Em uma semana, Vladimir Putin deixará a presidência russa para assumir o comando de seu partido Rússia Unida.
Do ponto de vista econômico, deixa um país melhor do que aquele que herdou de Boris Yeltsin. Nada tem a ver com sua competência. Yeltsin lidou com um mundo no qual o preço médio do barril de petróleo era 16 dólares. Durante o governo Putin, esteve cotado a 40 dólares em média. Não há porque acreditar que, daqui para a frente, venha a estar abaixo dos 100 dólares.
Mas em que a pujança econômica melhorou a vida russa?
No dia-a-dia do cidadão comum, a aparência é de que melhorou muito. Tanto que Dmitry Medvedev, herdeiro de Putin, venceu com facilidade o pleito. Faça umas pesquisas na rua e ninguém se enganará: venceu porque a esperança popular é de que Putin esteja no comando de fato.
Neste período, Putin privatizou um bom naco das empresas estatais. Só os negócios de mídia da estatal energética Gazprom, vendidos em 2005 por 166 milhões de dólares, hoje são estimados em 7,5 bilhões. (Sim, a estatal energética tinha órgãos de imprensa; e, não, os números não estão errados – a ‘valorização’ representa um aumento de 45 vezes o valor. Não foi vendida. Foi dada de presente.) A privatização na era Putin, e este é apenas um exemplo, representou uma manobra para transferir para as mãos de uns poucos aliados do presidente alguns dos principais negócios do Estado.
A esperança de vida do homem russo, hoje, é de 59 anos. Concorre com a África. Álcool (2,5 milhões de alcoólatras estimados), cigarros e acidentes de trânsito estão entre os responsáveis por estas mortes prematuras. (O número de acidentes de trânsito aumentou 60% de 2000 para cá.) Crimes violentos, e os números são do governo, aumentaram em 170% no mesmo período. O sistema de saúde pública entrou em colapso – algum atendimento, só com suborno. A Organização Mundial de Saúde estima que, numa lista de 190 países, a Rússia está na 130a colocação, pior do que Bolívia e Guiana. O sistema de previdência social também não ajuda. Há um pensionista para cada 1,7 contribuinte. A aposentadoria média é de 160 dólares por mês.
O país é mantido sob controle com mão de ferro e censura à imprensa. Nas contas da ong interna Fundação de Defesa da Glasnost, 75 jornalistas foram atacados de alguma forma e 8 foram assassinados no ano de 2007.
Nenhum dos casos de assassinato de jornalista desde que Putin assumiu o governo foi resolvido.
O governo age com mais tranqüilidade do que era seu padrão no início. O motivo é simples: os sinais que recebe de EUA e da União Européia é de que, na verdade, tanto faz. A Rússia é apenas criticada vez por outra mas ninguém ousa enfrentá-la. Não é tanto o medo de seus armamentos que conta. No caso, trata-se do país que alimenta de gás a Europa. Fora a Alemanha, que faz frente, os outros países – incluindo França e Reino Unido – se encolhem.
Enquanto isso, a Rússia Unida tem uma maioria de 70% na Duma, o parlamento do país. E a oposição está cheia de brigas e desavenças internas.
Este post é baseado no artige de Amy Knight, publicado na última edição da New York Review of Books, baseando-se em entrevistase no relatório Putin, os resultados, publicado na Rússia numa edição pequenina por alguns políticos de oposição. Na avaliação de Knight, Putin só perde poder caso o povo se sinta perdendo qualidade de vida. Até agora, o Estado tem se mostrado incapaz de transformar as benesses angariadas pelo barril de petróleo em alta em serviços.
Em janeiro, a inflação passou de 12% ao ano. O custo de vida está aumentando. O crédito popular também está aumentando – e há muita gente tomando dinheiro emprestado à banca. Para agüentar o tranco, o sistema bancário russo vem pedindo emprestado no exterior. Sinais de uma crise de liquidez? De uma bolha?
Por enquanto, as contas entre importação e exportação produzem um superávit comercial. Mas a diferença vem diminuindo ano a ano, apesar do constante aumento do petróleo. O governo Putin é, além de profundamente corrupto, também de uma extrema incompetência.
