No dia 14 de março de 1883, o filósofo prussiano Karl Heinrich Marx morreu após 14 meses de gripe que evoluíram para uma pneumonia. Há 125 anos, hoje.
(O Ricardo Cabral mui gentilmente lembrou-me da data.)
Há alguns meses, entrevistei para o caderno Aliás, Estadão, o professor sueco Goran Therborn, atual ocupante da cátedra de Sociologia da Universidade de Cambridge. Este é um trecho que não saiu publicado:
O senhor é marxista?
Não creio que marxismo faça mais sentido em nosso século. Eu poderia ser chamado de um marxiano. Marx pode ser uma fonte de inspiração importante para as ciências sociais, respeitando a idéia de que emancipação virá com o esforço dos explorados, não dos exploradores. Mas os parâmetros políticos são diferentes, hoje, do que eram nos séculos 19 e 20.
O que mudou?
A luta de classes não é mais o grande catalisador de mudanças sociais. Há outras forças no cenário atual além dos sindicatos. Por muito tempo, este conflito definiu a política. Na visão de Marx, a dinâmica do capitalismo levaria a uma classe trabalhadora cada vez maior e mais forte. Para isso ocorrer, seria necessário o surgimento de grandes corporações que empregassem essas massas. Durante o século 20, empresas para fornecimento de água, luz, transporte e tantos outros serviços nasceram em mãos privadas e foram lentamente sendo nacionalizadas ou municipalizadas, formando uma estrutura estatal que servia às nações e produzia uma grande classe sindicalizada. A partir das privatizações e inovações tecnológicas, essa dinâmica deixou de existir. A economia está mais complexa.
145 Comentários até agora ↓
1 Mr X // 14/March/2008 às 14:20
Kkkkk…. Marxiano…. Tá aí um bom apelido pra essa turma de manés, aiaiais e nadas…. Alienígenas do planeta Marxe!
2 Antonio M // 14/March/2008 às 14:22
” O senhor é marxista?
Não creio que marxismo faça mais sentido em nosso século”
Ahá !!! Por isso que seus seguidores são chegados num retrocesso !
3 Antonio M // 14/March/2008 às 14:25
E vejo comemorarem 10 anos, 25 anos, 50 anos, 100 anos, 200 anos, 500 anos.
Alguém lembrar 125 anos é a primeira vez ….
4 Gunnar // 14/March/2008 às 14:40
Antonio #3, imagino que isso esteja relacionado unicamente ao fato de o PD ter feito a tal entrevista há pouco tempo.
E justamente porque o marxismo não faz mais sentido é que eu não entendo a insistência de certos direitões em chamar qualquer um que discorde de alguma de suas idéias de esquerdista, “petralha”, “comuna”, vermelho, etc.
Não faz sentido tentar, hoje, dividir o mundo (e, por conseguinte, o debate) em direita e esquerda…
1. porque é um maniqueísmo simplório demais, que não abrange todas as outras maneiras de pensar;
2. porque o mundo mudou e o que esquerdistas defendiam e direitistas combatiam nem existe mais (luta de classes, proletariado oprimido, etc);
3. porque no fundo, são dois prismas de uma mesma visão de mundo. Ultrapassada, diga-se.
Ou seja, esses conceitos não se aplicam e muito menos explicam o mundo de hoje.
Mas, na boa, entre a produção intelectual / jornalística dita “de direita” e “de esquerda”, fico com a direita - pelo menos eles estudam e sabem alguma coisa de lógica.
5 Barba Negra // 14/March/2008 às 14:46
O marxismo é não só uma concepção politica ou opção ideológica como tb uma visão do mundo, uma filosofia totalitária que pretende ser definitiva e indiscutível .
De fato, o seu caráter de filosofia indiscutível foi imposto pela ação dos poderes públicos em grandes áreas do planeta utilizando-se todo o tipo de coações, incluindo o terror e o descrédito, a desonra dos seus detratores ou dos seus criticos. Hoje ela vegeta nos aterros da historia ( que talvez a cada bocado de anos alguém se recorde destas datas ) mas deixou herdeiros.
O marxismo profetizava nos países industrializados um mergulhar cada vez mais rápido de massas cada vez mais numerosas numa miseria cada vez mais negra, face a um punhado, cada vez mais reduzido, de capitalistas cada vez mais ricos.
Sabemos que espécie de confirmação a Historia trouxe a essa profecia genial.
A historia driblou o marxismo. Aquilo que o marxismo buscava o capitalismo conseguiu. A apoteose do povo. As sociedades industrializadas presenciaram ao nascimento e crescimento de uma classe media obesa, cada vez mais obesa, próspera, cada vez mais próspera. A multidão anônima, caótica, informe, ganhou o seu lugar cativo na Historia.
6 Jåµë§ ßønd™ // 14/March/2008 às 14:54
-= … para Groucho Marx, o único Marx que eu levo a sério, ninguém fez festinha. Ele está morto há 30 anos.
7 Alguem // 14/March/2008 às 15:00
Gunnar e Barba negra > vcs Estão corretos em muitas coisas que dizem .
Só não consigo entender o pq do PD nunca postar qui algo semelhante para uma discussão sobre os robos direitões ou sobre o Grande Capitalismo .
Qual a solução dos problemas atuais ?
É se conformar com a forma de organização trabalista ?
Ou ter uma nova concepção de reformas que não copiam o Marxismo nem o capengalisgo para os pobres ?
8 Ricardo Cabral // 14/March/2008 às 15:13
Só agora vi, PD
:-)
9 josef mario // 14/March/2008 às 15:14
Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
Eu, josef mario, devo dizer que, como todos sabem, enquanto petista, bolivariano e analfabeto, sou um grande admirador do companheiro marx. Deste modo, eu, josef mario, sou de opinião que o companheiro joel natalino santana que, para os alienados, é simplesmente o comandante rubro-negro, deveria colocar o companheiro maxi biancutti no ataque do flamengo, ao lado do companheiro souza. Este companheiro maxi tem pedigree porque, além de ser xará em 2º grau do companheiro marx, também é argentino como o companheiro bolivar.
Muito obrigado
10 Alguem // 14/March/2008 às 15:22
kkkk muito bom Josef rsrs va é mais engraçado que o Isaias.
11 Alguem // 14/March/2008 às 15:23
Por falar nisso > Cade o Profeta Isaías ?
12 Ricardo Cabral // 14/March/2008 às 15:23
O que saiu no Aliás dito pelo Göran Therborn é bastante interessante também!
13 Burn the Witch! // 14/March/2008 às 15:24
Hoje é aniversário da morte do George Eastman também. Taí um cara que provocou uma revolução do bem. “You Press the Button, We Do the Rest”
14 Alba // 14/March/2008 às 15:29
Gunnar,
Você lembrou bem uma das contradições da turma que condena o “relativismo moral”. Classificar simploriamente os que lembram que o mundo é mais complicado em termos de “comunistas, petralhas” e outras bobagens.
No entanto, decretar a morte do marxismo parece-me de uma arrogância descomunal por parte do tal professor, quando as causas que deram origem ao pensamento marxista, não só permanecem, mas se agudizam, o que me leva a comentar aspectos da fala de outros comentaristas.
“A historia driblou o marxismo. Aquilo que o marxismo buscava o capitalismo conseguiu. A apoteose do povo. As sociedades industrializadas presenciaram ao nascimento e crescimento de uma classe media obesa, cada vez mais obesa, próspera, cada vez mais próspera. A multidão anônima, caótica, informe, ganhou o seu lugar cativo na Historia.”
Barba Negra, você escreve muito bem. Só que não conheço os países a que se refere. Se se trata por exemplo, dos EUA, eu diria que os desabrigados e desassistidos pelo furacão Katrina, em New Orleans também não concordariam. Sem falar das populações marginalizadas na França, mesmo com a cobertura do Estado que lhe ameaçam suspender.
Isso para não falar das literalmente multidões de miseráveis que não cessam de crescer no Terceiro Mundo, graças à contradição básica denunciada por Marx entre Capital X Trabalho e que a globalização atual só fez ampliar.
15 revelações corânicas // 14/March/2008 às 15:36
Justificável o ineditismo do trecho. É uma droga. Há tempos, já na época do falecido, queriam enterrá-lo vivo. Agora confundir sindicato ou forma de organização da classe operária com luta de classes é um exemplo de erro grosseiro de quem nem folheou a fundo a obra do defunto incômodo. A tese do fortalecimento da classe operário via Estado é outra asneira. Se assim fosse, Marx teria é uma depressão frente à organização operária da época em que nem se imaginava as grandes estatais. Mudou o capitalismo, sem dúvida, mas a maioria continua vendendo sua força de trabalho por salário, mesmo que seja na China, que a nova divisão internacional do trabalho possibilitou o inchaço do setor terciário na primeiro mundo. Preferia uma homenagem à altura do morto, com Vergopoulos, Hobsbawm, Jamenson, Arrighi ou outro intelectual capaz de honrar dignamente com essa herança maldita. Não me queira mal, PD, mas sou sincero.
