Assim nasceu Israel
(nos 60 anos de sua vida)
Hoje é Yom Haatzmaut. Ou Nakba. É o Dia da Independência, em Israel; ou a Catástrofe, para os Palestinos. O Estado judaico foi inaugurado na Terra Santa em 14 de maio de 1948 – pelo calendário judaico, cairia na sexta-feira próxima. Para não se chocar com o Shabat, dia santo, anteciparam.
É hoje.
Em 1881, viviam na Terra Santa, que fazia parte do Império Otomano, 450.000 árabes e 25.000 judeus. A partir do Caso Dreyfuss, na França, vários setores das população judaica européia começaram a se dar conta de um crescente anti-semitismo no continente. Esta tensão inspirou vários processos migratórios, principalmente para os EUA. Mas também nasceu, ainda no século 19, o Movimento Sionista, que pregava o retorno à terra da qual haviam sido expulsos pelo Império Romano.
Os primeiros sionistas eram judeus pobres porém bem educados, socialistas, que pregavam a vida em comunas. Juntavam suas economias e aproveitavam a doações da comunidade judaica européia para comprar terras e erguer fazendas nas quais todos dividiam as tarefas. Conforme a Primeira Guerra cedeu lugar à Segunda, a migração começou a aumentar em larga escala. Era gente fugindo do terror que se avizinhava. Após a Segunda Guerra, judeus em grandes campos de refugiados na Europa serviram à pressão diplomática para a oficialização de um Estado Judaico na Palestina.
Mas lá já viviam árabes.
Israel tem pai. Chama-se David Ben-Gurion, o líder da comunidade judaica na Terra Santa. ‘Por que os árabes deveriam querer paz?’, ele se perguntou ainda em vida. ‘Nós pegamos o país deles. Claro, sei que Deus nos prometeu essa terra, mas o que isso tem a ver com eles? O nosso não é o Deus deles. Nós todos viemos originalmente de Israel, também é verdade. Mas isso foi há dois mil anos. O que eles têm a ver com isso?’ Ben-Gurion era um pragmático.
Por sua vez, os palestinos tinham muitos líderes. Um dos mais marcantes foi o grão-mufti de Jerusalém Mohammad Amin al-Husayni, escolhido a dedo pelos britânicos quando assumiram o controle da Palestina após o colapso do Império Otomano. Durante boa parte dos anos 20, foi um aliado do governo de Sua Majestade. Os britânicos, no entanto, faziam um jogo duplo. Pressionados por judeus de um lado e árabes do outro, faziam promessas igualmente tentadoras para ambos. Quando a Segunda Guerra estourou, al-Husayni não teve dúvidas em bandear-se para o lado nazista. Era um anti-semita convicto.
Cada vila árabe na Palestina funcionava de forma autônoma e tinha liderança própria, alguns fiéis ao mufti, outros nem tanto. Os principais líderes árabes nos países vizinhos – Ibn Saud, na Arábia Saudita, os reis irmãos Abdullah, da Transjordânia, e Faisal, do Iraque, Farouk I do Egito e o presidente sírio Shukri al-Quwatli tinham seus próprios projetos de anexação, além de não confiarem muito no mufti.
Quando, em 1947, a ONU decidiu pela divisão da Palestina em dois territórios, um que formaria o país árabe, outro o judaico, o conflito implodiu. Os países árabes tinham exércitos razoavelmente poderosos. A Haganá, força paramilitar considerada ilegal pelo governo britânico que funcionava sob comando de Ben-Gurion mal tinha rifles velhos. Foram à Europa comprar armas, munição e carros blindados dentre a sucata da Segunda Guerra. Tudo feito às pressas mas com razoável organização. O dinheiro para pagar a conta vinha de judeus americanos endinheirados. Enquanto isso, os árabes discutiam entre si como dividiriam o território que pretendiam conquistar sem jamais chegar a algum consenso. Estavam mal organizados. Não que do lado judaico tudo fosse claro – além da Haganá, lutaram a guerra duas organizações terroristas, a Stern Gang e a Irgun, que não reconheciam a liderança de Ben-Gurion.
A guerra foi, na verdade, duas: uma, civil, não declarada, se deu em vários conflitos e ataques terroristas de ambas as partes entre 1947 e o dia da Independência. A segunda é a invasão pelos países árabes de Israel.
Na primeira, enquanto havia razoável união judaica e um objetivo comum, o mesmo não houve entre palestinos. Havia dois árabes para cada judeu na Terra Santa, mas não conseguiram fazer com que a vantagem numérica tivesse resultado prático. Nem todos seguiam o mufti e as aldeias não se relacionavam. Divididos, não tiveram chances. O grupo de novos historiadores israelenses não têm dúvidas de que Ben-Gurion, embora jamais tenha dado ordens claras, incentivou a expulsão de palestinos de suas terras. Se os árabes não tivessem partido para o conflito primeiro, ele jamais teria tido a desculpa; se não expulsasse um bom número de palestinos, seu Estado judaico não teria maioria judaica.
Nas contas de um destes historiadores, Benny Morris, 700.000 palestinos cujas famílias viviam há séculos no mesmo local foram lançados ao exílio. Morris mapeou 389 aldeias árabes na região. Segundo sua pesquisa, pode afirmar que em 49 delas a Haganá ou outro grupo judaico expulsou a população; em 62, os árabes fugiram por conta dos boatos de que massacres estavam acontecendo nas vizinhanças; em seis, a fuga foi seguindo ordens diretas da liderança política palestina. Ataques terroristas, a explosão de casas, hotéis e mercados judaicos davam a resposta palestina.
Conforme a guerra civil corria, temendo que um genocídio pudesse ocorrer, os EUA retiraram apoio à idéia de partição. Isto, e um silêncio obsequioso britânico, deu aos árabes a impressão de que a comunidade internacional não rejeitaria seu ataque. Se tivessem vencido, talvez não rejeitasse mesmo. Egito, Iraque, Síria e Transjordânia invadiram a Terra Santa no momento em que os britânicos a deixaram. Um dos principais líderes militares árabes era um oficial inglês, o general e lorde John Bagot Glubb. Com Israel recém-nascida, Ben-Gurion fez dissolver Stern Gang, Irgun e Haganá e os juntou num exército que batizou, como convinha à época, de Forças de Defesa de Israel. Os países árabes, em conjunto, representavam uma população de 40 milhões de habitantes; a população judaica de Israel não chegava a 2 milhões. A guerra durou quase um ano e Israel rechaçou os invasores. Vários tratados de armistício foram assinados em princípios de 1949.
Israel nascera.
No total, morreram 12.000 palestinos, 6.000 judeus, 1.400 egípcios, e centenas de iraquianos, trasjordanianos e sírios.
Até 1950, uma série de pogroms, passeatas anti-semitas, incêndios de casas e sinagogas, explosões de bombas e assassinatos ocorreram em quase todos os países islâmicos – Egito, Iraque, Síria, Irã, Iêmen e Líbia. O resultado foi a expulsão de 500.000 judeus das casas nas quais suas famílias viviam fazia séculos e sua conseqüente migração para Israel. Estes, em grande parte, viriam a compor o primeiro eleitorado do Likud, o conservador partido linha-dura israelense.
Se naquela decisão de 1947 a ONU tivesse optado por não dividir a Palestina e não estabelecer um Estado judeu, ainda assim haveria a guerra. A diferença é que o lado judaico a iniciaria. O processo, nascido do pesado anti-semitismo que assolou a Europa entre os séculos 19 e 20, e do colapso dos impérios otomano e britânico, estava em curso fazia tempo.
Está em curso, diga-se. Há 60 anos.
Sim, a história é complicada. Talvez alguns de vocês queiram discutir a maneira como a conto. Há muitas versões – procurei ser o mais isento possível, tarefa que na verdade é impossível. Mas tenta-se, ainda assim. Principalmente, tenhamos uma discussão civilizada a respeito de Israel e Palestina. Civilizada quer dizer algo simples: podemos ter idéias fortes, podemos ter convicções profundas, mas respeitemos aqueles com quem não concordamos. Não vamos partir do princípio de que o outro age de má-fé. Esta é uma história que mexe com razão e com emoção ao mesmo tempo. Convicções são honestas. Lealdade para com o adversário também.
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Sua capacidade para resumir uma história complicada em poucos parágrafos é digna da aplausos. Parabéns.
perfeito!
Essa história de pogroms está mal contada, além de outras questões que você coloca no seu texto. Boa parte dos judeus dos países árabes migraram para Israel estimulados pela propaganda sionista. Um ponto que você esqueceu de colocar no seu texto foi o fato de que a primeira intenção dos líderes sionistas era colonizar a palestina, principalmente com os judeus da europa oriental. Esses não migraram na quantidade esperada. Assim os sionistas, da noite para o dia (não estou exagerando) foram buscar os judeus dos países árabes. No Iraque, por exemplo, provocaram atentados para amedrontar os judeus nativos e forçá-los a migrar para Israel. Que houve revolta nos países árabes, não se pode negar. Mas, que tipo de resposta você esperava dos árabes, depois que os sionistas fizeram a limpeza étnica da palestina, massacrando aldeias, torturando e amedrontando uma população que desde sempre habitou aquela região e almejava o seu próprio estado independente?
Eu já tô de mal humor, PD ainda vem com esse tema… aiaiai.
Nem vou ler tudo porque cheguei numa frase - “Era um anti-semita convicto” - que me levou a algo que nunca entendo, talvez PD ou algum sábio por aqui me explique:
afinal o que é semita?
Porque, pelo que eu sei, não dá para um árabe ser anti-semita.
De onde vocês tiraram essa idéia de que semita é igual a judeu? Qualquer dicionariozinho mostra que não é … mas volta e meia eu leio essa bobagem.
desculpas pelo mal humor, agradeço desde já os que se propuserem a elucidar a tal questão.
Excelente.
Na verdade o texto demonstra que na então Palestina aconteceu o que vem acontecendo fazem uns 10.000 anos: Um povo subjuga o outro. Só isso. Nada de novo. Claro, num mundo com mais nações, mais laços comerciais e políticos, a subjugação tem apoios e a resistência a ela tambem.
Foram os judeus na Palestina. Mas já foram macedônios, persas, egípcios (dos faraós), romanos, hunos, mongóis e por aí vai. Até nós só estamos aqui porque alguns milhões de índios foram dizimados, expulsos e roubados.
Muitos aqui não gostam nem admitem, mas é a humanidade gente. somos uns 5 ou 10% genéticamente diferentes dum chimpanzé.
Mas parabéns PD e parabéns Israel.
Vai pegar fogo!
Não há como conciliar uma discussão como essa onde cada um tem uma posição, na maioria das vezes imutável.
