O que faz uma cidade, o que é privado
e notícias sobre a morte do socialismo
Uma das melhores leituras dominicais que existem na imprensa do mundo é a entrevista curta e certeira, seca, sempre muito bem editada por Deborah Solomon na revista do New York Times.
Ontem, o personagem de Solomon foi Enrique Peñalosa, o ex-prefeito que reinventou Bogotá.
Qual a primeira coisa que você diz para prefeitos fazerem? Nos países em desenvolvimento, a maioria das pessoas não têm carros. Então digo: quando você faz uma boa calçada, está construindo democracia. Calçadas são símbolos de igualdade.
Calçadas não me parecem prioridades nos países em desenvolvimento. São a última coisa que fazem. A prioridade é fazer estradas e avenidas. Fazemos cidades para carros, carros, carros, carros. Não para pessoas. Carros foram inventados muito recentemente. O século 20 fez um desvio horrível na evolução qualitativa do habitat humano. Construímos, hoje, pensando mais na mobilidade de carros do que na felicidade das crianças.
Mesmo em países nos quais a maioria não tem como comprar carros? As pessoas de maior renda nos países em desenvolvimento nunca andam. Elas vêem a cidade como um espaço ameaçador. Passam meses sem andar uma única quadra.
Isso também não é verdade para os EUA? Não em Manhattan, mas há muitos subúrbios em que não há calçadas, o que é sinal de falta de respeito para com a dignidade humana. As pessoas sequer questionam isso. É como a França pré-revolucionária. As pessoas achavam que a sociedade estava normal, assim como as pessoas acham normal, hoje, que o acesso à praia em Long Island seja particular.
Você está comparando pessoas com casa com vista para o mar em Long Island com aristocratas franceses corruptos? Se a democracia prevalecer, o bem comum deve vencer interesses privados. A pergunta é: a maioria das pessoas seria beneficiada com acesso à praia em Long Island? Todas as crianças deveriam ter acesso à praia sem precisar freqüentar um country club. [...]
Onde você estudou? Duke University. Me formei em economia e história.
Você devia ser o único socialista em Duke. Acabei percebendo que o socialismo era um fracasso como sistema econômico. Mas a igualdade não morreu. O socialismo morreu. Mas o desejo de igualdade não está morto.
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o socialismo morreu, viva o socialismo !
pd, eu estava lendo “bagdad” em vez de “bogota”….
na terceira leitura me toquei de que algo estava errado….kkk
bem, vou reler….))
Ótima entrevista, valeu pelo link.
A base do socialismo como modo de vida, como modo de encarar a sociedade é toda dos ensinamentos de Jesus…….ele era o socialista…..
Acho que o ex-prefeito está ligeiramente equivocado. Não são de calçadas que precisamos. Já temos bastantes! Precisamos é de transporte público decente. Com frequência, regularidade, modicidade e capilaridade. Ou será que o ex-prefeito acha que as pessoas vão andando de casa para o trabalho?
igualdade de que?
mas gosto de calçadas e passeios largos….
voces vão odiar este site
http://bdadolfo.blogspot.com/
Acho que as calçadas não são a solução mas, que elas humanizam mais as cidades lá isso humanizam…
PD, entra semana e sai semana e eu aqui bloqueada nso acessos aos coments kkk
Que coisinha bonita!
Desigualdade não é algo que se suprime pela arquitetura e urbanismo. Vide Brasília, por exemplo, pensada para supostamente aproximar e congregar mas que, na realidade , é um dos espaços “urbanos” mais elitistas e desiguais do globo.
Esse senhor peñalosa é mais um lacaio das elites, preocupado em criar cosméticos urbanísticos para obnubilar a opressão econômica.
Explorados nas calçadas e teleféricos e exploradores nas 4×4 com ar-condicionado.
Oprimidos nas favelas “urbanizadas” e opressores nas mansões e restaurantes 5 estrelas.
Interessante como esses tipos costumam utilizar a expressão “o bem comum deve vencer interesses privados”. Devem aprender discursos na mesma cartilha.
“O socialismo morreu. Mas o desejo de igualdade não está morto.” Até o joguinho barato de palavras é repetido, à exaustão.
Esse senhor deve estar preocupado em fazer com que os excluídos cheguem às praias, certamente para que fiquem a ver navios.
“O socialismo morreu. Mas o desejo de igualdade não está morto.” É a velha utopia humana. Não custa sonhar…mas tenho duvida da realização dessa utopia. Um cara, por pensar assim, há 2008 anos foi torturado e crucificado e outros que se atreverem serão…
Desculpe mas o senhor Enrique se nega a ver a realidade…o homem é o que é…seus antecedentes criminais (genocidios, holocaustos, destruição fauna e flora, etc) demonstram o que ele é. Mas a mãe terra já está tratando de extirpar o mal (ser humano) que a consome, assim como fez há milhões de anos com os dinossauros… completando o ciclo da vida, outras espécies nascerão, para o bem ou para o mal e assim sucessivamente….
Mila….2008 anos e ele continua ensinando…….que da igualdade podemos partir pra diferentes caminhos……sempre com a iguasldade de oportunidades e direitos…..e dons diferentes……..e vamos chegar lá aonde ele preconizou…..Pensando como voce!
Equivocado? Lacaio? Transporte público? Pesquisem mais sobre o trabalho do cara. Ele gastou o que podia e o que não podia em melhoramentos no transporte, aumento da eficácia na supressão ao abuso por parte dos motoristas (guinchando carros da calçada, por exemplo), construção e melhoramentos nas calçadas e, principalmente, muitas ciclovias e ciclofaixas. A idéia? Devolver a cidade para as pessoas.
O preço que pagou por isso foi quase ser derrubado por impeachment. Tudo mudou quando os resultados começaram a ficar visíveis.
A lição que fica é que medidas a favor do povo são populares. Abrir ruas, pontes e viadutos, isso sim dá voto - mesmo que 70% da população não tenha carro. Nossos políticos sabem disso, e é pensando nisso que fazem suas obrinhas ridículas (vide estilingão em SP).
Claro que não se suprime a desigualdade pelo urbanismo. No entanto, o urbanismo é premissa básica para que isso ocorra. Afinal, como você pode querer construir uma cidade para TODOS se 30% das pessoas (que possuem carros) têm a disposição 70% do espaço público?
Ralhem o quanto quiserem, o fato é que a gestão Peñalosa foi um sucesso e é um modelo a ser copiado pelos nossos gestores. Mas eles não estão e nunca estarão dispostos a pagar o preço. Está pra nascer político brasileiro com a coragem do sr Peñalosa. Nossas cidades continuarão pertencendo aos carros. Continuaremos vendo pedestres fugindo assustados (em vez de dignamente atravessarem a rua), ciclistas arriscando a vida diariamente, engarrafamentos monstruosos, etc etc…
*correção:
A lição que fica é que medidas a favor do povo são IMpopulares.
nada será como antes, vc está errado. Devolver o espaço urbano ao povo, fazer com que ele funcione para todos e não apenas a elite, é mais difícil (porque a elite rejeita) e tem maior impacto sobre o dia-a-dia do cidadão do que 90% dos itens numa típica cartilha da direita.
