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O mundo visto pelos leitores: Argentina

April 24th, 2008 · · 77 Comentários

Por Mr X

Faz uns bons seis meses que estou em Buenos Aires. Já conhecia a cidade, mas é a primeira vez que estou efetivamente morando aqui.

A visão estereotipada da capital argentina é o tango, churrasco, cemitério da Recoleta e feira de San Telmo. A cidade vai além: Buenos Aires é literária como poucas. Jorge Luis Borges localizou vários de seus contos na sua topografia e escreveu em um poema: A mi se me hace cuento que empezó Buenos Aires / La juzgo tan eterna cuanto el agua y el aire. Cortázar marcou o encontro dos personagens de ‘Los Premios’ no café London City, na esquina de Perú e Avenida de Mayo. Isaac Bahevis Singer visitou Buenos Aires e escreveu uma novela, ‘Escória’, que se passa em parte aqui. Não li o romance, não sei se o título foi inspirado na população local. O escritor vanguardista polonês Withold Gombrowicz morou aqui por trinta anos. O filósofo espanhol Ortega y Gasset também visitou e escreveu, ficou famoso, ‘Argentinos, a las cosas!’. Recomendava menos sonhos e mais ação. Italo Calvino também visitou e talvez tenha encontrado inspiração aqui para escrever o ótimo conto ‘A formiga argentina’.

Mas a visita mais famosa é a relatada pelo escritor portenho Marcos Aguinis no seu ótimo livro ‘O atroz encanto de ser argentino. É a visita do prêmio Nobel Jacinto Benavente. Contam que a todo momento o dramaturgo espanhol era incomodado com perguntas sobre o que achava da Argentina e dos argentinos. Não lhe davam sossego um único momento. E ele, calado, preferia não se pronunciar. Até que, do barco que o levou de volta à Europa, ele finalmente respondeu: ‘Formem a única outra palavra que pode ser formada com as letras de argentino.’ O barco já estava longe quando a multidão se deu conta que a única outra palavra que podia ser formada era ‘ignorante’.

Com o real alto, o dólar baixo e o peso irrisório, há muitos brasileiros hoje vindo de visita a Buenos Aires: escuta-se o português em qualquer esquina ou café. Na verdade, às vezes até parece que nem saí do Brasil. Tem brasileiro até demais. Xô, xô.

Buenos Aires recentemente também está virando a capital latino-americana do turismo gay. O que é curioso, pois, assim como ocorre no Irã, não existem homossexuais na Argentina. O que existem são só ‘muchachos medio alegres’.

As mulheres argentinas, em contrapartida, são muito bonitas, e de tipos quase tão variados quanto as brasileiras.

Teoricamente, os personagens recentes mais famosos da Argentina são Gardel, Perón e Evita. Mas um estrangeiro que julgasse apenas pela quantidade de imagens vendidas nas bancas de jornais em cartazes, pôsteres e calendários, acharia que os personagens mais famosos da história argentina recente são Che Guevara e Homer Simpson.


A Avenida Rivadavia divide a cidade em duas metades. Ao Norte, os bairros chiques de Palermo, Recoleta, Belgrano. Ao Sul, os bairros vão empobrecendo: Balvanera, La Boca, Barracas… Pegue o ônibus 60 e atravesse a cidade, observando as mudanças desde Recoleta a Barracas, o progressivo aumento da sujeira e a mudança da arquitetura do art nouveau para os blocos quadradões típicos dos anos 70.

Além dos tradicionais bairros de Recoleta, Palermo e San Telmo (o mais antigo, onde estão as milongas e sempre há um casal de dançarinos de tango se exibindo em plena rua), há outros bairros bastante característicos em Buenos Aires. Um deles, que você não encontrará em nenhum cartão postal, é o bairro de Once, que foi um dia o tradicional bairro judeu. Você não o encontra em nenhum mapa. O Once não existe. Oficialmente, só existe Balvanera, e o Once é um seu pedaço. Mas poucos usam o termo Balvanera. Todos sabem o que é o Once.

O Once é um bairro, a princípio, feio. Um bairro de compras. Lojinhas disputam a tapa os clientes. Ainda hoje fica ali a mais antiga e bonita sinagoga da cidade, e é possível ver judeus ortodoxos caminhando pelas suas ruas. É claro que o Once mudou muito. Antigamente, dizia-se que as lojas de tecidos eram todas dos judeus, as mercerias dos armênios, os bazares dos árabes. Hoje muitos judeus se mudaram para Villa Crespo e Belgrano, os árabes para Parque Patricios e outros, ao passo em que chineses, coreanos e peruanos com suas lojas de 1,99 é que estão tomando conta do mercado local. Um filme que mostra bem o espírito do Once é o ótimo ‘El Abrazo Partido’, de Daniel Burman.

Outra coisa que mudou a cara do bairro para pior foi o atentado à AMIA em 1994, realizado pelo Hizballah e encoberto pelo governo Menem. A partir de então, feios muros de cimento foram erguidos em frente a quase todas as instituições judaicas.

Buenos Aires é uma cidade bonita, mas ultimamente algo descuidada. Tem as calçadas esburacadas. O estado degradante de suas calçadas é tão terrível que se tornou uma das maiores queixas da população. Buenos Aires é também uma das cidades em que vi mais pessoas com probemas ortopédicos caminhando pela rua. Talvez os dois fatos estejam relacionados.

Desde a crise de 2001, dois novos personagens tornaram-se parte integrante da fauna: os cartoneros e os piqueteros. Os cartoneros são os nossos conhecidos papeleiros, que fazem do lixo seu negócio. Dizem que ganham mais do que muito profissional formado, até porque tem muito profissional formado que não encontra emprego (embora a economia tenha melhorado muito desde 2001). Já os piqueteros são manifestantes profissionais, a soldo do governo, da oposição ou de sindicatos, de acordo com as condições políticas. Argentino gosta de protestar. Não há dia em que não haja algum protesto, passeata ou bloqueio de ruas em Buenos Aires, complicando ainda mais o trânsito. Nos últimos protestos, devidos ao absurdo aumento de impostos sobre os produtos agrícolas, viu-se a lamentável cena de piqueteiros governistas dando porrada nos manifestantes espontâneos da população geral.

