Pedro Doria | Weblog

um pouco do mundo, todos os dias

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Publicado em June 2008

Robert Mugabe, sua anistia
e o exemplo de Charles Taylor

30/June/2008 · 28 Comentários

Charles Taylor, ex-ditador da Libéria, tem um passado e tanto. Pesam sobre ele acusações que vão do recrutamento de crianças como soldados, estupros coletivos, massacres, em seu país natal e na vizinha Serra Leoa. Extremamente impopular, num cenário internacional desfavorável, Taylor foi levado à renúncia em agosto de 2003. À época, quem negociou sua saída foi Olusegun Obasanjo, então presidente da Nigéria, que ofereceu exílio em troca de ele abandonar qualquer envolvimento político com a Libéria.

Taylor foi colocado na lista dos mais procurados da Interpol mas, a princípio, a Nigéria se recusou a deportá-lo. Em março de 2006, a presidente eleita da Libéria Ellen Johnson-Sirleaf pediu ao país vizinho que entregasse o ex-ditador para ser julgado por crimes contra a humanidade. Contava também com a pressão dos EUA. Taylor tentou fugir, mas foi recapturado e extraditado. Hoje está em Haia, na Holanda, onde responde a um processo perante a Corte Penal Internacional.

Seu julgamento é considerado uma vitória para a idéia da Corte Penal Internacional.

Mas talvez tenha sido uma péssima idéia, sugere o editor de Internacional do Financial Times, Gideon Rachman. (O talvez aqui é importante; Rachman não tem opinião formada.)

Taylor renunciou quando o clima já lhe era desfavorável porque tinha a promessa de um exílio e anistia. Anistias sempre foram oferecidas a ditadores em casos parecidos. São uma maneira de acelerar o fim de um governo insuportável e evitar o derramamento de sangue. Mas veja-se o caso de Robert Mugabe, no Zimbábue. Por que ele renunciaria? Não tem qualquer motivo. Sabe que, mesmo que lhe ofereçam uma anistia, ela não valerá nada e, fatalmente, ele passará o resto da vida perante um juiz em A Haia.

Sua única opção é se manter no poder enquanto conseguir. E não importa quanto sangue derrame no meio tempo.

É um dilema que a Corte Penal Internacional impõe. Se por um lado é certo que todos os responsáveis por crimes contra a humanidade sejam trazidos à Justiça, por outro sua existência faz com que nenhum responsável por crimes contra a humanidade queira deixar o poder enquanto puder mantê-lo.

Tags: África

Israel se curva ao Hizbolá

30/June/2008 · 71 Comentários

Perguntar não custa: de que adiantou botar o Líbano abaixo se, no fim, o governo de Israel terminaria por capitular perante o Hizbolá?

A decisão do gabinete de Ehud Olmert é de que trocará cinco prisioneiros (vivos) pelos corpos (mortos) dos soldados que o grupo terrorista xiita seqüestrou. Estes seqüestros foram a desculpa para a guerra que tirou o último vestígio de moral do governo libanês.

Era melhor ter feito a negociação pela troca antes, quando soldados e vítimas libanesas da guerra estavam vivos e o governo libanês ainda tinha alguma força perante o Hizbolá.

Guerra estúpida – coberta por este Weblog – para resultados piores ainda.

Tags: Israel e Palestina

Open thread da semana que começa

30/June/2008 · 321 Comentários

Se alguém perguntar por mim
diz que eu fui por aí,
levando o violão debaixo do braço,
e em qualquer esquina eu paro,
em qualquer botequim eu entro,
e se houver motivo,
é mais um samba que eu faço,
e se quiserem saber se eu volto
diga que sim, mas só depois
que a saudade se afastar de mim

Tags: Open thread

Uma moça às segundas

30/June/2008 · 9 Comentários

Pawel Dobrowski

Tags: Moças

Link de hoje

29/June/2008 · 2 Comentários

Get the Flash Player to see the wordTube Media Player.

