O químico suíço Albert Hofmann, que sintetizou a molécula de LSD, morreu ao longo da madrugada após um ataque cardíaco. Tinha 102 anos. Muitos o viam como um doidão – mas era só um cientista. Seu passeio de bicicleta mítico, após ingerir uma superdose de LSD, aconteceu no dia 19 de abril de 1943. É celebrado hoje como o ‘dia da bicicleta’, todos os anos. Apesar de uma ligeira simpatia, jamais se adaptou muito ao movimento psicodélico. Não era sua praia.
Em 2006, quando Hofmann completou 100 anos, publiquei um perfil seu em NoMínimo. É um texto do qual gosto bastante, escrito com sincera admiração pelo professor. No dia de sua morte, republico aqui no Weblog.
O pai do LSD
Por volta das cinco horas da tarde do dia 19 de abril em 1943, Albert Hofmann começou a sentir tonturas. “Ansiedade”, escreveu em seu diário, “distorções visuais, sintomas de paralisia, vontade de rir.” Aí não escreveu mais nada. Hofmann tinha dificuldades para falar. Seu assistente no laboratório estava preocupado. A mulher do químico tinha viajado, não havia carros à disposição para levá-lo para casa – estavam todos em uso no esforço de guerra. Então, foram os dois de bicicleta.
Albert Hofmann tinha 37 anos naquela dia em abril. Hoje, neste 11 de janeiro de 2006, o homem que sintetizou o LSD completa 100. Continua lúcido, faz parte do comitê de notáveis que seleciona os vencedores do Prêmio Nobel, sua maior preocupação é com a falta de cuidados com o meio ambiente. Mas, na época, era um químico em meio de carreira nos Laboratórios Sandoz, em Basiléia, na Suíça.
Quando chegou em casa, ele pediu leite, um antídoto comum para envenenamento por produtos químicos. Bebeu dois litros ao longo da noite. “Um demônio havia me invadido”, escreveu em “LSD, meu filho problema”, livro de 1979. “Ele me possuiu o corpo, a mente, a alma; pulei, gritei tentando me livrar dele, mas então me afundei novamente no sofá, sem o que fazer.” Sua empregada se transformara numa bruxa horrível.
Quando o médico chegou, seu assistente explicou o que ocorrera. Três dias antes, o cientista havia entrado em contato com um concentrado do produto que estava sintetizando, o ácido lisérgico dietilamida. Talvez o ácido tenha tocado seu nariz, ouvido, até mesmo boca: ele é absorvido pelas mucosas. Após o acidente, sentiu uma leve intoxicação e, por umas duas horas, viu um caleidoscópio de intensas imagens coloridas. Intrigado, preparou-se para uma nova experiência com uma dose bastante pequena - 0,25 miligrama. Quando ingeriu a substância no “dia da bicicleta” foi lançado num mundo de terror.
O médico tomou seus sinais vitais e, fora as pupilas dilatadas, não percebeu nada de errado. Era esperar. E o horror passou, substituído por uma sensação agradável. Aí tornaram as cores. “Elas alteravam”, escreveu, “abriam e fechavam sobre si mesmas em círculos e espirais, explodiam em fontes multicoloridas se arranjando num fluxo constante.” No dia seguinte, experimentou o mais gostoso café da manhã de sua vida, os raios do sol da primavera faziam tudo brilhar, seus sentidos estavam num pico de sensibilidade que persistiram até a noite.
A mágica numa floresta suíça
Uma vez, quando ainda era criança, numa manhã de maio e no meio da floresta, Hofmann viveu a experiência que marcaria suas escolhas. Os passarinhos cantavam, o dia estava bonito e aí tudo pareceu muito claro, uma sensação inebriante de felicidade o tomou – ele sentia que não era apenas um observador daquela paisagem, mas fazia parte dela. Ele e tudo em volta eram uma coisa só e a nitidez da constatação, não tanto racional, mas sensorial, como que inebriante, o comoveu. Aí, depois, passou. “Como poderia contar a todos sobre aquilo, e na minha felicidade eu queria contar, se não havia palavras para explicar o que vi?”
Este encantamento o levou para a ciência e, em particular, para a química orgânica, a química de animais, de vegetais, de fungos – a química das coisas vivas. Queria compreender. O LSD nasceu de seus estudos com um fungo de cereais, mais comum nos campos de centeio, chamado ergot. Desde a Idade Média que parteiras ofereciam ergot às grávidas para facilitar o parto, mas apenas nos anos 30 estudos mais sofisticados com o fungo procuraram identificar que substância induzia as contrações uterinas.
Quando Hofmann foi trabalhar com os derivados de ergot, o ácido lisérgico já havia sido isolado dentre os componentes do alcalóide que a Sandoz vendia como remédio para parto. Mas era um ácido muito sensível, instável, qualquer manipulação fazia com que a molécula se quebrasse. O desafio era encontrar alguma outra molécula que, juntada a ele, estabilizasse a fórmula. O químico produziu várias combinações possíveis. A 25a variante, o ácido lisérgico dietilamida, ficou pronta em 1938. Era uma molécula tão parecida estruturalmente com a de alguns estimulantes circulatórios que Hofmann chegou a achar que pudesse ter um novo remédio em mãos. Mas os farmacólogos da Sandoz a testaram em animais e observaram agitação e inquietação. LSD-25 foi posta de lado.
Muitos remédios nasceram daqueles estudos, de remédios para circulação a remédios para combate à debilitação mental em idosos. E, no entanto, o cientista não conseguia esquecer o LSD-25. Por quê? Outras substâncias que compôs foram largadas de presto – por que não aquela? No dia 16 de abril de 1943, repetiu o processo de anos antes para sintetizar novamente uma pequena quantidade de ácido lisérgico dietilamida. Quando estava purificando a substância, cristalizando-a na forma de um sal, veio a sensação de tontura. Tinha tomado os cuidados que sempre tomava no laboratório. Vieram as mandalas.
O ácido vira pop
Nos anos seguintes, o LSD e outros alucinógenos naturais foram pesquisados por cientistas em todo o mundo. Desconfiava-se que, na verdade, simulavam os sintomas psicóticos. Compreender como funcionavam poderia trazer a cura da loucura – não é mais algo em que muitos acreditem. Mas a divulgação de seus efeitos incentivou que outros os procurassem.
“Tomei minha pílula às onze”, escreveu Aldous Huxley em seu “As portas da percepção”, livro de 1954. “Uma hora e meia depois, eu não estava mais olhando para um arranjo de flores. Estava vendo o que Adão viu na manhã de sua criação – o milagre, a existência nua, momento a momento. ‘São bonitas?’ alguém me perguntou. ‘Nem bonitas, nem feias. Simplesmente são’ - respondi.”
Em 1960, um professor de psicologia de Harvard chamado Timothy Leary, que tinha experimentado um alucinógeno apenas alguns meses antes, começou seus próprios experimentos com LSD. Ao longo da década seguinte, Leary foi expulso de Harvard, largou a ciência e se transformou num dos principais inspiradores da cultura hippie – pelo LSD.
Leary e o pai do LSD só foram se conhecer em 1971. “Seria injusto chamá-lo de um apóstolo do uso de drogas”, escreveu Hofmann em suas memórias. “Ele fazia uma distinção clara entre as psicodélicas, de cujo efeito saudável estava convencido, e os outros narcóticos, como heroína. Minha impressão é de que estava convicto de que tinha uma missão. Defendia suas opiniões com humor, mas sem fazer compromissos. Ele realmente acreditava nos formidáveis efeitos dos psicodélicos e subestimava as dificuldades práticas e os perigos do uso.”
Os dois, o pai do LSD e o popularizador do LSD, nunca se entenderam de todo. Entre as coisas que mais incomodavam Hofmann em Leary estava a ligação entre alucinógenos e prazer sexual, tão em voga nos anos 60. Hofmann achava, e ainda acha, que na popularização de seu filho problemático ele foi vulgarizado. Seus delicados efeitos transformaram-se numa estética pop multicolorida, promoveram um encantamento também pop com religiões orientais, mas as portas da percepção que serviram de tema ao poeta William Blake foram abusadas, tratadas sem o respeito devido.
