Sobre o que é censura e o que podemos dizer
Há uma boa discussão acontecendo no post sobre a censura ao Weblog. Acho que algumas questões valem ser trazidas à frente – para mim é uma questão de princípios.
A questão, polêmica, está se espalhando na Internet. É bom que discutamos.
Alguns de vocês sabem que passarei um ano em Stanford, nos EUA, estudando justamente as pressões que os tempos correntes impõem às democracias. Me é uma discussão muito cara. E, dos direitos básicos das democracias, considero a liberdade de expressão o maior de todos. Se o Estado não impuser limites naquilo que a sociedade pode dizer e discutir, o resto se resolve.
Algumas das questões que vocês levantaram:
1. Há uma lei que diz que propaganda eleitoral não pode. Lei pode ser mudada mas lei se obedece.
Na verdade, não é tão simples. Leis estão subordinadas à Constituição Federal que diz:
Artigo 5º, parágrafo IV: É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.
E o parágrafo IX: É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença.
Evidentemente, cabe aos juízes interpretarem se uma lei é constitucional ou não. Para mim, esta evidentemente é inconstitucional. O juiz blogueiro Jorge Araújo concorda.
É evidente que leis do tipo são polêmicas. Os EUA foram o primeiro país a determinar na Constituição este tipo de liberdade num parágrafo de uma elegância ímpar: O Congresso não fará lei que trate de religião ou proíba seu exercício; tampouco escreverá leis que tratem da liberdade de expressão ou de imprensa; ou a respeito do direito das pessoas de se reunirem e cobrarem algo do governo.
É isto: o Congresso sequer pode legislar a respeito. O direito à livre expressão é absoluto.
2. Mas isso não é sua opinião. É propaganda.
Talvez o banner possa ser encarado como propaganda, sim. Ou como um ícone que leva a uma página. Mas qual é a diferença? Propaganda é uma forma de comunicação não mais ou menos nobre do que um texto jornalístico ou um artigo de opinião. É a manifestação de uma idéia usando uma forma específica.
A propaganda deve estar livre de censura da mesma forma que qualquer outra forma de expressão. Afinal, quem realmente define o que é propaganda? Se abrimos uma brecha para que o Estado censure uma espécie de comunicação, logo haverá alguém disposto a chamar de propaganda o que quiser.
Uns poderiam argumentar que há limites para a propaganda de cigarro. Ou de bebidas alcoólicas. É verdade. Sou contra tais limites. Sou contra quaisquer limites à liberdade de expressão. Não sou contra a intervenção com uma mensagem como ‘O Ministério da Saúde adverte’. Independentemente disso, os limites não proíbem a veiculação da propaganda. Se me obrigassem a incluir um aviso ‘Isso é só minha opinião’ e tudo mais, eu incluiria. Mas estou no momento proibido de manifestar minha opinião da forma que quero num espaço que me pertence.
Esta é uma ressalva importante. E se alguém pusesse um cartaz de propaganda política na janela de seu prédio bem localizado? Pessoas fazem isso. E devem ter o direito de fazê-lo. E se alguém espalhasse cartazes pela cidade ou pichasse muros? É diferente. Se o poste ou o muro não lhe pertencem, você não pode interferir ali. Sua liberdade de expressão se limita ao que é seu e você deve financiá-la. Você pode subir num banco em praça pública e se manifestar. Escrever à máquina, pagar pela xerox e distribuir seus panfletos.
Isso dá poder demasiado para quem tem nas mãos um grande veículo de comunicação? Mas é evidente que dá. Por isso é que rádio e tevê são concessões públicas. Por isso que o exercício da crítica à imprensa é importantíssimo. E por isso que a Internet é revolucionária.
3. Estamos falando de blogs. Imagine se um grande portal decidisse fazer propaganda para um candidato?
Pessoalmente, não teria nada a opor. Como disse: a livre expressão é um direito absoluto. Construa um grande portal, angarie influência e se manifeste politicamente como bem entender. Na Internet, é possível.
A idéia de que um portal poderia se manifestar a respeito de uma candidatura soa estranho, na verdade, porque não estamos habituados com a real liberdade de expressão. Nos EUA, é tradição em todos os jornais que se manifestem a favor de uma candidatura. A revista britânica The Economist costuma se manifestar a favor de candidatos na maioria dos países que cobre. E, às vezes, se manifesta contra – o italiano Silvio Berlusconi que o diga.
Quando um veículo de comunicação se manifesta publicamente, ele está sendo mais transparente, não menos. E uma das lições da Internet, diariamente comprovada aqui mesmo no Weblog, é que leitores são críticos e têm opiniões próprias. Posso convidar a uma discussão, isto não quer dizer que todos concordarão comigo.
E, por fim, mesmo no Brasil há pencas de histórias de jornais e revistas que fazem campanha, sim, para determinados grupos políticos ou contra eles. Às vezes, por motivos bem pouco nobres. Em geral, sem transparência.
(Antes que alguém o diga, esta não é uma tirada contra a Veja ou a Carta Capital. Ambas são bem claras em como se posicionam politicamente.)
4. O banner dava ao candidato uma vantagem indevida perante os outros.
Dava porque a lei não permite. Mas é um limite artificial. Nada impede que qualquer candidato se manifeste via Internet ou que qualquer blogueiro abra o espaço que desejar para manifestar seus apoios. Aliás, este é justamente o meio de comunicação em que qualquer vereador pode concorrer em pé de igualdade com os candidatos mais ricos.
Evidentemente, alguns candidatos terão mais espaço do que outros porque terão mais apoio. Isso é dado pela democracia. E, como Ron Paul percebeu nos EUA, ter mais espaço na web do que seus concorrentes não quer dizer qualquer aumento de suas chances eleitorais.
