O Iraque espatifado
Na semana passada, incontáveis especialistas testemunharam perante o Senado norte-americano a respeito do Iraque. O argumento defendido pelo presidente George W. Bush e o candidato republicano John McCain é conhecido: o aumento de soldados no Iraque fez, nos últimos meses, com que a violência diminuísse. Esta trégua, se persistente, permitirá ao governo do Iraque que se consolide e que um Estado nacional estável nasça das cinzas do regime de Saddam Hussein.
Há muita gente que diz o contrário. Mas seu argumento é menos agradável de ouvir. O general da reserva William Odom, que comandou os serviços de inteligência militar no governo Ronald Reagan e atualmente é professor da Universidade de Yale, foi um dos que o apresentou.
O maior sucesso alegado pelo governo é a pacificação de várias províncias no centro-norte do país, de origem árabe sunita. É a turma da etnia e religião de Saddam.
No primeiro momento após a invasão, sentindo-se derrotada, esta trupe convidou ao país quem estivesse disposto a lutar contra os estrangeiros. A al-Qaeda – um grupo sunita e, em geral, árabe – veio por conta. Mas o racha entre os clãs sunitas iraquianos e a al-Qaeda veio antes do aumento do número de soldados dos EUA. Entraram em conflito pelo poder e os chefes locais os puseram para fora. Hoje, como segue a tradição milenar árabe, cada chefe local tem o controle de sua região. O Iraque árabe-sunita, que fora unificado por Saddam Hussein a base de violência extrema, está fragmentado.
A ‘paz’ trazida pelos EUA tem a ver com várias questões. A primeira é que, após um período inicial de conflito, o Iraque sunita voltou ao seu ‘estágio natural’. Os clãs tradicionais diversos assumiram o controle de sua região. A violência que existe se dá pela disputa entre clãs. E eles mantém uma certa estabilidade porque são pagos pelos EUA para isso. Em algumas regiões, informa o general Odom, a lealdade vem ao custo de 250.000 dólares por dia em ‘taxas’ que os norte-americanos pagam.
Os resultados são dois. Primeiro, a al-Qaeda não tem chances de se firmar no Iraque. Estrangeiros não disputarão poder que é dos locais. Segundo, o conflito entre clãs é inevitável. Cada um está montando seu exército particular. Há séculos que é assim na Mesopotâmia. O choque entre eles virá com os EUA lá ou sem. Até que, sugerem os pessimistas, um novo Saddam Hussein surja com mão de ferro.
O Iraque é composto de uma maioria árabe-xiita, os árabes-sunitas e os curdos-sunitas. Estes últimos, principais vítimas do governo Saddam, eram os maiores parceiros norte-americanos. Mas os desejos de independência curda não são um problema apenas no Iraque. Também o são na Síria, no Irã e na Turquia. Quando a Turquia fez sua ofensiva militar dentro do território iraquiano contra os curdos os EUA tiveram que fazer uma escolha. Ou traíam o governo turco, parceiro militar na OTAN. Ou traíam os curdos. No jogo geopolítico, a Turquia era mais importante. Mas ao fechar os olhos dos curdos, deixou clara uma mensagem: os EUA não apóiam os desejos de independência curda e não lhe serão fiéis em qualquer disputa na região. Assim, os EUA perderam o apoio de curdos.
Por fim, restam os xiitas do sul. Não custa lembrar que, embora dividam a religião com o Irã, no Irã a etnia é persa e, no Iraque, árabe. Se há aquilo que aproxima os dois, também há muito que os separa.
Jawad al-Maliki, o premiê iraquiano, é árabe-xiita. Ao longo de seu governo, tem usado a proximidade com os EUA para fazer do exército norte-americano o seu exército nas disputas de poder que também existem entre os xiitas. E é assim, na região xiita, que a Casa Branca é percebida: como a turma de Maliki.
A questão mais dolorosa de lidar está no centro de quem defende a permanência norte-americana no Iraque. Se os EUA saírem, o país implode. O problema, segundo o general Odom, é que o país já implodiu. Os EUA são responsáveis pela implosão? Sim. Os EUA podem fazer algo para desfazer o problema? Não lá dentro. Quando um país se fragmenta, as forças da história – ódios seculares, preconceitos, luta por poder e dinheiro – são irreversíveis. É verdade para os Balcãs na Europa, é verdade para o Afeganistão – é verdade para o Iraque.
Não há rigorosamente um único caso na história do mundo em que um emaranhado de feudos foi unificado sem doses extremas de violência. Uma solução só terá início no momento em que os EUA deixarem o país. E não será bonita de testemunhar.
(O argumento mais curioso do governo Bush é a necessidade de oferecer treinamento militar para o ‘exército nacional iraquiano’. Aquele é um país militar. Todo mundo sabe conduzir guerras, lá.)
