Beirute sitiada

Irã · Oriente Médio · 9/05/2008 - 09h34 - 39 Comentários

A batalha campal que assolou Beirute, ontem, cedeu. O Hizbolá, grupo paramilitar xiita anti-Israel financiado por Irã e Síria que faz as vezes de partido político, tomou a sede da televisão sunita, o escritório particular do líder da maioria no Parlamento Saad Hariri e já controla vários bairros da periferia. Espalharam retratos do presidente sírio Bashar al-Asaad por toda parte.

O Palácio do governo está vazio – mas, aparentemente, ainda há governo.

O país está a um centímetro dum estado de guerra civil entre sunitas e drusos de um lado, xiitas do outro.

O país não tem presidente desde novembro e o premiê Fouad Siniora patina. Hariri implorou ao líder do Hizbolá, Hassan Nasrallah, que levante o cerco a Beirute.

‘Se nosso objetivo fosse um golpe de Estado’, disse Nasrallah na televisão, ‘o governo todo teria acordado na cadeia sem ter visto de onde partiu o ataque.’ Se seu objetivo não é um golpe de Estado sob inspiração sírio-iraniana, é difícil descobrir qual é. Nasrallah afirma que o governo está a soldo da CIA e do FBI, de ‘poderes estrangeiros’. Não deixa de ser irônico.

Tomar Beirute é mais fácil do que manter o controle sobre Beirute. Parece difícil antecipar um resultado no qual a comunidade muçulmana xiita não termine isolada e distanciada do resto da variada população libanesa, composta por muçulmanos sunitas e drusos além de cristãos maronitas. O Hizbolá é mais fraco que o exército do país e do que o resto junto. É difícil acreditar que consiga tomar o poder. Por outro lado, do jeito que se mostra o patente apoio sírio, a Síria pode se ver obrigada a se afastar. Ainda é cedo para dizer, mas um cenário futuro no qual o Hizbolá termine mais fraco após esta demonstração fútil de capacidade de fogo não é absurdo.

O Bruno Mota conta bem, em seu blog, como esta crise floresceu.

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