5. Pára com isso. Propaganda eleitoral não pode antes do período eleitoral e pronto.
Devia poder. Somos políticos. Fazer ‘propaganda’ é fazer ‘propagar’ idéias. Uma democracia não é completa se não podemos nos manifestar a favor de determinadas candidaturas quando bem o quisermos sem que o Estado se intrometa.
6. Seu novo banner é uma ‘agressão gratuita à instituição judiciária’.
Esta é a única crítica que recebi e me surpreendeu. Que não fiquem dúvidas: o Tribunal me censurou. Censura é isso, é dizer que não pode publicar algo em meu espaço. Uma intromissão em minha liberdade de colocar o que quiser aqui. Uma inteferência em minha independência editorial. Esta é a informação no novo banner. E este aqui, no Brasil, ainda é um regime democrático mesmo que capenga. Um Estado de leis. O tribunal decidiu que não posso publicar, não publico. Mas digo que fui censurado.
Não preciso publicar poema de Camões ou receita de bolo, não deixo espaço em branco para dar a entender que fui censurado.
Hoje, tenho o direito de dizer ‘o que antes estava aqui não está mais porque um Tribunal disse que não pode estar’.
Não tenho qualquer saudades do tempo em que não podia dizê-lo. Tenho certeza de que os juízes concordam comigo.
7. Você não tem que escrever. Tem que brigar na Justiça.
Sou jornalista. Escrevo.
Mas há muitos, entre grandes órgãos de imprensa, portais e candidatos, lutando na Justiça neste exato momento contra as restrições atuais.
O que aconteceu aqui foi muito simples: um tribunal decidiu que um determinado tipo de conteúdo não poderia aparecer no Weblog. Não é que tenha ofendido alguém e estou sendo processado por injúria, difamação. Porque o conteúdo não era adequado à época do ano.
Que tipo de conteúdo? Conteúdo político. Há limites para o que posso manifestar politicamente. Esta é uma questão que tem a ver com nossos direitos mais básicos numa democracia.
Atualização - Não pode se manifestar a favor de crime? Não pode demonstrar racismo? Sei que há limites para a expressão da opinião no Brasil. Na verdade, o que qualquer jurista dirá é que a Constituição é contraditória no assunto e a batata quente cai na mão dos juízes. Mas reitero: considero que, para uma democracia ser plena, a liberdade de expressão deve ser absoluta. Isso nem sempre é bonito mas sempre representa o que somos e o que pensamos às claras.
No fundo, a questão é a seguinte: confiaremos que cada cidadão será responsável pelo que pensa ou pelo que diz e que responderá pelas conseqüências? Ou determinaremos que o Estado deve interferir nesta liberdade? Fico com a primeira.
Humilhou alguém de outra etnia? Que seja processado, julgado, multado, preso. Um crime foi cometido por conta sua verve? Se for comprovado, que a Justiça decida o veredito. Da última vez que a idéia de incitação ao crime foi levantada foi para impedir um grupo de cidadãos que pretendia se manifestar pela mudança de uma lei.
Ainda sobre o assunto:
- Começou a censura à Internet
na campanha eleitoral de 2008 Lei é o diabo. Regulamentação de lei, idem. No início deste ano, o ministro Ari Pargendler, do TSE, soltou a... - Censura prévia implantada no Brasil O deputado estadual tucano Fernando Capez obteve da juíza Tonia Yuka Kôroko uma liminar que determina que estou proibido...
- No tempo da censura Houve um tempo em que a censura à imprensa, no Brasil, era política de Estado. A TV Estadão fez este...
- Censura à marcha da maconha A Marcha da Maconha, marcada para se realizar nos dias 2, 3 e 9 de maio, em 14 cidades brasileiras,...
- Um boato sobre Obama; outro sobre o Vaticano Dois boatos tem batido aqui na caixa de mensagens com alguma freqüência, nas últimas semanas. Um deles diz que Barack...



A matéria do Global Voices já começa errada, o primeiro a ser notificado foi o César Maia. Talvez seja porque “ex-blog” não vale, mais provável que Cesar Maia é que não tenha valido.
Tem gente que parece se assustar com a possibilidade de mobilização da sociedade civil.
O outro lado da história é que assim como nas ditaduras, que restringem quase totalmente a liberdade de expressão, necessitam de um estado policialesco, a liberdade absoluta de expressão também o necessita para que os malucos que atravessarem a linha sejam pego. Chegando ao ponto de violar as liberdades individuais em seu trabalho de fiscalização. O que será pior?
Depois desse comentário infeliz do PD (300), em que ele “esquece” a pena de morte nos EUA, sociedade paradigma para ele, para afirmar que o direito à vida é absoluto, só me resta citar o próprio PD (comentário 291 do post do Finkelstein”:
Então não fale besteira, quanto mais besteiras aberrantes como essa. Se não entende rigorosamente nada do assunto, não se manifeste.
Alguns podem ter dúvidas, eu não tenho nenhuma. Liberdade quae sera tamen.
Pedro
Muito oportuno este debate em torno desta questão.
Democracia é isto, debater-se as questões nacionais, mas tenho minha opinião formada e neste caso você errou.
A lei eleitoral é clara, e proíbe a propaganda.
Acho apenas que se pode haver um debate a respeito para sabermos se hoje o que a opinião pública acha.
Esta lei eleitoral veio justamente moralizar, limpar toda a porcaria eleitoral massificante que éramos obrigados a engolir.
Portanto, banner ou qualquer outra forma alusiva a um candidato a cargo úblico em período pré-eleitoral como este é antes de mais nada anti-ética e perturbadora, antes de ser ilegal!
Te respeito, mas neste caso quero ser repeitado, dentro da lei!
