Pedro Doria | Weblog

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O adeus de Marcos Guterman

March 3rd, 2008 · · 50 Comentários

Um blog como este aqui exige uma grande dedicação, demanda que eu infelizmente não posso mais atender. Este, portanto, é meu último post, numa despedida muitas vezes adiada e que, agora, tornou-se inevitável.

Meu trabalho como editor do estadao.com.br requer atenção integral a um imenso universo de informações e acontecimentos, atenção que não pode ser dividida com atividades paralelas, sob pena de não fazer direito nem uma coisa nem outra. Além disso, fora do jornal, estou desenvolvendo um projeto acadêmico que, assim como meu trabalho, cobra um esforço considerável, sem o qual sua realização fica impossível. São essas as razões imediatas para a minha decisão.

Há uma outra razão, contudo. Trata-se do anti-semitismo que grassava aqui no blog. Infelizmente, por causa do meu sobrenome e da minha religião, muitas pessoas apareceram por aqui para ofender os judeus, mentir sobre o Holocausto e desejar o fim do Estado de Israel. Agüentei o quanto pude, mas, em nome da memória de meus avós, decidi que já tive o bastante.

Marcos Guterman tinha um dos blogs mais movimentos do portal do Estadão. Seu sucesso era uma mostra da carência que há sobre informação daquilo que acontece fora do Brasil; mas era também bom olho para noticiário e análise, um blog comentado, discutido, polêmico. Era sempre sensato pacas, o Guterman.

Fará falta na blogosfera.

(O que ele talvez não saiba é que blog vicia.)

Tags: Blogosfera · Israel e Palestina · Judaísmo

50 Comentários até agora ↓




  • 1 confetti // 3/March/2008 às 7:53

    :((

    pd, pq vc nao tem blog no estadao ?

  • 2 Brancaleone // 3/March/2008 às 7:55

    Tá, o cara pode “fechar o buteco” dele quando quiser.
    Incomoda mesmo são os motivos. Um deles parece quer foi anti semitismo.
    Difícil acreditar que existem pessoas (?) que se posicionam contra uma raça ou religião como um todo. Não ir com a cara deste ou daquele membro de determinado grupo social tudo bem, mas daí ser contra o grupo todo é estupidez absoluta.
    Mas que o outro emprego do cara exige pacas isso é inegável.

  • 3 confetti // 3/March/2008 às 8:04

    (O que ele talvez não saiba é que blog vicia.)

    chamo, chamamos aqui de vicio…))

  • 4 Darwinista, O original // 3/March/2008 às 8:17

    Salve povo do vício!

    Salut, petit confetti!

    Monsores, confetti, nada, James, Nhé!, Nat, proftel, deixei um comentário lá no open de sábado.

  • 5 confetti // 3/March/2008 às 8:20

    darw !! ))
    vc tem humor, isso é essencial ! beijos

  • 6 Darwinista, O original // 3/March/2008 às 8:21

    Não ir com a cara deste ou daquele membro de determinado grupo social tudo bem, mas daí ser contra o grupo todo é estupidez absoluta.

    Concordo contigo, Brancaleone. Precisa ser muito estreito de mente pra extrapolar pra todo um grupo as ações de um parte. Mas isso é comum demais. Eu mesmo já fui chamado de nazista única e exclusivamente por ser descendente de alemães. É muita tacanharia.

  • 7 confetti // 3/March/2008 às 8:25

    como ele mesmo disse, acho que marcos ta cheio de projetos e nao ta dando conta…hierarquizou suas obrigaçoes….nao foi marcos ?
    acho tbm que ele volta um dia desses…vicio nao se larga assim….

  • 8 Darwinista, O original // 3/March/2008 às 8:30

    Povo do vício,

    deixei o comentário no open de hoje também, que nem tinha visto.

    confetti,

    sem humor não dá pra aguentar o mundo e o que nele há… :-)

  • 9 Chesterton-Dracul- El Cid // 3/March/2008 às 8:53

    é muito mais difícil ser judeu que negro no BraSIL. Eles compensam com a inteligência.

