Conversei ontem, por telefone, com o deputado Fernando Gabeira a respeito de seus planos de campanha para a prefeitura do Rio de Janeiro. Muitos de vocês haviam apresentado perguntas. Para ao menos algumas delas, cá estão as respostas.
A candidatura é oficial?
Já estávamos constituindo uma frente em busca de um nome que unificasse os três partidos, PV, PPS e PSDB. Não foi possível encontrar outro nome além do meu para promover esta união. Por conta de minha trajetória pessoal não posso fazer uma campanha como as outras. Tenho algumas condições. Eu as apresentei aos partidos e eles terão que tomar uma decisão. Vamos nos reunir na terça-feira que vem (dia 11) quando dirão se concordam.
Quais são as condições?
A primeira é que, se chegarmos ao governo, não haverá ocupação partidária da máquina. A equipe será formada por nomes competentes da sociedade e os melhores do funcionalismo público municipal. Se algum membro de partido participar do governo será por sua competência específica.
A segunda é fazermos uma campanha transparente. Publicaremos na Internet todas nossas contas e vamos auditá-las permanentemente. A rede permitirá que façamos uma campanha para prefeitura que vai além das fronteiras da cidade, trazendo a participação também dos cariocas de coração que vivem fora. É importante atrairmos esta simpatia nacional e internacional que já existe em torno do Rio.
A terceira é que seja uma campanha limpa. Não adianta querermos educar a sociedade para que mude a postura perante cidade se estamos sujando a mesma cidade para convencê-la. Não vamos pendurar galhardetes nos postes, cartazes nos muros, não vamos panfletar e deixar aquela papelada jogada na rua. A idéia é respeitar os procedimentos ambientais e os do Tribunal Eleitoral. É limpa também no sentido de que não vamos atacar os adversários. Queremos construir a idéia de uma frente ampla de salvação municipal e a idéia é que, no futuro, todos possam dar sua contribuição. Estamos todos no mesmo barco.
O programa tem elementos de crescimento econômico, contribuição com o governo estadual na segurança pública, contenção da desordem urbana com uma combinação de medidas pedagógicas e punitivas, e resolução da emergência na saúde. Economia, segurança e saúde.
É possível se eleger sem o jogo fisiológico?
Se eleger, é. A pergunta mais complexa é se é possível governar sem o jogo fisiológico. Se continuamos o jogo fisiológico, não conseguiremos alterar a cultura política da cidade. É possível construir uma relação com os vereadores dizendo ‘olha, não vou dar dinheiro, mas estamos estruturando programas territoriais e em alguns deles você está incluído. Você cresce como vereador.’ Vamos tentar oferecer a eles uma maneira de não dependerem tanto mais do executivo, de terem uma atividade política independente, mais influente, reconhecida e eficaz na comunidade.
Um trabalho de educação até dos vereadores?
É lógico.
O que um prefeito consegue fazer?
Dados os recursos da prefeitura, a administração sozinha não consegue resolver o problema do crescimento econômico. Em Nova York, esse processo é terceirizado. Agências particulares em cada região encaminham o projeto de crescimento local. Vejamos o caso da região do Porto e do Centro da Cidade. É possível trazer a iniciativa privada para agenciar o processo de revitalização da área.
E a questão da violência?
No Brasil, segurança não cabe à prefeitura. Mas ela pode agir como uma máquina que auxilie o governo do Estado. A prefeitura pode monitorar mais a cidade com câmeras, com mapas, ajudar no aumento de peso dos sistemas de inteligência. Teríamos que agir no aspecto pedagógico. Em Nova York, por exemplo, antes da revitalização havia muitos assaltos no metrô. Foi preciso trazer mais polícia para reprimir mas, num primeiro momento, houve um trabalho educativo. São campanhas, mesmo, para explicar que uma senhora idosa com a bolsa sentada próxima à porta do vagão estará mais sujeita a assalto. Precisamos explicar às pessoas como elas devem se proteger e evitar situações de risco. Vários países vivem com violência e um nível de preparação da população para a violência maior. Israel, por exemplo. Precisamos reconhecer, também, que o Rio é uma cidade na qual o tráfico de drogas tem controle sobre parte do território. Os governos federal, o estadual e o municipal têm que enfrentar esta situação. Para trazer tranqüilidade à população, além de crescimento econômico, é preciso liberar essas áreas como foi feito no Haiti até certo ponto. Mas, no Haiti, vimos um limite. Você consegue pacificar, consegue tranqüilizar a população, mas, sem dinamismo econômico, sem mais empregos, ficaremos sempre sujeitos a que o problema volte.
Seus adversários certamente trarão a questão da legalização e do uso passado de maconha contra o senhor.
Provavelmente usarão. Mas este debate, em termos municipais, é inócuo. Não é o município que decidirá a legalização ou não. E tanto as pessoas que defendem a legalização quanto as que defendem a repressão podem achar uma ponte. E qual é essa ponte? É a melhoria da polícia, transformar a polícia em algo mais eficaz e mais honesto.
Digamos que o senhor seja eleito. Em quatro anos, deixa a prefeitura. Se tudo tiver dado certo, em que o Rio fica diferente?
É o mesmo tipo de diferença que encontramos em cidades que se recuperaram recentemente, como Bogotá. Primeiro, você recupera a vitalidade econômica. Recupera a auto-estima da cidade. E você estimula um comportamento mais construtivo que vai facilitar a administração futura.






85 Comentários até agora ↓
1 confetti // 4/March/2008 às 8:25
confetti*
2 Darwinista // 4/March/2008 às 8:37
Salut, confetti!
Torço sinceramente pra que, caso eleito, Gabeira consiga, pelo menos, mudar o estado de espírito da cidade.
Mas é difícil, daqui de longe, ter grandes esperanças sabendo que a coligação conta com o PPS, o partido da Gretchen(!!!) e um dos mais fisiológicos e desonestos ideologicamente.
3 Henrique // 4/March/2008 às 8:58
Gabeira tem meu voto, mas não vença essa eleição. Falar em ética, transparência, campanha limpa, para a imensa massa ignara (e maioria eleitoral) da zona oeste e das favelas e o mesmo que pregar no deserto.
