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Sudão, a pior de todas as tragédias em curso

June 9th, 2008 · · 121 Comentários

De 2003 para cá, a etnia que domina o governo sudanês matou por volta de 300.000 pessoas de um outro grupo. Uns 2,5 milhões deixaram suas casas em direção a campos de refugiados.

Na última quinta-feira, o promotor argentino Luís Moreno-Ocampo depôs perante o Conselho de Segurança da ONU a respeito do processo que pretende apresentar ao Tribunal Criminal Internacional, com sede em Haia. Ocampo quer indiciar dois homens. O primeiro é Ahmed Haroun, ministro de Questões Humanitárias do país; o segundo, Ali Kushayb, líder da guerrilha árabe Janjaweed, responsável direta pela maior parte dos estupros, tortura e mortes na região de Darfur.

Nada que esteja acontecendo no planeta, neste exato momento, é mais grave do ponto de vista humanitário do que o Sudão. Mesmo se incluirmos na lista as conseqüências dos atos da ditadura de Myanmar, que nega ajuda aos próprios cidadãos após um desastre natural. Mesmo que incluamos o Iraque ou qualquer outro episódio do Oriente Médio.

No entanto, já faz cinco anos, o que se passa é uma certa reação blasé. ‘Horrível aquilo no Sudão, não é?’ E daí para outro assunto.

Por que a esquerda não se esgoela e põe o Sudão no topo de sua lista de prioridades? Cruze os blogs ou revistas de esquerda no mundo e os assuntos são vários, as vítimas do imperialismo muitas, mas para as três milhões de vítimas do governo sudanês não sobra muita compaixão.

Como se a direita fosse inocente – não é. Ninguém cogita uma mudança de regime para o Sudão. Ninguém bate os tambores de guerra ameaçando invasão. Um ou outro reclama que a China emperra o assunto no Conselho de Segurança da ONU – o que é verdade. Mas nem EUA, nem França, nem Reino Unido, rigorosamente ninguém acha que o assunto vale uma pesada pressão diplomática. Acaso fosse prioridade, dobrava-se a China. Ou partia-se para a ação sem o aval da ONU. Não seria inédito.

Os únicos realmente preocupados com o Sudão são burocratas e tecnocratas da ONU e de uma meia dúzia de ONGs.

Por quê? Vivemos um período moralista. Esquerda e direita têm, ambas, um discurso de o que é o certo e o que é o errado no mundo assim, na ponta da língua, e todos são rápidos em apontar o dedo para o lado contrário. E, no entanto, perante a pior coisa que ocorre no planeta Terra, só frieza.

O que isso diz a nosso respeito? E faço a pergunta com franqueza: a última vez que o Sudão foi mencionado no Weblog foi em 5 de fevereiro passado. E o país não era o assunto principal do post.

É uma região tão perigosa que poucos jornalistas se arriscam por lá. Este é um dos motivos que justificam a falta de noticiário direto. Mas não basta. Será racismo? Será algum tipo de desistência coletiva a respeito da África Subsaariana?

Talvez seja mais do que isso. Os vilões desta história são ‘árabes’, mas isso é como se apresentam. São negros. As vítimas, também. Os vilões são muçulmanos. Mas as vítimas, também. Há petróleo na região de Darfur, claro. Só que nenhuma superpotência está tentando arrancar o petróleo a fórceps fingindo boas intenções.

O que acontece no Sudão é muito mais simples: é o mal em ação. Somos todos, à direita e à esquerda, pragmáticos. Não atribuímos o ‘mal’ aos outros. Desenvolvemos teorias complexas (ou nem tanto) a respeito de como o mundo funciona e tudo trata de intenções e interesses. Como intenções e interesses são difíceis de atribuir no caso sudanês, o que nos sobra para nossa verborragia política? Nenhuma de nossas teorias geopolíticas têm uma explicação para o Mal. O Mal, neste sentido, nos diz algo um pouco pior. Se um grupo humano é capaz da barbárie, todos nós somos. Depois que os alemães fizeram o Holocausto, ninguém mais pode dizer de cara limpa que uma cultura civilizada, iluminista e cristã seja incapaz do Mal. Todos somos. E, com raríssimas exceções – a intervenção dos EUA no Kosovo, por exemplo –, temos este hábito de deixar o mal agir livremente.

As prisões dos indiciados estão pedidas. Os acusados não podem deixar o país – se deixarem, serão presos. Mas, por enquanto, o assunto segue prioritário apenas na burocracia internacional.

Tags: África

121 Comentários até agora ↓




  • 1 Victor // 9/June/2008 às 12:53

    O mal?
    Isso me soou coisa do cara la de baixo hahaha

  • 2 Microempresário // 9/June/2008 às 12:53

    Parece que Rousseau achava que o ser humano é “naturalmente bom” e que a sociedade o corrompia. Eu acho que o ser humano é “naturalmente mau” e que a sociedade é a única capaz de por-lhe freios. Mas eu sou um pessimista empedernido.

  • 3 Chesterton // 9/June/2008 às 13:07

    .. a culpa é do Buxi.

  • 4 Zé Bush // 9/June/2008 às 13:08

    well….acredito que uma intervenção no Sudão não “valha a pena” para ninguém. Os EUA vão abrir outra frente de batalha contra muçulmanos? Como? A China vai comprar uma briga que sabe de antemão que só vai trazer prejuízo? O mundo árabe vai se meter numa disputa (mais uma) e se desmanchar de vez em bombas e atentados? De onde a Rússia vai tirar grana para apoiar um lado ou outro e marcar posição numa terra arrasada?

    É inadmissível que conflitos tribais matem milhões em pleno século 21.Mas a África está reduzida ao estado tribal em quase toda sua totalidade.Ainda estão na fase do pastoreio e extrativismo. Mês passado teve um levante na África do Sul, contra imigrantes de Angola e Moçambique.Dezenas foram executados nas ruas e muito pouca gente ficou sabendo disso.Isso na “democrática” e miserável África do Sul! No Quênia a coisa passou da centena. É tribo contra tribo, mais parecendo disputa por espaço da idade da pedra lascada.

    Tem país na África que só existe mesmo no Google e na cabeça daqueles ditadores de merda fantasiado de marechal com o peito cheio de medalhinha. E falar em 300 mil é muita bondade. Já devem ter morrido bem mais que 1 milhão.

  • 5 Dino // 9/June/2008 às 13:11

    “Será algum tipo de desistência coletiva a respeito da África Subsaariana?”

    Eu ia te dizer isso, mas você já escreveu… O ser humano também tem essa característica, criar anticorpos que o deixa indiferente a situações de violência repetitivas. Mas pode acreditar que se os Kossovares fossem negros e não europeus, estariam se matando até agora… A questão ali é muito mais geopolítica que humanitária, se bem que existe, por se tratar de gente branca, loura de olhos azuis, como ver um bebê assim despedaçado e ficar indiferente… Quanta hipocrisia!

