Pedro Doria | Weblog

um pouco do mundo, todos os dias

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Publicado em April 2008

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30/April/2008 · 364 Comentários

Pela véspera de feriado.

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Albert Hofmann e o LSD, 1906-2008

30/April/2008 · 296 Comentários

O químico suíço Albert Hofmann, que sintetizou a molécula de LSD, morreu ao longo da madrugada após um ataque cardíaco. Tinha 102 anos. Muitos o viam como um doidão – mas era só um cientista. Seu passeio de bicicleta mítico, após ingerir uma superdose de LSD, aconteceu no dia 19 de abril de 1943. É celebrado hoje como o ‘dia da bicicleta’, todos os anos. Apesar de uma ligeira simpatia, jamais se adaptou muito ao movimento psicodélico. Não era sua praia.

Em 2006, quando Hofmann completou 100 anos, publiquei um perfil seu em NoMínimo. É um texto do qual gosto bastante, escrito com sincera admiração pelo professor. No dia de sua morte, republico aqui no Weblog.

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Tags: Ciências · NoMínimo · Pop

A Rússia que Putin deixa para Medvedev

30/April/2008 · 28 Comentários

Em uma semana, Vladimir Putin deixará a presidência russa para assumir o comando de seu partido Rússia Unida.

Do ponto de vista econômico, deixa um país melhor do que aquele que herdou de Boris Yeltsin. Nada tem a ver com sua competência. Yeltsin lidou com um mundo no qual o preço médio do barril de petróleo era 16 dólares. Durante o governo Putin, esteve cotado a 40 dólares em média. Não há porque acreditar que, daqui para a frente, venha a estar abaixo dos 100 dólares.

Mas em que a pujança econômica melhorou a vida russa?

No dia-a-dia do cidadão comum, a aparência é de que melhorou muito. Tanto que Dmitry Medvedev, herdeiro de Putin, venceu com facilidade o pleito. Faça umas pesquisas na rua e ninguém se enganará: venceu porque a esperança popular é de que Putin esteja no comando de fato.

Neste período, Putin privatizou um bom naco das empresas estatais. Só os negócios de mídia da estatal energética Gazprom, vendidos em 2005 por 166 milhões de dólares, hoje são estimados em 7,5 bilhões. (Sim, a estatal energética tinha órgãos de imprensa; e, não, os números não estão errados – a ‘valorização’ representa um aumento de 45 vezes o valor. Não foi vendida. Foi dada de presente.) A privatização na era Putin, e este é apenas um exemplo, representou uma manobra para transferir para as mãos de uns poucos aliados do presidente alguns dos principais negócios do Estado.

A esperança de vida do homem russo, hoje, é de 59 anos. Concorre com a África. Álcool (2,5 milhões de alcoólatras estimados), cigarros e acidentes de trânsito estão entre os responsáveis por estas mortes prematuras. (O número de acidentes de trânsito aumentou 60% de 2000 para cá.) Crimes violentos, e os números são do governo, aumentaram em 170% no mesmo período. O sistema de saúde pública entrou em colapso – algum atendimento, só com suborno. A Organização Mundial de Saúde estima que, numa lista de 190 países, a Rússia está na 130a colocação, pior do que Bolívia e Guiana. O sistema de previdência social também não ajuda. Há um pensionista para cada 1,7 contribuinte. A aposentadoria média é de 160 dólares por mês.

O país é mantido sob controle com mão de ferro e censura à imprensa. Nas contas da ong interna Fundação de Defesa da Glasnost, 75 jornalistas foram atacados de alguma forma e 8 foram assassinados no ano de 2007.

Nenhum dos casos de assassinato de jornalista desde que Putin assumiu o governo foi resolvido.

O governo age com mais tranqüilidade do que era seu padrão no início. O motivo é simples: os sinais que recebe de EUA e da União Européia é de que, na verdade, tanto faz. A Rússia é apenas criticada vez por outra mas ninguém ousa enfrentá-la. Não é tanto o medo de seus armamentos que conta. No caso, trata-se do país que alimenta de gás a Europa. Fora a Alemanha, que faz frente, os outros países – incluindo França e Reino Unido – se encolhem.

Enquanto isso, a Rússia Unida tem uma maioria de 70% na Duma, o parlamento do país. E a oposição está cheia de brigas e desavenças internas.

