A edição que está nas bancas dos EUA da revista FastCompany traz uma interessante análise das atividades chinesas na África.
A África Subsaariana vem crescendo 6% ao ano desde 2004 – lideram os países produtores de petróleo e minerais. Não é pouco para um continente considerado perdido até há bem pouco tempo. Este crescimento, com apoio chinês, tem se traduzido em nítida melhoria da infra-estrutura: estradas, eletricidade – e, com elas, hotéis, postos de gasolina, serviços. Negócios. Neste sentido, a China é uma boa influência que traz, para o continente, algo que o imperialismo e o pós-imperialismo ocidental não trouxeram.
Mas há um problema, aí, comum a todo o planeta mas particularmente grave no caso africano. Um bom naco do dinheiro que entra, sai de imediato. Há algo como 500 bilhões de dólares fruto da corrupção governamental em bancos do ocidente. É um dinheiro que, se repatriado, pagava a gigantesca dívida externa.
Governos e empresas no ocidente costumam dizer que não fazem mais negócios com a África porque, afinal, as coisas mudaram e tolerar trabalho infantil, subcondições de emprego e os altos valores em suborno cobrados pelas autoridades não é mais possível. Como a China não está nem aí para este tipo de ética, ela faz negócios com quem estiver disposto a topar suas condições.
É hipócrita o discurso ocidental. Se há 500 bilhões de dólares em dinheiro da corrupção em bancos da Europa e EUA, não há qualquer esforço para investigá-lo. Os EUA são o país que menos coopera com os investigadores africanos que tentam levantar os fundos dos ex-ditadores e seus comparsas. Em segundo lugar, lá está o Reino Unido. Ninguém quer ver centenas de milhões de dólares deixando sua economia repentinamente. Dependendo da quantia – e, no caso da corrupa africana, o porte é grande –, poderia provocar um desequilíbrio no sistema bancário.
Há uma última razão. Acaso uma investigação séria tenha livre espaço para ser realizada, ficará evidente o quanto de cumplicidade houve por parte das instituições financeiras.
A China faz a África crescer, o corrupção suga um naco dos lucros, mas ainda assim os países vão melhorando. O discurso chinês é de um pragmatismo só: transparência e bom governo são bons, mas não são necessários para que haja desenvolvimento. É o contrário. Transparência e bom governo são o resultado do desenvolvimento. É um discurso conveniente.
Esqueçamos o genocídio do Sudão. Os ditadores, a tortura, as guerras civis, os sanguessugas diversos da terra africana. Agora que há uma potência realmente interessada na África, o desenvolvimento virá? De acordo com a FastCompany, não necessariamente. As exportações chinesas esmagaram no nascedouro a indústria de têxteis e calçados em Botsuana, África do Sul, Quênia e Suazilândia. Fizeram o mesmo com a indústria de plásticos da Nigéria. Sem qualquer chance de ver surgir uma indústria produtora de bens os mais básicos, que rumo tomaria o continente para escapar de ser um mero produtor de carvão, petróleo e algum metal? Esta não é, ainda, uma resposta que se possa dar.







29 Comentários até agora ↓
1 NAS LOJA BAHIAS // 10/June/2008 às 14:43
Ok, eu soube que os chienses estão misturando-se as africanas…
Qual a miscigenação que dá de africano com chines?
2 Renato // 10/June/2008 às 15:28
Para os chineses essas crianças vão continuar sendo estrangeiras.
De fato o mais provavél é que a China seja apenas o explorador da vez. As condições melhoram um pouco, mas vão continuar atrelados ao grande comprador de seus produtos sem valor agregado e suas indústrias esmagadas pela produção chinesa, que ainda vai ter um novo mercado consumidor.
3 Burn the Witch! // 10/June/2008 às 15:37
Os chineses fizeram o mesmo com a indústria de têxteis brasileira. Esses chineses estão mais pra belgas do que…do que…Poxa! Não consigo lembrar de nenhum imperialismo europeu decente na África.
4 Caco // 10/June/2008 às 15:50
A China trará desenvolvimento das infraestruturas dos países africanos.