4 surfando na jaca goiabeira // 4/March/2008 às 9:01
Pô, quem irá me convencer de que partidos darão apoio numa coligação para nada em troca, pela meritocracia límpida e cheirosa do Gabeira. Traduzindo, os partidos da coligação contam com nomes de mérito na opinião do Goiabeira, caso contrário, para que a coligação? Adoro discurso de político!
5 surfando na jaca goiabeira // 4/March/2008 às 9:03
Agora sim, fez o trabalho de cabo eleitoral, PD.
6 confetti // 4/March/2008 às 9:19
( bom dia pd….joga um post mais light ai…nao ta dando pra onde correr hj…))
7 Carlos // 4/March/2008 às 9:26
Pra quem acredita em duende, papai noel, coelhinho da páscoa, saci-pererê e outros quetais, é um prato cheio, né não?…..ô raça.
8 Prøftël // 4/March/2008 às 9:30
Sei não, o Rio tá laskado.
:-/
9 Dammaskos // 4/March/2008 às 9:40
Gabeira é inteligente, preparado, tem boas idéias, um ótimo senso de percepção de detalhes da realidade, é um bom candidado e quanto a isto não há dúvidas. Mas, ao ler esta entrevista aqui no Dória, fiquei com uma incômoda sensação de que, caso eleito, será trucidado pela dureza implacável da realidade. Acho que na ânsia de querer mostrar-se diferente, uma alternativa de certa forma pura ante a podridão do que se tornou a política hoje, ele peca justamente por isso: por ser bonzinho, puro, intelectual sério e coisa e tal. Por exemplo, pode até ser boa idéia, mas é um tanto ingênua e pouquíssimo factível, sua esperança de poder governar sem a partidarização da máquina. Questões como drogas, corrupção policial e violência não são superadas apenas com um discurso bonito. Papo-cabeça é ótimo para preencher vazios de mesa de bar, mas no gerenciamento do dia a dia, francamente, não é lá muito confiável. Fica aqui meu achismo pessoal: não basta ser bom, é preciso ser um pouco podre também se quiser sobreviver. O pior inimigo de Gabeira é ele mesmo, sua indignação, a beleza que carrega na alma, seu desejo sincero de fazer algo positivo pelo combalido RJ, mas queira Deus que ele não vença. Se vencer é capaz até de nem conseguir terminar o mandato. Na guerra não dá para ser poético.
10 Sal // 4/March/2008 às 9:52
Camarada Henrique,
Poderia explicar melhor a sua comparação do povo da ZO com o das favelas?
A impressão que tenho é que o carioca não conhece a cidade toda. Quem mora na ZO tem mais com o que se preocupar, além do camelôs no calçadão de ipanema ou dos assaltos no Leblon…
O problem não é exatamente que a massa seja ignara, como foi dito. E sim que os planos de governo esquecem completamente daquele região. E boa parte dela é praticamente auto-suficiente mesmo assim….
São bairros dormitórios, com razoável poder aquisitivo e poucas opões de lazer, educação, saúde etc.
11 aiaiai // 4/March/2008 às 9:56
Dá-lhe PD! Excelente entrevista. Vamos torcer para que a candidatura seja oficializada. Acho que se ganhar, ele não poderá mudar tudo, mas será uma vitória da ética, e isso já é um bocado bom!
12 surfando na jaca apodrecida // 4/March/2008 às 9:57
gostei de seu discurso, damascos e cerejeiras. Mas algo de podre? Fiquei com a impressão de que partidarização é algo condenável, quando na verdade é a regra do jogo democrático, os partidos definidos com suas propostas. Algo de podre sinto em mim, mas são gases. Na política será sempre condenável. Acho mesmo que o Gabeira quis dizer que tem uma galera legal e amiga de outros partidos , até fora do Rio, que ele quer chamar também. Quem sabe o PD não acaba secretário de imprensa, assessor ou chefe de gabinete? Critérios meritocráticos se inventam, como tudo na vida política. Ainda não inventaram
13 surfando na jaca apodrecida // 4/March/2008 às 9:57
o meritômetro!
14 Sal // 4/March/2008 às 9:59
Dammaskos,
O Gabeira passou este tempo todo (vinte anos!) na Disneylândia ou na câmara dos deputados com as cobras criadas que conhecemos?
E como assim “na podridão que a política se transformou hoje”? Já ouviu falar em Maquiavel, César Bórgia, etc?
15 surfando na jaca apodrecida // 4/March/2008 às 10:03
Sal, não são só zonas dormitórios,mas gostei de sua lembrança com o povo do subúrbio, sempre esquecido, como se na zona sul residissem todos os problemas do Rio e seus habitantes. Foi sofredor suburbano, que acordava cedo para enfrentar as péssimas condições de transportes, com a escolha de lata de sardinha sobre trilhos ou rodas. Ninguém fala disso. Da insegurança nos subúrbios também etc e tal. Pau na macacada ou sal na macacada.
16 surfando na jaca apodrecida // 4/March/2008 às 10:03
fui e não foi.
17 Pedro Doria // 4/March/2008 às 10:17
O Sal está correto. A Zona Oeste é uma das mais complexas da cidade. Lá, existem de ricos e classe média alta a pobres muito pobres como, diga-se, em todo o Rio. Existe o voto fisiológico e o voto ideológico. Em alguns cantos a vida de subúrbio infernalmente quente lembra pedaços da Baixada, noutros parece uma cidade do interior, em terceiros o cotidiano urbano é similar ao da Zona Sul. A Zona Oeste inclui bairros tão distintos um do outro como Bangu, Barra da Tijuca e Guaratiba.
Tentar fazer uma análise que simplifique a região é impossível.
18 Epicuro // 4/March/2008 às 10:20
Estou curioso para ver essa campanha do Gabeira. Sou de São Paulo, não do Rio, mas gostaria de ver essa “campanha alternativa”. Em tempo de lulismo, do clientelismo mais ordinário, de pastores metidos em política e de mascates no jornalismo, será muito bem vinda essa outra forma de (tentar) fazer política. Força Gabeira!
19 Sal // 4/March/2008 às 10:27
Isso sem falar que a ZO corresponde a quase 60% da cidade e tem um peso enorme em eleições.
Seria bom um plano de governo que revigorasse a zona industrial de Santa Cruz e Campo Grande e o povo de lá não precisasse pegar duas horas indo e vindo diariamente na Av. Brasil para trabalhar no Centro….