Este post é baseado no artige de Amy Knight, publicado na última edição da New York Review of Books, baseando-se em entrevistase no relatório Putin, os resultados, publicado na Rússia numa edição pequenina por alguns políticos de oposição. Na avaliação de Knight, Putin só perde poder caso o povo se sinta perdendo qualidade de vida. Até agora, o Estado tem se mostrado incapaz de transformar as benesses angariadas pelo barril de petróleo em alta em serviços.

Em janeiro, a inflação passou de 12% ao ano. O custo de vida está aumentando. O crédito popular também está aumentando – e há muita gente tomando dinheiro emprestado à banca. Para agüentar o tranco, o sistema bancário russo vem pedindo emprestado no exterior. Sinais de uma crise de liquidez? De uma bolha?

Por enquanto, as contas entre importação e exportação produzem um superávit comercial. Mas a diferença vem diminuindo ano a ano, apesar do constante aumento do petróleo. O governo Putin é, além de profundamente corrupto, também de uma extrema incompetência.

Talvez, no fim, a mistura de incompetência e ganância seja justamente a mistura que o derrubará seu grupo do poder.

Tags: Rússia

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29/April/2008 · 400 Comentários

(E aproveitando para fazer uma pergunta: o Weblog anda muito pesado para carregar?)

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A China e a vitimização

29/April/2008 · 73 Comentários

No fim de semana de 19 e 20 de abril, a China foi tomada por protestos anti-França. Eram os cidadãos respondendo à maneira como os franceses receberam a tocha olímpica.

Diz Simon Elegant, da Time:

Os manifestantes anti-França não são apenas uma minoria barulhenta e histérica; muitos dos chineses estão realmente com raiva daquilo que vêem como uma conspiração global para sujar o bom nome de seu país e arruinar as olimpíadas. É um momento ruim para um país que pretendia mostrar seu melhor lado ao mundo e, agora, está apresentando algo pior. Os chineses têm muito orgulho tanto daquilo que seu país conquistou nas últimas duas ou três décadas quanto do prestígio angariado com as olimpíadas. Mas muitos ainda sentem insegurança a respeito da posição da China no mundo e sentem-se assombrados pelas humilhações passadas nas mãos de estrangeiros que lhes são contadas desde a infância por um governo cada vez mais dependente de nacionalismo para manter sua legitimidade.

Ao invés de facilitar o serviço daqueles que, de dentro da China, procuram abrir mais o regime, os protestos ao redor do mundo estão unindo chineses e seu governo. Assim, aos poucos, vamos conhecendo um pouco mais da nova superpotência mundial. Na alma chinesa, incrustada, estão uma potente idéia de que se é vítima. De que o mundo conspira para derrubar a China.

O resultado, no entanto, é que qualquer crítica ao governo chinês é interpretada como uma ofensa ao país por um bom naco de chineses. Isto mantém o governo numa situação de conforto. Embora ele precise dar algum tipo de resposta internacional – uma conferência com emissários tibetanos, por exemplo – não precisar oferecer nada de muito sério. Não há pressão interna. O povo está ao seu lado.

Tags: China

Não há resposta certa para o Iraque

29/April/2008 · 9 Comentários

Kevin Kallaugher, ou KAL, cartunista da revista britânica The Economist, vê as eleições dos EUA.

Tags: EUA

O anti-spam sobre todos nós

28/April/2008 · 74 Comentários

Muitos de vocês estão reclamando do sistema anti-spam dos comentários.

Anti-spam é ruim, mas é pior sem ele. Neste momento, às 16h35 da segunda-feira, ele impediu a publicação de 347 comentários de lixo. Se estes comentários todos tivessem sido publicados, transitar pela discussão seria impossível inclusive para vocês.

Neste período, 16 comentários que não eram lixo foram publicados.

A maioria de vocês, quando vê um comentário bloqueado, tenta publicá-lo de novo. E de novo. E mais uma vez. Em geral, aquilo que fez o software decidir que podia ser um spam não mudou. Ele continuará sendo bloqueado.

Quando vou liberar, tenho que ter o cuidado de não aprovar comentários repetidos. Muitas vezes escapa. Só que quando libero um comentário de um comentarista e bloqueio três, por serem iguais, o sistema fica confuso. Fica na dúvida se é para tratar aquela pessoa como spammer ou não. Fica bloqueando por dúvida.