Eu, na minha ingenuidade me pergunto: seria mesmo necessária a colocação desse tema, após, aqui, tantas demonstrações pretéritas de opiniões e discussões absolutamente emocionais?
Enfim….tô fora!
Israel tem pai. Chama-se David Ben-Gurion, o líder da comunidade judaica na Terra Santa. ‘Por que os árabes deveriam querer paz?’, ele se perguntou ainda em vida. ‘Nós pegamos o país deles. Claro, sei que Deus nos prometeu essa terra, mas o que isso tem a ver com eles? O nosso não é o Deus deles. Nós todos viemos originalmente de Israel, também é verdade. Mas isso foi há dois mil anos. O que eles têm a ver com isso?’ Ben-Gurion era um pragmático.
Parece que Ben-Gurion não foi tão somente “pragmático”.
Diante desse parágrafo é possível concluir que foi também o pai da ‘causa palestina’ - vale dizer: de todas as guerras, massacres e atentados terroristas que aconteceram. E daqueles que ainda virão, certamente. Mas seus ‘fãs’ e ’seguidores’ padecem do mesmo mal: enxergam apenas o que lhes agrada. Pior para a humanidade que estará obrigada a conviver com o enfrentamento entre os degenerados morais que lideram “sionistas” e “palestinos” . Até que os dois “lados” se destruam!!
Muito legal, esclarece muito.
Quem discordar de algo que se manifeste.
Na realidade é a continuação de um embate pela terra que se extende por milhões de anos, vindo até mesmo de omnídeos onde ja ocorria este tipo de comportamento.
Israel, Palestina, Índios, bramcos.
Pessoalmente sou contra fronteiras, Estados, etc. mas temos que lidar com isto.
Falta de fraternidade, recentimentos históricos, interesses econômicos, religião, tudo dificulta o problema.
Sem querer discutir culpa de ninguém, pois apenas é uma continuação do comportamento humano, nos choca ver tanta intransigência, rancor ódio.
Eu, como digo sempre, rezo por um milagre.
O Milagre do entendimento.
De saco cheio dessa cabuta de filedapata!!, use sempre um mesmo nick quando participando das discussões do Weblog, por favor.
aiaiai: o termo ’semita’ se refere a uma família lingüística, não a um grupo étnico. Línguas semitas são o hebraico, o aramaico, o árabe etc.
Anti-semita, por convenção, é a palavra que se usa para designar o preconceito contra judeus.
aiaiai,
Você tem toda razão. Para os sionistas o termo semita é exclusividade deles. Faz parte da propaganda. Semita diz respeito ao grupo etnolínguistico do qual fazem parte árabes e judeus, principalmente. O árabe, o hebraico, o aramaico, o maltês, por exemplo, são línguas semitas.
Não sei porque tanto furdunço num post destes.
Como eu já disse, lá aconteceu e acontece as mesmíssimas coisas que aconteceram e acontecem e acontecerão no mundo inteiro.
Só porque dum lado são judeus e de outro palestinos? Ué!? e o Tibet? e o Timor? e a Austrália? E o Brasil? não aconteceram extamente as mesmas coisas? Tá, eu sei, foram com armas e aliados diferentes de parte a parte, mas no fundo é a mesma coisa: Um bando toma o que o outro bando tem, sejam terras, mulheres, caça, petróleo ou sei lá mais o quê.
Pois é como eu sempre digo: Ser um ser humano é ótimo. A gente pensa, inventa um monte de traquitanas, voa até a lua e alguns doidos acreditam até que temos uma tal de “alma”, mas tem este ladinho ruim de querer sacanear o próximo por conta da cobiça ou necessidade.
Fazer o quê né? não podia ser tudo perfeito…
Moisés, as informações sobre pogroms e números relacionados são todas do Benny Morris e estão detalhados em 1948, livro mais conhecido dele.
Por convenção, eles, os sionistas, tomaram um termo e restringiram o seu significado ao seu bel prazer. Não faz muito tempo a maioria das lideranças sionistas nem se quer mencionava a palavra “palestina”. A arrogância chegava a esse ponto. É claro que o interesse maior era apagar completamente a memória cultural daquele povo, com a indiferença, a destruição do seu patrimônio cultural, a destruição de vilas e aldeias, quando não, a mudança de nome dessas, do árabe para o hebraico e etc, etc, etc…
Desculpa, Moisés, mas você está sendo paranóico. O termo ’semita’ era usado na Alemanha quando começaram a surgir os primeiros estudos apontando a ‘inferioridade das raças semitas’… não havia árabes ou outros povos de língua semita na Alemanha. E foi por conta do uso da palavra ’semita’ especificamente para atacar judeus é que surgiu a palavra anti-semita. Porque o anti-semitismo alemão não era anti-árabe, era anti-judaico.
Existiu, sim, um processo de esvaziamento da memória do povo palestino por parte do Movimento Sionista. Mas o uso da palavra ‘anti-semita’ nada tem a ver com isso…
Texto bom, definição de “semita” ruim… Mas é compreensível, pois a comunidade judaica tem por pratica se apoderar de fatos históricos em que teve envolvimento, vide o holocausto, por exemplo.
O termo Semita tem como principal designação o conjunto lingüístico composto por uma família de vários povos, entre os quais se destacam os árabes e hebreus, que compartilham as mesmas origens culturais. A origem da palavra semita vem de uma expressão no Gênesis e referia-se a linhagem de descendentes de Sem, filho de Noé.
O século XX foi marcado por diversos acontecimentos envolvendo dois povos semitas remanescentes: os árabes e os hebreus.
Fonte: Wikipédia
Excelente texto, PD. Conciso nos lugares-comuns, detalhado e esclarecedor nos pontos mais controversos.
De resto, estou de pleno acordo com o Brancaleone. A História se repete, muda-se apenas personagens, locais e datas.
Pedro: o site do link a seguir me parece um pouco “anti-zionista” (para não entrar na polêmica do termo “anti-semita”), mas já li essa mesma carta em outros sites antes — mas foi o primeiro da busca que fiz agora no Google.
Trata-se de uma carta de Sigmmund Freud, declinando seu apoio a uma petição condenando os protestos árabes de 1929:
http://israels60thbirthday.com/2008/02/26/sigmund-freud-on-the-arab-israeli-conflict-1930/
Fabio, não sei qual era a opinião do Freud em particular… mas, antes da Segunda Guerra, o sionismo não era de forma alguma consensual entre os judeus da Europa e EUA.
Se naquela decisão de 1947 a ONU tivesse optado por não dividir a Palestina e não estabelecer um Estado judeu, ainda assim haveria a guerra. A diferença é que o lado judaico a iniciaria
chest- fact or opinion?
Pedro,
Se os alemães é que começaram com o uso do termo “semita”, os sionistas (mídia e propagandismo pró-Israel), depois, nunca procuraram (ou, quiseram) esclarecer a opinião pública de que semita se refere tanto a árabes como a judeus. Como já disse, isso faz parte do plano de limpeza étnica que até hoje perdura. Negar a existência de um povo nativo daquela região, apregoando o dito maldito “Uma terra sem povo, para um povo sem terra” até transformá-lo em “verdade”. Começou daí.
Benny Morris é bem tendencioso. Procure fontes alternativas. Aqui mesmo no Brasil tem autores excelentes que tratam esse tema com mais honestidade.
tem uma maneira muito simples de decidir de que lado muma pessao inteligente está .
Qual lado está o PT? Pronto, é só ir para o outro lado e poder dormir tranquilo…..
É Brancão, até que as vez nois pensa igual.
pessão = pessoa
Josué, é impressão minha ou o fato de você viver no c. do mundo cria em você a impressão que o mundo não evolui socialmente?
É a nóia…
“Então, se quisermos permanecer vivos, temos que matar e matar e matar.
O tempo todo, todo dia. (…) Se não matarmos, deixaremos de existir.”
Arnon Soffer, professor de Geografia da Universidade de Haifa, Israel, no Jerusalem Post de 10 de maio de 2004
http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed133/geral_palestina.asp
Chesterton: fact. Ben-Gurion dizia que eles teriam partido para a guerra se a ONU não lhes desse o país.
Moisés: escolhi o Benny Morris porque ele é um dos historiadores que, além de documentar muito todos seus textos, trata ambos os lados de forma seca, quase como se, vilões, fossem todos. Mas é claro que dá para encontrar historiadores que tratam Israel como vilã; ou outros que tratam os palestinos como vilões. Os dois lados lutam para se estabelecer no papel de vítima do outro.
Uma coisa são aqueles fatos que você consegue documentar. Outra é a maneira como interpretamos a história. Há uma escolha aí, você tem toda razão. Esta, aí em cima, é a maneira como eu vejo essa história e, daí, como interpreto o presente. É matéria de opinião. Neste caso, discordamos.
Parabéns a Israel pelos seus 60 anos.
Eu desejaria muito poder dizer o mesmo aos palestinos também daqui a 60 anos.
Que Mahmoud Abbas seja o líder a ser lembrado e reverenciado para sempre pelos palestinos, como Theodor Herzl e David Ben Gurion o são para os filhos de Israel.
Saibam todos que Israel, pelo seu longo passado de lutas, pelo seu presente de conquistas e pelo seu futuro de grandezas, é motivo do imenso orgulho que sinto por ser judeu.
Brancaleone,
Também existe gente que consegue perceber que uma coisa é ruim e, mesmo estando certa da ruindade dessa coisa, continua a sua prática. Talvez por comodismo ou por pura maldade. Não importa. Você e sua posição estagnada me deixam triste.
Só quero que você saiba que há grupos de pessoas que evoluem, que entendem a realidade histórica e, mesmo sendo “animais”, se enxergam sobretudo como HUMANOS.
Evolua também.
“se semita significa “indivíduo dos semitas, família étnográfica que abrange os hebreus, assírios, arameus, fenícios e árabes”(Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, satisfeito?), consequentemente anti-semita não é traduz esclusivamente hostilidade ao povo judeu, apesar de ser rotineiramente associada apenas à perseguição desse povo.
a título de ratificação cito da fonte sugerida o seguinte trecho: “A definição contém, ainda, um terceiro erro: os ´semitas´, que segundo a Bíblia seriam os descendentes de Sem, filho de Noé, não só são apenas os judeus, mas também os povos árabes.”
pra bom entendendor…”
http://blogdobourdoukan.blogspot.com/2007/09/um-canio-lascado-uri-avnery-em-701.html
Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina. Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Agora imaginemos que tal critério religioso-racial fosse aplicado no Brasil, ninguém duvidaria do caráter racista deste estado e o taxaria de fascista.
Dino deve ser por isso que o Knesset foi construído em terras alugadas pela Igreja!
Ben-Gurion dizia que eles teriam partido para a guerra se a ONU não lhes desse o país.
chest- tá escrito onde?
