Norman Finkelstein em Israel

Israel e Palestina · 28/05/2008 - 02h12 - 420 Comentários

Recebi três cobranças diferentes para falar a respeito da expulsão de Norman Finkelstein, autor de A indústria do Holocausto, de Israel. O Idelber Avelar conta a história no Biscoito fino.

Finkelstein, crítico antigo da política israelense, foi deportado logo após chegar ao país. Pretendia participar de protestos na Palestina.

Evidentemente, há uma boa turma pulando para cima e para baixo dizendo que é um absurdo, que é uma censura, e tudo mais.

Há muitos anos, após ser demitido de um jornal carioca, servi por um ano como assessor de imprensa de uma certa Câmara Municipal. Foi um treinamento excelente. Câmaras Municipais raramente têm boas imagens. O trabalho do responsável pela comunicação é, constantemente, o de prever danos à imagem da instituição e tentar evitar estragos. Na maioria das vezes, isso quer dizer optar pelo menos pior.

Foi um treinamento fascinante na arte do cinismo.

Que ninguém tenha dúvidas: Israel tem o direito de impedir a entrada de qualquer estrangeiro. No caso de Finkelstein, deviam ter aberto a mão do direito por dois motivos.

O primeiro é que seu protesto na Palestina teria publicidade mediana. Os suspeitos de sempre tratariam dele e nisto ficaria. A partir do momento em que alguém achou adequado botar o peso do Estado numa tentativa de impedir seu acesso à Palestina, a publicidade do protesto ganhou cara de matéria para a grande imprensa. A mensagem de Finkelstein ganhou mais ouvidos. Foi uma decisão incompetente.

O segundo motivo é mais sutil: é uma traição ao ideal sionista. O motivo da existência de Israel é criar uma nação na qual todos os judeus do mundo são bem-vindos, não importa em que acreditam. No momento em que Israel recusa entrada a um judeu porque ele quer mudar as políticas do Estado judaico, Israel trai o ideal sionista. Ao trair o que há de mais nobre no sionismo original, Israel dá mostra de que está perdendo sua identidade. É sua própria identidade que vai lhe garantir uma existência no futuro. É exatamente isto que deveria resguardar.

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