O novo prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, que também é o presidente do Boca Júniors, prometeu acabar com os piquetes. Alegou a existência de uma lei que exigia que toda manifestação deveria ser autorizada com antecedência pelas autoridades. No dia seguinte saíram os piqueteros à rua, para protestar porque não podiam mais protestar sem autorização. Assim é a política na Argentina.

Um dos grandes mistérios do país é justamente a sua política. Como é que um povo que nos deu Borges, Sábato, Sarmiento, Martin Fierro, bem como os dois únicos prêmios Nobel em ciências exatas da América Latina, tem uma política tão feia, corrupta, insana, com personagens tão lúgubres como Perón, Evita, Menem, Duhalde, Kirchner? Uma política na qual o partido quase único é o Partido Peronista, dividido entre suas diversas influências – os kirchneristas, os duhaldistas, os peronistas de direita, os peronistas de esquerda etc. O mistério se esvanece só quando você se dá conta que a Argentina culta e bem-educada é uma ilusão, provavelmente circunscrita a Buenos Aires. Há muita ignorância e pobreza ao redor. A compra de votos é política corrente.

Perón é um dos maiores culpados pelos desastres da Argentina atual. Um êmulo de Mussolini que abrigou nazistas e, anos antes do Lulismo, juntou muito roubo de dinheiro público com programas sociais assistencialistas para a população carente. Instituiu a cultura do assistencialismo em oposição à cultura do trabalho. Herdou uma Argentina que estava entre os países com maior PIB do mundo e a arrastou para a lama do populismo barato. A Argentina nunca se industrializou no mesmo nível do Brasil, ficou para trás em quase todos os quesitos. Hoje empresas brasileiras compram grande parte das indústrias nacionais. O peronismo e sua herança maléfica, disse o escritor Ezequiel Martínez Estrada, duraria 100 anos. Ainda faltam algumas décadas.

Come-se bem em Buenos Aires, embora a culinária argentina seja um pouco limitada. Vegetarianos ou pessoas com colesterol alto ficam com pouca opção. 90% do que se come é carne a la parrilla. Os outros 10% são as empanadas, as tartas, os vários derivados da culinária espanhola e italiana, e alguns pratos típicos do norte argentino a base do milho ou o feijão, como a humita, o locro ou os tamales. (O norte argentino é bem diferente de Buenos Aires, é quase outro país).

Buenos Aires é uma cidade de livrarias e cafés. Recentemente uma de suas livrarias, El Ateneo Grand Splendid, na rua Sanfa Fé, foi classificada em uma reportagem do Guardian entre as cinco mais bonitas do mundo. Ficou em segundo lugar. Uma das melhores coisas a se fazer em Buenos Aires é passear pelas suas várias livrarias e depois sentar em um café (pode ser desde o clássico Café Tortoni a qualquer café mais degringolado da Calle Corrientes), lendo ou observando as mulheres que passam. Vale a pena.

Tags: Argentina · Depoimentos

77 Comentários até agora ↓




  • 1 Nat // 24/April/2008 às 9:34

    Que bom que o Mundo Visto pelos Leitores voltou!!!! E com o ótimo MR. X! Parabéns!

  • 2 Antonio M // 24/April/2008 às 9:34

    “A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê de mais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar.” Albert Einstein.

    Pois é, nada para justificar as atitudes de nosso apedeuta-mor mas, de nada adianta cultura, protestos etc. se não há um projeto de governo, de nação. Projetos de poder há aos montes e isso corrói a AL faz tempo.

    E a melhora na economia desde 2001 na verdade foi a bonança mundial que está acabando ou estremecida e, Argentina, Brasil e tantos outros estão perdendo a chance de tirar melhor proveito…..

    Belo artigo Mr. X.

  • 3 Pax // 24/April/2008 às 9:38

    Belo texto. Parabéns.

    Senti falta de falar do rio, do porto. Mais ao sul tem uma das melhores churrascarias que já conheci. Pra variar, não lembro o nome. Você come olhando para o rio de águas marrom. Um pouco cara demais. Mas a melhor carne que comi.

    E, sim, falando em carne e seus pecados, as mulheres argentinas são lindas, adoram malhar. De uma feita, indo de Santiago para Buenos Aires trabalhando, bem cedinho, me apaixonei pelas pernas das duas aeromoças do antigo 737-200. De outra me apaixonei por uma lindíssima em Bombinhas, SC. Mas acho que as argentinas não gostam de dar para os brasileiros. Ou meu pero que si, pero que no, não funciona.

    Mr X deve estar com dores nos omeletes por lá.

  • 4 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 9:41

    o blog do Mr X stá muito bom.

  • 5 Nhé! // 24/April/2008 às 9:47

    Aleluia! O mundo visto pelos leitores voltou!!

    Gostei do relato, tá mais com jeitão de férias em B.A. ( minha irmã falou mais ou menos isso de lá, só que ela focou um pouco mais na feiúra dos argentinos, hehehehehe…)
    X, conta mais dos protestos por aí. Eles funcionam? Ou só atrapalham o trânsito mesmo?

  • 6 Barba Negra // 24/April/2008 às 9:50

    PD, só para ficar registrado. Ontem se completou 382 anos da morte do dramaturgo e poeta Miguel de Cervantes.

    Sobre o post concordo com o Mr.X. Buenos Aires é uma imensa biblioteca. Praticamente a cada quarteirão se encontra uma boa livraria e se vc tiver a sorte de conversar com o livreiro/dono da mesma aí está feito. Apesar da depauperação da economia e da cultura dos últimos anos, agravada agora com a gestão da famiglia Kirchner, ainda é mantida esta aura de respeito ao conhecimento.
    Estive por lá em novembro passado após uns 8 anos sem visitá-la. Senti o povo argentino, de uma maneira geral, muito mais receptivo aos brasileiros. Não ví um episódio de grosseria tão comum em passado recente quando seus narizes apontavam insistentemente para o céu. Hoje a realidade parece tê-los dado um choque de humildade. Isto é bom para todos, argentinos e brasileiros.
    Uma dica para quem fôr para lá: hospede-se em um hotel no centro antigo. Vc poderá caminhar por toda a cidade sem muito esforço ou se prefirir fazer os trajetos um pouco maiores de taxi, que lá são baratíssimos. É a melhor maneira de conhecer esta encantadora cidade.

