Sobre livros e bibliotecas

Livros · 14/05/2008 - 09h33 - 61 Comentários

A Atlantic Monthly publica, este mês, uma resenha de A biblioteca à noite, do argentino Alberto Manguel, que está saindo enfim nos EUA. (A edição brasileira é de 2006.) É uma delícia para quem gosta de livros:

Ao mergulhar profundamente na vida dos livros, Maguel destila seu assunto com anedotas maravilhosas: o método de catalogação da China no século 10, que consistia em ordenar os autores por sua posição social; um dicionário mesopotâmio trazia inscrito um alerta a possíveis ladrões sobre a vingança de Ishtar; o excêntrico colecionador alemão Aby Warburg reorganizava sua biblioteca continuamente para que refletisse a composição de sua mente. A história mais comovente que conta é a do empréstimo clandestino de livros na ala para crianças de Auschwitz-Birkenau.

A biblioteca à noite é uma lembrança de tudo aquilo que livros – reais, físicos – representaram ao longo do tempo. São amigos, memórias, consolos, fugas para o pensamento. Enquanto objetos, carregam histórias e seu envelhecimento é, por si, uma lembrança de nossa mortalidade. Choramos, com Manguel, a destruição da civilização asteca durante a queima de livros da inquisição mexicana de Juan de Zumarraga. Também celebramos a sobrevivência de um pequeno livrinho de orações judaicas que ele encontrou num mercado de Berlim. ‘Do fogo, da água, do percurso do tempo, de leitores negligentes e das mãos de censores, cada um de meus livros sobreviveu para contar sua história.’ Sua impertinência nos ensina a respeito da importância de lembrar.

Os livros talvez estejam acabando. Não que acabarão para o todo sempre – mas são já, e cada vez menos, as fontes que consultamos para este ‘importante lembrar’.

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