A imprensa norte-americana fez de What happened: inside the Bush White House and Washington’s culture of deception (O que aconteceu: por dentro da Casa Branca de Bush e a cultura de enganação em Washington), livro de Scott McClellan, o assunto da semana. O autor, que foi diretor de comunicação de Bush por um longo período, não conta qualquer novidade.
A diferença é que, agora, as histórias vêm do sujeito que foi responsável por manter a boa imagem do governo Bush.
Há detalhes de como o marqueteiro Karl Rove e Scooter Libby, assessor do vice-presidente Dick Cheney, combinaram (ilegalmente) a história que contariam à Justiça a respeito do vazamento da identidade de uma agente da CIA. Ou então de como Rove tomou uma série de decisões erradas que levariam à maneira desastrosa pela qual o governo lidou com os resultados do furacão Katrina, em Nova Orleans.
Mas, principalmente, McClellan fala sobre a Guerra do Iraque.
Foi fácil enganar a imprensa, ele diz. ‘Ainda admiro o presidente Bush’, diz, ‘mas ele e seus assessores confundiram uma campanha de propaganda com a honestidade necessária para construir e manter apoio público durante um tempo de guerra.’
Segundo o ex-diretor de comunicação de Bush, o governo jamais levou a sério os motivos que levaram o país à guerra. Estavam decididos a entrar no Iraque e pronto. A partir desta decisão, construíram uma história de como o público deveria ser convencido da necessidade de guerra. A imprensa jamais exerceu um tom crítico que lhe caberia, simplesmente partiu do princípio que, entre todos os homens do presidente, só havia pessoas honestas.
Não era o caso.
A campanha de propaganda foi eficiente. Do ponto de vista militar, no entanto, a guerra foi mal planejada e mal gerida. Derrubar um governo frágil não foi difícil. Mas o frágil equilíbrio de uma região complexa desmoronou e não há saída em vista.
McClellan deixa claro que a história das armas de destruição em massa não era levada a sério pelo governo. O que ele não diz com clareza, apenas deixa subentendido, é que o governo Bush mentiu e a imprensa comprou sua versão. Ponto.
A história do governo de George W. Bush é a de um dos governos mais incompetentes da história dos Estados Unidos. Eles acreditaram que poderiam fazer o que quisessem no mundo desde que convencessem as pessoas certas de que seus ideais eram nobres. No caminho, descobriram que – quando se é governo – o trabalho de convencimento não é muito difícil. Qualquer história cola.
A questão que paira é só uma: será que pode acontecer de novo?