O Link vai ao ar todos os domingos, às 21h, na Rádio Eldorado

Tags: Música · Tecnologia

O etanol brasileiro e a ecologia

29/June/2008 · 40 Comentários

Alguns números e dados que a Economist da semana cita para defender o etanol brasileiro das críticas no exterior.

Um dos problemas dos combustíveis é a relação entre energia gasta para produção e o resultado final. Para cada 1 consumido na produção de etanol de cana, ganha-se 8,2; a relação do etanol de milho é de 1 para 1,5. Ou seja, para produzir etanol de milho é preciso gastar gasolina à beça. Com a cana, açúcar puro, é diferente.

Uma crítica contumaz diz que as plantações de cana expulsam o gado e, portanto, aumenta o desmatamento na Amazônia voltado para pasto. Os canaviais ocupam 7 milhões de hectares no Brasil e apenas metade é voltado para combustível; o pasto ocupa 200 milhões. Segundo a Economist, os canaviais podem se expandir só em pasto degradado sem sequer tocar no preço da carne.

Isto não leva em conta o fato de que a tecnologia para aproveitamento de cana na produção do etanol está próxima de dar um grande salto de produtividade. A manipulação genética já produz espécies com 80% mais de sacarose ou capazes de agüentar sem água por 45 dias.

O grande problema da cana são os trabalhadores, com cujas imagens do serviço exaustivo e degradantes estamos acostumados a ver. São 440.000 homens e mulheres. O problema destes não é que o trabalho seja duro demais. (Um em cada 26.000 bóia fria da cana morre por acidente de trabalho; a média agrícola nacional é um em cada 16.000.) O problema é que espera-se que a colheita de cana seja feita totalmente por máquinas até 2012. São quase meio milhão de pessoas sem qualquer preparação formal desempregadas.

Mas, se este é um problema que o Brasil terá de encarar, ele nada tem nada a ver com impacto ambiental. O etanol de cana é uma das melhores alternativas já existentes para substituir o combustível a base de petróleo.

Tags: Brasil · Energia e Aquecimento global

Educação no Open

28/June/2008 · 210 Comentários

Muitos dos leitores talvez não tenham percebido que o melhor do Weblog, ontem, não estava nos posts. Estava, isto sim, na intensa discussão a respeito de educação que ocorreu Open Thread.

Há pontos de vista de todo tipo, discordâncias várias. Ali no meio estão convicções pessoais, honestidade, profundidade e um bocado de sensibilidade por parte de todos os comentaristas. Foi, principalmente, um debate civilizado.

Obrigado.

Tags: Administrativas

Open Thread de sábado e de
Guimarães Rosa aos 100

28/June/2008 · 59 Comentários

Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa… O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.

Viver é muito perigoso… Querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, pôr principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para o concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo. Montante, o mais supro, mais sério… Só se pode viver perto do outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura. Deus é que me sabe.

(Riobaldo, cá entre nós, é que era jagunço sábio. Nonada.)

Tags: Open thread

Jogo militar à moda da Rússia

27/June/2008 · 42 Comentários

Após 15 anos sem fazer nada, as Forças Armadas russas voltaram a suas patrulhas planetárias. Missões aéreas de reconhecimento já chegaram perto de invadir o espaço aéreo norte-americano e o britânico, já invadiram de fato o japonês, têm sido avistadas pela marinha dos EUA com regularidade.

Enriquecida com dinheiro do petróleo, Moscou anuncia planos de refazer seu arsenal. Desenvolve armas e as produz. Pretende atingir a marca de 50 aviões bombardeiros em 2015, tem um tanque novo que lançará em 2009, e uma nova geração de mísseis balísticos já ativos. A velha Moscou anuncia sua volta e por conta disso Robert Gates, o secretário da Defesa dos EUA (equivalente a ministro), anda falando para seus oficiais que é bom manter o arsenal nuclear nos trinques.