E, bem… não entendi sua comparação com Brasília. Ela foi construída para ‘agregar’ só no discurso do Lúcio Costa e do Niemeyer. É uma cidade de ditaduras. Foge à escala humana com grandes avenidas de forma a dificultar passeatas de impacto e facilitar a chegada da repressão. Além do quê, é a cidade do Eixão e dos eixinhos, mal dá para ir de um ministério ao outro a pé.
É justamente aquilo que o Peñalosa é contra. Cidade construída para automóvel, não para gente.
HRP, ELE ter existido e sua PALAVRA permanecer tão forte em nossas mentes e corações é a prova de que, talvez, continue a valer a pena sonhar com a igualdade….até porque o mundo não é dos covardes…e a morte fisica não é o fim, mas o começo de TUDO…
As cidades satelites(periferia) humanizaram Brasilia.
O que o Sr. Peñalosa fez em Bogotá é um tapa na cara dos administradores públicos do terceiro mundo.
Bogotá é uma cidade de 6,5 milhões habitantes, com os típicos problemas de uma grande cidade do terceiro mundo, que em menos de 5 anos conseguiu mudar completamente seu perfil de tráfego.
Foi implementado um sistema de ônibus circulando em canaletas, com pagamento antecipado de tarifas e embarque em estações elevadas (semelhante ao de Curitiba), foram construídas dezenas de praças, jardins e parques públicos (um deles com 44 quilômetros de extensão!), assim como calçadas e o plantio milhares de árvores. Foi criada uma rede com mais de 300 km de ciclovias interligando toda a cidade, ruas foram fechadas para carros ou tiveram sua largura reduzida e o estacionamento em calçadas foi fortemente reprimido. Com isso a qualidade do ar melhorou substancialmente, o tempo de deslocamento diminuiu, a cidade tornou-se mais humana, houve redução de problemas de saúde e de acidentes de trânsito.
Mas para isso é preciso coragem de ferir interesses de grandes grupos econômicos que ganham com o atual estado das cidades. Mas aos que ousam desafiar as idéias prontas, os frutos podem ser muito doces. O prefeito que deu início à transformação de Bogotá, Enrique Peñalosa teve que lutar muito para pôr em prática estas mudanças, mas em poucos anos os resultados saltaram aos olhos da população e o Sr. Enrique terminou o mandato com altos índices de aprovação. O mesmo aconteceu os prefeitos das cidades européias que seguiram caminhos semelhantes.
Pedro Doria,
Meu comentário quer dizer exatamente o que está escrito.
Dei o exemplo de Crasília porque é , certamente, a mais expressiva combinação de arquitetura e urbanismo com discurso . “Mutatis mutandis”, a intenção do senhor peñalosa é a mesma.
O “povo” não precisa de “devolução” do espaço urbano. Precisa ser agregado ao espaço econômico que, uma vez alcançado, abrirá o resto.
Entendo sua posição, que reconhece um certo avanço na gestão municipal. Não há dúvida de que se trata de um alento, mas a questão principal. insisto, não é administrativa ou urabanística, mas política e econômica.
O poder das elites, como se sabe, está intacto e sua (delas) tolerância com cosméticas administrativas tem limites bem claros, como mencionado por Gunnar, no comentário # 14.
O motivo ? O poder intacto nas mãos opressoras.
Se o senhor peñalosa é tão corajoso e competente, por que não se dirigiu à raiz dos problemas ?
Crasília = Brasília
Nasca, não resta a menor duvida que antes de qualquer coisa devemos lutar pela igualdade econômica. A vergonhosa desigualdade social produto da concetração de renda(só alguns ficam com o bolo todo)é a mãe de todos os males.
No Brasil, de cada 2 reais ganhos, o pobre paga 1 de imposto. O rico, de cada 3, paga 1 de imposto, além de sonegar bilhões.
mila,
Exatamente. Suas intervenções, sempre certeiras.
E não leve a mal a idiossincrasia de meu comentário lá no open. A intenção é construtiva.)))))
Tive a oportunidade de estar em Bogota antes da administracao Penalosa Lordono e depois, e a diferenca e’ incrivel ! Quem dera que nossos prefeitos tivesse um decimo da competencia dele.
nasca, apesar de considerar fundamental aquilo que vc destaca — e entender o teu enfado com os comentários do Peñalosa sobre o socialismo, p.ex. —, o que o Gunnar apontou é certo, especialmente por aquilo que vc parece ter preferido não ler:
“Claro que não se suprime a desigualdade pelo urbanismo. No entanto, o urbanismo é premissa básica para que isso ocorra.” (Gunnar #14) (grifo meu)
A gestão do sujeito em Bogotá foi na contramão de tudo o que vem sendo feito nas grandes cidades desde a criação do automóvel com motores a explosão. Ele não agiu na base da remoção de favelas a la Carlos Lacerda, por exemplo — lembrando de um texto da atriz Fernanda Torres que alguém andou lincando por aqui, onde fala de uma “solução” que apenas mudou o problema de lugar —, mas de uma série de medidas para tornar o cotidiano da cidade menos opressivo, mais humano. Ele foi bem mais socialista do que vc quis acreditar, ainda por cima num país cujo governo federal vc é um dos que mais critica por aqui — com propriedade, diga-se de passagem.
Aliás, calçadas, sim, por onde se caminha na velocidade em que as pessoas podem ver-se, eventualmente cumprimentar-se, e onde ainda hoje alguns põem as suas cadeiras no fim da tarde para ver as pessoas passarem e interagir com elas, algo que ainda ocorre no subúrbio do Rio, só para falar da cidade em que vivo.
Ah, e a tendência ao surgimento de Cidades-Estado em vários cantos do mundo — um processo impossível de reverter, pois não se trata remover 30 casebres — sugere que ações urbanísticas complexas tornem-se o mote principal da gestão dessas mesmas cidades. Lidar com água, lixo, transporte, habitação é questão “para hoje”, ainda que com o olhar imperiosamente voltado para o amanhã, independente da conotação ideológica.
Claro que calçadas são fundamentais. E, no Brasil, são um excelente símbolo do nosso hábito “se é público, não é de ninguém.”
A grande maioria, ricos ou pobres, vê a calçada em frente à sua casa como sua propriedade e pensa ter o direito exclusivo de uso.
Urbanismo (sem jeitinhos para os ricos e sem paternalismos para os pobres) é uma excelente lição de cidadania. Ensina a conviver, e relembra aquela velha máxima “o direito de cada um vai até onde começa o direito do próximo”
Dou razao ao ex-prefeito, ao Gunnnar no 14 e ao Arnoud no 19. Eloquente!
