Assim nasceu Israel
(nos 60 anos de sua vida)
Hoje é Yom Haatzmaut. Ou Nakba. É o Dia da Independência, em Israel; ou a Catástrofe, para os Palestinos. O Estado judaico foi inaugurado na Terra Santa em 14 de maio de 1948 – pelo calendário judaico, cairia na sexta-feira próxima. Para não se chocar com o Shabat, dia santo, anteciparam.
É hoje.
Em 1881, viviam na Terra Santa, que fazia parte do Império Otomano, 450.000 árabes e 25.000 judeus. A partir do Caso Dreyfuss, na França, vários setores das população judaica européia começaram a se dar conta de um crescente anti-semitismo no continente. Esta tensão inspirou vários processos migratórios, principalmente para os EUA. Mas também nasceu, ainda no século 19, o Movimento Sionista, que pregava o retorno à terra da qual haviam sido expulsos pelo Império Romano.
Os primeiros sionistas eram judeus pobres porém bem educados, socialistas, que pregavam a vida em comunas. Juntavam suas economias e aproveitavam a doações da comunidade judaica européia para comprar terras e erguer fazendas nas quais todos dividiam as tarefas. Conforme a Primeira Guerra cedeu lugar à Segunda, a migração começou a aumentar em larga escala. Era gente fugindo do terror que se avizinhava. Após a Segunda Guerra, judeus em grandes campos de refugiados na Europa serviram à pressão diplomática para a oficialização de um Estado Judaico na Palestina.
Mas lá já viviam árabes.
Israel tem pai. Chama-se David Ben-Gurion, o líder da comunidade judaica na Terra Santa. ‘Por que os árabes deveriam querer paz?’, ele se perguntou ainda em vida. ‘Nós pegamos o país deles. Claro, sei que Deus nos prometeu essa terra, mas o que isso tem a ver com eles? O nosso não é o Deus deles. Nós todos viemos originalmente de Israel, também é verdade. Mas isso foi há dois mil anos. O que eles têm a ver com isso?’ Ben-Gurion era um pragmático.
Por sua vez, os palestinos tinham muitos líderes. Um dos mais marcantes foi o grão-mufti de Jerusalém Mohammad Amin al-Husayni, escolhido a dedo pelos britânicos quando assumiram o controle da Palestina após o colapso do Império Otomano. Durante boa parte dos anos 20, foi um aliado do governo de Sua Majestade. Os britânicos, no entanto, faziam um jogo duplo. Pressionados por judeus de um lado e árabes do outro, faziam promessas igualmente tentadoras para ambos. Quando a Segunda Guerra estourou, al-Husayni não teve dúvidas em bandear-se para o lado nazista. Era um anti-semita convicto.
Cada vila árabe na Palestina funcionava de forma autônoma e tinha liderança própria, alguns fiéis ao mufti, outros nem tanto. Os principais líderes árabes nos países vizinhos – Ibn Saud, na Arábia Saudita, os reis irmãos Abdullah, da Transjordânia, e Faisal, do Iraque, Farouk I do Egito e o presidente sírio Shukri al-Quwatli tinham seus próprios projetos de anexação, além de não confiarem muito no mufti.
Quando, em 1947, a ONU decidiu pela divisão da Palestina em dois territórios, um que formaria o país árabe, outro o judaico, o conflito implodiu. Os países árabes tinham exércitos razoavelmente poderosos. A Haganá, força paramilitar considerada ilegal pelo governo britânico que funcionava sob comando de Ben-Gurion mal tinha rifles velhos. Foram à Europa comprar armas, munição e carros blindados dentre a sucata da Segunda Guerra. Tudo feito às pressas mas com razoável organização. O dinheiro para pagar a conta vinha de judeus americanos endinheirados. Enquanto isso, os árabes discutiam entre si como dividiriam o território que pretendiam conquistar sem jamais chegar a algum consenso. Estavam mal organizados. Não que do lado judaico tudo fosse claro – além da Haganá, lutaram a guerra duas organizações terroristas, a Stern Gang e a Irgun, que não reconheciam a liderança de Ben-Gurion.
A guerra foi, na verdade, duas: uma, civil, não declarada, se deu em vários conflitos e ataques terroristas de ambas as partes entre 1947 e o dia da Independência. A segunda é a invasão pelos países árabes de Israel.
Na primeira, enquanto havia razoável união judaica e um objetivo comum, o mesmo não houve entre palestinos. Havia dois árabes para cada judeu na Terra Santa, mas não conseguiram fazer com que a vantagem numérica tivesse resultado prático. Nem todos seguiam o mufti e as aldeias não se relacionavam. Divididos, não tiveram chances. O grupo de novos historiadores israelenses não têm dúvidas de que Ben-Gurion, embora jamais tenha dado ordens claras, incentivou a expulsão de palestinos de suas terras. Se os árabes não tivessem partido para o conflito primeiro, ele jamais teria tido a desculpa; se não expulsasse um bom número de palestinos, seu Estado judaico não teria maioria judaica.
