Dalai Lama: ‘independência, não;’
O Tibete quer autonomia

China · 25/03/2008 - 09h20 - 61 Comentários

O que diz Tenzin Gyatso, o 14o Dalai Lama, em sua entrevista à Newsweek desta semana:

O que o senhor acha que falta para que os líderes da China reconheçam sua sinceridade? O primeiro ministro Wen Jibao quer que o senhor aceite duas condições antes de o diálogo começar. Que renuncie à independência do Tibete e que renuncie à violência.

No ano passado, em Washington, estive com alguns professores chineses e alguns me perguntaram: ‘que garantia existe de que o Tibete não vai se separar da China no futuro?’ Eu respondi que minhas declarações não vão influenciar este processo, nem minha assinatura. A única garantia é a satisfação do povo tibetano. Eles precisam sentir que é seu benefício fazer parte da China. Quando sentirem isso, esta será a maior garantia para que o Tibete faça parte para sempre da República Popular Chinesa.

O governo da China quer que eu diga que por séculos o Tibete fez parte da China. Mesmo que eu diga isso, muitos vão rir. E minha declaração não mudará a história. História é história.

Não vale falar do passado. O passado ficou no passado e não importa se o Tibete fazia parte da China ou não. Devemos olhar para o futuro. Acredito sinceramente que uma nova realidade está nascendo. Os tempos são outros. Grupos étnicos diferentes e nações diferentes se reúnem porque faz sentido. Veja a União Européia… é fantástica. De que valem países pequenos lutando um contra o outro? É muito melhor para os tibetanos que se juntem à China. É isto que acredito.

Entre 1240 e 1913, o Tibete fez parte do Império Chinês. A dinastia do primeiro Dalai Lama foi imposta pelo imperador da China em 1578. (E o terceiro Dalai Lama era um dos netos deste imperador.) A China reconquistou o Tibete entre 1950 e 51.

Nos últimos anos, o Dalai Lama não pede a independência do Tibete. Sua proposta de um ‘Tibete Livre’ é um Tibete autônomo.

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