Talvez, no fim, a mistura de incompetência e ganância seja justamente a mistura que o derrubará seu grupo do poder.







28 Comentários até agora ↓
1 aiaiai // 30/April/2008 às 11:34
Lula, se quiser, poderá fazer o mesmo que Putin…sair da presidência e deixar alguém que vai seguir o seu comando. Não estou dizendo que isso seja bom, mas com a oposição que a gente tem hoje…vai ser fácil!
2 fat james // 30/April/2008 às 11:46
2,5 milhões de alcoólatras… haja vodka.
3 Nhé! // 30/April/2008 às 12:47
Bem que falam que os russos são parecidos com os brasileiros… (ou a Rússia é parecida com o Brasil?)
4 Luiz // 30/April/2008 às 13:05
Uma estatal dada de presente?
O que é isso? Alguém por acaso já viu algo parecido?
5 H.Romeu Pinto Reloaded! // 30/April/2008 às 13:38
Acho que os russos apesar de toda a sua cultura humanistica e cientifica ainda penarão muito até poderem gozar de um sistema democrático como o nosso….mesmo que voces não gostem….estamos muitos passos na frente da grande maioria em se tratando de estado democrático…….tá lá como cá precisam melhorar muito…..mas em vista das eleições de 2000 na Flórida estamos razoavelmente bem…..
6 H.Romeu Pinto Reloaded! // 30/April/2008 às 13:41
Nhé ….para a Russia ser parecida com o Brasil…..falta só toda a capacidade cientifica armazenada nas mentes dos cientistas russos e uns 50 caras que mereciam receber premio Nobel!
(mas não receberam por que a Russia era comunista…..EEEEEE
De sistemas de governos injustos tanto a URSS como os EUA “manjam pacas”!
7 NPTO // 30/April/2008 às 15:48
Há um fato crucial para se entender a popularidade de Putin: a recuperação do Estado russo.
Nos últimos anos da URSS, o controle estatal sobre a economia desapareceu por completo (muito antes da propriedade formal mudar de mãos), o que causou uma crise social terrível: no começo dos anos 90 na Rússia se verificou o maior colapso na expectativa de vida masculina em tempo de paz jamais visto (e as mortes eram, principalmente, de jovens). A máfia russa era a única fonte de segurança, só disponível para quem podia pagar.
Bem ou mal, depois da crise de 98 e da eleição do Putin, ao menos esses aspectos de colapso civilizacional parecem ter perdido intensidade. Os russos agora vivem em um país pobre e corrupto, mas nos anos 90 encararam seriamente a possibilidade de descer a níveis africanos de desenvolvimento. Comparado àquilo, a situação agora parece bem melhor.
Mesmo a privatização fraudulenta de Putin é diferente da de Yeltsin. É igualmente imoral, mas é feita a partir de uma posição de força, de alguém que, se quiser, pode prender o oligarca com facilidade. Yeltsin, por outro lado, quando deu as empresas em 95-97, precisava dos oligarcas para vencer os comunistas.
Putin transmite a mensagem de que voltou a haver uma autoridade central: há alguém com quem reclamar em caso de crime, há alguém que detém o direito exclusivo de cobrar suborno, etc. Por incrível que pareça, isso foi mesmo um progresso.
Mas o fracasso de Putin em aproveitar o boom do petróleo para desenvolver o país vai deixar uma conta alta.
8 Renato // 30/April/2008 às 15:48
Tem certeza que não era uma descrição do Chavez?