Assim, a ZO se desenvolve e o carioca nem precisa ficar sabendo que aquela parte existe mesmo…
20 Elias // 4/March/2008 às 10:48
Vou continuar desafinando o coro dos contentes:
1 - “Não haverá ocupação partidária da máquina”
Pura demagogia. Tenta manipular a concepção rasteira de que os partidos políticos são os únicos culpados da zorra brasileira.
Se Gabeira pensa assim, então a atitude conseqüente é propor a extinção dos partidos.
Os partidos são os fóruns por meio dos quais a sociedade formula as propostas de condução do Estado.
Se a proposta de um determinado partido é escolhida pela sociedade, nada mais justo que esse partido tenha o direito de executá-la, do modo que lhe parecer melhor, dentro da lei.
Um indivíduo não é mais nem menos honesto ou capaz que outro, só porque se filiou a um partido ou não se filiou a nenhum.
2 - “Não vamos atacar os adversários”
Como não? O compromisso não é com a sociedade? Por que escamotear atos e fatos danosos à sociedade, nos quais esses adversários porventura estejam envolvidos?
O processo eleitoral é o momento da prestação de contas política. É o momento em que pode e deve cobrar de todos a responsabilidade por todos os atos de cada um, no exercício do poder ou da representação política.
Sem essa de ficar bancando a virgem no puteiro.
Tá parecendo mais um pacto de mediocridade, do tipo “eu não mostro seus podres nem você mostra os meus”.
Pacto de silêncio é coisa de mafioso. É compreensível que a máfia faça isso. É assim que ela garante a impunidade.
É dose aturar o Gabeira com esse papo catarrento ao mesmo tempo em que se diz comprometido em contribuir para a educação política da população.
No mínimo, é contraditório.
21 Rodrigo // 4/March/2008 às 10:58
Tomara que Gabeira ganhe.
22 Mari // 4/March/2008 às 10:59
Bom, se o Gabeira conseguir que suas exigências sejam aceitas e atendidas pelos coligados, ele já estará dando uma grande demonstração de força, sem dúvida.
23 Ricardo Cabral // 4/March/2008 às 11:17
Não creio muito em “campanha [verdadeiramente] alternativa”, como fala o Epicuro (# 18), nem tampouco na ingenuidade do Gabeira em relação à eleição para a prefeitura, como sugere o Dammaskos. O surf é cético, citando as alianças partidárias, mas não vou na onda dele. Creio que o Gabeira está no jogo, diferencia-se da média no discurso — e é o que deve fazer, ora bolas! —, mas sabe o que lhe espera tanto na campanha quanto num possível (tomara!) cargo de prefeito. Ele mostra na entrevista que não topará sair candidato se a composição partidária tb não topar, em princípio, que os critérios para a ocupação dos cargos sejam acima de tudo técnicos e não partidários. Esse precisa ser um dos pilares do seu discurso frente aos partidos que apoiarem a sua campanha, pois é parte do seu cacife como candidato. E naquela frase, ressalto que “acima de tudo” não quer dizer “exclusivamente”, por mais que o discurso do Gabeira deva manter-se fiel à meritocracia. Em política, pragmatismo sem ética é lixo (e é o que não falta), mas ética sem projeto de mudança é discurso vazio. E mudança sem dor não existe, tb cabe dizer.
Quanto ao “meritômetro”, surf, se não há um que seja perfeito, garanto que há critérios razoáveis, e é com eles que se deve começar. Dizer que porque não há um critério perfeito algum critério próximo a ele não deva ser empregado seria ser cínico, no pior sentido da palavra.
24 Chesterton // 4/March/2008 às 11:27
cadê um Lacerda, meu pai do céu?
25 paulo vasconcelos // 4/March/2008 às 11:30
O Gabeira perdeu credibilidade quando começou a querer ser o paladino da ética e da moral. Começou entrar em uma sanha acusatória e envolveu gente inocente. Me parece que joga muito para a platéia e para imprensa. Essa candidatura é de faz de conta, não interessa ao Gabeira sair de sua retórica e defrontar-se com a realidade político-administrativa de uma cidade como o Rio de Janeiro. Se ganhar, será seu castigo. Prefiro o Gabeira escritor e Jornalista.
26 Ricardo Cabral // 4/March/2008 às 11:37
Chest (#24), você gosta mesmo de uma figura paterna autoritária e gritona, não é?
27 Damasceno // 4/March/2008 às 11:42
Não acho que os partidos apoiem o Gabeira a troco de nada, mas não acho que ele não está oferecendo nada, quando fala em não aceitar a barganha por cargos.
Uma eleição como essa, saindo da internet, com regras e comportamento etico bem definidos, com uma campanha fortemente baseada no boca-a-boca de eleitores bem intencionados, pode ser uma bela forma de alguns partidos limparem a sua imagem.
Se a campanha tomar proporções maiores, e alguns partidos forem bem pragmáticos, da pra usar o efeito benéfico na imagem como “moeda de troca”. O PSDB por exemplo, que é o grandão dessa coligação, não tem absolutamente nada a perder dando apoio ao Gabeira, nada…
Sei que o argumento pode parecer mesquinho, mas se ele forem pragmáticos, e acima de tudo comprarem a idéia do Gabeira de verdade, o Rio só tem a ganhar
28 surfando na jaca apodrecida // 4/March/2008 às 11:46
Pois é, seu Cabral. Muito me estima ser citado duas vezes por Vsa. Já o Elias deveria me dar crédito nesse coro de desafinados. O que quis dizer é em relação ao mérito, não ao desmeritrômetro. Isso para quem está na vida prostituta, digo, pública é ver o número de processos na justiça. Continuo como o Elias, achando que o Goiabeira está com vergonha do pessoal da coligação pelos seus eleitores. Tipo assim: olha gente, tô com essa tucanada odiosa, mas sou independente e faço o que quero. Não se preocupem com partidos políticos, eles não existem. Acreditem, sou virgem!, diria o Elias.
29 surfando na jaca apodrecida // 4/March/2008 às 11:47
Chester, coerência é isso aí! Serve o impoluto Gabeira?
