A China e a vitimização

China · 29/04/2008 - 11h34 - 73 Comentários

No fim de semana de 19 e 20 de abril, a China foi tomada por protestos anti-França. Eram os cidadãos respondendo à maneira como os franceses receberam a tocha olímpica.

Diz Simon Elegant, da Time:

Os manifestantes anti-França não são apenas uma minoria barulhenta e histérica; muitos dos chineses estão realmente com raiva daquilo que vêem como uma conspiração global para sujar o bom nome de seu país e arruinar as olimpíadas. É um momento ruim para um país que pretendia mostrar seu melhor lado ao mundo e, agora, está apresentando algo pior. Os chineses têm muito orgulho tanto daquilo que seu país conquistou nas últimas duas ou três décadas quanto do prestígio angariado com as olimpíadas. Mas muitos ainda sentem insegurança a respeito da posição da China no mundo e sentem-se assombrados pelas humilhações passadas nas mãos de estrangeiros que lhes são contadas desde a infância por um governo cada vez mais dependente de nacionalismo para manter sua legitimidade.

Ao invés de facilitar o serviço daqueles que, de dentro da China, procuram abrir mais o regime, os protestos ao redor do mundo estão unindo chineses e seu governo. Assim, aos poucos, vamos conhecendo um pouco mais da nova superpotência mundial. Na alma chinesa, incrustada, estão uma potente idéia de que se é vítima. De que o mundo conspira para derrubar a China.

O resultado, no entanto, é que qualquer crítica ao governo chinês é interpretada como uma ofensa ao país por um bom naco de chineses. Isto mantém o governo numa situação de conforto. Embora ele precise dar algum tipo de resposta internacional – uma conferência com emissários tibetanos, por exemplo – não precisar oferecer nada de muito sério. Não há pressão interna. O povo está ao seu lado.

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