Dino:
Em primeiro lugar:
Quer me ofender? Fique à vontade. Só vê se não ofende a terrinha onde eu escolhi viver e de onde tiro o meu sustento. Meu sertão pode ser o c… do mundo segundo você, mas tem muito c… limpinho, cheirosinho e calmo, bem ao contrário de alguns locais badalados e famosos do mundo.
Em segundo lugar:
O que você considera “evolução social” para mim é uma covardia, uma apatia e uma falta de garra de viver dos indivíduos e que acaba contaminando o grupo.
O que voces chamam de “paz”, “harmonia” e “prosperidade” são meramente artifícios para tornar o ser humano uma coisa sem vontade nem tesão. Um bando de ovelhas chefiadas pela ovelha mais esperta mas mesmo assim, presas fáceis dos lobos ideológicos.
Saímos da cavernas e chegamos até aqui odiando uns aos outros, aliando-nos interesseiramente e com nossos arranca-rabos tribais.
Não tenho muita paciência com gente que se acha superior só porque não tem garra ou coragem para impor suas idéias.
Na opinião de alguns aqui, os judeus deveriam ter se deixado trucidar pelos árabes em nome da paz ou então permanecido na europa, vítimas perseguições e ataques, já que a tão alardeada “paz”, “harmonia” e “properidade” não acomete toda a humanidade ao mesmo tempo e sempre a parte que opta por esta saída acaba trucidada pela parte que escolhe a via mais humana.
Mas de verdade mesmo, eu fiquei é muito puto por voce ter achado que eu vivo no c… do mundo. Aliás, para alguem que vive pregando a “compreenção”, a “paz” e a “harmonia” ( e até o comunismo) entre os homens, ofender meus 5.234 conterrâneos demonstra bem que embora ostente uma face evoluída, existe em você o mesmo atrasado social que existe em mim.
Lá vou eu…..contra a maré ………
Faraó,
Uma coisa é ser Judeu. Disso você pode se orgulhar.
Outra coisa bem diferente é ser Sionista. E, francamente, não sei se me orgulharia de pertencer a um Estado opressor. E essa é uma posição POLÍTICA.
Esse Barba Negra!…..o tucanato nem precisava do Alckimin…..tem essa deformidade pirata! para ser pau pra toda obra!
O estado de São Paulo está enclausurado nessa mosnstruosidade tucana há 16 anos!
Ave Maria!
Chesterton-Dracul- El Cid, o irado está em Oh, Jerusalem. Bom livro, diga-se.
Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, a Grã- Bretanha, o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina.
Ok. Vamos lá então:
Inegavelmente Israel foi imposto como nação para uma região que tinha algumas referências judias que já tinham uns 2000 anos.
Não nego que Israel no exercício de estabelecer-se como nação cometeu crimes de guerra - aliás, crimes de guerra é uma puta duma hipocrisia, qualquer guerra é crime. Tem suas atenuantes, mas é crime, necessária mas criminosa.
Quais as opções que eles tinham? Já estavam lá e este “lá” era tudo que eles tinham, a menos é claro que alguem desse um território para eles. Eu teria dado a Amazônia, já que estamos f… com tudo aquilo mesmo…
Não se pode negar tambem que os palestinos, justamente irritados, tenham direito de aporrinhar Israel. Chega-se assim ao ponto em que diplomacia e argumentos pacifistas perdem a razão e a importância e então, que deixem os canhões (ou tanques, ou kassans) se manifestarem.
Aliás, os palestinos aporrinham tanta gente que nem mesmo os “irmãos de fé” e vizinhos os querem livres. Não fosse Israel, a Palestina teria sido esquartejada entre Irã, Síria, Egito e sei lá quem mais. Ainda hoje, estes “bons vizinhos” dos palestinos só não a invadem porque sabem que Israel ( e seus competentes aliados) lhes dariam mais uma surra de dar dó se fizessem isso. Israel já se mostrou sobejamente competente nisso.
De fato Israel chega aos 60 anos como a única democracia legítima da região (e se alguem disser que no Irã existem eleições livres eu desisto). Sessentão, forte, sarado e bem acompanhado. Já os palestinos quando não estão atacando Israel estão às vias de guerra civil e não conseguem estabelecer um arremêdo de democracia.
Na verdade tenha pena dos Palestinos. De um lado Israel hostil. Dos outros lados, vizinhos interesseiros ( e porque não hostís) açulando grupelhos otários e enricando liderecos espertos.
Eu não estou tão louco ao afirmar que vai chegar um dia que os palestinos vão perceber que Israel foi a melhor coisa para eles diante da “amizade” dos outros vizinhos.
Queijo
tenho orgulho de Israel quase da mesma forma como tenho orgulho do Brasil. E se voce tem orgulho do Brasil, também teria de Israel, se fosse judeu.
Israel conquistou o seu direito de retornar a sua casa de onde foi expulso várias vezes.
O Brasil conquistou as terras dos índios que aqui habitavam. Ainda hoje os brasileiros atiram contra os índios e nem por isso NINGUÉM aqui se indigna. Acham que é assim mesmo.
Israel conquistou terras tomadas em guerras, todas elas começadas pelos árabes, que queriam acabar com Israel. Mas o que Israel já devolveu de terras no Sinai e Gaza corresponde a mais do seu tamanho atual.
O restante das terras serão devolvidos em troca de garantias de paz. Israel está em entendimentos com os palestinos e com os sírios. Deve estar faltando pouco para as coisas se resolverem.
Penso que uma coisa que aborrece quem não é judeu, é que sempre se acostumou a ver os mais fortes conquistando os mais fracos e nunca o contrário. No caso de Israel, os mais fracos conquistaram os mais fortes e isso não se entende.
Paciencia.
Israel é fato consumado, à despeito das objeções.
Outra coisa que penso, e isso só eu que penso:
um dos maiores fatores de fortalecimento do judaismo é o anti-semitismo. Enquanto houver anti-semitismo os judeus estarão mais e mais fortes, vivendo, praticando, ensinando e seguindo o judaismo.
Aqueles que pensam que vociferar contra os judeus é uma forma de enfraquecer, mal sabe que este é o elemento que aumenta a coesão judaica.
Enquanto houver anti-semitismo, haverá judaismo. Talvez seja essa a fórmula. Os anti-semitas são aqueles que perpetuam o judaismo.
Talvez por isso o judaismo seja a religião monoteista mais antiga do mundo. E talvez seja um judeu aquele que será o último a sair, ao se apagarem das luzes da humanidade.
Dino….essa merda do passado não tras nada …não acrescenta nada….gente morreu na mão da bárbarie nazista…..meninas , meninos, velhos, homens bons e honestos…..no espiritismo chama-se de tempo de desgraças…..que os culpados paguem suas culpas no Umbral e voltem aqui quanto precisar…..judeu ou nazista é tudo a mesma merda….humanos como eu e voce……não povos…há espiritos……em evolução……Amai ao proximo como a ti mesmo e a Deus….
Faraó…sossega…..
Dino Dino.
TRaição e entreguismonão é exclusividade judia. Os muçulmanos tambem se matam se denunciam e se traem. Sunitas e Xiitas vivem às turras. Cristãos dividem-se entre católicos e protestantes que até poucos anos explodiam-se na Irlanda.
Como eu insito aqui, são todos humanos.
Aliás quando eu digo que todos são humanos, isso inclui voce Dino. Aquele seu comentário sobre “o c… do mundo” é a prova.
Se até você é humano, porque eles nao seriam?
esse queijo prefere fazer parte do estado brasileiro…tsc, tsc, tsc…
na verdade Israel nem se preocupa mais com a opinião daqueles que crem poder decidir se ele pode existir ou não. Já sabe se defender, vocês simplesmente vão ter que engolir.
Pois é Chester……quando alguem acha que pode viver fora da sociedade, ele ,definitivamente, deu um mal passo!
Dr. neocid, o que vem a ser “crem”?
creme?
Genocídio é declarado Kosher em Israel…
“Mordechai Eliyahu, ex-grão-rabino de Israel, afirmou não haver absolutamente nehuma proibição moral contra o assassinato indiscriminado de civis durante uma potencial ofensiva militar Israelense em Gaza…”
Nos comentários todos feitos até agora, que estão surpreendentemente seguindo o pedido do blogueiro, o que mais me incomodou, por motivos óbvios, é essa mania irritante de confundir evolução biológica com melhoria.
Brancaleone, como é de meu costume, assino embaixo de praticamente todos os seus comentários. Acho que a briga ali é desnivelada, mas infelizmente é “lei da selva”, e o ser humano não iria escapar disso. É um bicho como qualquer outro.
Fábio:
Infelizmente uma atitude necessária, uma vez que as forças que se intitulam “exército palestino” são um amontoado de grupelhos com nomes esquisitos e não usam fardas. Fica difícil saber se um sujeito vindo em sua direção vai lhe oferecer um carnê do Baú ou atirar em você.
Se eles fossem competentes e corajosos o suficiente, usariam uma farda ou algo que os distiguisses dos pobres cidadãos palestinos comuns que querem tocar suas vidas normalmente.
E vamos e venhamos. Esperar que numa guerra urbana não aconteçam baixas civis é ingenuidade demais. Se até no Rio morrem inocentes quando bandidos e policiais se enfrentam com fuzis, imagine lá na Palestina…
PD, ótimo texto. Assino em baixo.
Minha homenagem aos 60 de Israel, é reproduzir um texto publicado por escritores, artistas plásticos, poetas e acadêmicos isrelenses, no jornal Haaretz, algumas semanas depois que terminou a Guerra dos Seis Dias :
“O nosso direito de nos defender não nos dá o direito de oprimir outros. A ocupação obriga à revolta. A revolta leva ao esmagamento do povo revoltado. O esmagamento leva ao terror, que leva ao contraterror. As vítimas do terror são em geral pessoas inocentes. A manutenção dos territórios ocupados nos torna um povo de assassinos a serem assassinados. Vamos devolver os territórios ocupados imediatamente!”
(Refusenik! - Os rebeldes do exército israelense - Editora Casa Amarela - 2004)
Parabéns a esses judeus israelenses pela luta e liberdade de pensamento. Parabéns Israel.
Darwinista:
Se você pensa como eu, em que parte do c… do mundo voce vive? Por acaso somos vizinhos e não sabemos? Cuidado. Seus comentários podem condenar todos os seus vizinhos num raio de 10 Km.
Palavra de “evoluído social”…
CDevani:
Você já imaginou se uma parte do exército iraniano se manifestasse assim diante dum daqueles velhos pervertidos que eles chamam de mulás ?( alias, eles tem mulás e nós mulas. Cada povo tem oq ue merece)
Só por ser permitido manifestações assim em Israel, já vale ele existir…
Neocid, ninguém aqui duvida da capacidade de Israel se defender, o que está em discussão é a capacidade de Israel cometer as mesmas atrocidades que foi vitima anteriormente e de trabalhar em conjunto aos EUA no intuito de perpetuar as tiranias sanguinárias árabes que se perpetuam perante seu povo ignorante com a justificativa do perigo israelense.