Temos que começar em algum lugar. Com seriedade, trabalho e menos conversa fiada. Foi o que o ex-prefeito fez. Tenho duas amigas que passaram um tempinho na Colômbia. Uma ficou 6 meses e adorou a cidade, o povo e a comida. O outra ficou 10 dias em Bogotá e 15 dias viajando pelo país. Ela adorou a amou a cidade e os colombianos, que ela julga serem os mais simpáticos e amáveis dentre os povos latino-americanos (ela percorreu quase toda a América Latina de Land Rover, parando na Venezuela).
NSCA: O cara foi prefeito, e nao governador e presidente. Trabalhou duro para melhorar a cidade que dirigia para o bem de seus habitantes. Dirigir-se “à raiz dos problemas” exige políticas nacionais corajosas, vindas do tôpo da classe política: presidente, senadores, governadores, deputados federais. O resto segue. O ex-prefeito fez o que pôde num país pobre, violento e disfuncional, e muito bem. De você, o que sugere? Explodir as elites? Boa sorte! As FARC tentaram e fracassaram.
O maior urbanista de todos os tempos foi o barao Georges Eugène Haussmann quem, a mando de do rei Felipe III, sobrinho de Bonaparte, transformou Paris, de uma cloaca medieval a céu aberto na cidade mais linda e bem urbanizada do mundo. Pegou a tarefa em 1852 e em 5 anos liderou obras fenomenais para a época, num feito de engenharia civil sem paralelo até hoje em qualquer outra grande cidade do mundo. Devolveu Paris aos seus habitantes, criando uma melhor qualidade de vida para TODOS seus habitantes, graças a Haussmann, um humanista e artista na alma. Apesar de aristocrata. Nao explodiu ninguém; apenas trabalhou, inventou e ajudou a criar obras belíssimas. Paris é hoje uma cidade humana, maravilhosa, preservada com carinho, um monumento ao humanismo. Os grandes arranha-céus sufocantes ficam longe do centro, na Défense.
Devolvendo ao povo o espaço urbano, Haussmann ajudou-o a integrar o espaço econômico. Plantou a sementes, começou de algum lugar. Nao explodiu, construiu. Para todos, elites e povo. Tenho certeza que o ex-prefeito colombiano se inspirou em Haussmann. Quanto a Brasília, aquela coisa horrenda, só posso dizer que considero toda a obra do Oscar Niemeyer uma imensa porcaria, disfuncional e anti-humana. Nada que o cara faz presta pra morar. É só forma, mais nada. O arquiteto mais genial que já existiu foi o catalao Antonio Gaudí; Niemeyer nao chega aos pés do cara.
E vale dizer tambem que ele fez tudo isso durante a mais forte recessao que houve na Colombia….
Marujo Caramujo, nem sempre concordo com voce, mas desta vez assino embaixo de seu comentario #29 (exceto com relacao a Gaudi - muito rebuscado para meu gosto… )
Não entendi lhufas… São uns comparativos sem sentido, um amigo há muito tempo, quando da revolução na Nicarágua, me explicou que em Manágua no governo Somoza ninguém morria atropelado na calçada, perguntei, porque? Ele explicou, simplesmente não haviam calçadas… Deve ser esse tipo de situação que estão se referindo. Agora é meio ridículo comparar com São Paulo, por exemplo, em que grande parte da população tem automóvel, a cidade tem uma topografia acidentada, tamanho gigantesco e principalmente a característica de os trabalhadores menos favorecidos morarem na periferia, afastados do trabalho. Existem bastante operários que vão até as estações de trens urbanos, deixando as respectivas bicicletas na estação em local apropriado, mas se trata de uma parcela e tem até que “poder” chegar suado e fedido no trabalho… O problema principal de São Paulo é transporte coletivo, isso é METRÔ, de qualidade e em quantidade, algo que convença a classe média a abandonar o habito do transporte individual. Mas levando em consideração que o atual governo do PSDB anda as voltas com a ALSTON em um escândalo de corrupção que a mídia finge que não existe, não deixam criar uma CPI na assembléia legislativa, então essa solução vai ser demorada.
De mais a mais, humanizar para mim tratando-se de São Paulo, vai muito mais pela questão de urbanização de favelas, 100% de serviço de águas e tratamento de esgotos, áreas verdes e de lazer junto a população local.
O Gunnar realmente mandou muito bem.
Pessoalmente acho Brasília muito bonita, é muito bom poder ver o horizonte e ter ruas largas e bem arborizadas. Assistir show em noites claras ou fim de tarde na Esplanada é fantástico. E o espaço de convívio é descentralizado por diversas superquadras.
Mas é uma cidade de cabeça ombro e rodas, com transporte público bizonho, impessoal e planejada para pouca gente.
Creio que caiu em um problema básico de não pensar no direito de ir e vir das pessoas. Coisa de burocrata de dizer para onde as pessoas devem ir e como devem viver. Planejou-se a cidade para tantas pessoas, que deviam se deslocar de ponto A para ponto B fazer suas compras em C e trabalhar em D.
O problema é que as pessoas tem o hábito chato e irem para onde desejarem (no caso aos milhões). Aí o projeto do Niemeyer começou a fazer àgua e ele olha com enfado para os humanos chatos que estragam suas esculturas.
Ricardo Cabral,
Li, com atenção, o comentário de Gunnar e, por isso mencionei-o na réplica a Pedro Doria.
Mas, convenhamos, se a supressão das desigualdades tem como “premissa básica” o urbanismo, estamos perdidos e os conservadores encontraram a barreira política para as mudanças. Tolher a urbanização, então, mantêm a desigualdade? Esse raciocínio é, no mínimo, esquisito.
Sobre as calçadas. No meu blog, há algumas semanas, tratei das calçadas de Copacabana e daquele “urbanismo”, que considero pobre e preguiçoso, além de desrespeitoso. Mas não acho que são (os problemas urbanísticos de Copa) os “básicos” impeditivos de supressão das desigualdades.
Desigualdades sociais são política e economicamente estabelecidas e, quando suprimidas, abrem espaço para uma avalanche de mudanças, inclusive as urbanísticas, com outras prioridades e conceitos.
Considero deplorável o conceito urbanístico brasiliense e lamentável o de Copacabana, para repisar os exemplos. Mas nenhum câmbio nesses sítios propiciará a supressão das desigualdades.
Talvez possa haver um denominador comum neste diálogo. Ele passa pela definição do verbo “suprimir” que, no meu caso, é entendido na versão estrita.
Adorei, muito bom, principalmente o final
”
O socialismo morreu. Mas o desejo de igualdade não está morto.
“
Caramujo (29),
A respeito do urbanismo de Paris, concordo com você . Para mim, é o exemplo mais acabado de circulação, proporção e combinação urbanística em todo o mundo. A pé, no metrô ou de carro, a cidade é fascinante e agradável. Mas não acredito que suas linhas tenham suprimido as desigualdades, conforme mostram as recentes e resistente manisfestações de banlieu.
Quanto à sua posição de que a raiz dos problemas está a cargo de “presidente, senadores, deputados”, essa é uma visão institucional, com a qual não concordo. Suprimir desigualdades, especialmente em países como Colômbia e Brasil, por exemplo, é tarefa extra-institucional.