Abraços
“…’Cuz the United States sponsored the rise of the 3rd Reich
Just like the CIA trained terrorists to the fight…”
“…Now here’s the truth about the system that’ll fuck up your mind
They gave Al Queda 6 billion dollars in 1989 to 1992″
“…The military industry got it poppin’ and lockin’
Looking for a way to justify the Wolfowitz Doctrine
And as a matter of fact, Rumsfeld, now that I think back
Without 9/11, you couldn’t have a war in Iraq…”
“…And Dick Cheney, you fuckin leech, tell them your plans
About building your pipelines through Afghanistan…”
Immortal Technique
Cause Of Death
http://www.youtube.com/watch?v=3u3JSEqNtlg&NR=1
Liberdade de Expressão x Liberdade de Pressão
Liberdade x Dinheiro
“Dez Guerras, Dez Mentiras Midiáticas”
Artigo de Michel Collon, adaptado pelo Mello.
palhinha…
“8) Afeganistão (2001)
Mentira midiática: Bush pretende vingar o 11 de setembro e capturar Bin Laden
O que se saberá mais tarde: Não existe nenhuma prova da existência dessa rede. Além disso, os talibãs tinham proposto extraditar Bin Laden.
Verdadeiro objetivo: Controlar militarmente o centro estratégico da Ásia, construir um oleoduto que permitisse controlar o abastecimento energético do sul da Ásia.
Conseqüências: Ocupação extremamente prolongada e grande aumento da produção e tráfico de ópio.”
http://blogdomello.blogspot.com/
“Cada guerra é precedida por uma mentira dos meios de comunicação de massa. Hoje Bush ameaça a Venezuela e o Equador. Amanhã será o Irã? E depois, quem mais?
(…) Recordemos simplesmente quantas vezes os mesmos Estados Unidos e os mesmos meios já nos manipularam.”
Vejam que interessante…
“Diez guerras, diez mentiras mediáticas ”
http://www.kaosenlared.net/noticia/diez-guerras-diez-mentiras-mediaticas
“They don’t realize that America can’t exist without separating them from their identity, because if we had some sense of who we really are, there’s no way in hell we’d allow this country to push it’s genocidal consensus on our homelands. This ignorance exists, but it can be destroyed. ”
“We’re given the idea that if we didn’t have these people to exploit then America wouldn’t be rich enough to let us have these little petty material things in our lives and basic standards of living. No, that’s wrong. It’s the business giants and the government officials who make all the real money.”
Immortal Technique
http://www.youtube.com/watch?v=j7Vl0peys90
O diálogo entre culturas é dificílimo, e estamos no mesmo Ocidente republicano. Por mais que se falem não se entendem.
É uma ditadura!
Brutal e vergonhosa… ditadura.
As ruas já sabem…
Immortal Technique
the 4th branch
http://www.youtube.com/watch?v=u8svjkIIzfs
“How could this be, the land of the free, home of the brave?
Indigenous holocaust, and the home of the slaves
Corporate America, dancin’ offbeat to the rhythm
You really think this country, never sponsored terrorism?
Human rights violations, we continue the saga
El Savador and the contras in Nicaragua”
“Fighting for freedom and fighting terror, but what’s reality?
Martial law is coming soon to the hood, to kill you
While you hanging your flag out your project window…”
“Media censorship, blocking out the video screens
A continent of oil kingdoms, bought for a bargain
Democracy is just a word, when the people are starvin’
The average citizen, made to be, blind to the reason
A desert full of genocide, where the bodies are freezin’
And the world doesn’t believe that you fightin’ for freedom…”
“We act like we share in the spoils of war that they do
We die in wars, we don’t get the contracts to make money off ‘em afterwards!
We don’t get weapons contracts, nigga!
We don’t get cheap labor for our companies, nigga!
We are cheap labor, nigga!
Turn off the news and read, nigga!
Read… read… read…”
Em estado de guerra, inclusive no Brasil, pode haver pena morte por fuzilamento.
O aborto em caso de estupro é outros exemplo de exceção ao direito à vida.
Ah! Vc falou direito à vida após o nascimento; retiro o exemplo do aborto.
Quem tem, tem medo. É isso.
Sidney Mirandão, os EUA não são a sociedade ideal. Não disse isso em momento algum. Considero a pena de morte uma barbárie. Noutro comentário, em algum ponto deste longo post, disse que sou parlamentarista. O presidencialismo flerta com a ditadura, na minha opinião.
Mas gosto da maneira norte-americana de encarar a liberdade de expressão.
Arilo, não estamos discutindo leis. Estamos discutindo direitos ideais. Não é porque até no Brasil, em caso de guerra, o fuzilamento seja permitido que isto é correto. Me resguardo a seguir considerando que o direito à vida, após o nascimento, é sagrado e pleno.
PD, sua colocação quanto à relação videogame/violência juvenil e pornografia/estupro faz todo o sentido.
Concordo que seria simplesmente equivocado atribuir aos videogames a causa de massacres como o de Columbine; da mesma forma que seria errado dizer que a culpa por um determinado caso de pedofilia está num site que o sujeito viu. Afirmar isso equivaleria a reeditar a velha cantilena da escola de frankfurt — tipo “a mídia imbeciliza as pessoas” etc, como se o receptor de qualquer mensagem não fosse um ser pensante, que escolhe como quer absorver aquela informação, ou escolher o que fazer com ela.
Ainda assim, uma questão permanece: o que incita o crime e o que não? Qual a linha que separa a simples “influência” da incitação? É uma questão espinhosa, para a qual não temos uma resposta objetiva ou definitiva, nem nunca teremos. No caso dos videogames, ou da relação entre pornografia/estupro, a justiça parece entender que não se trata de incitação ao crime; já no caso da apologia à pedofilia, a justiça diz que é incitação sim. É arbitrário? É. Vc pode até discordar, mas… Acaso alguma lei não é arbitrária?
A questão, pois, permanece. Palavras podem ser tão potencialmente danosas quanto atos, e isso é suficiente para justificar eventuais sanções a priori. Não há nenhuma razão para conceder às palavras um estatuto absolutamente diferenciado — como se elas não tivessem peso nenhum, como se fossem totalmente inofensivas em si mesmas.