  • 10 Darwinista, O original // 3/March/2008 às 9:01

    é muito mais difícil ser judeu que negro no BraSIL. Eles compensam com a inteligência.

    Chest, só pra eu ter certeza que eu entendi errado. Você não quis dizer, implicitamente, que os judeus são mais inteligentes que os negros, não é?

  • 11 aiaiai // 3/March/2008 às 9:36

    confesso que nunca li o blog do moço mas se ele considera anti-semitismo “desejar o fim do Estado de Israel “, faço minhas as palavras de Veja (nossa, nunca pensei que escreveria isso um dia…) “Já vai tarde”. Que bom que ele está estudando, talvez aprenda alguma coisa e volte para blogosfera menos apegado à religião e mais voltado para a razão.

  • 12 Mr X // 3/March/2008 às 9:49

    Já falei tudo o que tinha que falar aqui:
    http://blogdomrx.blogspot.com/2008/03/esquerda-e-criao-de-rancores.html

    Aiaiai,
    “razão”?!? Você é um anti-semita ignorante, não sabe p. nenhuma sobre o Oriente Médio, sobre História, sobre religião, aliás nunca vi vocÊ fazer algum comentário inteligente ou ao menos razoavelmente informado sobre o que quer que seja, e vem aqui querer dar lição de moral.

    Francamente, estou de saco cheio de ignorantes que se acham superiores e vem me falar em “razão”. Um pouco mais de humildade, por favor.

    E “desejar o fim do Estado de Israel” é sim ser contra os judeus, ou onde vão ir parar os milhões de judeus que moram lá, e tudo o que eles possuem? Pra sua casa?

  • 13 Mr X // 3/March/2008 às 9:50

    Alias,

    “nunca li o blog do moço”

    mas

    “Já vai tarde”

    Típico.

  • 14 confetti // 3/March/2008 às 9:52

    PARA GENTE !!! VCS QUEREM QUE PD IMITE O GUTERMAN ????? ((

  • 15 Dino // 3/March/2008 às 9:54

    Para o mesmo lugar onde moram 7 milhões de refugiados palestinos… No país do outros sofrendo toda sorte de humilhação…

  • 16 Dino // 3/March/2008 às 9:59

    · Chesterton-Dracul- El Cid // 3/Março/2008 às 8:53
    é muito mais difícil ser judeu que negro no BraSIL. Eles compensam com a inteligência.

    Aguardando explicações…

  • 17 confetti // 3/March/2008 às 10:00

    idem 16…(

  • 18 PH // 3/March/2008 às 10:04

    Enquanto pessoas sérias e de carater deixam a blogosfera, permanecem os mascates e anões, os chapa branca sustentados por algum mensalinho.

  • 19 Mr X // 3/March/2008 às 10:24

    Pôw confetti,

    O Aiaiaiai confessa que NUNCA leu o blog do Guterman, e sai insultando o cara?

    Ora, mas são essas pessoas, preconceituosas e desinformadas, as que acabam com os blogs.

  • 20 Guillermo // 3/March/2008 às 10:29

    Ou ele prefere deixar os outros se darem como vencedores por tirar um judeu (não semita) da discussão ou foi uma jogada genial por sair dando a última palavra dizendo o que quer sem escutar o que os querem dizer.

    DÁ-LHE GRÊMIO!!!

  • 21 Pax // 3/March/2008 às 10:32

    Bem, há casos em que sou menos democrata que o blogueiro. Colocaria um IF IP = de um idiota THEN GO OUT.

