Pedro Doria | Weblog

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Lembrando Carlos Castello Branco

May 29th, 2008 · · 37 Comentários

O ambiente dos grandes jornais é conservador?

As instituições são todas conservadoras, a Igreja era conservadora, agora deixou de ser; a universidade era conservadora, agora deixou de ser, está num processo de renovação muito grande; e a imprensa também era conservadora. A imprensa hoje é uma indústria, em que o lado empresarial é mais importante que o lado jornalístico, e o lado boêmio da imprensa praticamente desapareceu. O jornalista dissociou-se muito da empresa, antigamente o jornal era feito por um jornalista que queria influir nos acontecimentos, na vida do país, então havia muita identidade até entre a redação que se formava e a empresa do jornal, havia muita solidariedade. Hoje não há nenhuma solidariedade entre o jornal e os jornalistas, os repórteres e redatores, o sujeito trabalha para aquela empresa, mas não tem nada a ver com aquela empresa, Eu trabalho para o jornal do Nascimento Brito há 26 anos e não tenho nada a ver com ele. Trato muito bem, temos boa relação pessoal, mas eu não penso como ele pensa, ele tem os compromissos dele.

Alguma vez você foi convidado pelo Roberto Marinho para ir para O Globo?

Fui convidado, em condições desagradáveis, que não aceitei; foi no dia da renúncia do Jânio Quadros. Eu ia entrando no Palácio, saltei na garagem, ia para o meu Gabinete, já que era Secretário de Imprensa do Presidente, e ia anunciar a renúncia do Jânio. Então, encontrei o Roberto Marinho, na garagem. Ele tinha uma audiência marcada com Jânio para as três horas da tarde, aí eu falei: ‘Dr. Roberto, o senhor não precisa subir. Vou lhe contar aqui confidencialmente. O presidente renunciou. Eu vou anunciar daqui a pouco a renúncia dele.’ Ele disse: ‘Eu tenho que passar isso para o jornal.’ Aí eu contestei: ‘Eu lhe falei agora, confidencialmente.’ Aí ele disse: ‘Faltam só dez minutos.’ Eu disse: ‘Só às três horas, o senhor vai esperar.’ Aí ele me perguntou, ‘Você não quer trabalhar no Globo?’ Falei: ‘Não.’ Foi à única vez que ele me convidou.

Em Brasília os jornalistas acabam tendo uma intimidade grande com o poder, o que até complica um pouco, não? O Rio era assim também?

Não, o Rio era muito diferente, a gente se encontrava com os políticos na Câmara e no Senado, e isso acabou. A gente falava por telefone, mas não ia na casa um do outro. Era um fato excepcional a gente ir à casa de um político. Aqui não, aqui a gente vive na casa deles. Mas eu me retraí muito, raramente você vê um político na minha casa.

A Coluna do Castello, publicada diariamente no falecido Jornal do Brasil, foi provavelmente a coluna política mais influente que o Brasil jamais teve. Castellinho, como era conhecido, escrevia bem e conhecia a política e seus meandros como poucos. Nesses tempos em que aqueles que fazem análise política à esquerda e à direita, por essas bandas da Internet, costumam ter muito pouca informação e opinião de sobra ditada muitas vezes por alguns quilos de rancores pessoais, não custa lembrar como foi que se exerceu um dia este ofício.

Pois que agora Carlos Castello Branco está online

Tags: Brasil

37 Comentários até agora ↓




  • 1 Nhé! // 29/May/2008 às 15:13

    Mais uma vez eu pergunto, PD: o jornalismo mudou para pior?

  • 2 Henrique // 29/May/2008 às 15:21

    Falecido Jornal do Brasil ??? Isso é um ironia ou um desejo ?

  • 3 Silvio // 29/May/2008 às 15:28

    É um fato, Henrique. O JB de hoje é um “corpo” que vaga. A nau sem rumo.

  • 4 Pedro Doria // 29/May/2008 às 15:31

    Henrique - nem ironia, nem desejo. Aliás, certamente não desejei seu fim. Existe um jornal que leva o nome ‘Jornal do Brasil’. Aquele não é o JB. É outra coisa.

  • 5 Pedro Doria // 29/May/2008 às 15:32

    Nhé! - o jornalismo está pior em algumas coisas e melhor em outras.

    A análise política no jornalismo brasileiro está (muito) pior.

  • 6 Nhé! // 29/May/2008 às 15:35

    Gostaria que outra área do jornalismo estivesse pior PD. Tipo, a coluna social….