  • 6 Microempresário // 9/June/2008 às 13:24

    Acho que a diferença entre Kosovo e Sudão é mais de distância do que de côr da pele.

    Estive em Portugal em 1999. Quando os noticiários falavam de Kosovo, a vinheta na tela não era “Guerra em Kosovo”. Era “Guerra na Europa”.

  • 7 HRP FAST Reloaded // 9/June/2008 às 13:27

    Gosto e gostava de ver a serie “ER”, aonde em certos capitulos alguns dos personagens vão parar no Sudão aterrorizado e massacrado pela guerra civil/terrorismo estatal/e fragmentação racista por parte dos negros que se dizem arabes…..estupros e massacres são temas abordados naqueles capitulos aonde vemos bem que o mundo muçulmano do Sudão é cruel e monstruoso…..quase praticando crimes pelo prazer de ver pessoas sofrer….
    Hoje estou convencido que o grupo étnico que pratica a maioria dos crimes e atrocidades lá no Sudão são um bando de psicopatas. iguaizinhos aos sérvio endemoniados na Bósnia……….e talvez a solução seja bombardeá-los e massacra-los , extingui-los!
    Valha-me Deus!O ódio tras o odio……e moças e crianças e mulheres são humilhadas, escravizadas…..num sofrimento sem fim….não sou blazé não!
    KD os EUA?, KD a Rússia? KD a Europa?
    KD os moralistas de plantão…..sejam pró Israel, mulçumanbos e ou cristão???????

  • 8 Esprit de porc // 9/June/2008 às 13:41

    É verdade, PD. Nessas horas não custa lembrar que em outros tempos (outro governo) os EUA já se envolveram militarmente numa questão justa.
    Um dia o Sudão será uma lembrança, assim como <a href=”http://en.wikipedia.org/wiki/Rwanda#Post-civil_war”Ruanda…

  • 9 Esprit de porc // 9/June/2008 às 13:41

    Foi mal no post anterior, me enrolei com a tag.

  • 10 Linda // 9/June/2008 às 13:41

    http://www.amnistia-internacional.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=407&Itemid=111

  • 11 Chesterton // 9/June/2008 às 13:45

    os EUA estão bem ocupados, mas a Europa poderia intervir…se tivesse culeões e não fosse o antro relativista que é.

  • 12 Dino // 9/June/2008 às 13:52

    O problema insolúvel da África é a divisão colonial dos territórios, geraram um problema que para ser solucionado era necessário desintegrar nações e formar outras. Em países sem identidade étnica, em que se contam dezenas de dialetos, tribos com ódios seculares, tudo isso fomentado por interesses internos e externos… Quem vê solução para isso?

  • 13 Linda // 9/June/2008 às 13:57

    No Sudão existe uma guerra civil em curso.
    Nele existe um ditador.
    E a ONU pretende a extradição de dois homens, Ahmad Harun e Ali Kushayb, acusados de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, para julgá-los no seu TPI - Tribunal Penal Internacional.
    O Sudão não extradita seus nacionais, assim como a França, os EUA, o Brasil e outros, todos membros da ONU, tb não o fazem.
    Invadir e pacificar? Todos sabemos o que acontece no Iraque, no Afeganistão.
    Não seria melhor gastar o nosso fosfato pensando em medidas exeqüíveis e que de fato levem a pacificação destas regiões?

  • 14 Zé Bush // 9/June/2008 às 14:16

    well.Linda…..Como diziam os antigos romanos, não dá pra curar pneumonia com aspirina. A solução passa necessariamente por uma intervenção (ou “invasão”, como queiram). E um projeto de re-colonização capitaneado pela ONU com a participação das maiores potencias. De imediato, ajuda humanitária, comida e remédios. Depois, passar fogo nos “líderes” no paredão mais próximo. E manter o país sob tutela internacional.

  • 15 Chesterton // 9/June/2008 às 14:52

    os limites terrtoriais africanos foram criados justamente para acabar com esses genocidios, que são uma tradição milenar entre aquelas tribos.

    Dizem até que o homo erectus saiu da Africa para a Europa e Asia porque estava cansado das brigas daquele continente….que coisa, não é?

  • 16 Ricardo Cabral // 9/June/2008 às 15:12

    “os limites terrtoriais africanos foram criados justamente para acabar com esses genocidios, que são uma tradição milenar entre aquelas tribos.” (Chesterton #15) (grifo meu)

    Chest, com essa leitura tão peculiar do colonialismo na África você se superou!

  • 17 Cleopatra Timão êo! // 9/June/2008 às 15:16

    Concordo com o microempresário #2
    Também acho que o homem nasce mau. As crianças já nascem sabendo a prática do mau quando seduz seus pais para conseguir o que querem, se não fosse assim, ninguém precisaria ser educado por alguém…

  • 18 Chico Motta // 9/June/2008 às 15:17

    O Mal é malvado, e ele faz mal as pessoas, e ele não tem interesses, faz mal porque é mal, gratuitamente, até porque o mal gosta de fazer o mal e deixar as pessoas tristes, porque ele malvado, Mal mesmo, e boboca… e come criancinhas… e bebe o sangue delas e bate na cara das pessoas que gostam dele, cospem no chão e soltam raios pelas mãos… O Mal queima a casa das pessoas e mata elas pois não tem o que fazer, só por diversão, pq afinal, O Mal é mal não é?

  • 19 SCO // 9/June/2008 às 15:18

    A Europa e os EUA já desistiram do Sudão, os chineses pouco se importam com direitos humanos, muito provavelmente desejam que os sudaneses continuem se matando para continuar comprando petróleo e vendendo suas quinquilharias, quanto ao resto do mundo? Tem seus próprios problemas para se preocupar.

  • 20 Chesterton // 9/June/2008 às 15:27

    Obrigado Pedro Alvares…..

  • 21 Chesterton // 9/June/2008 às 15:27

    falando nisso, alguem viu Apocalypto?

  • 22 Darwinista // 9/June/2008 às 15:29

    Não acho que o ser humano seja inerentemente mau. Na verdade, como qualquer outro animal, ele tem como prioridade sua sobrevivência e a de sua prole. Altruísmo é uma característica que se manifesta apenas se gera ganho, vantagem.

    Há alguma vantagem para outras nações na interferência em Sudão? Não? Então não vão mexer uma palha.

  • 23 Cleopatra Timão êo! // 9/June/2008 às 15:30

    E a ONU fez alguma coisa? Faz alguma coisa? principalmente depois da invasão ao Iraque que força ela tem?

