Israel atacará o Irã autorizado por Bush?

EUA · Irã · Israel e Palestina · 3/06/2008 - 10h20 - 179 Comentários

Nouriel Roubini, o respeitado economista e professor da Universidade de Nova York, conta em seu blog de uma recente conversa que teve com o ex-chanceler alemão Joschka Fischer. Fischer está convencido de que Israel fará um ataque às instalações nucleares do Irã antes de o governo Bush chegar ao fim. Ele vai além: o próprio Bush teria dado o sinal verde quando esteve em Israel, nas celebrações de seus 60 anos.

Joschka Fischer é um nome que deve ser respeitado e tem muitas fontes de excelente qualidade. Mas isso não quer dizer que acontecerá.

O premiê israelense Ehud Olmert chegou hoje aos EUA para uma visita de dois dias. Investigado pela polícia por sérias denúncias de corrupção, há muito pouco o que o sustenta no poder e não é claro quem o sucederá.

Novos líderes fazem cálculos diferentes. Da última vez que o governo israelense decidiu por uma guerra – no caso libanês – destruiu o país vizinho, espalhou tragédias e não ganhou absolutamente nada além de uma imagem externa pior.

É importante ressaltar o ‘não adiantou de nada’ na conclusão da Guerra do Hizbolá. Porque, agora, o mesmo governo israelense está fazendo exatamente o que devia ter feito desde o início. Está negociando com o mesmo Hizbolá.

A situação também não é clara no ponto de vista norte-americano. A praxe sugere que presidente em último ano de mandato não cria confusão desnecessária para quem o suceder. George W. Bush sabe que um dos candidatos nesta contenda, Barack Obama, tem idéias diferentes a respeito de como lidar com o Irã. Obama quer negociar. Agora, cabe à população norte-americana decidir se deseja esse rumo.

Se Bush de fato autorizou um ataque ao Irã, ele está interferindo diretamente no próximo governo. É uma decisão não apenas anti-democrática – que não representa o desejo dos eleitores – mas, principalmente, de sabotagem.

Um ataque às instalações nucleares do Irã por parte de Israel não derrubaria o governo dos aiatolás. Mas certamente seria recebido com alívio, em Teerã, pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad. Enfrentando uma séria crise de impopularidade por conta de sua incompetência na administração da economia, ele precisa urgentemente de um inimigo externo para ser reeleito, no primeiro semestre do ano que vem.

Do ponto de vista geopolítico, as conseqüências imediatas seriam um Oriente Médio pior no qual as desconfianças existentes são ampliadas e o sustento de Hizbolá e Hamas, aumentado. Ninguém vence, mas tudo é garantido que piore. Essa gente que acredita em mais destruição para o Oriente Médio se ajeitar nunca cessa de surpreender.

Atualização - ‘As agências de inteligência dos EUA acreditam que o Irã interrompeu o esforço de construir armas nucleares em meados de 2003. A Agência Internacional de Energia Atômica, que investiga o programa iraniano, não encontrou qualquer indício de que exista um projeto ativo para produção de armas nuclares.’ A notícia está hoje em vários jornais dos EUA.

dica do Marcelo P.

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