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O Paquistão visto por um jornalista brasileiro

May 24th, 2008 · · 29 Comentários

As escolas religiosas, que ensinam o Alcorão para crianças a partir de sete anos de idade, cumprem também um papel social no Paquistão. Como os colégios públicos não são suficientes para atender toda a população – são 160 milhões de habitantes, e a taxa de natalidade ainda é alta –, as madrassas, como as escolas religiosas são conhecidas, são responsáveis por tirar do analfabetismo boa parte da população.

Atualmente, cerca de 35% da população é considerada analfabeta ou semianalfabeta – só sabe escrever o próprio nome e ler frases curtas, de acordo com a Universidade de Peshawar. O investimento em educação também é baixo, conforme fontes ouvidas pelo G1: pouco mais de 2% do orçamento do governo paquistanês tem a educação fundamental, média e universitária como destino.

As escolas religiosas estão em todos os municípios, inclusive no interior do país. Nas madrassas, as crianças passam pelo menos uma hora por dia aprendendo o alcorão. Como a grande maioria das escolas fundamentais do país, elas têm aulas separadas para meninas e meninos.

Fernando Scheller, um dos editores do portal noticioso G1, está no Paquistão – e bloga sua visita.

dica de Marina Gomara

Tags: Islã · Ásia Central

29 Comentários até agora ↓




  • 1 confetti // 24/May/2008 às 10:35

    misturar religiao com qualquer coisa, nao da certo, desanda ! as madrassas sao um perigo, ninho de extremistas ! ((

  • 2 confetti // 24/May/2008 às 10:41

    historia e geografia do pakistan, muito bom artigo da wiki

    ( discordo de quem menospreza wikipédia …em portugues é mesmo muito incompleto, mas em ingles e frances, é fiavel em varias matérias….)

    http://en.wikipedia.org/wiki/Pakistan

  • 3 RW in Miami // 24/May/2008 às 10:48

    Bonjour Confetti !
    Foi das madrassas que sairam os talibas….

  • 4 RW in Miami // 24/May/2008 às 10:49

    E e’ a velha historia: quando o governo e’ omisso - seja no Paquistao, seja nas favelas - o caos e o “lawlessness” se instalam.

  • 5 confetti // 24/May/2008 às 10:54

    hi mate !
    pois é, o problema, como dito no post, é que as madrassas fazem um trabalho social…fossem escolas leigas, o pakistan podia sonhar com futuro ! a politica por la é um caos…tou com preguiça de linkar, mas analises interessantes nao faltam…))

  • 6 Mr X // 24/May/2008 às 11:23

    No caso problema não é o governo, é o Islã mesmo. Nas madrassas se aprende acima de tudo a decorar o Corão. Que aliás nem entendem, pois o decoram em árabe mesmo.

    Não estudam matemática, física, química, etc.

    As crianças viram pequenos robôs.

  • 7 anrafel // 24/May/2008 às 11:33

    Muita gente foi educada em colégios de freiras, escolas de confissão religiosa e, na idade adulta, adquiriu uma visão crítica da religião, às vezes chegando ao ateísmo.

    Pelo que se ouve falar das madrassas, isso tem pouca possibilidade de vir a acontecer. Ensino religioso para crianças sob severo direcionamento rumo a uma determinada conclusão é uma praga, uma deslealdade.

    Nunca li o Alcorão. Não sei de onde exatamente eles tiram a apologia à auto-imolação. Certas infâmias entram com mais facilidade na cabeça das crianças.

    É claro que anti-ocidentalismo e condenação aos judeus não constam do Alcorão, mas um trecho bíblico ou corânico está sujeito às mais variadas interpretações.

  • 8 anrafel // 24/May/2008 às 11:36

    “…o Alcorão…”, não, “…o Corão..”, sim.

  • 9 confetti // 24/May/2008 às 11:39

    anrafa ta “variando” menino ? kkk

  • 10 confetti // 24/May/2008 às 11:43

    mrx, o “problema nao é o islam” , o problema é a forma como ele é ensinado ! todos musulmano nao se explode….nao generalize

  • 11 anrafel // 24/May/2008 às 12:01

    Uma comentarista, Daniela, perguntou ao Fernando Scheller sobre esse negócio das madrassas serem escolas de terroristas. Ele ainda não respondeu.

  • 12 Mr X // 24/May/2008 às 12:39

    Confetti, ninguém aqui está falando em “se explodir”. Simplesmente que as escolas islâmicas essas não ensinam à criança nada de útil, só a decorar o Corão em uma língua que não entendem, e a lavagem cerebral.