Nas contas de um destes historiadores, Benny Morris, 700.000 palestinos cujas famílias viviam há séculos no mesmo local foram lançados ao exílio. Morris mapeou 389 aldeias árabes na região. Segundo sua pesquisa, pode afirmar que em 49 delas a Haganá ou outro grupo judaico expulsou a população; em 62, os árabes fugiram por conta dos boatos de que massacres estavam acontecendo nas vizinhanças; em seis, a fuga foi seguindo ordens diretas da liderança política palestina. Ataques terroristas, a explosão de casas, hotéis e mercados judaicos davam a resposta palestina.
Conforme a guerra civil corria, temendo que um genocídio pudesse ocorrer, os EUA retiraram apoio à idéia de partição. Isto, e um silêncio obsequioso britânico, deu aos árabes a impressão de que a comunidade internacional não rejeitaria seu ataque. Se tivessem vencido, talvez não rejeitasse mesmo. Egito, Iraque, Síria e Transjordânia invadiram a Terra Santa no momento em que os britânicos a deixaram. Um dos principais líderes militares árabes era um oficial inglês, o general e lorde John Bagot Glubb. Com Israel recém-nascida, Ben-Gurion fez dissolver Stern Gang, Irgun e Haganá e os juntou num exército que batizou, como convinha à época, de Forças de Defesa de Israel. Os países árabes, em conjunto, representavam uma população de 40 milhões de habitantes; a população judaica de Israel não chegava a 2 milhões. A guerra durou quase um ano e Israel rechaçou os invasores. Vários tratados de armistício foram assinados em princípios de 1949.
Israel nascera.
No total, morreram 12.000 palestinos, 6.000 judeus, 1.400 egípcios, e centenas de iraquianos, trasjordanianos e sírios.
Até 1950, uma série de pogroms, passeatas anti-semitas, incêndios de casas e sinagogas, explosões de bombas e assassinatos ocorreram em quase todos os países islâmicos – Egito, Iraque, Síria, Irã, Iêmen e Líbia. O resultado foi a expulsão de 500.000 judeus das casas nas quais suas famílias viviam fazia séculos e sua conseqüente migração para Israel. Estes, em grande parte, viriam a compor o primeiro eleitorado do Likud, o conservador partido linha-dura israelense.
Se naquela decisão de 1947 a ONU tivesse optado por não dividir a Palestina e não estabelecer um Estado judeu, ainda assim haveria a guerra. A diferença é que o lado judaico a iniciaria. O processo, nascido do pesado anti-semitismo que assolou a Europa entre os séculos 19 e 20, e do colapso dos impérios otomano e britânico, estava em curso fazia tempo.
Está em curso, diga-se. Há 60 anos.
Sim, a história é complicada. Talvez alguns de vocês queiram discutir a maneira como a conto. Há muitas versões – procurei ser o mais isento possível, tarefa que na verdade é impossível. Mas tenta-se, ainda assim. Principalmente, tenhamos uma discussão civilizada a respeito de Israel e Palestina. Civilizada quer dizer algo simples: podemos ter idéias fortes, podemos ter convicções profundas, mas respeitemos aqueles com quem não concordamos. Não vamos partir do princípio de que o outro age de má-fé. Esta é uma história que mexe com razão e com emoção ao mesmo tempo. Convicções são honestas. Lealdade para com o adversário também.
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Bernardo Caicedo, só nos explique melhor dois detalhes de seu comentário.
Em que você se baseia para dizer que os ‘milionários judeus não gostam de gastar dinheiro’? Os que conheço são, todos, grandes doadores para inúmeras instituições — nem todas judaicas.
Em que você se baseia para dizer que os judeus ricos são todos donos de ‘negócios de agiotagem’?
Na falta de qualquer resposta precisa para ambos os comentários serei obrigado a considerá-lo um anti-semita clássico (okay, vá, só anti-judeu) que usa os mesmos argumentos desgastados que perduram desde a Idade Média.
Moisés, me diga que fonte palestina citar. Me diga um historiador palestino que tenha escrito sobre os crimes palestinos e quero, com toda sinceridade, lê-lo.
Posso citar vários historiadores israelenses que escreveram e documentaram crimes israelenses.
alon
Muito legal sua colaboração.
Muito comovente as colocações do URI AVNERY.
Pessoas do tipo do URI para mim são pessoas especiais.
Pessoas que acreditam no futuro, um futuro fraterno.
Infelizmente a cultura humana atual não nos fornece muitos seres como URI.
E pensando em como evoluir para chegar a URI se me apresenta o culto ao dinheiro, a satisfação ilimitada do prazer que nos traz a ânsia de ganhar dinheiro para satisfazê-las, não importa quanto.
E me pergunto o que estes fatos, na realidade fatos capitalista furioso, não impede a realização da vontade, do sonho, de URI.