As portas da percepção
Segundo o livro “From chocolate to morphine”, uma enciclopédia de substâncias que alteram a percepção, os psicodélicos todos têm composições diferentes, mas provocam os mesmos efeitos. Mescalina, cogumelos, ervas diversas e o ácido lisérgico variam na quantidade, variam no tempo da viagem, mas o resultado prático é fundamentalmente o mesmo.
O mecanismo fisiológico do LSD ainda é desconhecido. Parece, de alguma forma, ocupar no cérebro os mesmos lugares que a serotonina, mas isto explica pouco. Há várias teorias e, ainda assim, são teorias de um campo sobre o qual se avança lentamente. Mesmo que se conheça o efeito físico-químico no sistema nervoso central, que substâncias coíbe, quais incentiva, onde atua, ainda assim isto será apenas um mapa de causas e efeitos. Como esta sopa química lança o sujeito noutra dimensão é um mistério.
Em alguns casos, aparentemente, viagens de LSD não têm volta. São a exceção. Uma estimativa do governo norte-americano sugere que 8% da população já experimentou ácido e os casos de quem enlouqueceu são raríssimos. Mas acontecem.
O pecado original do Ocidente é grego. Toda a estrutura do pensamento europeu se baseia na idéia de que o homem é um observador do mundo, que é separado de alguma forma. Ele é racional e desconfia de qualquer percepção que não mediada pelo intelecto. É uma ilusão, evidentemente, uma ilusão íntima da qual não nos livramos com facilidade. O homem separado, observador, desenvolveu uma ciência fantástica e esta ciência criou uma droga maldita.
“Havia em mim uma inocência que só posso chamar de pré-natal”, escreveu o poeta mineiro Paulo Mendes Campos sobre sua primeira experiência com a droga de Hofmann. “Mais fundo, muito mais fundo, em minha soma de carne e espírito, nos espaços ilimitados de meu tempo, suspeitei (vislumbrei? rocei? – o verbo é improvável) a presença duma inocência cósmica, e esta se passava tão longe que nem se pode exprimir. Caso ela fosse atingida, caso talvez eu ousasse, seria uma árvore, a relva, a pedra, a mesa; sem dor e sem medo eu me integraria indescritivelmente no cosmos.”
Um após o outro, cada depoimento de uma primeira viagem de ácido ou de outros psicodélicos parece recorrer, sempre, à mesma idéia de integração com o mundo. Uma percepção de fazer parte do todo que remete às lições de Buda, aos koans do Zen, ou à idéia não de uma força, mas de um algo que une todas as coisas tal qual expressa na filosofia chinesa do Tao. É como se as drogas psicodélicas trouxessem, para um ocidental, aquilo que orientais – ou índios americanos – já têm em suas culturas naturalmente. As próprias mandalas indianas ou os dragões chineses remetem às alucinações despertadas pelo LSD e suas primas.
No entanto, não consta que para o monge budista ou o mestre Zen seja necessário o uso de qualquer substância para atingir aquilo que chamam de iluminação. E Albert Hofmann, que hoje completa cem anos e passa bem, é conselheiro do Nobel, um cientista respeitado, não flutua, tampouco atira flechas com os olhos fechados qual mestre japonês. Não dá muito crédito para a cultura psicodélica e vê com desconfiança o consumo de ácido pela juventude – até porque, muito do que se vende como LSD é só anfetamina, não tem nada do original. Ainda assim, ele é a seu modo um místico. Se suas maiores preocupações têm a ver com o meio ambiente é porque acha que o homem se descolou da idéia de que faz parte do todo.
Em geral, quando se conta a história do LSD, diz-se que Albert Hofmann o descobriu por acidente. Talvez não tenha ingerido da primeira vez propositalmente, é verdade. Mas a ingestão em 43 de uma substância que criou em 38 não é um acidente – é uma busca. E, se ao experimentar os efeitos tóxicos de uma superdose após seu passeio de bicicleta ainda assim não a abandonou, é porque, intuitivamente, ele sabia o que tinha encontrado. Sabia porque, numa certa manhã de maio em sua infância, sem ingerir absolutamente nada, encontrou abertas as portas da percepção.
296 Comentários até agora ↓
1 JW // 30/April/2008 às 12:15
Cazzo! Já faz dois anos?!?!?
Eu li no Nomínimo….
2 Justine // 30/April/2008 às 12:42
Adorei! (o texto)
3 Nhé! // 30/April/2008 às 12:43
Belo texto, não me lembro dele no nomínimo.
Acho drogas algo perigoso, pelo menos para mim. Tb não entendo essa busca desesperada pelas tais “portas da percepção”, sei lá, fico com a impressão que muita gente se sente, de maneira desnecessária, incompleta.
4 SUNN // 30/April/2008 às 12:52
OPA!!
Em comemoracao a esta data vou tirar o meu acido do freezer e tomar meio hj.
Nhe: drogas sao perigosas sim, por isso nao se da droga pra crianca. Se vc usa, e pq sabe o que vai rolar. Se nao sabe, nao e pra estar usando, e um manezao.
5 SUNN // 30/April/2008 às 12:58
Por isso que no dia 19 aqui em San Francisco eu vi um monte de gente junta de bicicleta passando aqui na Haight st., pensei que era o “critical mass” , pesseata contra quem usa carro e etc…mas na verdade era o dia do acido.
Agora tudo faz sentido….vo fumar um pra pensar no assunto.
6 Chesterton // 30/April/2008 às 13:09
isso é de uma bobagem sem limites…busca da percepção? Alterando os sentidos? Puro subjetivismo quimico. Não esqueçam, a realidade existe, é dura e fria.
7 Luiz // 30/April/2008 às 13:18
PD, ótimo rever esse texto. Hoffmann foi, mesmo sem querer, um dos caras que moldaram o século XX.
Só uma dúvida: no final do primeiro parágrafo você diz que não havia carros disponíveis porque estavam todos em uso no esforço de guerra.
Na Suiça?
8 Diego Pereira // 30/April/2008 às 13:24
Muito interessante esse texto. Só fico imaginando esse químico testando essa droga escutando o CD do Pink Floyd The Dark Side of The Moon ou Pulse.
9 Luiz Fernando // 30/April/2008 às 13:25
Ótimo texto, mas eu fiquei em dúvida sobre um ponto, que depois irei verificar no meu livro “As Portas da Percepção”, do Huxley. Se não me engano, apesar do autor ter feito uso do LSD, a substância ingerida neste caso era mescalina.
10 anrafel // 30/April/2008 às 13:33
Mas talvez seja exatamente por isso mesmo, a realidade dura e fria, que esses 8% ou mais procuram outros coloridos, outras interações. Buscam sentimentos e estados de espírito que remetam a um início, uma aurora dos tempos idealizados.
(A frase de Huxley sobre o que teria visto Adão foi colocada, com adaptações, na boca do personagem de William Hurt por Ken Russel, em “Viagens Alucinantes”).
Alguns desejaram/desejam esses momentos prolongados em intensidade e duração, mas essa utopia politica-hedonista foi absorvida e esvaziada, como tantas outras.
No âmbito de pessoas adultas e informadas, esta é uma questão de escolha pessoal. Cada um que usufrua e assuma o que vier pela frente.
Só isso.
11 Brancaleone // 30/April/2008 às 13:40
PD:
Faltou sim um comentário sobre “2001, Uma Odisséia no Espaço”, afinal o filme fez 40 anos. Viagem por viagem, esta é infinitamente melhor que entupir o cérebro de porcarias…
12 Pedro Doria // 30/April/2008 às 13:41
Luiz Fernando, era mescalina que o Huxley tomou, sim. Mas o efeito é o mesmo.
13 Esprit de porc // 30/April/2008 às 13:45
Se me permite a ousadia, o PD já usou LSD? (é só curiosidade, pois o texto é bastante carinhoso com o Hofmann)
14 Brancaleone // 30/April/2008 às 13:45
E querem saber de mais? ( mesmo que não queiram eu vou escrever mesmo…)
Qualquer um que ache sua vidinha uma merdinha tão insignificantezinha que precise entupir-se de drogas, deve um sujeitinho muito do infeliz.