  • 24 Chico Motta // 9/June/2008 às 15:42

    Enviado especial chinês fala da questão de Darfur
    2007-05-29 21:48:05 cri
    O enviado especial do governo chinês sobre a questão de Darfur, Liu Guijin, disse hoje(29) em Beijing, que o problema de Darfur é na sua natureza, um problema do desenvolvimento causado pela disputa de água e terra entre diversas tribos frente à pobreza e carência de recursos.

    Para o enviado especial chinês, fazer pressão e sanções desfavorece à solução da questão. A comunidade internacional deve desenvolver sua inteligência política e imaginação para promover a solução do problema de Darfur por via pacífica.

    Durante sua visita ao Sudão entre os dois 19 e 23 de maio, Liu transmitiu as preocupações da comunidade internacional para a questão de Darfur e aconselhou o governo sudanês a acelerar o processo de paz.

    Segundo a mesma fonte, o governo chinês tem proporcionado à região e à missão da União Africana os materiais e fundos no valor de cerca de US$10 milhões em busca da distensão da crise humanitária em Darfur, além de enviar um contingente de engenharia composto de 275 pessoas para participar da ação da segunda fase do plano do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que se divide em três etapas.

  • 25 Prøftël // 9/June/2008 às 15:44

    É aquela coisa que já falei sobre alunos bagunceiros em sala de aula complicada.
    Pega uns dois ou três três-oitão carregados até a boca, joga dentro da sala e fecha a porta.
    O que sobrar a gente conversa e vê o que pode fazer.
    Sudão tá assim, jogaram uns trabucos lá e fecharam a porta, enquanto não pararem de se matar ninguém entra.
    Juro prôceis, se fosse convocado pra força de paz, nessa eu não iria nem a páu, já somos presunto em potencial aqui no Brasil lá é certeza.
    Alguém aí se habilita?
    Algum comovido quer botar o pé lá?
    Que vá.

    Tô fora.

  • 26 Pax // 9/June/2008 às 15:51

    Vi Chesterton, o Apocalyptico do Mel Gibson.

    Bom filme.

    Mas… o que tem com o post?

  • 27 nada será como antes // 9/June/2008 às 15:52

    O comentário de Dino (12) menciona dado crucial na maioria das tragédias africanas, cujas tribos foram artificialmente juntadas e/ou separadas, segundo as conveniências européias.

    Também existe o “fator China”, que tira proveito das divisões sudanesas e , talvez , venha a alimentar outras disputas proveitosas em Angola e similares.

    Pessoalmente, não tenho nenhuma simpatia pela atual China, que vira as costas para seu próprio interior a título de enriquecer sua costa leste.

    Centenas de milhões de chineses estão e devem permanecer, por bom tempo, alijados do boom desenvolvimentista, que estabelece uma elite às custas da miséria do resto do país.

    O dado irônico é que a discórdia e cobiça plantadas pela China, na África, ecoará, não demora, no território do Império do Meio.

  • 28 Ray // 9/June/2008 às 15:53

    tem de tudo..

    tem o I don`t care..

    tem racismo..tipo..africa não tem jeito…

    bom lembrar que no kosovo se não fosse a Madeleine Albright o milosevic estaria la ate hoje

    os republicanos chamam de Albright`s war
    alem de ser uma ditadura que fazia limpeza etnica no coração da europa em pleno quase seculo 21

  • 29 Chico Motta // 9/June/2008 às 15:54

    http://www.ribeiroecastro.eu/rubricas.aspx?id_seccao=40&id_rubrica=182&ord=5

    bom texto sobre a questão, tratando dos interesses chineses envolvidos…. mas pouco se fala sobre o problema interno do Sudão, sobre a realidade que provoca a desgraça… e Atribuir ao mal é discurso vazio para mim..

  • 30 nada será como antes // 9/June/2008 às 15:56

    O homem não nasce mau nem bom, que são conceitos culturais.

    O homem nasce selvagem, como queria Rousseau e, sem cultura e acolhida, assim permanece. Selvagem não significa mau, apenas inculto e a mercê de instintos de reprodução e sobrevivência.

  • 31 Chico Motta // 9/June/2008 às 16:03

    “O dado irônico é que a discórdia e cobiça plantadas pela China, na África, ecoará, não demora, no território do Império do Meio.”

    Não me parece que eles plantam discórdia na africa, para ser sincero, de um modo geral o desenvolvimento africano hoje em dia tem se sustentado grande parte de investimentos chinêses…. No caso Sudanês mesmo… A China, me parece, tem interesse em que não se mude a relação comercial que estabeleceu com o Sudão, Uma pressão mais dura, com sansões, prejudicaria a sua situação…

  • 32 Chico Motta // 9/June/2008 às 16:10

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_de_Darfur

    Até agora o artigo da wikipédia está me parecendo bem coerente … sorte que temos só com artigos pouco acessados…

  • 33 Pedro Doria // 9/June/2008 às 16:13

    Chico Motta, todo processo de limpeza étnica como o do Sudão tem razões, inimizades, preconceitos, história… mas há um momento em que um governo organizado tem que fazer um movimento e institucionalizar a eliminação de um povo.

    Só o pior que há em nós, humanos, permite este movimento.

  • 34 Chesterton // 9/June/2008 às 16:14

    Pax, o genocidio inter-indigena milenar…..

  • 35 Arpex // 9/June/2008 às 16:14

    Ao mesmo tempo em que tenho uma fé inabalável na raça humana, tenho a certeza da fragilidade cristalina da maioria dos valores mais protegidos no mundo.

    “Sociedade” é uma delas. Se a humanidade for capaz de algum dia realizar coisas realmente fantásticas, como decifrar a temporalidade e atingir algum tipo de comunhão plena entre todos os seres, não será graças à sociedade, ao menos não às exemplares de hoje.

    A hipocrisia se consolida como pilar mais sólido das sociedades, ditas “modernas”, o princípio básico e silencioso do funcionamento geral.

    A carnificina sudanesa é mais um exemplo disso, como a ilegalidade imperativa no Rio de Janeiro e no resto do Brasil, a hipocrisia eleitoreira, o orgulho castrador das ciências, as intervenções americanas, os pretinhos pobres esqueléticos e folclóricos espalhados pelo continente africano, o “direito de defesa” de Israel, a criança deitada no chão frio às três da madrugada de ontem a quem não perguntei se tinha alguém.

    Porém, continua sendo um fermento básico essa “Sociedade”, a não ser que queiramos atingir nossas metas apenas em sonho. Acho que a solução seria “evoluir” à margem dela, como um bom selvagem por opção, ideologicamente marginal, certo das falhas diretrizes da sociedade corrompida. Criar estados paralelos, materiais e de consciência, não-pragmáticos.