16 Guilherme // 14/March/2008 às 15:37
O comentário da Alba me contemplou. A contradição entre Capital e Trabalho denunciada por Marx está aí mais viva do que nunca, e continua a devastar multidões. Se a “mais valia” tivesse deixado de existir, não estaríamos mais hoje vendo a mais escandalosa concentração de renda do mundo, e aqui. Nunca antes na história deste país…
17 Nhé! // 14/March/2008 às 15:39
Caçamba, 14 meses de gripe?
Que horror!
18 revelações corânicas // 14/March/2008 às 15:45
Alba, muito bem comentado, como falou o Guilherme.
19 Guilherme // 14/March/2008 às 15:45
Revelações corânicas,
Apoiado.O leninismo era uma interpretação pessoal de Lênin “de como se deveria estabelecer o marxismo”. O Stalinismo é um desvio pior ainda.
Marx cometeu alguns erros, mas a essência da sua obra continua intacta. Uma coisa é considerar o Manifesto Comunista totalmente ultrapassado. Outra, é questionar O Capital.
A direita de plantão aqui urra de regozijo com matérias como desse professor Goran aí. Fazer o quê?
20 revelações corânicas // 14/March/2008 às 15:46
Podiam fazer a entrevista contigo.
21 Alba // 14/March/2008 às 15:46
Surf,
Exatamente. É até constrangedor ler coisas como essas vindas de um professor.
Guilherme,
Há uns tipos apressados à beça que aparecem de tempos em tempos. Primeiro foi o cara do “fim da História”, que conseguiu seus 15 minutos de glória só pra amargar logo depois o desmentido da tese. Fico às vezes totalmente pasma com a falta de imaginação da direita..:((
22 Antonio M // 14/March/2008 às 15:48
De repente isso aqui virou o Fórum Social de Porto Alegre …..
23 Pedro Doria // 14/March/2008 às 15:50
Gente… calma aí, não respondam no cacoete por não reconhecerem o nome. Esse cara é um dos principais pensadores do marxismo atuais. A ele ninguém pode acusar de não ter lido Marx…
24 josef mario // 14/March/2008 às 15:51
Companheira alba e companheiro surfando na jaca
Eu, josef mario, devo dizer que o único problema do brilhantismo dos comentários dos companheiros é que deixa a todos nós da esquerda com uma responsabilidade muito grande e quase impossível de acrescentar algo, com um mínimo de conteúdo, sobre o assunto.
Muito obrigado
25 Guilherme // 14/March/2008 às 15:52
Alba,
aquele do “fim da história” era um japonês americano, né? Nunca consegui entender direito o que ele quis dizer. Sumiu.
26 Alba // 14/March/2008 às 15:56
Desculpe, PD,
Cacoete foi o que lemos em vários comentários tecendo loas ao texto do professor. E o fato de não ser famoso não tem a menor importância. Duvido porém, que um Hobsbawn, ou mesmo um Kenneth maxwell assinassem um texto bisonho como esse.
Se o cara é especialista, nada mostrou que lhe justifique a reputação, ao contrário.
27 efedeele // 14/March/2008 às 15:58
Alba, imaginação é o que esse povo mais tem, veja, criam suas fantasias e passam a acreditar nelas…ainda nesta semana, em outro post alguém divulgou a teoria ou estória, de que Al Fayad teria feito doação ’secreta’ (???) à campanha de Obama…já outro achou a estória plausível, para, por fim o criador confessar sua criação…
28 Alba // 14/March/2008 às 15:59
Guilherme,
Era sim, o Francis Fukuyama. Grosso modo, dizia que a História havia acabado com o fim da URSS. Como digo, uma falta oceânica de imaginação..:))
Companheiro josef mario,
Tenho certeza que o companheiro saberá acrecentar muuuita coisa. O texto é pobrinho, pobrinho..:))
29 M42 // 14/March/2008 às 16:02
http://www.youtube.com/watch?v=KfTovA3qGCs
30 Alba // 14/March/2008 às 16:07
efedeele,
É verdade, você tem toda razão. Mas é o tipo de imaginação que se alimenta só de Róliúde, parece. Não há contradições, reparou? :E nem dá, senão vira “relativismo moral”, esse perigo. :))
31 Pedro Doria // 14/March/2008 às 16:09
Bem, num mundo em que informação é o maior bem e a globalização é plena, a dinâmica econômica muda, sim.
Olhem à volta de vocês. A luta de classes não é mais o principal catalizador de mudanças sociais. Os sindicatos se enfraquecem em toda parte porque não respondem mais aos anseios dos próprios trabalhadores. As pessoas não se agrupam mais em busca de melhoras pela sua classe; reúnem-se pela sua etnia, pela sua religião, até por sua ideologia. Não há mais revoluções em curso, elas perderam a razão de ser.
É claro que ainda existem explorados e exploradores. Mas o jogo ficou mais complexo. É disso que ele está falando.
32 Antonio M // 14/March/2008 às 16:15
Devido à globalização a exclusão se dá por causa da falta de educação básica de boa qualidade. Sem poder adquirir conhecimentos as pessoas terão cada vez mais dificuldades em prosperar, entender o que ocorre ao seu redor.
O Estado precisa se concentrar em fornecer educação básica/média gratuita e de ótima qualidade para todos. Essa é uma atribuição prioritária.
33 Alba // 14/March/2008 às 16:16
PD,
Nesse caso, que ele fosse mais claro. O Zlavoj Zizek escreve sobre os mesmos dilemas apontando, de forma recorrente, a necessidade da esquerda se repensar e repensar suas práticas, em função da perda de paradigmas com as mudanças sofridas pelo mundo. E, nisso, está certissimo.
Mas não li uma palavra dele questionando os fundamentos do marxismo.
34 Mr X // 14/March/2008 às 16:16
Não é que “ficou mais complexo”, é que de fato o “jogo” nunca foi exatamente o que Marx dizia ser…
35 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 16:30
Pedro Doria,
Não quero desmenti-lo, mas fico com meu comentário conciso, que poderia fazê-lo epistolar e chato, nem sou um luminar do marxismo. Acho que a discussão não é se existem mudanças no capitalismo atual. Houve uma confusão do seu “admirável” professor e que vc. insiste em dar razão. Nenhum mais ou menos brilhante conhecedor do marxismo falaria em ausência de luta de classes na atualidade. Luta de classes é a oposição fundamental dentro de uma sociedade, inclusive nas que antecederam o capitalismo. Se já vivemos no socialismo, então está enterrada a contradição entre capital e trabalho. Caso não sejamos marxistas, então simplesmente a recusamos como categoria analítica. Nenhum marxista fala em ausência de luta de classes, mas nas transformações que a organização da luta operária vem sofrendo. O Vergopoulos chama atenção para a curiosa situação de que às propaladas formas de luta via internet ou espontâneas não superaram ainda os sindicatos, com todo o esvaziamento comentado na atualidade. Prefiro ler os bons marxistas de sempre, como Lojkine e outros já citados do que o grande e famoso conhecedor de Marx, sir Goran, cuja grande obra de relevo sobre o marxismo desconheço e sequer é relevante nos debates dos intelectuais marxistas ou de esquerda de nossos dias. Pode me xingar, apagar o comentário, pois já estou acostumado às intempéries do blog.
36 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 16:33
retire a crase às propaladas. Obrigado.
37 Nhé! // 14/March/2008 às 16:45
Jaca disse:
“…às propaladas formas de luta via internet ou espontâneas não superaram ainda os sindicatos…
Difícil se livrar do sindicato, se este é compulsório.
38 Antonio M // 14/March/2008 às 16:50
E o governo Lula acaba de reconhecer as centrais sindicais. Assim poderão receber 10% do que é arrecadado com o imposto sindical.
Peleguismo pouco é bobagem ….
39 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 16:51
Nhé-nhé-nhé,
falávamos de sindicato como instrumento de mobilização para a defesa de classe, não me venha de nhé-nhé-nhé, nem de neobobeirismo.
40 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 16:52
Nhé-nhé-nhé,
falávamos de sindicato como instrumento de mobilização para a defesa de classe, não me venha de nhé-nhé-nhé, nem de neobobeirismo ou fracassomania do operariado.
41 Carlos // 14/March/2008 às 16:53
O Mulla também será lembrado após 125 da sua morte, né não? …..fala sério!
42 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 16:53
Tuim das Mortes,
os sindicatos acabaram, nem precisa reclamar de imposto sindical.