PD,
Lindo texto. Li Ó Jerusalem e amei. E creio, considerando toda a história, que o único lugar onde se poderia fundar o Estado de Israel, é onde foi fundado. Não há outro. Qualquer outro lugar do planeta seria inadequado.
Parabéns à Isreal.
Alon no # 145: Muito obrigado pelo artigo do Uri Avnery. Comovente. Imprimí para guardá-lo, relê-lo. Valeu, prezado. Um abraço.
Anfarel no # 149: Gostei do que escreveu, sobretudo os 3 últimos parágrafos. Sensatez em estado puro. Parabéns.
Graças aos céus que ainda existem os românticos utópicos. Poucos, mas ainda existem. Vários pregam no deserto, para as dunas, os graos de areia. Mas, sem eles o nosso mundo estará perdido. Uri Avnery é um deles, e acredito que aqui mesmo, neste espaço virtual do Pedro Doria, existem outros. Menos famosos e até anônimos, mas que fazem uma diferença, ajudam a construir um mundo melhor.
Quisera que por aquelas bandas - no mundo inteiro - existessem vários outros como Uri Avnery. O mundo estaria salvo! Outro escritor que achei comovente (o ví na TV outro numa roda que discutia o conflito Israel-Palestinos) é o Marek Halter. O cara é bom.
Rebeca, mulher de Isaque, não engravidava. Seja porque Deus quis ou por outras causas inconfessáveis, pegou uma gravidez gemelar e não teve mais sossego. Os fetos lutavam sem parar dentro de sua barriga, aos berros, aos socos, trocando dentadas e pontapés. Parecia castigo do Eterno. Rebeca orou e o Deus respondeu com uma voz tonitruante, préencarnada do Peréio.
‘‘No seu ventre há duas nações, dois povos inimigos. Um será mais forte que o outro. O mais moço vai ferrar o mais velho. Entendeu? Agora, cale a boca, fique quieta, não enche o saco.’’
Rebeca deu à luz, primeiro, a um menino todo vermelho, coberto de pelos feito um urso. Foi chamado de Esaú, ‘‘peludo’’ em hebraico. O segundo nasceu agarrado ao calcanhar de Esaú e foi chamado de Jacó que em hebraico significa ‘calcanhar’ sem ser o de Aquiles.
Os meninos cresceram. Isaque preferia Esaú, o primogênito. Rebeca preferia Jacó porque sabia que ele seria o espertalhão, o desonesto, o patife, o vencedor. Esaú odiava Jacó . Jacó odiava Esaú. Rebeca odiava o mundo. Isaque pagava as contas daqueles infames. Uma linda família. Mais uma das famílias bíblicas, todas iguais, unidas pela discórdia, pela falta de caráter, pela traição. A Bíblia é fiel ao mundo real. Não existem fantasias nas relações familiares do Velho Testamento. Todos se odeiam.
carinha do turbante vermelho, vc é um prazer de leitura….shéhérazade tem sorte, essa bitch…))
Olá Confetti
Agradeço a mensagem.
Sheherazade e eu vivemos intermináveis Mil e Uma Noites de felicidade.
Tadinho do chien. Será catarata?
O texto do PD está ok … Tirando o fato dele nem tangenciar a c*agada que foi sionismo aplicado a partir de 1915, qdo as terras disponíveis para compra escassearam e, com o número crescente de judeus, aplicou-se uma discriminação danada contra quem não era judeu.
Desculpe, Fucs, mas sionismo sucks (desculpe-me o trocadalho, camarada, não resistí *rs)
De resto, tudo beleza, boa base para discussão …
PD, se for pra indicar alguém pra ler do “lado palestino” eu indicaria Rachid Khalidi e Qustandi Shomali (principalmente este, que fez um ótimo levantamento da mídia impressa palestina pré-48)
E já que o negócio é dar palpite (# 67): estado bi-nacional …
Salve, Caramujo!
Junto-me a você nas observações que faz sobre o belo texto postado pelo alon e pelo (sempre) bom comentário do anrafel.
Abraçao!
Ainda essa josta indefensável??????
Paz na Terra aos homens de boa vontade……!!!
Currupaaaco,
Papagaio gosta de repetir!
HRP é nazista!
HRP é nazista!
HRP é nazista!
loro loro loro
Nazista! HRP é nazista!
Cara Alba,
Seus comentários, como sempre, sao um prazer de leitura. Nao perco um. Beijao do Caramujo!
O texto do Avnery “roubou a cena”.
Obrigado, Alon. O melhor texto que li nesse aniversário do Estado de Israel. Parabéns ao Weblog que acolheu-o.
Tem uma vírgula aí, depois do Weblog.
o holocausto “blindou” por completo os judeus contra a mais leve critica ou ressalva. Santificou. Qualquer coisa que se diga é “nazismo”. A escravidão fez o mesmo pelos negros…e a bobice pura e simples fez o mesmo pelo resto: mulheres, indios, baixinhos, gordos, e outras minorias menos votadas…ô papo chato sô…
HRP Mané #42
“judeu ou nazista é tudo a mesma merda….humanos como eu e voce”
… espírita, judeu, espírita, ou nazista, espírita, kardecista é tudo a mesma merda….humanos como eu e voce…
afinal, os espíritas também são humanos, né?