    A idéia de plenitude do Rousseau era ficar boiando em uma balsa, nu e à deriva, sozinho. No final das contas não era às custas da marginalidade, mas da alienação progressiva.

    O ideal é a marginalidade. Viva o poder paralelo.

  • 36 Chico Motta // 9/June/2008 às 16:15

    A China tapa os olhos pras atrocidades que acontecem em Darfur, pois se beneficia com os acordos comerciais… Não planta a discordia.. se omite a elas…

  • 37 Darwinista // 9/June/2008 às 16:18

    o orgulho castrador das ciências

    Arpex, como assim?

  • 38 Arpex // 9/June/2008 às 16:23

    Darwinista, o orgulho dos velhos cientistas que ridicularizam, por exemplo, um jovem português que tenha comprovado o erro da teoria da relatividade de Einstein. O tabú que é falar sobre energia limpa de fusão… esse tipo de coisas.

  • 39 Chesterton // 9/June/2008 às 16:24

    Arpex ganhou o premio Hellmans…..

  • 40 Linda // 9/June/2008 às 16:25

    Chico Motta # 34
    “Para o enviado especial chinês, fazer pressão e sanções desfavorece à solução da questão. A comunidade internacional deve desenvolver sua inteligência política e imaginação para promover a solução do problema de Darfur por via pacífica.”

    Concordo. No entanto, deixar a solução apenas à China pode dar errado. Mineiramente um pé na frente e outro atrás.
    Se bem que, no final do comentário do Chico Motta há referência de que a China está participando de um plano de três etapas, do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, confirmando as palavras do PD de quê pelo Sudão só se interessam “burocratas e tecnocratas da ONU e de uma meia dúzia de ONGs”. Pelo menos não é o caso de ninguém ter se interessado. Seria melhor intensificar as ações. O envio destes engenheiros feito pela China é uma atitude bem-vinda.

    Zé Bush # 14 - Se ” não dá pra curar pneumonia com aspirina” também não dá para aplicar dose cavalar de antibiótico, o coração não agüenta. É o que acontece no Iraque e no Afeganistão.

  • 41 Darwinista // 9/June/2008 às 16:26

    Entendi.

  • 42 nada será como antes // 9/June/2008 às 16:26

    Chico Motta (31),

    Como você diz, se …”a China (…) tem interesse em que não se mude a relação comercial que estabeleceu com o Sudão”…e que…”Uma pressão mais dura, com sansões (sic), prejudicaria a sua situação…”

    Então, é interesse da China a continuidade do atual conflito. Quem se beneficia continua a plantação.

    A China, como qualquer outra potência, poderia obstar o genocídio. A China mais que as outras, porque é beneficiária direta, nas atuais circunstâncias.

  • 43 Caco // 9/June/2008 às 16:27

    Os EUA, a China ou a Rússia vão intervir pra que? O que elas ganhariam com isso? Uma medalha pela boa ação e nada mais. Há petróleo naquela região. Mas essa não é a bola da vez. Angola, Nigéria e Brasil já estão produzindo e mostram potenciais ainda não explorados muito maiores que o esperado dos poços do Sudão. Para curto e médio prazo com o valor atual do petróleo não adianta desviar recursos e perder tempo para explorar no Sudão. As petrolíferas querem um pouco de paz para retirar o petróleo e velocidade em busca do lucro máximo. Então pode ser mais negócio no momento vender armas para o Sudão. É o que pensam os governos dos países que poderiam estar tomando ações para o fim do genocídio. “Deixem eles se matando e vamos vendendo armas”. Com o tempo a coisa se arranja naturalmente, um grupo étnico extermina o outro e eles chegam lá posando de bons moços e oferecem seus préstimos para a “reconstrução nacional” a troco do petróleo ainda inexplorado. Tratam isso com o ditador de plantão, criam uns milionários que sustentam e apoiam as negociações dando ares de legalidade e ficam todos felizes. É assim no Sudão. Foi assim em Angola. Será assim nos próximos conflitos africanos.

  • 44 Arpex // 9/June/2008 às 16:28

    Chester, navegar na maionese é preciso.

  • 45 Clara // 9/June/2008 às 16:29

    A civilização volta para a barbárie quando se olha para o outro lado.

    Quem se importou com o Holocausto a ponto de prevenir milhões de vidas ceifadas de modo absolutamente cruel?

    A civização aprendeu a lição? Claro que não!
    Depois da Bósnia, tem gente que ainda tem a cara-de-pau de reclamar da intervenção nos Balcans.

    Quem se importou com Ruanda e 800.000 mortos em quatro meses?

    Quem se importa com o morticínio em Darfour?

    Os palestinos são o queridinhos da midia. Tanta gent merecendo mais atenção do mundo, mas não, oh, Finkelstein foi proibido de entrar em Israel, que coisa horrível…

  • 46 Osvaldo // 9/June/2008 às 16:31

    Observo que quanto mais pobre, menos vale a pessoa.
    Quando massacram ricos ou pessoas da classe média, a mídia endoida.
    Quando é pobre, ninguém fica nem sabendo. Podem ser centenas de milhares.
    Acho que a mídia tem ligação com o personagem Justo Veríssimo, do Chico Anísio: quero que pobre se exploda.
    Não é assim?

  • 47 Rodrigo // 9/June/2008 às 16:32

    Caráleo! É impressionante como tem gente que semana passada estava doida para os EUA mandarem o Irã para a idade da pedra, hoje viraram os arautos da moderação e do comedimento. Até parece que o ocidente só intervêem em países muçulmanos se eles forem relativamente estáveis (Iraque), em vias de resolverem seus problemas pacificamente (Líbano) ou que tem potencial de se tormarem democracias a média prazo (Palestina e Irã)…

  • 48 Rodrigo // 9/June/2008 às 16:33

    sem falar que no Irã não tem petróleo…

  • 49 Darwinista // 9/June/2008 às 16:33

    #44

    Tava demorando…

  • 50 Rodrigo // 9/June/2008 às 16:36

    Coitadinhos dos israelenses, não podem nem roubar terra dos palestinos em paz! Oh mundo cruel e anti-semita…

  • 51 Darwinista // 9/June/2008 às 16:40

    Qual é o mesmo o nome daquela “Lei” que diz que uma hora ou outra Hitler ou o nazismo sempre são citados, mesmo que o assunto da discussão nada tenha a ver com isso?

    Tá na hora de criar uma dessa pra questão judaico-palestina.

  • 52 Pedro Doria // 9/June/2008 às 16:43

    Lei de Godwin, Darwinista.

    Podemos criar a Lei de Darwinista: em alguma hora, se uma discussão se alongar o suficiente no Weblog, alguém citará o conflito entre Israel e Palestina.

  • 53 Clara // 9/June/2008 às 16:43

    #48

    (podemos lembrar de pssoas sendo números, por que não?)