  • 22 HRP Mané Reloaded! // 3/March/2008 às 10:55

    aiaiai comentário 11:
    Taí….generalizar é soda!
    As vezes as falas da raizes agogam o lucidez e a visão…..
    Mas como sei que nada é para sempre…..
    vou dar uma dica:
    Acredite que todo aquele que está a tua volta é igualzinho a ti, mesmo com suas diferenças……e só assim chegamos a felicidade coletiva…quando queremos o bem do próximo …e tentamos fazer isso acontecer.

  • 23 Dino // 3/March/2008 às 10:56

    Me dei ao trabalho de ir verificar os comentários dos posts mais polêmicos lá do blog dele, não vi nada sobre holocausto nem nada que se pareça. Alias tem sim alguns clones do mr cheese e neocid falando contra o islã. No mais as polemicas normais e um texto em geral muito bem feito, que realmente devia tomar-lhe uma razoável quantidade de tempo

  • 24 HRP Mané Reloaded! // 3/March/2008 às 11:00

    as falas das raizes afogam…..é a coriza!

  • 25 Andre Fucs // 3/March/2008 às 11:53

    Pedro,

    Não deixa de ser irônico o que aconteceu com o blog do Guterman afinal ele era razoavelmente alinhados com o ideário da esquerda israelense.

    Acho aquilo que ocorreu por lá já já ocorrerá aqui.

    Esse tipos se reproduzem feito coelhos, um horror. É a turma do disco arranhado. A turma que vomita verdade e ódio muito ódio. É a turma que não consegue ler, não consegue pensar. Essa turma que curte enxergar o mundo por uma ótica de torcedor de futebol. A turma que cita declarações e artigos inexistentes, pesquisas fora de contexto, que desdenha da fé muçulmana…

    Fantasiam-se de ovelhas mas estão mais para hienas.

  • 26 Theo // 3/March/2008 às 12:12

    Mr x,

    Não sei pq vc se estressou com o aiaiai, eu acho que ele está certo, desejar o fim do estado de israel, não é anti-semitismo, é só não concordar com a forma em que foi criado e com suas políticas atuais.

    Vc mesmo não é contra o kosovo? quer dizer que vc quer mandar os kosovares pra camara de gás?

    Eu dei uma olhada no blog dele, parece o do PD mas piorado.

  • 27 Theo // 3/March/2008 às 12:13

    Espero que o PD não siga e mesma trilha.

  • 28 Mr X // 3/March/2008 às 12:21

    Theo,

    Sorry, me estressei porque o cara nem leu o blog do sujeito e já saiu criticando. Tivesse lido, saberia que o Guterman é de esquerda e critica Israel.

    Desejar o fim do Estado de Israel É anti-semitismo.

    Aliás, eu desejo o FIM de todos os países muçulmanos, mas não sou “islamofóbico”, que você ia dizer se eu dissesse assim?

  • 29 Mr X // 3/March/2008 às 12:22

    E não sou “contra o Kosovo”, fui contra sua independência, por vários motivos, o islã é até um dos menores.

  • 30 Gabriel // 3/March/2008 às 12:36

    Theo e aiaiai ja tinha escrito antes e volto a repetir quantas vezes forem necessarias para que alguem se de conta e leia: quem diz que o pais de Israel e a religiao judaica estao desvinculados so pode ser alguem que nao entende nada sobre o judaismo e nada sobre Israel.

  • 31 faraó // 3/March/2008 às 13:47

    Theo
    desejar o fim de Israel…
    sei..
    e fazer o quê com os milhões de israelenses?

    Se os árabes não absorvem os poucos palestinos que moram em seus países, o que eles fariam com os milhões de israelenses?

    Ah, sei lá… deixar no deserto 3 meses sem água e comida.
    Jogar uma bomba atomica.
    Emprurrar pro mar.
    Enfiar na tua raba.