    Por isso essas crianças crescem sem futuro.

    Alguém aí comparou com as escolas católicas mas não tem nada a ver, pois nas escolas católicas também se aprende coisa útil, aliás em geral estão entre as melhores escolas. Embora às vezes o menino tenha que apanhar das freiras ou dar pro padre (just kidding).

    Bom, enfim. Ah, o anrafel está errado, pois o Corão tem sim animosidade contra os judeus, embora, curiosamente, diga que Jerusalém pertence a eles:
    http://www.geocities.com/compassionplease/EvenKoranAffirmsJerusalemToJews.html

  • 13 Proftel // 24/May/2008 às 13:01

    Já vi esse filme uns meses atrás…
    Conversamos muito sobre esse tipo de ensino.

    :-)

  • 14 MaGioZal // 24/May/2008 às 14:29

    O que complica o lance todo da alfabetização no Paquistão, além da insegurança econômica e política, é o fato de que a maioria do país não fala as duas línguas oficiais do país, o urdu (que, a despeito das contestações religiosas, nada mais é do que o principal idioma indiano — hindi — escrito com caracteres árabes) e o inglês britânico.

    O povão mesmo em sua maioria fala punjabi, sindi ou pashto — outras línguas são faladas no dia-a-dia por menos de 10% da população.

    Isso acontece porque a elite político-militar paquistanesa não é originária dos territórios que hoje o Paquistão possui, e sim das mesmas províncias de onde surgiu a elite indiana no período colonial inglês e seus dois movimentos de independência — o Congresso Nacional Indiano, que criou a Índia, e a Liga Muçulmana, que criou o Paquistão, de onde anos mais tarde saiu Bangladesh também.

    Ah, sim, Pervez Musharraf inclui-se entre os poucos paquistaneses que falam Urdu nativamente — ele nasceu em Délhi…

  • 15 confetti // 24/May/2008 às 14:30

    chose, vc nao falou em “se explodir”, mas disse que” o problema era o islam”…como te conheço de cor, sua proxima frase seria sobre homens bomba ! hahahah

  • 16 confetti // 24/May/2008 às 14:33

    o pos benazir bhutto tem sido um caos…bem, ela nao era nenhuma fada e nao teria transformado tudo num passe de magica, mas nao era radical e tinha cultura ocidentalizada….havia esperança de mudanças sob seu governo….

  • 17 aiaiai // 24/May/2008 às 17:03

    e por que é que vão querer alfabetizar o povo? para eles notarem a merda na qual se encontram? acho que não…ensina o corão, diz que foi escrito por um cara que não sabia nem ler nem escrever…e…tudo bem, eles vão acreditar.
    aiaiai, hoje, confesso, tô sem paciência

  • 18 Andre Fucs // 24/May/2008 às 21:57

    fico aqui me perguntando em qual língua as crianças são educadas, afinal para ler o Corão rezar, basta o árabe.

  • 19 Theo // 24/May/2008 às 23:11

    só tenho uma coisa a dizer sobre essa repostagens quem vem do paquistão

    http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL476786-5602,00.html

  • 20 Theo // 24/May/2008 às 23:13

    Bom PD ele mesmo disse que os jornalistas ocidentais vão pra lá com reportagens prontas.

  • 21 confetti // 25/May/2008 às 8:52

    alo theo ! td bom ?

    faltou uma palavra na sua frase, que muda um pouco o sentido :

    “ALGUNS jornalistas ocidentais vao pra la c/reportagens prontas”

  • 22 anrafel // 25/May/2008 às 9:31

    Concordo que as escolas católicas geralmente são as melhores, tanto que minha filha estuda numa delas. Mas eu não as coloquei no mesmo plano das madrassas.

    Pessoas educadas em escolas católicas, quando adultas mantêm uma atitude crítica diante da religião. Isso acontece frequentemente. Nas madrassas, baseado nas (poucas) informações que temos, isso é pouco provável.

    Confetti achou que eu tava ‘variando’ e eu repeti o argumento.

  • 23 Hugo Albuquerque // 25/May/2008 às 13:03

    Independentemente do que as pessoas pensem sobre as religiões ou sobre o Islamismo, ver ensino misturado com religião é um problema muito, muito sério.

    Dar uma criação religiosa, escolher qual religião ou fazer o contrário, dando uma criação laica é um assunto que pertence às famílias ou seja, tange o foro íntimo, não se mistura isso com o plano público, com as escolas.

