Gaza: um ano de governo Hamas

Israel e Palestina · 16/06/2008 - 12h42 - 75 Comentários

O New York Times traz uma excelente reportagem sobre como ficou Gaza sob o governo do Hamas, um ano após o golpe que expulsou o Fatah da região.

Por um lado, a religião tomou conta da Justiça. É proibido xingar, beijar ou beber em público.

Gaza sempre foi pobre e religiosa, diferente da Cisjordânia. Mas um ano de governo do Hamas aguçou a diferença. A idéia de que Gaza é uma entidade separada e completamente distinta da Cisjordânia está se solidificando, fazendo que fique ainda mais difícil para que os palestinos concordem entre si a respeito da paz com Israel.

Comparada a um atrás, em Gaza há mais mulheres cobertas, mais homens barbados, sites são filtrados e encontros de pessoas não relacionadas ao Hamas são proibidos. Com o bloqueio israelense reduzindo a oferta de combustível, peças sobressalentes e outros bens básicos, menos esgoto é tratado e mais peixe aparece contaminado. Em Gaza, os palestinos sentem-se acuados e estão desesperançosos.

A polícia é violenta, prende com facilidade quem desconfiam ser um inimigo político, há tortura. Quando alguma entidade reclama, o governo rapidamente aponta o exemplo de Guantánamo. ‘Colaboradores do inimigo não podem ser tratados com delicadeza.’ Gaza não é o Afeganistão sob o Talibã. E, embora muitos não gostem da polícia política e religiosa, o lugar está melhor governado com o corrupto Fatah longe. Há segurança para o homem comum nas ruas, os hospitais estão limpos. As pessoas habitualmente não pagavam suas contas de luz e o imposto de registro dos carros. Agora tudo é pago em dia. A principal fonte de renda do governo, fora o dinheiro que vem do Irã ou da Síria, são os impostos cobrados sobre as mercadorias contrabandeadas via Egito.

Ethan Bronner, o repórter do Times, pondera que a questão não é apenas se o Hamas mudou Gaza mas também se governar Gaza mudou o Hamas. Os indícios são de que sim.

Apesar de dizer que nunca reconhecerão Israel, os líderes do Hamas dizem que se as fronteiras de 1967 forem restabelecidas, um Estado Palestino for criado em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental e os direitos dos refugiados forem encarados, aí estarão dispostos a negociar uma trégua de longo prazo. Não é diferente daquilo que o mundo árabe diz ou mesmo a posição do Fatah.

Jawad Tibi, o ministro da Saúde nos tempos do governo do Fatah, que hoje vive no sul de Gaza, odeia os atuais governantes. Ainda assim, diz, ‘O Hamas fala de uma trégua de 30 anos e isso não é diferente daquilo que propomos. Hamas é o Fatah com barbas.

Muitos dentre os fundadores do Hamas, já dizem que a tática de ficar lançando foguetes contra Israel é um erro e que o relacionamento com o Irã é imposto pela necessidade, não pela afinidade.

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