“Na falta de qualquer resposta precisa para ambos os comentários serei obrigado a considerá-lo um anti-semita clássico (okay, vá, só anti-judeu) que usa os mesmos argumentos desgastados que perduram desde a Idade Média.”
1- a menos que vc nao considere o sistema bancario como uma forma de agiotagem, a coisa ta muito facil pra mim: basta citar o principio juridico segundo o qual o que é publico e notorio dispensa provas. Quero dizer: nao preciso provar que o Lula é presidente do Brasil, ou que
hoje é dia tal… assim sendo me considero dispensado de apresentar nome, endereço, cpf e ascendencia de todos os banqueiros do mundo como vc parece propor em seu “desafio”… E quanto a questão de provas pq nao pede a Shakespeare que prove que Shylock era judeu e agiota???
2- quanto aos fato de judeus ricos serem grandes mecenas, a explicação é ainda melhor: tudo que desejam com isso é comprar a boa vontade dos gentios e aliviar a barra.
(nunca estão seguro que não terão mais pogroms né não?)
Aliás do mesmissimo modo como, aqui no Brasil, grandes conglomerados predatorios e monopolistas gastam rios de dinheiro bancando “artistas e intelectuais”. Ou praticamente todos os filmes nacionais nao são bancados por meia duzia de Petrobras, Vales, BBs, Mannesmans e, claro, bancos, seguradoras e financeiras.?
Além, obviamente, do governo, atraves do BNDES. Comprando-se a benevolencia dos “formadores de opinião” pode esfolar o povo a vontade. É simples assim.
Mas nada disso me faz ignorar que a propria modernidade ocidental, com tudo que´possui de bom e bacana, como a democracia - com todos seus defeitos e limitações - a liberdade de expressão,
filmes americanos (Hollywood tb é invenção de Goldwin Mayers e outros judeus alem de catolico italianos - afinal sempre foram grandes contadores de historias desde o mito fundador mais bacana de todos que é o velho testamento)..mas voltando ao ponto basico: o mundo, sem eles seria infinitamente mais chato e pobre de espirito:
Freud, Os Marx (Karl e Groucho) Woody Allen,
Einstein, Sarah Silverman, Spielberg…e toda a turma. deram a cara do ocidente moderno, e o fizeram muito bem…
Spielberg e seu cinema vazio……
Bernardo Caicedo, não, o sistema bancário não é agiotagem legalizada.
Shakespeare escreveu o Mercador de Veneza como um libelo anti-anti-semitismo numa época em que emprestar dinheiro a juros era considerado pecado mortal, o equivalente a arranchar-lhe ‘a pound of flesh’; era uma metáfora, não fato consumado. Ele estava brincando com um estereótipo, este mesmo que você está repetindo com a idéia de ‘judeus ricos agiotas’.
Sem dinheiro emprestado a juros não haveria Michelângelo ou Leonardo, não haveria Renascença, porque não haveria a fortuna dos Medicis (que não eram judeus). Sem dinheiro emprestado a juro – também chamado investimento – não haveria os descobrimentos, daí não haveria o Iluminismo.
O dinheiro emprestado a juro, que você chama de agiotagem, é o que tirou o mundo do Feudalismo.
E se isso não te convence que agiota e banqueiro não são a mesma coisa, pegue dinheiro emprestado com um e com outro e repare na diferença do valor do juro e dos, digamos assim, métodos de cobrança.
Isto posto, Steve Jobs é judeu, é rico e não é banqueiro. Woody Allen é judeu, é rico, e não é banqueiro. Três quartos dos banqueiros suíços são banqueiros, são ricos, e não são judeus. Seis quintos dos banqueiros brasileiros são banqueiros, ricos e nada judeus. A maioria dos banqueiros do mundo não são judeus. A maioria dos judeus do mundo não são ricos. A maioria dos judeus ricos não são banqueiros. São artistas, cientistas, farmacêuticos, donos de lojas de departamento. Mais ou menos como acontece com os ricos em geral: a maioria não trabalha no setor bancário. O número de milionários judeus no mundo provavelmente bate estatisticamente com a proporção de judeus perante a população.
Ricos fazem doações em larga escala. Não por serem judeus ou por serem Bill Gates. O fazem por muitos motivos. Uns consideram que devem algo à sociedade que lhes fez ricos; outros buscam métodos para driblar o imposto de renda; uns terceiros acreditam fervorosamente em certas causas – querem a cura do câncer porque alguém querido morreu, ou na construção de um país que lhes sirva de refúgio acaso a matilha anti-semita volte ao poder em algum lugar.
cale-se hr…….
Ta bom, ta legal…mas vc nao acha que os nazistas tiraram a ideia de gerico de “raça superior” da ideia de gerico anterior de “povo eleito”, povo escolhido e besteiras afins???