Hahahahahah…
Brancaleone, quem me dera morar em um c… de mundo como o seu.
Eu infelizmente moro no maior formigueiro do país, que é tão fedido, sujo e lotado de parasitas como qualquer bom c… de verdade.
Josué o darw mora em um lugar mais evoluído conhecido como esfíncter do mundo…
A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais.
Brancaleone,
os Refuseniks estão todos presos… São judeus como você. Isso é que é democracia!
Mas o darw te inveja por morares em um “deserto” verde de pinus replantado. Ele acredita que a monóxido de carbono do fogão a lenha é menos prejudicial que o do opalão que ele quer comprar…
Lembrei dum ocorrido:
Lá por 90 e bolinhas eu prestei uns serviços (decentes, legais mas talvez imorais) na construção da barragem de Itá - S.C.
Em uma das viagens, meu carro quebrou por lá. Era um 147 Europa que às vêzes não engatava terceira marcha por dias à fio e sem mais aquela voltava a engatar. Acho que era um polthergaist.
Peguei um ônibus em Concórdia que vinha de Seara e ia para Curitiba. Sentei-me e dada altura ví dois senhores de idade conversando numa língua lazarenta de complicada. Puxei papo e logo fiquei sabendo. Um era sírio e outro Israelense. Ambos trabalhavam numa importadora em Tel Aviv. Na guerra de 67 o sírio tinha servido pelo seu país, segundo ele num daqueles caminhões russos de lançar foguetes e o Israelense serviu nas FDI, mecânico ou coisa assim. Ambos vinham frequentemente ao Brasil inspecionar o abate de aves exportadas para lá . Parece que tem uns macêtes prá matar frangos, coisa de religião.
Fiquei pensando: Uns anos atrás, um morderia a jugular do outro e agora trabalham no mesmo lugar. Certamente se acontecer um novo conflito, tomaram cada um seu caminho.
Eles eram humanos. Maravilhosamente humanos.
Fora do tema — PD
CDevani:
Não sou judeu. Sou ateu ( e de direita)
Admiro os Israelenses. Não me pergunte porquê. Gosto é gosto. Ou melhor, gosto de quem faz as coisas bem feitas.
Os caras estão presos? Viu só, como eu disse. Se fosse no Irã iriam morrer a pedradas…
De pai para filho…
“Se não pararem depois que nós matamos 100, então nós devemos matar 1.000″
“E se não pararem depois de 1.000, então nós devem matar 10.000. ”
“Se ainda não pararem nós devemos matar 100.000, mesmo um milhão. O que for necessário para fazer que parem”
Shmuel Eliyahu
“…não há nehuma proibição moral contra o assassinato indiscriminado de civis…”
Mordechai Eliyahu, ex-grão-rabino de Israel
Dino:
Deixa prô open…
Israel é um fato consumado; a História nao volta atrás. Agora é sentar e negociar a paz e um país para os palestinos, devolver as terras ocupadas pelas colônias ilegais e fumar o cachimbo da paz. Se for necessário, que os dois povos vivam divididos por um muro para sempre. Mas, a longo prazo, mesmo o muro é inviável.
Nao existe outra soluçao e quem achar que há que a declare. O status quo é um suicídio a fogo lento.
Fábio Passos:
E se voce fosse um palestino e sua casa fosse arrasada a tiros de canhão e morresse sua família.
E se voce fosse Israelense e sua casa fosse explodida por um Kassan e sua familia morresse.
Você iria querer matar um milhão daqueles que mataram sua família.
Coisas da guerra, coisas humanas, a menos que voce seja um sujeito sem medula, sem emoções e sem coragem.
Josué, a guerra é coisa para: Jovens, canalhas e imbecis, às vezes as três coisas ao mesmo tempo e o tempo tira a juventude, julga os canalhas e costuma dar um pouco de sabedoria. Por isso os dois estavam juntos trabalhando.
três tiros… pelas costas.
“Eu vi Rabin descer (do palanque). Eu decidi então abatê-lo, para neutralizá-lo politicamente. Eu não me arrependo de nada. Deus me livre disso!”
Yigal Amir
Marcos Araújo: concordo integralmente com você.
Pô, vocês discutindo de novo.
Gente, a diferença entre guerra e assassinato é a quantidade, se matar muito é heroi, se matar um é assassino.
Paz só consegue quem dá a porrada mais forte, só isso ou vai dizer que alguém aí é vizinho d’um Pithecantropus Erectus?
hehe
Dino,
Te contradigo no open, quando vc aparecer por lá.
Dino:
Papo estranho esse.
Guerra pode até ser para jovens, canalhas e imbecís - aliás, atributos de muitos revolucionários, inclusive e especialmente de esquerda. Outro alías, Che era tudo isso então? -
Mas guerras tambem é coisa de quem se sente ameaçado, humilhado ou quer para sí o que o outro não entrega por bem.
Não reduza a guerra a algo tão simples. O que voce descreveu é luta de box e vale tudo.
Não fossem as guerras que voce amaldiçoa, talvez hoje voce estivesse falando alemão, talvez russo ou quem sabe nem estivesse falando.
Guerras são feitas por formigas e homens e normalmente guerras acontecem porque um dos lados não deu a outra face ou não está a fim de simplesmente arriar as calças “pelo bem da paz mundial”.
Muita gente boa morreu nas guerras e muito FDP que não foi combater aproveitou-se da situação.
Dino estou te estranhando.
Seus argumentos (apesar de tudo) eram mais inteligentes ou pelo menos mais bem humorados.
Você anda lendo Marx de novo às escondidas é? Seu psiquiatra não tinha proibido? Olha que eu vou mandar apagar a luz da sua cela acolchoada!!!
Dino,
Como de costume você e suas afirmações não embasadas, certo?
Você poderia me dizer qual a sua fonte no que tange a propriedade da terra em Israel?
Como o piolho nuclear(?) bem observou, mesmo o parlamento israelense (Knesset) foi erguido em terras da igreja (não sei ao certo qual patriarcado exatamente).
Eu adoro esses debates sobre a “propriedade” da terra que sofismam afirmando que visto que somente 6% da terra em Israel eram propriedade de Judeus, o resto deve ser considerado propriedade Palestina quando no fundo os que defendem isso tratam de rapidamente esquecer as regras em vigor antes da implantação do Código da Terra Otomano ou até mesmo depois.
“Two main principles have dominated the land law of Palestine from its very early stages:
a. the conqueros regarded themselves as true owners of all the lands, and
b. ownership is limited by use”
The second principle is derived from the Hadith according to which every individual who leave uncultivated for three years a piece of land of which he has possesion shall lose his rights over the land; and if a third party appears who will cultivate it, this shall have a greater right to possess it than the former.”(Shehadeh, Raja, 1982)
O autor então continua explicando os conceitos aplicáveis, inclusive comparando-os com o modelo britânico.
Shehadeh, Raja, The Land Law of Palestine: An Analysis of the Definition of State Lands, Journal of Palestine Studies, Vol. 11, No. 2 (Winter, 1982), pp. 82-99
E boa noite a todos.
Eu cá no c… mais lindo e feliz e rendoso do mundo me despeço.
E Dino: Melhor ser rei no inferno (ou no c…) que servir no Paraíso ( e sei lá que parte da anatomia seria…).
Definitivo boa noite.
Tá um frio do cão!!!
O Parlamento israelense aprovou projeto de lei que destina todas as terras sob controle do Fundo Nacional Judaico (FNJ) exclusivamente aos judeus, oficializando a discriminação e o apartheid do Estado de Israel contra os não-judeus israelenses.
“Essa lei aprovada pelo Knesset (parlamento) revela a verdadeira face do governo, que quer institucionalizar o apartheid em Israel”, declararam os congressistas da coalizão de oposição Meretz-Yachad.
Mas agora, de acordo com o fascista que assinou a “lei”, o deputado Uri Ariel, os judeus têm, sim, direito ao apartheid porque “por gerações” milhares deles “economizaram centavo por centavo para comprar terra na Terra de Israel para o Povo Judeu”.
A lei proposta pelos partidos de direita Kadima e Likud proíbe os não-judeus de participar da compra das terras de propriedade do FNJ, que controla 13% de todo o território de Israel, a maioria entre as terras mais férteis.
Dino, se eu sou dono de terras - ou de um carro ou de uma bicicleta ou de qualquer coisa… eu vendo pra quem eu quiser, certo ?
Mas vejam só que curioso…
Dino 5,4 % // 7/May/2008 às 20:27
Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina…
Dino 5,4 % // 7/May/2008 às 23:35
…terras de propriedade do FNJ, que controla 13% de todo o território de Israel, a maioria entre as terras mais férteis.
Pelo visto está rolando um saldão de terras lá em Israel! :-)
Mas vejam só que curioso…
Dino 5,4 % 7 May2008 às 20:27
Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina…
Dino 5,4 % 7 May 2008 às 23:35
…terras de propriedade do FNJ, que controla 13% de todo o território de Israel, a maioria entre as terras mais férteis.
Pelo visto está rolando um saldão de terras lá em Israel! :-)
Feliz Aniversário a Israel, muitos anos de vida!
…e, para que não digam que não sou imparcial, Feliz Nakba aos palestinos também! :-D Que tenham muitas nakbas pela frente!
RW In Miami:
Concordo.
Principalmente se essa terra foi escriturada por Deus…
Depois do Mr X, tchau pra vocês e até.
Meu saco tem limite.
Vou dormir com os querubins e esperar pelo Messias.
Andre Fucs #79
Bela desmascarada Andre!
Vamos ser claros. Há judeus que acusam qualquer um de anti-semita? Sim.
Agora é preciso que sejamos racionais, sensatos. Esse tal de HRP é anti-semita SIM.
“…..judeu ou nazista é tudo a mesma merda….” (#42)
Não é a primeira vez. Não será a última.
E ainda é hipócrita, metido a superior.
Se você é tão seguro assim de si, escreva seu nome, RG e CPF aqui no weblog. Você vai pra cadeia!
rápida emenda: o tal HRP já disse outras vezes que não tem nada contra os judeus, e sim contra os israelenses. A mentira está provada! (tenho outras documentadas) Estes tipos não são maioria, mas infelizmente existem, e alimentam a paranóia de muitos judeus.
CDevani,
escriturada por D’us nao… comprada mesmo com grana, contribuicao de judeus americanos, brasileiros, argentinos, etc.
Como escreveu o Dino no#77: porque “por gerações” milhares deles “economizaram centavo por centavo para comprar terra na Terra de Israel para o Povo Judeu”.