    A verdade tem de ser dita. Enquanto a midia se ocupa dos palestinos, a mortandade de Darfour continua, silenciosamente, na base de cntenas de milhares, mulheres são escravizadas, crianças têm as mãos decepadas…

  • 54 Clara // 9/June/2008 às 16:46

    E aliás, eu já comentei sobre a matança em Darfour algumas vezes, mas quase ninguém dá a menor pelota…

  • 55 Darwinista // 9/June/2008 às 16:46

    Pedro Doria,

    De minha parte, ficaria muito honrado. Se os demais companheiros de blog avalizarem, fica estabelecida a Lei de Darwinista. :-)

    Ah, e obrigado pela lembrança, Lei de Godwin.

  • 56 Rodrigo // 9/June/2008 às 16:47

    PD
    Darwinista

    Apoiado, voto pela “Lei de Darwinista”. E quanto a conversa descambar para Farc, Stalin e afins?

  • 57 Clara // 9/June/2008 às 16:50

    Perdão, foi o # 49 que me chamou de #44.

  • 58 Brancaleone // 9/June/2008 às 16:52

    O problema é do Sudão mesmo.
    Eles não tem ideologia ou fé para se matarem. Se matam porque se matam mesmo e acabou. Um etnia contra a outra e nada de importante alem disso.
    Se fosse esquerda versus direita, ninguem poderia fazer nada pois um lado diria que o outro está invadindo e dá-lhe arenga.
    Acontece assim lá na Palestina quando eles decidem parar de aporrinhar Israel para matarem-se um pouco entre sí.
    No Líbano é a mesma coisa.
    Os EUA invadirem o Sudão? Cruziss!! na remotérrimitíssima possibilidade disso acontecer, a escumalha da esquerda viria com aquele discursinho duns 50 anos atrás ( e que nunca funcionou). Se a ONU intervir, vão dizer que a ONU serve a interesses de fulano e sicrano e por aí vai.
    Resmindo: Deixe que se matem. Dá menos falatório…

  • 59 Clara // 9/June/2008 às 16:53

    …mas ele quer uma lei com seu nome… :-)

  • 60 Linda // 9/June/2008 às 16:54

    #58 - Lei de Darwinista na cabeça. rs

  • 61 Darwinista // 9/June/2008 às 16:54

    Acontece assim lá na Palestina quando eles decidem parar de aporrinhar Israel para matarem-se um pouco entre sí.

    Viram como a lei se aplica?
    :-)

    P.S.: Aí Branca, você ganhou um open, mas eu tô pra ganhar uma Lei

  • 62 Darwinista // 9/June/2008 às 16:56

    Cara Clara flamenguista,

    Eu não quero nada, PD é que sugeriu. Mas ela funciona, não negue…

  • 63 Brancaleone // 9/June/2008 às 16:56

    E podem ter certeza: Lá no Sudão alguem está lucrando com a matança. Sempre tem quem lucre com estas coisas. Identifica-se ( se é que não é notório) quem ou quens estão no lucro, mata-se o sujeito e as coisas se acalmam.
    Guerras e genocídios são apenas negócios que produzem cadáveres. Só isso.

  • 64 nada será como antes // 9/June/2008 às 16:58

    Manifesto meu voto favorável à instituição da “Lei de Darwinista”.

    E qual seria o nome da “Lei” que rege a mídia nacional que , por repetidas coincidências, afasta do noticiário os escândalos que envolvem certas figuras e um certo partido ?

    Para refrescar a memória, existem “rumores” sobre corrupção no Rio Grande do Sul e, em São Paulo, algo ligado à empresa francesa Alstom. Mas, como a mídia não comenta, não consigo lembrar os nomes dos envolvidos.

    Não importam os nomes, basta nomeara “Lei” em questão.

  • 65 Linda // 9/June/2008 às 16:59

    Brancaleone tire a idéia de invasão de sua cabeça. Estamos gastando fosfato na descoberta do que poderia ser feito sem invasão e/ou não invadir e não vender armas ao povo sudanês, interpretando a contrario sensu a idéia do Caco # 43.

  • 66 Darwinista // 9/June/2008 às 16:59

    Será que o know-how adquirido no Haiti não credenciaria o Brasil encabeçar uma força de paz interventora no Sudão?

    Poderia ser formada, por exemplo, por Brasil, Venezuela, Costa Rica, Eslovênia e Paquistão.

  • 67 Arpex // 9/June/2008 às 17:00

    Lei de Godwin, Brancaleone, os guetos de judeus do Hitler também eram conflito étnico interno, né?

  • 68 Clara // 9/June/2008 às 17:02

    Costa Rica não tem exécito, candidato ã lei em seu nome…

  • 69 Clara // 9/June/2008 às 17:03

    Aliás, qual o seu critério para escolher os países que mandariam tropas para Darfour? Estou interessada em saber.

  • 70 Linda // 9/June/2008 às 17:04

    Darwinista # 66 - Me preocupa é a falta de discussão sobre o que o Brasil está fazendo no Haiti, como faz, e quando vai sair de lá. Não seria melhor um intensivão em todas as áreas necessárias para o próprio povo seguir o rumo sozinho?

  • 71 Darwinista // 9/June/2008 às 17:08

    Clara,

    É que não conversamos muito, senão você teria percebido que meu critério de escolha foi minha frequente ironia. Achei que não fosse necessário um hehehe, que o absurdo da proposta já deixaria clara a intenção.

  • 72 Darwinista // 9/June/2008 às 17:13

    Linda, concordo com você. Essa aventura brasileira no Haiti é pouco explorada pela imprensa e quando é abordada, ao menos na televisiva, é quase sempre para louvar os esforços de nossos “heróis” (que recentemente foram acusados de abusos sexuais, diga-se de passagem).

  • 73 Arpex // 9/June/2008 às 17:18

    O Brasil no Haiti não é nada mais que uma tentativa punhética de afirmação das forças armadas. Só serve para mostrar que o exército brasileiro consegue vestir um capacete azul.

    Eles ainda estarem lá, no playground haitiano, só mostra como são ineficientes. Mas enquanto estiverem com seus chapeuzinhos azuis e a bandeirinha do Brasil no braço, é lobby. Para conquistar um assento no Conselho de Segurança da ONU, inclusive. Lobby do lobby.

  • 74 Clara // 9/June/2008 às 17:21

    Darwinista

    Então deve-se (a comunidad internacional)cruzar os braços e olhar para o outro lado, seria isso??

  • 75 Darwinista // 9/June/2008 às 17:26

    Clara,

    Evidente que não. Mas você levaria a sério uma força de paz liderada pelo Brasil?

  • 76 Clara // 9/June/2008 às 17:30

    Evidente que não. Seria pr[aticamente uma piada pronta.