Bernardo caicedo, a idéia de ‘povo escolhido’ é uma mitologia criada 5.000 anos atrás por um povo que levava porrada de todo mundo por todo lado.
Quase ninguém acha isso literalmente. Religiões acreditam em coisas esquisitas. Tem umas que veneram um cadáver ensanguentado preso num objeto de tortura. Outras juram que um sujeito que ficou parado durante meses sem comer percebeu algo que ninguém mais sacou e ainda engordou no processo.
Os nazistas queriam perseguir alguém por racismo. Qualquer desculpa vale nessas horas.
poxa, que chato,
o Dino sumiu! :-)
PD, e sobre o Líbano, nenhuma notícia? Segundo o Daily Star os conflitos armados já estão no 3o dia, o Hezballah já domina a zona oeste de Beirute (além da zona sul que já é reduto deles).
A idéia de “superioridade” de um povo, na Europa, não chega a ser novidade.
Os romanos, por exemplo, se consideravam “superiores” aos demais povos. Aliás, se consideravam superiores aos demais povos da península itálica. Não foi outra a razão pela qual ocorreu a “Guerra Social”, que projetou Sila, o líder “optimate”, rival de Mário, tio de César que, embora “popular”, também considerava os romanos “superiores”.
Aliás, antes que o Chesterton aplique o esquema dele de esquerda e direita, não custa lembrar que, na expressão “Guerra Social”, o termo “social” não tem a conotação dos nossos dias. No caso, “social” é relativo a “sócio” ou “aliado”. Tem a ver com o desejo de outros povos, ao norte de Roma, de adquirir a cidadania romana.
Os germânicos também desenvolveram noções de superioridade, muito antes do judeu ser objeto de ódio racial. Eles nem sabiam que os judeus existiam e já se consideravam “superiores” aos gauleses, para citar um só exemplo.
Se for pra citar mais de um exemplo, recomendo os eslavos como outro povo “inferior”, na visão germânica, em época anterior ao surgimento do ódio anti-semita.
Mas há muitos outros exemplos, na Europa e fora dela. Modestamente, nossos Tupis se consideravam superiores aos Tapuias (literalmente “bárbaros”).
E, acreditem: quando desenvolveram essa noção, os Tupis não tinham o mais remoto conhecimento de que, na antigüidade, um aglomerado de tribos um dia se acreditou ser o “povo eleito”. “Eleitos somos nós”, diriam os Tupis. “Vocês não! Nós é somos os eleitos”, replicariam os romanos. “Há contrroférsias! Superriorres somos nóis e nóis fai profarr!”, grunhiriam os germânicos.
Na Europa, até o início do Século XIX, a repressão era mais dirigida ao judaísmo que ao judeu. A cois tinha fundamento religioso.
A Igreja Católica pregava o extermínio do judaísmo, mas não do judeu. Na maior parte dos países, uma vez que o judeu abjurasse sua crença religiosa ele passava a ser aceito ou, no mínimo, tolerado.
Nada mais compreensível. Para o cristão, a fonte de todo o mal é satanás. E este continuará a existir, independentemente da existência de tal ou qual povo.
Na Alemanha e na Áustria, a partir da metade do Século XIX, deu-se a “secularização” do anti-semitismo. O judeu, independentemente de qualquer convicção religiosa, passou a ser considerado a causa de todos os males sociais, políticos e econômicos. Essa nova concepção foi associada às idéias de superioridade que já existiam desde a antigüidade. Foi nessas águas que o nazismo navegou. Os nazistas não inventaram; apenas potencializaram.
E passaram a usar toda essa baboseira que, volta e meia, a gente lê aqui no Weblog. Os judeus passaram a ser mostrados, a um só tempo, como responsáveis pelo capitalismo e pelo comunismo. Ambos, capitalismo e comunismo, seriam partes de um enorme complô judaico, para destruição das sociedades existentes e dominação do mundo.
Vista com os olhos de hoje, trata-se de cretinice da mais baixa extração. Coisa pra enganar imbecis completos, cérebros em decomposição.
Mas colou, porque, na época, muita gente ganhava com isso. As propriedades de judeus na Europa, confiscadas pelos nazistas, nunca foram devolvidas, até porque, na sua maior parte, não sobrou ninguém pra reclamar.
Já a questão do banco, do judeu agiota que controla o mercado financeiro, é pura flatulência.
É só dar uma olhada na composição do capital financeiro (numa época em que a antiga dissociação entre capital bancário e capital industrial há muito deixou de existir). Judeus responderiam por uma parcela impossível de ser medida em escala percentual.
Pedro,
Em primeiro lugar essa mitologia não foi criada há cinco mil anos, porque há cinco mil anos ainda não existiam judeus. Em segundo lugar não eram apenas os judeus que levavam porrada o tempo todo.
Moisés, vá, o mito de Abraão deve ser de 4.000 anos atrás. Enfim. Quer 3.000 anos? É velho. Não é moderno. O contexto era outro.