  • 32 aiaiai // 3/March/2008 às 14:24

    é tanta bobagem que nem vale a pena…mas, só para constar e em respeito ao blog do PD: semita é todo aquele que descende de Sem, um dos filhos de Noé. Isso inclui árabes, hebreus, assirios, etc, etc…vão ver um dicionário.
    Quem é contra a criação do estado de israel - como eu sou - e como muitos que viviam antes de 48 eram, são os anti-sionistas. Ou seja, opositores dos sionistas - entendendo sionista como aquele que defendia - e defende - a criação e manutenção de um estado judeu na região de jerusalém. Antes de eu ir embora - tenho que trabalhar - mais uma informação: sionista também pode significar aquele que conhece ou estuda jerusalém e seu significado na história da humanidade.
    Portanto, quando disse que “já vai tarde” e “que bom que vai estudar”…me referi ao fato de que ele poderia ao menos saber a diferença entre sionismo e semitismo, já que é um dos descentendes de Sem, aliás, assim como Osama bin laden
    kkkkkkkkkkkkkkk, tá…confesso, essa última foi só para me divertir…mas é verdade.
    Fui

  • 33 Mr X // 3/March/2008 às 14:31

    isso Aiaiai, vai trabalhar que é melhor.

  • 34 Mr X // 3/March/2008 às 14:35

    E isso de “anti-semita” ser também “anti-árabe” é uma das maiores bobagens, todo mundo sabe em que sentido a palavra “anti-semita” é usada. Pode até ser errado (há quem prefira “judeofobia”), mas todo mundo sabe muito bem.
    Ser contra o Estado de Israel, não vejo como possa ser interpretado como não ser contra os judeus. Assuma seu preconceito, homem.

  • 35 Theo // 3/March/2008 às 14:42

    Eu não sou contra o Estado de israel, posso ser contra da maneira que foi criado, mas sendo prático, agora já está lá, deixe estar.

    Sou contra suas políticas, acho que só o muro deu certo, mas foi uma medida pra consertar outros erros.

    Um deles é dizer que não é expansionista e de tempos em tempos anuncia a criação de novas colonias.

    Outro erro foi a ultima guerra do líbano, não tem justificativa o que israel fez.

    Agora o último erro é esse de sufocar gaza e ao mesmo tempo jogar bomba, e lógico que eu sou contra homem-bomba e foguetes qassam.

    Como posso concordar com o estado de israel?

  • 36 Theo // 3/March/2008 às 14:44

    Mr x,

    “Ser contra o Estado de Israel, não vejo como possa ser interpretado como não ser contra os judeus. Assuma seu preconceito, homem.”

    Eu sou contra as políticas de israel, não tenho nada contra os judeus, aliás, admiro muito deles.

  • 37 faraó // 3/March/2008 às 14:47

    Aos que discordam de Israel, voces não alteraram nada por lá.

    Tentem de novo. Mais alto ! ! ! !

  • 38 danilo // 3/March/2008 às 15:16

    vicia

  • 39 Ueta // 3/March/2008 às 16:28

    Sobre as dificuldades em se definir o que é um judeu nos dias que correm, recomendo excelente matéria da revista do NYT (http://www.nytimes.com/2008/03/02/magazine/02jewishness-t.html?ei=5087&em=&en=74f5c8c44486bcae&ex=1204693200&pagewanted=all), que narra a saga de uma israelense que tem de provar que é judia para poder se casar (em Israel, a exmplo de alguns países muçulmanos, não há casamento civil).
    Sempre se lê que Israel é um Estado laico. É uma meia verdade. Em alguns assuntos não há separação de fato entre igreja e Estado. O exemplo mais óbvio: para fazer jus ao direito de retorno (sacramentado em lei promulgada por uma estado laico) o indivíduo tem de ser aceito pelo Rabinato (uma entidade religiosa chancelada pelo Estado) como judeu.

  • 40 Clara // 3/March/2008 às 18:00

    O anti-semitismo na internet é um fato absolutamente inegável. Que não se escreva aberta e profundamente sobre isso é omissão.

