Pedro Doria | Weblog

um pouco do mundo, todos os dias

pedrodoria.com.br header image 2

Os filmes que aprendi com minha mãe

April 15th, 2008 · · 25 Comentários

Janela indiscreta

Tags: Cinema

25 Comentários até agora ↓




  • 1 Travis Bickle // 15/April/2008 às 16:34

    PD, assim como você, aprendi a ver filmes com a minha mãe. Minhas memórias mais distantes são trade da noite, a tv pb na sala e minha mãe ”deixando” eu ver filmes na Globo e séries dos 70.

  • 2 Elias // 15/April/2008 às 16:38

    As preferências cinematográficas da Dona Margô batem com as minhas (exceto Glauber). Somos da mesma geração.

    Em Janela Indiscreta, o mestre Hitchcock demonstra por quê considerava o cinema uma arte “do diretor e do editor” (e não do ator).

    Um outro mestre da edição, este russo, em uma aula de cinema, mostrara, para 2 turmas de alunos, 2 experiências de edição.

    Para uma turma, o rosto inexpressivo de um homem é alternado com a imagem de um caixão contendo o cadáver de uma criança, sobre a mesa.

    Para outra turma, o mesmo plano do rosto é alternado com a imagem da mesa posta para um banquete.

    Uma turma interpretou a expressão (inexpressiva) do rosto do homem como compaixão. A outra, como gula.

    Discípulo do mestre russo, o mestre Hitchcock mostra o herói de Janela Indiscreta olhando pela máquina fotográfica para o prédio vizinho, por 2 vezes. Olha, tira o rosto e dá o mesmo sorriso.

    Numa das 2 vezes, a cena é intercalada com a imagem do cachorrinho sendo descido pela cesta. O sorriso do herói é visto como inocentemente divertido.

    Na outra, a mesma cena é intercalada com a imagem de uma vizinha que se despe. Agora, o sorriso do herói é o do velho safado que espiona a intimidade alheia.

    Coisa de gênio…

  • 3 Harpia // 15/April/2008 às 17:33

    Janela Indiscreta tem uma das melhores aberturas que eu já vi no cinema. Ficamos sabendo tudo o que interessa sobre o personagem principal, o seu trabalho, o acidente que sofreu, etc .. sem que haja um só diálogo.

    Fora que tem um close da Grace Kelly que é o seguinte ….

  • 4 anrafel // 15/April/2008 às 18:20

    Parece até que Hitchcock chegou a dizer que atores “eram gado”, manipuláveis, sem vontade própria. Talvez seja exagero.

    Quanto às atrizes, ele se apaixonava sistematicamente por elas. Pudera. Com Ingrid Bergman, , Kim Novak, Grace Kelly quem conseguiria evitar isso?

  • 5 Jåµë§ ßønd™ // 15/April/2008 às 18:30

    -= Este de Hitch eu ainda não ví… gostei muito de Vertigo, Marnie e To Catch a Thief…

  • 6 aiaiai // 15/April/2008 às 18:37

    anrafel,

    ainda mais sendo um gordobaixofeioquenãodeviacomerninguém, né?
    brincadeirinha,
    também adoro hitchcock - gosto muito de janela indiscreta mas meu favorito é the rope (festim diabólico), pela atmosfera constrangedora que ele consegue criar num só cenário.

  • 7 aiaiai // 15/April/2008 às 18:37

    Bond,

    Aproveita a deixa e vê hoje…é um clássico imperdível.

  • 8 Pax // 15/April/2008 às 19:07

    Filmaço. Elias já disse tudo, só errou porque o cara não era velho safado, mas safado meia idade. Velho safado é o josef mario.

  • 9 Elias // 15/April/2008 às 19:24

    Hitchcock nunca negou a afirmação — feita na gozação — de que “ator é gado”.

    Ele contou que, quando foi contratado pela Claudette Colbert, ao chegar no estúdio, encontrou um curral com vários bois e vacas, cada um deles com uma placa, contendo o nome dos atores, entre eles a própria Claudette. Hitchcock não poupou elogios ao savoir faire da atriz e produtora.

    Mas o fato é que, para o tipo de cinema que Hitchcock fazia, melhor que os atores economizassem seus dotes histriônicos.

    Ao fazer a diferenciação entre “suspense” e “surpresa”, ele trocou isso em miúdos.

  • 10 Elias // 15/April/2008 às 19:37

    Pax,

    A expressão “velho safado” é do próprio Hitchcock, ao explicar de onde veio a inspiração para as cenas e como elas foram feitas.

    Mas, é isso que você disse: James Stewart era um cara de meia idade quando fez o filme.

    Aliás, diga-se, um cara e tanto! Fez campanha contra o nazismo, apresentou-se como voluntário para lutar na Europa, foi para a frente de combate (piloto de caça) e foi condecorado por bravura.

    De volta aos EUA, retomou sua carreira e se opôs tenazmente — ainda que, com a classe de sempre — ao machartismo (quando muita gente metida a boa simplesmente abria as perninhas).

    Uma reserva moral!

  • 11 Pax // 15/April/2008 às 19:44

    Pô, não sabia desses atributos do James Stewart. Donde você colhe tanta informação assim Elias?

    Põe reserva moral nisso, é um Federal Moral Reserve, Plus a mais adicional.