Não, não eram os únicos a apanhar, mas essa foi a mitologia que eles desenvolveram.
Vamos lá, vc está muito acima desse argumento de que os ‘judeus se consideram o povo eleito de seu Deus’…
André,
O dino foi extinto.
(”P*rra, Atha, chega de trocadilhos bestas” diz a minha consciência crítica)
“Os nazistas queriam perseguir alguém por racismo. Qualquer desculpa vale nessas horas.”
ah sim…essa tb é uma questão interessante sem duvida…acho que a discriminação e perseguição dos judeus na europa, principalmente, teve como causa, em grande parte a ausencia de negros, que costumam ser o “outro absoluto”…talvez por isso eles - judeus - nao tenham tido tantos problemas nos EUA, ja que se dispunha de afro-americanos em quantidade suficiente para o gasto da klu klux klan, sulistas e republicanos em geral.
Teologia básica: também os cristãos se consideram escolhidos na medida em que unidos a Jesus Cristo; o sentido de “escolha” é bem claro na Páscoa, é afim com o que a palavra tem para os judeus e implica abertura ao Outro, respeitado mesmo no inimigo (que pode estar dentro ou fora, mas é um dado da realidade). O link abaixo remete a uma resposta possível por parte de um rabino. Quanto a Roma, pautou-se nos seus melhores dias por um sentido de “subsidiariedade” com relação aos gregos. Em link noutra mensagem, pra quem tiver interesse, texto em inglês sobre o sentido da “virtus” romana. http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/povo/home.html
http://www.wsu.edu/~dee/GLOSSARY/VIRTUS.HTM
Quem quiser informar-se a respeito do que Roma prezava como sociedade encontrará bons subsídios em Cícero, por exemplo. Nada a ver com Neros e Calígulas.
Escapou: onde está “xyz”, leia-se Ricardo Leal.
xyz,
Cícero era pouco mais que um boquirroto.
Um orador brilhante, mas um estrategista político medíocre, que quase nunca deu uma dentro. Falava, falava, falava… mas era um inepto para passar da palavra à ação.
Ele se deu bem com Catilina, que nasceu pra perder. E ficou por aí.
Se ferrou com aquele amante de Pompéia (Clóidon, se não me falha), e, mais ainda, com Otávio, que Cícero imaginou usar e, depois, descartar. Ele, Cícero, é que foi usado e miseravelmente descartado. Perdeu a cabeça. Literalmente. Aliás, também perdeu as mãozinhas, delicadamente decepadas e pregadas num poste.
Antes disso, afastou Pompeu e Crasso das fileiras “optimates”, lançando-os nos braços de César, um aristocrata “popular” de várias gerações (César era sobrinho, filho e neto de aristocratas “populares”).
No mais, Cícero era só um “optimate” empedernido. A retaguarda do atraso. Sila, o vencedor da “Guerra Social”, era seu (dele) herói. Como todo “optimate”, Cícero era um incansável tagarelador da superioridade romana.
E, quando se fala em noção da superioridade romana, os gregos não servem como medida, até porque os romanos copiavam descaradamente os gregos. Era na Grécia que os jovens aristocratas romanos iam aprender retórica, pra entrar na política.
Agora: vejamos quanto aos demais povos da itália, ou quanto aos egípcios, aos gauleses, aos sírios, aos…
Muito bom o texto do Elias. A idéia de superioridade racial não é exclusiva de nenhum povo e de nenhuma religião. No fundo todos se acham melhores do que os outros. É a mais pura bobagem.
Não li todos os comentários, e não sei se alguém observou isso: quando as Nações unidas decidiram criar dois estados na Palestina, em 1947, o presidente da Assembléia era o brasileiro Osvaldo Aranha. (só pra registro)
Elias,
O amante de Pompéia não era Públio Clódio?
Moisés,
De fato, a idéia da superioridade é tão antiga quanto a idéia da sociedade.
O problema são os crimes que se cometem em nome dessa idéia.
César, algumas décadas antes do início da Era Comum, exterminou alguns milhões de pessoas na Gália.
Não por motivos humanitários, Cícero, o boquirroto, defensor intransigente da superioridfade romana, pretendeu que César fosse destituído de seu comando e retornasse a Roma, para ser julgado por esses crimes.
Disse Cícero: “Diante da voracidade e da injustiça romanas, todas as nossas províncias lamentam, todas as comunidades livres criticam e todos os reinos estrangeiros protestam. Embora distante como os limites do oceano, já não existe lugar suficientemente longínquo em que as cruéis e opressivas proezas romanas não tenham penetrado.”
Belas palavras. Menos de 2 anos depois, o boquirroto Marco Túlio Cícero as esqueceria, aliando-se a César para tornar este último ditador vitalício.
Em nome da mesma idéia de superioridade, a Alemanha fez o que fez, enquanto as nações aliadas fingiam que nada sabiam.