Os russos não se incomodam: gostam de ser levados a sério. Mas, pergunta-se a Der Spiegel alemã, este é o início de uma nova corrida armamentista? De uma Guerra Fria, portanto? Principalmente, o que quer Moscou? Pode ser angariar apoio patriótico. Pode ser um recado para vizinhos como Ucrânia e Geórgia para que não se distanciem muito da esfera de influência. Pode ser que os russos de fato achem necessário estar prontos para qualquer ofensiva ocidental.

Stanislav Belkovsky, do Instituto Moscovita de Estratégia Nacional, é especialista no assunto e não anda impressionado. Segundo ele, as Forças Armadas mantiveram a capacidade herdada do período soviético até a virada do século. Desde então, o arsenal está em declínio. Dá números: durante o governo Putin, 405 mísseis e 2.498 cargas nucleares foram aposentadas. Apenas 27 mísseis foram produzidos no mesmo período. Esses novos mísseis balísticos, os Topol-M, são grandes e fáceis de eliminar ainda em solo. O veredito de Belkovsky é simples. Em oito ou dez anos, a Rússia terá o potencial militar de uma nação européia de porte médio, incapaz de enfrentar Japão ou Turquia.

Os EUA investem 25 vezes mais nas Forças Armadas e contam com um contingente de 1,5 milhão de homens. Os russos têm 600.000.

Ainda assim, Moscou confunde, age como se fosse um superpoder. No ano passado, o país deixou o Tratado Europeu de Forças Armadas Convencionais. Parece uma afronta, mas é faz de conta. A Rússia não tem condições de manter sequer o contingente que o tratado lhe permitia. E o governo sente-se cercado. Por um lado, a influência norte-americana na Ucrânia e na Geórgia incomoda Moscou profundamente. A idéia dos EUA de colocar mísseis nas vizinhas Polônia e República Tcheca provoca compreensíveis acesso de fúria.

O medo maior, no entanto, não é com o Ocidente. Há um vizinho à espreita: a China. A demonstração de poder, as patrulhas, a exibição de armas, o abandono de tratados de paz, no fim, são um recado simples. Não há uma nova Guerra Fria. Mas o jogo de poderes no mundo está mudando a galopadas de tão rápido.

dica do André Monsores

Tags: China · EUA · Europa · Rússia

Sammy Davis Jr e seus personagens

27/June/2008 · 17 Comentários

Primeiro vem Fred Astaire. Aí, Nat King Cole. Destes vai seguindo: Billy Eckstine, Vaughn Monroe, Tony Bennett, Mel Tormé, Louis Armstrong, Dean Martin e sobra até para Jerry Lewis.

Só o que não tem é Frank Sinatra. Seria injusto cobrar. Inimitável.

via Quarto setor

Tags: Cinema · Música

Open thread

27/June/2008 · 282 Comentários

Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words hold my hand
In other words darling kiss me

Fill my life with song
And let me sing forevermore
You are all I hope for
All I worship and adore
In other words please be true
In other words I love you

Tags: Open thread

O petróleo saudita e as fontes alternativas

26/June/2008 · 23 Comentários

A Arábia Saudita promete que aumentará o fluxo de petróleo em direção ao mundo. Maior oferta, cai o preço. Quem sabe assim o barril a 200 dólares nunca chegue.

Muitos analistas estão céticos. Uns dizem que os sauditas já fizeram essa promessa antes e não a cumpriram; outros sugerem que eles sequer têm como. Seu maior campo está próximo do pico e não agüentará o tranco de aumento.

É sempre tudo muito nebuloso quando o assunto envolve Arábia Saudita e petróleo. Há pouca informação e muita interpretação.

Thomas Friedman, do New York Times, vai na contracorrente. Ele acha que os sauditas vão mesmo aumentar a oferta. Acha mais: que eles não têm escolha. George W. Bush está tentando diminuir o preço da gasolina nos EUA a todo custo e combustível é um dos grandes temas das eleições presidenciais.