  • 77 Clara // 9/June/2008 às 17:33

    Mas outros países, estabilizados e sem tanta fronteira para guardar, poderiam participar de uma grande força internacional para intervir em Darfour.

  • 78 Jåµë§ ßønd™ // 9/June/2008 às 17:36

    -= #73, #74, #75, #76 … do meu ponto de vista, sendo estritamente técnico, eu diria que qualquer experiência com manutenção da ordem e ajuda internacional é melhor do que NENHUMA.

    Certamente, a partir dos erros e acertos da empreitada, lições podem ser tiradas para outras ocasiões.

    Excluindo-se motivações e interesses não claros do governo em relação a isso… acho válido.

    –X–

    É difícil ter experiência sem ter experiência prévia… se é quem me entendem.

  • 79 confetti e a ilusao* // 9/June/2008 às 17:45

    bernard kouchner, ex-french doctor e ministro do exterior frances, é socialista e so aceitou o cargo oferecido por sarkozy em seu governo de direita, pela possibilidade de intervir no darfour ! ha meses tem tentado convencer o ditador omar el bechir de acatar a resoluçao 1706 da onu, de enviar 20 mil casques bleus…
    el bechir parece a junta birmanesa, nem organizaçoes humanitarias ele autoriza….

    kouchner é acusado de ser idealista-romantico…na europa, poucos ainda se mobilizam pelo darfour, fora ele…

    “silence, on tue”….

  • 80 Leave a Comment // 9/June/2008 às 17:46

    o comentario #22 é o mais correto no meu entendimento sobre a reflexão a respeito do termo “mal” e várias de suas idéias correlatas, como:

    “Se um grupo humano é capaz da barbárie, todos nós somos.”

    Grande darwin.

    Agora quiça todos soubessem e fossem capazes de refletir sobre isso, talvez as coisas fossem diferentes.

  • 81 Darwinista // 9/June/2008 às 17:48

    Leave,

    Valeu!
    :-)

  • 82 Leave a Comment // 9/June/2008 às 17:56

    #81 darwin,

    depois tu mandas o cheque para aquele endereço, conforme combinado.

  • 83 confetti e a ilusao* // 9/June/2008 às 17:58

    aqui uma analise interessante ….

    http://www.economist.com/world/africa/displaystory.cfm?story_id=11376220&CFID=8755608&CFTOKEN=95873997

  • 84 Catatau // 9/June/2008 às 18:10

    Por quê? Vivemos um período moralista. Esquerda e direita têm, ambas, um discurso de o que é o certo e o que é o errado no mundo assim, na ponta da língua, e todos são rápidos em apontar o dedo para o lado contrário. E, no entanto, perante a pior coisa que ocorre no planeta Terra, só frieza.

    É que talvez o petróleo de Darfur não seja suficiente para que os olhares convirjam para lá, infiram que existem armas de destruição em massa, e depois legitimem uma invasão para “libertar” o país. Aliás, você tem acompanhado os blogs iraquianos, Pedro? Alguns deles já dizem sobre o quanto era melhor com Saddam, já que a “libertação” não trouxe o que se esperava,e a responsabilidade não pode ser toda ligada aos insurgentes.

    Talvez a resposta do teu post vc mesmo saiba: é o uso de um discurso humanitário e libertador apenas onde convém. É aquela velha frase: se argumento humanista legitimasse intervenção, a África já estaria “livre” há muito tempo!

  • 85 Catatau // 9/June/2008 às 18:11

    “Por quê? Vivemos um período moralista. Esquerda e direita têm, ambas, um discurso de o que é o certo e o que é o errado no mundo assim, na ponta da língua, e todos são rápidos em apontar o dedo para o lado contrário. E, no entanto, perante a pior coisa que ocorre no planeta Terra, só frieza.

    É que talvez o petróleo de Darfur não seja suficiente para que os olhares convirjam para lá, infiram que existem armas de destruição em massa, e depois legitimem uma invasão para “libertar” o país. Aliás, você tem acompanhado os blogs iraquianos, Pedro? Alguns deles já dizem sobre o quanto era melhor com Saddam, já que a “libertação” não trouxe o que se esperava,e a responsabilidade não pode ser toda ligada aos insurgentes.

    Talvez a resposta do teu post vc mesmo saiba: é o uso de um discurso humanitário e libertador apenas onde convém. É aquela velha frase: se argumento humanista legitimasse intervenção, a África já estaria “livre” há muito tempo!

  • 86 Leave a Comment // 9/June/2008 às 18:21

    Lembro-me bem de ter assistido um documentario que mostrava pilhas de corpos de africanos jogados em um rio apodrecendo.

    E cenas de massacre onde homens com facões esquartejavam cidadãos indefesos como se estivesse estripando carne em açougue em plena rua. Rua não afastaltada, de piçarra.

    Eu acredito que o ser humano consegue adaptar-se as mais bizarras situações, como viver em zonas de guerra, por exemplo.

    Chegam a acostumar-se a violencia diária… …. como se fosse algo normal.

  • 87 Linda // 9/June/2008 às 19:32

    # 86 - Ruanda.

  • 88 Tia // 9/June/2008 às 21:40

    Quando se perguntou ao historiador Jean Delumeau se acreditava no Diabo, ele respondeu: “Como poderia negar o poder do mal, quando vejo o que está acontecendo e o que tem acontecido desde que nasci: A Segunda Guerra Mundial, com mais de 40 milhões de vítimas; Auschwitz e os campos da morte; o genocídio no Camboja; a tirania sangrenta do regime de Ceau?escu; a tortura como sistema de governo em muitos lugares do mundo. A lista de horrores é infindável. . . . Por isso, creio que podemos chamar esses atos de ‘diabólicos’, não que sejam inspirados por um Diabo de chifres e de cascos fendidos, mas por um Diabo que é símbolo do espírito e do poder do mal, operando no mundo.”

  • 89 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 9/June/2008 às 21:43

    fora Stalin e Mao Tse Tung….

  • 90 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 9/June/2008 às 22:02

    Fora de tema — PD

  • 91 Karolina de Castro // 9/June/2008 às 22:14

    Texto bastante polêmico. Não pelo assunto em si, mas como você trata a questão. Destaco quatro momentos, que me deixaram levemente assustada.

    Primeiro, “dobrava-se a China”. Não, não se dobra a China no CSNU, especialmente, quando se fala de direitos humanos em geral. Lembre-se o teto é de vidro e gente falando mal sobre a situação de direitos humanos na China não falta.

    Segundo, considera-se a hipótese sobre passar por cima do Conselho. Parece-me contraditório concordar com o processo iniciado pelo promotor argentino e depois desconsiderar o papel do CSNU no meio internacional.

