A arriscada estratégia de John McCain

EUA · 13/03/2008 - 15h39 - 31 Comentários

Quais as reais chances de John McCain chegar à presidência? É verdade, como muitos vêm dizendo, que os democratas têm uma crise interna com a qual lidar. Mas esta ainda é uma eleição muito – muito difícil mesmo – para John McCain. Para entender por que é preciso, antes, compreender como McCain chegou à candidatura republicana.

Não foi com o típico voto republicano. Estado por estado, quando muito, McCain empatava com outros candidatos de seu partido entre os eleitores que são favoráveis a George W. Bush. Mitt Romney e Mike Huckabee, cada um em sua área, atraíam mais votos pró-Bush e pró-Guerra.

McCain jamais fez segredo de que acredita que deve manter as forças armadas no Iraque. Como diz seu biógrafo, Matt Welch, ele tem uma visão imperialista do papel dos EUA no mundo. Ainda assim, o naco do eleitorado que o levou à vitória são os eleitores anti-Bush e anti-Guerra – um grupo no qual ganhou sempre de 2 para 1. Não custa lembrar 70% dos eleitores norte-americanos são contra a guerra no Iraque. Também não custa lembrar que, nos estados em que a trupe anti-guerra é minoria, McCain perdeu.

Por que John McCain recebeu este tipo de voto? Por conta da memória da campanha de 2000. Naquele ano, ele foi o principal adversário de George W. Bush pela candidatura à presidência do Partido Republicano. McCain representa, para este tipo de eleitor, tudo o que Bush não foi. Mas há um limite para a manutenção desta imagem.

Enquanto o Partido Democrata luta para conseguir definir seu candidato, o que faz John McCain? Vai à Casa Branca ser recebido por George W. Bush. Vai ao sul aceitar o apoio de líderes religiosos e grupos ultra-conservadores. E, agora, prepara uma viagem ao Iraque. Quer coletar imagens com ar presidencial no cenário de guerra.

É possível argumentar com justiça que, sem o voto do típico eleitor de Bush, ele não terá chances de vitória. Mas a estratégia que adotou para alcançar este voto aliena justamente os eleitores que tem neste momento. Mais que isso: vai contra os desejos da maioria dos norte-americanos.

A divisão interna do Partido Democrata favorece em muito a situação de John McCain. Sua estratégia de campanha, não. Se é para fazer uma aposta, o próximo presidente norte-americano será um (ou uma) democrata.

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