30 Daniel Soares // 4/March/2008 às 11:51
Moro na Zona Oeste, mais precisamente em Campo Grande. O PD tem razão quando diz que é impossível colocar tudo no mesmo saco. Existem pelo menos três zonas oestes. A mais conhecida do resto da cidade é o eixo Barra da Tijuca-Recreio-Jacarepaguá. Isolada geograficamente do resto da ZO pelo maciço da Pedra Branca, de um lado, e das zonas Sul e Norte pelo maciço da Tijuca, do outro. A Barra e o Recreio, com seus condomínios e vias expressas, concentram boa parte da classe média alta da cidade. Aquela que resolveu fugir da própria cidade, se isolando, e que começa a se ver acuada com assaltos e perseguições policiais impensáveis no bairro há cinco anos. Inevitável que fosse assim do jeito que as coisas caminham. Enquanto isso, Jacarepaguá (na verdade um complexo de bairros e não um bairro único) concentra desde as favelas nas quais moram boa parte dos trabalhadores não-qualificados que encontram mercado na Barra e Recreio até condomínios de mansões (vizinhos das favelas, muitas vezes) e uma classe média que ao mesmo tampo também foge do resto da cidade, mas não tem como arcar com os custos de morar na Barra. (COntinua)
31 Daniel Soares // 4/March/2008 às 11:59
A segunda Zona Oeste é a que cresceu em torno do leito do ramal de Santa Cruz, dos trens da Central. Se estende de Deodoro a Santa Cruz, passando por Realengo, Bangu, Campo Grande e Paciência. Nestes bairros há a característica de terem se criado sub-centros no entorno imediato das estações. Esses centros de bairro concentram o grande comércio, serviços (como bancos e colégios), as poucas opções de lazer e onde mora a classe média local, que não vai para a Barra ou Zona Sul ou por falta de recurso ou por comodidade de morar perto do trabalho (comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores especializados das indústrias locais). Muitas pessoas da região acabam trabalhando nos centros dos bairros. Em volta das regiões centrais, crescem as periferias de bairro, onde se concentram as pessoas de menor renda e as favelas. Talvez isso que o Sal tenha querido dizer com “autosufiência”. Nas periferias ao norte da linha do trem, ainda há ônibus direto para o Centro (mas não há para a Barra, grande centro de empregos também). Ao sul, há ônibus direto para a Barra, mas não para o Centro, sendo necessária baldeação na área central do bairro para outro ônibus ou para o trem, encarecendo muito o custo de transporte. (Continua)
32 anrafel // 4/March/2008 às 12:33
Gabeira teve grande mérito como popularizador no Brasil de demandas colocadas na ordem do dia na Europa por aquela parte do eleitorado cansado da burocracia e do stalinismo dos partidos socialistas e comunistas.
Ambientalismo e questões referentes a costumes tiveram nele o principal político reverberador, ainda que pagasse (e ainda paga) com a pecha de ser um militante limitado à classe média bronzeada.
À frente de um governo municipal de uma grande cidade a coisa muda. A falência das cidades dará muito pouca margem à eleição das prioridades. Casamento entre homossexuais, descriminalização da maconha, preservação da Mata Atlântica (pode-se preserva uma coisa que não existe mais?) são temas importantes.
Mas o funcionamento regular do posto de saúde, a coleta de lixo, a descentralização econômica para reduzir o tempo de deslocamento no trânsito, a redução da inadimplência do IPTU, a denúncia de contratos criminosos da gestão passada, o preenchimento com os partidos aliados da máquina municipal, o relacionamento com os vereadores (que não estão muito ligando para esse negócio de ser educados), a equalização da dívida do município, as terceirizações mafiosas do serviço público, a participação do município no trabalho de segurança pública e mais meio mundo de etcétera.
Os prováveis aliados de Gabeira conhecem essa situação há muito tempo. E há muito tempo deixaram de enxergar nela um desafio a ser vencido. Aderiram ao martasuplicysmo.
33 surfando na jaca carioca // 4/March/2008 às 12:35
Sr. Daniel, muito boa sua explicação sobre as áreas do subúrbio do Rio e suas diferentes configurações. eu diria até que, tendo sido morador em vários bairros do rio tal qual um retirante de aluguel carioca, a Barra da Tijuca e o Recreio são hoje extensões da Zona Sul, inclusive com a colonização de gente de lá e o sonho de Miami. Porém, a paisagem se altera menos a partir de zonas de Jacarepaguá, a maior circunscrição eleitoral do Rio, que na proximidade de Campinhos, Praça Seca se articulam mais com Madureira, Méier etc, os chamados antigos subúrbios da Central. Fora bairros mais retirados, como Campo Grande, Bangú, aproximando-se também da zona mais rural de Itaguaí ou Sepetiba. Administrar isso de forma inovadora, atendendo reivindicações regionais é uma tarefa hercúlea que ninguém se propôs. Mas tem seus resultados. A linha amarela deu dois mandatos ao César Mala. Quem viveu em Jacarepaguá antes disso, sabe como ajudou os transportes ainda precários da região. Administrar tem coisas assim, técnicas. Então, vamos aos projetos concretos do Gabeira para o Rio e deixemos a baba política escorregadia para boi dormir. Que me ajudem nisso o PD e os gabeirenses.
34 Quasimodo // 4/March/2008 às 12:49
Tá me lembrando um ex-prefeito que faliu o RJ.
Educar Vereador? Fala sério. Governar sem fisiologismo? Não vai passar nada na Câmara.
Não atacar os adversários? Aquela obra monstruosa(de feio) na Barra , custou mais que a Linha Amarela.
Vai disputar a administração Municipal com ladrão, demagogo, mercador da fé, pedófila (nada contra a opção sexual de lésbica, o problema é que aproveita programa social para papar menininhas de 13 anos. É só perguntar para os vizinhos e porteiro do prédio) e vai falar da preservação da Mata-Atlântica. Não demora muito e vai querer criar a parceria Estocolmo/RJ.
Abra o olho camarada, na Avenida Almirante Barroso, Centro do RJ, funciona um LIXÃO, antes das 06h. Vão entulhando tudo no meio da rua e depois vão separando os materiais para coleta seletiva. É essa merda imunda e fédita que lhe espera. No RJ meter a mão na merda possui outra conotação, o buraco é mais embaixo.
Bom combate.