Bons sonhos….
RW in Miami
Desculpe a minha total ignorância (sem sacanagem), mas por que os judeus e alguns evangélicos que se auto intitulam como “judeus messiânicos” escrevem Deus com grafia diferente como D’us?
HRPs e Dinos ladram, e a caravana passa…
Enfim, como digo lá no X, o país mais odiado pelos terroristas islâmicos, pelos acadêmicos marxistas, pelos neonazistas, pelos profissionais da vagabundagem e pelos esquerdistas radicais mundo afora, deve estar fazendo ao menos ALGUMA coisa direito… ;-)
Bob Dylan pra vocês:
http://youtube.com/watch?v=8CtHsjSkKnU
Também gostei muito do texto. Sobre Ben Gurion, conheço praticamente nada. Até que me convençam do contrário, sigo a torcida do Flamengo e tendo a enxergar o sionismo como típico movimento nacionalista romântico ou tardo-romântico, a exemplo de outros do século XIX/início do XX. Talvez, no entanto, aquela manifestação de “pragmatismo” do Ben Gurion não deixe de embutir sua dose de humor tongue in cheek ou até involuntário. Por mais século XIX/início do XX no estilo, certamente ele não ignorava o sentido maior da relação histórica dos judeus com aquele pedaço de terra específico, relação que toca o sagrado e que inegavelmente é central pra noção do que é ser filho de Abraão. Antes que joguem pedras: estou apenas constatando. Pra mim parece claro que isso não invalida e até reforça o que ponderou Marcos Araujo, 67. Mesmo correndo o risco do excesso de simplificação (remeter a conversa a Abraão, o “Amigo de Deus”, tornou-se de uns anos pra cá um lugar comum freqüentemente estéril em conversas que se pretendem ecumênicas). Sobre o comentário do Fucs, tenho a impressão de que faz sentido como argumento e entendi o contexto em que foi postado. Me pergunto é se novelo político dessa magnitude, tão indissociável de discussões religiosas (de novo apenas constato) pode ser desatado com base em qualquer “letra fria”. Incomparavelmente mais luz na Torah, me parece…Um dom e ao mesmo tempo algo que se busca, não é isso? (Esdras, 7, 10).
Doria,
meus parabéns pela disposição a voltar com a discussão (parece que está sendo muito boa, aliás).
PD,
Excelente texto e especialmente a advertencia para discussão civilizada, isso deveria valer para tudo na vida, né não ? Se todos conseguissimos conviver com a diferença respeitando-a. Seria bem mais fácil. Inclusive lá, como cá.
PD,
Muito bom o texto, engraçado hoje mesmo eu li no Livro, Os Judeus o dinheiro e o mundo, a respeito do Caso Dreyfuss, quando vou ler o post, está aqui vc falando do caso.
não gosto muito de defender israel não, mas no caso da expulsão dos palestinos, infelizmente, o branca tá certo, a vida inteira foi assim, e particulamente os judeus foram expulsos de suas terras inúmeras vezes, não que isso justifique, mas é aquela história, se todo mundo erra ninguém erra.
Eu acho que israel tenha o direito de permanecer lá por um simples motivo, eles deram pau nos árabes mais de uma vez, pra mim isso legitima o direito deles, mesmo pq não dá mais pra expulsa-los.
Não que eu apoie israel e sua política expansionista, mas que eles deram pau nos árabes ele deram.
Ótimo texto. Mas alguns comentários são inaceitáveis. Ofende a civilidade afirmações como a de que os judeus se apropriaram de eventos de que participaram, como o Holocausto. Isto é papo típico de anti-semita raivoso.
Doria just wants to get his numbers up. Nothing like the fate of all that to max out the comments.
Shame on you, Doria.
Shalom.
and solemnly fuck off.
Vou tentar criticar sem usar de revisionismo, que não tem o menor cabimento.
A primeira questão é a da legitimidade que o “povo hebreu” tinha (ou não) para poder ocupar o que hoje é o Estado de Israel. Tal legitimidade é das mais controversas da história política recente. O que ocorreu foi o preenchimento do vazio criado pela saída dos ingleses do protetorado. Tomou quem teve mais competência militar. Point barre.
Mas foi invasão militar, golpe de Estado e altamente desumano (altamente desumano para ambos os lados). Isso não se deve esquecer também.
Nao escrevi antes porque estava na praca Rabin, em Tel-Aviv, vendo fogos de artificio e uma festa bem civilizada. Dai fui dormir.
Achei interessante o fato de os comentaristas pro-palestina terem se manifestado de maneira tao estranha.
No comeco, com falta de ter o que fazer, resolveram criticar o uso da expressao “anti-semita”. Querem que seja usado o “anti-judaico”. Alias, nao, querem que seja usado o “anti-sionista”.
Pessoalmente nunca fui prejudicado, acusado, subjugado, eu ou qualquer colega e amigo judeu, por ser sionista. Todas as vezes foi por sermos judeus. Ninguem sai batendo em alguem na rua verificando a sua corrente nacionalista. Eh judeu, ta no pau!
Eh “anti-judeu” mesmo. Nao adianta inventar subterfugios semanticos.
Depois que essa discucao terminou, alguns pro-palestina comecaram a delapidar frases usadas por esses ou aqueles israelenses ao longo da historia (sem citar contexto, eh claro), optando por desfazer moral e eticamente o direito de existencia de Israel.
Alguns ainda usaram citacoes inventadas ou distorcidas (sem citar fontes ou contexto - evidentemente). Com o mesmo proposito.
E, pois eh… Em mais de 100 anos de conflito, o que qualquer cidadao palestino ou pro-palestina, jamais teve a forca moral de fazer foi criticar seu proprio povo. Dizer o que foi feito de errado EM CASA. Sempre falando mal de Israel em especial e dos Judeus em geral. Aqui eh o contrario. A maioria absoluta dos jornais e dos cidadaos criticam o governo, criticam o proprio pais. Criticam oficiais, criticam rabinos e saem as ruas pedindo correcao moral a respeito desses assuntos.
Os palestinos?
Nunca fizeram isso. Em mais de 100 anos de conflito. Nem uma unica vez criticaram seus proprios lideres, atitudes, decisoes e acoes. E os pro-palestinos daqui agem exatamente da mesma maneira. Palestinos sao como criancinhas abandonadas que nao podem decidir por si proprias e portanto nao precisam de valores eticos ou atitudes efetivas. Nao podem ser criticadas. Portanto…. vamos criticar todo o resto do mundo.
E eu? Eu estou com o Brancaleone. O ser humano eh uma maquina mal, muito mal programada. Guerra eh uma merda. Mas eh guerra. Meus avos perderam uma. Amigos e parentes deles perderam bem mais que isso. Sentar no meio-fio e chorar as pitangas eh novidade inventada por criancinhas. No bonde da historia deve-se seguir lutando. Eh o que se faz aqui neste pais ja faz bastante tempo.
O Marcos Araujo no 67 falou tudo. Tudo que se falar a mais é só ódio e desculpas pelos erros de um lado e de outro.
O que me dói é que a humanidade teima em andar de lado.
Não sabe andar para frente.
As pessoas preferem contestar outras, ser contra ou a favor baseadas em fatos passados.
Eu acredito que se todos que aqui manifestaram sua opinião tivessem consciência de que a discussão de erros ou desgraças passadas tem que ser superadas, esquecidas no que se refere a sentimento, não a que se refere experiência para a posteridade, para um mundo melhor, sim, se todas as pessoas que aqui por este post passaram, olhassem para a frente e não para trás, pensassem num convívio melhor e, mais fraterno entre os homens o mundo seria muito melhor.
Se todos consegussem dizer:
Bem, podemos construir um mundo melhor e podemos juntos, todos, pressionar outros para o entendimento, para a convivência fraterna, num mundo novo, entendendo que do passado devemos sómente tirar exoeriências para um futuro melhor.
Eu realmente diria que estávamos andando para frente.
Mas,…. parece que somos muito ignorantes para isso.
Discussão enorme, nem acompanhei toda.
Certa vez li em algum lugar que quando o Estado judeu foi criado estavam sendo cogitadas diversas áreas para sua realização, uma delas inclusive no sul do continente americano.
Alguém sabe mais sobre isso? Procede?
· Ótimo texto. Mas alguns comentários são inaceitáveis. Ofende a civilidade afirmações como a de que os judeus se apropriaram de eventos de que participaram, como o Holocausto. Isto é papo típico de anti-semita raivoso.
Para não ir muito longe com a exemplificação, tome por base a proibição do carro alegórico sobre o holocausto no carnaval carioca, a pedido da FIERJ, proibição essa concedida providencialmente através de uma juíza de ascendência judaica. Não estavam caracterizados como judeus as vitimas, no carro alegórico e é sabido que fora os 6 milhões de judeus, Hitler exterminou 20 milhões de russos, eslavos, ciganos e até deficientes físicos alemães. O que vem a ser isso? Acaso não se trata de se apropriar de um fato histórico? Alguma autoridade e ou entidade judaica se manifestou contra as medidas da FIERJ? Seriam os judeus os donos de um evento histórico a ponto de censurar uma manifestação cultural popular, mesmo que de mau gosto?
Mas como sua civilidade se ofende facilmente, ofenda-se com a falta de civilidade de um país que se diz um bastião da democracia no OM pelo fato de ser parlamentarista e ter eleições e ser cercado de ditaduras sanguinárias, quando na verdade é um país que mantém presos políticos sem julgamento por anos, princípios racistas e religiosos de cidadania e divisão de terras. Subjugar e restringir os palestinos até o acesso a água, assassinar civis e crianças metodicamente. Isso não ofende sua civilidade?
André Fucs #79
A lei se trata de terras do FNJ, citei como exemplificação já que me acusou de escrever sem embasamento. Contestas esses dados? Não existe esses critérios raciais-religiosos?
Dino,
Apenas para não perder o costume!
Você tem alguma fonte para essas suas afirmações sobre Israel do último parágrafo?
KKKKKKK
· RW in Miami // 7/May/2008 às 23:38
Dino, se eu sou dono de terras - ou de um carro ou de uma bicicleta ou de qualquer coisa… eu vendo pra quem eu quiser, certo ?
Errado! Se estiveres em Israel e esse “quem eu quiser” for um árabe, você não vai poder vender não… Alias nem alugar suas terras para um árabe pode.
Serio, Dino? Entao meu vizinho de baixo eh uma aberracao a lei? Pq o apartamento eh dele….
…e ele eh arabe.
Alias, so para voce nao ficar muito triste: sim. Existe um monte de racismo contra arabes e em especial no caso de compra de terras. E varios casos ja foram noticiados de gente querendo comprar terra sendo recusada por serem arabes. E sim, foram a justica. E sim, ganharam a causa.
