Clinton venceu na Pensilvânia por duas razões: apenas democratas votam nas primárias de lá e o estado é dominado por idosos que fecham pesado com a senadora.
Embora alegue que seja mais elegível, Hillary nunca se deu bem entre eleitores não filiados ao Partido Democrata. E Obama, quando apenas democratas votam, costuma perder. O fato de as primárias da Pensilvânia serem fechadas deu a ela uma vantagem considerável.
O eleitorado mais velho está indo para os braços de Clinton porque teme o que Obama pode fazer como presidente. Aqueles com menos de 45 anos, menos preocupados com a questão racial, preferem Obama. Na Pensilvânia, essa divisão ajudou a candidatura dela.
Dos 50 estados que compõem os Estados Unidos apenas a Flórida tem uma população com mais de 64 anos maior do que a da Pensilvânia. Mas há uma diferença: os da Flórida se mudaram para lá após a aposentadoria; os da Pensilvânia foram deixados quando seus filhos se mudaram de estado.
Os democratas da Pensilvânia, em outras palavras, têm medo do futuro. Eles gostam da maneira antiga de fazer as coisas e têm simpatia pela idéia de dinastias – elas lhes são familiares. Veja o caso de dois políticos locais, ambos de nome Bob Casey. Um foi governador. O filho é senador.
A leitura é de Dick Morris, um dos mais hábeis intérpretes de pesquisa e de tendências políticas nos EUA.
Não custa lembrar que ele foi muito próximo de Bill Clinton, uma eminência parda em seu primeiro governo; também cabe lembrar que, após um escândalo envolvendo uma prostituta, foi abandonado pelos Clintons. Por conta das mágoas passadas, Morris não gosta de nenhum dos dois – um sentimento que compartilha com muitos dos caciques do partido.
Mas este é justamente o maior problema de Hillary. Ela dependerá dos caciques e subcaciques democratas para garantir sua candidatura. Quase todos têm uma historiazinha passada de amargura.
dica do Paulo Gontijo