Impressionante como a covardia diante da realidade leva os caras a “curtirem” este tipo de coisas…
15 Monsores // 30/April/2008 às 14:01
Porra PD, belíssima homenagem ao Hofmann.
Me lembrou “O dia do Curinga” do Jostein Gaarder.
16 Chesterton // 30/April/2008 às 14:01
é o velho “me-engana-que-eu-gosto”….eu tive que conviver com essa geração que achava que a cultura do surf e das drogas era o futuro do mundo, que o resto não tinha importância, iriam se tornar obsoleto.
Tem uma critica o History Channel na pagina do UOL que vai pelo mesmo caminho. Quem puder que leia.
17 Monsores // 30/April/2008 às 14:02
Josué,
Tu leu a minha resposta ao seu comentário outro dia? Aquele que você viajou e achou que eu peguei o gancho de um comentário seu? Eu nem tinha lido teu comentário, cara.
PD, desculpe o off-topic, é que gosto do Josué e acho que ele ficou bravo comigo sem razão, ok? Foi um mau entendido.
18 Marcus // 30/April/2008 às 14:02
Muita gente se sente incompleta porque é incompleta, ué. Somos incompletos, não sabemos coisa nenhuma de nada, e aquilo que alguns idiotas da objetividade como Chesterton chamam de realidade é apenas aquilo que conseguem ver — e nós conseguimos ver muito pouco.
Grande texto, Pedro. Não o tinha lido ainda.
19 Cláudio Melo // 30/April/2008 às 14:03
PD,
Também gosto bastante daquele texto do nominimo.
Lembrei do seu texto quando soube da morte de Hofmann no site da BBC. Guardei-o em uma pasta junto com os do Elio Gaspari e outros.
20 Chesterton // 30/April/2008 às 14:04
ai,ai, ai,…mais um….
21 Darwinista // 30/April/2008 às 14:05
Gostei do texto PD, a última frase é muito boa. É uma maneira bacana de representar a beleza da descoberta científica.
22 Chesterton // 30/April/2008 às 14:05
cante comigo..
we are the world, we are the children….
imagine all the people….imagine there is no country….
23 Nhé! // 30/April/2008 às 14:08
Ah, é, mulher sem filho é incompleta, homem sem espírito (ou sem espírito na deviada religião) é incompleto e por aí vai… vai, vai fritar o “céleblo” pq não sabia o que estava ingerindo…
24 Cláudio Melo // 30/April/2008 às 14:10
Vladimir,
Você tem razão quando critica a “cultura do surf”, que vez por outra você referencia aqui.
Muitos médicos são usuários de drogas, até pela facilidade de acesso que eles têm, e você deve saber disso.
Subjetivismo químico? Sim. É qualquer coisa parecida com isso.
Não sou apologista das drogas, bem ao contrário, embora tenha lido As Portas da Percepção e Céu e Inferno e alguns livros do Carlos Castañeda (hoje ninguém mais fala dele).
Mas toda realidade experienciada tem um forte componente de subjetividade. Realidade dura e fria? Certo. Isso é bastante subjetivo.
25 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 14:21
PD, tenho a impressão de que perdi esse texto na época do Nomínimo (e sei que não tomei LSD na época). Ele é ótimo!
De fato, alguns pesquisadores tentaram usar o LSD para emular surtos psicóticos, porém os resultados não foram o esperado. As experiências acabaram associadas à noção de expansão da consciência mesmo, como o teu texto assinala.
Aliás, além do Leary, tem um cara de que já falei por aqui em outra ocasião, o psiquiatra tcheco Stanislav Grof — o link é para uma entrevista com ele — que é tb uma verdadeira autoridade no assunto. É certamente polêmico por, entre outras coisas, avançar em áreas ditas “espirituais”, o que causa urticária em boa parte dos pesquisadores ligados às neurociências. Há vários livros do Grof em português. Recomendo um, bem interessante, intitulado Além do cérebro: nascimento, morte e transcendência em psicoterapia (McGraw-Hill, 1987). Vale uma olhada no capítulo 1 (”A natureza da realidade - o alvorecer de um novo paradigma”).
Sobre sua experiência com o LSD, ele narra:
Desde 1954, quando me tornei interessado e familiarizado com drogas psicodélicas, dirigi pessoalmente mais de três mil sessões com LSD e tive acesso a mais de dois mil relatórios de sessões conduzidas por colegas na Checoslováquia e nos Estados Unidos. As cobaias desses experimentos eram voluntários “normais”, vários grupos de pacientes psiquiátricos e pessoas que estavam morrendo de câncer. Os não-pacientes eram psiquiatras e psicólogos, cientistas de outras áreas, artistas, filósofos, teólogos, estudantes e enfermeiras de psiquiatria. (p. 20)
(Isso é só o começo, há muita coisa interessante no livro. E a entrevista que linkei tb é bacana.)
26 Nhé! // 30/April/2008 às 14:23
Vladimir?!?
27 Chesterton // 30/April/2008 às 14:23
a realidade é objetiva, existe, e é, independente do estado do cérebro de cada humano na face da terra.
Todo raciocinio que escapa a ,esta simples conclusão é um erro filosófico de adolescentes.
Muitos médicos são usuários de drogas, e muitos médicos não são objetivistas (e muito menos objetivos), o que é um problema para os pacientes.
28 Chesterton // 30/April/2008 às 14:30
Vladimir Dracul, as suas ordens
29 Nhé! // 30/April/2008 às 14:32
Ah, vc muda de nick toda hora, nem me lembrei desse.
30 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 14:35
Chest, a realidade de que você fala evidentemente existe, mas o nosso aparelho perceptivo só dá conta de uma parte. Nem precisamos viajar com ácido, mescalina ou peyote, basta falar em ultra-violeta e infravermelho, que não percebemos, mais existem, não é? Ou em infra e ultra-sons, perceptíveis por outras espécies, mas não para nós. E até onde sei — o Sr. Francisco Doria poderia corrigir se o que eu falar for bobagem —, em física opera-se com bem mais do que as 3 dimensões que percebemos, e duvido que eles digam que essas dimensões da realidade não existem…
31 Chesterton // 30/April/2008 às 14:41
você acaba de concluir que a realidade existe independente de nossos aparelhos perceptivos. Muito bem.
Mas achar que as drogas vão servir de óculos é uma impropriedade. Lembor de um filme B- na TV que mostrava um cientista que tomava um treco e podia ver as pessoas sem roupas…..esse negócio de ser “interessante”é muito bacana, nos termos em que a ficção é muito interessante.
32 Monsores // 30/April/2008 às 14:43
Ricardo Cabral,
Sobre cognição é sempre interessante conversar. E tentando complementar sua resposta ao Chesterton, se é que posso me permitir tal audácia, caso exista uma realidade tão firme e concreta e essa é teóricamente a realidade que nosso sentidos podem captar, caso todos os seres humanos percam todos os sentidos, a realidade deixa de existir?
33 Monsores // 30/April/2008 às 14:46
Ou ainda,
Há uma doença pouco comum onde os sons são interpretados de forma visual, e a luz é interpretada em forma de som. Não me lembro o nome, mas vou pesquisar.
Há ainda uma síndrome em que o sujeito “sente o gosto de notas músicais”.
Enfim, realidade mesmo é o que o lobo central padrão e maioritário diz ser?
34 Chesterton // 30/April/2008 às 14:51
se vocé ligar os nervos de modo errado no cérebro, em tese tudo isso pode acontecer.
Mas a tese é respondida simplesmente assim. Existe realidade na ausência de vida?
35 Nhé! // 30/April/2008 às 14:53
Se perdemos nossos sentidos, a realidade para nós vai ser inútil.