Para maior clareza, vide o último parágrafo de meu comentário # 34.
Esse assunto da igualdade é apaixonante….e desperta sonhos…..ter sonhos depois dos 5o é cada vez mais raro……que tenhamos muitos sonhos vendo essa no geração batalhar pela igualdade….os brarsileiros despertaram para a igualdade que premia os dons e as virtudes…..
Chega de Consenso de Washington, Bresser Pereira, Alstom, de Privatização Caracu, aonde eles ficam com a grana e o povo toma no……, chega de combate a inflação e salário arrochado(né Lula?), chega de “sabe com quem está falando?” E viva a luz em todos os lares, a agua encanada e e esgoto tratado!
Professor ganhando salario decente, medico do SUS tendo estimulo pra trabalhar, e chega de arrocho de aposentado!
A igualdade é isso!
Não só uma bela calçada e praças verdejantes e onibus limpos e na hora certa…..é muuuuuuuuuiitoo! MAIS!
não é que a elite rejeite a cidade, onde há segurnaça e limpeza, a elite sai pelas ruas. O problema é que o povo faveliza as cidades, e as elites não tem poder politico para impedir (Lacerda foi o último elitista com poder politico). Se deixar para o povão, a falta de educação imperará. A elite peca em não forçar a educação popular.
O que eu quero é calçadas rolantes e segurança, eu que já ando a pé por aí, vendo meu carro velho.
Se igualdade fosse bom, todo jogo de futebol terminava em 1×1. Alias, em 0 x 0, para não magoar politicamente os goleiros.
e digo mais, a igualdade, é nociva, visto que não somos formigas nem abelhas. A diferença é essencial para que os ser humano tenha um mínimo de ambição para tentar progredir na vida. A pasmaceira da igualdade foi experimentada pelos europeus que se encontravam sob o jugo soviético, e ninguem a quer mais….
Nada, ainda não li o teu texto sobre Copacabana. E creio que vc está fazendo uma leitura muito dura do texto. Urbanismo como premissa básica não significa desprovido de fundamentação política. Ao mesmo tempo, a busca de justiça social e do combate à desumanização das cidades sem planejamento urbano adequado, é gerenciar a la Brizola, que só deixou (poucas) saudades quando comparado à quantidade de bombas que governaram o estado do Rio…
Pessoalmente, duvido que qualquer um que more em Copacabana não a considere complicada em muitos aspectos. Porém, pode-se viver nela sem ter carro, o que já é uma grande vantagem! Além disso, o bairro é bastante pitoresco em outros aspectos — e não faço referência ao ponto onde batalha o companheiro Josef Mario, digo, as “amigas” dele, que fique claro! —, com ilhas de bem-viver, como é o caso do Bairro Peixoto, o mini-bairro com praça, prédios baixos e umas poucas casas no coração de Copa (e de onde teclo), além de algumas travessas como a Santa Leocádia etc. Vale falar tb da democrática (ainda que poluída) praia, e da própria Avenida Atlântica aos domingos, quando uma de suas pistas é fechada (o que ocorre tb em Ipanema, no Leblon e no Aterro do Flamengo) e o carioca (não só da da Zona Sul) passeia a pé e de bicicleta, e muito! Claro que preferiria menos pedras portuguesas nas calçadas, por mais que ache bonita a composição, e gostaria de ter visto o bairro antes de ter virado esse paredão de prédios colados uns aos outros, com uma população tão grande que dizem que se todos dessem descarga ao mesmo tempo o bairro explodiria de tanta merda… Enfim, quando tirarem a estúpida quantidade de ônibus que circula nas horas de pico — e que deveria atender áreas que realmente precisam deles — e o metrô chegar à Barra da Tijuca, a vida por aqui ficará bem melhor.
O Rio de Janeiro possui inumeras pistas de pedestres, desde a orla, no parque da Tijuca, na Lagoa, no Jardim Botanico, e a elite junto ao povo aproveita ao máximo, contradizendo esse papo de que a elite rejeite o espaço urbano para o povo.
well….acredito que o principal problema das nossas cidades seja a ocupação irregular do espaço “público”. Aqui impera a máxima “se é público, também é meu” e tome invasão de calçada por camelô , invasão de áreas de preservação por quadrilhas amparadas por vereadores e loteamento irregular por especuladores imobiliários.
Manter isso no campo ideológico “rico x pobre” é uma maneira de tapar a visão do problema. Ainda mais quando sabemos que as demandas dos “pobres” sempre são intermediadas pelos “ricos”….ora, senhores, não me façam rir….
m.a. # 29, com certeza paris é uma cidade de arquitetura pensada e “sobria”, viva haussmann, aquele que dracula pensa que eu nao conheço ! ))….é proibido construir imoveis de mais de 3 andares em alguns bairros e como vc disse, a “city” fica em la défense ! so que por razoes de imigraçao massiva, grandes torres de habitaçao começam a aparecer em bairros da periferia….as primeiras datam dos boats people de 1979,aqueles que bernard kouchner salvou…foram contruidas no 13ème, ao sul da cidade, iniciando a chinatown parisiense…
nao sei se vc sabe mas sarkozy lançou um projeto chamado de “grand paris”, programa ambiciosissimo com a participaçao dos melhores arquitetos franceses e estrangeiros, que visa o alargamento da cidade até a grande banlieue…
é o projeto de arquitetura mais pesado depois de haussmann….
Houve o assassinato de um paciente que estava em uma UTI de um hospital de periferia de São Paulo justamente por ter levado 6 tiros. Comentário do representante da associação profissional dos médicos: - É exatamente por essa violência que somos vitimas constante, aliado a salários aviltantes é que existe a falta de médicos em hospitais e ambulatórios na periferia… Quem escuta pensa… Nada mais justo… Detalhe, em um ano de funcionamento é a primeira vez que ocorre um crime desse tipo contra paciente neste hospital, até então não houve registro de violência contra médicos. Não há seleção por concurso por falta de interessados, qualquer um que tiver CRM em dia pode trabalhar nas periferias. Coisas de uma elite que após se formar, em uma universidade publica, não quer servir a uma população que pagou seus estudos. Querem trabalhar perto de casa nos bairros chiques, mais que o conhecimento cientifico, gostam do status da profissão. É desta elite que você está falando chest? São esses que não rejeitam a cidade?
Ricardo Cabral,
O texto que mencionei, na bagunça do meu blog desindexado, é “Rio de Janeiro : o que é maravilhoso, afinal ?”, datado de 05/04/08.
Nele, para começar a série inacabada sobre o Rio, onde morei (em Copacabana, na Rua Bolívar, em antecipada referência ao bolivariano), faço considerações a respeito do urabanismo local, que considero injusto com pedestres, moradores e com a fama do bairro.
Conheço o bairro Peixoto, que também considero uma “ilha” de habitabilidade.
