuela e nos morros do Rio para perceber como é a alternativa a alma americana.”
Curioso esse novo maniqueísmo. É tipo um stalinismo ao contrário? Deve ser olavismo. pfff…
16 pingafogo // 17/June/2008 às 11:15
O Macgyver resolvia essa brincando. Só na sagacidade, mais um chiclete mascado e uma burka.
Nem ia precisar da “educação” destra do norte branco.
17 MaGioZal // 17/June/2008 às 11:27
A gente precisa lembrar de algumas coisas:
• Os EUA só perderam a Guerra do Vietnã porque o Vietnã do Norte e a insurgência do Vietnã do Sul eram apoiados por todo mundo comunista da época, apoio que era convertido em armas, bombas e dinheiro;
• A União Soviética só perdeu a Guerra do Afeganistão porque os EUA (e seus aliados de ocasião, Paquistão e Arábia Saudita) apoiaram maçiçamente os insurgentes islâmicos (Muhajedin) que se rebelaram contra o governo comunista afegão;
• O Iraque não virou Vietnã simplesmente porque não há mais mundo comunista como conhecíamos, e o mundo islâmico, apesar de seu poder, está totalmente fraturado e não consegue coordenar uma força de resistência que seja forte o suficiente para despachar os soldados norte-americanos e o governo iraquiano apoiado por eles.
E isso é bom.
• Só se negocia com quem tem algo a oferecer e que cumpre a palavra. Caso contrário, é perda de tempo.
18 Chesterton Dracul // 17/June/2008 às 11:51
Pax, eu tb quero esses óculos cor-de-rosa…..
19 Rodrigo // 17/June/2008 às 11:57
Também é fato que os americanos estão levando mais tempo para “liberar” o Iraque do que levaram para livrar o mundo dos nazistas. Isto, claro, em um mundo sem comunismo…
20 Rodrigo // 17/June/2008 às 11:59
E Francamente, o que que o mundo ganhou com uma dupla Bush-Sharon? Depois deles o mundo ficou muito mais instavel e propício ao terrorismo…
21 confetti* // 17/June/2008 às 12:04
pax, é o leitmotiv da otan….
“Os aliados ocidentais precisam se unir e ter força. Mas não para usar, e sim para negociar. Si vis pacem, para bellum”
22 Pax // 17/June/2008 às 12:16
Não são óculos cor de rosa não, velho e bom Chesterton, são opiniões.
Não acho que seja hora para guerras e sim para alianças e negociações.
Bush melou alianças necessárias. Os EUA precisam fortalecê-las. O Iraque e a imposição de aliados presentes colocou muita gente contra o Bush para não perder apoio interno de seus países.
É hora de pensar e pensar. Mais que jogar bomba em cima de um momento explosivo. É hora se fazer músculo e não de dar soco. Vai que o fracote chama os amigos e aí um monte de fracote ganha a porradaria…
Sim confetti *, a OTAN precisa de um leitmotiv. Eu não, claro, eu só penso em sexo. É hora de “criar músculo” e aí sim, dar uns “socos”. Com carinho, diga-se.
23 confetti* // 17/June/2008 às 12:19
:-D
24 Chesterton Dracul // 17/June/2008 às 12:57
se o Obama e eleger, o mundo morrerá de saudades do Buxi….
25 HRP FAST Reloaded // 17/June/2008 às 13:00
Fui altamente censurado!
26 Chesterton Dracul // 17/June/2008 às 13:03
Pax…
É hora de pensar e pensar.
chest- é hora de agir
Mais que jogar bomba em cima de um momento explosivo. É hora se fazer músculo e não de dar soco.
chest- coisa de viado..
Vai que o fracote chama os amigos e aí um monte de fracote ganha a porradaria…
chest- já chamou.
27 Pedro Doria // 17/June/2008 às 13:03
HRP FAST Reloaded: foi. Pois é. Acontece quando trata de um assunto que nada tem a ver com o tema.
28 Chesterton Dracul // 17/June/2008 às 13:04
HRP, finja que vai cagar e desaparece….
29 Pax // 17/June/2008 às 13:07
Chesterton, velho e bom Chesterton, se você definir o mundo como você, o desengonçado Mr X e mais meia dúzia, até posso concordar.
Bush é o pior presidente americano que conheço.
30 Pax // 17/June/2008 às 13:11
Peraí gente, que isso Chesterton, não trate o HRP assim não cara. Discuta sim, o quanto quiser, reclame, mas nos lembremos da tal democracia e liberdade de expressão e opinião cara. Fora do tema já sabemos que o carioca não gosta, mas dentro do tema até prefiro opiniões divergentes que as mesmas que as minhas.
HRP não gosta dos EUA, e isso é direito dele. Muita gente morreu pra ele ter esse direito pô.