Depois, com a mesma desfaçatez, fingiram indignação, enforcaram uns gatos pingados que se deixaram prender e não tinham utilidade (os que tinham, se safaram numa boa), e decretaram que o crime era apenas “nazista”. Não dava pra dizer que era “alemão”, porque a Guerra Fria estava à porta….
Elias, a conversa aí já descamba meio pra longe do tópico, mas vamos lá: do meu lado não se trata de pensar a figura histórica de Cícero, mas o que ele expressava e sua repercussão naquele meio e ao longo da história, tudo socialmente legitimado em muito larga medida pelas elites copiadoras e leitoras, inclusive e particularmente no período clássico. É nesse sentido que o autor do “Sobre os Ofícios” e “Sobre a Amizade” pode ser uma boa fonte a respeito do que os romanos projetavam como ideal a respeito de si mesmos. Além de boa fonte histórica “tout court”, aliás indispensável à compreensão da República em seu declínio. Pergunte a qualquer amigo historiador; gente melhor que eu. No mais, se tiver paciência releia o que escrevi: é você mesmo quem aponta a subsidiariedade com relação aos gregos, embutida na percepção dos romanos (vamos generalizar) sobre si mesmos. Civilizados com relação a outros povos, nessa percepção (basta ler César ou pensar nos textos sobre as guerras púnicas), mas bárbaros com relação aos gregos, equação que faz parte inclusive do mito fundador. Melhor sem dúvida ler Virgílio. O resto é pequena história.
Em tempo e pra ficar mais claro: do ponto de vista religioso e na perspectiva judeu-cristã, com certeza o sentido de “escolha” não está associado ao de superioridade “a priori” e por algum mérito próprio com relação ao Outro, nem implica nenhum clube fechado: “escolha de Deus”, como freqüentemente é mencionado em circuitos cristãos, é uma expressão ambivalente (você, qualquer um, escolhe; e Deus escolhe). De seu ângulo, Nietzsche percebeu isso com clareza. E sei lá, talvez pra alguns leitores do blog seja novidade que antes de Cristo havia quantidade considerável de filo-judeus e judeus conversos não-semitas na diáspora mediterrânica de língua grega, a ponto de justificar circulação em larga escala do AT na língua de Platão: a famosa “tradução dos LXX”, ainda hoje lida, freqüentemente mencionada no NT.
Pros dois leitores vivamente interessados no assunto, já meio longe do tópico: fui impreciso aí em cima ao falar da Septuaginta, a tradução grega do AT. Claro que não foi feita pra judeus convertidos; era basicamente uma necessidade praqueles judeus que perderam o hebraico no período helenístico, mais ou menos (imagino, quem souber melhor que me corrija) como o grosso dos que vivem hoje, sei lá, no Rio ou em São Paulo. O grego era língua franca assim como o inglês hoje. Por tabela o AT vertido pelos LXX servia aos filo-judeus e aos convertidos também ignorantes do hebraico.
As long as in the heart, within,
A soul of a Jew is yearning,
And to the edges of the East, forward,
An eye gazes towards Zion,
Our hope is not yet lost,
The hope of two thousand years,
To be a free nation in our land,
The land of Zion and Jerusalem.
Para cantar: sei lá se consciente ou não, ao blogar o Hatikvah, esperança, hino de Israel, você mencionou praticamente ao pé da letra no seu nick o final do Salmo 86. O mesmo que também recorda: “na Filistéia ou em Tiro ou no país da Etiópia este ou aquele ali nasceu. De Sião, porém, se diz: ´Nasceu nela todo homem, Deus é sua segurança”. E termina assim meio exaltado, numa espécie de all together now: “Estão em ti as nossas fontes!”.
Ricardo,
Os romanos entraram nessa porque alguém aqui sugeriu que o anti-semitismo alemão emulava a idéia de “povo eleito”.
Apenas lembrei que a noção de “superioridade” que um determinado povo alimenta em relação aos demais é antiga e generalizada no planeta, independentemente do que façam, tenham feito ou venham a fazer os israelitas, judeus ou quem quer que seja.
Quanto aos antigos romanos, nem tenha dúvida: eles se consideravam, sim, superiores à maioria dos povos seus circunstantes. E César, em que pesem sua raízes políticas, firmemente fincadas no campo “popular” — “anti-optimate”, portanto — colocou em prática como ninguém essa noção. Em nenhum outro local, aliás, mais do que na Gália.
Estima-se que César massacrou pelo menos 5 milhões de pessoas, na campanha da Gália, o que é um feito assombroso para a época, quando a população era bem menor e a tecnologia da morte era infinitamente mais rudimentar.
E não estou falando de mortos em campos de batalha, mas de povoações massacradas — adultos e crianças — em expedições punitivas.
Algumas execuções foram feitas com requintes de crueldade. No que hoje se chama Bélgica, César não concedeu aos líderes vencidos e aprisionados o consolo de uma morte rápida (por decapitação, por exemplo). Não! Ele mandava prendê-los a uma forquilha e espancá-los com bastão até à morte. Seu objetivo, dizia, era desestimular revoltas contra Roma.