Mas a questão aqui discutida é suprimir desigualdades, que considero muito mais importante do que eventuais mudanças e maquiagens urbanísticas.
Habitação, circulação, bem-estar urbano, sociabilidade, transporte de qualidade e rapidez são critérios essenciais e norteadores de planejamento . Mas, por sí, não suprimem desigualdades, que são estruturais e de outra ordem.
“Fazemos cidades para carros, carros, carros, carros. Não para pessoas. ” = Barra da Tijuca.
É um dos piores lugares do Rio para os pedestres.
Dino, vai você estudar medicina e trabalhar nas periferias.
nsca, você está teimando onde não creio que deva:
“Habitação, circulação, bem-estar urbano, sociabilidade, transporte de qualidade e rapidez são critérios essenciais e norteadores de planejamento . Mas, por sí, não suprimem desigualdades, que são estruturais e de outra ordem.” (nsca #46) (grifo meu)
Quem está dizendo “por si”? Faço algumas alterações no teu no texto pondo algumas partes em negrito e outras entre colchetes, e verá o que digo:
Tentar suprimir desigualdades “(…) que são estruturais e de outra ordem” sem “(…) habitação, circulação, bem-estar urbano, sociabilidade, transporte de qualidade e rapidez [que] são critérios essenciais e norteadores de planejamento” não funciona, quando falamos da vida em meio urbano.
Eu repito: ralhem o quanto quiserem, a gestão Peñalosa foi um sucesso.
Se ele não instituiu a revolução comunista, como alguns aqui desejam (não eu), pelo menos teve peito para ir contra interesses privados e contra o senso-comum e, PASME, resolveu o problema da mobilidade urbana. Não tem como contestar, é só analisar os dados.
Lula, por outro lado, quer dar um carro para cada brasileiro….
No mais, discordo de quem diz que o povo deve ter “acesso econômico”. Isso já tem! Parem de chorar, comunas preguiçosos. Para quem está disposto a estudar e trabalhar, o céu é o limite.
E concordo com o Chest: se deixar o “povão” dominar, tudo fica ainda muito pior do que com a elite (que, bem ou mal, tem uma certa cultura) por cima.
Além do que, vale lembrar: gestões como a de Peñalosa (e outros análogos, na Europa) foram a princípio muito IMpopulares, apesar de melhorarem, no final das contas, a vida de todo mundo (inclusive das elites). Taí um belo exemplo da imensa “sabedoria” popular.
ah sim, já ia me esquecendo…
Quando o povão tiver acesso ao poder econômico, isso significa que cada um vai poder comprar um carro, né? Aí sim vai ficar bom, né?
Eu tento imaginar como isso será possível, mas a matemática não deixa… se com 30% das pessoas possuíndo carro já precisamos de 70% da cidade (e a custa de enormes engarrafamentos, vale lembrar), como fica quando 100% tiver um? Será o paraíso na Terra, certo? Dobraremos o tamanho da cidade para acomodar todos os carros? Ou o que os comunas de plantão sugerem para o problema da mobilidade?
Acordem. Peñalosa tinha um problema, uma proposta e, no final, uma solução (que deu certo).
o que o proleta Dino não quer entender é que ninguem que estuda 8 anos para ser médico não vai se contentar em ser proleta depois disso. Se é para ser proleta, para que estudar tanto?
Ricardo Cabral (49),
Não estou teimando, mas fazendo afirmações.
Para recapitular, o debate começo com a idéia de que desigualdades são suprimidas com reformas urbanísticas ou algo semelhante.
Minha posição é a de que tais reformas são cosméticos, que não resolvem a desigualdade social, que é de teor estrutural sócio-político.
No # 46, reafirmei essa posição e mencionei, no último parágrafo, habitação, circulação, bem-estar urbano, etc, que são dados correlatos ao urbanismo ou, pelo menos, derivados.
Não nego a importância desses fatores urbanos, mas não os considero premissa para suprimir desigualdades.
Só para colocar um tempero, mas não para abrir outro flanco polêmico, se a questão urbanística fosse premissa para suprimir desigualdades sociais, qual seria a premissa equivalente no ambiente rural, não-urbano ? Lanço esse dado “provocador” para que você possa checar as afirmações que fiz e reitero.
A demora desta tréplica se deve à pausa alimentar que fui obrigado a fazer. É sempre um prazer discutir com você, que é culto e tem boas maneiras.
__________________________
Gunnar (50 e 51),
Se você acha que basta estudar e trabalhar para que o céu seja o limite e se considera que suprimir desigualdades significa ter acesso a automóvel lamento, mas você tem noção bem remota dessas questões.
Quer dizer que milhões de trabalhadores e estudiosos são estúpidos e não acham o caminho “celestial” ?
E que todas as lutas sociais se resumem a devaneios consumistas ?
Nesse caso, parabéns a você e ao alcaide peñalosa.
Você precisa estudar alguns conceitos como “ironia”.
Eu não acho que igualdade seja o acesso ao automóvel, muito pelo contrário.
E quando eu falo de igualdade, não me refiro a “ricos X pobres”, “proletário X elite”, “patrões X empregados” nem nada disso. Pra mim, conceitos ultrapassados que deveriam ter morrido com Marx.
Eu me refiro à igualdade na ocupação do espaço público e mobilidade urbana.
Veja o meu caso, por exemplo. Tenho renda suficiente para ter 2 carros na garagem. Mas em vez disso, tenho duas bicicletas, pois é mais rápido, mais prático, mais saudável e, principalmente, mais divertido. No entanto, não tem lugar na cidade para mim. Isso é desigualdade.
tem 2 tipos de lutas sociais em prol da igualdade,os devaneios consumistas e os devaneios genocidas.
Gunnar, isso não é desigualdade. Já que não há lugar para ciclista algum, há igualdade de más condições.
Gunnar (54),
Não preciso estudar o que vem a ser ironia, porque conheço literatura , textos e sua interpretação. Tenho mestrado na área e conheço, também, lingüística, estilo e semiótica.
Posso avalizar que seus comentários referidos não têm um traço, sequer, de ironia.
Como você deve ter notado, em nenhum momento se discutiu igualdade, neste post, no sentido de ocupação e mobilidade urbanas, mas no sentido social. O debate se originou pelas referências de seu prefeito-ídolo a respeito de socialismo e desejo de igualdade.
Ou você quer sugerir que o senhor peñalosa também foi irônico ?
Chesterton, você escreve como pobre. Deve ser pobre, comendo mortadela e arrotando foie gras.
Conheci Bogotá. A cidade está ótima, com uma excelente rede de transporte público. Comparada com São Paulo, onde vivo (ou tento viver), nos humilha. E é uma cidade imensa, ao contrário do que alguns comentaristas aí de cima parecem supor. Tem mais de cinco milhões de habitantes. Não é o gigantismo de São Paulo que impede soluções criativas para o caos da cidade, mas, sim, nossa mediocridade política e nosso desprezo social. Aqui, “elite” e “povo” estão unidos no projeto inconsciente, mas efetivo, de produzir um inferno perpétuo.