43 Antonio M // 14/March/2008 às 16:55
Se os sindicatos acabaram então continuam recolhendo um dia de meu trabalho para quem?
Ah entendi…É para dar a quadrilhas que se dizem representantes de quem trabalha mas, que não trabalham…..
44 Nhé! // 14/March/2008 às 16:56
Tá bom, Jaca podre, não gosta de ser contrariado, né?
Não precisa ficar gaga, já entendi.
=-P
45 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 16:56
Prezado babante comentarista, Sr. Carlos,
o Lula será lembrado logo mais nas eleições desse ano e em 2010, com a vitória da Dilma. Para quem o odeia será como conviver com uma úlcera. Portanto, relax.
46 Antonio M // 14/March/2008 às 16:59
“Elio Gaspari - 09/03/2008
…VOZ DA SABEDORIA
De um sábio que já viu de tudo, duvidando da hipótese de Nosso Guia sair pelo Brasil carregando nos ombros um candidato-poste para elegê-lo presidente da República: -Conheço-o há mais de 30 anos. Lula nunca apoiou ninguém. …”
Até 2010 ainda tem um tempinho. A conferir ….
47 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 17:00
Aceito xingamentos a granel e no varejo. Não tenho a idade do bolivariano Zé Mário para tanto. Mas vc. é que não gostou de ser contrariado ou contrariada. Criarei um instituto para vc. fazer suas palestras.
48 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 17:01
Tuim, essa tese é boa. Aguardarei.
49 Alba // 14/March/2008 às 17:12
Na verdade, preciso sair daqui a pouco, mas a discussão é a respeito do papel histórico dos sindicatos na luta dos trabalhadores.
Como todos vocês sabem, durante a primeira Revolução Industrial, a exploração era gigantesca, inexistindo leis trabalhistas. Estas foram CONQUISTADAS, que é uma palavrinha importante, pelos trabalhadores que acabaram por se organizar em sindicatos - instituições que nasceram para defender os interesses dos trabalhadores contra os patrões.
No entanto, em determinado período, governos como o de Mussolini, temendo o crescimento do socialismo, amordaçõu os sindicatos, vinculando-os ao Estado.
Foi a Constituição de 1937, inspirada no fascismo, que fez a mesma coisa aqui. Já deveríamos ter sindicatos livres, mas a essa altura, mesmo onde os há, o poder de negociação dos trabalhadores foi muito reduzido.
O que não impede que, no Brasil, essa estrutura fosse ao menos, discutida.
50 surfando nas revelações corânicas // 14/March/2008 às 17:18
Nhé, desculpe-me. Esses nicks assexuados me confundem.
51 Antonio M // 14/March/2008 às 17:18
Comunistas em ação !!
“Protestos se intensificam no Tibete e China culpa dalai-lama
Manifestantes pró-independência queimam lojas e carros em Lhasa; China teria matado duas pessoas na região…”
Hmmmmm…….Dalai Lama está para Hu Jintao assim como FHC está para Lula ?!?!?!!?
52 Ninguém // 14/March/2008 às 17:21
Não sei em outros lugares, mas por aqui os sindicatos são vistos como mais um encargo que devemos sustentar e não como orgãos de defesa dos direitos do trabalhador.
Há uma dissonância entre a realidade sindical e seu potencial de transformação social?
53 Antonio M // 14/March/2008 às 17:25
“…instituições que nasceram para defender os interesses dos trabalhadores contra os patrões. …”
Vamos acabar com todas as empresas, que consequentemente acabaremos com todos os patrões e sobrarão apenas trabalhadores e sindicatos.
E viveremos felizes para sempre …
54 Guilherme // 14/March/2008 às 17:30
“Lula nunca apoiou ninguém” (#46).
Não sei dizer em outros países mas, no Brasil, temos muito disso. Os nossos “caciques” políticos raramente elegem sucessores. Eles dizem que é “porque voto não se transfere”.
Mas quem os conhece mais de perto, e às suas práticas, sabe que é prá não deixar ninguém crescer à sua sombra, pois se isso acontecer, o dito cujo irá disputar poder com ele dentro do próprio partido.
Então, é comum que o o cacique trabalhe na penumbra prá que o partido indique como candidato um nome sem muitas chances. Como FHC fez com o Serra, que perdeu pro Alckimin.
55 Alba // 14/March/2008 às 17:34
Ninguém,
Na verdade, os sindicatos foram importantes e muito, principalmente durante a ditadura, defendendo conquistas dos trabalhadores.
Mas houve muitas mudanças. O outrora poderoso sindicato dos metalúrgicos do ABC perdeu força, por exemplo, porque milhares de trabalhadores foram substituídos por robôs, o que gerou desemprego. Quem não lembra de quando metalúrgicos de São Paulo migravam para o Paraná em busca de emprego na Renault e outras?
Isso, quanto às mudanças que as novas tecnologias trouxeram, e que atingiram pouco, ou muito, todos os setores, fragilizando os trabalhadores e tornando comuns coisas como a terceirização.
Nossos sindicatos teriam que se desvincular do Estado talvez desde o fim da ditadura. Essa discussão não foi feita, como se as coisas fossem as mesmas. O que só mostra que há muitas questões novas a responder.
56 Marcelo P. // 14/March/2008 às 17:41
Pô, resumir o marxismo à luta sindicatos/patrões é um tanto simplista, não?
57 Antonio M // 14/March/2008 às 17:43
“…Isso, quanto às mudanças que as novas tecnologias trouxeram, e que atingiram pouco, ou muito, todos os setores, fragilizando os trabalhadores e tornando comuns coisas como a terceirização. …”
Fragilizam por que faltou a educação. Nem os sindicatos se preocuparam em conscientizar os trabalhadores, estavam “ocupados” com outras coisas. O governo via seguro-desemprego e com a reforma trabalhista poderia agilizar e ampliar o acesso ao sistema S (Sesi, Senai) para que recebendo formalização e atualização profissional.
O Japão possui sindicatos, patrões etc. e problemas existem mas, com toda a automação e tecnologia falta mão-de-obra pois desenvolvimento traz oportunidades. A Vale hoje em dia não está conseguindo admitir engenheiros que além de estarem em falta, há muita defasagem educacional e desprepraro. Já afirmaram que podem ir buscar mão-de-obra assim no exterior.
Educação é a saída.
58 Marcos Araújo // 14/March/2008 às 17:48
É… tô achando que a Dilma leva em 2010, se for candidata. 100 vêzes mais tarimbada, competente e classuda que o Mulla. A mim pouco me importa se no passado foi guerrilheira. Bom, se foi, é porque é bem mais corajosa que muito porqueira sem bagos por aí, que nao tem a mínima idéia do que é ser torturado. A esquerda mata; a direita mata - qual a diferença? A marmanjada do atraso (dinosauros Ciro, Serra, Aécio bosta de Minas, etc.) que se segure. Se for candidata, a Dilma terá o meu voto. Pra segurar a barra desses govêrno de incompetentes que, se nao fosse ela no comando (pois o Mulla nao trabalha; só viaja)já teria se desmanchado no ar há muito, tem que ser compentente sim. Fodona. Quero ver uma mulher presidente do Brasil. Em frente Dilma!
Podem mandar pedrada, tô me lascando. Mas creio que a Confetti vai gostar :o))
59 Antonio M // 14/March/2008 às 17:51
Lula perdeu uma boa chance de dar exemplo. Ao perdoar uma dívida de mais de R$ 1bi de usineiros, deveria ter feito o contrário. Cobrar esses dinheiro e prmover um programa de reciclagem/formação profissional para os cortadores de cana e demais trabalhadores dessa área. Mas preferiu chamar tais usineiros de heróis e perdoar a tunga.
Esse setor já previu o corte de 400mil trabalhadores manuais devido a automação nos próximos anos.
E esses trabalhadores farão o quê: engrossarão fileiras do MST, MLST, Via Campesina, passarão o resto da vida como nômades protestando contra a tecnologia e automação e vivendo de bolsa-família e cestas-básicas do governo ?!?!
60 Alba // 14/March/2008 às 17:53
Antonio M,
Educação é essencial, concordamos. Só que é projeto pra décadas. Não produz resultados imediatos. Falo com algum conhecimento de causa porque sou professora.
Ocorre que o Japão investiu pesado em educação desde a Revolução Meiji, no século 19. No meio do caminho, fazia mais ou menos como a China faz hoje, pirataria na maior cara dura, enquanto formava uma elite educada no exterior com a missão de voltar ao país e trazer novos conhecimentos.
Os outros países asiáticos seguiram o exemplo.
Precisamos melhorar o nosso padrão? Ninguém discute, imagino. Mas isso passa por um projeto nacional que privilegie a educação como prioridade de fato e não de discurso. Neste quesito, TODOS os partidos falham.