36 Chesterton // 30/April/2008 às 14:54
nossos sentidos são o que de melhor possuimos para interpretar a realidade, ainda que neles sejam deficientes. Melhorar quimicamente os sentidos é ficção científica, é o mesmo que acreditar ter super-poderes, quando na verdade a quimica piora os sentidos, os degenera, cria barreiras para eles. É uma ilusão, uma psicopatia provocada, uma doença, assim como um tumor cerebral.
37 Darwinista // 30/April/2008 às 14:55
Monsores,
Você está se referindo à sinestesia.
E a matéria escura então? Não é possível de se detectar, mas ela tá por aí…
38 Pedro Doria // 30/April/2008 às 14:57
Esprit de porc — LSD, nunca.
39 Monsores // 30/April/2008 às 15:00
Chesterton,
Não discordo de você. Mas curar os degenerados não é?
Sinceramente, simpatizo com a ampliação das “portas da percepção”. E não estou falando de uma super audição ou de uma super visão (isso sim seria coisa de ficção), mas falo de alterar a percepção. Mergulhar profundo.
E antes que você me acuse de fazer apologia às drogas, eu “mergulho profundo” ouvindo Echoes do Pink Floyd.
Atualmente, pelo menos, é assim.
40 Chesterton // 30/April/2008 às 15:00
algo precisa existir, até mesmo para ser inútil.
41 Chesterton // 30/April/2008 às 15:01
…mas falo de alterar a percepção. Mergulhar profundo.
chesterton- vocë vai ter que ser mais preciso, isto que v. acaba de escrever significa exatamente nada.
42 Monsores // 30/April/2008 às 15:03
Chesterton,
Desculpe. Por um minuto esqueci que era com você que eu estava dialogando.
43 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 15:05
André, pro primeiro comentário, diria que a realidade, da maneira como nossa espécie a percebe, deixa de existir caso a gente desapareça. Mas nesse caso, estamos falando de significação do real, de um “real-para-nós” que não mais faria sentido caso a espécie desaparecesse. Só que deixarmos de existir não significa que não reste mais nada. O mundo seguirá sendo, indiferente a nós, alheio a nossa ausência.
Sobre o segundo comentário, em função do que acabei de dizer a resposta só pode ser não, já que por mais que esses aspectos sejam reais para o sujeito que tenha essas características, eles (os aspectos) não são a totalidade do que é real.
44 Chesterton // 30/April/2008 às 15:07
Eu me criei neste meio, e apesar de intuir que era uma baboseira, precisei estudar o assunto a fundo, para ter argumentos .
Por essas e outras, e por causa do escrevi acima, é que acho muito mais sincero o cara dizer : tomo drogas para ter prazer, ou só de gozação, ou para comer alguma garota doidinha, ou até para ganhar dinheiro (caso o cliente consuma), sei lá, uma razão sólida. Inventar uma ideologia para justificar uma pseudo-cultura de drogadictos é uma violência contra a sanidade intelectual, o Subjetivismo encarnado.
45 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 15:08
(Tenho que ir ao banco, droga. Depois eu volto pra ver onde essa conversa foi parar.)
46 Chesterton // 30/April/2008 às 15:10
Ricardo, você confunde a realidade com a percepção da realidade.
Monsores, mergul;har profundo significa entrar na água e ir para grandes profundidades, se vocë quiser dizer algo diferente disso, precisa aprimorar o vocabulário.
47 Monsores // 30/April/2008 às 15:10
Ricardo,
O primeiro comentário foi uma provocação. Mania minha essa coisa de provocações. Gosto de ensaiar a realidade de um mundo onde a “realidade para nós” deixaria de existir se perdessemos todos os sentidos, mas continuaria existindo para o restante.
É um sonho meio besta, onde o homem perde o poder de determinar a realidade. Enfim, psicodelia para outro dia.
Quanto ao segundo comentário, claro que concordo que não é.
48 Monsores // 30/April/2008 às 15:12
Chesterton,
É verdade. Concordo com você. Vou ampliar meu vocabulário e quando eu achar que é o suficiente pra conversar contigo, te procuro, ok?
Obrigado pelo conselho.
49 Chesterton // 30/April/2008 às 15:18
ok, deixe de ser preguiçoso e passe a definir as coisas com a palavra certa quando falar com qualquer pessoa. De qualquer modo, se vocë mergulhar profundo, avise que eu mando socorro.
50 Monsores // 30/April/2008 às 15:19
Obrigado, Chesterton.
Não sei o que seria de mim sem a sua providência.
51 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 15:22
Chest, vc está batendo muito na tecla das drogas. Esqueça por um minuto disso e pense apenas na questão da ampliação da percepção. Ela está na base de todas as religiões, por exemplo — e vc, até onde sei, não é ateu —, e as experiências místicas seriam justamente uma tentativa de “compreender Deus sem intermediários” — representados pelas doutrinas, pelos dogmas, pelos “livros sagrados”, pelas tradições etc. —, e não quero entrar no mérito sobre a existência de Deus, atenho-me às ancestrais práticas da espécie humana para “contatá-lo”. Esse seria o caso êxtase místico de tantos santos, por exemplo, alguns com o auxílio de jejuns, outros em função de sons repetitivos, danças, exercícios respiratórios, vários tb com ervas, beberagens e tantas outras fórmulas. Trata-se de uma busca pelo sentido da existência, que a maioria da humanidade acredita estar para além dela mesma — ainda que uma minoria considerável não comungue dessa perspectiva.
52 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 15:30
Chesterton, não confundo. Leia com atenção o que escrevi. Falei apenas de um “real-para-nós”, e isso implica em significação, que é própria da nossa espécie, passando até mesmo pela linguagem. Mas disse que se esse real-para-nós cessa com a nossa extinção, não quer dizer que sobrevenha o nada.
53 Ana Pulg // 30/April/2008 às 15:32
Belo texto Pedro, também não lembro de tê-lo lido no NoMínimo.
Todas famílias tem suas histórias e, na minha, o parente que mergulhou fundo nas percepções com LSD, saiu do ar. Naquela época falava do cosmos, da consciência coletiva, etc e tal. Perdeu sua vida. Ficaram para trás seus desenhos e o futuro. Hoje, e nos últimos 20 anos, quando sai da clínica onde vive, sai acompanhado.
Mil vezes perceber a realidade como ela é, principalmente quando conseguimos nos sensibilizar com ela.
54 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 15:32
(Bom, agora não tem mais jeito, tenho que sair.)
55 Nhé! // 30/April/2008 às 15:36
Ricardo beijos! Volte para mais comentários!
56 Chesterton // 30/April/2008 às 15:39
Trata-se de uma busca pelo sentido da existência…
chest- mas isso não tem nada a ver com a realidade.
57 Pedro Doria // 30/April/2008 às 15:42
Ana Pulg — também tenho uma história ruim próxima a respeito de LSD. Quando a pessoa não volta, não tem nada de bonito. Mas são casos raros.
58 Chesterton // 30/April/2008 às 15:42
aliás, se alguem me diz que usa drogas para buscar um sentido existencial, eu não acho nada demais. Só não vai inventar uma igreja, uma cultura, sei-lá-o-que….
Ricardo, real-para-nós, é necessariamente uma parte menor da realidade, certo? Então você admite a realidade e ponto final. Não disse nunca que o ser humano consegue ver toda realidade. Mas que nela existe, existe.
59 Chesterton // 30/April/2008 às 15:47
Ana Pulg dá um exemplo claro que perder a noção da realidade pode ser muito perigoso, alias, frequentemente é. E o pior é que nem precisa-se de drogas para tal. Muitas vezes basta uma ideologia cegante. Pode fazer mal a si e aos outros.
60 Chesterton // 30/April/2008 às 15:49
a utopia do socialismo é uma “ferramenta” frequentemente usada por aqueles que perdem a noção da realidade.
61 Monsores // 30/April/2008 às 15:49
Como a religião, por exemplo.
Ou o comunismo.
Ou o anarquismo.
62 Monsores // 30/April/2008 às 15:49
Ufa, concordamos em alguma coisa, Chesterton.