A questão é que César e os romanos consideravam esses povos seres inferiores. Para eles, pouca diferença havia entre essas pessoas e animais.
Na Alemanha, foi desenvolvido todo um processo de dessensibilização. Os judeus foram continuamente mostrados como seres inferiores. Nos cinemas, a propaganda apresentava os judeus como ratos. O texto lido pelo locutor falava em judeus, mas a imagem que aparecia era de uma colônia de ratos.
Aí os judeus foram proibidos de exercer certas ocupações. Foram proibidos os casamentos mistos e instituída a anulação compulsória dos casamentos mistos já existentes.
Depois, os judeus foram proibidos de andar nas calçadas. Eles tinham que andar pelo leito das ruas, como os cachorros, os cavalos e animais de carga em geral. Dê uma olhada nas fotos da época: dificilmente você verá uma foto de um judeu andando pela calçada.
Aí começaram os massacres. Um linchamento aqui, outro ali… Começaram a aparecer, na entrada de algumas cidades alemãs, cartazes dizendo: “Nesta cidade os judeus entram por sua própria conta e risco”. Eu mesmo tenho várias fotos desse tipo de cartaz.
Tenho uma seqüência de fotos de 2 rapazes alemães matando uma moça judia. Eles simplesmente a agarram, amarram e enforcam numa árvore. Depois, ficam, sorridentes, olhando o cadáver pendurado. Orgulhosos, posam para uma última foto junto à vítima. Não são SA, nem SS. São jovens paisanos.
Foi — e ainda hoje é — fácil provar o que o alemães fizeram, porque eles mesmo fizeram questão de documentar sua obra. Filmaram, fotografaram e registraram em documentos, com precisão quase obssessiva.
É que eles estavam convencidos de que estavam procedendo corretamente. Não poucos estavam crentes de que prestavam um serviço à humanidade.
Se não houvesse essa convicção, não seria possível recrutar tanta gente pra organizar, instalar e manter funcionando a máquina da morte.
Elias #194, sobre o que você escreveu acerca da brutalização planejada na Alemanha de Hitler, concordo em geral; é possível mentir também convictamente e as coisas mais elevadas, religião e ciência inclusive, podem servir de pretexto a afirmações de uma pretensão de domínio que procura aniquilar o Outro. A respeito de Roma, não sou historiador e não tenho elementos pra discutir com mais seriedade em que medida é possível aproximar César de Hitler, mas arriscaria dizer que é esticar demais a corda, sempre em linhas gerais. Com toda a crueldade das guerras antigas e modernas, não houve ali na virada para o Império um genocídio sistemático (você talvez tenha lido o “De Bello Gallico”) e seguramente “bárbaro” não é o mesmo que “Untermensch”. Roma, pros cristãos, é um lugar de ambivalências. Evidentes, a um tempo, o enlouquecimento social no Império (tochas humanas no caminho do Coliseu, etc) e uma organização civilizada a ponto de garantir a Paulo direitos de cidadania que ele em mais de uma ocasião invocou (Atos dos Apóstolos, passim). No mais, com certeza funcionamentos “nazistas” ou próximos disso, com ou sem aspas, não são exclusividade deste ou daquele período histórico, sociedade ou povo ou indivíduo. O que singulariza a Alemanha dos anos 30/40 já é outra conversa.
to gostando de ver o alto nivel do debate,…
coisa de gente fina mesma… muitas duvidas esclarecidas e noções corrigidas..mas..será que sou somente eu que fico intrigado com o modo estranho, passivo, quase de auto imolação com que os judeus se submeterem aos nazistas (mais fortes) em contraste com a crueldade implacavel do tratamento que dispensam aos palestinos (mais fracos)?ou será outro equivoco meu?
elias grand maitre ! ))
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Quem merda isso…
Preciso fazer a lição da escola para amanha e vcs nem me ajudam eu preciso termina a merda do texto e agora me fudi por culpa de vcs que nao tao a resposta certa quer dizer nao tao a resposta do texto…aqui no meu assunto esta falando de um livro sobre BEETHOVEN oque e isso eu quero um texto sobre cafá e vcs nao me ajudam merda…
Vai arrumar esse site depois coloca de resultado no google…
IMBECIL, RETARDADO (A), IDIOTA, VAGABUNDO (A), E MUITO MAIS NÉ?
[...] momento, Israel não seria mais “uma cabeça-de-ponte, um cruzado” nas palavras do Uri Avnery neste belíssimo texto, mas estaria definitivamente integrado ao Oriente Médio, e o fato de ser uma democracia poderia [...]
[...] que até já foi citado naquela resposta prolixa que dei ao Pedro Dória. A beleza e a lucidez do artigo de Uri Avnery sobre os 60 anos de Israel são assombrosos, particularmente neste trecho iluminador: Um mês antes de eclodir a guerra [...]