  • 7 Lando // 24/April/2008 às 9:56

    Nossa! Achei uma porcaria.
    De todos “O Mundo Visto pelos Leitores” este foi o pior. O autor preferiu falar de si e mostrar erudição e preconceitos - aquelas velhas idéias que expõe constantemente neste espaço - a observar a cidade que há seis meses habita. Olha, mas não vê. Como sempre seus filtros mentais encobrem a vida ao redor…

  • 8 Prøftël // 24/April/2008 às 9:59

    Parabéns Mr.X e Pedro Doria, bela descrição.

    :-)

  • 9 Leila Ferreira // 24/April/2008 às 10:12

    Ganhei no meu último aniversário (03/03/??) “Toda Mafalda - da primeira à última tira”. Vou lendo devagar, sem pressa, cinco, seis tirinhas durante os cafés da manhã. E como ela é atual não é!
    Em tempo: adorei a narrativa Pax. Adorei!

  • 10 H.Romeu Pinto Reloaded // 24/April/2008 às 10:14

    Boa reportagem do Mr.!
    Um direitão em Buenos Ayres……EEEEEEEE…
    Gosto muto dela também!

  • 11 nada será como antes // 24/April/2008 às 10:22

    O texto está bem escrito. Mas Buenos Aires e a Argentina não se resumem ao peronismo, às manifestações e às idiossincrasias e preferências do autor.

    Buenos Aires é uma cidade muito agradável, plana, cosmopolita. Mas não acho as mulheres tão bonitas ; as “argentinas” mais bonitas e interessantes são as uruguaias que vivem lá.

    Além das ótimas livrarias, os sebos da Corrientes têm preciosidades a preços poéticos.

    Faltou dizer algo sobre os costumes porteños, como a pequena audiência da TV (saem às ruas no horário nobre). Também sobre a postura nas ruas, com ares mais sérios do que as nossas.

    Faltou, também, mencionar que BsAs tem uma periferia bastante distinta do quadrilátero central, formada por habitantes não-italianos .

    Julio Cortázar, argentino nascido em Bruxelas, soube perfeitamente definir os porteños, mesmo morando em Paris. É em bairros como o de Pacífico que mora a identidade média da cidade.

  • 12 H.Romeu Pinto Reloaded // 24/April/2008 às 10:30

    Gosto de Buenos Ayres no inverno….assisti alguns jogos a noite, no inverno, em pleno Monumental de Nuñez…….é demais!
    Bons e ricos tempos!
    EEEEEEEE

  • 13 Mr X // 24/April/2008 às 10:31

    PD,

    Podia ter me avisado, teria atualizado o texto… :-/

    Hum, Lando, se eu fosse tirar os “filtros mentais”, bom, aí era melhor ler qualquer guia de viagem…

    Os protestos, mais atrapalham do que ajudam, acho. Mas virou um modo de vida, me contaram que os piqueteiros governistas ganham “bolsa”, 100 pesos por pessoa por cada manifestação, mais alimentação. Os piqueteiros governistas atacam os anti-governistas, no caso agora, o pessoal do campo que está (justamente) protestando pelo aumento dos impostos.

    Fora isso, acho que a Buenos Aires de Borges e Cortázar não existe mais, embora mantenha alguns de seus atributos clássicos.

    Os porteños são os que tem mais fama de arrogantes; de fato, até o pessoal de outras regiões costuma reclamar.

  • 14 Lucia Malla // 24/April/2008 às 10:33

    Coincidência, Pedro. Hj tbm publiquei um post em meu blog sobre a Argentina - na realidade sobre o delírio coletivo sobre as Malvinas. Não diria q complementa o seu, mas acrescenta um pouco da perspectiva política que o Mr. X deu do país. :)

  • 15 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 10:35

    parece que erudição ofende…cuidado Lando, seu fracasso pode subir a cabeça.

  • 16 Mr X // 24/April/2008 às 10:35

    Faltou falar do futebol também… E atualizar com a fumaça que teve estes dias, e dizem que vai voltar…

    Pax, coloquei uma foto da minha namorada argentina no meu blog, olha lá. :-P Hahaha.

  • 17 Dino 5,4 % // 24/April/2008 às 10:36

    Buenos Aires recentemente também está virando a capital latino-americana do turismo gay. O que é curioso, pois, assim como ocorre no Irã, não existem homossexuais na Argentina. O que existem são só ‘muchachos medio alegres’.

    O X foi fazer “turismo” e gostou do que viu e foi ficando…

    No mais eu acreditava ter sido a ditadura militar de 1973-1983 que seqüestrou 30.000 pessoas, assassinou mais de 8.000, numa proporção maior que o Chile. Onde se roubava os bens e os bebês dos assassinados políticos, que levou o país a uma guerra insana e perdida contra a Inglaterra. De roubos, corrupção e impunidades dos milicos instalados no poder, os responsáveis pelos problemas enfrentados pela Argentina…

  • 18 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 10:40

    os problemas da Argentina foram criados pelo peron.

  • 19 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 10:41

    Fora do tema — PD

  • 20 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 10:42

    de modas que, se os mlitares argentinos alopraram o país, Lula reconhece que os (militares) brasileiros construiram um país.

  • 21 Darwinista // 24/April/2008 às 10:43

    Já tinha lido parte desse relato no blog do X.

    É bom, mas excessivamente preocupado com questões políticas e ideológicas. Pra alguém que não conhece a cidade, como eu, não acrescenta tanto.

    Mas vale principalmente pela volta do “Mundo…”, umas das melhores coisas do blog.

  • 22 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 10:47

    porra, se vocês querem saber mais de Buenos Aires, da Argentina, vão lá ou pesquisem na internet. O Mr X só deu suas impressões pessoais.

  • 23 Mr X // 24/April/2008 às 10:49

    Lucia,

    Muito bacana seu post sobre as Malvinas/Falklands.

    De fato, a questão da posse das Malvinas é usada para insuflar ânimos nacionalistas por todo e qualquer governo, seja qual for sua ideologia… Ninguém se importa com o fato dos “malvinenses” (na verdade chamados “kelpers”) não quererem de jeito nenhum ser parte da Argentina.