63 Chesterton // 30/April/2008 às 15:53
Tive a oportunidade de atender um viciadão em cocaina, que chegou aqui exaltado dizendo:
- uso cocaina e não adianta dizer que faz mal, porque é bom para c…..alho.
-deve ser bom mesmo, porque nunca vi ninguem dizer que é viviado em bosta..-respondi.
Fundamentalmente ele tinha o mesmo problema do abobado-da-bronha, e foi fácil mostrar a ele que existiam montes de outras coisas tão boas ou melhores que cocaina que ele estava perdendo por causa de seu hábito.
64 Chesterton // 30/April/2008 às 15:54
concordamos em quê, my boy?
65 Chesterton // 30/April/2008 às 15:56
Mil vezes perceber a realidade como ela é, principalmente quando conseguimos nos sensibilizar com ela.
chest- Ana Pulg mata a charada.
66 Monsores // 30/April/2008 às 16:00
Que “a utopia do socialismo é uma “ferramenta” frequentemente usada por aqueles que perdem a noção da realidade.”
Nisso concordamos, Chesterton.
67 Guiley // 30/April/2008 às 16:07
“Viajei” no texto texto, PD.
Valeu.
68 Chesterton // 30/April/2008 às 16:30
Aí, PD, e a baixaria do travesti com o Ronaldinho? Muita baicxeza para um post? Ou dá para filosofar em alto nivel?
69 Chesterton // 30/April/2008 às 16:32
…afinal, droga por droga, o traveco era uma verdadeira bomba.
70 Antonio // 30/April/2008 às 16:36
Chesterton,
É claro que existe um mundo que independe dos estados mentais do Homem: o oceano Atlântico já era uma quantidade imensa de água salgada antes de algum çábio dizer que tratava-se de um “oceano” e batizá-lo de “Atlântico”.
Isso quer dizer que a “realidade” pode ser reduzida somente aos fatos da natureza? Claro que não. Se por “realidade” vc entende apenas os fatos naturais, vc se mete numa enrascada, pois afirmar isso é afirmar, por exemplo, que as representações (os discursos) e os estados mentais humanos não têm o poder de engendrar “realidades”. E nada (perdoe o trocadilho) poderia ser mais distante da realidade do que afirmar isso.
Tudo isso é para dizer que a parcela “objetiva” da realidade é pequena. Isto a que chamamos “realidade” é feita de fatos naturais, representações culturais, contingências históricas e, last but not least, estados mentais individuais.
Agora, como retalhar a realidade de modo a saber quantos por cento cabem a cada parte que a compõe? Há alguma maneira objetiva de realizar uma tal operação?
(Isto posto, não vá dizer por aí que o homo economicus dos liberais, ao contrário do socialismo marxista, é um “fato da realidade”. Vc poderia ser acusado de subjetivista… :-)
Abraço,
ACT
71 Ana Pulg // 30/April/2008 às 16:49
Pedro,
Participei de alguns eventos festivos do NARANOM ( narcóticos anônimos) onde seus inúmeros grupos, espalhados pela cidade, se encontraram. Estavam presentes adictos e principalmente familiares. Neste pequeno convívio pude perceber como são sofridas as famílias de drogados. São famílias doentes.
Onde tem um adicto tem uma gama de gente sofrendo.
Quando meu filho era adolescente passei um bocado de tempo fazendo cooper nas pracinhas onde ele costumava jogar bola. Ele achava lindo ver a mãe dele por lá, mas na verdade eu não queria estar caminhando, cuidando dele, o que eu queria era fazer as minhas coisas. Os pais tem sempre que estar muito atentos e assim mesmo as coisas acontecem. Com ele foi no próprio colégio.
72 anrafel // 30/April/2008 às 16:51
Diego Pereira #8, Monsores #38,
Estou com Monsores, “Echoes” é mais lisérgico; segundo os especialistas, “Dark Side…” é mais canábico. Falo isso a partir de um distanciamento crítico, nunca usei ácido, fiquei no básico etílico.
Mas é impossível não constatar na música do Floyd dos primeiros anos sugestões poéticas ou sonoras (seja lá o que for) embaladas pelo ácido. “See Emily Play”, “Julia Dream”, “Cirrus Minor”, “A Saucerful of Secrets” são exemplos. Lindos.
73 Pedro Doria // 30/April/2008 às 16:52
Chesterton, os open threads estão aí para isso… =)
74 aiaiai // 30/April/2008 às 16:52
Eu tomei LSD entre os meus 18 e 20 anos algumas vezes - que lembre bem foram 3 - e sempre foi muito legal. A primeira vez foi a melhor, porque tudo era surpresa e eu estava num ambiente adequado, ou seja, rodeada de amigos e sem perigos a vista. Depois teve mais duas vezes, uma muito especial em um grande show. Mas o LSD foi ficando cada vez mais raro. Naquela época já era raro e caro. Depois, o que se ouvia era que não era mais LSD e sim anfetamina, dai nunca mais experimentei, por medo mesmo da anfetamina, esta sim um droga perigosa. Eu conheço dois casos de pessoas que não voltaram com anfetamina.
Do LSD só conheço um caso mas o cara não ficou mal, ficou um tanto doido, ou melhor, diferente dos outros, mas gente boa. E o caso dele foi de excesso, ele tomou muitas vezes. Nunca ouvi falar de caso de uma pessoa tomar LSD uma vez só e ficar mal para sempre.
75 Antonio // 30/April/2008 às 16:57
Ricardo Cabral,
Obrigado pelo link do Grof. Vou dar uma olhada.
Eu já havia tido uma experiência de ácido (na Califórina, quando morei por lá), mas só fui me interessar realmente pelo LSD quando li “Flashbacks”, a autobiografia do Timothy Leary.
No livro, ele conta que já era um professor de psicologia com alguma experiência e reconhecimento (foi o pioneiro da técnica de terapia em grupo) quando, por indicação de um amigo, resolveu experimentar uns cogumelos. Ali, na primeira viagem, teve certeza de que aquela substância psicoativa poderia ser usada para expandir a consciência — livrar as pessoas de traumas, neuroses, comportamentos indesejados ou obsessivos etc.
Que fez ele? Montou, em Harvard (é, Harvard!), uma experiência com LSD entre seus alunos da pós-graduação. Mas como os resultados se mostraram inconclusivos, decidiu partir pra algo mais ousado: implementou (em caráter experimental, portanto provisório) um programa de sessões guiadas de LSD entre presidiários.
Diz ele que, à época, a taxa de reincidência entre os presos era de cerca de 70%. Pois bem: no grupo que tomou doses regulares de LSD em sessões orientadas por ele, Leary, apenas 10% voltou a se meter em encrenca e parar atrás das grades novamente.
Bela história.
Se é verdade mesmo, não sei . Quando escreveu sua autobiografia, Leary já tinha deixado a postura científica do início de carreira para trás. Já era então o guru da contracultura…
Abraço,
ACT
76 confetti // 30/April/2008 às 16:58
albert hofmann, rip !
pelo visto ninguém toma nada nesse vicio …
pois eu tomei mescalina no père lachaise, na tumba de jim morrison, eu e mais umas centenas de malucos…anos 80, decada de loucura !! saudades….))
77 Kct // 30/April/2008 às 16:59
Quando eu era criança gostava de tomar xarope…
78 Antonio // 30/April/2008 às 17:00
E quase ia me esquecendo: belo texto, PD.
Regards,
ACT
79 confetti // 30/April/2008 às 17:00
tomei tbm em mandeville canyon, numa floresta magica…mescalina aguçava o respeito profundo pela natureza ! tomei e traguei, adorei !
sem essa de apologia, so sendo honesta e assumindo
80 confetti // 30/April/2008 às 17:02
jp sartre tomou mescalina sob vigilancia médica num hospital….ficou out 6 meses, com depressao e alucinado….putz….
81 confetti // 30/April/2008 às 17:06
anos 80 e cultura pop…impossivel nao estar aberto a todas as experiencias psicodélicas….sobretudo pq quando a aids pintou, the dream was over !!
82 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:06
A realidade é objetiva e concreta.
A capacidade de compreendê-la, na totalidade ou no máximo possível, é a preocupação central da Filosofia.