O modelo de operação adotado é conveniente e prático para todas as partes envolvidas. Eles emprestam, por exemplo, USD 1,0 bi para reconstrução de estradas. Com a condição da obra ser executada por uma construtora chinesa, com mão de obra chinesa. Mão de obra que trabalha por salários irrisórios em condições degradantes. A partir daí o governo passa a dever USD 1,0 bi para uma construtora chinesa. Ou seja, o dinheiro volta para a China, não se forma mão de obra, não se transfere tecnologia e muitas vezes não desenvolvem uma indústria local de matéria prima pois importam tudo que for necessário. Além disso aceitam pagar as (altas) comissões necessárias, não fazem perguntas e não interferem nas políticas internas. É claro que o petróleo entra como moeda de troca. A principal moeda e razão de todo negócio. Os governantes (e/ou ditadores) adoram esse negócio que sempre são na casa dos bilhões de dólares.
A questão que fica é em relação ao day after. Tudo que for construído deverá ser operado, desenvolvido, mantido, controlado por trabalhadores locais. E não há em nenhum país da África Subsaariana políticas de desenvolvimento social. Os investimentos em educação, saúde, cultura e nas instituições são os menores do mundo, ineficientes e oportunistas. E não há um chinês movendo um ramo de bambu para isso.
Assim, vejo esse ciclo de investimento chinês na África Subsaariana com um prazo de validade. Vai até a última gota de petróleo, o último diamante, a última árvore.
Mesma razão manterá EUA (Chevron), Inglaterra (BP), França (Total), Itália (AGIP), África do Sul (De Beers), Brasil (Odebrecht, Petrobrás) como países “com um profundo interesse em ajudar na processo de reconstrução nacional” dos países da região.
5 Mr X // 10/June/2008 às 15:51
Em compensação, tempos atrás os ingleses ferraram a China com o ópio… It´s a dog-eat-dog world…
Eu perdi minha esperança na África há um bom tempo, acho que nunca vai se desenvolver…
6 Burn the Witch! // 10/June/2008 às 16:08
Bom, os africâners e outras “tribos” brancas da África do Sul foram canalhas de primeira (apartheid), mas pelo menos entregaram o país e continuaram por lá.
Concordo com o Caco acima que esse ciclo chinês tem prazo de validade. Acabando o petróleo eles dão o fora.
7 Dino 5,8 % // 10/June/2008 às 16:30
Caco, só faltou você dizer que os malvados dos chineses levarão a estrada que construíram de volta para a China…
8 Luiz // 10/June/2008 às 16:35
Dino 5,8% ,
Levar de volta não sei, mas que as estradas vão sumir rapidinho por falta de manutenção, isso vão…
9 Caco // 10/June/2008 às 16:35
Dino, com a qualidade das estradas construídas por eles provavelmente não haverá o que levar…E não é questão de chinês ser malvado ou não. A questão é business. E o que foi colocado no post é a questão se o investimento chinês trará desenvolvimento. E a minha opinião é que não trará.
10 Luiz // 10/June/2008 às 16:37
Caco,
Pensamos a mesma coisa ao mesmo tempo…
11 bitt // 10/June/2008 às 16:39
Pois é - eis a velha e boa geopolítica novamente na ordem do dia.
A China vai se tornar um problema mto rapidamente. O texto é mto bom, recomendo, realmente, uma leitura atenta. O Caco fez um bom posto, mas acho q o problema não é o day after, mas o fato de q empresas chinesas estão começando a deslocar a concorrência ocidental.
E sou obrigado a concordar com o Mister - a África não tem jeito. E se o Ocidente está tão preocupado com a corrupção lá, pq não estabelece meios de coibir a evasão de divisas? Qdo o caso era compensar os judeus pelo dinheiro pilhado pelos nazistas, acabaram dando um jeito.
E essa revista eletrônica é mto legal. Reproduzo abaixo, uma das headlines do último número (eletrõnico, claro) q recebi…
“Wal-Mart is too nice to unions, too concerned about the environment, and too accommodating to gays and lesbians. ” :c))
HUmor negro?..