35 Gabeira para o Rio // 4/March/2008 às 12:51
[…] por André Monsores. A campanha também tem conferência no Orkut. Leia, aqui no Weblog, entrevista com o deputado Fernando […]
36 Chesterton // 4/March/2008 às 13:07
Acabvei de ouvir uma entrevista na radio em que o gabeira citava o Lacerda como exemplo de administrador que deu certo, mesmo sem ter experiencia administrativa anterior.
Mas o gabeira não é um lacerda, gabeira, como lembrou um postante aí de cima, quer falar, não executar.
saturnino Braga, faliu o rio e desmoralizou a honestidade (millor Fernandes)
37 Chesterton // 4/March/2008 às 13:22
qualquer governante que não levar isto
http://www.olavodecarvalho.org/semana/080303dc.html
em consideração está fadado ao fracasso.
38 Henrique // 4/March/2008 às 13:36
Sal e PD
Generalizei, e a generalização é sempre uma m…
O que quis dizer é que o povo da ZO, assim como os das favelas votam majoritariamente em políticos demagogos e populistas. Não é simples opinião. É informação constatada nos dados dos resultados das eleições divulgados posteriormente pelo TRE.
39 Chesterton // 4/March/2008 às 13:46
Enquanto o voto de quem paga IPTU valer a mesma coisa de quem não paga IPTU, faz gato na rede elétrica, rouba a Net, o prefeito vai ser uma bosta.
40 Daniel Soares // 4/March/2008 às 14:12
Por fim (demorei a completar porque fui almoçar e depois resolver coisas de trabalho), há ainda uma terceira Zona Oeste, aquela rural, como bem disse o Surfando na Jaca Carioca. Guaratiba, com a maior parte do território ocupada por área militar, com grande parte de seus manguezais preservados, que se estendem desde o mar e a baía da sepetiba, até o sopé do maciço da Pedra Branca, cortada apenas pelas estradas que ligam a Zona Oeste mais distante (Guaratiba e Santa Cruz) à Barra e Recreio, com seus ônibus matinais e vespertinos superlotados de trabalhadores da região que se destinam à Barra e à orla da Zona Sul. Os arredores de Santa Cruz e as franjas de Campo Grande e Bangu no entorno da Av. Brasil, realmente são mais parecidos com Itaguaí e Seropédica do que com o resto do Rio. Avistam-se da avenida áreas agrícolas, onde se planta batata, feijão, árvores frutíferas, hortaliças e principalmente mandioca. Em algumas propriedades com direito a trator e sistema de irrigação. Esses agricultores não conseguem financiamento do Pronaf e outros programas federais. Oficialmente estão instalados em área urbana. A Lei Orgânica do município diz que o Rio é 100% urbano…
E ainda há a Pedra de Guaratiba com seus pescadores e paisagem interiorana, a beira da baía de sepetiba, que abastece de pescados toda a Zona Oeste e parte da Baixada.
41 Daniel Soares // 4/March/2008 às 14:18
Faltou dizer que Campo Grande é um dos bairros distantes que é ligado à Barra e ao Recreio via Guaratiba, e que os ônibus que fazem o trajeto também vão superlotados de manhã e assim retornam à tarde, sem falar dos piratas…
42 Daniel Soares // 4/March/2008 às 14:25
E nem vou falar em detalhes da Zona Norte… mas ela também é imensa, com uma densidade populacional muito grande, indo da Tijuca/Vila Isabel ( a “zona sul” da Zona Norte) até a Pavuna/Acari/Honório Gurgel/Costa Barros, mais pobres que muito lugar da Baixada. Passando pelos subúrbios tradicionais de Central do Brasil (Méier, Madureira…) e da Leopoldina (Penha, Olaria, Bonsucesso…) com sua classe média afluente em prédios novos cercados por favelas e pelo casario de classe média baixa. E ainda tem a Ilha do Governador com 200 mil habitantes desde as coberturas do Jd. Guanabara até o Morro do Dendê… A cidade, de fato, é muito grande e complexa (8 vezes a área de Paris, com o triplo de habitantes e uma desigualdade social certamente muito superior. Não tenho os dados Gini). E até outubro eu quero ver se alguém (não só o Gabeira) tem planos concretos. Eu desconfio que não.
43 Dammaskos // 4/March/2008 às 14:40
Digamos que o discurso de Gabeira cresça a ponto de tornar-se convincente aos olhos da maioria de votantes exigível para sua eleição; digamos que ele consiga ser eleito. Será que encontraria espaço no mundo real da prática política para poder consolidar suas belas palavras em atos concretos ? Sei e sabemos que ele não é ingênuo, nem passou os últimos 20 anos passeando na Disney, mas daí a acreditar que seu discurso é factível, aí já é outra coisa. Se ele ganhar com este discurso de intelectual moderno e politicamente correto, ótimo, lindo, emocionante. Mas lá dentro, em meio a cobras e outros peçonhentos - os quais ele é profundamente sabedor da existência - os rumos de seu discurso de campanha serão outros. Não dá para acreditar que ele conseguiria implantar nem 10% do que sonha fazer. Alguém aqui já disse curto e grosso ” O Rio tá é laskado…” Continuo com a impressão de que o lero-lero gabeirense está mais para fantasias românticas de intelectual heróico e revolucionário, do tipo que acredita que ele e suas belas palavras podem sim salvar o mundo. Pergunto: quantos Rio de Janeiro há no Rio de Janeiro ? Ingenuidade é acreditar que um único discurso é aplicável a todas as realidades de uma cidade. O blog do Dória é bem frequentado, quem comenta por aqui é osso duro de roer, mas será que o RJ é todo assim ? Gabeira meu véio, ganhe esta eleição, por favor, pois assim você vai tornar minhas horas de almoço bem mais interessantes. Como, escrevo, rio e arroto ! aaarghhhh
44 Elias // 4/March/2008 às 14:44
Surfando,
“… é que aprendemos com João / pra sempre ser desafinados…”
O Chesterton também desafina, mas ele tem saudade do Lacerda (rima rica). Aí, avacalha a guerra com baladeira.
Gabeira quer ganhar a eleição com partidos, mas diz que vai governar sem partidos.
Já vi esse filme antes. Duas vezes. Os “mocinhos” se chamavam Jânio Quadros e Fernando Collor.