Mas não deixo de pensar neste debate todo com um certo desconforto, e isso por um motivo: estamos ainda no mundo das abstrações, da filosofia. No mundo real, as coisas não funcionam desta forma.
Vc deu o exemplo dos EUA. Ok, lá o sujeito tem o direito absoluto à liberdade de expressão — uma maravilha. Então porque não se coloca uma cena de sexo explícito numa série de TV em horário nobre? Certamente não é apenas porque iria ofender muitos espectadores. O diretor da série não se atreve a fazer isso porque sabe que tomará um processo cabeludo nas costas. Ou seja: a sanção a posteriori, na verdade, atua como uma forma de introjetar no indivíduo a censura a priori. O Estado é um grande superego, e a lei existe menos para punir do que para dissuadir o camarada a fazer qualquer ato que mereça punição.
Tudo isso é para dizer que, se os EUA são (neste particular) um modelo a ser seguido, não é apenas porque lá se tem direito à liberdade de expressão — mas também e sobretudo porque os indivíduos confiam nas leis, sabem que elas atuarão com rigor, e que a justiça no fim das contas será feita. Isso e outros motivos, mas não vem ao caso agora, certo?
(E sim, Stuart Mill é uma lacuna na minha biblioteca, por enquanto…)
Abraço,
ACT
O direito a vida apos o nascimento ´´e absoluto…….mas até quando? Se pode matar um feto de 8 meses legalmente, faltaria quanto para matar legalmente um bebe de 1 mês? Dois meses? Quem determina este prazo? A ciencia? Os homens? A religião?
O direito ‘a vida já está relativizado. Como auqles que são contra a pena de morte são a favor do aborto, pergunto, qual a única rela diferença entre os 2 casos?
simples, num caso se mata um inocente, no outro um culpado.
Os 2 últimos comentarios do Dino são excelentes.
[...] abaixo a notícia publicada no próprio Blog do Pedro Dória. Que já está dando repercussão na chamada blogosfera, como comenta o próprio Pedro [...]
Antonio — há crimes e há crimes. Uma mulher que rouba comida para alimentar o filho é diferente de um sujeito que estupra uma criança. Esses conceitos também variam no tempo. Tenho uma bisavó que casou aos 13 anos e levou sua boneca favorita para casa, com o marido de quase 30. Gente boa, de posses, como se dizia no tempo. Hoje seria estupro. Eu considero estupro. Mas os meus valores são os do nosso tempo.
Por que, nos EUA, não passam pornografia às 15h na televisão aberta se, acaso quisessem, poderiam? Primeiro, porque não podem. A televisão não pertence às retransmissoras ou às redes. A televisão pertence à comunidade. E o FCC, que é o órgão público que rege as tevês, apresenta restrições.
Não tenho nada contra isso. É como disse mais cedo nesta caixa: o blog me pertence, o Estadão pertence aos Mesquitas, a Globo não pertence aos Marinho. É uma concessão pública. Isso quer dizer que uma tevê aberta deve atender no máximo possível aos anseios da sociedade, ao direito da sociedade de se informar etc. Essa regulamentação é complexa pacas.
Agora, se não houvesse restrição, haveria sexo explícito às 15h? Duvido. O público ia reclamar. As sociedades mais livres aprendem desde cedo a lidar com responsabilidade para com a comunidade. Mas, perceba… não sou contra o exercício de responsabilidade social por todos. De que exista um consenso a respeito do que se pode e o que não se pode. Sou contra o Estado determinar qual deve ser este consenso.
Aliás, Antonio, Stuart Mill é o mais radical dos filósofos no trato da liberdade de expressão… tudo que estou falando aqui é o que ele diz, rigorosamente nada de original. O limite é, diz ele, o ‘dano’ comprovável que uma fala pode causar a alguém. São casos raros, extremos, que envolvem mais do que a mera transmissão de uma idéia. É preciso que ela tenha por conseqüência uma ação.
Dino, na verdade, o ponto que vc levanta a respeito de suas filhas e a Internet é bastante bom. É algo que eu vivo, também. Minha filha está para ser alfabetizada. Quando for, terá o Google a sua disposição. No início, seu computador terá sistemas de proteção para navegar na rede. Mas em algum momento, certamente com ela bastante jovem, ela conseguirá driblar estes sistemas.
Eu não tenho dúvidas de que ela entrará em contato com coisas que eu preferia que ela não visse.
A Internet é a essência de um ambiente de liberdade de expressão plena. Não tem rigorosamente nada que vc não encontre nela. E não há como controlá-la.
Você defenderia um órgão de controle do que pode ou não ser publicado na rede?
Eu, não.
PD, se você crê que a ideia em si não pode ser tida como criminsa, como ficam os hate crime? Então são pura fantasia?
Ora, Chesterix-Dracul- El Cid, o irado, não entendi. Hate crimes são crimes. Enforcamentos, linchamentos, assassinatos em geral, ou surras…
não, os hate crimes são apenas verbais. Esses que v. descreveu constam do codigo penal há séculos.
Hate crime can take many forms. Incidents may involve physical assault, damage to property, bullying, harassment, verbal abuse or insults, or offensive graffiti or letters
PD, perdoe, mas não entendi. Se o FCC impõe restrições a priori sobre o que pode e o que não pode ir ao ar, então pode-se dizer que há liberdade de expressão absoluta nos EUA?
Abraço,
ACT
ps 1 - Terei que ler o Mill em breve, por razões acadêmicas. Posso agora eu te dar uma dica? Leia o Rorty. Vc veria porque a defesa dos valores que são mais caros ao liberalismo não precisa de uma justificativa metafísica.
ps 2 - mas o órgão de controle do que pode ou não pode ser publicado na rede já existe: é a justiça de cada país…
PD sabe que dizer tudo que pensa pode dar cadeia, principalmente se você for um nazistão e quiser matar judeus, um racista e quiser matar negros, e assim por diante.