Chegou um elitista para me fazer companhia, que bom.
mas uma mortadela as vezes até que cai bem…mortadela com pao frances fresquinho….hummmmmm
NSCA: Creio que ninguém afirmou, salvo você, que desigualdades sociais podem ser “suprimidas” por meio de reformas ou transformaçoes urbanísticas. Ou que seriam “premissas” para suprimir desigualdades. O ex-prefeito nunca afirmou isto e mais ninguém por aqui, salvo você.
Desigualdades sociais nunca sao ou serao suprimidas da noite pro dia, é coisa de décadas e mesmo séculos. É um trabalho paulatino, como construir um edifício pedra por pedra.
A reforma urbana de cunho humanista é uma dessas pedras ou “building blocs” e, ao contrário do que você afirma, contribui para o bem-estar econômico do povo, AJUDANDO a minimisar as desigualdades sociais. Exemplo: A profunda reforma urbanística liderada por Haussmann em Paris levou à criaçao de centenas de milhares de emprêgos, durante a reforma e depois desta. Na maioria dos prédios de 6 andares (o máximo) construído durante a reforma, dans tous les arrondissements de Paris, o andar térreo era reservado à lojinhas, ateliers, cafés, restaurantes, bares, saloes de beleza, alfaiatarias, etc. Isso ajudou a criar emprêgos onde antes nao existia nenhum, estimulando a economia, a criatividade, o dinamismo dos cidadaos (entrepreneurship). Com emprêgo vem $$ e melhoria de vida e, mesmo que pouca para alguns, já é melhoria, bem melhor do que a miséria absoluta. O povo, Paris, a França, em geral, ficaram mais ricos como um todo. E assim, ao fio dos anos, as desigualdades sociais se amenuisaram. Nunca desapareceram ou desaparecem de vez, pois a luta para eliminá-las é infinda. Nunca existiu e nunca existirá uma sociedade genuinamente igualitária, nem nos sonhos mais delirantes dos utópicos. O homem é um animal que acumula, como a maioria dos animais e insetos do planeta. É automático, faz parte da sobrevivência da espécie, está escrito nos genes. O ideal seria suprimir a miséria e a pobreza da sociedade, estimular a educaçao gratuita e acessível e proporcionar oportunidades para todos, independentemente da raça, credo ou cor. Suprimir completamente as desigualdades nao é possível; alguns sempre terao mais que outros, seja por mérito pessoal ou por acumulaçao indébita (corrupçao, roubo).
O sistema político-econômico que eliminaria as desigualdades sociais ainda nao nasceu, e talvez nunca nascerá. Tentativas existiram ao longo da história, mas foram um fracasso. O capitalismo, tal como existiu e existe hoje, sem responsabilidade social, também será um fracasso a menos que evolua para se tornar mais humano.
Para você, as reformas urbanísticas (nao esqueça, urbanismo é ciência social) - que nao foram só construir calçadas - do ex-prefeito de Bogotá nao têm valor social algum, pois o mesmo é um “lacaio das elites”. Permita-me discordar.
Além da concordância com o Gunnar acrescento ela ao Caramujo.
Caramujo (61),
Você diz que , salvo eu, ninguém teria afirmado que desigualdades sociais poderiam ser “suprimidas” pelo urbanismo.
Sugiro que você preste maior atenção à leitura.
Gunnar disse no # 14 : …”Claro que não se suprime a desigualdade pelo urbanismo”…
E, a seguir, escreve :…”No entanto, é PREMISSA BÁSICA para que isso ocorra”…
(maiúsculas minhas, para ressaltar)
Jogo de palavras sugestivo, em que resta a afirmação peremptória acima destacada.
Bastaria esse trecho para esclarecer e desmentir sua (Caramujo) afirmação. Mas tem mais:
Ricardo Cabral (26) , endossa as palavras de Gunnar.
Microempresário (28), também: …..”calçadas são fundamentais”…
Renato (33) : “O Gunnar realmente mandou muito bem .”
Precisa mais alguma coisa e dizer algo mais sobre Paris. Lamento informar que o post é sobre o ex-prefeito de Bogotá e sobre a suposta morte do socialismo.
Da próxima vez, leia com atenção, antes de assacar afirmações desconexas e inverídicas.
Não vou argumentar mais porque é desnecessário e tenho compromissos não-urbanísticos a cumprir logo mais.
A idéia de democratizar o espaço público é boa, no entanto, concordo com o Nada, não é o urbanismo que gera inclusão sócio-econômica, mas o contrário. É preciso ter plena consciência dessa relação causa-efeito, sob pena de iverter as bolas.
Quanto a São Paulo, obviamente, a solução passa por investimentos sérios e pesados em transporte público. Não sei o que é pior, fica preso no trânsito ou pegar Mêtro lotado (pior, pegar ônibus ou as linhas de trem de subúrbio onde a porca realmente torce o rabo).
Infelizmente, durante o tucanato reinante, não dá pra esperar grandes coisas como frisou muito bem o Dino; Por aqui a goteira é a mesma, mas os baldes são novos e…superfaturados como sugere esse escândalo com a ALSTOM contratada pra dar um “tapa” nos trens e metrôs. Nesse ponto, a teoria do Penãlosa sobre a França pré-revolucionária faz sentido, pelo menos se aplicarmos isso pra São Paulo, todos agem como tudo estivesse normal…
Prefeito populista - “Fazemos cidades para carros, carros, carros, carros. Não para pessoas. ”
Ai meu Deus, esse pessoal continua a dizer essas bobagens populistas.
Quem dirige carros? Bodes? Ou pessoas?
Até mesmo o Pedro Dória, segundo relato próprio, viajou de SP para o Rio de carro, pela Dutra.
Pedro Dória é uma pessoa.
Estardas e carros foram feitos para pessoas.
Privilegiar metrô é uma coisa boa, fazer esse tipo de comentário populista de botequim é uma sandice sem tamanho.
ma
Não tem urbanismo que dê cabo de uma das maiores desigualdades do planeta. mas sem dúvida há soluções importantes que o urbanismo pode trazer. O privilégio aos donos de automóveis, seguramente, não é uma delas.
Morte do socialismo…provocação, né PD? Nossas utopias tb estão mortas?
A própria socialização do espaço público pelo ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, é uma prova de quê os ideais de igualdade se fazem presente.
Enrique Peñalosa fez escola. Em BH, na Praça 7, centro nervoso onde circulam todos os dias boa parte dos belo-horizontinos a caminho do trabalho, da escola, das compras, fechou-se à circulação de carros, os quarteirões ao seu redor. Hoje, vê-se muita gente jogando dama, xadrez e gamão em um quarteirão, em outro jovens praticam esporte com seus skates, barzinhos estendem suas mesas e cadeiras nas calçadas, floristas vendem sua mercadoria, juntamente com os artesões de bijuterias, descendentes dos hippies. Há um movimento muito grande de criação e revitalização de praças e parques, não só no centro nervoso como em toda a periferia. As vilas são reinventadas, chegam água, luz, esgoto, escolas, centros de saúde, praças, quadras esportivas, programas profissionalizantes.