9 Dino 5,4 % // 30/April/2008 às 18:54
Quem disse que os russos parecem com os brasileiros não está de tudo errado, são mais apaixonados que a maioria dos europeus, especialmente por futebol, tem aquele famoso jeitinho brasileiro ou russo, como queiram, improvisam demasiado, acreditam sempre que uma “gambiarra” vai suportar o tranco e o que é pior, são chegados em uma lei de Gerson. Ao contrario dos chineses que ao perceberem, não poderem fazer frente ao sistema de produção capitalista, o adotou da forma mais eficiente e cruel, para depois o ajustarem socialmente. Os russos, a exemplo de uma partida de futebol americano que assisti e que foi preparada na época da guerra fria para dar uma certa distensão, os técnicos através de manuais, treinaram uns russos meio brutamontes durante algum tempo e foram fazer a partida, o futebol americano que é um esporte de muito contato, mas que tem lá suas sutilezas, não foi bem entendido pelos russos que começaram a dar voadoras, choques violentos e a partida teve que ser parada varias vezes, para explicar que não era para usar violência que o contato tinha suas regras, não era um vale tudo. Assim foi a Rússia a criar seu capitalismo, sem entender as regras, necessitavam de capitalistas e de preferência nacionais então quem tinha mais aptidão para roubar, extorquir, corromper e assassinar foi formar capital e na falta do mesmo uma rede de contatos em alto escalão dá um jeito, não que toda fortuna do mundo não tenha esses antecedentes, mas lá a fortuna era nova e a origem criminosa recente, quem tem esses antecedentes não está interessado em tocar uma fabrica, lutar contra concorrência, em suma, termina utilizando a empresa para lavagem do dinheiro ilícito. Então não tem Tzar Putin que de jeito, o sistema é podre e não vai a lugar nenhum, a exemplo da Perestroika é a chamada Catastroika…
10 Pedro Doria // 30/April/2008 às 19:06
Dino 5,4 %, achei maravilhosa essa história da partida de futebol americano e a conclusão que você tira dela =)
11 Hugo Albuquerque // 30/April/2008 às 20:05
Desde que Stalin resolveu fuzilar ou jogar em gulags as melhores mentes da URSS (só poupando os técnicos que não se metiam em política), surgiu uma tecnocracia servil e medíocre na Rússia.
Eles ficaram na moita por um tempo, depois mataram o Guia Genial dos Povos (huahuahua) e assumiram o poder mantendo os líderes que se seguiram como marionetes; Teve de tudo: Um interino (Malenkov), Um bêbado (Khrushchev), uma múmia (Brezhnev), um fantasma (Andropov), um morto-vivo (Chernenko) e uma anta (Gorbachev).
Depois da queda da URSS foi um salve-se quem puder e os diretores das estatais meteram mão nessas empresas.
Seria como se o Brasil entrasse em crise e o Presidente da Petrobrás fizesse um leilão fraudulento, desse o único lance com um valor muitissímo abaixo do preço da empresa no mercado com dinheiro emprestado do BNDES pra pagar em uns trinta anos (isso se ele fosse bonzinho de pagar por ela).
Os novos ricos da Rússia, especialmente os bilionários de Moscou enriqueceram dessa forma. Alguns, como Mikhail Khordokovski que tentou alçar vôos mais altos acabou rodando, mas a maioria é quem manda no país nas sombras e tem por gerente Putin.
Não que isso não tenha acontecido na China, mas o processo que transformou os burocratas do partido em capitalistas foi mais organizado, no entanto, não menos selvagem.
12 Hugo Albuquerque // 30/April/2008 às 20:08
Detalhe,
http://www.nytimes.com/2008/04/24/world/europe/24church.html?_r=1&n=Top/News/World/Countries%20and%20Territories/Russia&oref=slogin
Aqui vai uma reportagem interessante sobre como Putin está convertendo a Igreja Ortodoxa
num mecanismo de controle social e fundamental na estruturação do seu fascis…digo, nacionalismo. Parece até a maneira que Mussolini usava o catolicimo na Itália dos anos 20 e 30.
13 Hugo Albuquerque // 30/April/2008 às 20:09
PD, eu acho que o anti-spam barrou o link de uma reportagem do NYT que eu coloquei.
14 Hugo Albuquerque // 30/April/2008 às 20:22
http://www.nytimes.com/2007/07/08/world/europe/08moscow.html?scp=1&sq=putin+generation&st=nyt,
E isso, o que te lembra?
15 Pedro Doria // 30/April/2008 às 20:23
Hugo Albuquerque: liberado.
