Deus e o diabo na terra do Sol
Os filmes que aprendi com minha mãe
April 21st, 2008 · · 65 Comentários
Tags: Cinema
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Deus e o diabo na terra do Sol
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65 Comentários até agora ↓
1 Cristiano, direto do Arpex // 21/April/2008 às 16:11
Glauber Über Alles!
2 surfando na jaca // 21/April/2008 às 16:29
Volta, Albinha! Seja macha! Eu te dou cobertura!
3 Fabio Passos // 21/April/2008 às 18:32
“Mais fortes são os poderes do povo!”
E Terra em Transe também é fantástico… é o melhor cinema já feito no Brasil.
4 Prøftël // 21/April/2008 às 20:22
É Alba, esses post’s são sua área.
Deixa disso, aparece por aqui.
Olha que eu começo a falar besteira do Glauber heim?
hehe..
:-)
5 Alba // 21/April/2008 às 21:07
Surf e Proftel
e-mail procês.
6 Dom Casmurro Patriarca // 21/April/2008 às 21:32
Lembro-me do Glauber Rocha, com aquele seu jeito meio maluco, fazendo um programa de entrevistas onde não deixava o entrevistado falar.
Nunca esqueci da entrevista com o Jorge Amado.
O Jorge, com toda aquela sua fala mansa e imensa paciência, logo que começava a falar, era atropelado pelo Glauber.
Jorge dava um sorriso compassivo e começava a falar de novo e novamente era atropelado.
Que canceira.
Glauber tentou ir fundo na mente humana e ficou perturbado.
Se tivesse sobrevevido, certamente teria se tornado um homem sábio.
Mas o nosso genial cineasta foi tragado pelo tsuname dos abismos mentais.
Mas em sua curta vida deixou algumas obras de valor, como dizem, é o que conta.
7 Dom Casmurro Patriarca // 21/April/2008 às 21:38
sobrevevido = sobrevivido.
8 Laila // 21/April/2008 às 21:40
Oi surf!
Adoro teus comentários, não vai nos deixar na mão einh, nada de abandonar o barco ? Onde anda a Memento? Outra que eu gostava muuuuuuito de ler.
Saudações gremistas!
abraço
9 Arnoud // 21/April/2008 às 22:05
Pedro,
acho que pode te interessar, até por que você já tratou deste assunto aqui.
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2763082-EI6782,00.html
Uma entrevista com Gilles Lipovetsky tratando do UltraLuxo.
10 Brancaleone // 21/April/2008 às 23:00
Eu vou apanhar quenem muié de bandido, mas tenho que dizer:
Glauber era um saco e os filmes dele um porre que a intelectualha adora adorar . Nenhum modernoso cinematográfico diz o que eu digo pois vão parecer que “não entenderam a mensagem” da metafórica linguagem cinematografica que ele dizia usar.
Mas aqui tem gente que acha que o sujeito pode cometer as maiores barbaridades desde que seja brasileiro e tenha reconhecimento da intelectualha no exterior. Fazem a mesma coisa com aquele arquiteto que faz esculturas em concreto pros outros morarem dentro…
11 Cristiano, direto do Arpex // 22/April/2008 às 0:16
Brancaleone, já assistiu algum filme do Glauber?
Qual?
12 T.T. Cricket // 22/April/2008 às 5:30
Parafraseando aquele rapaz do casseta: os filmes do Glauber sao uma merda.
13 T.T. Cricket // 22/April/2008 às 5:32
Alias, os filmes brasileiros sao uma merda.