12 nada será como antes // 10/June/2008 às 17:34
O continente africano é, guardadas as proporções e com as devidas adaptações, algo semelhante ao que representou, séculos atrás, o então nascente continente americano. Uma espécie de mercado produtor e consumidor de reserva.
Por enquanto, com a maior parte da população mantida à margem das atividades econômicas formais, a África é mera fornecedora de matérias-primas.
Mas o fato é que, em determinada etapa do processo exploratório, iniciada na atualidade, a extração e produção de bens exportáveis passa a exigir nova e mais complexa ordem de operações. A extração mineral não mais ocorre de modo primitivo, exige atividades mais complexas e, com isto, mão-de-obra mais gabaritada, capaz de manejar instrumentos sofisticados e realizar operações à altura.
Essa modalidade mais evoluida de atividade econômica, que ainda não é uniforme no continente, induz melhorias no perfil da população e, consequentemente, certa institucionalização de escolaridade, formação profissional e, por isso, agregação em massa à economia formal.
As atividades chinesas naquele território, aparentemente predatórias e exclusivamente voltadas para benefício próprio poderão, no entanto, provocar impulso não planejado e, assim, contribuir involuntariamente para gerar outro panorama no outrora continente esquecido.
13 Alba // 10/June/2008 às 18:56
Muito bom texto, PD!
O que lembra um texto que usei recentemente com meus alunos, publicado no “El País”, falando como as importações chinesas favorecem a América do Sul, em geral. Isso, desde a Venezuela de Chávez, até o Brasil, campeão de audiência, se não fosse por outra coisa, só pelo minério de ferro que fornece direto de Carajás - se por um lado, isso nos tornou o maior exportador de ferro do mundo, por outro, está contribuindo lindamente para a destruição da floresta, graças às guseiras, sustentadas pela queima de floresta nativa, o que me parece, de muitas formas incompreensível, a não ser raciocinando em termos de ganância pura e simples.
E, sim, acho que tanto o Caco como o bitt têm razão. A China já se move no tabuleiro mundial, deslocando posições que tradicionalmente pertenciam aos EUA e à Europa.
Tempos Interessantes. :))
14 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 10/June/2008 às 19:02
1. Como a China não está nem aí para este tipo de ética, ela faz negócios com quem estiver disposto a topar suas condições.
2. É hipócrita o discurso ocidental. Se há 500 bilhões de dólares em dinheiro da corrupção em bancos da Europa e EUA, não há qualquer esforço para investigá-lo
chest- a China não é anti-ética, não é hipócrita? Porque o ocidente deve ter o monopólio da ética sempre?
15 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 10/June/2008 às 19:04
A China já é um problema, sem freios morais e éticos, ……como se opor a ela?
16 Zé Bush // 10/June/2008 às 19:48
well….o imperialismo chinês é tão predador quanto o imperialismo ocidental. Como descrito aí acima, as “condições” são meio marotas e no fim o lucro fica em bancos ocidentais com uma paradinha em Pequim, prá ganhar um jurinho, que ninguém é de ferro…
Isso sem falar na devastação ambiental que mineradoras chinesas estão provocando em países africanos. No fim,a coisa se resume a isso: a China está “alugando” terras na África para produzir alimentos para seu povo. Explora minérios e petróleo pagando com estradas e instalações construídas por empresas chinesas.E que deverão ser mantidas por chineses, of course. Um verdadeiro negócio da China!!!
17 Chico Motta // 10/June/2008 às 21:59
o Chest defendendo a china… olha que coisa bonita… Afinal, como ele poderia justificar o ocidente anti-ético sem ter um oriente comunista anti-ético também…
18 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 11/June/2008 às 0:03
Chico-OmarMota…você sabe ler?
19 MaGioZal // 11/June/2008 às 12:04
A única coisa capaza de salvar os países da África no médio e longo prazo é democracia de verdade, com eleições limpas, parlamento, rotatividade no poder, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
As outras coisas vêm a reboque desse alicerce.