31 Rodrigo // 17/June/2008 às 13:26
#29
A maioria dos EUA e o resto do mundo concordam com voce PAX.
32 Pax // 17/June/2008 às 13:28
E democraticamente, Rodrigo, o que é melhor ainda.
33 HRP FAST Reloaded // 17/June/2008 às 13:31
Frangote …eu sei que o PD não vai lá com a minha cara…mas tenho bons amigos aqui….esquece!
34 HRP FAST Reloaded // 17/June/2008 às 13:33
Muchas gracias PAX!
35 confetti* // 17/June/2008 às 13:33
capa e espada !
vou assistir !
36 HRP FAST Reloaded // 17/June/2008 às 13:38
Confettinha….nada disso…..tenho mãe e tive pai….educado e estudado…..e tenho amigos….portanto….ora ora!
Nem tenho vocação pra coitadinho!
E Barack e Macain vão fazer o mesmo que se fez no Vietnam…sair matando e atirando!
E Churchil era a mesma coisa…..
37 confetti* // 17/June/2008 às 13:41
relaxa dono do “lobo”….eu sei, sou sua…))
38 Darwinista - Los Tres Coitados // 17/June/2008 às 13:54
eu sei que o PD não vai lá com a minha cara
Romeu, você anda conversando muito com a sem rumo… :-)
39 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 14:08
A sátira é democracia…..vem cá, alguem me explica, quando os soldados americanos cometem crimes a culpa cai em cima do Bush, quando o EB comete crimes, como na favela do Rio de Janeiro, o Lula sai ileso….ninguem vai acusar o Lula de nada não? Afinal, ele é o comandante supremo das forças armadas….
40 Pedro Doria // 17/June/2008 às 14:16
HRP FAST Reloaded, pára com isso, não tenho nada contra você.
Mas você postou um comentário que nada tinha a ver com o tema. Vários passam por isso, aqui, todos os dias. Quer falar sobre o que der na telha? Tem espaço para isso aqui mesmo, nos Open Threads. Mas, como há Open Threads, não custa se manter mais ou menos na linha do assunto nos outros posts.
É uma questão de cortesia, de respeito, a mim e aos outros leitores que querem discutir o assunto. É a cortesia de não forçar uma mudança de assunto.
41 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 14:21
HRP, dá o prefixo e sai do ar…..
42 Rodrigo // 17/June/2008 às 14:23
Ô Frangão, dá um tempo! Você já imaginou o exécito americano pedindo desculpas e pagando indenização a suas vítimas? Imaginou o Bush mandando o Rumsfeld ou a Condolezza irem pessoalmente acompanhar as investigações pra ver se os soldados vão ser mesmo condenados?
O pior não é isso, o pior é que enquanto você tenta culpar o presidente pelo o que os soldados fizeram, ao mesmo tempo relativiza o que eles fizeram dizendo que os caras mereciam morrer! E também defende o que os soldados americanos fazem.
O típico “liberal-democrada” brasileiro é uma comédia realmente…
43 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 14:26
os soldados americanos pagam por seus crimes, duvido que os demais sejam condenados….
44 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 14:26
Rodrigo, ou você é desinformado ou ignorante, vá ler sobre o assunto.
45 Pax // 17/June/2008 às 14:32
É meio fora do tema e corro o risco de “rejeição” do Pedro Doria, mas vamos lá Chesterton:
No caso Abu Ghraib, que me lembre, os soldados pagaram sim, mas os generais não. E agora josé?
46 Rodrigo // 17/June/2008 às 14:39
São quase 100 mil “danos colaterais” desde que a invasão americana começou no Iraque. Isto sem falar das torturas e dos estupros. Você garante que todos estes crimes foram punidos?
Você me garante que a política americana não é esconder estes fatos, nega-los ou relativiza-los quando não dá mais pra negar?
Ser comandante das forças armadas não significa que Lula mandou matar aquelas pessoas, significa apenas que ele é responsável pelas forcças armadas e que temos que cobrar dele quando as forças armadas fazem besteira.
Ser responsável pelas forças armadas é tudo o que a turma de Bush finge não ser quando, como você também faz, relativiza o uso da tortura ou o direito das pessoas.
47 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 15:59
Ser comandante das forças armadas não significa que Lula mandou matar aquelas pessoas, significa apenas que ele é responsável pelas forcças armadas e que temos que cobrar dele quando as forças armadas fazem besteira.
chest- vale o mesmo para o buxi….
48 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 16:12
bom texto, ainda que cheio de virgulas
http://www.josuedealmeida.blogspot.com/
49 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 16:22
Fora de tema — PD
50 jONAS // 17/June/2008 às 16:27
Caro Pedro, mas no caso de Israel, o que você faria se:
1 - Seu vizinho promete varrê-lo do mapa.