Para os sauditas, não é apenas o impacto no eleitor norte-americano e o tipo de presidente que podem eleger o que importa. É também o mercado para energias alternativas. Com combustíveis fósseis em alta, mais fábricas de painéis de energia solar ou moinhos de vento surgirão. Maior oferta, menor preço. Nos EUA, por exemplo, onde a energia elétrica vem de combustíveis fósseis, alimentar a casa ou a empresa com uma fonte própria sai em conta conforme aumenta o preço do petróleo.

Vai ainda além: petróleo caro faz com que o desenvolvimento de fontes alternativas seja melhor financiado e, portanto, fica mais eficiente.

Há um ponto ótimo para que a máquina comece a girar. Os sauditas querem mais dinheiro, evidentemente, mas temem uma crise financeira mundial como a dos anos 1970. É preciso alimentar o vício mas sem matar o hospedeiro. E temem que alternativas ao seu combustível comecem a surgir com maior rapidez. Assim vai o raciocínio de Friedman.

E, evidentemente, sempre há um ou outro que vive no mundo maravilhoso de Gordon Brown, o premiê britânico. Ele tem essa idéia: os sauditas ganharam 3 trilhões de dólares. Por que não investem eles próprios em fontes alternativas de energia?

Ora, pois. Quem sabe pedindo por favor não ajuda.

Tags: EUA · Energia e Aquecimento global · Europa · Oriente Médio

Bomba iraniana em seis meses?

26/June/2008 · 97 Comentários

Há uma mudança de discurso no ar – uma daquelas na qual deve-se prestar atenção.

Numa entrevista em árabe para a rede a cabo al-Arabiya, o responsável pela Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed El Baradei declarou que o Irã tem condições técnicas de produzir uma bomba nuclear em algo entre seis meses e um ano. Basta começar.

Até há muito pouco, El Bardei falava de uma janela entre três e oito anos.

Em diplomacia, uma mudança desta ordem no discurso pode ter um de dois significados.

O primeiro é, simplesmente, que a Agência tem informações novas a respeito do país.

O segundo é que este é um recado para o Irã: a paciência está acabando. É hora de ceder às exigências da AIEA, abrir todos seus documentos e permitir as inspeções.

Tags: Irã

Uma estante às quintas

26/June/2008 · 29 Comentários

Rolling shelf

dica do Gilmar Ferreira

Tags: Estantes

Jessica Rabbit de carne e osso

25/June/2008 · 12 Comentários

Ela – e também o filme que mostra o processo no Photoshop. Mas, também, Homer Simpson. E, horror dos horrores, Super Mario.

via Things Magazine

Tags: Cinema · HQ · Pop

Dona Ruth e a desigualdade

25/June/2008 · 62 Comentários

Uma das grandes notícias da semana é que diminuiu a diferença entre ricos e pobres. Diminuiu a desigualdade: pobres enriqueceram mais do que ricos. Para que o Brasil vire uma democracia plena, é preciso que boa parte da população esteja na classe média, com acesso a boa educação. É serviço para gerações.

Dona Ruth Cardoso tem um naco de responsabilidade nisso.

O primeiro programa de distribuição de renda através de complemento em dinheiro aconteceu num governo do PSDB – o do governador Franco Montoro, em São Paulo. A segunda implementação veio pelas mãos de um prefeito do PT, Antonio da Costa Santos, o Toninho. Daí foi implementado pelo então governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque e chegou à esfera federal durante a administração Fernando Henrique.

Há um quê de injustiça na crítica de que o Comunidade Solidária, tocado por dona Ruth, não era demagógico e que o Bolsa Família, do atual governo, é. São pernas distintas de uma mesma filosofia política costurada, ao longo dos anos, pelo PSDB e pelo PT – que, não custa lembrar, são partidos irmãos.