20 MaGioZal // 11/June/2008 às 12:06
Ah, sim: claro que investimento pode até ser bem-vindo, mas sem os “checks and balances” da democracia ele acaba virando coisa como mais corrupção de um lado e mais concentração de renda do outro. Basta ver o que aconteceu com o tal “Milagre Brasileiro” que aconteceu durante a vigência do AI-5…
21 Fabiano // 11/June/2008 às 15:32
Certo… a China vai lá, faz uma estrada na África com mão-de-obra e empreiteiras chinesas, e ganha o dinheiro. Muito oportunista, mas muito justo também. Melhor para o país africano do que ficar sem a estrada.
Se não vai haver manutenção na estrada por não ter gente capacitada na África para isso (talvez haja, talvez não haja), é outra história, e não é culpa dos chineses.
Mas pra resolver isso é preciso que os governos africanos contratem ou invistam na formação de engenheiros capazes. Por que não estão fazendo isso, se é que não estão? Culpa do imperialismo chinês? Culpa do imperialismo europeu? Culpa do Lula? Não seria falta de visão de longo prazo mesmo, se é que isso está mesmo acontecendo?
Se a África não aproveitar a onda de imperialismo (?) chinês para se desenvolver, não vai poder botar a culpa nos chineses e, horror dos horrores para os bolcheviques, nem mesmo nos EUA!! Demanda tem muita, o dinheiro está chegando; quem decide como usar o dinheiro - o governo local - leva a culpa se a coisa der errado.
22 Caco // 11/June/2008 às 19:18
Fabiano, você está certo.
Ninguém na África Subsaariana culpa ou credita os chineses e os governos ocidentais pelo seu destino. Vivo na região, transito por vários países e posso dizer : nunca vi situações reais de xenofobia contra os chineses. A briga dos angolanos é com os portugueses. Dos Zimbabwanos, com os ingleses. Dos congolenses , com os franceses.
Eles sabem que a China está jogando o jogo. Assim como sabem que os governos ocidentais não investigam a origem do dinheiro depositado em seus bancos porque isso não é financeiramente interessante. Os governos locais diante disso se sentem confortáveis para continuarem mandando bilhões de dólares anualmente para contas numeradas. Talvez poucas pessoas ou instituições ganhem com esse jogo na Europa, nos EUA, na China e com certeza nos países da região. Mas com certeza ganham muito! Mas a diferença é que essa concentração de riqueza nos países africanos é muito mais danosa pro desenvolvimento social que nos seus parceiros comerciais/financeiros.
As vítimas são as populações desses países que numa combinação nefasta de medo, subdesenvolvimento, falta de cultura, inércia e recursos para se mobilizarem assistem à tudo isso sem ter ou saber o que fazer. A culpa, certamente, são dos governos que perpetuam práticas pra lá de imorais e que não sinalizam vontade ou necessidade de quebrar essa tradição.
23 anrafel // 11/June/2008 às 19:19
Na ‘primeira fase’ da ação imperialista na África, os países exploradores arrancaram o que podiam e se retiraram deixando a região com uma configuração política postiça que intensificaram os conflitos tribais.
O freio a alguns costumes bárbaros e a implantação de algumas instituições políticas, o que aconteceu em alguns colonialismos, não se verificaram na África. Grande parte do continente ficou entregue aos males de sempre, à exploração de seus recursos naturais em benefícios de bandidos disfarçados de governantes e sustentados por milícias treinadas e liderada por veteranos de guerras, os mercenários, os cães de guerra.
Passou-se algum tempo de desimportância e agora a China aparece com o seu jeito de pragmatismo e objetividade máximos norteando a relação custo/benefício, tipo assim “pegar ou largar”, já que os africanoos não têm muita escolha.
É a China saindo do seu ‘quintal’ asiático e ampliando a sua ação geo-política em outro continente, o que pode gerar reações.
Tempos interessantes, sem dúvida. Seria isso o verdadeiro início de uma nova era?
24 confetti e a ilusao* // 12/June/2008 às 2:50
interessantes coments, quase todos ; uma frase reteve minha atençao, pq ultrapassa o tema e corresponde a verdadeira situaçao do tabuleiro geo politico atual :
“A China já é um problema, sem freios morais e éticos, ……como se opor a ela?”
tirou de onde dracula ? tem resto ? quero ler !