14 confetti // 22/April/2008 às 5:38
josua kkk
nao conheço muito bem glauber rocha, mas ele inventou a nouvelle vague do cinema brasileiro ! seus filmes sao barrocos e em fase com sua época e suas neuroses ! ele é respeitadissimo na europa…com certeza conta muitissimo em nossa cultura brasileira…gosto dele, respect total !!
aqui um manuscrito seu com “coisas pra fazer em paris” :
http://www.tempoglauber.com.br/Ingles/GR/Manuscripts/thingsparis.htm
15 confetti // 22/April/2008 às 5:38
cricket iconoclastaaaa ! hahahhah
16 confetti // 22/April/2008 às 5:40
aqui um link precioso, com absolumente tudo sobre glauber ! presente pra vc….
http://www.tempoglauber.com.br/Ingles/principalig/indexB.htm
17 confetti // 22/April/2008 às 5:44
de onde me vem essa impressao que muitos brasileiros nao valorizam nossa cultura nem nossa raizes ? fala-se de cinema com desprezo, de indios com desprezo, de especificidades nossas com desprezo….uma pena !! o brasil é meu orgulho e meu amor, faça ele o que fizer !
ich, so faltei cantar que ouviram do ipiranga ! kkk
18 Brancaleone // 22/April/2008 às 8:04
Esta coisa de ” respeitadíssimo no exterior ” é relativo, muito relativo. Vejam o paulo coelho por exemplo. Vende livro prá c… lá fora e sua única habilidade mágica é transformar papel e letras em lixo…
Vai daí que se tem que ter cuidado com o que é ” repeito no exterior”…
19 confetti // 22/April/2008 às 8:06
claro branca, mas vc nao ta comparando glauber com paulo coelho, ta ?
20 Brancaleone // 22/April/2008 às 8:06
Mas eu me orgulho do meu País!!!
O problema são uns e outros que por aqui nascem e em nome desta “brasilinidade” perpetram asneiras travestidas de nacionalismos culturais.
O Brasil é uma maravilha, já seu povo e boa parte de sua intelectualha…
21 josef mario // 22/April/2008 às 8:31
Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
Eu, josef mario, devo dizer que nunca vi filme algum deste companheiro glauber rocha. Todavia, estes companheiros intelectuais de boteco da esquerda festiva 12 anos envelhecida, costumam ser um saco. Aliás, o único filme nacional que assisti nos últimos 80 anos foi “meu nome não é johnny”, baseado no livro homônimo do companheiro guilherme gugui fiuza. E, assim mesmo, porque recebi os ingressos (para mim e para a minha namorada) digrátis.
Muito obrigado
22 surfando na jaca // 22/April/2008 às 8:53
Eu gosto de ver a sensibilidade e os estereótipos de algumas pessoas. Isto me faz lembrar Bourdieu. O cinema de Glauber é um saco e tudo que faz pensar e exige atenção, idem. O cinema de Glauber é datado, quando existiu um tal de cinema experimental, onde bastava uma idéia na cabeça e uma filmadora na mão. É das discussões políticas da época, geração de 68. Inovador naquele momento. Mas tudo não passa de um complô dos intelectuais comunistas do mundo inteiro.
Êta, graminha bem aparada.
23 Pedro Doria // 22/April/2008 às 9:36
Eu não gosto do cinema do Glauber Rocha. Acho chato, estereotipado e datado. Mas gente muito boa como Martin Scorcese acha ele genial. Glauber merece respeito.
24 surfando na jaca // 22/April/2008 às 9:44
PD,que tipo de comentário é esse? Questão de gosto não se discute. Podemos falar da importância, contribuições técnicas, contexto da obra, genialidade inovadora etc. Vc. está parecendo o Brancaleone do bem.
25 confetti // 22/April/2008 às 10:03
questao de gosto se discute sim ! aqui no blog, graças à tolerancia de pd, todos podem discutir de tudo sob o angulo que quiser ! nem so de “intelectuais” vive o vicio…entre aspas mesmo !
voilà….esperando veneno, bombinhas, desprezo e os cambaus…)))
26 confetti // 22/April/2008 às 10:05
aqui uma entrevista de scorsese falando de glauber
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u63439.shtml
27 rodrigo // 22/April/2008 às 10:05
Pedro, sou seu leitor fiel e respeito muito sua opinião, mas com relação ao Glauber eu peço licença para discordar. De fato, por muitos anos considerei que ele próprio se mitificou, que seu cinema era estereotipado, etc. Ms então resolvi assitir de novo “Deus e o Diabo” e fiquei arrebatado!!!! Imagine o estrondo que esse filme deve ter causado quando foi lançado, às vésperas do Golpe de 64, no turbilhão dos acontecimentos daquela época. Filme genial, que aparentemente datado, ainda diz muito sobre as contradições sociais objetivas sobre as quais se move a dinâmica de nossa sociedade.