Se voce esta falando de uma lei especifica, por favor, cite a lei, ano, etc, que eu fui procurar e nao encontrei.
Dino,
Diz uma coisa para os demais leitores do blog:
Os palestinos que moram nos assentamentos como Pisgat Zeev, seriam eles também terríveis ocupadores?
Se quiser eu mando as fontes! :-)
Gabriel,
O seu vizinho na verdade deve ser agente do Shin bet à paisana! :-)
Por sinal o Dino nunca vai acreditar nessa notícia do JPost… :-)
“One effect of the barrier is the movement of tens of thousands of Palestinians from outside Jerusalem to inside municipal Jerusalem. We know about such cases, especially in Neveh Ya’acov, Pisgat Ze’ev, Armon Hanatziv and East Talpiot,” says Haim Ehrlich, coordinator of policy and advocacy at Ir Amim, an NGO that promotes equality among Jews and Arabs in Jerusalem.
Para quem não sabe, Neveh Ya’acov, Pisgat Ze’ev, Armon Hanatziv, etc são “assentamentos”. Ora quem diria, colonos árabes ocupando terras palestinas?!!??!
e viva o chavão!!!
Gabriel, TERRA e apartamento ou como diz o RW, bicicleta e carro para você é a mesma coisa?
Dino, cite a lei, origem, ano, etc, e eu vou ficar extremamente grato, porque nao conheco tal lei. Pra nao cair em baixaria, conversei com um amigo meu advogado. Ele me disse que nao conhece essa lei, embora nao seja a area dele, gostaria muito que eu a citasse pra ele.
Nao pude, porque nao tenho absolutamente nenhuma fonte. Se voce tiver, agradeco a gentileza.
Pedro Dória,
Cheguei tarde na discussão e não tive tempo de ler todos os comentários.
Pode ser que eu esteja chovendo no molhado, mas acho que há um equívoco no seu texto.
É que, nele, fica a impressão que Ben Gurion fundiu a Haganah com a Lehi e o Irgun, dando origem à Força de Defesa, antes da guerra contra os países árabes.
Na realidade, e independentemente de fusão com o Irgun e a Lehi (fusão que não houve, aliás), a Haganah já era a força de defesa, contando inclusive com uma seção de elite e inteligência: o Palmach.
A Lehi e o Irgun participaram da guerra contra os países árabes como organizações autônomas. Nessa condição, as duas organizações perpetraram o massacre da aldeia de Deir Yassim.
E também é bom dizer que esse massacre contou com a conivência da Haganah que, tendo ocupado a aldeia — sem disparar um só tiro, pois não houve resistência — se retirou, deixando-a nas mãos de combatentes da Lehi e do Irgun.
A coisa só não foi ainda pior, porque os colonos judeus de um povoado próximo, ouvindo os tiros, vieram em socorro dos palestinos e fizeram cessar o massacre (quando cerca de 200 pessoas, entre elas idosos, mulheres e crianças, já haviam sido assassinadas).
A dissolução do Irgun e da Lehi aconteceu somente após a Guerra de 1948. Foi quando essas organizações compraram armas — incluindo armamento pesado — e munições em grande quantidade, transportados em um navio para Israel .
Avaliando que o fortalecimento desses grupos colocaria em cheque o recém-nascido Estado, Ben Gurion ordenou o aniquilamento do Irgun e da Lehi. O navio foi atacado por aviões israelenses e explodiu.
Em terra, as forças armadas do país lutaram pelo menos dois dias contra os militantes do Irgum e da Lehi. Ao final da luta, a maior parte dos combatentes da Lehi e do Irgun estava morta.
Houve, ainda, um monte de prisões. Dirigentes do Irgun, como Menachen Begin, simplesmente desapareceram de circulação (depois, Begin espalhou a lenda de que ele teria passado vários anos “morando” em um armário embutido, dentro de sua própria casa).
Não houve fusão, portanto, e sim a proscrição e o aniquilamento do Irgum e da Lehi.
Por causa desse episódio a direita israelense passou a chamar Ben Gurion de “nazista” e “assassino de judeus”.
Gabriel,
Por sinal o dino não deve saber que a grande maioria dos israelenses moram em terra “alugada” via Tabu/Tapu do JNF.
Ignorância é um horror…
Acho engraçado como idiotas como o Dino lêem um amontoado de clichês e acham que sabem mais do que quem já mora ou morou em Israel.
A seguir, vamos ter o Dino explicando para o Neil Armstrong como é estar na Lua em base ao que leu na Wikipédia. :-D
ops. errata JNF ou similares
Longa vida, prosperidade e paz ao Estado de Israel. Que possam, em breve, esperamos, sentar-se e resolver a questão das fronteiras. Que possam, israelenses e palestinos, conviver em paz. Podem até continuar a se detestar, se quiserem, mas que todos possam ter paz e prosperidade. Se Abbas conseguir o que fez Ben Gurion - detonar com a gangue do Irgun e a da Stern - e conseguir estabelecer autoridade sobre os inúmeros grupos palestinos que se odeiam entre si, o horizonte melhora muito. Espero que consiga. No mais, bravo para o povo israelense. E também concordância total com o Marcos Araújo ( lembra de mim? ).
André apesar de eu ter mais o que fazer, tive que ir verificar que assentamentos são esses na internet, o que consta é que são BAIRROS com ocupação ilegal israelense, condenada até pela ONU e acredite se quiser, pelo bush! Onde você quer chegar com essa conversa mentirosa?
http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3525875,00.html
Comentário 82!
Amigo…..me comparo com os judeus e nazistas…..dizendo que não somos povos e sim espiritos….todos iguais…..se voce não sabe ler …VAI TE CATAR!!!!!
VAI DISTORCER AS PALAVRAS dos outros lá na China…..Anti semita é a mamãe!
Israel que dure 03 mil anos mais!
Mas que deixe de trucidar pobres coitados…..
E chega de tentar desqualificar seus oponentes chamando-os de anti-semita….já deu esse bordão……tratem de tomar vergonha na cara…..não boto RG não!
Por que voce papspalho também não bota!
E Tenho dito!
EEEEEEEEEEEEEE……….
André apesar de eu ter mais o que fazer, tive que ir verificar que assentamentos são esses na internet, o que consta é que são BAIRROS com ocupação ilegal israelense, condenada até pela ONU e acredite se quiser, pelo bush! Onde você quer chegar com essa conversa mentirosa?
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desculpem…..Joseph…..”TU É UM BURRÃO MERMO!”
Neta Sela and AP
Published: 03.31.08, 17:07 / Israel News
Condtruction beyond Green Line continues in full pace: Jerusalem’s city hall announces Monday its plan to construct 600 new apartments in the neighborhood of Pisgat Ze’ev, part of the eastern part of the city Palestinians hope will one day be their capital.
The apartments are an element of Mayor Uri Lupolianski’s plan to build 40 thousand new apartments for young couples in Jerusalem’s municipal territories, some of which are beyond the 1967 borders.
Dino,
Vou confessar, eu adoro pescar… e pelo visto você é um gordo dum baiacu!
A questão toda é justamente essa bobalhão. O que os palestinos e seus amigos chamam de assentamentos, o governo israelense chama de bairros. Todas essas construções estão sobre território disputado em Jerusalém oriental, ou como diz seu post, além das fronteiras de 67.
Veja só que curioso, no início de 2008, não lembro de fevereiro ou março, os palestinos afirmaram que os Israelenses estavam mais uma vez minando o processo de paz devido a expansão dos assentamentos… adivinhe? Pisgat Ze’ev!!!! a quem você acaba de chamar de bairro!!!! Melhor impossível! :-)
A sua “surpresa” é fruto do radicalismo… sabe como é, vocês preferem acreditar que esse assentamentos são todos povoados por judeus malucos. Giló, outro “bairro” de Jerusalém, também é um “assentamento” na visão dos palestinos.
Faça um exercício simples. Procure todos os nomes que citei na Wikipedia mesmo. Você verá que todos são listados como assentamentos - settlement.
Se você não acredita na Wikipedia (faz bem) dá uma lida no relatório de um dos queridinhos de vocês, o Peace Now…
“First, it should be noted that on February 12th Ha’aretz reported on Israeli government plans for 350 new apartments in the East Jerusalem settlement of Har Homa and 750 new apartments in the East Jerusalem settlement of Pisgat Zeev.”
Peace Now, Settlements in Focus: Jerusalem Settlements take Center Stage - February 2008
Poxa camarada, pelo menos faz o esforço mínimo de entender as demandas do lado que você defende!!!!
HAHAHAHHAHAHAHAHA
PS-Detalhe, se não me falha a memória não é a primeira vez que comento esse detalhe da presença de árabes nos assentamentos aqui no blog.
e antes que eu me esqueça, como minhas fontes deixam claras… mentirosa é a conversa de quem escreve supostas “verdades” mas não cita fontes.
Sejamos justos… você nessa até tentou citar uma fonte, pena que não se deu a trabalho de conhecer a fonte que você citou… Pela presença de Neta Sela e do “Israel News” creio eu que sua notícia é oriunda do Ynetnews. Acertei? Muito me espanta que você leia um jornal de centro direita como o Ynetnews… muito me espanta
O homem de gelo perdeu o fair play……
Parabens caro Dino……decididamente voce colocou o dedo na ferida.
Vamos ao trabalho de campo!
A noite…. as estrelas, que dizem , não posso ver!
EEEEEEEEE………
HRP Mané,
gostei da piada. mas confesso que não entendi….
Presença árabe em um local que está sendo invadido por construções israelense? Você está com algum problema ou é cínico assim mesmo?
ué mas você não acabou de afirmar que são bairros? Depois eu que sou cínico…
hahahahahha
Bela conclusão! Vê-se que es um agente bastante esforçado…
É…… o gelo derreteu…..
Leio a todo momento em todo comentario a expressão “limpeza etnica” relativa aos palestinos e/ou arabes. Não consigo entender uma vez que só vejo seu crescimento populacional. Comparada com a tal de “limpeza etnica” realizada pelos nazistas contra os judeus, aritmeticamente é comreensiva.
Pois é….sofismar as vezes engana …..o 130 aí faz a tentativa……e com a maior cara de pau…..
Dino,
Não seja tolo… parece que não leu o apelo do bloguista: Rebata os comentários sem apelar para a baixaria…
Continuando minha argumentação um tanto sobre-embasada para o nível do pedaço vejamos:
“Hundreds of Arab families, perhaps even more, have started renting and even buying apartments and homes in the Jewish neighborhoods of eastern Jerusalem… The phenomenon is also familiar in neighborhoods such as PISGAT ZE’EV and NEVEH YAAKOV , home to a weaker Jewish population, economically speaking. Renting an apartment in Neveh Yaakov costs $500, whereas in nearby Beit Hanina the price is sometimes double; nothing will stop the Arabs entry into Neveh Yaakov.