Se o sistema anti-spam decidiu bloquear um comentário, não o publique de novo. Eu vou liberar em algum momento ao longo do dia.

Há duas outras soluções para lidar com o problema dos spams. Um é fazer o registro parcial dos leitores. Quem for leitor registrado do Weblog entra com login e senha e jamais será bloqueado; outro é usar um captcha, sistema que exige que o leitor identifique um punhado de letras retorcidas antes de publicar.

Algum filtro tem que ter. É muito spam para conter.

(Tenho, ultimamente, visto com simpatia a idéia de registro. Todos poderiam continuar a se identificar com nicks.)

Tags: Administrativas

Fora do ar

28/April/2008 · 50 Comentários

Estivemos fora do ar por duas horas, hoje. Problemas no servidor. A instabilidade já vem ocorrendo há duas semanas, aproximadamente.

A informação do serviço de hosting é de que não ocorrerá novamente.

Tags: Administrativas

Apresentando Alaa al-Aswany, o escritor
mais vendido do mundo árabe

28/April/2008 · 59 Comentários

Alaa al-Aswany é o escritor mais vendido do mundo árabe. Seu best-seller, publicado em 2002, se chama O prédio jacobiano e se passa no Egito atual. É um romance realista em sem floreios que fala de tortura, opressão sexual, a criação de radicais islâmicos, sonhos perdidos em meio à burocracia e corrupção governamentais. Em seu país, não é considerado particularmente boa literatura. Apenas um best-seller. O escritor, um dentista do Cairo, se defende: ele se inspira nos livros de Ernest Hemingway. O estilo é simples, mesmo, sem as experimentações à moda da literatura contemporânea árabe, direto ao ponto. Seu único objetivo é contar uma história. Mas há muito acontecendo ali, entre os personagens.

É o Egito de hoje. Em suas páginas, o ditador Hosni Mubarak jamais aparece. Ele é apenas o ‘Grande Homem’, cuja voz ecoa vinda de um palácio suntuoso. Trata-se de uma metáfora, de um símbolo, que nasce não das preferências do escritor mas de uma concessão à censura loca. O edifício jacobiano está para estrear em filme com alguns dos atores árabes mais conhecidos que há. É sucesso literário na França e foi um dos títulos mais disputados para lançar na atual temporada norte-americana. Esperam vendas fartas.

Seu atual romance, Chicago, vende também horrores no Egito. É a visão do autor da época em que estudou em Chicago – uma visão positiva, encantada. Ele é um dos mais lidos colunistas da oposição laica egípcia, um homem engajado na democratização do país.

Ele foi perfilado pela edição de domingo da New York Times Magazine.

Os jovens estudantes muçulmanos faziam anotações em seus cadernos. Al-Aswany estava apenas começando. O Islã no Egito e em outras metrópoles cosmopolitanas como Bagdá e Damasco, ele continuou, foi marcado ao longo dos séculos por tolerância e pluralismo. Não podia ser mais diferente do que o Islã do deserto, como aquele desenvolvido na Arábia Saudita. Os nômades do deserto não tinham tempo para arte – então não fizeram arte. A tragédia do Egito é que ele teve que lidar com versões intolerantes do Islã vindas de lugares como a Arábia Saudita. Todas as batalhas já vencidas no Egito pelas revoluções de 1919 e 1952 – principalmente aquela pelos direitos das mulheres – agora têm de ser lutadas novamente.

Ele então olhou para os dois rapazes barbados: ‘A Irmandade Muçulmana diz que o Islã é a solução. Então, quando você se opõe a eles, respondem que você está se opondo ao Islã. Isso é muito perigoso. Muito.’ Ele repete, sua voz mais alta: ‘na política é preciso encontrar soluções políticas, então como a solução pode ser religiosa?’

Para Alaa al-Aswani, democracia precisa de tempo. No mundo árabe, os EUA são vistos como os mantenedores das ditaduras locais. Não são conhecidos pelo que têm de melhor – a própria democracia, a liberdade de expressão, a pluralidade de grupos que têm espaço na sociedade. E o problema, ele diz, é que os EUA não acreditam de fato em levar democracia ao mundo árabe. O resultado imediato é a eleição de grupos como o Hamas, na Palestina, ou a Irmandade Muçulmana, no Egito. Democracia, ele diz, carece de tempo. Só se for permitido ao Hamas ou à Irmandade Muçulmana governarem que o povo perceberá que trocou um tipo de ditadura por outro.