61 Alba // 14/March/2008 às 17:55
E desculpem todos, mas precisomesmo sair.
Abraços
62 ioio // 14/March/2008 às 18:07
O problema é que a direita deixou de ser truculenta mas persiste com uma certa ignorancia, não falo do professor Goran que está descrente …. e sim de alguns comentaristas que acham que a boa polemica está nos assessórios. Olha aí gente vamos elevar o nível e fazer como a dona Alba que fundamenta bem suas opiniões.
63 Gunnar // 14/March/2008 às 18:08
Well, Marx por Marx, esquerda por esquerda, eu fico com Proudhon, Kropotkin e Bakunin.
Aliás, sindicalismo é herança dos anarquistas, só depois foi usurpado e distorcido pelos marxistas (assim como as Internacionais), desde sempre adeptos de técnicas petralhas.
64 Ninguém // 14/March/2008 às 18:09
Obrigado Alba.
Um ótimo fim de semana para todos.
65 Chesterton Dracul // 14/March/2008 às 18:38
Apagado por estar fora do tópico — PD
66 Billy the kid // 14/March/2008 às 18:41
Tem que acabar com os sindicatos , os esquerdistas tem que ser lobotomozados, e na falta de cerebro tem que ser implantado um computador com desenhos da disney.
O lula nao precisa, ele tem um vazia dentro da caixa craneana dele ha um vazio, que lhe impede ver der as roubalheiras que acontecem ao redor dele.
Aos amigos da esquerda etilica, lhes sera dado um outro assunto para se afeicoarem, como por exemplo, cachorros e gatos abandonados, que sao mais baratos e menos complicados do que as criancas abandonadas.
Aos admiradores do chaves, fidel, mao e outros palhacos, lhes sera reeditada uma edicao nova do plahaco carequinha, que palhaco por palhaco e mehlor do que os supracitados.
Amigos esquerdistas, os dias de voces estao contados!!!
67 Billy the kid // 14/March/2008 às 18:42
Carlos Marx
o unico Judeu burro de que se tem memoria.
68 Marcos Araújo // 14/March/2008 às 19:12
Billinho, nao somos esquerdistas, somos de esquerda. Da esquerda realista, se você sabe o que é isto. Até conversamos com direitobas, como vocês está vendo. E saiba que o Lula nem é de esquerda; é um direitoba obtuso como você.
69 Pablo Vilarnovo // 14/March/2008 às 20:52
Eu só diria isso: a luta de classe NUNCA foi o catalizador de mudanças sociais. Educação foi, tecnologia foi, cultura foi.
Nunca a luta de classes.
70 Pablo Vilarnovo // 14/March/2008 às 20:53
Diria também: não amigo, a economia sempre foi complexa. Os marxistas que nunca entenderam muito bem como ela funciona.
Por isso foi um fracasso onde quer que tenha sido implantado.
Capicce??
71 Harun al-Rachid // 14/March/2008 às 21:22
Marxismo, comunismo, socialismo, seja qual for o nome deixou de existir quando o sujeito de suas proposições, o proletariado, produto da Revolução Industrial, desapareceu.
A multidão que restou é formada pelos que Marx e Engels chamaram de lumpen-proletariado — ‘‘ esse produto passivo da putrefação das camadas mais baixas da velha sociedade.’’
A China mostrou o que é possível fazer com o lumpesinato: escravizá-lo.
No momento, Marx, Engels, Lênin e outros, não se preocupariam com eles.
72 Dino 5,4 % // 14/March/2008 às 21:26
Heee… Quem é esse tal de “Carlos Marx”? dâââ…
73 Mr X // 14/March/2008 às 21:36
> 125 anos da morte de Karl Marx
O quêêê? Marx morreu?!?!
Pelos comentários de alguns aqui, não deu pra perceber….
KKKK
74 Pedro Doria // 14/March/2008 às 21:45
Pablo Vilarnovo: desculpe mas foi luta de classes que motivou a Revolução Americana a Francesa, a Bolchevique…
Nas duas primeiras vc vê nitidamente o conflito entre uma classe burguesa em ascensão, uma classe superior bloqueando seu espaço e a culminação do conflito num processo violento que se traduz na eliminação de uma classe econômica, a aristocracia.
Na Revolução Russa, o processo inicial é burguês contra aristocrata, mas a burguesia no poder não consegue estabilidade e termina também deposta pela classe trabalhadora. Isso é história.
As revoluções são os exemplos mais evidentes, mas todos os grandes conflitos recentes podem ser explicados pela ótica da luta de classes. As pressões sobre a classe trabalhadora dos EUA nos anos 30 levaram à vitória continuada do Partido Democrata por décadas, à intervenção no mercado e o atendimento das reivindicações trabalhistas pelo governo produziram uma máquina de produção de riqueza no pós-Guerra das mais formidáveis.
Dizer que luta de classes nunca houve é se recusar a enxergar a história.
75 revelações corânicas // 14/March/2008 às 22:03
El Rachado,
vc. é burro ou louco? O que restou foi o lumpenproletariado? Acho que vc. não sabe o que está falando,
Interessante que ninguém lembre da morte de outros pensadores de cunho político, como Comte. Marx todo mundo sabe quem é depois de 125 anos.
Minha homenagem a Marx:
Marx tinha certamente uma explicação particular do conflito social, explicação esta centrada no fato de as pessoas terrem relações diferentes com os meios de produção, algumas os possuindo e outras não, algumas controlando seu uso e outras não. Esteve muito em voga durante algum tempo argumentar que Marx estava errado sobre isto, que a luta de classes não era a única e nem sequer a principal fonte de conflito social. Vários substitutos já foram apresentados: grupos de status, grupos de afinidade política, gênero, raça. A lista continua…qualquer que seja o substituto para “classe”, presume sempre a centralidade da luta e apenas troca o nome dos combatentes. Alguém jamais refutou Marx dizendo que não passa de disparate, já que não há conflitos sociais? … Somos todos marxistas, na forma diluída (de que) todos os grupos sociais contém subgrupos que se ordenam numa hierarquia e estão em conflito uns com os outros.
Immanuel Wallerstein, O fim do mundo como o concebemos.
Que o pensamento de Marx não morra enquanto não falecer o capitalismo.
76 Harun al-Rachid // 14/March/2008 às 23:08
Jaca Gão
Você continua o mesmo grosseirão, sempre estúpido, sempre escoiceando. A cangalha está incomodando o lombo. É isso. Zurra jumento, zurra.
77 surfando na chuva // 14/March/2008 às 23:53
Tá bem., el rachado.Vc. escreve uma bestialidade daquelas e eu sou grosseirão e jumento?
78 Barba Negra // 15/March/2008 às 0:37
Boa noite, cheguei a Monterrey depois de 6 horas de viagem atravessando o país. Saí da boca do vulcão de Colima para o forno nortenho. 35 graus às 9 e meia da noite.
Não tive tempo nem condições de responder aos comentários, especialmente aos da Alda, Gunnar e Surf.
Vou ler o restante e depois comento, se fôr o caso.
Legal ver o PD bem interativo com o blog. Gostei de suas intervenções.
Volto mais tarde.
79 Alguem // 15/March/2008 às 0:41
Billy the kid // 14/Março/2008 às 18:41 Topico 66
Aos admiradores do chaves, fidel, mao e outros palhacos, lhes sera reeditada uma edicao nova do plahaco carequinha, que palhaco por palhaco e mehlor do que os supracitados.
Amigos esquerdistas, os dias de voces estao contados!!!
Billy > Depois de tanta surra voce ainda insiste em continuar sua guerra contra revolucionarios como eu ?
Será que preciso te dar uma surra a mais ?
Não > Vou deixar isso para meus companheiros de guerra .
Perdi a graça com você.
80 Alguem // 15/March/2008 às 0:45
FARC 41 anos de luta .
Revoluçãoooo
81 Barba Negra // 15/March/2008 às 0:55
Aproveitando este roupante do Alguém e comentando sobre o que a Alba disse acima sobre (…)das literalmente multidões de miseráveis que não cessam de crescer no Terceiro Mundo(…).
Marx interpretava episódios históricos primeiro como tragédia e depois como comédia. Hoje o problema não são as revoluções concretas e objetivas, mas sua idéia ou desejo. Derrotadas as revoluções, esse desejo se mantém, transmutado e escondido no imaginário de atores da esquerda. A América Latina ilustra este ponto: temos quatro tipos de esquerda no poder. A esquerda revolucionária cubana, velha sobrevivente do século 20, e a esquerda democrática chilena, que avança com coragem no século 21, sem abandonar suas raízes humanistas do século 19. Entre esses dois extremos, duas esquerdas populistas em contexto democrático: uma mais marcada pela idéia de revolução, como a de Hugo Chávez, Evo Morales e Néstor Kirchner, e outra menos, como a de Tabaré Vázquez e Lula.