    Fico imaginando como fica a mente dessas crianças ao verem religião em toda parte, no fim das contas vão acabar indo para o fundamentalismo mesmo.

    O único modo de combater isso, seria uma intervenção do Estado paquistanês, mas, claro, para ele o fato de existirem madrassas talvez seja até um bom negócio porque a grana do país tem de ir para financiar os arsenais nucleares e encher os bolsos dos militares locais.

    PS: Só complementando, o Urdu é uma variação do antigo Hindustani do qual veio também o Hindi; Essa separação se deu durante o Império Mogul, quando houve a islamização de boa parte do sub-continente indiano; Os idiomas são até compreessíveis entre si, mas não são exatamente iguais.

    As demais línguas faladas no Paquistão são línguas dravidianas, também faladas na Índia e são anteriores a chegada dos arianos e da língua Sânscrita.

    Como o islamismo não foi trazido para a Grande Índia pelos árabes e sim por tribos mongóis islamizadas, turcos e sofreu grande influência persa, digamos que o islamismo paquistanês seja sui generis e já viveu dias melhores por ali.

  • 24 Gwyn // 25/May/2008 às 14:48

    Um livro interessante de se ler

    Before Taliban
    Genealogies of the Afghan Jihad

    http://www.escholarship.org/editions/view?docId=ft3p30056w&chunk.id=d0e406&toc.depth=1&toc.id=d0e326&brand=ucpress

  • 25 Nassau // 25/May/2008 às 14:49

    Harvard foi fundada pela Igreja Metodista.

    No colégio batista da Tijuca o ensino religioso é opcional. Temos boas escolas confessionais como a Pontifícia Universidade Católica, o Instituto Metodista Bennet no Rio, a Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo.

    No entanto considero democrática e republicana a presença da escola pública que deve ser viável e de qualidade.
    Abs.

  • 26 MaGioZal // 25/May/2008 às 18:14

    “As demais línguas faladas no Paquistão são línguas dravidianas, também faladas na Índia e são anteriores a chegada dos arianos e da língua Sânscrita.”

    Uêpa. Peraí.

    Bom, quanto a essa questão do urdu e do hindi, eu não me sinto com a autoridade de dar uma opinião totalmente firme, visto que eu não falo nem escrevo nem leio nenhum dos dois idiomas. Mas o que sei é que até antes da partição da Índia Britânica, hindi e urdu eram considerados uma língua só, o hindustani, que variavam entre si por causa de termos específicos e substantivos, boa parte deles derivados de idéias e práticas religiosas diferentes.

    Agora, voltando à questão das línguas autócnes do Paquistão, lá até é falado um idioma de origem dravidiana, mas ele é minoritário no país. A maioria de lá fala idiomas ou da família norte-indiana ou da família pérsica, como é o caso do pashto.

  • 27 Hugo Albuquerque // 25/May/2008 às 20:01

    MaGioZal,

    De fato, eu errei em enfatizar a influência dravidiana sobre todas as outras línguas paquistanesas, no entanto, creio que a influência dravidiana seja um pouco maior do que isso, principalmente porque o próprio Urdu e até o Hindi possuem sim influências do substrato dessas línguas na sua composição etmológica.

    Quanto ao Urdu e ao Hindi, os aspectos que levaram a diferenciação surgiram com o Império Mogul mesmo, se eles vieram a reconhecer depois esse processo, aí é outra história, mas ela se deu por conta da incorporação de termos persas, turcos e um pouco de árabe no falar daqueles que se islamizaram. Como eu coloquei, as diferenças não são grandes, entretanto, elas existem.

  • 28 anrafel // 26/May/2008 às 8:50

    As madrassas paquistanesas serviram para treinamento militar de jovens que iriam lutar contra os russos no Afganistão e forneceram a maioria dos integrantes do governo taliban.

    Alguns professores estimulam os estudantes a entrarem para grupos radicais na Caxemira e na Chechênia.

    Pervez Musharraf, a partir de 2001, prometeu reformar as madrassas, registrando-as junto aos orgãos do governo e pressionando por um currículo mais amplo, que fosse além do estudo exclusivo do livro sagrado.

    O que são outros quinhentos.

  • 29 Guilherme // 27/May/2008 às 13:49

    Acho que essas madrassas lembram um pouco as escolas públicas brasileiras de 1 e 2º graus: ensinam a ler e escrever, mas formam legiões de analfabetos funcionais.

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