Ainda sobre o assunto:
- A violência no Iraque aumenta
(Como vai a estratégia Obama?) Mais de 50 pessoas morreram na quinta-feira, em Bagdá, após explosões de carros bombas pela cidade. No mês de abril,... - O Iraque, os EUA e o petróleo Na London Review of Books, o escritor Jim Holt faz as contas para chegar a uma velha conclusão: o Iraque...
- Sobre tortura e eficácia nos EUA e Iraque Em 2003, no Iraque, o tenente-coronel norte-americano Steven Kleinman tentou evitar a aplicação de ‘métodos abusivos’ de interrogatório por parte...
- Os erros de Bush, Iraque e o pós-eleições nos EUA Michael Ignatieff foi acadêmico – professor em Harvard – e é político – deputado do Partido Liberal canadense: O filósofo...
- Um Iraque em três O debate a respeito da divisão do Iraque em três países está em pleno curso. Há quem ache, nos EUA,...



E daí que foi fundada pelo Marx?!?!?!
O PDT é membro efetivo, o PT convidado e barraram a entrada do PSDB que queira entrar oras. Se o Brizola pode, era vice-presidente inclusive, qualquer um pode !!!!!
politiquinha é isso …..
É que existem profundas diferenças de análise e atuação.
E, para tentar manter as aparências, buscaram a 1ª Internacional, com o veto respectivo.
A social-democracia tem um histórico de traições. Talvez isso explique a aliança com o PFL/DEM.
Toninho
É até apoio.
Tibet, Iraque e Haiti.
Porque parece que não ta dando certo mesmo.
Esse negócio de interferir na vida dos outros não é mesmo normal não.
Pensando bem voce me lembrou de umas coisas.
Tibete - Iraque - Haiti livres. Concordo!
Lula continuou a política econômica de FHC e já declarou que não é de esquerda.
Mas o querem na presidência da internacioal socialista.
Por que falar em traições dos outros se fazem questão da auto-traição?!?!?!?!?!?!??!!?
Tenho 64 anos, sempre ouivi falart nesse negócio de Internacional Socialista etc.
Acho até que ja soube o que era.
Me soa um negócio la da Idade da Pedra.
Sou mais moderno que voces.
Nessa concordo com você Jesus ….
Reunião de fracassados….
Outra coisa
Lula nunca foi desse negócio de comunismo, socialismo, teórico.
O negócio dele é muito pé no chão.
Trabalhar, correr atrás, conversar,, negociar.
se enganem não.
Toninho
me lembrei de que o Haiti é composto de descendentes africanos, sempre foram fu, cultura bárbara, macumba etc.
Cara pra dar jeito lá tem que fazer outro.
Ou a ONU resolve botar grana e resolver o problema ou sai, que deixa eles resolverem o negócio la mesmo.
Vai ser uma carnificina? Vai.
Que nem no Iraque vai ser.
Que Deus os abençoe.
O negócio do Lula era se dar bem.
Declaração do seu próprio irmão: Ele gosta de futebol, cerveja e praia. Entrou para o sindicato somente porque estava trabalhando na Villares que era uma grande empresa e queiram trabalhadores de lá sindicalizados.
Com esse currículum e dentro do sindicato, deu no que deu. Ganha a vida sem trabalhar a mais de 30 anos…….
Bem.
vou almoçar.
Beijos nas carecas pros direitobas, esquerdobas, centróbas, murobas e demais.
Tchau Padre Pinto, ôpss!! quer dizer, Jesus ……
O iran construindo a bomba, Bush planejando um ataque, e vocês dormindo no ponto….
é incrível este povo que, quando confrontado com sua total ignorância e falta de argumentos, muda de assunto e aproveita para falar mal do Lula.
é incrível este povo que, quando confrontado com sua total ignorância e falta de argumentos, muda de assunto e TENTA falar BEM do Lula. Mas não consegue……
Defender o indefensável pouco é bobagem….
O post já morreu, o PD nem liga mais…..
O Haiti espatifidado
http://www.defesanet.com.br/blog/2008/04/nota-mre-sobre-situao-no-haiti
No Haiti, pessoas enfurecidas por um prato de comida - A fúria dos pobres
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2008/04/15/ult2682u758.jhtm (esse é apra assinantes e é muito longo)
errata: espatifado (o comentário está sendo moderado)
Ignorância é o fato de ser radical. Radicalismo é a manifestação da intolerância e ignorância……
Todos sabem que a ONU acaba fazendo o que os americanos querem. Mas e aí? Acabar com a ONU ou mudar a correlação de forças dentro dela?
Os EUA estão enfraquecendo. Pouco, eu acho, mas estão enfraquecendo.
Algumas outras potências estão surgindo. Uns até incluem o Brasil entre elas, mas acho que isso vai demorar.
Acabar com a ONU não é boa idéia, pois algum outro órgão teria que substituí-la (como ela substituiu a Liga das Nações), e seria a mesma coisa.
Acho que dentro de no máximo uma década os EUA perdem sua hegemonia lá dentro.