À qual revolução se referem? São estes os casos de países com multidões de miseráveis que não páram de crescer?
82 Barba Negra // 15/March/2008 às 0:57
substituam “roupante” por “rompante”. Culpa do vinho californiano.
83 marco // 15/March/2008 às 1:02
Marx inventou uma utopia.
Lenin a transformou em ideologia.
Stalin em genocídio.
Os intelectuais em ópio.
De repente tudo derreteu.
Assim.
ma
84 Alguem // 15/March/2008 às 1:03
Rompante não .
Assim parece até que ainda estou no quartel .
85 Alguem // 15/March/2008 às 1:04
Marco vc é hilário . kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
86 Alguem // 15/March/2008 às 1:07
Vá servir no Iraque pq lá é o seu lugar Marco .
Seja um bom cãosinho do tio san e de seus amiguinhos tá bom ?
87 Barba Negra // 15/March/2008 às 2:09
Estava lendo um texto sobre marxismo ecológico ou ecologia política marxiana. Pode?
É o vinho.
Pano rápido.
88 MaGioZal // 15/March/2008 às 3:56
Eu sou Marxista. Acho o Chico, o Groucho, o Zeppo, o Harpo e Gummo o máximo…:-P
89 MaGioZal // 15/March/2008 às 4:11
Mas falando sério, acredito que o mundo, as nações, as economias e as políticas no tempo de Marx eram muito diferentes do que acabou se desenvolvendo depois.
Usar os escritos do velho barbudo como verdade máxima e imutável que vai servir para tudo nõa passa de fundamentalismo — coisa, aliás, que já aconteceu séculos atrás com outros livros, escritos por outros velhos barbudos…
No tempo em que Marx estava vivo, qualquer coisa parecida com democracia como conhecemos hoje só existia num lugar do planeta — os Esatdos Unidos. A Inglaterra era razoavelmente livre em termos políticos, mas só passou a ser democrática de verdade quando o voto para todas as classes sociais foi instituído na última década do século 19.
No mundo em que Marx viveu ainda era povoado por reinos de monarcas e aristocratas ambiciosos querendo expandir seus impérios além do mar e seus exércitos em jogos sangrentos mosquete e espada com outros reinos vizinhos. E todo mundo ainda fazendo digestão daqueles conceitos esquisitos que surgiram na França em 1789, sem ssaber muito bem como se adaptar àquilo. A maioria da população não votava, não escrevia, não lia, não participava e geralmente só interessava para o poder como massa de manobra, multidões de pobres-diabos para servir como soldados rasos, camponeses, mineiros ou operários. Nasciam aos montes, viviam sem muito sentido, morriam fácil na guerra, na mina ou na fábrica.
O capitalismo em si era extremamente primitivo ainda: indústria, agricultura, comércio, mais uma coisinha aqui e ali e só. Setor de serviços praticamente não existia. E a sociedade em si era extremamente estratificada, com meia dúzia de ricos e pequenos burgueses controlando milhões e milhões de pobres.
Marx não acreditava na democracia que o resto do mundo iria conhecer melhor só depois da II Guerra Mundial, e esse foi o erro primal dele. Mas também devemos observar que o mundo em que viveu Marx o próprio conceito e a própria sociedade capaz de sustentar este conceito praticamente ainda não existiam.
90 anrafel // 15/March/2008 às 4:18
A assertiva de que a luta de classes é o fator determinante das mudanças econômicas decorre do estudo e da análise da história das relações econômicas empreendidos por Marx.
Essa foi uma tarefa gigantesca a que ele se propôs e onde se saiu muito bem. Não faz sentido negar a qualidade desse seu trabalho, como também não faz sentido negar a luta de classes, ainda que ela hoje se processe sob outras maquiagens.
E decretar a falência do marxismo pelo fato dos regimes dito comunistas terem se esboroado é uma total incorreção. Nunca existiu regime marxista. Em nenhum dos países onde o partido comunista subiu ao poder existiam as condições determinantes que Marx preconizava: alto grau de industrialização e excelente nível de organização e educação dos trabalhadores.
Vou para e ler mais um pouco os comentários.
91 anrafel // 15/March/2008 às 4:19
“… parar e ler…”
92 anrafel // 15/March/2008 às 4:51
O Manifesto Comunista, com seu teor exortativo, tem no início um trecho sobre a formação das transnacionais, globalização da economia que é tiro na mosca.
E outra: Marx não desenvolveu uma teoria do Estado. Não teve tempo. Não há nos escritos marxistas algo sobre a organização e funcionamento do estado quando da chegada do sociaismo ou comunismo.
Não se pode chamar disso à afirmação sobre o caráter temporário da ditadura do proletariado, nem mesmo o seu entusiasmo com a Comuna de Paris. O funcionamento desta não resistiria à sua argúcia crítica.
Talvez estivesse preparando, anotando, rascunhando, pensasse em aproveitar alguma coisa da “Ideologia Alemã”, como afirmam alguns. Mas a verdade é que a morte chegou antes.
93 Anarfa // 15/March/2008 às 5:21
“não faz sentido negar a luta de classes, ainda que ela hoje se processe sob outras maquiagens.”
Por favor, quem poderia derramar luz nas trevas que me ofuscam?
Onde ocorre - ou ocorreu - tal luta? Quais são as características que definem uma luta de classes? O que difere a luta de classes da luta de grupos de interesses e de indivíduos?
94 confetti // 15/March/2008 às 6:00
( esse post é um barato ! obrigada residentes por tudo que aprendi…)
95 confetti // 15/March/2008 às 6:03
adorei o # 83 ! ))
96 confetti // 15/March/2008 às 6:04
marco, isso é rap ou haiku ?
97 Leave a comment // 15/March/2008 às 7:19
COMENTARIO 14
“porque o mundo mudou e o que esquerdistas defendiam e direitistas combatiam nem existe mais (luta de classes, proletariado oprimido, etc);”
COMÉ QUI É?
Não exsitem sindicatos? Não existem trabalhadores oprimidos? Não há luta de classes?
Caraca! Se dentro do meu trabalho existem todos esses microuniversos, o que dizer do resto do mundo…olha ou eu estou enxergando demais, ou um entre nós dois mora em Marte.
98 Leave a comment // 15/March/2008 às 7:28
PERDÃO, uma errata:
PARABÉNS AOs cometarios 14 e 15, dos quais concordo amplamente.
A crítica acima (97) foi para o comentário 4, que dizia não existirem mais: opressão, luta de classes, etc…
e Mais engraçado foi o desfecho do comentario 4:
“Mas, na boa, entre a produção intelectual jornalística dita “de direita” e “de esquerda”, fico com a direita - pelo menos eles estudam e sabem alguma coisa de lógica.”
rsrsr preciso dizer mais?
99 Leave a comment // 15/March/2008 às 7:45
COMENTARIO 93:
“Por favor, quem poderia derramar luz nas trevas que me ofuscam?
Onde ocorre - ou ocorreu - tal luta? Quais são as características que definem uma luta de classes? O que difere a luta de classes da luta de grupos de interesses e de indivíduos?”
Prezado Anarfa, mesmo um analfabeto tem capacidade para aprender uma língua, e adquirir alguma instrução, determinados aspectos culturais e com esforço, até chegar a sabedoria. Veja o Lula, é um semi analfabeto que é sábio.
Vou citar apenas um exemplo para iluminar as “trevas que ofuscam” sua “cabóquia” (cabeça):
14-03-08 (pagina A6)
http://www.diariodopara.com.br
“Professores da UFPA fazem greve em Abril”
“Em assembléia, aprovaram paralisação e decisão será levada para reunião que acontecerá em Brasília com outros docentes”
Meu caro ANARFA, apenas neste pequeno trecho, voce poderá inferir, que existem sindicatos, classes, opressão( leia o texto todo), luta de classes (leia o texto todo), etc.
Te mostrei apenas um exemplo. Eu espero que reconheças a bobagem que escreveu e não me peça para escrever outros aqui.
De nada.
100 Leave a comment // 15/March/2008 às 7:51
E outra,
eu sou a favor das benesses* do capitalismo e não defendo nenhuma ideologia política, apenas não posso deixar bobagens ditas sem nenhuma responsabilidade fiquem sem resposta.
101 Leave a comment // 15/March/2008 às 8:00
“Somos todos marxistas, na forma diluída (de que) todos os grupos sociais contém subgrupos que se ordenam numa hierarquia e estão em conflito uns com os outros.”
Saindo um pouco das ciências sociais, eu digo que a biologia, também nos ensina lógica idêntica, desde os microorganismos, até os seres “superiores”, categorizados por filos, ordens, espécies, grupos e indivíduos estão em conflito, em luta, sobrepujando, explorando, associando-se, em mutualismo, parasitando, etc etc etc.