    Terceiro, a idéia de “Mal”. Acho muito simples resumir um conflito internacional a uma simples entidade maliga. Demonizar os responsáveis pela questão não ajuda muito na solução de conflitos. A impressão é que por mais que as pessoas ridicularizem o Bush com a idéia de “Eixo do Mal”, parece-me que elas, no seu íntimo, também acreditam nisso.

    Por fim, acho que, entre os valores que são apresentados, a idéia de que as teorias geopolíticas não são completas (por não explicarem o Mal) é a mais assustadora. Não sei exatamente o que você julga por teoria, mas há muita produção acadêmica que trata de Darfur e Sudão, nos mais diversos ângulos.

    Sugiro, apenas para conhecimento, uma visita ao site do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, na seção em que eles disponibilizaram as sessões especiais que trataram de Darfur. Ademais, sugiro também consultas as revistas de relações internacionais. Não é porque jornalistas não noticiam matérias escandalosas sobre Darfur que a sociedade internacional não se preocupa com o assunto.

  • 92 Moisés // 9/June/2008 às 23:25

    Catatau,

    Parabéns!!! Disseste tudo.

    Cadê a intervenção americana no Sudão? Lá, antes de qualquer outra região, se justificaria uma intervenção internacional, que seja, um boicote. Deveriam fazer o que fizeram na ex-iugoslávia.

    Mas lá não tem petróleo e nem Israel.

  • 93 faraó // 10/June/2008 às 7:27

    Agora me digam se não é o caso;
    quando UM palestino toma um CASCUDO, o número de comments nesse blog chega a 300 - 400.
    Quando 300.000 ruandenses MORREM feito gado no açougue e outros 2,5 milhões ficam desabrigados, o números de comments mal chega aos 100.

    À propósito, Israel é um dos poucos países a ajudar os sudaneses.

  • 94 faraó // 10/June/2008 às 7:40

    ruandenses, leia-se sudaneses.

  • 95 confetti e a ilusao* // 10/June/2008 às 7:40

    “mas há muita produção acadêmica que trata de Darfur e Sudão, nos mais diversos ângulos.”

    karolina de castro, produçao academica nao tem o mesmo impacto que artigos, capas, filmes, reportagens, etc…a verdade é que ninguém se interessa pelo genocidio africano no darfour !

    na frança dizemos :
    “silence, on tue”

    é a pura verdade….((

  • 96 confetti e a ilusao* // 10/June/2008 às 7:40

    alo doc farao ! td bom ?

  • 97 faraó // 10/June/2008 às 7:57

    Hello Paris
    dia lindo aqui. E ai. tb?

  • 98 Pedro Doria // 10/June/2008 às 8:03

    Karolina de Castro, vc está cobrando rigor acadêmico de um texto que, de acadêmico, não tem rigorosamente nada. O objetivo é despertar reflexão, disparar uma discussão, e nada mais.

    O post deixa muito claro que burocratas e tecnocratas na ONU e nas ONGs se preocupam com Darfur.

    Mas rigorosamente nada acontece se governos não agirem. E rigorosamente nada está acontecendo. Infelizmente, se não sai repetidamente na imprensa, o mundo desconhece.

  • 99 Dino // 10/June/2008 às 8:29

    Chesterton // 9/June/2008 às 14:52
    · Dizem até que o homo erectus saiu da Africa para a Europa e Asia porque estava cansado das brigas daquele continente….que coisa, não é?
    Discordo com a Karolina de Castro, o chest por exemplo apesar de reacionário, católico e americanófilo de carteirinha, não atribui ao “mal” as mazelas africanas, a explicação dele é por assim dizer… Genética? Seriam os africanos de uma cepa de humanos inferiores que ficaram enquanto o outro homo brochadus saiu?

  • 100 MaGioZal // 10/June/2008 às 10:09

    Por que a esquerda não se esgoela e põe o Sudão no topo de sua lista de prioridades? Cruze os blogs ou revistas de esquerda no mundo e os assuntos são vários, as vítimas do imperialismo muitas, mas para as três milhões de vítimas do governo sudanês não sobra muita compaixão.

    A questão toda é que as forças da OTAN e as forças da Inglaterra e dos EUA estão com sua capacidade esgarçada no Afeganistão e no Iraque. E na Europa continental o pessoal do poder quer mesmo é ganhar dinheiro com a Rússia e com a China, e não entrar em conflito com eles. E a China e os países árabes apóiam o Sudão.

    Pensando no modo frio da geopolítica, lancar uma terceira campanha de guerra contra o Sudão seria complicado, pois além de ter altas chances de ser impopular apesar de tudo (e com um recrudescimento do anti-americanismo dos países árabes e islâmicos, que produzem a sagrada gasolina barata para os carros gigantes americanos), ela custaria muito aos governos britânico e americano, que neste momento estão bastante enfraquecidos politicamente, com risco sério de perder para a oposição nas próximas eleições.

    Sem contar que os americanos têm péssimas lembranças da Somália.

    No final das contas, o consenso das cúpulas internacionais é que

    fazer qualquer coisa muito grande pela África negr… ops, quer dizer, Subsaariana, não vale a pena. Vamos deixar que eles se fo… ops, quer dizer, encontrem suas próprias soluções com o tempo.

    Foi assim que uns 3 milhões de seres humanos morreram na guerra da República Democrática (!) do Congo nos anos 90-00 e ninguém perdeu tempo falando muita coisa.

    A solução melhor na minha humirde opinião seria particionar o Sudão à força. Dar Darfur ao controle dos Darfuenses, o Sul do Sudão aos Sul-Sudaneses, que não falam árabe, são cristãos e são explorados por Khartoum, e deixar o Sudão Central sozinho, chupando dedo.

    Ah, mas alterar froneiras vai contra as leis internacionais da ONU, né? Mas fazer genocídio dentro das próprias fronteiras, tudo bem…

  • 101 HRP FAST Reloaded // 10/June/2008 às 10:24

    Lendo o comentário da “TIA” lá de cima concordo em tudo com ela….mas acrescento que o mal está em nós humanos….e cabe a cada um reprimi-lo sempre e intensamente…..é a chamada evolução espiritual que nos leva a torna-mo-nos os seres de luz que vivem ao lado de Jesus….. e mais pra cima com Deus…..

  • 102 HRP FAST Reloaded // 10/June/2008 às 10:26

    Só uma coisa me revolta mais do que a injustiça social……a guerra…ainda mais quando os monstros que a praticam, como lá no Sudão , estupram meninas e mulheres, tornando-as párias ,sem nada mais, em suas sociedades…..

  • 103 Mr X // 10/June/2008 às 11:11

    Israel recebeu vários refugiados sudaneses.

    Cadê os outros países que ajudam? Muito poucos.