    O sul da Argentina tem muita influência britânica, até o Charles Darwin esteve aqui, sua tripulação adotou uns índios patagônicos que depois foram levados para a Europa, tem várias histórias interessantes…

  • 24 Antonio M // 24/April/2008 às 10:50

    Lula defendeu a CPMF, elogiou o Proer e agora os ex-presidentes militares.

    Só falta agora dizer que a ditadura militar foi um mal necessário e assinar sua ficha de filiação ao PSDB……

  • 25 Mr X // 24/April/2008 às 10:59

    Bom, se eu soubesse que o PD ia publicar, teria colocado mais coisas… Falado mais sobre a parte cultural e turística… Pro blog do Mr X, o que conta mesmo é a parte política.

    Outra coisa interessante ultimamente é a grande queda de popularidade da Cristina Kirchner, em pouco tempo de governo… Os Kirchners são descendentes diretos de Perón, é impressionante a semelhança em certos aspectos. O peronismo é a doença da Argentina. A ditadura militar também foi uma desgraça, sim, mas o pessoal esquece que aqui o fenômeno da guerrilha foi bem pior que no Brasil… Os “montoneros” (militantes peronistas de esquerda) eram muitos e organizados, os marxistas radicais também, e não era coincidência que Che Guevara era argentino… Não que isso justifique as perseguições e abusos que houveram. Mas a coisa aqui estava já bem ruim, mesmo antes do golpe. Aliás não foi a primeira ditadura militar na Argentina. O próprio Peron era militar, e, aliás, foi ele que começou perseguindo os comunistas, com a chamada Triple A. Depois, bizarramente, os esquerdistas ficaram do lado do Perón. Ainda hoje os esquerdistas atuais o vêem como uma figura “de esquerda”, quando ele não gostava de comunistas e era acima de tudo um simpatizante de Mussolini… Ironias da história…

  • 26 André Monnerat // 24/April/2008 às 11:12

    Estive em Buenos Aires mês passado. Pra mim, que moro no Rio, foi algo um pouco deprimente. A cidade é incrivelmente mais limpa e organizada, fora não ter as ruas sitiadas por pedintes, ambulantes, flanelinhas, malabaristas de sinal etc. etc. etc. Essa situação por aqui está sufocante, é impossível andar na rua por 5 minutos sem alguém vir lhe pedir dinheiro de alguma forma.

    O comentário sobre o Che e Homer é bem verdadeiro. Fora isso, é impressionante a força do Boca Juniors. Tem muito mais souvenirs do Boca do que da própria seleção argentina para os turistas.

    Outra coisa engraçada de lá são os locutórios - lugares normalmente dentro dos “kioskos” (espécie de mercearia reduzida deles) onde se juntam cabines com telefones, que você paga em dinheiro após o uso. Tem disso em todo lugar e eles usam muito. Pro turista, é bem prático pra ligar de volta pro Brasil, sai bem mais barato do que do hotel. Mas é curioso que pros locais isso tenha tanto uso, a não ser que eles por lá não tenham celular.

    E tem a publicidade, que é tão direta e sem sutileza que parece piada. É anúncio de cosmético dizendo “fique igual a uma top model”, de carro dizendo que “tem tudo o que você quer” e um sensacional de presunto que trazia apenas a foto do produto com a legenda “hmmmm, que presunto!”.

    Agora, nada mais engraçado do que assistir na TV à transmissão da torcida em jogos de futebol. Jogo do Boca ou do River, lá, parece que só em pay-per-view. Então, os canais normais, na hora destes jogos, transmitem a torcida - fica a câmera dentro do estádio, voltada pra arquibancada, enquanto o locutor vai narrando o jogo como se fosse pro rádio. Coisa de louco.

    E eles não têm nada contra brasileiros, ou pelo menos não demonstram. Inclusive, as Havaianas são o único chinelo que se vê a venda por lá, e a propaganda de ponto de venda é toda em português, com bandeira do Brasil grandona em destaque.

  • 27 Pax // 24/April/2008 às 11:19

    Mr X, desengonçado, eu vi sua namorada lá no seu blog desalmado. Tadinha da moça, tira pelo menos a bola da boca da menina, afinal é a pior amarra para uma mulher, acredito eu. Deixa ela pelo menos falar, reclamar que você deixou a toalha molhada em cima da cama.

    Sempre passo lá, assim como no do Ricardo Cabral, o Ágora. Mas desisti de comentar. Além de muito lenta a caixa de comentários, trava meu travante ser, a extensão de mim, esse micro desalmado e chato que tenho. Bem, chato acho que sou eu. Tadinho do meu micro.

    A frase do blog do Ricardo de hoje é ótima, por falar nisso: “A culpa é minha e eu ponho em quem eu quiser”.

    O velho e bom Chesterton defendendo o Mr X é um mimo. O amor é lindo.

    Leila: e é verdade, as aeromoças das Aerolineas Argentinas usam minisaias.

  • 28 Mr X // 24/April/2008 às 11:21

    Efetivamente, nunca vi nenhuma reclamação ou agressão ou até brincadeira contra brasileiros… Aliás todo o contrário, o pessoal adora o Brasil, os brasileiros, a música brasileira. Esse preconceito é mais de brasileiros contra argentinos.

  • 29 Dino 5,4 % // 24/April/2008 às 11:29

    E tem a publicidade, que é tão direta e sem sutileza que parece piada. É anúncio de cosmético dizendo “fique igual a uma top model”, de carro dizendo que “tem tudo o que você quer” e um sensacional de presunto que trazia apenas a foto do produto com a legenda “hmmmm, que presunto!”.

    André, eu explico, a publicidade deles não necessitam de tanta enrolação porque:
    As argentinas com qualquer cosméticos ficam igual uma top model, diga-se de passagem, até uma “cartonera” virou top model esses dias.
    Os carros deles tem tudo que eles querem, pois os argentinos estão desempregados e querem trabalho e os carros deles dão bastante trabalho, e o famigerado jamon deles, realmente não necessita de grandes rodeios, nisso os caras são bons…

  • 30 Darwinista // 24/April/2008 às 11:38

    Pro blog do Mr X, o que conta mesmo é a parte política.