28 surfando na jaca elétrica // 22/April/2008 às 10:32
Confettinha de salão. Vc. anda mais destemperada do que nunca. Olha que nem impliquei com vc. ultimamente. Tá sentindo saudades? Seu sonho era me expulsar do blog para ficar com o Frangão todinho para vc., o que dizer do seu elogio ao Doria, que não permitiu seus intentos.Pode me chamar de intelectual entre aspas à vontade, pois nunca me vi nesse papel, a não ser na perspectiva gramsciana, que vc. não deve saber do que se trata. Aqui não se discute gosto, explica-se por que uma coisa lhe agrada, confessa-se um gosto. Cada um gosta do que quer, por exemplo, vc. não gosta de mim, mas sua filha gosta. Isso não é um debate, mas uma declaração. Posso não gostar de Glauber, isso não é nada de mais. Posso não gostar de Picasso, idem. Mas não posso negar a importância deles para a arte que praticaram quando se discutem técnicas, abordagens, criatividade etc.. Puxa, como faz falta a Albita!
Veneno, que veneno? Aqui é na lata! Seus comentários foram pueris e só. Pode ter crise nervosa, que vai ficar escrevendo para as paredes.
29 confetti // 22/April/2008 às 11:09
adora dar liçoes né jaca….fique à vontade…
viva glauber rocha, um dos icones da cultura brasileira, que nao conheço direito mas que admiro e respeito ! sem “perspectiva gramsciana” com molho de tomate…kkk
30 surfando na jaca // 22/April/2008 às 11:20
Lições???? Estou escrevendo meu ponto-de-vista. Nunca vi uma coisa assim, admiro e respeito, mas nem conheço direito. Já viu se fosse o casal Nardoni? Não vai mais ter esse prazer de conhecê-lo pessoalmente. Aliás no final da vida, desbundou, fez entrevista com seu avião de drogas, tava mais porra-louca do que nunca. Quanto à obra, tá acessível em dvd e nos sites piratas da vida.
Sentiu saudades da pancadaria, né?
31 confetti // 22/April/2008 às 11:23
posso sugerir um pouco mais de “sobriedade” nesse post ? o tema é glauber rocha….filmes que pd aprendeu com a mae dele….((
32 surfando na jaca // 22/April/2008 às 12:10
Ui, que audácia da philombeta. ((((
33 Pedro Doria // 22/April/2008 às 12:17
surfando na jaca, eu não gosto. Também não gosto de Fellini. Acontece. Sei que é bom, mas eu não gosto.
34 Antonio M // 22/April/2008 às 12:35
Convenhamos que a tecnologia colocada a disposição de Glauber também não ajudava e problema maior é que talvez, esteja muito datado. Mas como gosto não se discute, ficam as obras para serem dicutidas.
E era amigão do Sarney e pouco antes de morrer atirou para cima da esquerda, disse que gostava do General Figueiredo e sairia candidato a presidente pelo PDS (ex-ARENA).
E depois dizem que maconha não faz mal para o cérebro….
35 Brancaleone // 22/April/2008 às 12:48
Vamos lá:
Assisti Deus e o Diabo 3 vêzes. A 1a. porque o Marcos Prado disse que era bom, a 2a. para ver se realmente era ruim e a 3a. para ter certeza - fora claro as inovações de movimento de câmera, diálogos etc. que como expewrimentação até que passa.