O quê?!?! O Mulla, mae dos banqueiros, convidado para presidir a Internacional Socialista?!?!?!?!? Era só o que faltava! Só pode ser um balao de ensaio lançado pelos cupinchas do baixo-clero do PT.
Mas o que é mesmo que se passa? Amalucaram todos de vez ou cinismo e mau-caratismo virou virtude nesse mundo às avessas?
O Mulla é o maior malandro que já apareceu na cena política brasileira, um Macunaíma fantasiado de presidente da república. O “herói” sem absolutamente nenhum caráter, coisa típica de Banânia, naçao de malandros, escroques e pilantras carnavalescos e poltroes. Ópera bufa tropical.
Quanto ao Haïti, terra amaldiçoada pelos deuses, nao foi o Mulla quem mandou o contingente brasileiro para lá, para oprimir ainda mais os haitianos famélicos ainda mais? Para mantê-l0s escravos? Puxando o saco do Tio Sam pra tentar pegar um beirada - uma cadeirinha - no Conselho de Segurança da ONU? Tolice! De nada adiantou tanta lambeçao de saco…
E o povao haitiano ainda está mais miserável do que antes do golpe contra Jean-Bertand Aristide, perpetrado pelos USA, Canadá e França. Nao devemos esquecer que Aristide foi eleito democraticamente, por duas vêzes, pelo povo haitiano. Mas nao era o piao da vez de Tio Sam, o grande promotor da democracia relativa mundo afora. Ôlho no Nepal, gente. A tentativa de golpe nao irá tardar, promovido pela CIA…
Ah, perdao, o post é sobre o Iraque. Mas vocês já disseram tudo, ou quase tudo. Receita perfeita de como implodir um país e fazê-lo recuar à Idade da Pedra para roubar mais facilmente sua imensa riqueza. Destruíram completamente o país mais avançado do mundo muçulmano, de govêrno laico, onde as mulheres eram livres de ir e vir, e sem essa putaria de véu e burka. Pilharam descaradamente seus museus, roubaram peças valiosissimas, patromônio da humanidade. Onde estarao hoje? Nos USA, Inglaterra, França, Suíça…tudo bem escondido, por govêrnos e colecionadores particulares.
A História se repete. Exatamente como fizeram com a China na Guerra do Ópio, quando 20,000 soldados britânicos e franceses pilharam e incendiaram (nao sobrou nada) o magnífico palácio dos imperadores no centro de Pequim. Até hoje a China nao esqueceu esta afronta à sua cultura milenar; é um espinho na garganta do tigre arrogante, prestes a nos engulir todos. Lá vem trôco!
não, antonio, meu radical não é desses de que você fala. meu radical é de raiz, de buscar a raiz das coisas, de não aceitar a primeira explicação que me dão, de desconfiar das verdades cristalinas e das frases feitas, de ser livre para pensar com radicalidade.
Uai Radical Livre, sempre imaginei que seu nick tivesse alguma relação com átomo ou molécula com elétron fora de controle ou órbita estranha.
A primeira vez que vi lembrei das aulas de química.
:-)
Ou seja, diz tanta coisa que significam quase nada…..
Sempre que alguém se diz “radical” (em seus conceitos), a maioria entende como “sectário”.
Mr. Xucro,
Enquanto isso nos EUA tem sempre uma mulher apanhando do marido (aliás é o país com o maior índice de violência doméstica), um fanático barbarizando escolas e etc, etc. E aqui no Brasil, a cada 10 horas uma criança é assassinada pelos pais e etc, etc..
Veja que em se tratando crimes contra a mulher e contra crianças o nosso ocidente não fica nada a desejar ao bárbaro Iêmen.
KOME TO MESI? GOVORI ?
Sirotinja u Hrvatskoj, sude?i prema podacima Javnih kuhinja, Crvenog križa, i drugih socijalnih institucija, teška je i Bogu i državi. Na socijalnim listama Mesi? kaže da su: neki bogati ljudi koji su nezaposleni, a kupuju hektare i hektare zemljišta. A nisu nigdje evidentirani kao porezni obveznici… Kome se to Mesi? se obra?a? Ako Stjepan Mesi? sve to zna te i glavni je šef, zašto ne uvede red? Od koga on traži - da to napravi? ?injenica je, da Mesi? baca „kost“ me?u obespravljene gra?ane, tako da se oni me?usobno sva?aju, odnosno da traže krivca u svojim redovima za svoje nevolje.
No, notorna je laž da se na vrhu socijalne piramide, u državi koja još grca pod bremenom tranzicije, nalazi i nemali broj “dinastija bogatuna“ kojima je dostupan i najviši nivo luksuza. Zanimljivo je da ovdašnja vlast, ma kojoj god ona partiskoj boji pripadala, ništa ne radi i ne poduzima, da se socijala ukloni, nego ovakvim UDB-aškim metodama vlada državom. I to po onoj staroj izreci „dividia et impera“ zavadi, pa vladaj…
BRANKO STOJKOVI? - ŠTIT
BJELOVAR/CROATIA