As nascentes são descobertas e na medida do possível, protegidas. O Parque Municipal, bem no centrão de Belo Horizonte, tem as lagoas e as regas de suas plantas revitalizadas por estas nascentes recém-protegidas.
Pq falo isto? Não é propaganda, é orgulho por morar numa cidade que está se transformando a passos largos, proporcionando uma melhoria na qualidade de vida de seus moradores.
Realmente eu estava completamente enganado, Bogotá é um exemplo para São Paulo, não temos necessidade de metrô, uma vez que o transporte coletivo de Bogotá vive tranquilamente sem ele e aqui em São Paulo só está servindo de fonte de recursos e corrupção para a tucanalha. Basta colocar alguns ônibus articulados em linhas expressas e dar um nome bonito tipo “transmilenio”. Não sei porque não existe isso em São Paulo, não é verdade? ;-)
Não sou urbanista, nem arquiteto mas a minha impressão sobre a falta de calçadas para calçados, e vias para bicicletas, de praças e árvores para os moradores se deve ao fato de que a urbanização em grande parte só leve em conta o interesse do trajeto para os meios de produção, para as empresas, para o trabalho, então o que importa são as pistas por onde transitam os carros e ônibus, tudo o mais gira em função de que o acesso ao trabalho seja o principal objetivo, mesmo que precariamente, ou mesmo infernalmente, pois quem precisa trabalhar que se vire nos ônibus e trens superlotados, nos intermináveis engarrafamentos, ou acorde cada vez mais cedo, pois também poucos são os que moram próximos aos seus locais de trabalho.
Naturalmente há aqueles que têm o privilégio de morarem em bairros mais voltados para os seus moradores, o que não acho que seja o caso da maioria das pessoas. Pelo que eu conheço os subúrbios do Rio não escapam a esta lógica, pelo menos é assim que eu vejo Tijuca, Bonsucesso, Olaria, Penha, Quintino, São Cristóvão, etc, etc, etc. Zona Oeste eu não conheço, não sei como é em Bangu, Campo Grande, mas o que se percebe com freqüência é que saindo dos prédios e das casas, temos apenas uma calçadinha que se resume a mais ou pouco mais que um meio fio para as pistas. Espaço para a recreação das crianças e da interação entre as pessoas só para quem mora em condomínios, até as vilas já devem estar tomadas por carros em frente das casas, mas deve sobrar um pouco de espaço ainda, de qualquer maneira elas não seriam exatamente espaços públicos. Sobram as praias e os shoping-centers que também exigem deslocamentos por trilhos ou pistas. No Rio ainda temos as calçadas em frente aos botecos onde as pessoas se reúnem para conversar, tomar cerveja, jogar baralho e não mais batucar um samba.
Este é o produto de um capitalismo sem cidadania, de uma democracia em que um de seus agentes hipertrofiou, exigindo mais oxigênio, sangue e nutrientes, no caso o mercado, e quando um órgão hipertrofia os demais sofrem o arrocho, e o tecido social fica prejudicado.
Promotores suíços e franceses investigam um grupo de funcionários graduados da Alstom que teria distribuído comissões ilegais no Brasil em troca de um contrato para a expansão do Metrô de São Paulo e para construção de usinas hidrelétricas.
São pelo menos 30 contratos com o governo paulista desde 1990, segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), alguns sem licitação. Estão na lista Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Engenharia e Planejamento de Transmissão de Energia (EPTE), Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), Sabesp, Dersa e CPTM.
Nessa questão toda, o que ninguem percebe é que os pobres PRIVATIZARAM os espaços públicos. Eles moram nos espaços públicos de passagem.
Linda, você é candidata a quê?
NSCA: Releia seu comentário # 11, das 10:16. Totalmente equivocado, inverídico, distorcido. Coisa de esquerdista de salao, jurássico.
Pergunto mais uma vez: O que é mesmo que você recomenda que se faça? Tem melhores idéias que o ex-prefeito de Bogotá? Se tem, candidate-se a prefeito e faça algo de melhor.
Urbanismo humanista ajuda a integrar socialmente e economicamente sim senhor, ajudando a diminuir as desigualdades. Quanto ao socialismo boçal à la antiga URSS, este está nao somente morto, mas enterrado debaixo de 10 metros de terra. O ex-prefeito tem absolutamente razao. A utopia nao morreu, mas o socialismo retógrado sim. Como também morrerá o capitalismo.
Não, tava só passando por aqui, apertado para c_gar regra, resolvi entrar. Chesterton #39, depois de muito vagabundear pelos terrenos baldios da utopia, acabei, como você, discípulo ideológico do grande Jackson do Pandeiro: esse jogo (realmente) não pode ser 1 x 1. Agora, educação de primeira e saúde (sem copa d’or, mas competente) pra todo mundo, você não tem nada contra não, né? Depois, não é que a diferença seja essencial para isso ou aquilo. A diferença É, ponto. Existe. Há quem priorize a maré mansa - sábios como Caimmy, mesmo que sem seu talento vigoroso/vagaroso, há de montão. Muitos são os matizes…
Agora, fico aqui me perguntando se daqui a algum tempo, quando estivermos vivendo o limiar da inviabilidade da vida no planeta, notícias boas como essa do bom prefeito, mas falando de exemplos de reversão da c*gada planetária, continuarão despertando comentários do tipo ‘justiça social primeiro’. Estamos onde nossa história nos trouxe, e a escolha que se nos apresenta é entre os pilantras brazucas da política como espetáculo e gente como Peñalosa, que arregaça as mangas pra arrumar a casa. Essa gente, amigos, aqui em casa é tida como valiosa. E não é só porque aqui em casa é uma zona, não. Cavaleiros de triste figura, a espetar o caos com suas lanças rombudas… benvindo sejam.
Acsceta-mino-fen….não é possível (nem desejável) saude publica de qualidade para todo mundo, criaria um monopolio, e monopolio, sabemos, derruba a qualidade dos serviços e sobe os preços.
Muitos acreditam que a presença do Estado no mercado de saúde ajuda a diminuir a mortalidade. Isso está incorreto: quando o Estado intervém nesse mercado, propiciando saúde gratuita a todos, a curva de demanda por saúde se desloca para a direita (aumenta), mas a oferta de saúde permanece inalterada. Esse tipo de movimento apenas aumenta o preço pago pelos que não querem depender da saúde pública, mas não garante que menos pessoas irão morrer. No final do processo, a intervenção estatal no mercado de saúde gera filas. Isto é, muitas pessoas que precisam continuam sem serem atendidas: irão morrer esperando nas filas. Se a saúde fosse paga, algumas pessoas não teriam dinheiro para pagar por seu atendimento e iriam morrer. Contudo, o fato da saúde ser pública NÃO evita o problema. Afinal, dada a existência de filas, nem todas pessoas que precisam irão receber atendimento.