Num mundo colpetamente relativista, PD acha que a liberdade de expressão é, ou deveria ser, absoluta.
Abriu a caixa do relativismo, babaus….
colpetamente = completamente
Então é isso PD?
Liberou geral?
Então não vê o perigo de toda esta libertinagem?
Olha este depoimento contundente:
“Precious Bodily Fluids”
http://www.youtube.com/watch?v=N1KvgtEnABY
“I can no longer sit back and allow Communist infiltration , Communist indoctrination, Communist subversion, and the international Communist conspiracy to sap and impurify all of our precious bodily fluids… ”
-Base Commander Ripper
Antonio, vc pode dizer o que quer no veículo que lhe pertence.
Essa é a diferença.
Não há nenhum órgão que investigue o conteúdo de jornais, revistas, estúdios de cinema, sites… Rádio e tevê, sim.
Fabio Passos, desculpe… muitas vezes não entendo do que vc está falando. Não sei sequer se está on topic ou off topic…
Não acho que ofensa deva ser crime, Chesterix-Dracul- El Cid, o irado. Mas é claro que vai depender de caso a caso e dos resultados do bulying, por exemplo.
mais uma tese da esquerda repudiada pelo PD…PD, como é que você ainda se considera de esquerda?
Chesterix-Dracul- El Cid, o irado, não jurei nenhuma cartilha. Acho que o Estado tem seu papel de reparar injustiças. Mas me preocupa quando se mete a vigiar o que pode ser dito.
deveria estar preocupado com todas as “metidas e vigiadas” do estado, mesmo porque ao tentar corrigir injustiças cósmicas, cria injustiças práticas, do mundo real.
Mas , para mim, seu progresso é impressionante.
Está desculpado PD.
Eu confesso que, muitas vezes, também não tenho certeza do que quero dizer exatamente e a menor idéia de onde quero chegar…
Mas me divirto um monte no caminho.
Vejam que barbaridade! A libertinagem boquirrota está disseminada no mundo.
Um crime aterrador… flagrado no castelo de Guy de Loimbard:
http://www.youtube.com/watch?v=S1yjT8XsDI8
“You don’t frighten us, English pig-dogs! Go and boil your bottom, sons of a silly person. I blow my nose at you, so-called Arthur King, you and all your silly English k-nnnnniggets. Thpppppt! Thppt! Thppt! ”
E o sujeito despudorado continua…
“I don’t wanna talk to you no more, you empty headed animal food trough wiper! I fart in your general direction! Your mother was a hamster and your father smelt of elderberries!”
Certo, PD. Mas, vem cá, vc não acha isso meio incoerente?
Tá certo: TV e rádio são concessões públicas. Mas os canais não pertencem ao governo dos EUA. São empresas de capital privado, que prestam contas aos seus acionistas.
Parece que há aí vários pesos e várias medidas: os jornais, que são empresas privadas de comunicação, têm o direito à liberdade de expressão absoluta. Mas os veículos de comunicação mais populares, aqueles que atingem a maior parcela da população, não — mesmo que, na prática, eles tenham a mesma estrutura empresarial que seus pares impressos, por assim dizer.
Nunca tinha parado pra pensar nisso. Sei lá, mas achei esquisito. Tô viajando?
Abs,
ACT
Antonio, não é simples mesmo, não.
As produtoras de TV são privadas. As ondas nas quais transmitem seus programas são limitadas, são poucas e, como o espaço é finito, decidiu-se que não poderiam pertencer a ninguém. Pertencem à sociedade e o Estado é seu guardião.
Empresas privadas têm uma concessão de uso destas ondas públicas.
Então devem atender aos interesses do público seguindo padrões estabelecidos pela comunidade de bom gosto, interesse, informação etc.
Fica complicado neste momento… quem estabelece quais são esses ‘padrões estabelecidos’?
Mas, perceba, o limite da veiculação de informação não é dado porque a liberdade do indivíduo se expressar foi interrompida. É porque as ondas não pertencem a qualquer indivíduo. Ou pertencem a união de indivíduos.
Regulamentação não é nada simples ;-)
É que vc não presta atenção, Chesterix-Dracul- El Cid, o irado — liberdade de expressão plena já foi debatida, com igual polêmica, aqui mesmo no Weblog.
Infelizmente, é antigo o bastante para ter-se perdido com os arquivos do NoMínimo.
O Antonio tem razão… vejam no blog do Mello:
“Dez Guerras, Dez Mentiras Midiáticas”
“9) Iraque (2003)
Mentira midiática:: Saddam teria perigosas armas de destruição, afirmou Colin Powell nas Nações Unidas, mostrando provas.
O que se saberá mais tarde: A Casa Branca ordenou falsificar esses relatórios (assunto Libby) ou fabricá-los.
Verdadeiro objetivo: Controlar todo o petróleo e chantagear seus rivais; Europa, Japão, China…
Conseqüências: Iraque submerso na barbárie, as mulheres devolvidas à submissão e ao obscurantismo.”
Tem outros 9 exemplos lá…
Apenas liberdade de expressão é debate minúsculo.
O grande debate é:
Liberdade de Expressão x Liberdade de Pressão
Tem uma variável chamada dinheiro que não pode ser excluída.
Quando a libertinagem finalmente tomar conta do mundo vocês vão todos se arrepender…
Imagine submeter nossos pimpolhos a terríveis aulas de educação sexual?
Vejam este flagrante odioso do que estas instituições libertinas - seguramente influenciadas pelo malévolo Wilhelm Reich - estão fazendo:
http://www.youtube.com/watch?v=uDoQFcQEpOQ
Obrigado pelo esclarecimento, PD. Entendi, e há uma lógica perfeita no que vc diz.