    É absolutamente lamentável que o anti-semitismo tenha sido tão avassalador a ponto de tirar uma mente inteligente e informada do “ar”, parece que um tanto empestiado, da internet.

    Quanto à Israel, seria bom contar quantos países foram criados em 1947/48 e posteriormente, e neguinho não está nem aí.

    Mas o fato é que, Israel, gostem ou não gostem, vão ter de aturar. Israel vive.

  • 41 Andre Fucs // 4/March/2008 às 0:40

    Ueta,

    Sem entrar no mérito do casamento pois a matéria do NYT apresenta bem o cenário eu gostaria de observar algo sobre seu post:

    para fazer jus ao direito de retorno (sacramentado em lei promulgada por uma estado laico) o indivíduo tem de ser aceito pelo Rabinato (uma entidade religiosa chancelada pelo Estado) como judeu.

    Você está enganado e a situação é um tanto mais complexa do que você faz parecer. Vou tentar resumir:

    Há uma luta política em Israel para quem domina o rabinato e o orçamento que dele advém. No presente cenário os ortodoxos ainda controlam essa esfera da vida israelense.

    Esse domínio é constantemente questionado pelos Reformistas e Conservativos cujo poder político encontra-se além mar, na diáspora, além da simpatia da suprema corte.

    O que está em jogo é prestígio, dinheiro e influência política, sendo o debate religiosos absolutamente irrelevante; A maioria israelense ignorar a religião e aqueles que são religiosos rejeitarem a reforma e o conservativismo.

    Some a isso o fato de que até mesmo os ultra-ortodoxos preferem simplesmente resolver seus assuntos fora do establishment ortodoxo.

    Mas voltemos ao assunto principal, a Aliyah/imigração. Tecnicamente falando para imigrar para Israel um indivíduo só precisa comprovar ser neto de judeus e a comprovação que em geral depende de um rabino mas há uma “pegadinha” nisso.

    Na diáspora, onde a maior parte dos judeus é reformista ou conservativo o documento precisará ser assinado por um rabino que não é reconhecido pelo rabinato israelense!

    Diante disso surge uma postura política dúbia por parte do governo: internamente o rabinato ortodoxo manda mais do que deveria enquanto no exterior eles mandam muito pouco.

    Surge justamente daí, a frequente recomendação de certa organizações sionistas internacionais para que seus membros façam a imigração a partir de seus próprios países ao invés de fazê-lo em Israel e ter que passar pelas garras dos funcionários públicos de plantão.

    Essa separação entre o rabinato e a imigração ficaram muito visíveis em duas situações específicas.

    Uma delas foi o caso de Oswald Rufeisen, conhecido como Irmão Daniel, monge carmelita e judeu de nascimento cujo pedido de retorno foi negado pelo governo e pela suprema corte, apesar do amplo apoio de líderes religiosos.

    A outra é a série de batalhas judiciais referentes ao campo “nação” da cédula de identidade. Judeus reformistas conseguiram ganhar na suprema corte o direito de serem listados como judeus e diante disso o ministério responsável,na época controlado pelo partido Shas, descontinuou o uso do campo.

  • 42 Cacique Cobra Coral // 4/March/2008 às 3:44

    Blog do Mr. X…tsc tsc tsc…
    ôh dó….