102 H.R.P. Mané!Reloaded! // 15/March/2008 às 9:11
Rapaz!
Pablo Villarnovo tomou uma aula de história e politica do PD!
Bunda assada!
103 H.R.P. Mané!Reloaded! // 15/March/2008 às 9:14
Nhé!….apanhou feito cachorro sem dono….do Surf!!!!!!
Bem feito!!!!!
104 Alba // 15/March/2008 às 11:27
Barba Negra,
Você mora no México, não é mesmo? Como se explica a construção do Muro de Tijuana a não ser para tentar evitar a entrada de multidões de mexicanos em território dos EUA, mesmo com a existência das “maquiladoras” ?
Da mesma forma, temos êxodo semelhante em outros países da América Latina e na África.
Quanto ao tipo de esquerda que está no poder, não era o objeto do meu comentário, até porque considero que as mudanças no mundo empurram a esquerda a buscar novas formas de ação.
Finalmente, não acredito que os “fatos foram substituídos pelo desejo”, já que o mundo do trabalho passa por uma precarização que fragiliza os trabalhadores.
105 Alba // 15/March/2008 às 11:31
Como observou o anrafel, o Manifesto Comunista é certeiro na previsão dos tempos atuais, como fica claro no trecho abaixo. Ou não?
“A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais. A conservação inalterada do antigo modo de produção constituía, pelo contrário, a primeira condição de existência de todas as classes industriais anteriores. Essa subversão continua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época burguesa de todas as precedentes. Dissolvem-se todas as relações sociais antigas e cristalizadas, com seu cortejo de concepções e de idéias secularmente veneradas, as relações que as substituem tornam-se antiquadas antes mesmo de ossificar-se. Tudo que era sólido e estável se esfuma, tudo o que era sagrado é profanado e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas. Impelida pela necessidade de mercados sempre novos, a burguesia invade todo o globo. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte.
Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países. Para desespero dos reacionários, ela retirou da indústria sua base nacional. As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. São suplantadas por novas indústrias, cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, indústrias que não empregam mais matérias primas nacionais, mais sim matérias primas vindas das regiões mais distantes, cujos produtos se consomem não somente no próprio pais mas em todas as partes do globo. Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pelos produtos nacionais, nascem novas necessidades que reclamam para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias, desenvolve-se um intercâmbio universal, uma universal interdependência das nações. E isto se refere tanto à produção material quanto à produção intelectual. As criações intelectuais de uma nação torna-se propriedade comum de todas. A estreiteza e o exclusivismo nacionais tornam-se cada vez mais impossíveis; das inúmeras literaturas nacionais e locais, nasce uma literatura universal.
Devido ao rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e ao constante progresso dos meios de comunicação, a burguesia arrasta para a torrente de civilização mesmo as nações mais bárbaras. Os baixos preços de seus produtos são a artilharia pesada que destrói todas as muralhas da China e obriga a capitularem os bárbaros mais tenazmente hostis aos estrangeiros. Sob pena de morte, ela obriga todas as nações a adotarem o modo burguês de produção, constrange-as a abraçar o que ela chama civilização, isto é, a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria um mundo à sua imagem e semelhança.”
106 Alguem // 15/March/2008 às 11:45
Eu não sei como alguem pode dizer que as lutas de classe não existem mais .
A tudo bem , ja entendi > Eu morri e estou no ceu .
107 Guilherme // 15/March/2008 às 12:00
Alba,
Muito bem.
108 Carlos Magno // 15/March/2008 às 12:47
Somente como adendo o nome completo de Marx era:
Moses Modechai Marx Levi.
109 anrafel // 15/March/2008 às 12:53
Alba,
Era exatamente a esse trecho que eu estava me referindo. Muito obrigado.
Meu caro semi-anagrama, você não está tão envolto em trevas assim. “Grupos de interesse”, vai por aí.
110 Fabio Passos // 15/March/2008 às 12:57
Marx realmente mudou o planeta. Não gosto de dogmas, mas ele continuará sendo uma positiva referência.
111 anrafel // 15/March/2008 às 13:44
O estudo do marxismo, a utilização dos seus métodos de análise da história econômica estão presentes na vida intelectual como fato normal.
Instituições, universidades, partidos políticos de direita, de esquerda, dos centros estão integrados a isso, não importando se inspirou ou não agrupamentos de esquerda ou extrema-esquerda.
Como disse, de forma simplista, Delfim Neto (um economista de direita que, junto com Roberto Campos, sabia da importância do marxismo) somos todos filhos, também, de Marx.
Negar isso é proceder como essas faculdades de Economia que se espalham pelas esquinas,onde lá pelo sétimo semestre os alunos nunca ouviram falar nem de Marx nem de Lord Keynes.
(Lembrei agora que Delfim disse que era socialista fabiano).
112 Barba Negra // 15/March/2008 às 15:14
Alba,
Sobre o muro de Tijuana posso lhe dizer que ele não foi feito apenas para excluir os imigrantes ilegais sequiosos de trabalho, mas entre seus objetivos acho que o principal é manter fora os terroristas e contrabandistas e frustrar todo o tipo de invasores que possam surgir.
Sobre o Manifesto: Marx e Engels partem do pressuposto de que todas as injustiças sociais estão emolduradas por uma luta de classes que há milênios marca o relacionamento entre os seres humanos, incluindo o império romano, o sistema feudal e as atuais relações entre burgueses e proletários.
Marx e Engels não enxergaram as profundas diferenciações existentes entre os seres humanos. Tanto a burguesia como o proletariado não são clubes fechados. Um burguês mal sucedido pode se transformar num proletário e um proletário bem sucedido pode se transformar num burguês. Há proletários que se sentem felizes em serem proletários por reconhecerem a sua própria incapacidade de galgarem outras posições na sociedade.
De acordo com o Manifesto Comunista:
“A luta do proletariado contra a burguesia, embora não seja na essência uma luta nacional, reveste-se, contudo dessa forma nos primeiros tempos. É natural que o proletariado de cada país deva, antes de tudo, liquidar sua própria burguesia”.
“numa revolução aberta e o proletariado estabelece sua dominação pela derrubada violenta da burguesia”
Mas, o assassinato de todos os burgueses conforme preconiza o Manifesto apenas causaria o desemprego de todos os proletários, pois são os burgueses que lhes empregam.
O pior é que as definições de burguês e de proletário são bastante imprecisas e totalmente desatualizadas. Muitos proletários (que vendem sua força de trabalho) são também burgueses (empregam trabalho assalariado). Esse é o caso dos trabalhadores que, além de trabalharem empregam outros trabalhadores. Esse é o caso dos médicos que possuem clínicas e de muitos outros seres humanos. Esse é o caso dos vendedores ambulantes que possuem empregados, etc… Essa linha cinzenta que separa proletários de burgueses finda por causar a completa desunião e, pior, o desinteresse nacional no que concerne à concretização de quaisquer ideais voltados para a grandeza da Nação.
Todavia, muitos lucram com a falta de coesão nacional: os burocratas, os corruptos, os políticos oportunistas, os criminosos, os estelionatários e, principalmente, os esquerdistas de direita. Esses últimos, sob o pretexto de condenarem o status quo, ficam com a vantagem de atribuírem a culpa por qualquer coisa à ação das direitas, culpadas pelos males do mundo.
Mas, as esquerdas assumiram o poder. Isso lhes trouxe um grande problema: Até quando poderão inventar malabarismos ideológicos para justificarem sua incapacidade de conduzir a Nação brasileira a seus grandes destinos? Até quando poderão, valendo-se da cumplicidade da mídia, contarem a metade das verdades à população? Já não lhes resta a hipótese de assassinarem os burgueses, já que não os identificam claramente (e muitos deles também o são), a não ser em alguns poucos casos em que também não os conseguiriam atingir, pois sua condição lhes asseguraria os meios para escaparem de seus possíveis algozes.
Alba, poderíamos discorrer um bom tempo sobre conceitos e princípios ideológicos como social-darwinismo, máfia, religião do trabalho, razão sensível, conceito de sistema produtor de mercadorias, sobre o caráter de fim em si mesmo do trabalho, sobre o cassino-capitalismo, escassez de tempo livre, o fetichismo e sobre a abstração do valor,;sobre o sujeito rico que, igualmente ao pobre, não tem tempo livre para viver sua vida, etc.
Mas, vejo que sempres as coia são simplificadas de tal maneira que acaba-se por resumir o Mundo em uma repetitiva alusão, preconceituosa e obsoleta, ao termo “Terceiro Mundo” e a divisão reducionista do mundo político-econômico em “Norte” e “Sul”.