Daí porque não acredito em virgem dando expediente em puteiro. No fim, se descobre que a virgem não era virgem nem no horóscopo, e o puteiro fica mais avacalhado que antes.
Coisa mais antiga…
45 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 15:07
Quem lembrou do Lacerda foi o gabeira no programa de rádio da CBN
46 Elias // 4/March/2008 às 15:29
Governar é uma atividade política. Não há diabo que mude isso.
É ingenuidade extrema achar que este ou aquele partido vai apoiar tal ou qual candidato e, se vencer as eleições, não vai fazer valer seu discurso.
Se o candidato se descolar dos partidos que lhe cederam a legenda (ao que parece, é o que o Gabeira quer), terá uma bancada ínfima na Câmara e não vai poder governar. A oposição vai triturá-lo.
Se não se descolar dos partidos, andar juntinho e coisa e tal, poderá montar uma bancada poderosa. Mas, exatamente por ser poderosa, essa bancada vai fazer valer seu poder. Ou então, o prefeito vai ser abatido por fogo amigo (mas não tanto).
Daí porque é quase impossível o sujeito se eleger à margem dos partidos e fazer qualquer coisa parecida com um bom governo. Esse tipo de político messiânico, personalista, voluntarista, salvador da pátria, sempre acaba em desastre.
Bem verdade que um Gabeira jamais admitirá que sua candidatura é mesiânica, personalista e voluntarista.
O que só piora as coisas.
Pior que um político messiânico, personalista e voluntarista, é um político messiânico, personalista e voluntarista que nem sabe que é, porque é o que não quer ser e, sendo, não se vê como é, mas como imagina que devesse ser. Acaba não conseguindo ser o que gostaria, que é o que jamais será.
47 Brancaleone // 4/March/2008 às 16:13
É, mas o caso da maconha ficou sem resposta decente…
48 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 16:17
estou de acordo
49 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 16:18
estou de acordo com o 46 e o 47
50 Ricardo Cabral // 4/March/2008 às 16:22
Elias, o que me espanta é a maneira como (logo) você escolheu ler o que aparece na entrevista, sem levar em consideração a conjuntura política do município e o seu histórico. Associar o discurso do Gabeira ao do Collor é sim algo muito ingênuo, diria que simplista. A conversa agora é dirigida principalmente aos que comporão a coligação que eventualmente o elegerá, muito mais como forma de avaliar o seu próprio poder de negociação com essa turma. É dirigido também tanto a parte do eleitorado classe-média, quanto aquele dito “formador de opinião”. Lembre-se: a conversa foi com o Pedro Doria, alguém que tem como público sobretudo essa parcela do eleitorado… No meio desse caminho há muito o que trilhar, inclusive em relação à complexidade da cidade, tão detalhada no arrazoado do Daniel Soares. (Não li tudo ainda Daniel.)
51 anrafel // 4/March/2008 às 16:41
Sem embargo do lugar-comum (e isso já é um lugar-comum), a candidatura já prestou um bom serviço, pelo menos aqui neste blog: suscitou um bom debate sobre a realpolitik, a vida como ela é nas lides políticas.
E o resultado parece indicar que os municípios, pelos menos os mega-municípios, que seriam a última trincheira para os reformistas e alternativos, não mais se mostram permeáveis a administrações arrojadas.
As últimas dignas de nota teriam sido as de Jaime Lerner em Curitiba. O mesmo Jaime Lerner que trabalhou como assessor especial de um prefeito carioca e não conseguiu adiantar coisa alguma.
Mas o lançamento da candidatura de Gabeira me fez prestar mais atenção às lambanças soteropolitanas. Aqui, a tristeza não tem fim
Vou logo avisando a esses cariocas cronicamente bairristas que acham que todos os partidos são ruins, mas no Rio eles conseguem ser piores ainda: vocês precisam conhecer a política baiana. Nesse quesito aí nós ganhamos fácil.
52 Daniel Soares // 4/March/2008 às 16:50
Chesterton, você está propondo uma espécie de voto censitário? Nos moldes da Constituição da Mandioca de 1924?
53 T.T. Cricket // 4/March/2008 às 16:52
So falta combinar com os russos.
54 Daniel Soares // 4/March/2008 às 16:52
Errata: Constituição de 1824.
55 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 16:59
http://i45.photobucket.com/albums/f78/jonjayray/Republiblack.jpg
para o jaca Surfista Prateado Afro negão.
56 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 17:00
eu não estando propondo nada, mas do jeito que tá, assim tá….
57 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 17:07
história do pensamento dessa gente começa sonhando com uma humanidade sem fronteiras, unida por uma espécie de irmandade socialista, e termina alinhada com o narcotráfico e os assaltantes do dinheiro público.
58 Daniel Soares // 4/March/2008 às 17:11
E não entendi o que o material de campanha democrata do pós-Guerra Civil desqualificando os republicanos por eles terem plataformas pró-negros tem a ver com os comentários do Jaca. É relativo a algum comentário de post anterior?
59 Pax // 4/March/2008 às 17:22
Chesterton, velho e bom Chesterton, e demais críticos à candidatura do Gabeira: qual a opção fora do Gabeira? Você vai votar no Wagner Montes? Ou no Crivela?
Ok, pode criticar à vontade, mas coloque aí uma opção.
Desses três, se votasse no Rio, ficaria com o Gabeira, com todas as críticas que possa ter. Ficaria com a dúvida sobre a capacidade executiva do Gabeira contra a certeza da imbecilidade e canalhice das outras opções.
60 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 17:57
deu duro? Quero um Dreher….
61 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 17:58
extingue a prefeitura, manda os funcionarios para casa…
62 Elias // 4/March/2008 às 18:49
Ricardo,
Política sem partido político é complicado. Se você levar o conceito às últimas conseqüências, dá numa ditadura.
Os militares diziam dos políticos brasileiros a mesma coisa que se diz hoje. No poder, se revelaram iguais ou piores. De quebra, nos legaram um período de deseducação política, cujo preço até hoje pagamos.
Conheço essa ladainha e tenho minhas toneladas de motivos pra não acreditar nela.
Educação política se faz com partidos políticos. E o Gabeira tem se esmerado em perder oportunidades pra fazer isso.
