A dura vida de ser republicano

EUA · 16/05/2008 - 11h00 - 28 Comentários

Foi um dia carregado politicamente o de ontem, nos EUA. À tarde, o presidente norte-americano George W. Bush comparou ‘aqueles que conversam com o inimigo‘ com ‘aqueles que conversando achavam que conteriam Hitler’. Era uma evidente referência a Barack Obama – e o Partido Democrata em peso, Hillary Clinton inclusa, partiu em sua defesa. Principalmente por um motivo: chefes-de-Estado não criticam cidadãos de seu país quando pisando em solo estrangeiro. É diplomacia básica.

Por conta da decisão da Suprema Corte da Califórnia, que considerou a proibição do casamento entre casais do mesmo sexo inconstitucional, os candidatos à presidência foram imediatamente consultados. Ambos, McCain e Obama, responderam o mesmo. Não é uma questão federal, cabe a cada estado decidir. É o oposto da posição de Bush – e abriu a porteira para a legalização na Califórnia.

‘Ambos os candidatos’ – e Hillary? A senadora baixou o tom nos últimos dias. Tudo indica que se manterá em campanha até a última primária, no início de junho, mas não apenas partiu em defesa de Obama contra Bush, ontem, como anteontem reiterou que não faz qualquer sentido algum de seus eleitores votar em McCain ao invés de Obama. Ou ‘Barack’, como ela tem preferido dizer. Ao que parece, as primárias continuam mas aluta fratricida entre os democratas terminou.

A campanha nacional tomou rumo, o presidente já critica um democrata em particular, e as últimas pesquisas dão conta que Obama ou Hillary, não importa, a vitória sobre McCain é garantida. (Com Obama é um pouco mais folgado.)

Durante os últimos meses, muitos analistas sugeriram que a briga interna democrata custaria a eleição. As próprias pesquisas chegaram a insinuar algo do tipo. Os indícios que os republicanos estão captando, no entanto, não se estes.

Tais indícios começam com as eleições extraordinárias para deputado federal – congressmen. Tais eleições ocorrem sempre que é preciso substituir uma cadeira vaga na Câmara, por morte ou renúncia. Na terça, no Mississippi, em um distrito no qual republicanos sempre vencem fácil, um democrata foi eleito. É a terceira vez que algo do tipo acontece este ano – e os republicanos da House of Representatives, a Câmara deles, entraram em alerta vermelho. A primeira ordem é se afastar imediatamente e o máximo possível de George W. Bush. As previsões de seus próprios estrategistas, no entanto, apontam para uma perda de 20 cadeiras quando as eleições vierem, no fim do ano. Os democratas, que já têm maioria na Câmara e no Senado, devem ampliar sua zona de conforto.

Do ponto de vista da capacidade de eleger republicanos para o Congresso, a crise já é mais grave do que a de Watergate.

Mas ainda há uma temporada de primárias em curso e Obama precisa garantir o voto de 139 na convenção de agosto, sejam eles eleitos, sejam superdelegados. Não é muito, um terço dos que ainda estão em jogo, e todo dia mais três ou quatro aparecem em suas fileiras. Ele e McCain estão apenas esquentando o jogo.

As reportagens a respeito da saúde de McCain, que não é das mais fortes – ele é um senhor idoso, afinal – começam a sair. Outras tratam de seu temperamento explosivo. Anteontem, pressionado, McCain recuou e estabeleceu um limite para a guerra no Iraque: em 2013, o último do mandato do atual presidente, acaba. O fim desta guerra que não leva a lugar nenhum, não há como disfarçar, é a preocupação da maior parte dos eleitores.

Para o candidato republicano, esta continua sendo uma eleição muito, mas muito difícil.

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