O Draqgão da Maldade interessante, valorizei os improvisos de cenário e câmeras.
As Armas e o Povo um treco meio sem pé nem cabeça, um puta discursso sem coisa útil.
Mas eu acho que nunca entendi direito Glauber por conta de que nunca fumei as mesmas “marcas” que ele fumava…
Assisti uma mostra com vários curtas mal ajambrados cujos nomes não me lembro e a falta de lembrança mostra a desimportância, pelo menos para mim.
Tá eu sei que dizer assim na lata, que não gosto dos filmes do Glauber ofende a intelectualha (ou os que se dizem ser). Fazer o quê né? gosto é como bunda: Cada um tem a sua e faz o que quer com ela…
36 surfando na jaca // 22/April/2008 às 13:10
Broncoleone,
pois bem, está no seu direito. Melhorou seu comentário. Não entendo é o PD.
Um cinéfilo não gostar de Fellini ou Buñuel é um sacrilégio. Tudo bem, questão de bunda, como disse o Broncão.
37 T.T. Cricket // 22/April/2008 às 13:27
Pois pra mim, todo filme brasileiro termina na metade. Eu ate achava que o problema era gerencial, ou seja, acabava a verba e o roteirista improvisava um final meio as pressas. Mas hoje penso que o problema e que o cinema exige capacidade de sintese, e brasileiro e prolixo por natureza. Em novela da muito certo, mas no cinema…
38 T.T. Cricket // 22/April/2008 às 13:28
Confetti, nao sou iconoclasta. Sou espirito de porco mesmo.
39 Ricardo Cabral // 22/April/2008 às 14:01
Primeiro, não vi nenhum filme do Glauber, por incrível que pareça. Digo isso porque até que me considero um cinéfilo razoável, dos que viram muita coisa do dito “cinema de autor”, sobretudo das décadas de 70 a 90. Os filmes do Glauber eu fui “guardando para mais tarde”, só que demorei tempo demais. Depois dos 30 e pouco antes dos 40, comecei a ficar mais preguiçoso para “leituras” cinematográficas desta ou daquela época…
E cá entre nós, PD, tb não sou nenhum fã de Fellini, e nem me envergonho de assumir isso. É como vc disse, “sei que é bom mas não gosto”. E olha que vi praticamente tudo o que ele fez, pois na época não dava para dizer “não gosto” tendo apenas visto um…
Surf (#36), pode me colocar no rol dos sacrílegos, só não em função do Buñuel, que continua sendo dos meus diretores favoritos.
40 surfando na jaca // 22/April/2008 às 14:22
Está bem. Tem gente aqui que parece ter horror de intelectual, um caso de síndrome de Goebbels. O intelectualha surfando diz que parece uma contradição gostar das imagens oníricas do Buñuel, na sua fase madura, e não gostar das do Fellini. E la nave va é um filmaço para quem gosta de cenários e tomadas de câmera magistrais. O enredo do filme é ótimo. A incoerência humana e a ironia com os elegantes passageiros de elite. Até a cena em que mostra ser o filme uma filmagem, trazendo um superrealismo ao filme.
Não é questão de ser cinéfilo ou intelectual com aspas ou sem.
Se for uma questão de declaração: adoro s filmes do Fellini. Vão me acusar de intelectualóide por isso? Terei vergonha de me informar sobre as coisas? Bourdieu revelou num livro sobre as visitas de museu que só se gosta daquilo que se compreende. Para se compreender é preciso ter capital cultural, ou seja informação sobre o que se observa.
41 Ricardo Cabral // 22/April/2008 às 15:01
Não gostei do Fellini ter repetido o mar de celofane de Amarcord — o que mais gosto dele, junto com 8 e 1/2, Roma e Giulietta dos Espíritos — em E la Nave Va, Surf, entre outras coisas. E não creio que seja muito difícil entender os filmes do dele, pelo menos não tanto quanto os do Andrei Tarkovski, por exemplo.