No passado recente, o PV se atrelou ao PSDB, cuja política ambiental está para o meio ambiente assim como a raposa está para as galinhas, a música militar está para a música e a justiça militar está para a justiça (foi um general quem disse isso).
Deu que um dos próceres do PV, feito superintendente do IBAMA, foi preso pela PF no aeroporto de Brasília, quando recebia uma maleta cheia de dinheiro, produto de um achaque a uma madeireira.
Claro que a mídia não chegou nem perto do barulho que fez com os dólares na cueca. Mas, nem por isso, deixou de acontecer, né?
E esse pelo menos foi preso. Pior foram os outros, que nem investigados foram.
Nessa época, o Gabeira fez cara de paisagem. Ruim para a educação política que ele se propõe ministrar à ignara plebe carioca.
Por essas & outras, entendo que, agora, ele queira uma campanha política sem ataques aos adversários.
Mas, veja: nem isso contribui para a tal educação política. Pelo contrário…
63 Nadia Mattos // 4/March/2008 às 19:01
Tenho dúvidas quanto à transparência, à ética e o jogo limpo de Gabeira, quando olho para os demais partidos da coligação.
64 Fabiano // 4/March/2008 às 19:24
Gabeira, ao adotar uma plataforma de campanha de mudança da forma de se fazer política no Rio de Janeiro, parece muito mais um “anti-candidato”… o problema é que a “anti-política”, baseada nas boas intenções não funciona na prática.
Lembro-me do célebre debate entre vários candidatos a presidente em 1989, quando Lula falou (não lembro para quem) que “de bem-intencionados o inferno está cheio”. Precisa dizer mais alguma coisa?
65 Danilo Maia // 4/March/2008 às 19:32
Não tenho tanto tempo como o Chesterton para fazer comentários, mas tem horas que não resisto.
Eleição, muitas vezes, é a arte de escolher o menos ruim.
Os principais líderes das pesquisas até agora eram Crivella e Wagner Montes. Wagner Montes, empregado do tio de Crivella, como se sabe, desistiu do pleito.
Os demais candidatos não atingiram juntos sequer 10%.
Diante disso, temos a seguinte situação. Todos aqueles que já começam a olhar com desconfiança a candidatura de Gabeira, estão fazendo, aos poucos, um enorme favor ao nosso grande Senador Crivella.
Agora me digam aí, todos: Crivella, sobrinho do Edir Macedo, o dono da IURD, Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Gostaram?
Chesterton, a prosseguir idéias consistentes como essa de extinguir a Prefeitura, você vai acabar me convencendo que ainda não completou seus 18 anos.
66 Dalborga // 4/March/2008 às 20:08
Gabeira ateh tem minha simpatia, mas como todos politicos brasileiros, o dia q subir entrará no esquema e tal como o PT, q alguns achavam incorruptiveis, virará um ladrao corrupto.
67 Dalborga // 4/March/2008 às 20:09
e ainda liberara as drogas, acabando com a familia brasileira e levando nossas filhas ao prostibulo mercantil.
68 Rubens // 4/March/2008 às 20:41
Para mim é o único realmente autêntico, da esperança que tinhamos nas décadas de 60/70.
Depois de acreditar em Sindicalista ? Salve Gabeira.
69 Esprit de porc // 4/March/2008 às 20:44
Gostei muito dos comentários do Daniel Soares. Realmente a Zona Oeste tem múltiplas facetas. Lendo seus textos isso fica muito claro.
Isso me lembra uma discussão que tive há alguns anos (no antigo nominimo) com o dono do boteco e alguns comentaristas que achavam que o interior do estado do Rio é uma coisa só, que não há particularidades de cada região (na época discutíamos de quem havia sido a culpa pela eleição dos Garotinhos).
70 Chesterton-Dracul- El Cid // 4/March/2008 às 20:47
Chesterton, a prosseguir idéias consistentes como essa de extinguir a Prefeitura, você vai acabar me convencendo que ainda não completou seus 18 anos.
chest- existem muitas cidades em paises desenvolvidos (tá certo, são, pequenas cidades) que não tem prefeitura, mas um conselho de proprietários. Administram profissionalmente sua propriedade com enooooorme economia.
Fiz 19 anos semana passada…
71 Dino // 4/March/2008 às 22:15
Elias, concordo em praticamente tudo que escrevestes com uma ressalva, se o que mais te aflige é a hipocrisia do simulacro de uma suposta méritocracia em detrimento da maquina administrativa partidária. Eu tenho isso como puro engodo de campanha, impossível de se realizar na real política e ele sabe perfeitamente disso, só está jogando para a torcida que vê nele “dona purinha branca das neves”. Já a o que me incomoda no sujeito e exatamente o contrario. O cargo de prefeito é de todos os executivos o menos politizado, o de maior contato com a população em que as cobranças de resultados práticos são enormes e imediatos. A retórica sempre sobre assuntos de menor importância para o dia-dia do cidadão comum, que quer soluções concretas, mas com um grau alto de politização e de consenso para os intelectuais, me leva a crer que ele faz um jogo pra lá de sujo, que se der em merda não será incriminado, pois não se comprometeu com nada. Mas eu sou suspeito para falar do Rio de Janeiro, pois o Rio para mim, apesar de eu ser carioca, é mais ou menos como aquela definição do açougueiro de “gangues de Nova Iorque” para a Irlanda… Deixe-me sair correndo que lá vem pedra…
72 surfando na afro-jaca // 5/March/2008 às 1:12
Antes de dominar minha insônia vim bisolhar isso aqui. Obrigado Elias por me incluir no coro dos desafinados, pois temos a mesma opinião e o Dino vem engrossar a cantoria descontente. Danilo Maia, não adianta forçar a barra com essa dicotomia, ou Gabeira ou créunela. Faltam outros nomes ainda para a corrida e nem o Gabeira pode dizer que tem tanta intenção de votos assim. Vamos com calma com o andor do santo Gabeira.
Lacerdista Chesterton, o Frangão anabolizado, se confere a sua história e não me surpreenderia, já tens um candidato, tão arrependido quanto o Lacerda de sua militância comunista. Quanto ao problema black nos EUA, só agoraque entendi onde vc. quer chegar. A história do partido republicano para vc. é linear? Sou muito simpático aos republicanos de Abrahan Lincoln, amigo e correspondente de Karl Marx. Nessa lógica poderia dizer que vc. sendo simpático aos republicanos de hoje, gosta de Marx e é um simpatizante dos democratas também, já que foram dissidentes que fundaram o partido republicano. É isso, chesterton anacrônico? Eu falo do partido republicano de hoje, dessa laia bushit.