Numa economia de mercado os que não tiverem dinheiro irão ter problemas, numa economia estatal quem chegar depois na fila irá ter problemas. Trocar a saúde privada apenas muda o ordenamento do atendimento: dos que têm dinheiro para os que têm tempo de esperar nas filas. Mas não sejamos tão incrédulos no mercado. Economias de mercado têm sido prósperas em montar estruturas de ajuda aos mais necessitados, e a igreja sempre se destacou nesse segmento. Assim, mesmo os mais necessitados não ficam completamente descobertos numa sociedade livre da intervenção do Estado na saúde. A caridade privada, numa economia de mercado, é mais poderosa do que a maioria dos especialistas é capaz de prever. No final, se as pessoas realmente se importam com os mais pobres, o próprio mercado será capaz de criar estruturas para a ajuda a esse segmento da população.
Dar ao Estado a oportunidade de intervir no mercado da saúde equivale a dar ao Estado a chance de intervir diretamente na nossa vida privada. Afinal, se o Estado irá pagar por nosso tratamento, então é lícito ao Estado dizer como devemos viver, o que devemos comer, quanto tempo teremos que nos exercitar por dia, etc.. Assim, tão logo o Estado passe a financiar nossos custos de saúde ele começará a exigir determinadas contrapartidas nossas. Cedo ou tarde começaremos a ouvir: “como o Estado terá que pagar o tratamento do indivíduo, então é justo proibir o fumo. Afinal, no caso do fumante, toda a sociedade estará pagando o custo de um mau hábito individual”. Com o tempo, seremos proibidos de comer fritura, beber cachaça, ou de simplesmente ficarmos de barriga para o ar.
Não interessa se você concorda com os maus hábitos dos outros, desde que você não seja obrigado a pagar por eles isso não é problema seu. Mas tão logo a sociedade seja obrigada a pagar por hábitos individuais, ela irá exigir as devidas compensações cerceando a liberdade de escolha das pessoas.
Adolfo \saschida
Chest, não sou candidata a nada, meu negócio é madrugada…rs…posso ser candidata a zumbi.
Aperfeiçoar e colocar à disposição de todos o sistema de saúde pública, não significa necessariamente exercer o monopólio na área da saúde. Tudo bem, pode e deve existir saúde e educação privadas. Terão que oferecer um diferencial muito bom quando a saúde e a educação públicas forem satisfatórias.
Chest, outra coisa, BH tem vários problemas mas, vendo reclamarem de São Paulo e Rio, concluo que estamos no céu. Vai lá, céu brasileiro e não céu de primeiro mundo. rs
Acho que esse papo das calçadas serem estreitas e/ou inadequadas para pedestres vem de longe: vide o centro velho das cidades ou as cidades históricas. Calçadas estreitas, estreitas…
Caramujo (73),
Esse seu comentário 73 deve ser tentativa de vingança pela resposta direta que lhe dei no # 63. Lá está o significado de “inverídico”, que é o ato que você cometeu no # 61.
Você pode , sem dúvida, discordar de minhas posições, pois essa é a finalidade deste blog. Mas, antes de afirmar que minhas posições são inverídicas, distorcidas e/ou equivocadas, procure arregimentar argumentos válidos.
Me chamar de “esquerdista” mostra seu desconhecimento do assunto. Minhas posições são de esquerda, mas não sou esquerdista.
Sobre minhas recomendações à municipalidade de Bogotá, declaro que não tenho como, de resto, não tenho propostas a fazer a governos ditatoriais, que é o caso colombiano, na atualidade. Não sou candidato a nada, naquele país.
Para sua informação, não defendo o socialismo que foi praticado na URSS. Minha posição é diferente daquela.
Por último, ressalto que a única parte sem equívocos de seu comentário 73 é a última frase……”também morrerá o capitalismo.”
Será que o PD neste post sobre o ex-prefeito Peñalosa, não quer arriscar um comparativo com uma possível prefeitura Gabeira, fadado a “humanizar” a cidade com a criação de espaços para pedestres e afins. Bom, se não for paranóia minha, esqueça, esse balão de ensaio não vai captar tendência digna de credito, as forças de pressões sociais são algo bastante diferente do publico deste blog e Brasil não é Colômbia. Só o que vai se assemelhar é a baixa popularidade durante o mandato. Resta ainda saber se o dito cujo tem culhões para contrariar grupos de interesses fortíssimos e arriscar o próprio futuro político.
Essa história de que o sistema de saúde pública universal gera mortes é ridículo.
Como se explica então que todos os dez primeiros países em expectativa de vida possuem cobertura universal?
Como explicar que os EUA, que não possui cobertura universal e possui uma das maiores per captas do mundo, não está nem entre os trinta em expectativa de vida? Quando alguém propõe cobertura universal nos EUA e recebe votos por isso, não é a toa…
Hugo, vai estudar.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_esperan%C3%A7a_m%C3%A9dia_de_vida_%C3%A0_nascen%C3%A7a,
Chesterton, não sei se te mando estudar ou, simplesmente, falar a verdade.
Chesterton, não precisa me mandar estudar, já faço isso o tempo inteiro e de bom grado, creio que se fizesse o mesmo não escreveria tanta besteira.
Tente responder a minha pergunta e não me venha com resmungos.
Com todo o respeito, Chesterix, há sempre o que estudar, e isso vale para qualquer um que não tenha entregado os pontos. A mim me parece que o problema com os economistas que embarcam na canoa da lógica mercadocrata é que eles querem nos reduzir definitivamente, a todos, à condição de manés de crachá, meros e passivos consumidores. O jogo vai pras mãos dos players ‘responsáveis’.
O velho Teilhard de Chardin disse que ‘não somos seres humanos que têm uma experiência espiritual; somos seres espirituais que têm uma experiência humana’. Essa experiência será inevitavelmente sofrida, e se o sofredor olhar para os lados verá o sofrimento dos demais, e a política, me parece, deve nascer desse olhar.
Você mencionou a igreja. Noutros tempos, ela tomou para si uma parte das tarefas ligadas ao âmbito social da saúde graças à inoperância do estado, claro. Veja no Rio, p.ex., a Casa de Saúde São José. Nunca foi uma Ordem Terceira da Penitência, o moto não era a caridade, mas era um hospital administrado por uma ordem religiosa e havia uma severa dignidade, uma modéstia mesmo, ali. Hoje é quase um cassino branco, fica pouco a dever às redes particulares que escracham os signos da opulência em suas fachadas (uma delas, a rede D’Or, com esse nome infeliz, escarnece da mercantilização desabusada da saúde - não é o chumbo dos alquimistas nem as fezes dos freudianos: lá é a dor que se transforma em ouro).
Vamos todos estudar, morreu o socialismo, seus herdeiros, no geral, não estão demonstrando dignidade ou inteligência, e ainda não há caminhos à vista.
veja o link e pense se não dá para apoiar o que diz o Peñalosa: http://www.cidadeverde.com/manchetes_txt.php?id=18074
que legal