Ele diz mais: a oposição islâmica é justamente aquilo que ditadores como Hosni Mubarak mais querem. Abrem um pouco o regime, permitem que eleições apenas parcialmente livres mostrem alguma força dos grupos islâmicos, e pronto, de presto governos como os de EUA e Reino Unido darão apoio, farão ouvidos moucos, a seus desmandos ditatoriais. Esta é a arma corrente das ditaduras da região, portanto. Manter vivo o medo de que, sem os ditadores, quem assumirá é o Islã radical.

Para o escritor, talvez num primeiro momento, sim. Mas, em países como o Egito, eles não se criam.

Tags: Islã · Livros · Oriente Médio · África

Open thread do mais querido do Brasil

28/April/2008 · 542 Comentários

Rumo a Tóquio.

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Uma moça às segundas

28/April/2008 · 35 Comentários

Keyra Augustina

Tags: Moças

As tramas, os laços e as tensões criadas
por Itaipu, entre Brasil e Paraguai

27/April/2008 · 110 Comentários

Na última segunda-feira, publiquei aqui no Weblog a informação de que a usina hidrelétrica de Itaipu ainda podia ser expandida. Fui contestado por dois leitores – Surfando na Jaca e Josef Mario. Eu estava errado. Eles estavam tecnicamente corretos. Com vinte turbinas, Itaipu de fato chegou ao seu tamanho máximo.

A expansão possível é de outra ordem e não depende das boas relações entre Brasil e Paraguai, como seguia o raciocínio do post. Depende da relação de ambos com a Argentina. A região toda é de tríplice fronteira e qualquer variação do nível de água provocada por Itaipu afeta navegabilidade e outra usina mais ao sul. O resultado é que, para Itaipu funcionar com as 20 turbinas simultaneamente, seria preciso aumentar o volume d’água represada. Isto não é possível por conta de tratados assinados por Paraguai e Brasil com a Argentina. Hoje, pelo menos duas das turbinas estão sempre paradas em manutenção.

Ainda sobre a questão do preço que o Brasil paga pela eletricidade paraguaia, conversei nesta última semana com a historiadora Ivone Carletto Lima. Desconte os participantes da negociação, muitos já mortos, ela é provavelmente quem mais entende do processo que levou ao acordo. Itaipu foi obra das ditaduras dos generais Stroessner e Médici, um contrato firmado atrás das portas. Os engenheiros paraguaios, à época, consideraram-no uma vitória de grandes proporções; os brasileiros terminaram amargurados. O Brasil deu Itaipu de presente para o Paraguai. Pagou a conta inteira e desenvolveu boa parte da tecnologia. A contrapartida era de que a dívida seria paga ao longo de 50 anos, devidamente amortizada, na forma de energia elétrica. Não foi pouco: 30 bilhões de dólares. (A entrevista completa foi publicada hoje, no Aliás do Estadão.)

O que o Paraguai está pedindo, portanto, não é a revisão de um contrato que lhe foi imposto. É o perdão da dívida. O contexto político é outro, hoje. E pode interessar ao Brasil perdoar parcial ou totalmente tal dívida. Mas é bom ter em mente do que se trata renegociar preços: é perdoar dívida que existe. É uma cortesia brasileira, não a revisão de uma injustiça. E, na diplomacia, para qualquer cortesia cabem contrapartidas generosas. Serve se o Brasil ampliar sua área de influência regional.

E, assim como informa o Estado de hoje, é exatamente isto que o governo brasileiro está fazendo:

O governo brasileiro já traçou duas linhas básicas das negociações que terá com o novo comando do Paraguai. A primeira: o Tratado de Itaipu é intocável, mas outras formas de engordar o caixa do país vizinho poderão ser analisadas. Pode-se, por exemplo, adiantar pagamentos pela energia de Itaipu, e com o dinheiro criar um fundo de desenvolvimento do país. A segunda: a ajuda não será de graça. O Brasil vai, por exemplo, insistir numa proposta de atuação conjunta das polícias na fronteira dos dois países.