Negar que estados alterados de consciência podem permitir avanços cognitivos é algo superado.
Algumas pessoas, por razões diversas, podem, também, experimentar estreitamento cognitivo com o uso das mesmas substâncias que, em outras, produzem efeito inverso.
Que o LSD amplia a sensibilidade, a percepção do ambiente e, eventualmente, a velocidade do raciocínio, isto é quase unanimidade. Para mim, uma certeza.
83 confetti // 30/April/2008 às 17:08
vc tomou nada ? digo, salut nada ! ))
84 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:10
Salut confetti.
Várias vezes.
85 confetti // 30/April/2008 às 17:10
“a realidade é objetiva e concreta” li isso varias vezes nos coments….discordo ! a realidade nao é nem concreta e ainda menos objetiva ! se fosse tao objetiva, cada um nao teria a sua, pessoal e intransferivel
86 confetti // 30/April/2008 às 17:15
jim viajando….
http://www.youtube.com/watch?v=Z7ZucE_olEs&feature=related
87 Antonio // 30/April/2008 às 17:15
Confetti,
Certa feita ouvi o Luiz Carlos Maciel contar que o Sartre, após tomar mescalina, ficou alguns meses vendo uma lagosta enorme e peluda, que aparecia e sumia repentinamente… Diz que o Sartre saía na rua e vez por outra agarrava a mão de Simone e dizia “Disfarça, ela está ali…”. “Ela quem, querido?” “A lagosta!”.
Beijos,
ACT
88 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:17
confetti,
É objetiva e cocreta porque a realidade “é”. independente da idéia que se faz dela.
Ou seja, alguém pode ser absolutamente alienado, mas a realidade que o cerca que, em última instância, é a realidade universal, existe objetivamente.
Cada um busca aperfeiçoar a capacidade de compreensão e de abrangência da realidade que é, na totalidade, algo obviamente imensurável e impossível de ser compreendido, dadas as limitações dos sentidos e do próprio conhecimento.
89 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 17:17
Confetti, tudo bem? Mail pra vc!
90 confetti // 30/April/2008 às 17:18
act, ele ficou “descendo” 6 meses cara…. dr coisa la vigiando ( esqueci o nome do médico que o ajudou na experiencia) e sartre no maior delirio ! parece que nunca mais quis quimica….so alcool…
91 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:18
cocreta = concreta
“é”. = “é”,
92 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 17:19
Antonio (#74), não sabia de todos esses detalhes do T. Leary. Figuraça, ele!
93 confetti // 30/April/2008 às 17:19
seu rc ! hallow ! e vc, experienciou ?
94 confetti // 30/April/2008 às 17:24
nada 87, isso pode ser uma verdade absoluta, mas…discordo ! prefiro pensar em “realidades” e nao numa so reinando absoluta e me sufocando com seu concretismo ! nosso ministro da cultura baixando em mim…kkk
95 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:24
confetti,
Viu o # 87 ?
96 Chesterton // 30/April/2008 às 17:25
Antonio, (70-1), concordo com você , se você admite que a realidade existe, pronto, acabou a discussão. Ganha quem melhor conseguir interpretá-la, aquele que mais perto chega dela, a verdade.
97 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:27
confetti,
É absoluta, não absolutista.
Ninguém pode (oudeve) imaginar ou querer compreender a realidade no sentido mais amplo.
Tentamos entender as “camadas” ou áreas da realidade. Isso é possível e fazrmos diariamente, inclusive aqui no vício.
98 confetti // 30/April/2008 às 17:28
oia o dialogo do 87 ai no 93 nada….))
99 Chesterton // 30/April/2008 às 17:29
Antonio, 74, o cara fez uma lobotomia frontal quimica, aí ficaram todos sem iniciativa. provavelmente esse cara poderia serprocessado por lesões corporais.
100 confetti // 30/April/2008 às 17:31
alo dracula ! vc nada né….))
101 Chesterton // 30/April/2008 às 17:32
confetti, sexo livre e drogas? E o rockenrou?
O problema é que a revolu;áo sexual resulta para as classes mais pobres a maternidade solteira, enquanto as mais esclarecidas só dão um passeio e saem rapidinho….
102 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:32
confetti,
Eu ví. Postamos simultaneamente.
103 Chesterton // 30/April/2008 às 17:34
algo superado.
Algumas pessoas, por razões diversas, podem, também, experimentar estreitamento cognitivo com o uso das mesmas substâncias que, em outras, produzem efeito inverso.
Que o LSD amplia a sensibilidade, a percepção do ambiente e, eventualmente, a velocidade do raciocínio, isto é quase unanimidade. Para mim, uma certeza.
chest- Putz, nasca, é exatamento o oposto.
104 confetti // 30/April/2008 às 17:34
keith chesterton….sabe que adorei aquele link sentimentale que vc jogou ontem ? passei a manha ouvindo no bureau…))
105 Ana Pulg // 30/April/2008 às 17:35
Eu sim. Lança perfume. Vi luzinhas, sininhos em intensidades mil. Aliás, os carnavais em Clube de antigamente eram um poema alucinógeno. Todo salão borifado com lança, muito confetti e serpentina. Aquele cheiro, que era o verdadeiro (realidade) cheiro do Carnaval, não existe mais. Acho que é um dos motivos do porque que acabaram os carnavais em clube.
106 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:36
Chesterton,
O que é o oposto ?
107 Chesterton // 30/April/2008 às 17:40
bem, Ana , eter e cloroformio não são alucinógenos, são depressores. Lança perfume faz o cara perder a consiência, foi usado (parcialmente) como anestesia geral, narcose. Dá o “barato”.
Falar que LSD acelerea o raciocinio é uma impropriedade completa, altera mas não acelera. Já anfetaminas , cocaina e cafeina, xantina, até chocolate aumenta a atenção…
108 Chesterton // 30/April/2008 às 17:41
nasca, vocë chegou a conclusões diametralmente opostas aos fatos.
109 anrafel // 30/April/2008 às 17:41
“Até o momento, os filósofos limitaram-se a interpretar a realidade; cumpre modificá-la”.
Pois é, mudar a realidade, mudar as realidades. Preparar-se para compreender a sua realidade, a realidade circundante, o entrelaçamento entre as duas.
São perspectivas coletivas, individuais; ação política, redenção hedonista. E a capacidade para lidar com frustrações e insuficiências.
É a vida, o mundo em sua inteireza.
110 confetti // 30/April/2008 às 17:42
lsd acelera sim….distorce acelerando …))
111 Chesterton // 30/April/2008 às 17:42
confetti, mas ele saiu? Tem no iutubi todo o disco, procure a suite para piano e flata, a[i faça uma lista de favoritos e os coloque em ordem, mande tocar sem parar.
112 confetti // 30/April/2008 às 17:43
anrafa sempre bem chegado e clarividente !!
113 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:44
Chesterton,
Eu disse…”amplia” (…) “eventualmente, a velocidade do raciocínio”…
114 Chesterton // 30/April/2008 às 17:45
distorce? então atraza!
Na verdade existem algumas indicações de drogas para tratamento de diversas alterações neurológicas, como paralisia cerebral, onde café e anfetaminas teriam alguma vantagem. Acelerariam o raciocinio.
Conffa, quando você stava tomada pelo capeta (lsd) sua capacidade de fazer operações matemáticas corretamente aumentou?
115 Cláudio Melo // 30/April/2008 às 17:45
Certa vez tomei um porre de uísque.
116 confetti // 30/April/2008 às 17:45
fiz isso chest ! peguei como um presente ! nao conhecia os caras e achei muita doçura…a flauta mela de tao doce…
117 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:45
Chesterton,
Não sou leigo no assunto, em vários sentidos do termo.
Tenho formação psicanalítica e conheço de perto a questão.
118 Chesterton // 30/April/2008 às 17:46
“Até o momento, os filósofos limitaram-se a interpretar a realidade; cumpre modificá-la”.
chest- esta a fonte dos males do seculo 20. O homem mal compreende o que está por aí e ainda tem a pretensão de mudar a realidade? ë sangue na certa.