73 josef mario // 5/March/2008 às 6:44
Companheiros de esquerda, maoístas e bolivarianos
Eu, josef mario, devo dizer que tenho mais o que fazer e não vou perder tempo lendo entrevista deste companheiro gabeira. Mesmo porque já imagino, mais o menos, o que ele deve ter dito e, assim, esta leitura só serviria para me irritar ainda mais. Portanto, é mais útil aproveitar este generoso espaço deste prestigioso blog do companheiro pedê para falar de outro candidato, este sim, digno do meu voto. Trata-se do companheiro crivela que, como todos sabem, é engenheiro com uma excelente formação técnica e, portanto, tem uma história de realizações para contar. Os poços artezianos perfurados no nordeste ou o seu trabalho incansável na áfrica já justificariam o meu voto. Deixemos de ser preconceituosos, esqueçamos de sua eventual ligação com o companheiro bispo macedo. O fato do companheiro crivela torcer pelo vasco ou botafogo e não pelo mengão é totalmente irrelevante quando fizermos a nossa escolha. Lembremos que a companheira marina gomara, editora internacional da recordnews e mulher do companheiro pedê, também está ligada ao companheiro bispo edir macedo. Todavia, continua mantendo a sua independência e dignidade e o companheiro pedê não vai abandoná-la porisso.
Muito obrigado
74 Chesterton-Dracul- El Cid // 5/March/2008 às 8:28
pior que há um nexo “linear”…..
75 Chesterton-Dracul- El Cid // 5/March/2008 às 8:29
josef tem um ponto interessante.;….
76 josef mario // 5/March/2008 às 8:35
Companheiro chesterton dra-o-cul
Eu, josef mario, devo dizer que, além de interessante, tem 3o cm de comprimento.
Muito obrigado
77 surfando na jaca apodrecida // 5/March/2008 às 8:59
kkkkkkkkkk
Só mesmo assim. Um ponto interessante com nexo linear, suponho que sejam os 30 cm do Zé Mário.
78 Dino // 5/March/2008 às 9:21
Fernando Gabeira é um político maconheiro ex-hippie de sexo semi-masculino. Foi expulso do PT por oferecer um “pega” de seu baseado ao presidente Ulysses Guimarães que, após o ocorrido, pegou sua jangada e nunca mais foi visto (suspeita-se que ele se encontra na Jamaica).
Largou seu lado meio-masculino e fundou um partido de sigla duvidosa, o PV, que tinha como proposta plantar a Colômbia.
Por incrivel que pareça é o político mais sério do Congresso quando o assunto é legalização da prostituição, da maconha, do top less etc. Diplomáico, esteve com grandes autoridades dos países do eixo canábico, podendo citar Bob Marley, D2, Evo Morales, Maradona e outros.
fonte: Uiquipédia
79 Chesterton // 5/March/2008 às 11:24
Josef Mario, com 30 cms, vocë só pode comer cu.
80 josef mario // 5/March/2008 às 13:35
Companheiro chesterton dra-o-cul
Eu, josef mario, devo dizer que agradeço o seu gentil oferecimento. Devo esclarecer, todavia, para que o companheiro não se arrependa depois que, além de 30cm de comprimento, o meu ponto interessante tem 8cm de diâmetro.
Muito obrigado
81 Chesterton // 5/March/2008 às 19:10
kakakakakaka
cu de macho só tem saída, Josef, de modo que não tem jeito, é impossivel. De vqualquer modo o comrimento médio de uma vagina humana é no maximo de 14 cms, se vocë colocar sua extrovenga fura o fundo-de-saco (não o seu saco) e invade a cavidade abdoominal.
82 josef mario // 5/March/2008 às 19:56
Companheiro chesterton dra-o-cul
Eu, josef mario, devo dizer que, como o comprimento medio da vagina humana tem 14cm, eu, josef mario, quando digo que só vou colocar a cabecinha, para o meu caso específico, estou falando a mais pura verdade.
Muito obrigado
83 Pô, meu! » Vou voltar a sentir tesão pela cidade do Rio // 6/March/2008 às 22:31
[…] de oitenta. Eu quero novamente me orgulhar de ser carioca. Li no blog do Pedro Dória (aqui e aqui) a notícia que uma frente de partidos políticos, sob o comando do Partido Verde (PV), trazia para […]
84 Fred Guth // 27/March/2008 às 12:52
Henrique,
Sinceramente, me preocupa mais a massa ignara que vejo em Ipanema, onde moro.
Ninguém mais está interessado em ouvir ou pensar. Ninguém mais defende até a morte o direito do outro de ter a opinião totalmente contrária a sua. Não. Ou pensa igual, ou é burro, vendido, inocente (na melhor das hipóteses).
“Como vencer um debate sem estar com a razão (Shopenhauer)”? Ataque o seu opositor, não as idéias dele.
Não sei se o abuso da prática é por preconceito puro e simples ou por medo. Medo de, ao debater, mostrar que se tem a profundidade de um pires!
85 Fred Guth // 27/March/2008 às 13:09
PD,
simpatizo com a figura do Gabeira, mas não sei (e aqui não é retórica é falta de conhecimento mesmo) se ele pode ser um bom prefeito. O Rio precisa parar um pouco de ficar só pensando no Brasil e pensar um pouco sobre o que a gente pode fazer por aqui mesmo.
Qual é o plano do Gabeira para a cidade? Eu quero conhecer. Tá publicado?
Sem entrar no mérito do Gabeira em si, um bom deputado pode ser um péssimo prefeito e vice-versa.
Em geral, vejo defensores da campanha dizendo uma de duas coisas:
1) “… por exclusão, Gabeira”. >> Nessa linha, posso até votar nele, mas é triste.
2) O Gabeira vai moralizar a política carioca. >> Na boa, isso é a UDN de tanga. Espero que o candidato seja mais do que isso.
Já que você está fazendo campanha pelo cara, te pergunto com sinceridade, onde estão as propostas? No gabeira.com não achei.
Abraços
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