Flórida, Michigan e onde foram parar
as campanhas de Hillary e Obama

EUA · 31/05/2008 - 20h53 - 27 Comentários

O Sub-comitê de Regras do Partido Democrata acaba de encerrar sua reunião. Os estados da Flórida e de Michigan, desobedecendo as regras do partido, haviam adiantado suas primárias. Originalmente, sua punição havia sido a de perder todos seus delegados na convenção nacional. A punição acaba de ser modificada.

No caso da Flórida, todos os delegados eleitos irão para a Convenção Nacional e votarão conforme decidiram os eleitores do estado. A diferença é que cada delegado terá direito a meio voto. A punição do voto que vale meio se estende aos superdelegados da Flórida.

Michigan teve uma solução mais polêmica. Lá, o nome de Hillary estava nas cédulas, o dos outros candidatos, não. Ela recebeu 55% dos votos –45% dos eleitores votaram em branco. Sua campanha havia sugerido que os votos em branco poderiam ser entregues a Obama. A campanha de Obama protestou: é impossível saber quantos de seus eleitores sequer saíram de casa já que não poderiam votar nele.

Asssim como no caso da Flórida, delegados eleitos e superdelegados terão direito a meio voto. Hillary receberá 69 delegados e, Obama, 59. Se a proporção 55/45 houvesse sido respeitada, ela teria 73 delegados contra 55. Ou seja, o Sub-comitê de regras preferiu alterar em 4 delegados a proporção para compensar o fato de que Obama não estava na cédula. (Sempre lembrando: cada delegado tem meio voto.)

Harold Ickes, representando a campanha de Hillary, protestou veementemente, acusou o ’seqüestro de quatro delegados’ e anunciou que a candidata se reserva o direito de levar a questão ao Sub-comitê de Credenciamento. Isto quer dizer o seguinte: ela pode continuar a briga por seus delegados até a Convenção Nacional do Partido Democrata que acontecerá em agosto, em Denver.

Não virá sem pressão. A cada semana que passa, a indefinição do Partido Democrata adia o início do trabalho de fato para disputar a presidência dos EUA.

Mas os Clinton estão furiosos. Numa teleconferência cuja gravação caiu nas mãos de um repórter do site Politico.com, o ex-presidente acusa a pressão movida pela ‘campanha de Obama, imprensa e da turma do MoveOn’. O grupo, uma ong anti-Bush particularmente eficiente no levantamento de dinheiro, declarou apoio a Obama desde cedo. Bill Clinton acredita que a imprensa ignorou em grande parte o argumento de Hillary de que ela se sai melhor nas pesquisas contra John McCain.

O melhor site para perceber isto é o FiveThirtyEight.com, bolado por um especialista em estatísticas de beisebol – acreditem, trata-se de uma arte – que aplica suas técnicas ao cenário eleitoral. Por enquanto, Hillary teria uma vitória certa e Obama, embora vitorioso, veria um resultado apertado contra John McCain.

O argumento da trupe de Obama é que Hillary tem mais preferência, neste momento, porque seu nome é mais conhecido. Muitos eleitores não prestam atenção neste período de disputa interna dentro dos partidos. É possível que seja verdade. Se números levantados pela Newsweek na semana passada estiverem corretos, a explicação pode ser outra: racismo. É que 29% dos democratas brancos, respondendo perguntas indiretas, dão indícios de que desconfiam de um candidato que seja negro.

Certamente é cedo para dizer.

O que não é cedo para dizer é que a turma de estatistas do FiveThirtyEight.com pegou todos os press releases de Hillary, Obama e McCain. Hillary é quem mais ataca seus adversários, seguida de McCain e Obama é um terceiro longínquo. Então talvez seja injusto que Bill Clinton reclame da pressão vinda da campanha de Obama.

O jogo está assim: hoje de manhã, Obama precisava de 41 superdelegados para ser o candidato. Hillary ganhou alguns delegados, hoje, com a nova decisão. E o número total de delegados também aumentou. Agora o senador de Illinois está a 64 delegados de uma vitória. Como deve ganhar mais 41 nas primárias de Porto Rico, Dakota do Sul e Montana, Obama precisa de algo entre 20 e 25 superdelegados.

A não ser que Hillary decida mesmo questionar em agosto a decisão tomada hoje.

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