Então eu colocaria o seguinte: em termos filosóficos, os americanos gostam de pensar que o direito à liberdade de expressão da qual desfrutam é absoluto. (E esta crença, diga-se de passagem, é saudável para o sistema político como um todo.)
Na prática, contudo, não se pode falar que há liberdade de expressão absoluta nos EUA. Porque uma coisa, qualquer coisa, para ser absoluta, não pode admitir exceção de espécie alguma — do contrário, não é absoluta. E se as TVs e rádios observam e obedecem a um código de censura a priori — e aqui não importam as razões que levaram à necessidade do código: importa é que ele existe, e que tem ação reguladora –, isso significa que os milhares de indivíduos que trabalham nestas empresas não possuem efetivamente o direito de dizer aquilo que lhes der na telha, da maneira que mais lhes aprouver.
Tremenda injustiça, caraio… :-)
Abs,
ACT
Antonio, vamos colocar da seguinte forma: a liberdade de expressão do indivíduo é absoluta, e isto quer dizer que ele é plenamente responsável pelas conseqüências (inclusive criminais) do que diz, em que contexto etc.
O meio no qual o cidadão pode se expressar tem limitações. Se ele vai usar um espaço que pertence à comunidade e que é limitado, o Estado, em nome da sociedade, determina parâmetros.
E isso nunca vem sem polêmica, evidentemente.
Isto.
E o indivíduo ou corporação, com muita gaita, é quem usa e abusa do “espaço que pertence à comunidade”… e o Estado, em nome da sociedade, mas obviamente a serviço do establishment, determina três parâmetros:
1) Qualquer expressão que condene o status quo não tem espaço. O espaço é diretamente proporcional a quantidade de dinheiro e quem tem dinheiro, afinal, são os representantes do status quo.
2) A expressão dos interesses das corporações é a única expressão válida. Pois é considerada a expressão dos interesses da nação.
3) Não há qualquer consequência (criminal menos ainda… essa foi boa) para as empresas de comunicação e os bandidos que mentem para toda a nação a fim de iniciar guerras baseadas em mentiras para roubar petróleo.
Pelo amor de deus!
Até onde chega a libertinagem!
Vejam que as pessoas já consideram tudo normal…
http://www.youtube.com/watch?v=nGRPFUYUUdQ
“Isn’t it awfully nice to have a penis?
Isn’t it frightfully good to have a dong?
It’s swell to have a stiffy.
It’s divine to own a dick,
From the tiniest little tadger
To the world’s biggest prick.
So, three cheers for your Willy or John Thomas.
Hooray for your one-eyed trouser snake,
Your piece of pork, your wife’s best friend,
Your Percy, or your cock.
You can wrap it up in ribbons.
You can slip it in your sock,
But don’t take it out in public,
Or they will stick you in the dock,
And you won’t come back. ”
Isto só pode ser influência nefasta daquele Wilhelm Reich.
Aliás, onde e como foi mesmo que ele morreu?
De qualquer forma que se veja a questão, o curioso é que os norte-americanos aceitaram negociar limites para a liberdade de expressão.
Afinal, eles poderiam ter chegado a um acordo diferente. Eles poderiam, por exemplo, haver estabelecido o seguinte:
“Nós, o povo dos Estados Unidos da América, concordamos que: apesar das ‘ondas’ que transmitem rádio e televisão serem limitadas, e apesar também de seu uso ser uma concessão pública, vamos permitir que as empresas privadas que delas se utilizam operem com liberdade de expressão absoluta; que assim decidimos porque entendemos que o Estado, ainda que agindo em nosso nome, não deve poder determinar parâmetros de censura de espécie alguma, posto que, ao assim fazer, estaria automaticamente contrariando um dos princípios fundamentais que norteiam a nossa vida; que estamos cientes de que nossa escolha implica em grandes riscos, mas que confiamos plenamente em nossas leis para reparar eventuais abusos cometidos; que, finalmente, acordamos o que precede porque cremos ser a causa da liberdade de expressão uma causa maior, que ultrapassa todas as outras”.
Abs,
ACT
“O governo George Bush é ultraconservador. A comunidade científica enfrentou dificuldades?
Miguel Nicolelis:
“Estou há vinte anos nos Estados Unidos: é o período mais difícil e opressor que já passei na América. Você sente que não tem liberdade de manifestar sua opinião…
…Nos Estados Unidos é pior, ao ponto de certos professores serem repreendidos por falar em Darwin no departamento de biologia”
Curioso, não?
Será que Harold Bloom está correto ao definir a “democracia” estadunidense como:
1/3 Plutocracia
1/3 Oligarquia
1/3 Teocracia
?
Antonio, veja a nunance, aqui: vc pode dizer o que quiser desde que o veículo pertença a você.
Sua voz, seu jornal… sua tevê a cabo.
PD, é bastante significativa esta sua frase: “vc pode dizer o que quiser DESDE QUE…”
Há um condicional aí — e coisas absolutas, por definição, não aceitam condição alguma, do contrário não podem ser absolutas.
Uma definição absoluta seria assim: “Você pode dizer o que quiser. Ponto”.
eu não esqueci desse tempo, PD, apenas o enfoque é outro. Para ser um defensor da absoluta liberdqade de expressão, tem que defender o absoluto direito a propriedade.
OMS quer banir propaganda de cigarro
A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu a todos os governos, nesta sexta-feira (30), que proíbam as propagandas de qualquer tipo sobre o cigarro. O pedido foi feito em ocasião ao Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, quem tem esse ano o foco na proteção da saúde dos jovens. A OMS considera o tabagismo uma doença pediátrica, dado que grande parte dos fumantes experimenta o primeiro cigarro e fica dependente antes dos 18 anos de idade. Segundo a OMS, no fim deste século mais de 500 milhões de pessoas terão morrido em razão do cigarro.
chest- então, PD, isto é ou não é um atentado contra a liberdade de expressão?