16 Alba // 30/April/2008 às 20:24
Tavarich Dino,
Beleza de relato! E esclarece também a questão da China, que eu, modestamente, imagino como um PC que , apesar de saber que meio inevitavelmente terá que resolver a contradição entre governo controlado por um partido comunista e, pelo menos, certas áreas do território, abertas para a prática capitalista. Aquela coisa de “um país, dois sistemas”.
Sem dúvida, esse modelo é inviável e imagino que alta cúpula do PCC saiba disso. Mas ao mesmo tempo, estão atentos ao que foi a experiência russa e não a querem em seu território, o que explica os experimentos controlados que andam fazendo.
Falando nisso, eu usei aqueles textos sobre a China e seus experimentos com a minha turma de terceira idade (claro que com os devidos créditos). Rendeu uma discussão interessantíssima.
Obrigada, PD!
17 Prøftël // 30/April/2008 às 23:39
Bom, minha experiência eslava no Paraná mostra que (e aí falo mais do meu povo, a polacada do lado do meu pai) já trouxeram o “jeitinho” de lá, tá no sangue.
Haja gambiarra, gostei do Dino aí no #9, tá certim.
Muito diferente do pessoal do lado da minha mãe, austríacos, tudo muito formal e de acordo com o manual.
Quanto à Rússia, bem, já mostraram que quando a coisa passa dos limites rolam cabeças, não mexam muito com eslavo, paciência tem limite e, quando estoura, sai de perto.
hehe.
18 Dino 5,4 % // 1/May/2008 às 9:46
PD, agradeço seu elogio a meu comentário.
Alba, grande companheira, grande alegria em revê-la por aqui com seus brilhantes e inteligentes comentários.
Não acredito que na China exista “um país e dois sistema”, por motivos óbvios os chineses optaram pelo meio de produção capitalista, se isso significasse sistema capitalista, Lênin ao criar a NEP estaria retrocedendo a revolução ao capitalismo? Não, Lênin era sabidamente um gênio e percebeu a dificuldade de alavancar a industria insipiente russa através do sistema socialista, que apesar de não impossível, pois foi feito posteriormente, os custos humanos no entanto, foram elevados. Infelizmente a historia se desenrolou de tal maneira que não houve a possibilidade de verificarmos o resultado desta política econômica, por isso nosso estranhamento quanto à via chinesa. Alias tudo que vem da China sempre foi mal contado. A historia e o ocidente, omitem as grandes navegações chinesas, as invenções, as filosofias orientais. Temos pouquíssimas informações do mundo oriental, somos bombardeados tempo integral por propaganda ocidental. Veja por exemplo o Tibet, li relatos, não das autoridades chinesas e sim de turistas que se encontravam no local que descreveram as cenas de selvageria perpetradas pelos tibetanos contra os Hans e muçulmanos, incendiando gente viva, queimando casas e comercio, esfaqueando na rua, linchamento a pauladas, o que chegou na mídia? Que o pobre povo tibetano estava sofrendo repressão e já havia morrido talvez centenas… Essas centenas de tibetanos na verdade era duas dúzia de chineses! Os babacas por aqui bradam Tibet Livre! Quando lá eles querem somente autonomia. O próprio Dalai Lama, ameaçou renunciar se continuasse à violência dos tibetanos contra os chineses.
19 confetti e o muguet* // 1/May/2008 às 10:25
http://www.msnbc.msn.com/id/23849145/
20 Alba // 1/May/2008 às 14:17
Tavarich Dino,
Claro que você tem absoluta razão quando diz que as informações que temos sobre a China são parciais e muitas vezes, distorcidas. Taí o Zictor pra esclarecer o que é viver no Império do Centro e tudo mais.
Mas ainda acho que a coisa lá não é ainda capitalismo puro e duro. Tanto que as áreas que estão abertas a isso são as da China Marítima, apenas. O interior ainda vive no modelo socialista que eles estabeleceram, pelo que sei. O PCC mantém rígido controle sobre toda a produção, principalmente na China Marítima e, quando a coisa toda ameaça sair de controle saem com advertências como no ano passado, estabelecendo que o país não pode crescer mais do que 7 ou 8% ao ano, porque percebem os custos, não só econômicos, forçando à busca de matérias primas onde as houver, o custo ambiental, que tá ficando pesado e mais, o custo social, porque a parcela camponesa, que ainda é majoritária está cada vez mais, migrando para as cidades, numa inversão até de padrões culturais super-antigos, como não deixar o sustento do lar aos mais velhos, que devem ser objeto de respeito e dedicação dos filhos, pelo que sei.