É a proposta inicial, a maneira como o Planalto chegará à mesa de negociações. O Paraguai não tem como renegociar o tratado a não ser que o Brasil o queira. Diferentemente de Evo Morales, que invadiu refinarias brasileiras em território boliviano, Fernando Lugo não pode invadir Itaipu, cujo território é considerado binacional. Se o fizesse, seria um ato de guerra; se ‘desligasse’ a usina, diga-se, o Paraguai ficaria às escuras. Lugo tem uma margem de manobra muito estreita em qualquer negociação.

Tags: América Latina · Argentina · Brasil

Uma entrevista aos sábados

26/April/2008 · 34 Comentários

Não senti raiva por estar morrendo Raiva de quê? Raiva tem que ter um alvo. Sentiria raiva de mim mesmo? De um poder superior que decidiu que minha vida se acabava ali? E, mesmo que este poder existisse, que efeito teria minha raiva? Não senti raiva. Morrer, acabar, sentir raiva para quê? Em que acredita uma pessoa que sente raiva? Acredita que tem o direito de continuar vivendo? Talvez eu tenha sentido raiva. Admito isso. Mas o que me impressiona é a inutilidade da raiva nessas circunstâncias.

Não senti resignação. É mais como uma aceitação. São dois movimentos distintos. Você aceita porque não tem saída. A resignação é aceitação mas também uma desistência. Não pode haver desistência na aceitação.

Depois, de certa forma, foi uma ressurreição. Isso é o despertar de um corpo dormido e este corpo é seu. Os médicos estão fazendo seu trabalho e o seu é de ajudar a seu corpo neste processo que pode ser chamado de ressurreição. Mas prefiro chamar de regresso, que é menos dramático e mais claro. Está regressando a si mesmo. Fui reduzido a alguém que estava ali e que não tinha ânimo, força ou gana para escrever. A única parte do corpo que não sofreu perda, acho, foi o cérebro, que se mostrou extraordinariamente ativo, não posso explicar. Nunca caí na sonolência. Sempre estive muito desperto, com capacidade de observação e comentário. Fiz até piada!

José Saramago

Tags: Gente · Livros

Open thread de sábado

26/April/2008 · 265 Comentários

As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram.

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Cientistas gays descobrem o gene da cristandade

25/April/2008 · 109 Comentários

Uma pena que não tenha legendas. Um grupo de cientistas gays descobriu o gene da cristandade. A descoberta traz a esperança de cura para cristãos em todo o mundo. Através de terapia genética, já conseguiram curar um rato cristão. (Os procedimentos ainda não foram testados em humanos.) Alguns cristãos ainda rejeitam a idéia – insistem na idéia de que a fé é uma escolha pessoal. Mas outros, discretamente, já começam a buscar algum tipo de terapia, estimulados por pais e amigos.

(Hoje o dia promete.)

via Bifurcated rivets

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O problema das artes gráficas

25/April/2008 · 29 Comentários

O Departamento de Comércio britânico acaba de apresentar sua nova logomarca para o público.

E já está a caminho de aposentá-la.

Tags: Europa · Pop

A sensível arte de fazer-se jornalista

24/April/2008 · 65 Comentários

(Só um gênio escreveria legendas assim.)

via Impostor

Tags: Mídia

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24/April/2008 · 387 Comentários

…da quinta em que perdi meu celular.

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O mundo visto pelos leitores: Argentina

24/April/2008 · 77 Comentários

Por Mr X

Faz uns bons seis meses que estou em Buenos Aires. Já conhecia a cidade, mas é a primeira vez que estou efetivamente morando aqui.

A visão estereotipada da capital argentina é o tango, churrasco, cemitério da Recoleta e feira de San Telmo. A cidade vai além: Buenos Aires é literária como poucas. Jorge Luis Borges localizou vários de seus contos na sua topografia e escreveu em um poema: A mi se me hace cuento que empezó Buenos Aires / La juzgo tan eterna cuanto el agua y el aire. Cortázar marcou o encontro dos personagens de ‘Los Premios’ no café London City, na esquina de Perú e Avenida de Mayo. Isaac Bahevis Singer visitou Buenos Aires e escreveu uma novela, ‘Escória’, que se passa em parte aqui. Não li o romance, não sei se o título foi inspirado na população local. O escritor vanguardista polonês Withold Gombrowicz morou aqui por trinta anos. O filósofo espanhol Ortega y Gasset também visitou e escreveu, ficou famoso, ‘Argentinos, a las cosas!’. Recomendava menos sonhos e mais ação. Italo Calvino também visitou e talvez tenha encontrado inspiração aqui para escrever o ótimo conto ‘A formiga argentina’.