Jesse Jackson is traveling the country with a tough anti-crime message that he is delivering to inner-city youngsters. In Chicago he said, “There is nothing more painful to me at this stage in my life than to walk down the street and hear footsteps and start thinking about robbery — then look around and see somebody white and feel relieved.”
http://www.liveleak.com/view?i=223_1209244907
isto é liberdade de expressão
Nassau, em #197: Não estava me referindo ao caso TRE-RJ em particular, mas sim ao fato de que, em qualquer situação, um órgão estatal de controle é necessário (ainda que destinado a atuar ex post facto).
Abs.
Ao Pedro Dória, em #316:
Mas e o assassinato cometido em legítima defesa? Matar para não morrer? Também é errado?
Abs.
Ao Antônio, em #317:
“O estado é um grande superego” acabou de ser incluída no meu rol de frases favoritas.
Abs.
E, Pedro, a meu ver, o nexo de causalidade entre idéias expressas e ações não só existe, mas é fortíssimo. Nosso comportamento (que aqui pode ser encarado como um “output”) resulta do processamento das idéias e estímulos que recebemos do meio que nos circunda (ou seja, dos “inputs”). Ainda que este processamento varie de acordo com a dotação genética de cada um, sem estes “inputs” somos animais.
Negar o potencial para ação das idéias é reduzir a
zero a importância da publicidade, do jornalismo investigativo, dos discursos eleitorais, das campanhas de prevenção contra doenças… todos estes são apenas variantes de idéias expressas por meio de palavras.
Abs.
ideias tem consequencias….
gozado é um jornalista que acha que não….pode ser humildade.
Paulo, legítima defesa?
Xeque-mate =)
Antonio, okay… há uma condicional. Mas o seu direito de dizer o que quiser continua intacto.
PD, eu realmente não vejo benefício algum em defender o indefensável — em insistir numa abstração filosófica que é desmentida pela realidade dos fatos, pela maneira que as coisas funcionam na prática.
Sua defesa da liberdade de expressão não precisa recorrer a este expediente. Ficaria melhor se se limitasse ao caso específico em questão, a lei eleitoral no Brasil.
Mas esta é somente a minha opinião, e vc é livre para discordar. :-)
ACT
poder dizer, pode, mas depois morre.
PD,
mermão, me responde um coisa: há a chance de você ser preso por estar falando o que pensa??? isso acarretaria alguma coisa pra você, algum tipo de coersão?
estar em concordância com a constituição quer dizer que qualquer lei (sendo constitucional ou não) tem a chance de te mandar pra cadeia, pagar uma quantia financeira ou o qualquer outra coisa?
se você tiver um advogado do seu lado e for ao tribunal (essa suposição que segue está baseado na resposta afirmativa da pergunta sobre a possibilidade de coersão ao desobedecer uma lei não constitucional) e ao concordar com a constituição e não concordar com tal lei, qual solução que o Estado lhe oferece? acho que ele só lhe daria uma, mas ele tem obrigação de lhe dar duas, ou você fica calado porque as coisas são assim aqui, ou ele banca uma maneira de negociar com outro Estado a transferência de um de seus cidadãos que se nega em seguir uma lei incostitucional (como que os caras permitem isso né? santa hipocrisia) e negociar também uma oferta de trabalho e obtenção de renda proporcionalmente igual com a que você galgou aqui no território que é desse Estado filho da puta… você não é obrigado a ficar calado, mas ao falar você se lasca na maioria das vezes (se o que você aborda é algo que sabemos que em seguida vem a coersão)
liberdade de expressão já!
o que acontece com um infeliz que não concorda com constituição nenhuma de país nenhum… se ele argumentar todas as causas de sua discordância e o direito não argumentar mais forte do que ele, através de provas… acho que o cara teria o direito de estar livre de qualquer aplicação de leis. mas como eu acho que todas as constituição mundiais condenam uma pessoa que pratica qualquer tipo de homicídio, então ninguém pode falar que discorda plenamente de todas as constituições em sã consciência, então o cara teria que viver sob vigilância… só para elucidar uma suposição qualquer de um fato!
abração cara… e uma dica: se quiser falar sobre política e não ficar sofrendo da hipocrisia do sistema, não dê nome aos bois… faça as pessoas pensarem sobre isso que já basta, política é isso! não é a personificação que vale, mais sim a essência da idéia!
abraços
há uma falacia no argumento do PD em relação a liberdade plena de expressão. Em suma, você pode tudo o que quiser (se assumir as consequências). Não só se exprimir, mas agir, matar, fazer o bem, dormir o dia inteiro. Impossivel se supõe ser um esquedrão que previna a intenção do crime.
A intenção criminosa tb é “permitida”, pois velada.
Todo mundo pode tudo, mas nem tudo convem.
Pedro, vi a sua entrevista no jornal portugues “expresso” e de facto o tema interessou-me.
Devo dizer que, de uma forma geral, estou de acordo que o tribunal decidiu de uma forma exagerada e desporprocionada. No entanto devo notar o seguinte:
A liberdade de expressao é um direito fundamental mas nao é absoluto. Como sei que concorda que há direitos mais funamentais tais como o direito à integridade física e ao bom nome. Nao podemos andar na rua com medo de sermos atacados por alguem que nos já nos ameaçou. Sobretudo se isso resulta de fenómenos racistas, politicos, sexuais ou religiosos.
Em boa verdade, nao seria necessario ao estado ter uma lei que dissesse expressamente que é proibido o incitamento a violencia etc. Isso já está previsto na constituicao brasileira . E nisso nao ha qualquer confito. Tudo é bem claro.
Neste caso, a unica coisa que o estado faz é, tao somente, antecipar estes crimes para que o seu combate seja mais eficaz.