    É isso X, pro seu blog esse relato está perfeito.

  • 31 Bruno // 24/April/2008 às 11:39

    Morei alguns anos em Palermo, nos anos Menem. Volto todos os anos, tenho muitos amigos e sou completamente apaixonado pela Argentina.
    O argentino, na verdade, é o povo mais parecido com o brasileiro. Não consigo expressar claramente o por quê, mas deve ser uma mistura da colonização ibérica, do fato de estarmos neste canto do mundo, da sensação de potência que já foi ou pode vir a ser, da resignação com o estado lamentável das coisas…é preciso viver lá, conhecer o argentino de verdade, para perceber isso. Há muito mais coisas que nos aproximam do que coisas que nos distanciam.
    Eles parecem ter a consciência disso, e talvez por isso tenham extremo carinho e admiração pelos brasileiros. O portenho tem uma coisa meio elitista, e realmente há uma discriminação em relação a outros argentinos, mas acho difícil alguém ser mal tratado só pq é brasileiro (há pessoas mal-educadas por todas as partes, incluindo entre argentinos e turistas brasileiros). A rixa existe muito mais de nossa parte - até mesmo no futebol, em que tirando a óbvia tensão quando há confrontos diretos, copa do mundo, etc., eles revelam sem pudores a admiração pela nossa forma de jogar e nossos craques. É muito mais difícil no Brasil vermos um texto laudatório ao futebol argentino.
    O portenho médio é muito mais intelectualizado que um paulista ou carioca médio. Aqui o estereótipo é verdadeiro. Eles lêem muito, e têm uma relação especial com as artes em geral.
    Uma boa noção dos novos (jovens) portenhos: Palemo Chico, uma coisa meio fervilhante, descolada. Essa esta em todo guia, mas vale a pena ver.
    Uma boa idéia da velha elite: Martinez e San Isidro, bairros fora da cidade, seguindo o rio em direção ao Tigre (no Delta mesmo não tem nada, não precisa ir até o final). Castelos que não se encontram no Jardim Europa, uma cara de subúrbio americano. Também os countrys, clubes/condomínios com campos de golfe e polo. E Recoleta e Palermo.
    A cidade é muito mais pobre hoje do que 15 anos atrás, mas está bem melhor que há 7 anos. No final de 2006, todos otimistas. No final de 2007, bastante pessimismo. A inflação é real é mascarada pelo Kirchner (coisa do tipo a diária de um hotel quse dobrar em dois meses - vi uns amigos organizando eventos e passando aperto com essa instabilidade).
    Sou vegetariano, e não tenho muitas dificulades lá - mas todo dia acabo comendo alguma coisa com queijo, tomate e azeitona. Para quem é vegetariano: medialunas e muitos pães e biscoitos levam banha.
    Coisas/lugares bons de se comer: Sanjuanino, empanadas roots, na rua atás do Hotel Alvear. Sorvete no Un’altra volta, tem um perto do La Biela, na Recoleta. Café da manhã no Mark’s em Palermo Viejo (El Salvador, acho). Alfajores sempre de maicena (aquele branco com doce de leite no meio, umas raspas de côco - pra comer Havanna vc come no Brasil, não é nem de longe o melhor alfajor). O árabe do clube sírio-libanês, na recoleta, é muito bom. Ah, café da manhã no Alvear - 70 pesos muito bem gastos.
    Passeio divertido: ir de bike de palermo até o monumental de núñez, sempre entre os parques.
    Se quiser ir à bombonera, é bom ir com um local - a boca à noite não é o lugar mais tranquilo.

  • 32 aiaiai // 24/April/2008 às 11:41

    Mr. X,

    Muito bom o relato.
    Na área gastronomica, vou te dar uma dica: você conhece o Il Pupo ou El Pupo? É um restaurante de frutos do mar, bem na região central…delicioso e nem é caro.

    No mais, conta ai pra gente: tá tendo sorte em terras argentinas? Já conheceu algum desses ‘muchachos medio alegres’ para lhe fazer companhia?

  • 33 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 11:43

    Peron protegeu nazistas durante e após a guerra, quando importou cientistas alemães e até o Adolf Galland, o ás maior nazista.
    Vai ver é por isso que os comunistas gostem tanto dele.
    Guerrilha na argentina foi profissional, daí a reação dos militares, que foram mais selvagens ainda.

  • 34 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 11:46

    a propaganda do presunto me parece bem normal…

  • 35 Dino 5,4 % // 24/April/2008 às 11:51

    Peron protegeu nazistas durante e após a guerra, quando importou cientistas alemães…

    É só trocar Perón por EUA, que a frase continua correta…

  • 36 Fábio Max // 24/April/2008 às 11:55

    É uma cidade com apenas um problema: é situada na Argentina

  • 37 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 11:56

    os EUA pegaram Von Braun e outros foguetólogos, mas não protegeu nazistas durante a guerra.

    procurem no youtube, secret weapons of the luftwaffe, é bem interessante o progrma em 5 partes

  • 38 Dino 5,4 % // 24/April/2008 às 12:02

    aiaiai, apesar de não conhecer o restaurante posso apostar pela especialidade (frutos do mar) que o nome do dito restaurante seja El Pulpo…
    ( O Polvo).

  • 39 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 12:05

    O Luli….

  • 40 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 12:06

    Il calamari….

  • 41 Mr X // 24/April/2008 às 12:10

    Bruno,
    esse que eu acho um dos maiores inconvenientes pros vegetarianos (ou pra quem precisa controlar o colesterol) na Argentina: muita coisa aqui, de media-lunas a alfajores até a chocolates, tem “grasa vacuna”, isto é, gordura animal, e nem sempre é claro, tem que olhar a lista de ingredientes, quando tiver.
    A vaca é a principal matéria prima aqui…

    A inflação mascarada é outro problema. E provavelmente vai piorar, com o desastrado jeito que o governo está gerindo os problemas no campo.

