O Equador, a Colômbia e uma aula
de como não lidar com as Farc

Colômbia · Equador · Venezuela · 3/03/2008 - 10h03 - 252 Comentários

O exército colombiano invade o território de seus vizinhos a toda hora. Em 1998, chegou a tomar uma base militar brasileira no Amazonas.

Às vezes os governos vizinhos reclamam oficialmente. Outras vezes, fingem que não viram.

Hugo Chávez adora convocar de volta um embaixador e bater os tambores militares. É tudo da boca para fora. As relações comerciais seguem intactas sempre.

Rafael Correa, como Evo Morales, fazem de tudo para soar como Chávez.

Até aí, não há rigorosamente nada de novo sob os céus da Sudamérica.

O anúncio de que o governo equatoriano tem vínculos com as Farc é mais delicado.

A negociação com uma guerrilha que transita em seu território nacional é, muitas vezes, necessidade política. No caso do Equador, seria justificável ter uma porta de negociação com as Farc por dois motivos: impedir que o levante vaze para seu país e impedir que equatorianos morram eventualmente. Intervir nas negociações que incluem as operações das Farc só é legítimo com o consentimento do governo colombiano. (Foi o caso da intermediação de Hugo Chávez para a libertação de reféns.)

As duas mensagens do governo equatoriano para o líder das Farc morto no sábado não tratam de nenhum destes casos.

Pedem ajuda das guerrilhas colombianas para organizar movimentos de massa na fronteira, propõem cooperação na segurança de fronteira e solicita uma chance de explicar à chefia das Farc como o Plano Equador pode conter os danos causados pelo Plano Colômbia.

O Plano Colômbia é aquele dos EUA de auxílio ao governo colombiano para combater as Farc e o tráfico de drogas relacionado a ela. O Plano Equador é a política de defesa equatoriana estabelecida pelo governo Correa.

Não é apenas uma clara interferência na gestão da Colômbia. É também de uma subserviência incrível.

Atualização – Revendo o texto, percebi que fui condescendente com a invasão de território equatoriano pela Colômbia. É claro que não pode. Apenas é preciso enfatizar que este é um hábito colombiano de muitos anos. A questão é que há um problema sério se o governo Correa está cultivando acordos que indicam um processo de aliança com um grupo armado cujo objetivo é dar um golpe militar no país vizinho.

Atualização 2 – Havia acima a informação de que a Venezuela já havia invadido o Brasil. A fonte era falsa, como com profunda gentileza me lembrou meu amigo Marcus Pessoa.

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