113 marco // 15/March/2008 às 16:17
confetti // 15/Março/2008 às 6:04
marco, isso é rap ou haiku ?
Tá mais para tango aonde tudo acaba em tragédia ou para valsa ( da despedida).
Haiku? Algo que acompanha a tempurá?
abs,
ma
114 marco // 15/March/2008 às 16:27
Paulo Fracis, que leu Marx, declarou que o dito nunca explicou o que era classe.
Acho que ” a classe ” não resiste a teoria do papelzinho da Mega Sena.
Se um sujeito de macacão e portanto operário e portanto membro da classe trabalhadora e portanto o detentor da Verdade, parar na lojinha da loteria e conferir seu bilhete, das duas uma: ou ele não acertou nada e contunua o Supremo Guia da Humanidade, ou, se acertou, e ficou milionário, a partir desse preciso momento - ele muda classe e passa a ser inimigo do povo, explorador de inocentes e o escambau.
Luta de classes é apenas um dos nomes que se dá ao ódio do Outro. E uma das muitas desculpas usadas por tiranos mil para justificar …tudo.
abs mil do Brasil,
ma
115 marco // 15/March/2008 às 16:27
Paulo Francis.
116 marco // 15/March/2008 às 16:28
Rimou.
117 Alba // 15/March/2008 às 17:29
Barba Negra,
Não acredito que, com a qualidade do seu texto, você defenda a tese sem pé nem cabeça de que Marx pregava a eliminação FÍSICA da burguesia.E nem que imagine que eu acredite nisso nem por um minuto. Seria insultar minha inteligência.
O Manifesto é um texto de propaganda, de 1848 e exatamente por conta dessa particularidade, não aprofunda a análise, limitando-se a apresentá-la. Quando se refere à passagem do escravismo para o feudalismo e do feudalismo para o capitalismo assinala que foram mudanças acompanhadas de muita violência.
Por que seria diferente numa hipotética passagem do capitalismo para o socialismo? A Revolução Francesa não foi um exemplo de negociações ponderadas, foi bastante violenta como lembrou o PD aí em cima. Mas a aristocracia foi substituída pela burguesia no poder, ainda que vários aristocratas tenham perdido a cabeça na guilhotina.
E todos os processos sociais, mesmo os mais violentos, não são automáticos, as coisas levam tempo para sedimentar e até, para existir, de país para país, como se deu com o processo de criação dos Estados Nacionais.
Marx fez principalmente uma análise econômica, mas sabia da importância das classes e de que nenhuma sociedade é uniforme: conflitos, contraposições e mobilidade estão presentes em todas elas, ganhando contornos mais difíceis, quanto mais complexa (ou industrializada) for a sociedade. E começou a escrever sobre as classes, apenas não conseguiu concluir, porque, como mais uma vez lembra o anrafel, a morte o colheu primeiro.
Finalmente, e ainda concordando com o anrafel, não tenho qualquer relação “religiosa” em relação aos escritos de Marx. Mas entendo que sua contribuição foi fundamental, assim como a contribuição dos gregos, dos iluministas, de todos aqueles que se debruçaram sobre as relações que os homens estabelecem entre si na construção de sua história.
Por isso, negar importância a Marx é mais ou menos como dizer que Rousseau era um cretino ou Aristóteles, um imbecil.
Mais grave, é tentar adaptar uma certa visão do mundo - conflito direita X esquerda, às conveniências de quem ainda não percebeu que a Guerra Fria acabou.
Quanto ao Muro de Tijuana, desculpe, mas continuo acreditando que o grande objetivo é barrar imigrantes ilegais. O discursinho “pato manco” do “terrorismo” entra aí, como entra em tudo, pra justificar a lamentável adminstração Bush.
Sem esquecer que o Pentágono acaba de divulgar relatório dizendo que NÃO HAVIA terroristas no Iraque.
Entonces..
Abraço
118 Barba Negra // 15/March/2008 às 18:29
Alba,
Literal ou não, acho válida a interpretação de que um dos objetivos do marxismo era a eliminação dos opressores (física, inclusive).
Segundo Marx e Engels:
“Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora fraca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das classes em luta.”
E com relação à passagem do capitalismo ao socialismo vale o exemplo da França do séc.XIX no evento da Comuna de Paris. Vale lembrar que um dos maiores “erros” dos comunardos foi a sua resignação e reverência no trato com o Banco da França ( o capital dos burgueses). Nestas horas a gente vê o que fala mais alto.
No mais, não nego a importância que Marx teve no pensamento filosófico, a despeito do elevado sectarismo de seus seguidores.
E quanto ao muro mexicano devo lhe dizer que, de uma forma geral, os mexicanos aceitam-no como um instrumento de contenção do narcotráfico, a verdadeira gangrena social daqui. Narcotráfico, aliás, fomentado por instituições ditas de esquerda da América Latina.
Abraço.
119 Harun al-Rachid // 15/March/2008 às 19:02
Em 2008, talvez, os marxistas-leninistas cubanos possam usar computadores.
O presidente Raúl Castro, parece disposto a permitir o comércio de computadores e aparelhos de DVD, disse um alto funcionário do governo cubano à BBC.
120 Harun al-Rachid // 15/March/2008 às 19:19
Elogios de Marx e Engels à burguesia.
Dos servos da Idade Média nasceram os burgueses livres das primeiras cidades.
A burguesia desempenhou na História um papel eminentemente revolucionário. Foi a primeira a provar o que pode realizar a atividade humana.
Criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egito. Conduziu expedições que empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas.
121 Antonio // 15/March/2008 às 21:03
“No momento atual, a direita política se comporta como um exorcista que cria seus próprios fantasmas. Promove um ‘revival’ do anticomunismo, por exemplo, como se ainda existissem defensores relevantes do finado socialismo soviético. Em vez de combater ameaças reais à democracia, como as desigualdades e o preconceito, associa qualquer mínimo movimento contra a lógica desigual do capitalismo como antidemocrático e atrasado.”
Marcos Nobre, na FSP (novembro 2007).
Acho que o trecho acima ilustra muito bem o comportamento de muitos comentadores aqui no PD.
Abs a todos.
ACT
122 efedeele // 15/March/2008 às 21:37
Antonio, seu xará, o M, o Barba e outros aqui…antes de dormirem olham embaixo da cama a procura de algum comunista…
123 Fabio Passos // 16/March/2008 às 0:44
“La migra la migra
Te pegan bien duro
La migra la migra
Te pica el culo”
http://www.youtube.com/watch?v=OcU9qLnpyaE
124 Alba // 16/March/2008 às 1:09
Fabio Passos,
Belo filmete. Não conhecia. Obrigada.
125 Barba Negra // 16/March/2008 às 1:35
A arte imita a vida.
Mais alguma coisa se pode extrair deste filmete ?
126 Fabio Passos // 16/March/2008 às 2:00
Alba,
Você é doce.
Dê um pulo no blog do Nassif. Presumo que vai gostar.
Barba,
Eu “extraí” umas boas risadas…
127 anrafel // 16/March/2008 às 3:46
Harun al-Rachid,
E aí,qual a contradição? Àquele momento a classe com potencial revolucionário era a burguesia.
Não esqueçamos, a grande Revolução Francesa foi uma revolução burguesa, ora pois.
128 confetti e o anel* // 16/March/2008 às 5:10
harun 120…shéhérazade tava inspirada…))
129 Harun al-Rachid // 16/March/2008 às 14:16
A palavra burguesa, depois de Marx, ganhou uma tonalidade pejorativa. É pena. Foram os moradores dos burgos, em contato uns com os outros, os promotores do progresso, desde a Antiguidade.
Nas colônias gregas da Ásia Menor causaram o surgimento da filosofia, da razão.
No Renascimento (do pensamento grego), os burgueses das cidades italianas, commerciantes, banqueiros, industriais, financiaram as artes e as letras.
O fim da Idade Média, sinistra, repleta de deuses e demônios, deve-se à emergência da classe burguesa que, ansiosa por conhecimento científico, derrubou mitos e superstições.
A Revolução Industrial é produto da burguesia. Sem esses criadores, dispostos a arriscar, estaríamos nas cavernas ou, ‘‘gemendo e chorando no vale de lágrimas’’.
Finalizando. A burguesia não se interessa por guerras. Não quer tomar nada dos outros. Quer inventar, produzir, comprar e vender livremente, no mercado.
Como sempre há incompetentes, incapazes, invejosos, surgem idéias ditas socializantes com o intuito de afanar os bens materiais dos meritórios. Assim, caminha a humanidade, sujeita a tropeços, mas sempre em frente.
130 Fabio Passos // 16/March/2008 às 20:55
Hilário. Ainda bem que a burguesia não se interessa por guerras… imagine… eu quase acreditei que houveram duas guerras mundiais no século passado. História da carochinha?