  • 12 HRP Mané Reloaded // 15/April/2008 às 21:47

    Elias ….show de bola….e eu e minha mãezinha, ainda super viva, assistimos juntos o Janela indiscreta lá em Santos no cine ROXY…….fim de semana vou encher a mama de beijos!
    Boa noite Surf, Confetti e Alex e quem mais vier!

  • 13 ioio // 16/April/2008 às 0:15

    Suas lembranças lembrou-me Nicanor Parra, poeta chileno..”Ya que no hablamos para ser escuchados
    Sino que para que los demás hablen
    Y el eco es anterior a las voces que lo producen….”
    Desejo-lhe força nestes tempos.

  • 14 Elias // 16/April/2008 às 0:46

    Pax,

    A judeuzada toda tem um débito de gratidão para com James Stewart e outros do mesmo naipe.

  • 15 Elias // 16/April/2008 às 0:52

    Quanto ao Hitchcock, sou fã de carteirinha. Tenho quase todos os filmes dele, em vídeo e DVD.

    E tenho as duas edições da mega-entrevista que ele fez com Truffaut. Foi uma entrevista feita ao longo de aproximadamente 13 anos. Nela, Hitchcock analisa todos os seus filmes, um a um. Mesmo alguns que ele rejeitou.

    A entrevista foi encerrada pouco antes da morte de Hitchcock. Também Truffaut morreria antes de ver publicado o livro.

    Pena… É um livraço!

  • 16 Deise Guelfi // 16/April/2008 às 2:22

    Elias,

    Onde posso encontrar essa entrevista? Em vídeo? Qual o título do livro, por favor?

    Falar de Hitchcock é difícil. Mas posso repetir as palavras do Elias que dizem o que sinto a respeito:

    Ao fazer a diferenciação entre “suspense” e “surpresa”, ele trocou isso em miúdos.

    PD, nem sempre herança genética é tudo. Você é prova disso. Parabéns à sua mãe.

  • 17 anrafel // 16/April/2008 às 3:57

    Deise,
    Anota aí: Hitchcock Truffaut Entrevistas - Cia das Letras.

    Truffaut, a respeito de “Os Pássaros”: “O cinema parece ter sido inventado para viabilizar este filme”.

  • 18 confetti // 16/April/2008 às 4:17

    é mesmo, esse encontro entre truffaut e hitch é uma obra prima da literatura do cinema ! cinefilo que nao leu, tem que ler !
    pra quem entende frances, aqui um artigo delicioso sobre o backstage do livro

    http://www.bifi.fr/public/ap/article.php?id=200

  • 19 Elias // 16/April/2008 às 9:01

    Deise,

    É como disse o Anrafel.

    O livro foi lançado a primeira vez em 1983, salvo engano. É uma edição em papel couchê branco.

    Hoje é uma raridade, disputada à tapa nos sebos. Agora mesmo dei uma olhada no “Estante Virtual”, que opera com mais de 800 sebos em todo o país (acervo com mais de 2 milhões de exemplares). Pois o “Estante” não tem o livro da entrevista.

    Em 2004 saiu uma nova edição, com novo projeto gráfico, prefácio de Ismail Xavier, etc. O livro ficou maior, dando mais espaço para as fotos.

    Sei de gente que continua preferindo a primeira versão. Não é o meu caso.

  • 20 Neuza Sabbatini // 16/April/2008 às 9:46

    Caro Pedro,
    Conheci você, hoje, através da Genealogia. Lamento profundamente sua perda. O importante em ser orfão de mãe é aprender no dia-a-dia como sobreviver sem aquele sorriso, aquele carinho tão especial. O tempo cura a dor mas não impede a saudade.
    Gostaria muito de poder colocar em meu site http://www.falecomelas.com.br o tributo que você fez para sua mãe, mas preciso de sua autorização.

  • 21 Bruninho // 16/April/2008 às 11:31

    Primo…
    Obrigado

  • 22 Pedro Doria // 16/April/2008 às 12:40

    Neuza Sabbatini: pode republicar, não há problema. Apenas inclua crédito e um link para o blog, por favor.

  • 23 Deise Guelfi // 16/April/2008 às 16:29

    Anrafel e Elias.

    Brigadão, meninos.

    Beijo.

  • 24 Tia Claudia // 17/April/2008 às 11:21

    Sobrinho,
    Obrigadapor lembrar. Eu vi todos esses filmes com ela, nos antigos finais de semana em Petropolis, em meio a reuniões sobre a proteção da cidade, vinho e cerveja. Alguns eu já conhecia, mas por exemplo East of Eden não, e adorei, passando a venerar James Dean. Houve noites cômicas, como aquela em que seu pai, sua mãe e eu resolvemos ver Ran no quarto deles (não lembro porquê). Como não havia lugar para sentar, fora a cama, resolveram levar da sala uma poltrona, que não passava nas portas e teve de sair pela janela. Nós a empurramos pela noite jardim afora. Isso levou muito tempo, porque ríamos muito, seu pai achavaque os vizinhos iriam chamar a polícia, e caía sentado na poltrona que eu e Margô empurrávamos por trás. Enfim, RAN, um filme sério e lindo, foi interrompido inúmeras vezes por ataques idiotas de riso, uma bobeira total, porque a gente não conseguia parar de pensar na poltrona passeando no jardim. Vocês dormiam.

  • 25 confetti // 17/April/2008 às 11:43

    ah que delicia essas lembranças da familia doria…)))

Leave a Comment