119 confetti // 30/April/2008 às 17:47
néo, na tumba de jim morrison ninguém me propos operaçoes matematicas …na floresta entao nem pensar….ah sim, uma vez tomei na garupa de uma moto na route 66…tivemos que contar os trocados pra pagar as despesas…contei direitinho sim…hahhaah
120 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:48
Distorcer não significa, necessariamente, atrasar.
121 Chesterton // 30/April/2008 às 17:48
Nasca, que ótimo, amplia o que, exatamente? A capacidade de resolver exercicios matematicos de modo preciso? Pergunto seriamente. Ou alguma descoberta matemática ocorreu sob efeito alucinógeno?
122 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:50
confetti (109),
Você entende as coisas!
123 confetti // 30/April/2008 às 17:50
isso nada !! distorcer é so tirar do foco…levemente….
124 nada será como antes // 30/April/2008 às 17:53
Chesterton,
Acelerar a capacidade mental não é o mesmo que resolver problemas ou quaisquer questões.
Significa ampliar a capacidade de reflexão sobre algo ou muitas coisas simultaneamente, por exemplo.
O pensamento e suas possibilidades podem ser ampliados por alguns momentos, em determinadas pessoas. Não se trata de receita ou de resultados calculados.
125 confetti // 30/April/2008 às 17:53
RICARDO, ja foi ao banco ? )))
126 Cláudio Melo // 30/April/2008 às 17:54
Bom. Agora é o médico falando.
Isso quer dizer que os fármacos da classe das anfetaminas têm aplicação médica, sim.
E se o paciente apresenta um quadro de paralisia cerebral ou alguma alteração neurológica, apresentando deficiência de percepção da realidade, portanto, a ndicação terapêutica PODE ser o uso de anfetaminas, com prescrição e acompanhamento médico, claro.
Nesse caso, a anfetamina AJUDA na percepção da realidade, certo Vlad?
Confetti,
Melzinha não tem me dado muita folga mesmo.
127 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 17:55
Fui e voltei faz tempo!
128 confetti // 30/April/2008 às 17:58
claudio melo !! eu sabia que vc devia tar passando o tempo livre todo brincando de boneca !! vai dizer que ela é mais linda e tal né….)))
129 confetti // 30/April/2008 às 17:59
vlad, keith, dracula, néo…ah, vc é aquele que vive trocando de nick né chest !! kkk
130 Pedro Doria // 30/April/2008 às 18:00
A realidade é uma só. Ela não muda. É o que é.
Nós talvez tenhamos o equipamento para compreendê-la toda. Ainda não sabemos.
Avançamos, na ciência e na filosofia, sem ter encontrado ainda um ponto em que não é possível aumentar nossa compreensão do universo. Ao contrário. Quanto mais sabemos, mais parece aumentar nossa descoberta de coisas que não eram sabidas antes. Mas ciência e filosofia como as entendemos no ocidente também limitam a percepção da realidade.
Aquilo que nós costumamos chamar de experiência mística, uma percepção íntima e não intelectual de que fazemos parte do todo, também é parte da realidade. Algumas drogas em alguns momentos ajudam, sim, nessa percepção.
O Hofmann não endeusava drogas. Sabia que drogas são uma roleta russa. Antes de tomar, você não sabe como seu corpo vai reagir a ela. Com algumas, dá para experimentar sem perigos; com outras, pode ser perigoso, sim.
Embora não as endeusasse, ele também não negava o fato de que, talvez desligando alguns receptores no cérebro, talvez ativando outros, drogas nos fazem experimentar a realidade de uma forma diferente. O mundo ao redor não mudou, claro que não. Mas, em meio às alucinações, podemos ter uma experiência diferente da realidade que dá pistas sobre uma parte dela que não costumamos perceber.
Evidentemente, drogas não são o único caminho para esta percepção.
(Chesterton, alucinação auditiva eu tenho certeza que lança-perfume causa. É um tal de vupt-vupt-vupt e uma tonteira danada.)
131 confetti // 30/April/2008 às 18:03
vupt vupt kkk !
132 confetti // 30/April/2008 às 18:04
boss, nao se preocupe, ninguém esta fazendo apologia…so relatando experiencias….
mas a realidade nao é una nao…
133 cj ballantyne // 30/April/2008 às 18:06
Chega a ser constrangedor a arrogância moralista de certos comentaristas, cheios de certezas e pretensões ao ponto de poderem arrotar uma definicão da realidade em cinco palavras ou menos.
Grow up.
134 Brancaleone // 30/April/2008 às 18:06
Monsores!!
Eu você tivemos trêta no outro post?
Necas cara. Eu nem percebi.
Pode-se dizer que por aqui você faz parte do meu seletíssimo, exclusivíssimo e inteligentérrimo clube de aliados.
Fica frio.
Eu só me emputeço mesmo quando o nível de asneiras de uns e outros ultrapassa a cota estabelecida. No seu caso, sua cota é infinda…
135 nada será como antes // 30/April/2008 às 18:07
confetti,
Pedro Doria está correto.
Não existem várias realidades disponíveis na prateleira. Existe UMA, abrangente e total, cujo conhecimento amplo é impossível, pelos motivos elencados no comentário do PD.
136 confetti // 30/April/2008 às 18:07
e minha cota josua ? ))
137 Antonio // 30/April/2008 às 18:09
Chesterton # 95
Opa, peralá — a discussão não acabou não.
Vc diz que “ganha quem melhor conseguir interpretá-la [a realidade], aquele que mais perto chega dela, a verdade.”. Mas se a realidade é objetiva, dura e fria como vc afirma, então a rigor não haveria necessidade de interpretá-la. Bastaria retirar os véus que nos afastam dela (a ideologia, os preconceitos etc.) para que pudéssemos a atingir.
Toda interpretação é em alguma medida subjetiva. Então, ao afirmar que “ganha quem conseguir interpretar melhor a realidade”, você já está assumindo que ela, a realidade, não é de todo objetiva, e mais ainda, que nossa operação mental de tentar captá-la também não é.
Isto, meu bom e velho Chesterton, faz de você um subjetivista. Meus parabéns :-)
Agora, quanto ao seu comentário # 98, que evidência autoriza você a afirmar que o Timothy Leary realizou uma lobotomia frontal química?
Abraços,
ACT
138 confetti // 30/April/2008 às 18:10
nada e pd, permitam-me discordar : realidade nao pode ser uma ! nao se trata de “estar disponivel” na prateleira viu seu nada…se trata de percepçoes diferentes de individuo pra individuo….bobagem ? pq, realidade nao é matematica…
139 confetti // 30/April/2008 às 18:11
act nao chama chest de subjetivista ! ele vai surtar…
140 nada será como antes // 30/April/2008 às 18:12
Antonio (135).
Ao que parece, Chesterton considera realidade como sinônimo de verdade, que é coisa diferente.
141 confetti // 30/April/2008 às 18:13
reality is out there !
ttp://www.youtube.com/watch?v=Z7ZucE_olEs&feature=related
142 Cláudio Melo // 30/April/2008 às 18:13
É relativista moral também.
143 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 18:14
Confetti (#127), aqui está a descrição do Chest que encontrei no DSM-IV:
F44.81 - 300.14 TRANSTORNO DISSOCIATIVO E DE IDENTIDADE
(anteriormente Transtorno de Personalidade Múltipla)
Características Diagnósticas
A característica essencial do Transtorno Dissociativo de Identidade é a presença de duas ou mais identidades ou estados de personalidade distintos (Critério A), que recorrentemente assumem o controle do comportamento (Critério B).
Existe uma incapacidade de recordar informações pessoais importantes, cuja extensão é demasiadamente abrangente para ser explicada pelo esquecimento normal (Critério C).