  • 7 Pedro Doria // 29/May/2008 às 15:39

    É, Nhé!, mas tenho a impressão que a coluna social anda melhor…

  • 8 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/May/2008 às 15:45

    jornalista que carrega piano é esquerdista, jornalista que tem importância, não é esquerdista. Logo , as redações devem estar abarrotadas de esquerdistas, que se sujeitam a baixos salarios pela “causa”. Crêm estes senhores que a tribuna é mais valiosa que salário.

  • 9 nada será como antes // 29/May/2008 às 15:53

    A se julgar pelo teor da imprensa atual, poucos jornalistas são de esquerda.

  • 10 Harpia // 29/May/2008 às 15:53

    Henrique, do ponto de um cara como eu, que cresceu lendo o JB nos anos 70 e meados dos 80, o velho JB, infelizmente, bateu as botas.
    Aquilo que hoje leva o seu nome, sinceramente … chega a ser uma ofensa.

  • 11 S Leo // 29/May/2008 às 15:54

    Calma com o enterro antecipado, Pedro. tem gente boa lá dentro, ainda, o diretor é um sujeito dinâmico, a esperança é a última que morre.

    Cheguei a conviver com o Castelinho, na sucursal do JB em BSB. Conviver é maneira de dizer; ele fazia rápidas aparições na redação, sempre simpático, mas calado, um baixinho imponente, pela autoridade moral, tremenda. Reza a lenda que ele apurava as matérias de tarde e de noite, complementava nos restaurantes da capital (na época, o Piantella e o Florentino) e escrevia de manhã. Antes do almoço, entregava a coluna.
    Passava a tarde em casa, ao telefone, bebericando uísque.
    Bebericava a bessa, reza a lenda.

  • 12 nada será como antes // 29/May/2008 às 15:57

    O correto é “à beça”.

  • 13 aiaiai // 29/May/2008 às 16:05

    Acho que coluna social foi o que restou do jornalismo…o que castelinho fala nessa entrevista é exatamente o rumo que as coisas tomaram. Os jornalistas perderam o contato com o jornal, não fazem parte da empresa, não se identificam com o ideal, até porque os jornais não tem mais ideais.

    Jornalisto imparcial é uma coisa que não existe, o jornalismo nasceu para ser parcial e essa aura de imparcialidade só atrapalha porque ilude os leitores. As pessoas não sabem que os jornais tem seus compromissos e ideais e os defendem…fica todo mundo achando que o que está escrito no jornal é a VERDADE.
    para quem se interessa pelo assunto, mesmo não sendo jornalista, recomendo a leitura de Ilusões Perdidas - de balzac. Ele mostra com clareza que jornalismo nunca foi e nunca será imparcial.

  • 14 nada será como antes // 29/May/2008 às 16:10

    aiaiai,

    Muito boa colocação.

  • 15 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/May/2008 às 16:36

    e aí, Nasca, no aguardo da revolução?

  • 16 nada será como antes // 29/May/2008 às 16:41

    Chesterton,

    Revolução não são aguardadas, são construidas.

  • 17 nada será como antes // 29/May/2008 às 16:41

    Revolução = Revoluções

  • 18 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/May/2008 às 16:47

    e que você tem feito de bom para construí-las? ( achava que as revoluções destruíam, mas tudo bem…)

  • 19 nada será como antes // 29/May/2008 às 16:51

    Chesterton,

    Exerço atividades convenientes.

  • 20 Pedro Doria // 29/May/2008 às 17:00

    Chesterix-Dracul- El Cid, o irado, vc já ouviu falar duma revolução produzida por um velhinho chamado Ben Franklin, um velhaco de nome George Washington e uma garotada que atendia pelos nomes Thomas Jefferson, John Adams, Alexander Hamilton…?

  • 21 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/May/2008 às 17:01

    convenientes para quem?

  • 22 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/May/2008 às 17:05

    certo PD, mas o Nasca é marxista, viuva de Stalin. A Revolução Americana, a Gloriosa, foi a única decente, pró-indivíduo.

    Não vai me contar que o Benjamin era marxista….

  • 23 nada será como antes // 29/May/2008 às 17:12

    Chesterton,

    Tente entender : revoluções mudam, drasticamente, regimes, sistemas, ou ambos.

    Stalin não foi revolucionário. Participou da Revolução , mas sem papel relevante.

    E, mais uma vez, não sou e nunca fui stalinista.

  • 24 Marcus // 29/May/2008 às 17:24

    Esse site do Castelinho é uma preciosidade. Fiquei lá certa vez, uma tarde inteira, lendo as colunas dos momentos mais importantes da história política recente.