Talvez eu não goste tanto do Fellini pela proximidade cultural, por achar que o cinema dele tem algo de chanchadas da Atlântida em alguns dos seus cenários propositalmente mambembes, apesar de todos os recursos da Cinecittà que tinha à disposição — até onde sei, a maioria das vezes foi proposital —, e me atrevo a dizer que a “bufoneria” do Fellini por pouco não superou a sua obra, tal e qual aconteceu com o Salvador Dalí.
Quanto à questão do anti-intelectualismo reinante, suponho que não se dirija a mim. Posso não ter os predicados mínimos para ser considerado intelectual, mas passo bem longe dessa conversa de que tudo o que tem ares intelectuais é chato. E não ter o Fellini no meu rol de diretores preferidos passa longe de desprestigiar a sua obra.
42 Brancaleone // 22/April/2008 às 15:12
Precisa-se diferenciar “intelectuais” de “intelectualha”.
A intelectualha estabelece uns dogmas, umas leis invioláveis que determinam que toda e qualquer coisa produzida, escrita, construída, projetada, pintada ou feita de qualquer forma por determinadas pessoas são geniais e pronto. Não interessa o que foi feito mas sim quem fez. Ou seja, se foi o fulano que fez é genial e pronto e qualquer um que discorde disso é uma besta imbecil sem cultura.
Tá na hora de entender que mesmo os gênios são humanos ( alguns aqui não se consideram humanos, mas vá lá) e que podem, eventual ou constantemente fazerem belas e vastas cagadas em suas produções.
Não é que eu não goste de intelectuais. Não aguento mesmo é a intelectualha…
43 Brancaleone // 22/April/2008 às 15:15
Boa tarde Confettí!!!!!
44 anrafel // 22/April/2008 às 15:31
Gláuber foi o principal representante de uma corrente que, considerando iminente a revolução brasileira, pregava à Maiakowski que não existe arte revolucionária sem forma revolucionária.
A sua contribuição a esse movimento junta vanguardismo, grande cultura artística, dificuldades de comunicabilidade e precariedade técnica, o que alguém (parece que foi Paulo Francis) traduziu com o “o filme é uma merda, mas o diretor é genial”.
Paulo Perdigão disse uma vez que no ambiente do cinema-novo existiam pessoas que decidiam fazer cinema como uma maneira de interferir no processo político, porém sem um cabedal técnico razoável.
Algo como o sujeito escolher extravasar a sua visão de mundo jogando futebol, mas sem saber matar uma bola no peito ou cobrar um lateral.
45 surfando na jaca // 22/April/2008 às 15:58
Ah, o nivel melhorou. Seu Cabral não me referia a vc., é claro. Mas essa coisa de intelectual é idiota e incompreensível. Esse populismo de direita.
Quando se diz que não se gosta de alguma coisa, também é preciso dizer a razão. Senão fica que nem aquele negócio, não vi e não gostei.
Já as observações do Broncão são plausíveis e também podem ser lidas ao inverso. Se dizer que gosto de Glauber devo ser um intelectualha defendendo uma lei universal? Uma coisa também é certa, a obra de qualquer artista não é sagrada, mas profaná-la só pelo prazer da bestialidade não vejo sentido. Como disse, antes de gostar, precisamos compreender. Depois de compreender, poderemos julgar com mais serenidade.
46 surfando na jaca // 22/April/2008 às 15:59
dizer=disser
47 Marcos Araújo // 22/April/2008 às 16:02
Achei muito bom e gostei paca do “O dragao da maldade contra o santo guerreiro /Antonio das Mortes - Atençao, galera, nao me refiro ao Antonio M. daqui! :o)) Aquele duelo de facao entre o pistoleiro e o cangaceiro é simplesmente espetacular - até hoje.
