Em setembro de 1982, as tropas do exército israelense pararam em frente aos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila. Lá, permaneceram imóveis conforme a Falange, um grupo cristão maronita libanês, invadiu trucidando. Segundo a Cruz Vermelha, por volta de 800 mortos; para a Falange, quase 3.000.
Sob o comando de Ariel Sharon, Israel não interferiu – ao contrário, estimulou o massacre.
O desenho Valsa com Bashir estreou em Cannes na última semana. Diz o Guardian:
O filme é importantíssimo, entre outros motivos, só por existir. É um mea culpa criado por alguém que esteve em contato íntimo com o que ocorreu. O diretor (e protagonista) Ari Folman não se esvai, não alivia, não busca desculpas. Ele apresenta o filme como terapia. É sua tentativa de recuperar memórias bloqueadas do que aconteceu. Ao fazê-lo, ele faz uma conexão entre os campos da morte que os judeus deixaram, na Europa, e os campos de refugiados nos quais os palestinos foram trancafiados e brutalizados no Líbano. Folman não foge do assunto.
É também um filme incrível por ser quase todo animado. A animação nasceu de desenhos feitos sobre filme e há toques de uma fantasia ameaçadora do tipo que há nos pesadelos. Entremeado há cenas – todas criadas com inegável brilhantismo – de combate, patrulhas, massacre e miséria. De certa forma, é uma resposta israelense a Persépolis, já que nasce da imaginação perturbada de um único homem. Este mundo semi-interpretado da animação é a mídia perfeita para a mensagem.
É um documentário de animação que vasculha as memórias de um veterano da Guerra do Líbano.