2 - Apenas um ataque nuclear pode varrê-lo do mapa.
3 - As agências concordam que esse seu vizinho estava construindo a bomba em segredo até 2003. (ou seja eles são capazes de esconder um programa nuclear da comunidade internacional por um bom tempo).
4 - O seu serviço secreto diz que eles recuperaram o programa, diz que alguns ataques em alvos específicos são capazes de pará-lo.
5 - Uma comissão da ONU expressa sérias dúvidas sobre o caráter pacífico do programa.
6 - Esse país rebate todos os esforços diplomáticos para que seu programa cesse.
Aqui não é “um mito de Munique”, mas uma situação concreta. Curioso que as negociações têm muita mais chances de avançar com o Hamas do que com o Irã.
51 Pedro Doria // 17/June/2008 às 16:40
jONAS — vamos lá, eu sou pró-Israel, okay? Se estivéssemos nos anos 30, eu seria um franco defensor do sionismo.
Mas… o que você faria se, governante do Brasil, tivesse notícia de que a Argentina tem armas nucleares? E se, aí, a Venezuela anunciasse que dominou a tecnologia do armamento nuclear?
O diabo da situação do Irã é que Israel tem a bomba. A Rússia tem a bomba. O Paquistão tem a bomba.
Sou radicalmente contra o Irã ter a bomba. Mas, cara… é o diabo.
52 Saladino // 17/June/2008 às 17:04
“It may be said with rough accuracy that there are three stages in the life of a strong people. First, it is a small power, and fights small powers. Then it is a great power, and fights great powers. Then it is a great power, and fights small powers, but pretends that they are great powers, in order to rekindle the ashes of its ancient emotion and vanity. After that, the next step is to become a small power itself.”
53 RW in Miami // 17/June/2008 às 17:17
PD,
Seu argumento no #51 e’ meio falho na medida que nem Argentina nem Venezuela constantemente prometem varrer o Brasil (ou qualquer outro pais) do mapa…
Mas, por outro lado, mutual deterrence as vezes funciona - o diabo e’ que basta uma bombinha vagabunda pra destruir Israel, enquanto que seriam necessarias varias pra destruir o Ira. E tambem ninguem em Israel tem vocacao pra martir, enquanto que os paises arabes estao cheios de gente deste tipo.
54 Pedro Doria // 17/June/2008 às 17:29
RW in Miami, a gente poderia usar a analogia da Bolívia cujo exército tem entre seus credos a jura de que vai recuperar o Acre um dia.
Mas é claro que não dá para forçar a comparação. E claro que Israel sempre esteve ameaçado, coisa que não acontece com o Brasil.
No entanto… os caras têm um argumento, não é?
55 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 19:02
quem tem um argumento é Israel. O resto só balela. Vão tomar um toco se continuarem a babar.
56 Fabiano // 17/June/2008 às 19:49
Churchill pode ter sido o homem certo à frente da Inglaterra durante a II Guerra Mundial, mas cometeu duas grandes besteiras políticas antes disso:
1. organizou a repartição do Oriente Médio sob protetorado inglês, criando aquela confusão enorme que é o Iraque no mais puro espírito imperialista: colocou sunitas e xiitas no mesmo barco, e foi fácil botar a minoria sunita pra mandar na maioria xiita.
2. quando a I Guerra Mundial acabou, ele era Counselor of the Exchequer (algo como Ministro da Fazenda) e insistiu para que a cotação da libra voltasse ao mesmo valor que tinha antes da guerra, ignorando que as coisas tinham mudado um pouco. A intenção era transmitir tranquilidade (e a empáfia britânica) à população. Resultado: a libra barata prejudicou os produtores e estimulou a especulação, caso típico de “financistas x desenvolvimentistas” que deu coluna 1… a bolha cresceu até dar na crise de 1929.
Por isso, talvez seja bom perguntar “Qual Churchill?”
57 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 20:00
libra barata não faz isso, só a libra valorizada.
58 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 20:26
The Enemy Has a Name
By Daniel Pipes
FrontPageMagazine.com | Tuesday, June 17, 2008
59 Jonas // 17/June/2008 às 22:15
Pedro, entendo o seu ponto, mas a comparação valeria mais se a Argentina tivesse mostrado historicamente e também no presente a intenção de destruir o Brasil, além de apoiar grupos que de gente disposta a se matar detonando bombas dentro do território brasileiro. Se o Brasil, atacado uma vez, não tivesse qualquer chance de contra-ataque. Ele tem, Israel, por causa do seu tamanho, não. Israel não promete destruir o Irã, quer se defender apenas.
Sinceramente, acho a possibilidade do pior grande. Está o diabo mesmo. De qualquer maneira, é bom ter uma conversa minimamente racional sobre esse assunto. Abs.