Quanto ao Fellini, adorei Roma. Ver aquelas freirazinhas gostosas de batina mini saia e chapelao da ordem, e os padres aviadados desfilando de patins pela passarela da moda foi bacana paca. A apoteose veio logo depois, com o próprio papa desfilando com aquele chapelao idiota (cumé mermo o nome daquele troço?) e uma capa cheios de luzinhas multicoloridas num pisca-pisca psicodélico - genial! A quintessência do Vaticano superficial e prevaricador contidos em 3 minutos carregados de fina ironia. Só mesmo o genial Fellini.
Quanto a filme brasileiro em geral, legal mesmo eram a comédias do Zé Trindade! Massagista de madames - que liçao de cinema, né? :o))
48 Tia // 22/April/2008 às 16:09
Brancaleone, seu cometário 42 está perfeito. Muitas vezes o rei está nu e ninguém tem coragem de dizer.
49 surfando na jaca // 22/April/2008 às 16:10
Caramujo,
temos uma sintonia de gostos, pois bem. Adoro as chanchadas, especialmente com as marchinhas dos carnavais.
Antonio das Mortes, foi uma lembrança do Glauber que me veio quando vi o nick e o pessimismo urubulino do Tuim.
abs.
50 surfando na jaca // 22/April/2008 às 16:11
Tia, num dá asa a cobra…
51 Tia // 22/April/2008 às 16:42
Surf,kkkkkkk
52 anrafel // 22/April/2008 às 16:49
Se internacionalmente o Cinema Novo tornou mais conhecida uma produção que já tinha ganho prêmios com “O Cangaceiro”, de Lima Barreto, e “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte, no âmbito doméstico sua iconoclastia detonou tudo o que havia.
O cinema de boa aceitação junto ao público das chanchadas ou de filmes como o citado “Pagador…” ou “O Assalto ao Trem Pagador”, de Roberto Farias era negado e posto da vala comum da subserviência aos prepostos hollywoodianos.
O problema é que não havia a percepção da necessidade de um cinema popular para a formação de um público para o cinema nacional que viesse a bancar a formação de uma indústria cinematográfica local.
Essa questão persiste até hoje quando a Globo Filmes pega dinheiro da renúncia fiscal para ocupar as telas com suas novelas condensadas e episódios de minisséries e besteirol televisivo.
(Paulo César Sarraceni, em seu livro “Cinema Novo”, afirma que lá pela década de 70 que a Globo entrou em conflito com financiadores da Embrafilme sob a alegação de que dramaturgia brasileira era na televisão e não no cinema).
53 surfando na jaca // 22/April/2008 às 17:10
Boas notas, anrafel
54 Marcos Araújo // 22/April/2008 às 17:25
Falou Surfando! Abraçao, mermao! Espero nao incomodar-lhe muito quando baixo o porrete no pelego Mulla, a versao tropical do bigodudo Lech Walesa, a quintessencia do malandro brasuca, mais finório que o próprio Macunaíma.
Anrafel: O Cangaceiro, Pagador de promessas, O padre e a moça, Macunaíma, Como era gostoso o meu francês (ah, aquele saboroso pescoço, parte nobre que a indiazinha cobiçava!), foram filmes formidáveis. Jardel Filho e Grande Otelo impagáveis, grande atores. Sou fanzaço dos cangaceiros; considero-os heróis da pátria, junto com o Zumbi, que combateu os infames portugas predadores e morreu como homem livre e digno.
O que faz tremenda falta no Brasil é o orgulho de sua verdadeira história, nao a história fajuta que a classe dominante nos enfia goela abaixo. Cineastas brasileiros deveriam continuar a explorar esse rico filao histórico, a produzir filmes que revelam esta riqueza, explorar a fundo a mente de personagens famosos como Antonio Conselheiro, Lampiao, Corisco, Maria Bonita, Tiradentes e os inconfidentes, etc., transpondo-os, se necessário, para a atualidade. Seja em teatro ou filme. Guerra dos Farroupilhas, Revolta dos Alfaiates, Guerra do Paraguai (nao a mentira dos livros fajutos de história pra meninada). Tem matéria que nao acaba; só falta o tutu e a coragem. Temos muita coisa pra mostrar ao mundo, mas a macacada nao sabe, nao vê e nao quer…
55 anrafel // 22/April/2008 às 18:12
Concordo contigo, Marcos Araújo. Temos material farto para uma grande cinematografia brasileira. Cinema épico, rural (o cangaço nordestino seria o mote para um faroeste brasileiro), urbano, comédias históricas, drama político, ettcctteeerrraaaas.