    Ah é, mas que importam os sudaneses, vamos nos preocupar com os “palestinos”, cuja qualidade de vida segundo a própria ONU supera a de muitos países árabes, e até regiões do Brasil.

    Os palestinos, na verdade, são opressores, não oprimidos, e se tivessem mais poder nas mãos seriam pior do que o governo sudanês.

  • 104 Chesterton Dracul // 10/June/2008 às 11:13

    HRP, injustiça social? O que é isso?

  • 105 confetti e a ilusao* // 10/June/2008 às 11:48

    calaboca chose ! ))

  • 106 DumDum // 10/June/2008 às 12:13

    “os limites terrtoriais africanos foram criados justamente para acabar com esses genocidios, que são uma tradição milenar entre aquelas tribos.”

    A primeira teoria da conspiração “ao contrário” que eu já vi. Obviamente, como no caso das teorias da conspiração, foi criada por alguém que não entende do assunto e não tem qualquer idéia do que está acontecendo.

  • 107 Mr X // 10/June/2008 às 12:13

    “Injustiça social” é A exigir parte da grana de B, porque B ganha mais, e isso é “injusto”.

  • 108 Mr X // 10/June/2008 às 12:17

    O Chesterton tá certo: muitos conflitos tribais na África (entre tutsis e hutus por exemplo) são anteriores ao colonialismo. O colonialismo europeu pode não ter ajudado em nada, mas tampouco é tudo culpa deles.

    O fato é, a África e o mundo árabe não estavam e ainda não estão preparados para o conceito de “Estado-Nação”, ainda orientam-se basicamente por sistemas de tribos e clãs. Por isso há tantas ditaduras: o poder é visto meramente como um meio para ajudar a sua tribo, não o país como um todo.

    Tem um texto do Theodore Dalrymple sobre isso que já linkei aqui que é muito bom. Procurem no Google, se chama “After Empire” ou algo asim. Ah, achei:
    http://www.city-journal.org/html/13_2_oh_to_be.html

    Confetti, boba, vai lá ver o Bicho às terças! :-P

  • 109 Nassau // 10/June/2008 às 14:15

    PD,

    Talvez você me considere um chato de galocha entre outras coisas por me dirigir a você apenas para discordar ou provocá-lo. Na verdade concordo muito com muito de seus artigos, mas seria chover no molhado e redundante a minha opinião. Este é um exemplo de post que eu me alinho contigo.

    Ademais podem escrever milhões de artigos, estudos acadêmicos podem fazer milhões de filmes, debates exaustivos com especialistas no assunto, mas eu na minha limitada, talvez alienada e simplória compreensão não consiga entender expressões de crueldade tão dantescas como assassinatos, esquartejamentos e estupros em massa de mulheres, velhos, crianças e porque excluir homens jovens e adultos?

    Já assisti a muitos filmes, reportagens, já li livros, artigos, estudos e debates sobre o holocausto, no entanto, continuo não compreendendo como oficiais cultos, ilustrados, pais de família, comandavam e assistiam a fila de mulheres, velhos e até crianças às câmaras de gás. Talvez eu deva estudar mais, ser um profundo especialista no assunto para começar a entender e explicar estes fenômenos sociais, econômicos e políticos.

    Chega a um ponto em que a crueldade humana extrapola quaisquer explicações, em que a geopolítica, a história, as ciências sociais não são suficientes para me fazerem entender tantos horrores e barbárie, chega a um ponto em que o Mal se agiganta e se torna tão malévolo que parece ganhar identidade própria.

    Abraços.

  • 110 Darwinista, o homem da Lei // 10/June/2008 às 14:58

    Chega a um ponto em que a crueldade humana extrapola quaisquer explicações, em que a geopolítica, a história, as ciências sociais não são suficientes para me fazerem entender tantos horrores e barbárie

    Nassau, experimente a biologia. Ela tem boas respostas para isso.

  • 111 Ricardo Cabral // 10/June/2008 às 17:32

    E para piorar, um avião pega fogo no Sudão, 180 passageiros à bordo…

  • 112 Nassau // 10/June/2008 às 19:12

    Darwinista, então o darwinismo social, a eugenia e a sociobiologia explicam, hum… Beleza.

    E eu aqui me escandalizando e me horrorizando com essas coisas tão naturais e com conceitos já tão plenamente explicados e estabelecidos pela biologia.
    abs.

  • 113 Clara // 10/June/2008 às 19:17

    “silence, on tue”

    Confetti, achei essa frase minimalista uma pérola da verdade trágica da humanidade. Perfeita!

    Obrigada.

  • 114 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 10/June/2008 às 19:22

    Meu filho de 12 anos fez um trabalho de escola católica (politicamente correta, que bosta) sobre Maomé. Coisa simples, uns slides que imprimiram.
    Duas coisas tive que contar a ele:.
    1. Maomé não uniu as tribos árabes de modo inocente, mas sim as atacou as tribos e matou os chefes que não admitiam ficarem subjugados ao carniceiro. Logo institui pesadas taxas.
    2. A expansão rápida não foi um passeio no deserto, mas uma campanha militar de conquista e, de novo, foi um lider militar mais que um lider religioso. Islamismo sempre foi religião do fio da espada…quero ver o que a professora vai dizer.

  • 115 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 10/June/2008 às 19:42

    Podem os pais educar seus filhos em casa?

    http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12434

  • 116 Nassau // 11/June/2008 às 11:42

    Chesterton sou totalmente favorável a quem queira fazê-lo. No entanto deveria ser obrigatório que as secretarias de educação municipais disponibilizassem provas de certificação, ou que escolas particulares, mediante critérios estipuladas por elas, com pagamentos de taxas ou não também pudessem disponibilizassem a certificação inclusive de autodidatas.
    abs.

  • 117 Nassau // 11/June/2008 às 12:02

    Para admissão em alguma empresa, também poderia ser facultado que o candidato não precisasse apresentar diploma, desde que demonstrasse conhecimento para a função pelos critérios estabelecidos pela empresa como teste de admissão, entrevistas, ou concurso.

  • 118 Chesterton // 11/June/2008 às 16:33

    Mas tudo que eles quererm é autorização para fazer os exames sem ter comparecido a escolas….

  • 119 PLETZ.com » Sudão - por Pedro Dória // 12/June/2008 às 1:36

    [...] De 2003 para cá, a etnia que domina o governo sudanês matou por volta de 300.000 pessoas de um outro grupo. Uns 2,5 milhões deixaram suas casas em direção a campos de refugiados. Leia mais… [...]

  • 120 confetti e a ilusao* // 12/June/2008 às 5:16

    nassau, je t’aime ! ))

  • 121 Nassau // 12/June/2008 às 13:24

    É isso aí Chesterton nada mais justo.

    Confetti você é um doce,
    Beijos.

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