    Documento histórico importantíssimo.

  • 25 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/May/2008 às 17:29

    Nasca, além de estudar marxismo, você faz alguma coisa de útil na vida?

  • 26 nada será como antes // 29/May/2008 às 17:56

    Chesterton (25),

    O que faço é assunto meu e não lhe devo satisfação alguma.

    Se o senhor gosta de discutir, argumente com clareza e conhecimento, não com inquéritos.

    Seus argumentos sobre marxismo são estereotipados , típicos dos que desconhecem o método e semelhantes ao discurso grosseiro da época da ditadura.

    Este é um blog de debates, não de cobranças pessoais. A constituição garante a liberdade de pensamento e expressão.

  • 27 Chesterix-Dracul- El Cid, o irado // 29/May/2008 às 18:30

    tanto a sua quanto a minha (um tanto mais rude, reconheço).
    Mas afinal, se a revolução não vier em your life span, que que tuvai fazê da vida?

  • 28 Zé Bush // 29/May/2008 às 18:33

    well…concordo com Mr. Marcus. A coluna do Castello é um verdadeiro curso de História do Brasil nas últimas décadas. E uma aula de integridade e coerência.

  • 29 aiaiai // 29/May/2008 às 18:59

    Nada…fica perdendo tempo com o velhinho chest não…bobagem. Sobre jornalismo, recomendo também a leitura da matéria sobre jornalismo em israel na piaui de maio…seria cômico se não fosse trágico!

  • 30 mila // 29/May/2008 às 19:11

    Como faz falta jornalista da estirpe de Castellinho.

  • 31 mila // 29/May/2008 às 19:13

    O presidente da STF, ministro Gilmar Mendes, finalizou a sessão do STF que julgou improcedente a Ação de Inconstitucionalidade do artigo 5º da Lei de Biossegurança. Votaram a favor das pesquisas com células-tronco embrionárias os ministros Joaquim Barbosa, Carmen Lúcia, Ellen Gracie, Celso de Mello, Cezar Peluso, Marco Aurélio Mello e o relator Carlos Ayres Britto. Foram considerados votos vencidos os ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Alberto Menezes Direito, Eros Grau, Cezar Peluso e Gilmar Mendes, que consideram o artigo constitucional, mas impuseram ressalvas.

  • 32 mila // 29/May/2008 às 19:15

    Houve discussão entre os ministro Celso de Mello e Cezar Peluso.

  • 33 S Leo // 29/May/2008 às 19:17

    Caro nadaserácomo antes, na pressa, capei a crase, que não foi feita para envergonhar ninugém, como dizia o Ferreira Gullar. Quanto ao Bessa, embora o Aurélio não goste, optei pelo popular, em homenagem ao Gumercindo, confiando numa história que, se no è vera`e bene trovata:

    http://recantodasletras.uol.com.br/redacoes/112156.

    Como contou uma vez o Bicarato, lá do Alfarrábio, essa história foi sacramentada no”Dicionário brasileiro de provérbios, locuções e ditos curiosos”, de R. Magalhães Júnior (Rio de Janeiro, 1974). O Bica não sabia nem sei eu a editora.

  • 34 S Leo // 29/May/2008 às 19:20

    Ops, um pontinho provocou um desvio no atalho; lá vai ele, correto desta vez:

    http://recantodasletras.uol.com.br/redacoes/112156

  • 35 S Leo // 29/May/2008 às 19:25

    E só para provar que, além de chato, sou teimoso:

    http://sergioleo.blogspot.com/2007/05/o-papa.html#comments

  • 36 Pax // 30/May/2008 às 0:56

    Tenho que concordar com o flamenguista Pedro Doria, a análise política tá capenga que dá dó.

    E acredito que seja uma bela oportunidade para bons jornalistas adentrarem nessa brecha saindo do Fla x Flu que não contribui em nada para as grandes discussões que poderiam mover a sociedade, desde um plano consistente para Educação até uma Reforma Política que possibilitasse minimizar o atual estado de canalhice generalizada e escancarada que transita em todos os âmbitos, do federal ao municipal, só pra citar dois temas que não discutimos com pertinência.

    Quem sabe aparece. Um pouco de otimismo não custa nada.

    ps.: Me sinto um órfão do velho e bom JB. Como também do velho e bom Nomínimo.

  • 37 regina bittencourt // 5/June/2008 às 11:51

    Grande importancia lembrar o jornalista carlos castello branco, podemos considera-lo um dos melhores do seculo xx . Parabens

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