Mas a visita mais famosa é a relatada pelo escritor portenho Marcos Aguinis no seu ótimo livro ‘O atroz encanto de ser argentino. É a visita do prêmio Nobel Jacinto Benavente. Contam que a todo momento o dramaturgo espanhol era incomodado com perguntas sobre o que achava da Argentina e dos argentinos. Não lhe davam sossego um único momento. E ele, calado, preferia não se pronunciar. Até que, do barco que o levou de volta à Europa, ele finalmente respondeu: ‘Formem a única outra palavra que pode ser formada com as letras de argentino.’ O barco já estava longe quando a multidão se deu conta que a única outra palavra que podia ser formada era ‘ignorante’.

Com o real alto, o dólar baixo e o peso irrisório, há muitos brasileiros hoje vindo de visita a Buenos Aires: escuta-se o português em qualquer esquina ou café. Na verdade, às vezes até parece que nem saí do Brasil. Tem brasileiro até demais. Xô, xô.

Buenos Aires recentemente também está virando a capital latino-americana do turismo gay. O que é curioso, pois, assim como ocorre no Irã, não existem homossexuais na Argentina. O que existem são só ‘muchachos medio alegres’.

As mulheres argentinas, em contrapartida, são muito bonitas, e de tipos quase tão variados quanto as brasileiras.

Teoricamente, os personagens recentes mais famosos da Argentina são Gardel, Perón e Evita. Mas um estrangeiro que julgasse apenas pela quantidade de imagens vendidas nas bancas de jornais em cartazes, pôsteres e calendários, acharia que os personagens mais famosos da história argentina recente são Che Guevara e Homer Simpson.

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Tags: Argentina · Depoimentos

A vitória de Hillary: outra leitura

24/April/2008 · 40 Comentários

Clinton venceu na Pensilvânia por duas razões: apenas democratas votam nas primárias de lá e o estado é dominado por idosos que fecham pesado com a senadora.

Embora alegue que seja mais elegível, Hillary nunca se deu bem entre eleitores não filiados ao Partido Democrata. E Obama, quando apenas democratas votam, costuma perder. O fato de as primárias da Pensilvânia serem fechadas deu a ela uma vantagem considerável.

O eleitorado mais velho está indo para os braços de Clinton porque teme o que Obama pode fazer como presidente. Aqueles com menos de 45 anos, menos preocupados com a questão racial, preferem Obama. Na Pensilvânia, essa divisão ajudou a candidatura dela.

Dos 50 estados que compõem os Estados Unidos apenas a Flórida tem uma população com mais de 64 anos maior do que a da Pensilvânia. Mas há uma diferença: os da Flórida se mudaram para lá após a aposentadoria; os da Pensilvânia foram deixados quando seus filhos se mudaram de estado.

Os democratas da Pensilvânia, em outras palavras, têm medo do futuro. Eles gostam da maneira antiga de fazer as coisas e têm simpatia pela idéia de dinastias – elas lhes são familiares. Veja o caso de dois políticos locais, ambos de nome Bob Casey. Um foi governador. O filho é senador.

A leitura é de Dick Morris, um dos mais hábeis intérpretes de pesquisa e de tendências políticas nos EUA.

Não custa lembrar que ele foi muito próximo de Bill Clinton, uma eminência parda em seu primeiro governo; também cabe lembrar que, após um escândalo envolvendo uma prostituta, foi abandonado pelos Clintons. Por conta das mágoas passadas, Morris não gosta de nenhum dos dois – um sentimento que compartilha com muitos dos caciques do partido.

Mas este é justamente o maior problema de Hillary. Ela dependerá dos caciques e subcaciques democratas para garantir sua candidatura. Quase todos têm uma historiazinha passada de amargura.

dica do Paulo Gontijo

Tags: EUA