25 confetti e a ilusao* // 12/June/2008 às 3:21
maGio #19, infelizmente isso nunca vai se concretizar….a oligarquia africana, com suas dinastias des fils à papa, ta longe de acabar….olhe so como se prepara ao poder karim wade, filho do presidente senagales…olha como se debate no comando do togo o idiota faure gnassingbé, filho do eyadema, etc…
a china nao vai ajudar a africa : ela vai usar e jogar fora quando tiver sugado tudo….exatamente como belgas, franceses e portugueses ! neo colonialisme, dites vous ?
26 Zictor // 12/June/2008 às 8:59
Putz, quando eu leio o sentimento geral representado nos posts, sinto até um cheiro leve, muito leve, de preconceito e (por que não?) racismo.
@Caco,
Essa história de que os chineses usam mão de obra chinesa nas obras que fazem na África é lenda. Eu tenho um amigo australiano que é casado com uma mulher de Uganda. O cara tem contatos com acadêmicos amigos meus que estudam a China e as relações entre a África e a China, entre outros tópicos.
Esse cara diz que durante 2 ou 3 anos correu a África investigando obras de chineses. E a mão de obra era (tirando engenheiros e trabalhadores de alto nível) 90% africana! Vamos e venhamos, essa acusação não tem pé nem cabeça! Imagine o custo de trazer peão de obra da China para a África! É contraproducente isso.
Muita gente critica a atuação da China na África, mas o Ocidente não foi nem um pouquinho melhor no passado. As ONG’s posam de boazinhas, mas os africanos não querem ajuda de ONG’s, querem comércio, troca, negociação.
Os chineses dão isso para os africanos.
Cada vez mais eu me convenço de grande parte das preocupações ocidentais com a China é porque ela chegou onde chegou sem jogar pelas regras.
Uma frase dita por um diplomata chinês: “Nós queremos ter uma boa imagem internacional, mas nós precisamos de recursos naturais e matérias primas, e todos os países ‘respeitáveis’ foram pegos pelo ocidente. Nós nos viramos com o que sobrou.”
27 confetti e a ilusao* // 12/June/2008 às 9:50
salut zic ! nao acho que se trate de preconceito ou racismo !
os coments a cima abordam quase todas as possibilidades “teoricas” claro…mas provaveis…
28 Zictor // 12/June/2008 às 11:06
confis,
Eu acho que é um pouco de racismo e muito preconceito. A principal preocupação do governo chinês é se manter no poder. Para isso, precisam desenvolver o país.
Se pudessem, comprariam petróleo de outros recurso de países mais “respeitáveis”, que não chamam a atenção dos “fucking hippies”. Mas esses países já vendem tudo para os EUA e a Europa. A China não vai deixar de se desenvolver por causa de “problemas dos outros”.
Sempre que eu converso com o Burke, esse meu amigo que mora na África, ele me traz um ponto de vista totalmente diferente deste, que enfatiza os aspectos ruins (reais ou fictícios) da presença chinesa na África e esquece os bons.
29 yoley // 6/July/2008 às 16:49
Meus caros o assunto do desenvolvimento em África é complicado. Todos têm passado por lá. E têm deixado marcas. Qual delas a pior. Mas nem tudo é mau. Quem sabe com a China os africanos em angola começam a ter novas ideias. Até há bem antes dpos chineses lá estarem as populações muitas delas nem sabiam se era possível abrir estradas, porque a maioria das coisas foi criada por Deus. mas as mentalidades estão a mudar. Por outro é certo que a corrupção está bem mais patente do que anteriormente. mas mais vale isso e deixar-se algo feito bem ou mal do que nada. Assim ao menos as discussões passam a ser em torno do que está mal para ser melhorado. É como um bebé, não nasce a andar, nem a falar, mas aos poucos vai caminhando e falando com a ajuda dos pais e de outras pessoas, caindo, escorregando e continuando. É mesmo assim, uns roubam, outros manifestam descontentamento e aos poucos se vão construindo ou reconstruindo as mentalidades. Quem sabe, subdesenvolvidos são os nossos cérebros e não os nossos países. Temos muito que aprender, muito susto para apanhar e muito que sobreviver, lutando com ideias e contribuições.
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