    Aiaiai, o nome do restaurante deve ser El Pulpo… É polvo em castelhano. Quanto aos gays, não sei pois não sou da área, talvez você e o Dino que estão tão interessados no tema possam vir aqui e depois contam pra gente. ;-)

  • 42 surfando na jaca // 24/April/2008 às 12:15

    É, o mundo é uma caixinha de surpresas. Incrível o texto do direitoba Mr. X em dois aspectos: ter feito uma redação e citado autores de esquerda, os perigosos comunistas Cortázar e Calvino. Estou surpreso.

  • 43 RW in Miami // 24/April/2008 às 12:16

    Mr. X,

    Excelente relato - gosto tanto de Bs. As. que ate casei com uma argentina…
    E um dos grandes prazeres da vida e’ tomar um cafe con leche y medialunas de manteca na Biela e ver o povo passar…

  • 44 Dino 5,4 % // 24/April/2008 às 12:17

    Fora do tema — PD

  • 45 Mr X // 24/April/2008 às 12:19

    Eichmann esteve na Argentina, claro, protegido, e só saiu daqui sequestrado pelo Mossad. Também Mengele passou por aqui e, dizem alguns, até o Hitler, que na verdade não morreu…

    Acho que a diferença foi que os EUA pegou os cientistas, a Argentina protegeu os nazistões mesmo, o pessoal das SS, etc, por simpatia do Perón, esse fascista hoje amado pelas esquerdas:

    http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2541762,00.html

  • 46 Mr X // 24/April/2008 às 12:22

    Dino,
    Leia a entrevista que linkei acima, quem mais ajudou os criminosos nazistas a escaparem, além do Perón, foram os Suiços… Naturalmente, já que grande parte do ouro nazista ainda está lá. E hoje os suiços fazem acordos bilionários com o Irã… É, eles não gostam muito de judeus…

  • 47 Chesterton Dracul // 24/April/2008 às 12:23

    bem, até o Ferdinand Porsche andou preso….impossivel falar de Argentina sem citar Peron e os nazistas….

  • 48 Mr X // 24/April/2008 às 12:27

    Surfe,

    Cortázar era comunista de carteirinha toda a vida, era sintomático que morasse em Paris (comunista de verdade morava em Paris, não em Havana ou Moscou).

    Mas o Calvino renunciou ao comunismo desde 1956, quando tinha apenas 33 anos…

  • 49 Dino 5,4 % // 24/April/2008 às 12:37

    Neocid e X, vocês não sabem ler? Não sou eu que digo, são os arquivos do governo americano.

  • 50 Marcelo // 24/April/2008 às 12:38

    Caramba! Outro nicho direitoba!

  • 51 surfando na jaca // 24/April/2008 às 12:50

    MR X,
    Para vcs. , o Calvino será sempre um temível comunista, já que a saída do PCI não significou abandono das idéias socialistas por Calvino. Assim explica Calvino o seu abandono do stalinismo em 1956 e do partido:

    O stalinismo era também a máscara melíflua e bondosa que escondia a tragédia histórica em curso.

    Os estrondos de trovão de 1956 dissolveram todas as máscaras e proteções. Muitos dos que se reconheceram naquela hora da verdade se religaram depois às matrizes revolucionárias do comunismo (e quase todos aceitaram uma nova imagem mítica, com aspectos diferentes mas não menos passíveis de mistificação: Mao Tsé-tung). Outros tomaram o caminho mais prático do reconhecimento do existente para tentar reformá-lo, alguns com otimismo racionalista, alguns com senso de limite, do pior a evitar, da relatividade dos resultados. Não segui nem os primeiros nem os segundos: para ser um revolucionário me faltava o temperamento e a convicção, e a modéstia do horizonte reformador (do mundo socialista ou do capitalista) me parecia que não poderia me curar das vertigens dos abismos que havia renteado. Assim, mesmo continuando amigo de muitos dos primeiros e dos segundos, fui aos poucos encolhendo o lugar da política em meu espaço interior. (Ao passo que a política ia ocupando cada vez mais espaço no mundo externo.)

    Talvez em minha experiência a política permaneça ligada àquela situação extrema: um senso de necessidade inflexível e uma busca do diferente e do múltiplo num mundo de ferro. Então acabarei dizendo: se fui (mesmo a meu modo) stalinista, não foi por acaso. Há componentes de características próprias àquela época que fazem parte de mim mesmo: não acredito em nada que seja fácil, rápido, espontâneo, improvisado, aproximativo. Creio na força do que é lento, calmo, obstinado, sem fanatismos nem entusiasmos. Não creio em nenhuma libertação individual ou coletiva que seja obtida sem o custo de uma autodisciplina, de uma autoconstrução, de um esforço. Se a alguém esse meu modo de pensar pareça stalinista, pois bem, então não terei dificuldades em admitir que nesse sentido ainda sou um pouco stalinista.

  • 52 surfando na jaca // 24/April/2008 às 12:51

    Amigo Marcelo,
    venha lanhar as lombas direitobas daqui de vez enquando. Seja bem-vindo.

  • 53 André Monnerat // 24/April/2008 às 12:58

    Eu gostei de comer por lá, apesar de ter achado que as carnes deles impressionam mais por serem macias do que pelo sabor mesmo.

    Agora, é impressionante como tudo é com batata frita!

  • 54 César // 24/April/2008 às 13:16

    Mr. X

    Belo relato. Estive lá duas vezes, mas me diga uma coisa: por que o norte da Argentina parece outro país? Mais ainda: há muita ignorância nas periferias das grandes capitais e em certas cidades do interior como há no Brasil?

    Abraços

  • 55 Guilherme // 24/April/2008 às 13:39

    Da Argentina, só posso dizer que Maradona foi duzentas vezes melhor que Biro-Biro.

  • 56 Guilherme // 24/April/2008 às 13:49

    E mais uma coisinha: Em 1978 fui de carro a Posadas. No meio da rodovia, o exército nos parou, mandou abrir as malas. Um soldado, com a ponta do fuzil revirou tudo. Depois disse: “qué pasem!” Coisa fina. Nessa época, quem mandava era Dom Videla.
    Em Posadas, sábado à tarde saímos para andar pela cidadezinha. Quarenta graus centígrados. Estávamos de shorts, e fomo parados por um senhor que nos olhou sério e perguntou: “-Donde están las pantalones ?”