O problema é que muitas vezes os caras se metem e fazem besteira. Nesse escaninho eu incluiria “A Batalha os Guararapes”, de Paulo Thiago, “Lamarca”, de Sérgio Resende e “Quilombo”, de Cacá Diegues. Três exemplos de grandes temas e grandes fracassos.
“Olga”, com a tentativa de transposição da linguagem televisiva para o cinema, talvez seja o pior exemplo e o mais perigoso.
56 confetti // 22/April/2008 às 18:21
aqui uma outra analise , m.a. e anrafa…
http://super.abril.com.br/superarquivo/2002/conteudo_120222.shtml
57 anrafel // 22/April/2008 às 18:38
Confetti,
Sobre o link: longe de mim essa hierarquização “se busca a identidade nacional é bom, se não é ruim”.
A questão é muito complicada. Já se falou que a verdadeira identidade nacional é a sua busca. E essa busca é condicionada pelos parâmetros pessoais do artista, seja ele escritor ou cineasta.
O quesito da necessidade técnica e artesanal nunca deveria ser desdenhado. Quando apontamos fracassos nas propostas de alguns filmes consideramos também o baixo nível de qualidade na manipulação desse quesito. O que fazer, por que fazer e como fazer.
No mais, concordo que “Central do Brasil” é apenas mediano e não poderia ter mesmo vencido “A vida é bela” na disputa pelo Oscar.
58 Brancaleone // 22/April/2008 às 19:01
Tá, vá lá que a história brasileira com seus Contestados, Canudos, Quilombos, cangaço e coisas mais, precisam ser mostradas de forma cinematográfica. Sou o primeiro a defender isso. Acontece que querer mostrar o cangaço do ponto de vista de ” Deus e o Diabo…”! é tornar a história e a estória compreensível apenas pruns poucos iniciados nas meta linguagens intelectualóides.
Quando uns e outros se metem a mostrar a história “sob uma nova ótica metafórica e experimentalista” acabam tornando tudo uma zona de sentimentos, imagens e metáforas que literalmente expulsam o brasileiro médio (mediocre por situação e não por opção). Como resultado temos bilheterias pífias ( e haja embrafilme e lei ruanet) e tudo acaba em nada.
A Guerra do Contestado daria uma epopéia tanto quanto Canudos desde que o diretor não seja um “experimentalista” metido a coisas “viscerais” querendo enfiar filosofias, religiões e ideologias tudo no mesmo saco e de forma criptografada.
O lema de alguns “diretores” é aquele que o Chacrinha tinha : “Eu vim para confundir, não esclarecer”. Uns e outros sem competência para a realidade enveredam para linguagens figuradas. É mais fácil e mais barato confundir. Explicar e contar os fatos custa caro e requer competência.
59 Fabio Passos // 22/April/2008 às 19:16
“- É matando, Antônio? É matando que você ajuda seus irmãos?
- Sebastião também me perguntou. Eu não queria, mas precisava. Eu não matei os beatos pelo dinheiro. Matei porque não posso viver descansado com essa miséria.
- A culpa não é do povo, Antônio! Não é do povo!
- Um dia vai ter uma guerra maior nesse sertão. Uma guerra grande, sem a cegueira de Deus e o Diabo. E para que essa guerra comece logo, eu, que já matei Sebastião, vou matar Corisco. E depois morrer de vez, que nós somos tudo uma mesma coisa. ”
Rapaz… cinema é roteiro.