Que bom saber que o Império também não promove guerras por interesses econômicos… eles só promovem genocídios porque “incompetentes” não aceitam sua “democracia”.
Rapaz, o Estado Capitalista é simplesmente o motor da guerras contemporâneas…
131 Harun al-Rachid // 17/March/2008 às 3:02
Fabio
É esta a confusão.
Burguesia, indivíduos criadores citados por Marx, não deveriam ser confundidos com os demagogos assaltantes do Estado, malucos, fomentadores das guerras.
132 Fabio Passos // 17/March/2008 às 3:16
Harun,
Infelizmente não é confusão… é assim mesmo que funciona. Promover a expansão capitalista? Desde muito cedo aprenderam que tanques e bombas são muito mais “eficientes” que a mão invisível para promover acumulação… seria esperar demais dos “liberais”(?) o livre fluxo do trabalho, além do de capitais? Evidente demais… não?
133 nada será como antes // 17/March/2008 às 8:58
O professor Therborn demonstra, com suas palavras, que o intelectual não está isento de proferir banalidades.
A maior contribuição de Marx, além da perfeita dissecação da estrutura econômica do capitalismo, é à Ciência.
O método dialético/materialista ( não confundir com a dialética aristotélica) é o mais avançado e abrangente criado na História da humanidade.
Mesmo inconscientemente, cientistas de todas as áreas o aplicam. Soluções apressadas, parciais e metonímicas , ou seja, não-dialéticas, são logo descartadas e ridicularizadas.
Nas Ciências Sociais, desprezar tal método é, na atualidade, sinônimo de despreparo.
Nas Ciências Biológicas, a Lei marxista de “passagem da quantidade para a qualidade” é essencial, assim como a noção de que “tudo se relaciona com tudo”. São questões aparentemente banais, como essas, que formam o cerne e o eixo fundamental do marxismo.
A aparente banalidade dessas características do pensamento marxista significa, no entanto, que tais categorias estão profundamente entranhadas no modo de pensar da humanidade.Vitória adicional de Marx e do marxismo !
Luis XVI morreu com sua dinastia. O positivismo nasceu morto e só se presta a saudosistas. O weberianismo sugou o que pode de Marx e pouco ajuda além de explicar funções da moral burguesa. A sociologia funcionalista norteamericana pouco faz além de buscar “soluções” temporárias para os micro-conflitos organizacionais.
Marx, sua dialética, seus estudos e sua herança científica são lembrados e aplicados diuturnamente, há mais de 150 anos !
Para enxergar, basta abrir os olhos.
134 revelações corânicas // 17/March/2008 às 10:16
Burguesia, indivíduos criadores citados por Marx, não deveriam ser confundidos com os demagogos assaltantes do Estado, malucos, fomentadores das guerras.
É uma burguesia boazinha, né? Nada tem haver com o Estado, né? Nada teve haver com as guerras colonialistas etc. Tá bom, me engana que eu gosto. Individualmente, pode ser boa ou ruim, ou mais ou menos. Não se analisa a História dessa forma. Burguesia é classe, uma abstração operacional. O Estado é burguês quando defende os interesses dessa classe. Só a Confettinha e seu anel cobiçado pode ver qualidades nos escritos desse desembestado.
Esse al rachado devia estudar um pouco antes de escrever besteiras.
135 Harun al-Rachid // 17/March/2008 às 16:10
Fábio
Temos opiniões diferentes. Nada demais. Seu comentário é benvindo.
Jaca Galhão
‘‘O Estado é burguês quando defende os interesses dessa classe’’.
Até este ponto você foi bem. Sustentou seu ponto de vista. Parabéns.
Daí em diante, voltou ao estado natural, aos coices, patadas, cusparadas. Lamentável mas você é assim mesmo. Jamais evoluirá.
136 revelações corânicas // 17/March/2008 às 16:41
Pocus-harun,
Está bem, serei educado dessa vez. Mas não é possível uma pessoa usar um conceito com tanta empáfia, como se enunciasse a primeira verdade dos dez mandamentos, sem a menor coerência com o significado do conceito. O que vc. deseja que eu escreva? Que aplauda? Se fosse uma pessoa progressista, me daria o trabalho de discutir o assunto, mas com essa inclinação ideológica conservadora… Ok?
137 Elias // 18/March/2008 às 9:14
Chegando tarde…
Harun,
Marx jamais desdenhou a contribuição da burguesia para o progresso da humanidade (aaargh!).
Para ele, a burguesia foi a classe revolucionária que conduziu a passagem do feudalismo para o capitalismo.
Já a classe operária conduziria a humanidade a passagem do capitalismo para o comunismo.
De acordo com Marx, cada processo traz, em si mesmo, os fatores de seu próprio esgotamento. Isso é uma das bases da dialética marxista.
O senhor feudal, surgido na antiguidade, seria a classe dominante na Idade Média.
A burguesia surgiu no feudalismo, onde era classe dominada (os burgueses eram foreiros, por exemplo). Feita a revolução burguesa, ela tirou do poder o senhor feudal e se transformou em classe dominante.
Para Marx, o operariado industrial, classe criada pelo sistema burguês, seria o fator de esgotamento desse sistema.
Nas projeções de Marx, à medida que o capitalismo fosse se desenvolvendo o operariado industrial cresceria numericamente em intensidade mais que proporcional. Em um dado momento, tamanha seria a participação relativa do operariado industrial, na formação da população, da renda, do consumo, etc…, que ele, consciente de que se tornara a classe social mais importante, tomaria o poder. Aí passaria a governar segundo seus interesses de classe.
O que Marx nunca imaginou é que, junto com o desenvolvimento capitalista, ocorreria o desenvolvimento tecnológico. E que, com este último, a tendência histórica é o operariado industrial ter uma participação decrescente — e não crescente, como supunha Marx — na formação da população, do produto, do consumo, etc.
Aí embaralhou tudo…
138 Visão tacanha // 19/March/2008 às 6:42
Carissimo Elias,
Para os marxistas não faz diferença se “Marx nunca imaginou que junto com o desenvolvimento capitalista, ocorreria o desenvolvimento tecnológico”.
Para este tipo patológico o exercício da imaginação é desnecessário; afinal, Marx não compartilha a intrigante noção de que “tudo se relaciona com tudo”?…. Donde se conclui que tudo o que não tem nada a ver se relacionaria com o que tem tudo a ver. Vale dizer: o que ele não pensou se relaciona com o que pensou, ou não! Tanto faz… Por tudo isso a partir de Marx nada será como antes… e certamente será pior, muito pior!
139 Visão tacanha // 19/March/2008 às 6:45
“Para enxergar, basta abrir os olhos.” (132)
Taí uma verdade! Pena que os marxistas são cegos!
140 H.R.P. Mané!Reloaded! // 21/March/2008 às 10:42
tudogostoso.uol.com.br/receita/645-carne - de -porco-agridoce.hmtl
141 H.R.P. Mané!Reloaded! // 21/March/2008 às 10:43
//tudogostoso.uol.com.br/receita/645-carne-de-porco-agridoce.hmtl
142 Catarina // 7/April/2008 às 15:23
De que forma a produção intelectual de Marx influenciou as posturas sócio – culturais na segunda metade do século XIX? e Qual a relação que Marx estabelece entre religião e trabalho?
143 Luciano // 20/April/2008 às 16:57
Todas as alegações sérias, cheias de argumentos incontestáveis, me fizeram repensar meu posicionamento. Diante de tais momentos de sabedoria, minha vida se encheu de luz, já que fui enredado pela tremenda astúcia e capacidade de se opor, teoricamente, bem equilibradamente, aos diversos campos teóricos, tal qual os senhores fizeram aqui. Os meus libertadores demonstraram, não só um conhecimento profundo dos pensamentos de Marx, como também uma extrema capacidade de se opor a eles. Obrigado. Os meus dias escuros agora brilham, já que fui liberto, por todos vós, de minha cadeia de ignorância. Parafraseando o truão morto, o que tinha para perder, perdi: os grilhões.
144 Leticia // 11/June/2008 às 21:10
Eu acho que o Marxismo devia ser levado em conta no nosso séc. sim, pois a ideologia dele se bem aplicada no sistema político em países onde a corrupção é estrondosa poderiamos acabar com muito males sociais. E a “richa” das diferentes classes econômicas ainda persiste e muito. Se o “povão” assume-se o poder ou se todos dessem conta que não são só aqueles que elegemos que são políticos e sim todos que exercem o papel de cidadão poderiamos chegar a um lugar sócio-econômico bem melhor de se viver.
145 Moura de Lima // 17/September/2008 às 14:07
Bando de lixo, produto alienado e sobra nojenta do pensamento pequeno burguês. Alguém já leu uma página da obra do autor para criticá-lo assim???
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