  • 57 Barba Negra // 24/April/2008 às 13:56

    Notícias sobre a porcada magra que também assola a Argentina, tal como a nossa atual.

    Linkando o La Nación: http://www.lanacion.com.ar/1005865

    (…) Decía Maquiavelo que el que quiera engañar siempre encontrará a los que quieren ser engañados. Los dichos de Cristina y sus acólitos, de los que consignamos aquí sólo algunos ejemplos como botón de muestra, implican graves distorsiones. Pero ¿sólo son casos de un abuso de propaganda destinado a la parte menos informada de la sociedad, a los millones de “clientes” de una vasta red de captación, o reflejan algo más profundo? ¿Hay, en los Kirchner, únicamente un proyecto deliberado de manipulación o por detrás de él también gravita una falla de su propia percepción que los tiene no ya como victimarios por lo que dicen sino como víctimas de lo que piensan? ¿Se reduce todo acaso a seguir a ese maestro de la propaganda que fue Joseph Goebbels cuando decía “miente, miente, que algo queda” o el despliegue de la propaganda oficial traduce auténticos errores frente a la incómoda realidad?

    Al distorsionar la realidad, el gobierno de los Kirchner no sólo desinforma a las masas que lo siguen; se daña también a sí mismo. Demos sólo un caso. La Presidenta cree ser una gran oradora. Es para muchos evidente, empero, que sus encendidas arengas, más que beneficiarla, la perjudican. Fue por este efecto “búmeran” que sus asesores le aconsejaron hablar menos durante las campañas electorales. Y es evidente también que parte de la crispación que hoy agita sobre todo a las clases medias urbanas, y ya no sólo al campo, se debe a las sobreactuaciones discursivas de la Presidenta. Pero ella insiste. ¿Nos hallamos aquí frente a un exceso de la propaganda destinada a terceros o frente a un propio error de percepción? (…)

    Os porcos são os mesmos, os métodos são os mesmos, os objetivos idem. Pobre América Latina.

  • 58 Chesterton // 24/April/2008 às 14:50

    Perón había estado en la Italia de Mussolini como agregado militar y cuando volvió a la Argentina habló de Mussolini –y también de Hitler– con gran entusiasmo y admiración. Durante la guerra, Perón tuvo muchos contactos con el servicio secreto de la SS, que operaba en Sudamérica, o sea que no es algo que haya comenzado después de la guerra, sino que ya durante la guerra Perón tuvo contactos con oficiales de la SS.

  • 59 josef mario // 24/April/2008 às 14:55

    Companheiro Mr. X
    Eu, josef mario, devo dizer que, muito a contragosto pela sua condição de direitão, reacionário e fascista, sou obrigado a admitir que o texto do companheiro está muito bom. No passado costumava passar longas temporadas em buenos aires, porém, agora já fazem quase 4 anos que lá não ponho os pés. É possível até, caso o mengão venha a cruzar com o boca juniors na libertadores, que eu, josef mario, me anime a voltar à buenos aires. Aliás, em buenos aires ou qualquer outra cidade do mundo, a melhor maneira de se saber, rapidamente e de forma confiável, a situação da política, economia, futebol e, até mesmo, quem tá comendo quem, é entrar em um taxi e puxar assunto com o motorista. Em buenos aires, particularmente, onde os motoristas de taxi tem ou pelo menos tinham, em geral, excelente nível cultural (como reflexo da crise, muitos profissionais liberais e pequenos empresários acabaram por virar motoristas de taxi), esta fonte de informação é prioritária para se conhecer e entender bem a situação atual da argentina.
    Muito obrigado

  • 60 Mari-Jô Zilveti // 24/April/2008 às 15:07

    Mr X e Pedro Doria, eu conheci BUenos Aires há mais de duas décadas, na época da ditadura braba. Eu era uma molecona. Por ter parentes na cidade, pude conhecer o lado nada turístico. Ainda tenho boas lembranças de lá.

    Décadas depois, voltarei a BA. Precisamente, na próxima semana.
    Pena que ficarei pouquíssimo tempo. Talvez nem a reconheça. Ou será que minha memória quer guardar a cidade do início dos 80?
    Mas ainda trago nas minhas reminiscências a Buenos Aires de Borges e de Bioy Casares. Apesar de ser fã de Casares, gosto também de Piglia, que retrata na sua narrativa outra Argentina, outra Buenos Aires.

    Também carrego na minha memória alguns filmes, que revelam uma cidade sem nenhum glamur.
    Da época da ditadura, “A História Oficial” ainda é um marco e pude revê-lo há dois anos.
    Da última década, “Un abrazo partido” e “Buenaerense” (talvez com grafia errada) evidenciam uma Argentina mais dura.

    Abraços,
    Mari-Jô Zilveti
    http://nomadismocelular.wordpress.com

  • 61 Zé Bush // 24/April/2008 às 15:25

    well…já visitei a Argentina várias vezes e conheço muitos colegas daquele país. É um país belíssimo que teve tudo para ser uma verdadeira potência econômica, pelo menos regional. Mas perdeu-se no peronismo populista e na manutenção de uma elite agrária avessa a industrialização. Perdeu o bonde da história e hoje se conforma em pedir dinheiro emprestado a Hugo Cháves…..

    O argentino médio não se considera sul-americano, quando muito um europeu deslocado em terras austrais. Odeiam índios (chamam bolivianos e paraguaios de índios) e procuram manter um ar europeu na sua vida. Mas é um povo culto e batalhador.

    E eu já comi uma argentina. Muitas vezes. Não tiro aquela mulher da cabeça.

  • 62 Vixe // 24/April/2008 às 15:58

    Zé Bush

    Já ouvi dizer que argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês… kkkk
    Brincadeirinha “hermanos” kkkk

  • 63 Mr X // 24/April/2008 às 16:14

    Josef Mario,
    De fato, algumas das melhores análises políticas e sociológicas, bem como as notícias sobre corrupções e conchavos que não saem no jornal, foram as que escutei de motoristas de táxi portenhos.

  • 64 Leave a comment // 24/April/2008 às 17:25

    Os motoristas de taxi daqui da cidade onde habito estão envolvidos em prostituição, formação de quadrilha, uso de radio frequencia, assaltos, tráfico de drogas e outros crimes. E delitos como adulteração de taxímetro.