1. Eu acho que a propaganda pode bem se diferenciar de uma manifestação política pela sua articulação. Seu banner, se me lembro bem, apontava para um post no qual você manifestava razões pelas quais você apoiava o candidato ou coisa do gênero.
2. Não é problema que não exista um determinação clara sobre o que é ou não é propaganda, muito menos que seja preciso um departamento ou pessoas responsáveis pela classificação. As leis, por positivas que sejam, estão sempre sujeitas à interpretação e à operação — e nem por isso deixam de ser objetivas. A questão “quem vai decidir” portanto não é um argumento forte a favor de uma liberdade de imprensa absoluta.
3. Há desvantagens que são incontornáveis, se houvesse uma eleição presidencial hoje e os eleitores resolvessem manifestar suas predileções, como seria contornada a imensa vantagem de Lula? Se a vantagem é exercida a base de poder econômico, tudo bem — mas é abusiva (e antidemocrática) a tentativa de coibir a vantagem adquirida pelo prestígio junto aos eleitores (que têm o direito de se manifestar)
4. Acho que há quê de bizarro na idéia de que tudo deve se resolver em juízo. Por acaso alguém dispensa a polícia (preventiva) por que o criminoso pode ser posteriormente preso e julgado? É evidente que alguns princípios constitucionais simplesmente não se encaixam, mas esse é o preço de sua operacionalidade e talvez seu aspecto mais sofisticado — porque se abre a flexibilização. A idéia de que há limites para a liberdade de expressão representa o entendimento de que uma democracia se baseia em múltiplos aspecto e princípios, e que a medida entre eles deve ser decidida caso a caso. Há direitos de personalidade que são tão inalienáveis quanto de expressão. A liberdade de expressão por si só é vazia se não vier acompanhada dos mecanismos pelos quais os outros direitos são garantidos. Se é evidente que em alguns casos é possível permitir que a uma discussão corra em juízos, isso não é uma regra. Quantos absurdos não poderíamos imaginar se não fossem vetadas, por mais discutíveis que sejam, certas práticas preconceituosas.
Mas afinal, Pedro, é ainda aquele parecer técnico que está te constrangendo ou saiu um novo parecer ou outra resolução? Estou por fora!
[...] 2008 de Ismael Benigno 366 pessoas, até esta manhã (terça, 3), tinham dado sua opinião no blog do Pedro Dória sobre a exigência do TRE-RJ de que ele tirasse do ar a imagem de apoio à candidatura de Gabeira [...]
Lindo e triste o artigo…
[...] Sobre o que é censura e o que podemos dizerO tribunal decidiu que não posso publicar, não publico. Mas digo que fui censurado. [...]
Pedro, embora às vezes acho que as pessoas exageram nas suas “liberdades”, tenho que admitir que os seus argumentos estão certos.
O que acho incrível é estarmos nas mãos de pessoas ignorantes, no tocante à internet.
Como disse um amigo, se referindo as duas meninas que fugiram, o que sai dos padrões, ou seja a simples liberdade assusta, é errada, isso não pode e pronto.
Como vão fazer para analisar caso a caso, no tocante às comuidades de relacionamento, por exemplo? E temos o direito de aqui na net falar o que pensamos e apoiamos sim.
Os nossos juízes estão nos levando ao retrocesso dos tempos da ditadura militar. Me lembra Orwell, pois desses jeito temos que ter medo de simplesmente pensar em falar que gostamos desse ou aquele candidato. Afinal, cadê a democracia que eles, justamente, tanto propagam.
Chega ser tanta hipocrisia e pregruiça, sim preguiça para entender que a internet é diferente e a internet não há ditadura, ou raiva por justamente eles verem a impossibilidade de controlar o meio digital.
Nos EUA se falou tanto das prévias, de como Obama e os seus simpatizantes utilizaram da net, sem problema algum. Tá na hora de alguns magistrados voltarem a escola da realidade e saírem do pedestal.
[...] Doria, jornalista e blogueiro conhecido, teve seu blog censurado porque “estaria fazendo campanha para o Fernando Gabeira antes da hora” - alguém me [...]
A liberdade de expressão é a essência da democracia, sem ela de nada adianta falar de democracia.
Já não é de hoje que no BRASIL há muita gente dizendo que entende disso e daquilo sem considerar as particularidades de cada situação. Querer controlar o que se passa na WEB é no mínimo, presunção.
Suas linhas acima deveriam ser lidas por mais pessoas, (pena que a maioria ignora a qualidade).
E ainda está por vir aí a lei da INTERNET, que, como está gravado nas linhas de EXAME (deste mês), tem tudo para ficar conhecida como a Leia da discordia da Internet.
Olha a questão do estado interferi em certos produtos e questionável, como ja foi dito. Porem dizer que cada cidadão terá consciência de como se expressar e assumir as consequências e ingenuidade. Se o mundo seguisse um dos primeiros mandamentos de respeito ao próximo “Amai teu próximo como a ti mesmo”, se em mais de 2000 anos nem isso o ser humano conseguiu cumpri imagina respeitar os direitos morais de toda uma sociedade?Ainda mais que no Brasil confundem liberdade com libertinagem.
Enfim, tem que haver uma certa fiscalização mas não com abuso de poder(coisa muito comum no Brasil, outra coisa a ser combatida), pois se dependermos da consciência de uns e outros vai saber ate onde podem chegar…(fico ate meio sem palavras para definir a onde a “libertinagem” de imprensa pode chegar).
[...] - Gabeira ultrapassou Eduardo Paes. Se vencer, os cariocas devem agradecer a Pedro Dória. addthis_url = ‘http%3A%2F%2Fwww.novacorja.org%2F%3Fp%3D4459′; addthis_title = [...]
[...] post em questão é favorável às pesquisas, lembrando (com as devidas ressalvas e adaptações) a posição do Pedro Doria em relação à liberdade de expressão. Sim, pesquisas como a que menciono acima não devem ser proibidas, ainda que seja legítimo [...]