Ainda é cedo para gritar conservador
no Reino Unido de Tony Blair

Europa · 4/05/2008 - 17h46 - 35 Comentários

Uma derrota estrondosa para o governo do premiê Gordon Brown, sugere a imprensa de todo o mundo. Enfim o Partido Trabalhista deixará seu lugar ao Sol e os conservadores terão uma chance de eleger um primeiro-ministro britânico, arriscam uns tantos.

Ora, não é por menos. Desta vez, o Labour de Tony Blair e Brown chegou em terceiro perante não apenas o sofrido Tory conservador de Margaret Thatcher como também os Lib-Dems, liberais demoractas.

Mas não custa, nessas horas, tornar a uma edição específica do New York Times de 2004.

O Partido Trabalhista do premiê Tony Blair sofreu uma grande derrota em toda Grã-Bretanha na quinta-feira, conforme os eleitores se mostravam insatisfeitos com a Guerra do Iraque e com a liderança do primeiro-ministro.

Com a contagem de já três quartos dos distritos até a sexta-feira, os Trabalhistas estavam chegando em terceiro, após os Conservadores e os Liberais Democratas. É a primeira vez em que o partido do governo nacional se deu tão mal em eleições regionais.

Ken Livingstone é provavelmente a única boa notícia que os trabalhistas receberam, já que foi reeleito prefeito de Londres para um segundo mandato com uma margem confortável perante o opositor conservador, Steve Norris.

Evidentemente, 2004 é diferente de 2008. Após dois mandatos, os londrinos decidiram mudar de prefeito. Livingstone era um populista que, muitas vezes, parecia mais disposto a aparecer junto ao presidente venezuelano Hugo Chávez do que dedicado à labuta diária de gerir uma das grandes metrópoles do mundo. Era um prefeito curioso de hábitos por vezes esdrúxulos. Os londrinos gostaram dele por dois mandatos e, como é típico da democracia, decidiram mudar.

Sim, em 2004, quando terminaram as contas, os trabalhistas terminaram à frente dos Lib-Dems. Desta vez, chegaram em terceiro. Mas, do ponto de vista estatístico, a diferença é mínima. Há quatro anos, como agora, os conservadores tiveram uma grande vitória e os trabalhistas e os liberais democratas terminaram estatisticamente empatados.

Não é raro que, na democracia britânica, a população decida dar uma surra no partido do governo durante as eleições regionais. Em 2005, Tony Blair e seus trabalhistas ganharam novamente maioria na Câmara dos Comuns e mantiveram o comando do Reino Unido. Desta vez, é o sucessor trabalhista de Tony Blair, o escocês Gordon Brown, quem levou a surra.

Mas é muito cedo para dizer que o partido de Margaret Thatcher tenha chances de voltar ao governo britânico. Por enquanto, e já por muitos anos, a resposta da população à herança Thatcher tem sido ‘não, muito obrigado’. Nada, apesar da derrota trabalhista desta semana, sugere que isto tenha mudado.

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