E Terra em Transe é ainda melhor…
Este lixo estadunidense, que passa em shopping center, não vale nada… é uma miséria orçada em milhões de dólares!
A culpa não é do povo!
60 Caramujo // 22/April/2008 às 20:38
Brancaleone e Fabio Passos: Concordo com os dois!
Roteiro e dialogo.
61 surfando na jaca // 22/April/2008 às 23:15
Putz, como trabalho, perdi o resto da discussão sobre cinema nacional.
Caramujo, não sou mitômano. O Lula é mais um presidente, não avalio o homem, mas a obra, que também não está acima do bem e do mal. Pode desabafar, Caramujo.
O cinema nacional tem abordado temas épicos. Guerra dos Guararapes foi um coisa mal amarrada, Lamarca, nem o Paulo Betty, sumiu a dimensão humana. Lembro de Contestado do Silvio Back, razoável, mas poderia ser bem melhor. Acho que existe uma dificuldade entre ser fiel à História e encontrar um caminho interessante para a platéia. Lembro ao Broncão que bilheteria não pode ser critério de qualidade em cinema ou arte em geral. Caso fosse, teríamos no BBB uma obra prima e outras bestialidades que dão ibope e são bestiais, tipo Paulo Coelho. Quilombo é um filme razoável, não distorce a história e procura sintonizar a questão de Palmares com a época das diretas. Melhor executado foi Ganga Zumba.
Macunaíma e Como era gostoso o meu francês , do Nelson Pereira são dois ótimos filmes, obras-primas.
Agora imbatível e merecedor de todos os prêmios jamais ganhos é o Nelson Pereira dos Santos na adaptação do Memórias do Cárcere. Pode não ganhar Oscar, mas é infinitamente superior a qualquer diretor brasileiro indicado.
Bom, para por aqui. Brasil, salve, salve! Nada como uma boa patriotada para terminar.
62 anrafel // 23/April/2008 às 4:21
De fato, “Memórias do Cárcere” é superlativo. Acho até que da sua feitura para cá nada lhe foi superior.
O filme que inaugurou essa reflexão sobre a história política recente, “Pra frente, Brasil”, de Roberto Farias, foi cercado de injunções: financiamento pela Embrafilme, militares ainda no poder. Com todas essas limitações, não fez feio.
63 confetti // 23/April/2008 às 5:29
acho que o cinema nacional tem melhorado e muito ! vi pouca coisa, mas adorei “o homem que copiava” ” a hora da estrela” “meu nome nao é johnny” ” a hora da estrela”, todos com qualidade impecavel !
como m.a., adoro cangaceiros, zumbi, saci, orixas, boi tata, macunaima…kkk
64 confetti // 23/April/2008 às 10:53
boa noticia pra nosso cinema : ))
http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL421950-7086,00-FILME+BRASILEIRO+SERA+CONCORRENTE+A+PALMA+DE+OURO+DE+CANNES.html
65 Pedro Doria // 23/April/2008 às 18:19
surfando na jaca: eu disse que não gosto de Fellini, e acontece. Mas tira Buñuel dessa lista. Adoro Buñuel.
Meu problema com Fellini não é, quero crer, não entender. Eu entendo a piada. Mas o problema é que os filmes terminam por ser a repetição dos mesmos símbolos, das mesmas metáforas… coisas como La Strada acho preciosas. É o início, quando ele era capaz de um lirismo atordoante. Depois ficou felliniano. Os filmes terminam todos meio parecidos.
O Buñuel também gosta das metáforas e aponta suas críticas aos mesmos ‘inimigos’ do Fellini. (A Igreja, a burguesia e quem mais você quiser.) Não tem o lirismo, do qual sinto falta. Mas tem uma percepção da tragédia. O Buñuel é mais triste, você não acha?
E, no fim, talvez sejam parecidos e diferentes no sentido que Espanha e Itália são parecidas e diferentes….
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