São também programas que funcionam. O Investment Grade, as multinacionais nascidas no Brasil, a independência energética, a moeda forte, todos são sinais de um país melhor do que jamais foi. Crescimento não se sustenta com desigualdade social. Os governos FH e Lula são igualmente responsáveis por todos estes feitos.

Vale ler, hoje, os testemunhos de Carla Rodrigues e Cora Rónai sobre quem era dona Ruth

Tags: Brasil

Open thread

25/June/2008 · 356 Comentários

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Tags: Open thread

O adeus a Ruth Cardoso

24/June/2008 · 67 Comentários

A ex-primeira-dama Ruth Cardoso morreu agora há pouco, em São Paulo. Ela havia sido internada para fazer um cateterismo na quinta-feira, mas já estava de volta a sua casa.

Tags: Brasil

O corpo humano visível

24/June/2008 · 7 Comentários

A Hybrid é uma empresa especializada em animações médicas. São contratados por universidades para o preparo de material educativo, por laboratórios para demonstrar o funcionamento de remédios, por grandes feiras do ramo.

Seu coração que fica transparente – todas suas válvulas expostas – é um desbunde, assim como o outro coração, aquele no qual o sangue corre. Há uma bactéria infectada por um vírus, o remédio que ataca um tumor ou mesmo uma sessão de quimioterapia.

via The UberReview

Tags: Biologia

O pobre Zimbábue nas mãos de Robert Mugabe

24/June/2008 · 68 Comentários

A primeira vista, pode não parecer muito. Mas tem muito significado o fato de que o Conselho de Segurança da ONU condenou as eleições de segundo turno que acontecerão no Zimbábue, sexta-feira. Quer dizer que, desta vez, o embaixador da África do Sul, que tem assento no Conselho, não impôs seu veto para bloquear a votação. Como a condenação foi unânime, quer dizer que a África do Sul votou contra o governo de Robert Mugabe.

Ou seja, Thabo Mbeki, o presidente da África do Sul, retirou seu apoio tácito a Mugabe.

Que ninguém tenha dúvidas: Mugabe é um bárbaro. Fiscais eleitorais do candidato da oposição, Morgan Tsvangirai, foram assassinados. Outros tantos apanharam. Mugabe imaginou que venceria o primeiro turno eleitoral só pelo medo que inspira. Confiante, permitiu que cada zona eleitoral afixasse os resultados conforme ia apurando-os. Quando a vitória de Tsvangirai ficou evidente, já era tarde. Aí virou a eleição na marra, fraudando. Agora, explica a quem perguntar que só Deus o tira do governo. É no mínimo razoável concordar com o CS da ONU: não dá para esperar uma eleição limpa.

Mugabe contava com o apoio de todos os governantes seus vizinhos – principalmente o mais poderoso deles, Thabo Mbeki. Para o mundo, ele é um bárbaro. Para os principais líderes africanos, é diferente. Mugabe, do seu ponto de vista, é o último líder da geração que derrubou os poderes imperiais europeus. É um sobrevivente. Ditador carniceiro, por certo. Mas a barbárie faz parte do cotidiano africano há muitos séculos. Há um choque geracional. Os velhos líderes olham com respeito para a história de Mugabe. Os jovens olham-no com horror. Querem uma África moderna, democrática, parte da comunidade internacional.

Primeiro, foram Zâmbia e Botsuana que renegaram Mugabe. Agora Mbeki está aparentemente cedendo. E também José Eduardo dos Santos, um de seus principais aliados, em Angola. O Zimbabue tem a pior inflação do mundo. Depende dos vizinhos para receber armas e alimentos vindos da China por navio, já que não tem porto. (As armas estavam vindo via Angola.)

A esperança para um Zimbábue livre de Mugabe é que o Conselho de Segurança imponha sanções, os vizinhos as implementem e a pior inflação do mundo resolva o resto. Seria um poder conjunto equivalente à mão de Deus para fazer Robert Mugabe cair.

Tags: África