  • 43 Patricia // 4/March/2008 às 10:46

    Oi Pedro,
    Sou sua admiradora desde os tempos do No Mínimo. O Guterman deve ter te falado da minha admiração pelo seu blog. Leio seus posts sempre que posso. Senti necessidade de comentar este, por razões óbvias, acho que vc sabe quem sou. De fato, o blog do Guterman fará falta. Mas enquanto não tiver ferramentas mais eficientes para bloquear (isso mesmo), bloquear alguns comentaristas, o exercício da blogosfera fica irracional.
    Li aí para cima que alguém entrou nos posts e comentários do Guterman e não viu nada demais. Gostaria de dizer, que o que está ali não é o que chegava para ele, que passava horas apagando mensangens do tipo: “Seu judeu de merda!”, “Seu judeu filho da puta”, “Que todos os judeus morram”, “Que Hitler não terminou o serviço”… Essas bobagens de sempre. O avô do Marcos foi encontrado pelos soldados americanos, num dos campos de concentração no final da guerra, dentro de um latão de lixo pesando 30 quilos, aos 40 anos de idade. A avó viu a irmã morrer de tifo, quando estava em um outro campo de concentração. Ao sair do campo, ela nunca mais se recuperou, psicologicamente, do que viu e vienciou. Para mim, uma gói, ouvir xingamentos sobre judeus apenas incomoda. Para o Guterman, dói. A história dos avós do Guterman é a herança triste que ele tem de carregar para sempre. E os nossos filhos também terão de carregar a herança dos bisavós. Quem desses todos aí que comentam sobre judeus, teve o avô encontrado no lixo ou uma avó com sindrome do pânico, com TOC, depressiva por viver quatro anos num campo de concentração? Quando o Guterman pede respeito, não pede para defender a política israelense (afinal nem ele a defende, muito pelo contrário faz duras críticas), mas ele pede um pouco mais de cuidado com a história.
    É isso!

  • 44 lola // 4/March/2008 às 11:07

    só na blogsfera é que fui atinar para com a assustadora extensão do ani-semitismo no Brasil. Não imaginava que o ódio contra judeus fosse tão entranhado e virulento. Enfim, vivendo e aprendendo.

  • 45 lola // 4/March/2008 às 12:36

    Patricia, não sei como pode escrever ” Para mim, uma gói, ouvir xingamentos sobre judeus apenas incomoda. “. Devia te deixar danada assim como xingamentos contra negros, asiáticos, deficientes etc. Somos tudo isto. Eu sou uma goy e ouvir qualquer xingamento contra judeus, negros, minorias etc, para mim é uma afronta, por isto o teu post me incomodou, pareceu-me , às vezes, má fé. O “apenas” é que é f…

  • 46 Patricia // 4/March/2008 às 14:54

    Oi Lola,
    Não é má fé, não.
    Fico triste também. Mas fiz apenas uma comparação sobre a intensidade dos sentimentos do Guterman e os meus.
    Há um fator emocional nessa história que, acredito, difere os descendentes de sobreviventes de outros. A eles essa história dilacera, corrói a alma, dói no coração, fecha a garganta, impõe lágrimas aos olhos.
    Aos outros, acredito, apenas os deixa danados, incomodados, tristes, putos.
    Não há como comparar o que os descendentes sentem com o sentimento dos outros (eu me incluo nessa segunda categoria).
    Assim como não há como comparar o que os negros sentem em relação aos 500 anos de dívida que temos com eles com o que o restante da população sente por eles.
    Sou APENAS solidária, engajada, combatente.
    A mim, tudo quanto é xingamento, encoleriza. A eles (judeus, negros, gays), dói no coração e na alma, que já estão machucados.
    Mas claro nunca deixo de achar que é uma afronta, falta de respeito, ignorância etc etc etc.
    Entendeu o meu APENAS?
    Não poderia agir de má fé com o meu marido (nem com ninguém, certo?). Vai contra os meus princípios.
    Abs,