60 Fabiano // 17/June/2008 às 22:42
Chest,
Tem razão. Era libra cara. Mas o efeito foi esse.
61 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 17/June/2008 às 23:08
Os arabes tentaram destruir Israel 6 vezes….
62 Rafael Aguiar // 18/June/2008 às 0:46
Não está dando pra comentar no post sobre você.
Fico feliz encontrar você e agora outros do ex-NoMínimo já que vi links por aqui… Lia esse site todo dia e já andava infeliz com a Internet, lendo apenas coisas no papel…
63 bitt // 18/June/2008 às 7:42
Pax, meu bom, vc está ins-pi-ra-do. É isso q dá só pensar em sécssu? Vou querer isso tamb… :c)
Recomendo a leitura de “Senhores da guerra”, recém-lançado: mostra q realmente o mundo precisa de um Churchill. Lá está o cara obstinado, dando a testa à frente de uma nação de joelhos, tentando mostrar o caminho prum Rooselvelt pusilânime (palavrinha desgraçada de difícil…) e um Stálin completamente acovardado. Não acho q o problema fosse q Hitler tivesse poder. O problema é q os objetivos nacionais estavam absolutamente claros: derrotar Hitler.
E quais são os objetivos dos EUA? Apoiar Israel; se manter no Iraque, contra tudo e contra todos (agora não podem mais sair mesmo, à custa de violar a 5a regra do barão de Jomini - retirada sem retaguarda é derrota certa); tentar manter Israel longe de idéias de “ataques preemptivos” ao Irã - que, apesar do q pensa o chesterton, é uma potência militar regional, com forças armadas mto bem organizadas, uma infra razoável e escorada pelo fanatismo anti-sionista da região inteira.
Pax não usa óculos cor-de-rosa - usa um tremendo fundo de garrafa pragmático, e enxergou a essência da coisa : “Acredito que hoje os dias são mais para Barão de Rio Branco que para Churchill. Mais para Obama que para McCain. Os aliados ocidentais precisam se unir e ter força. Mas não para usar, e sim para negociar. Si vis pacem, para bellum.”
Concordo - mas é preciso uma liderança. Sair do Vietnam foi uma decisão de estadista de Kissinger e um ato de líder de Nixon. Ele até tentou sair gradualmente, com a tal “vietnamização” da guerra, e o único resultado foi que, três anos depois, o Vietnam do Norte tinha a sétima maior força aérea do mundo - e não podia usar. Até hoje qse toda praça de Hanói à Ho-chi-mihn tem um F5A, Skyraider ou um helicóptero Bell no meio, em cima de um pitoco de cimento. Não dá prá sair gradualmente: ou sai de uma vez ou fica prá ver no q vai dar. Essa é a única escolha a fazer, no Iraque: sair ou ficar. Claro q os milicos querem ficar - eles é q usam óculos cor-de-rosa, como usavam na época do Vietnam. A questão é por qto tempo a população vai apoiar seus governantes - pq Nixon encarou o tal “ato de líder” no momento em q viu q poderia ter multidões de velhinhos, funcionários de banco, donas de casa e professores primários tentando invadir os jardins da Casa Branca, junto com os Panteras Negras e os hippies.
64 HRP FAST Reloaded // 18/June/2008 às 8:13
A conversa sobre o direito do Irã a energia nuclear e o possivel uso de seu uranio enriquecido para fazer armas atomicas é muito complexa, mas certamente tem que passar pelo direito de um país que só tem no petroleo , fontes de energia , em se precaver para o futuro……
Não há justificativa válida alguma no mundo fora da bábarie para as ameaças de Israel de bombardear as centrifugas Iranianas…..
E ademais há a ONU fiscalizando os locais…..por que um pode e outro não?
Quanto as ameaças iranianas…….cães ladrando!
65 marco // 18/June/2008 às 21:42
” Já disse um pensador que a paz é uma causa tão justa, tão bela e tão nobre, que não pode ser deixada nas mãos de pacifistas. Foi o pacifismo de Chamberlain, premiê britânico anterior a Churchill, que, por não lançar mão das enérgicas medidas que se faziam necessárias, possibilitou as primeiras vitórias de Hitler. Não fosse o exagero de ter aversão a quaisquer guerras, talvez a maior de todas elas – a II Mundial – tivesse sido evitada”
O pensamento acima é um belo tema para a reflexão serena dos co-participantes desse espaço pedrodoriano.
abraços mil,
ma
66 Fabio Passos // 18/June/2008 às 22:15
O Irã não tem a bomba.
Israel tem a bomba. Muitas.
Israel é um Estado terrorista. Assim como seu parceiro de crimes contra a humanidade… o Império.
É uma vergonha defender Israel.
Tudo que há de pior no planeta está aglutinado ao lado da barbárie sionista.
Leave a Comment