Opa… lá vem a palavra bairros novamente… você nesse momento deve pensar. São bairros caramba, esse Fucs é um cínico canalha… mas eis que vejamos o que dizem os próprios palestinos que você defende…
Segundo lista do Departamento de Estatísticas da Palestina (ANP):
Israeli Settlements in Jerusalem Governorate as in 99:
Hebrew University, French Hill, Jewish Neighborhood, Pisgat Ze’ev,Pisgat Omar, East Talpiyyotm Giv’at Ha-Matos, Gilo, Ramot Eshkol, Ramot, Rekhes Shu’afat, Neve Ya’aqov, Ma’a lot Dafna, Har Homah, Dawod Villege, Armon Hanottsef, Ramat Rahil, Senhadriya, Mount Scopus, etc.
Ou se não te convence… um site qualquer palestino, afinal essa ANP deve estar repleta de sionistas! :-)
“The Israelis tend to call several of their settlements “neighborhoods,” while they contravene international law… Israel will continue to build in settlements such as Pisgat Ze’ev…”[3]
Ou seja, ou você está afirmando que o Ha’aretz, Newsweek e uma série de veículos que reportaram o fenômeno estão mentindo, ou então deveria reconhecer, que de fato, para sua total surpresa, há presença de árabes naquilo que os palestinos chamam de assentamentos e disputam como parte do processo de paz.
[1]Danny Rubinstein, Looking for a home in Pisgat Ze’ev, Ha’aretz online
[2] Palestinian Central Bureau of Statistics, Israeli Settlements in Jerusalem Governorate (J1) by Area, Population and Establishment Year, 1999
[3] Fadi Yacoub, Al Ajrami: Israel’s unilateral word, it’s control, destroys a Palestinian state on Palestinian soil, Palestinian News Network
Cêis ainda tão aqui discutindo isso?
Fala sério.
Tchau.
Bronco…pior que é!
ahahahahahahah…..
Quando não ha argumetos, colocações racionais se tornam sofismas. né Mané?
zeide-boy, é verdade isso é tudo uma grande mentira e como Israel não gosta de levar fama sem proveito haverá um incremento nesse sentido…Talvez assim diminua a população palestina, esses palestinos se reproduzem como ratos, não é mesmo?
Lola no # 116:
Prezada, se lembro de você? Hmmm, acho que nao ou….pensando bem e se minha memória ainda nao foi pras cucuias, penso que tivemos um embatezinho inócuo Israel x Palestina tempos atrás. É isso?
Bom, ontem à noite visionei um documentário extraordinário sobre uma aldeia em Israel (esquecí o nome), fundada há 30 anos por um padre dominicano de origem judia (já falecido), onde israelenses e palestinos convivem pacíficamente, de igual para igual, sem divisoes e discussoes, na paz. É uma aldeia lindíssima, verde pra todo lado, moradias belas e confortáveis para todos, tudo bem cuidado e muito limpo, crianças felizes, professores israelenses e palestinos ensinando para classes mixtas, sem nenhum problema. Um exemplo de civilidade dos dois lados. Tanto palestinos como israelenses foram entrevistados, juntos, em volta de uma mesa. E também nas escolas. Foi incrível ver a civilidade e amizade entre os moradores. Vendo aquilo, deu até vontade de ir morar lá! Um exemplo a seguir, creio.
Marcos Araújo,
O nome da aldeia é Neveh Shalom, ou Fonte de Paz em Hebraico.
Sei que será novamente um comentariozinho perdido e imperceptível no meio da multidão, mas um post maravilhoso como esse do PD talvez merecesse melhores discussões, e economia de comentários como “é, é isso aí”, ou “ah, não gostei”, e coisas do gênero.
Sobre a derrota dos palestinos, ocorreram-me duas questões: primeiro, a da organização judaica, e ao mesmo tempo o suporte bélico e econômico; em segundo lugar, a da desorganização dos árabes, que parece ser mais um mal histórico do que mais uma guerra perdida.
Quanto aos judeus, uma estratégia tão pesada quanto de deslocamento de milhões de pessoas deveria responder a outros propósitos, além de apenas algo como o “bem” da “tribo”. Não se cria um Estado de graça, outros propósitos estariam em jogo. Quais seriam?
Quanto aos árabes, seria sua “desorganização” algo de implicações culturais? É claro que não devem ser, mas a que responderia?
abraços,
algo que sempre me intrigou foi o fato de judeus ricos terem se empenhado tanto (e gasto dinheiro, coisa que notoriamente nao os agrada) para criar um estado judeu se, obviamente, nunca cogitaram em viver nele. Todos continuaram tocando seus negocios de agiotagem legitima na Europa e EUA enquanto esperavam e incentivavam que os outros se mudassem para Israel. Mas talvez isso nao seja tão intrigante assim: certamente sabiam que quanto menos judeus espalhados pelo mundo - ja que teriam estabelecido em Israel - menos o mundo se voltaria contra eles, aplacando o anti semitismo e facilitando a vida e os negocios dos ricos. Se ha outra logica que nao percebi me informem por favor.
os judeus tem gama de inteligente e cultos e os que mais são de verdade nao sao religiosos, nao acreditam em Deus, e nao cultivam o sionismo:
Freud, Marx (o Karl e o Groucho) Woody Alen,
Einstein e Sarah Silvermam…
Marcos Araújo
Eu também.
A turma prefere olhar para trás do que construir um mundo melhor.
É… Os judeus são todos ricos, agiotas, malvados, narigudos, pão-duros, conspiradores, dominam a mídia e os bancos e bebem sangue de bebês palestinos no café da manhã (antes era sangue de bebês cristãos, mas mudaram a dieta).
Que tédio!!!
E depois dizem que “anti-sionismo” é algo diferente de “anti-semitismo”. Francamente, não parece não…
Quanto aos “palestinos”, precisam aprender que a violência não leva a nada, ou melhor, só leva à sua própria auto-destruição.
[Claro que o Hamas é um dos braços do Irã (o outro é o Hizballah), então na verdade os "palestinos" não têm muita escolha além de ser joguetes nas mãos de outros, inclusive os esquerdistas que "querem o seu bem". Com amigos como esses...]
Faraó,
Você é bem racista, heim.
Isso aqui é interessante.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080507_israel60escritorgf.shtml
caro pedro ,
excelente materia.uma correcao o numero de habitantes judeus na epoca da partilha em 1947 era de 650.000 mil habitantes e nao 2.000.000 milhoes com certeza absoluta.
para incentivar o debate que me parece que vai ocorrer entre seu blog e o biscoito fino segue ja traduzido para portugues o oltimo artigo do pacifista israelense URI AVNERY sobre os 60 anso de israel
“… e chamar-se-á Estado de Israel.”*
Uri Avnery
3/5/2008
CADA VEZ que ouço a voz de David Ben-Gurion pronunciando as palavras “Assim sendo, estamos hoje reunidos em assembléia…”, lembro de Issar Barsky, irmão mais jovem de uma namorada que tive.
A última vez que o vi, estávamos em frente ao refeitório do Kibbutz Hulda, numa 6ª-feira, dia 14 de maio de 1948.
Naquela noite, meu batalhão deveria atacar al-Qubab, vila árabe no caminho de Jerusalém, a leste de Ramle. Estávamos ocupados. Eu limpava meu rifle tcheco, quando alguém chegou e disse que Ben-Gurion estava discursando sobre a fundação do Estado.
Francamente, os discursos dos políticos em Telavive não nos interessavam muito. A cidade parecia-nos muito distante. O Estado, sabíamos, estava onde estávamos, em nós, conosco. Se os árabes vencessem, não haveria nem Estado, nem “nós”. Se vencêssemos, haveria Estado. Éramos jovens e autoconfiantes, e nem por um momento duvidávamos de que venceríamos.
Mas eu estava muito curioso quanto a um detalhe: como se chamaria o novo Estado? Judéia? Sion? Estado Judeu?
Portanto, corri para o refeitório. A voz inconfundível de Ben-Gurion soava no rádio. Quando disse “…e chamar-se-á Estado de Israel”[1], que era o que me interessava saber, saí do refeitório.
Na saída, cruzei com Issar, que lutava em outro batalhão. Naquela noite, atacaria outra vila. Disse-lhe o nome do Estado. E recomendei: “Cuide-se!”
Issar foi morto alguns dias depois. Por isto lembro-me dele como estava naquele dia: 19 anos, sorridente, um Sabra cheio de inocência e alegria de viver.
QUANTO MAIS PRÓXIMAS as grandiosas festividades do 60º aniversário, mais uma pergunta me incomoda: se Issar acordasse e visse Israel hoje – ele, sempre com 19 anos –, o que pensaria do Estado que foi oficialmente criado aquele dia?
Veria um Estado que se desenvolveu muito mais do que nos seus mais entusiasmados sonhos de adolescente. De uma pequena comunidade de 635 mil almas (contados os 6.000 que morreriam com Issar naquela guerra), há hoje mais de 7 milhões de habitantes em Israel. Dois grandes milagres locais – o renascimento do idioma hebraico e a instituição da democracia israelense – continuam a ser realidade. A economia é forte e em alguns campos – a alta tecnologia, por exemplo – Israel está entre os primeiros do mundo. Issar sentir-se-ia entusiasmado e orgulhoso.
Mas também sentiria que algo deu errado, em Israel. O Kibbutz onde armávamos nossas barracas de campanha naqueles dias tornou-se empresa comercial, como qualquer outra. A solidariedade social, da qual tanto nos orgulhávamos, desmoronou. Massas de adultos e crianças vivem abaixo da linha de pobreza, os idosos, os doentes e os desempregados estão entregues à própria sorte. A distância que separa pobres e ricos é das maiores do mundo desenvolvido. E a sociedade israelense, que uma vez levantou a bandeira da igualdade e da justiça, calou sua voz coletiva e dedica-se a outros assuntos.
Sobretudo, Issar descobriria, chocado, que a guerra brutal que o matou e feriu-me, além de matar e ferir milhares de outros, continua, sem trégua. A guerra comanda toda a vida de Israel. Enche as páginas dos jornais e está nas chamadas de todos noticiários de televisão.
Descobriria que o exército – que realmente éramos “nós” – converteu-se em outra coisa, completamente diferente, em exército cujo único sentido e principal ocupação é oprimir povos vizinhos.
NAQUELA NOITE realmente atacamos al-Qubab. Quando entramos na vila, já estava vazia. Entrei numa das casas. A chaleira ainda estava quente, a mesa estava servida. Numa prateleira, havia fotos: um homem que visivelmente havia penteado cuidadosamente os cabelos, uma mulher em trajes locais, duas crianças. Guardo-os comigo, até hoje.