  • 47 Ueta // 4/March/2008 às 17:40

    Obrigado pelos comentários, Fucs.
    Repito aqui uma pequena parte dele:
    “Mas voltemos ao assunto principal, a Aliyah/imigração. Tecnicamente falando para imigrar para Israel um indivíduo só precisa comprovar ser neto de judeus e a comprovação que em geral depende de um rabino mas há uma “pegadinha” nisso.
    Na diáspora, onde a maior parte dos judeus é reformista ou conservativo o documento precisará ser assinado por um rabino que não é reconhecido pelo rabinato israelense!”
    Sua explicação só reforça a impressão de que, a despeito do que pensa e quer a maioria da população israelense (e a meu ver em prejuízo dela), há sim interferência de um conceito puramente religioso de judeu (e uma definição bem estreita, covenhamos) em um importantíssimo instituto do Estado (laico) israelense.
    Ou seja, não há de fato uma perfeita separação entre Estado e religião em Israel. Resta saber se essa separação é possível (ainda mais no contexto atual, em que os partidos ultra-ortodoxos ganharam um poder de barganha político desmedido). Na minha opinião de goy e leigo, quer-me parecer que essa cisão é muito importante para o futuro de Israel.

  • 48 Cecilia // 4/March/2008 às 19:37

    Patrícia,
    deixo um abraço comovido pra ti e pro Marcos

  • 49 Andre Fucs // 5/March/2008 às 0:38

    Ueta,

    Você não deixa de estar correto, porém insisto que a situação é mais complexa do que um simples religioso vs. secular. A Lei do Retorno e toda as polêmicas ao seu redor apenas reproduzem uma série de debates que fazem parte do mundo judaico, sendo o principal a eterna questão sobre “o que é ser judeu”. A questão não é passa essencialmente pela influência religiosa.

    Como deixei claro na mensagem anterior, um indivíduo não precisa ser judeu para imigrar. Um neto católico de um avô paterno judeu pode imigrar, ainda que em termo religiosos esse indivíduo não seja judeu (vide linhagem paterna e religião adotada).

    A lei é “plural” ao abraçar aqueles se convertem e os netos de judeus, cujo destino no Holocausto seriam a câmara de gás e o forno. A lei do retorno deve ser sempre vista não como um fundamento de Israel mas como uma lei fundamental em um certo período da história onde muitos dos sobreviventes estavam absolutamente apátridas, desprovidos de qualquer bens materiais e muitas vezes sozinhos no mundo.

    Diga-se de passagem, a lei do retorno já foi amendada um série de vezes e é frequentemente debatida em Israel em especial pelos partidos da direita religiosa que ironiocamente consideram a lei liberal demais.

    E não deixa se ser curioso observar que aqui na caixa de comentários freqüentemente citam Finkelstein e Chomsky como autores judeus mas até onde sei ambos são ateus, donde nota-se que a visão de que os judeus configurariam uma raça ou vá lá um grupo cultural, é freqüentemente compartilhada por opositores a Israel e é portanto perfeitamente normal que tal debate alcance ainda maior em Israel.

    Quanto à separação entre Estado e religião eu diria que com certeza essa separação é de fato um tanto imperfeita em Israel, assim como é no Brasil, França, Inglaterra, Holanda, Irã e acho que em praticamente todos os países do mundo.

    Há no Brasil o direito ao aborto? Até onde sei só em casos específicos. Há no Brasil a união entre indivíduos do mesmo sexo? Não, não há. Há no Brasil algum estado da federação que não tenha um santo padroeiro? Exagero? Bom, o divórcio civil só foi instaurado em 77!

    Sendo mais radical ainda, eu diria que o uso da tradição como uma das fontes do direito não permite a nenhum Estado moderno existir sem que sua legislação seja permeada pela tradição religiosa.

    Nós brasileiro em geral não percebemos pois somos uma nação com tendência a sincretizar tudo mas vá para a França e tente trabalhar no domingo. Pelo que sei a lei em vigor, publicada em 1906 especificava o domingo como dia de descanso, sofreu emenda em 1991(!!!) para permitir uma maior flexibilização…

    Porém concordo com você que o consenso entre o papel da religião e Estado é fundamental para o futuro de Israel. (por isso mesmo eu voto à esquerda! :P )

  • 50 Adler Medrado // 23/March/2008 às 18:50

    Infelizmente os anti-semitas vão ter que procurar outro playground para ocupar as suas mentes vazias.

    Lamentável.

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