Em relação à NEP, nem discuto que foi uma reação necessária de Lenin à política do “comunismo de guerra”, com todas as tragédias que produziu. Lembro, inclusive, o mote de Bukharin, o benjamin do Partido, exortando os camponeses: Enriquecei!
Mas, salvo engano, que também estou tomando uma cervejinha enquanto o puchero cozinha, o refresco dado pela NEP foi seguido da cruenta luta interna no partido, levando Stalin ao poder e sacrificando o mesmo Bukharin, julgado abjetamente como contra-revolucionário, usando exatamente o mote “Enriquecei!”
Ou seja, naquele momento, o Partido exerceu absoluto controle sobre o processo. Mas os tempos eram outros. Por isso, e também pelo que tenho lido, muito do que tenho aprendido aqui, acho que o PCC sabe que há conflito e que esse conflito tende a explodir, mais cedo ou mais tarde. Daí, os experimentos de que o PD deu conta nos textos que usei com a minha turma.
Por fim, “brilhante” é pura generosidade sua, viu? Mil obrigadas, mas sou apenas esforçadinha, se tanto..:))
21 Alba // 1/May/2008 às 15:09
Ah, em relação ao Tibete, honestamente não entendo esse ôba-ôba, de “Tibete livre!”. A questão toda é de geopolítica, me parece. O Tibete já foi, por cerca de 700 anos, província da China. Houve um período relativamente independente, mas sempre sob o jugo dos lamas, massacrando os camponeses para garantir seu sustento. Quem quiser ler coisa parecida, é só lembrar d’O Nome da Rosa, do Umberto Eco, que descreve a cruel exploração dos camponeses pelos padres, inclusive trocando favores sexuais por comida, na Idade Média.
Além do mais, como você lembra, os tibetanos todos não obedecem ao modelo “monge simpático”. Há entre eles, várias divisões, algumas incluindo seitas guerreiras, aprendi recentemente. Pena que não tenho o link de momento, mas vou pesquisar.
Claro que é legítimo reclamar do “genocídio cultural” , seja lá o que for isso, mas objetivamente, o que me parece é que os investimentos chineses no Tibete acirraram contradições entre tibetanos e chineses - essas, totalmente capitalistas, como adora dizer o povo da direita daqui. É aquela coisa de “também quero meu celular que canta, dança e olha só, ainda faz e recebe ligações!”
Sem falar do fato de que a região é pobre Se conseguirem independência, que nem o Dalai Lama simpaticão reivindica, irão viver do quê, como lembrou o Surf, tempos atrás? Da venda de livros de auto-ajuda com o Dalai Lama simpaticão na capa?
22 Prøftël // 1/May/2008 às 19:00
Alba & Dino:
Olha, achei informações interessantes aqui:
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34399
Só uma “palhinha”:
“Anotações de Marco Pólo datados da época de sua visita à corte de Kublai Khan (imperador mongol da China) dão conta do Tibet ser uma das 12 províncias que formavam o Império Chinês. Uma série de outras evidências históricas poderiam ser citadas para demonstrar a legitimidade da soberania chinesa na região. O espaço não permite tanto, mas permite lembrar que desde o século 13 nenhum país reconhece o Tibet como território separado da China, assim como desde o século 18 as nomeações de autoridades regionais com status religioso e político (por exemplo, o Dalai Lama e o Panchen Lama) deveriam ser subscritos pelo governo central. Aliás, o próprio entrelaçamento entre poder religioso e público surgiu no Tibet, ainda no século 13, numa arrumação institucional que pudesse contemplar os interesses regionais (muito relacionados à religião) com os ligados ao Império como um todo, é produto da soberania chinesa (6). ”
:-)
23 Alba // 1/May/2008 às 19:41
Alê,
Você é otimo! :))))
24 Dino 5,4 % // 1/May/2008 às 23:19
Os panacas desinformados simpatizantes do budismo, tipo Richard Gere, mal sabem que o budismo tibetano na verdade se trata de xamanismo, muito mais para as religiões autócne praticadas nas estepes da Sibéria do que propriamente budismo, para dar uma dimensão para nossa realidade é como a Umbanda que é um sincretismo entre o catolicismo e o candomblé…
25 Prøftël // 2/May/2008 às 8:50
Brigadão Alba.