    O alto grau de banditismo na categoria deve-se ao fato de saberem todos os caminhos e vias da cidade, bem como terem contato com toda a podridão das ruas.

    Não é a toa que nem os bandidos da cidade toleram os taxistas. Vez em quando um taxista é morto por bandidos. E eles em contrapartida lincham bandidos quando perseguem “o colega” em quadrilhas organizadas.

    Ha…os daqui lêem (ou fingem que lêem) jornais. Mas acredito piamente que seja a pagina policial (para verem conhecidos seus) ou a pagina de esportes.

    Sobre o comportamento de argentinos, tive a oportunidade de ver em um jogo palmeiras contra um time argentino, um brasileiro negro, ser chamado de macaco (maquaquito) com direito a imitação e expressão corporal, de argentinos próximos ao alambrado, imitando macacos, toda a vez que havia escanteio.

    O pobre rapaz não “ligou”, mas creio que este tipo de constrangimento independente da raça, desmerecendo as raízes culturais e a etnia, comparando-o, pelo simples fato de ser negro a um animal irracional (ou menos racional que o homem), é degradante, e causa sem dúvidas cicatrizes na alma.

    O brasileiro ironiza o comportamento do argentino. O argentino ironiza a etnia e a raça do brasileiro. Este é o Xis da questão.

  • 65 josef mario // 24/April/2008 às 17:39

    Companheiro leave a comment
    Eu, josef mario, devo dizer que, nas inúmeras vezes que já estive em buenos aires, sempre fui muito bem tratado pelos companheiros argentinos. Os companheiros argentinos, de uma maneira geral, apeciam e, de certa forma, até invejam, a alegria e o otimismo particularmente do carioca. Acredito que esta rivalidade e eventuais preconceitos estejam restritos às partidas de futebol. O companheiro Mr. X poderá confirmar ou retificar minhas palavras já que vive os e a realidade atual da argentina ou, mais particularmente, de buenos aires.
    Muito obrigado

  • 66 ioio // 24/April/2008 às 17:52

    Mr. X gostei das suas impressões. Olha lá tem outras coisas legais como o museu do Constantini, o Fernández Blanco e o Belas Artes..pra quem gosta…claro!!
    Na verdade o habitante do Buenos Aires é quase igual ao paulista….um pouco mais culto, talvez. Também as cidades tomaram rumos parecidos…a 25 de março deles é a uma parte da Av. Códoba e a Florida. O Once é o Bom Retiro e Avallaneda tem ares de Guarulhos.
    Diferente da Nhé, acho os homens bonitões o que estraga é aquela campera, mocassim com meia e “a ver” ou “claro”!!

  • 67 Zé Bush // 24/April/2008 às 20:18

    well….a frase é de Borges.Algo do tipo “o argentino é um italiano que fala espanhol, quer viver como inglês e pensa que é francês”.

    Mas é só argentino mesmo…..

  • 68 Linda // 24/April/2008 às 20:18

    Puxa, parece que todos já foram a Buenos Aires. Estimo um convite Mr X.

    rs…brincadeirinha! O texto está bem legal. E os complementos de todos tb, dá para ter uma idéia de Mi Buenos Aires Querido.
    Engraçado, nunca tive nada contra argentino. Ainda mais que ainda guria apaixonei-me pelo Perfumo. Não entendia de futebol mas, já reconhecia um homem bonito (tá parecendo comentário da Nat…um beijo, Nat! rs). E culto.
    Depois o Sorin veio para o Cruzeiro e a paixão por argentino só dobrou. Vibração e cultura, assim é a idéia que eu tenho do povo de lá.
    E, Josef Mario, espero que não tenha que ir à Argentina este ano para torcer para o Flamengo contra o Boca Juniors. Afinal, Riquelme, Paletta, Dátolo, Cáceres e cia. vão estar aqui em BH em 07/05. Espero que Wagner, Moreno, Fabrício, Ramirez, Guilherme e cia. os mande chorar na Bombonera que é lugar quente.

  • 69 aiaiai // 24/April/2008 às 21:25

    aiaiai,

    chega por hoje, vou dormir

  • 70 T.T. Cricket // 24/April/2008 às 21:47

    O Mr. X esqueceu de falar de outro lugar de Buenos Aires que nao existe: la Villa 31 (eles falam “la bicha 31″, o que me levou a pensar que numerassem os gays da cidade). Mas la Villa 31 e apenas a favela mais violenta de Buenos Aires e fica no bairro do Retiro, uma das areas mais caras da capital argentina.

  • 71 Dom Casmurro Patriarca // 24/April/2008 às 21:53

    Zé Bush, 67,

    conheço uma frase que diz assim: “Angentino é um mestiço de italiano com índio e que se julga europeu.”

  • 72 Clara // 24/April/2008 às 22:49

    Mr. X,

    só agora pude ler o teu texto com a calma que ele merece. E…parabéns, você arrazou! Amei.

  • 73 Clara // 24/April/2008 às 22:51

    E sim, vi o “O Abraço Partido”. Sou muito fã do cinema argentino contemporâneo e vejo quase tudo.

  • 74 Dom Casmurro Patriarca // 24/April/2008 às 23:03

    69 aiaiai ,

    também, depois de um 69, você tem mais é que dormir mesmo.

  • 75 confetti caminha perto das melancias // 25/April/2008 às 4:59

    nice try, chose !! nao vai falar da bicha 31 ? kkk

    dracula # 22, concordo ! o interessante do “mundo visto pelos leitores” é que se trata de visoes pessoais ! quem quiser roteiro turistico e tratado-socio-politico-completo que compre um guia e assine imprensa local ! )))
    quando dr andré falou da australia foi a mesma coisa : insatisfeitos criticando a visao “parcial” do cara….

  • 76 Elias // 25/April/2008 às 12:57

    Belo texto, Mr X.

    No mais, concordo com Guilherme e acrescento: Maradona foi um jogador de futebol bem melhor que o Dadá, o Fio, o Cafuringa e o Macalé, juntos.

  • 77 Meu Google Reader (22/04 - 30/04) | 30 & Alguns // 3/May/2008 às 12:28

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