A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral (Critério D). (…)
O Transtorno Dissociativo de Identidade reflete um fracasso em integrar vários aspectos da identidade, memória e consciência. Cada estado de personalidade pode ser vivenciado como se possuísse uma história pessoal distinta, auto-imagem e identidade próprias, inclusive um nome diferente [grifo meu]. Em geral existe uma identidade primária, portadora do nome correto do indivíduo, a qual é passiva, dependente, culpada e depressiva. (…)
As identidades alternativas são vivenciadas como assumindo o controle em seqüência, uma às custas de outra, podendo negar que se conhecem, criticar umas às outras ou mostrar-se em franco conflito. Às vezes, uma ou mais identidades poderosas destinam algum tempo às demais. Identidades hostis ou agressivas podem, por vezes, interromper atividades ou colocar as outras em situações incômodas.
Os indivíduos com este transtorno experimentam freqüentes lacunas de memória para a história pessoal tanto remota quanto recente. A amnésia freqüentemente é assimétrica. (…)
O tempo necessário para a mudança de uma para outra identidade é uma questão de segundos, mas, com menor freqüência, pode ser gradual. O número de identidades relatadas varia de 2 a mais de 100. Metade dos casos relatados inclui indivíduos com 10 ou menos identidades.
Chest, acione aquela personalidade bem-humorada na hora de avaliar este comentário, tá?
:-D
144 confetti // 30/April/2008 às 18:15
http://en.wikipedia.org/wiki/Reality
145 nada será como antes // 30/April/2008 às 18:15
confetti,
As percepções diferentes de cada indivíduo não alteram a realidade.
O desafio é, justamente, compreender a realidade da maneira mais abrangente possível.
146 Brancaleone // 30/April/2008 às 18:15
Confetti!!!
Comigo voce não tem cota nenhuma pois me tem por inteiro…
147 Brancaleone // 30/April/2008 às 18:16
Bom Confetti, assim, inteiro, inteeeeiiiro mesmo, na acepção da palavra num dá, mas tanto quanto é possível ( e permitido) pelos meios vituais…
148 nada será como antes // 30/April/2008 às 18:17
Este papo filosófico está delicioso, mas tenho de sair para compromissos.
Boa noite a todos.
149 confetti // 30/April/2008 às 18:18
……………………………………………………….
150 confetti // 30/April/2008 às 18:18
nada, boa salenas!
151 cj ballantyne // 30/April/2008 às 18:19
nsca,
lembre-se do princípio de Heisenberg, hello.
152 nada será como antes // 30/April/2008 às 18:19
confetti,
Salinas e salenas. Boas!
153 confetti // 30/April/2008 às 18:20
escreve cj….o principio de heisenberg
154 nada será como antes // 30/April/2008 às 18:21
cj ballantyne,
Tenho de sair agora, não dá mais.
Depois falaremos, OK ?
155 confetti // 30/April/2008 às 18:23
sabe que o native american church , mais de 200 mil membros,tem uma derogaçao de lei, autorizando o uso de mescalina em seus sacramentos ? até hoje….
156 Brancaleone // 30/April/2008 às 18:27
Bom, nem vou entrar nesta de discutir LSD ou outras coisas. Alguns descambam prá filosofia barata, outros para matérias do Almanaque Sadol e os mais pervertidos vão começar a citar paulo coelho.
“realidade é isso, não é aquilo” ou pior “realidade é aquilo e não isso” e daí vai que daqui a pouco qualquer cachaceiro destes caidos pela sarjeta vai ser alçado à categoria de pitonísia, de arauto “do outro lado” e por aí vai.
Já experimentei praticamente todas as drogas que passaram pela minha frente e nenhuma delas apresentou nenhum motivo para outra dose. Sem exeção, passado o efeito, não ficou nada de útil ou interessante, apenas a sençassão de que fui um otário.
Esta é a vantagem de ser obtuso, meio ( ou muito) burro e principalmente feliz com a realidade que se tem: Não precisamos comprar outras “realidades” efêmeras. A realidade que eu gosto está ao meu redor e não circulando por minhas artérias nem me embotando o cérebro…
157 Ricardo Cabral // 30/April/2008 às 18:28
Confetti, lembre-se que aqui tem o Daime e a União do Vegetal. Os dois grupos usam ayahuasca (caapi + chacrona) em seus rituais.
158 confetti // 30/April/2008 às 18:29
josua, inimitavel….tipo, vc é uma certa realidade …
159 Bruno // 30/April/2008 às 18:30
Chesterton me pareceu um pouco reacionário ao papo inteiro. Chesterton, pergunto sem maldade: já teve experiências com LSD? Eu nunca tive, mas não me sinto na posição de excluir categoricamente a possibilidade de que ele gere estados expandidos de consciência. Na verdade, eu sei que ele gera, por experiências com outras coisas que deixaram isso claro.
Mass…pode lesar sim, vi mais de uma pessoa ir e não voltar, ou ficar pela metade do caminho. Hoje em dia é mais raro, pq o tal do doce é um pouquinho de LSD com muita anfetamina. Mas ainda há o puro - a gota ou o cristal, esses sim pancadas. E anfetamina não faz ninguém ir e não voltar, só se for um caso crônico, estilo Requiem for a Dream. Se não, é só uma aceleração desnecessária, tipo muitos Red Bull.
PD, acho que os efeitos de mescalina, LSD, DMT, cogumelos, etc. são razoavelmente diferentes. Alguém com experiência em todos para relatar?
160 confetti // 30/April/2008 às 18:31
discipulos distantes de castaneda…vi falar neles ! mas o native church tem mais representatividade, tem registro de comercio e tal…
161 confetti // 30/April/2008 às 18:33
““realidade é isso, não é aquilo” ou pior “realidade é aquilo e não isso” e daí vai que daqui a pouco qualquer cachaceiro destes caidos pela sarjeta vai ser alçado à categoria de pitonísia, de arauto “do outro lado” e por aí vai.”
KKKKKK
162 cj ballantyne // 30/April/2008 às 18:35
O princípio de Heisenberg, simplificado (e exagerado): a própria observação altera o objeto observado.
163 confetti // 30/April/2008 às 18:36
josua eu te amo pra caralho ! teclado fresh assim , so vc….
164 confetti // 30/April/2008 às 18:37
maneiro esse principio…chest vai desconstruir todinho…))
165 confetti // 30/April/2008 às 18:39
bruno, o syd barrett nunca voltou..
166 Pedro Doria // 30/April/2008 às 18:41
confetti, não diga jamais a um matemático que a realidade não é matemática… porque, ao que parece, matemática ela é sim.
Mas não é cartesiana =)
Estamos falando a mesma coisa, tenho a impressão. A impressão que temos da realidade varia. Varia de pessoa a pessoa e varia em nós mesmos, dependendo de nosso momento de vida. Mas isso é a interpretação que fazemos da realidade. Como a percebemos. Não é a realidade em si.
167 Antonio // 30/April/2008 às 18:43
PD, permita-me discordar.
A realidade não é uma só, não. Ela está sempre mudando; é constantemente feita e refeita ao sabor do devir histórico.
A realidade não pode ser UMA pelo simples fato de que ela é também — vou frisar: também — um produto do vocabulário que os homens usam para descrever ao mundo e a si próprios. O homem não apenas vive numa realidade já dada: ela também a cria, sem cessar.
Nossos vocabulários mudam — sempre mudaram, e sempre vão mudar. Supor que haja um metavocabulário capaz de dar conta de tudo, que consiga abarcar todos os fatos e fenômenos que dizem respeito ao que é humano, é supor que as possibilidades cognitivas e criativas dos homens é finita. E nada, até aqui, nos autoriza a pensar desta forma.
Pelo contrário. Já estivemos expostos a outros vocabulários, que também foram considerados finais em suas épocas, e que depois foram abandonados. A realidade na Grécia antiga era atravessada pelo pensamento mítico. Na Idade Média, era impensável uma “realidade” que não fosse tocada por Deus. No século das luzes, a “realidade” implicava, entre outras coisas, no reconhecimento de que era possível reconhecê-la enquanto tal, dado que o homem era um ser racional — idéia esta que começou a cair por terra quando Nietzsche e Freud nos ofereceram um outro vocabulário através do qual podemos e devemos pensar o Homem. O quê então nos permite supor que o vocabulário que usamos atualmente s