Sempre tive uma pulga atrás da orelha com esse lance de “Tibet”, alguma coisa não encaixava.
Esse seus comentários, os do Dino e esse artigo deram uma boa esclarecida na coisa.
:-)
26 Daniel Soares // 5/May/2008 às 14:02
Acabei de chegar de Moscou. Passei uma semana lá e voltei ontem. Fiquei hospedado no apartamento de uma família russa no subúrbio moscovita. Meu cunhado namora uma russa, então eu e minha namorada fomos hospedados por sua família. São Putinistas. Gorbatchov é odiado. Sinteticamente, o discurso daquela amável e bonachona família é “tínhamos um grande país, Gorbatchov destruiu tudo. Putin recomeçou a construir”. O nacionalismo russo é meio difícil de entender para nós brasileiros, em geral. Se sentiram humilhados pelo ocidente nos anos 90 e enxergam as ex-repúblicas soviéticas “rebeldes” (que tentam sair da esfera de influência de Moscou e adotam políticas pró-ocidente) como ingratos. Os georgianos “são loucos”. Assim como os lituanos, letões e estonianos. Os ucranianos “estão errados”. Quem disse aí em cima que são parecidos com brasileiros estão certo em parte. São passionais e barulhentos. As ruas tem quiosques, trânsito caótico, pouco respeito a pedestres e o sistema de transporte convive ao mesmo tempo com um metrô eficientíssimo (embora extremamente barulhento) e com um sistema de vans semilegalizadas e improvisadas muito similar ao brasileiro.
A transição atabalhaoda rumo ao capitalismo reflete-se no tipo de consumismo local. Ostenta-se muito na Rússia. No ônibus e no metrô as pessoas andam com roupas de marcas européias e americanas onde o mais importante é aparecer. Muito dourado, muito prateado, muito brilho e de preferência letras garrafais estampando a marca. Dolce & Gabbana, Armani, Chanel, Dior, Louis Vuitton, YSL, etc. Celulares são moderníssimos. O Dino 5,4% descreve bem a dinâmica da transição com a parábola do futebol americano. O mercado imobiliário está aquecidíssimo. Os apartamentos em prédios novos são sofisticados e caríssimos. Os antigos megaconjuntos habitacionais do tempo do comunismo onde moram a maior parte da população ainda tem sua área comum (mal)administrada pelo Estado. Tudo é meio largado e improvisado. Me lembrou os corredores dos prédios da UFRJ na Ilha do FUndão, com sua arquitetura modernista, vazamentos, infiltrações e elevadores arcaicos.
27 Daniel Soares // 5/May/2008 às 14:06
Faltou dizer, no quesito celulares, que o Brasil é muito parecido. Não é raro o caso de favelado com celular de R$2 mil. Seja aquele comprado em 36x na Casas Bahia com juros extorsivos ou o de chip comprado na “feirinha” (de produtos roubados) por preço módico.
28 ROFL // 13/May/2008 às 7:13
A mais pura verdade Daniel.
Moro na Estonia e aqui na capital (Tallinn), metade da populacao eh de origem russa. Voce ve de longe quem eh russo e quem eh estoniano.
As mulheres russas daqui sao exatamente o que voce descreveu, o que importa eh a marca e a quantidade de brilho e maquiagem. Moram em casebres ou apartamentos de no max 30 m2 mas o guarda roupa vale uma fortuna.
E tambem gostam de futebol, e tenho varios amigos russos que jogam uma pelada comigo toda semana :D
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