Suponho que na vila atacada pelo batalhão de Issar, aquela noite, havia foto semelhante. Os moradores – homens, mulheres, crianças – fugiram no último momento, deixando atrás de si toda a própria vida.
Não há como escapar do fato histórico: o Dia da Independência de Israel e a Nakba (”catástrofe”) dos palestinos são dois lados da mesma moeda. Em 60 anos, Israel não conseguiu – de fato, Israel sequer tentou – criar outra realidade, para desatar este nó.
E, assim, a guerra continua.
Ao aproximar-se o 60º Dia da Independência, criou-se um comitê para escolher um símbolo para o evento. Escolheram algo que teria chances em concurso para escolher símbolo da Coca-Cola ou do festival “Eurovision” da canção.
O verdadeiro símbolo do Estado de Israel é outro, diferente, e não foi inventado por comitê de burocratas. Está posto no chão e pode ser visto de longe: o Muro. O Muro da Separação.
O Muro separa quem, separa o quê?
Aparentemente, separa a israelense Kfar Sava e a palestina Qalqiliyah, fica entre Modi’in Illit e Bil’in. Entre o Estado de Israel (e mais terra roubada) e os Territórios Palestinos Ocupados. Na realidade, separa dois mundos.
Na imaginação doentia dos que acreditam no “choque de civilizações” – seja George Bush ou Osama Bin-Laden – o Muro é a fronteira entre dois titãs históricos, a civilização ocidental e a civilização islâmica, inimigos mortais, combatendo uma guerra de Gog e Magog[2].
O Muro da separação é a fronteira entre estes dois mundos.
O Muro não é só uma estrutura de arame e concreto. Mais que tudo, o Muro – como todos os muros – é uma declaração ideológica, uma declaração de intenção, uma realidade mental. Os construtores declaram-se proprietários, alinham-se de corpo e alma num dos lados, o lado ocidental; e declaram que do outro lado do muro, do lado de “lá”, começa o mundo oposto, o inimigo, as massas de árabes e outros muçulmanos.
Quando se decidiu sobre isto? Quem decidiu? Como?
Há 102 anos, Theodor Herzl escreveu em seu livro-manifesto Der Judenstaat[3], do qual nasceu o movimento sionista, uma sentença carregada de significado: “Para a Europa, constituiremos lá [na Palestina] um setor do muro contra a Ásia, serviremos como linha de frente, uma vanguarda de cultura, contra a barbárie.”
Assim, em 22 palavras em alemão, foi postulada a visão de mundo do sionismo, e o lugar que Israel aí teria. Hoje, passadas já quatro gerações, o muro físico segue o traçado do muro mental.
A imagem é clara, ofuscante: Israel é parte da Europa (como a América do Norte), é parte da cultura, que é exclusivamente européia. Do lado de “lá”, a Ásia, continente bárbaro, sem cultura, e “lá” é o mundo árabe muçulmano.
Pode-se entender a visão de mundo de Herzl. Era homem do século 19 e escreveu quando o imperialismo branco estava no zênite. Ele o admirava com toda sua alma. Assumiu como missão (em vão), encontrar-se com Cecil Rhodes, o homem-símbolo do colonialismo britânico. Aproximou-se de Joseph Chamberlain, secretário britânico para as colônias, que lhe ofereceu Uganda, então colônia britânica. Ao mesmo tempo, também admirava o Kaiser alemão, seu Reich tão perfeitamente organizado, que castigava o sudoeste africano com um genocídio horrível, no ano em que Herzl morreu.
A máxima de Herzl não sobreviveu apenas como pensamento abstrato. O movimento sionista nasceu dela, no primeiro momento, e o Estado de Israel mantém-na viva até o dia de hoje.
PODERIA TER SIDO DIFERENTE? Israel poderia ter-se tornado parte desta região do mundo? Poderia ter-se convertido numa espécie de Suíça cultural, uma ilha independente entre Oriente e Ocidente, que servisse de ponte e mediação entre ambos?
Um mês antes de eclodir a guerra de 1948, sete meses antes de o Estado de Israel ter sido oficialmente constituído, publiquei um livreto intitulado “War or Peace in the Semitic Region”. Começava assim:
“Quando nossos pais sionistas decidiram criar um “paraíso seguro” na Palestina, podiam escolher entre dois caminhos:
Podiam mostrar-se ao oeste da Ásia como o conquistador europeu, que se vê como cabeça-de-ponte da raça ‘branca’ e senhor dos ‘nativos’, como os conquistadores espanhóis e os colonialistas ingleses na América. Como, em seu tempo, os Cruzados, na Palestina.
A outra via era verem-se eles mesmos como um povo asiático que voltava à terra de origem – vendo-se como herdeiros da tradição política e cultural da região semita.”
A história da região onde hoje está Israel conheceu dúzias de invasões, que se podem classificar em dois principais grupos.
Houve as invasões que vieram do Oeste, os filistinos, os gregos, os romanos, os cruzados, Napoleão e os britânicos. Invasões deste tipo visaram a implantar uma cabeça-de-ponte. Estes invasores pensavam como cabeça-de-ponte. A região é território hostil, a população é inimiga, é preciso oprimi-la ou destruí-la. No fim, todos estes invasores foram expulsos.
E houve as invasões que vieram do Leste, os emoritas, os assírios, os babilônios, os persas e os árabes. Estes conquistaram o território e tornaram-se parte dele, influenciaram tanto quanto foram influenciados pela cultura que encontraram; no fim, enraizaram-se.
Os antigos israelitas classificam-se no segundo tipo. Embora haja dúvida sobre o Êxodo do Egito narrado nos Livros de Moisés, ou sobre a Conquista de Canaã narrada no Livro de Josué, pode-se aceitar que fossem tribos que vieram do deserto e infiltraram-se nas cidadelas fortificadas de Canaã que não poderiam conquistar, como se lê em Juízes1.
Mas os sionistas eram diferentes. Os sionistas foram invasores do primeiro tipo. Trouxeram com eles a visão de mundo de cabeça-de-ponte, de linha de frente da Europa. Esta visão de mundo impôs-se e erigiu o Muro, como símbolo nacional de Israel. Isto tem de mudar.
UMA DAS PECULIARIDADES nacionais dos israelenses é uma modalidade de discussão na qual todos os participantes, sejam de esquerda ou de direita, argumentam ‘por clinch’, como no boxe: “Se não fizermos tal e tal coisa, desaparecerá o Estado de Israel!” Alguém imagina este argumento na França, na Inglaterra, nos EUA?
Este argumento é sintoma da ansiedade “de Cruzado”. Embora tenham permanecido por quase 200 anos e produzido oito gerações de “nativos”, os Cruzados jamais tiveram certeza de que permaneceriam em Israel.
A existência do Estado de Israel não me preocupa. O Estado de Israel existirá enquanto existirem Estados. O problema é: que tipo de Estado haverá em Israel?
Um Estado de guerra permanente, de terror contra os países vizinhos, de violência que degrada todas as esferas da vida, onde os ricos florescem e os pobres só conhecem a miséria; um Estado do qual desertam os melhores filhos?
Ou um Estado que vive em paz com os Estados vizinhos, para benefício mútuo; uma sociedade moderna com direitos iguais para todos e sem miséria; um Estado que investe seus recursos em ciência e cultura, na indústria e na preservação do meio ambiente; no qual as futuras gerações desejarão viver; fonte de orgulho para todos os cidadãos?
Que este seja o objetivo de Israel para os próximos 60 anos. Acho que este também seria o desejo de Issar, para o futuro de Israel.
——————————————————————————–
* URI AVNERY, 3/5/2008, “…Namely, the State of Israel”, em Gush Shalom (GRUPO DA PAZ), na Internet, em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1209841842/ . Tradução de Caia Fittipaldi. Copyleft. Reprodução autorizada pelo autor e pela tradutora.
[1] O texto da Declaração do Estabelecimento do Estado de Israel (14/5/1948) pode ser lido, em inglês, em http://www.mfa.gov.il/MFA/Peace%20Process/Guide%20to%20the%20Peace%20Process/Declaration%20of%20Establishment%20of%20State%20of%20Israel
[2] Entidades do folclore da região, que aparecem tanto na Bíblia hebraica quanto no Corão. Sobre “Gog e Magog” ver http://en.wikipedia.org/wiki/Gog_and_Magog (em inglês).
[3] O Estado judeu, 1896.
Gabriel,
Exitiram e ainda existem muitos palestinos que fazem “auto-crítica”, sim. Edward Said é um grande exemplo; Naji Salim Al-Ali é outro de estatura moral incomparável (grande cartunista que não perdoava nem os líderes árabes de sua época). Mesmo quando da ascensão do Mufti Al-Husseini existiam outras lideranças religiosas na palestina contrárias a ele. O Hamas tem uma posição muito crítica com relação a da ANP de Mahmoud Abbas.
PS: O Pedro bem que podia se valer de fontes palestinas, de vez em quando. Dizem que os jornalistas devem ser imparciais, o que não é, nem de longe, o caso do Pedro Dória, principalmente quando trata do conflito israelo-palestino.
Eugenia a Israel!!! PUTZ!!!…….só falta um Mengele judaico!
Ahahahahahahahah….o zeide BOY! é um barato…..melhor que a”Discoteca do Chacrinha”!
Definitivamente …a maconha vendida na Argentina é ruim!
Quando Ben Gurion decidiu detonar o Irgun e o Lehi demonstrou um força e clarividência politicas que fazem falta hoje no processo, a começar pela recusa palestina em decretar a fundação de seu Estado.
Notemos que durante a II Guerra as coisas estavam confusas, com os diversos grupos sionistas divergindo sobre métodos e inimigos. Para exemplificar: um grupo do qual fazia parte Ytzhak Shamir tentou negociar com os alemães apoio para combater os ingleses. Para eles, esses eram os principais inimigos do sionismo.
Mas (supostas) vilanias dos judeus americanos, iniciativas esquisitas, conflitos regulares ou massacres covardes (perdoem o pleonasmo), tudo isso já passou ou deve passar. Não deve ser levado em conta no processo na forma de recalque ou desejo de vingança.
Urge mesmo é implantar o império da razão (ou a presença majoritária dela). Sei que isso é de uma dificuldade descomunal. Mas a sua necessidade talvez termine por se impor.
E mesmo não almejando uma situação similar à da aldeia Neveh Shalom, isso vai ter que se resolver um dia. Os beneficiários e os profissionais dos massacres, do ódio e do caos têm que ser defenestrados.
Longa vida ao Estado de Israel e ao Estado da Palestina.
Acho uma pena o que está acontecendo hoje, neste exato segundo, no Líbano.
O Hezbollah tá acabando com a paciencia dos libaneses.
Os libaneses ainda vão chamar Israel pra ajudar nos combates, o que considero uma furada.
Yom Huledet Sameach, Israel.