Israel e Palestina: a vitória da insensatez
A atual política de Israel é um desastre. A promoção de uma carnificina na Palestina – sem esquecer a do Líbano – é uma tragédia humana. É também estúpido. Israel nasceu como a esperança de vida após uma das maiores tragédias da história humana. É uma esperança que o governo da coligação Kadima e Partido Trabalhista, hoje no poder, trai por incompetência, insensibilidade e a mais pura estupidez. Os facínoras estão no comando. Saudades de Yithzak Rabin.
O debate está ficando difícil. Na semana passada, meu amigo Marcos Guterman – que sempre argumentou pela linha da esquerda pacifista israelense – pediu o boné. Perdeu a graça para ele fazer o blog. Entre pessoas que defendem a causa palestina sempre há um jeito de os bons e velhos anti-semitas se misturarem. E raramente são condenados.
Não tenho qualquer pretensão – e jamais tive – de isenção nesta história. Laços de sangue e amizade me aproximam de Israel. Faz parte da minha identidade. Mas é justamente por querer o bem de Israel que quero o bem da Palestina. A Palestina faz parte da identidade de Israel como Israel faz parte da identidade da Palestina. É uma relação que existe desde que há civilização no mundo. O judaísmo está entranhado em cada esquina de Jerusalém; está marcado na ausência do Templo acima de seu monte. O Islã está igualmente em cada esquina, igualmente entranhado – assim como a pedra de onde subiu aos céus o profeta, perto de onde a belíssima cúpula dourada de al-Aqsa se ergue. Israel não será possível sem a Palestina. E a Palestina não será possível sem Israel.
Já achei, noutros tempos, que havia legitimidade para o argumento de que sequer havia palestinos ali – eram todos árabes sem uma identidade nacional própria. Besteira. Mas ainda há muita gente que não percebe o quanto a identidade judaica faz parte daquela terra, o quanto é íntima de sua cultura que sempre rezou pelo ano que vem em Yeroshalaim.
O Hamas se recusa a aceitar a existência de Israel. O governo de Israel, traindo sua história milenar de sofrimento pela opressão, reage com destruição e a mesma opressão. No meio do processo, o diálogo se perde de vez.
O sinal de que o diálogo se perdeu de vez está no ato do Guterman de pedir o chapéu. E está na resposta agressiva que um amigo querido escreveu para meu último post. Discordar é do jogo. Quando você vem com virulência, ao menos é de praxe alertar antes com uma mensagem. Um gesto ao menos de cortesia se espera no debate. Mas nem isso. A irracionalidade venceu de vez a partida quando um sujeito cordial e literato do quilate do Idelber Avelar perde até a capacidade de interpretar texto.
Uma de suas críticas ele pesca de uma frase minha: Enquanto isso, os árabes agüentam o sangue. São mais duros, morrem sem se preocupar. Isolado do contexto, é um horror. Mas o parágrafo começa com ‘o raciocínio do Hamas é o seguinte’, dois pontos. Aí lista. O Hamas acredita no sacrifício humano. Não sou eu que digo. O que diz são seus programas infantis de tevê. As aulas em suas escolas. Eles preparam homens-bomba! Se isso não pode ser interpretado como ‘morrem sem se preocupar’, o que pode? Eu não acho que o Hamas represente o que pensam os palestinos todos. É por isso que após descrever como é o Hamas, concluo: A questão é que o Hamas esqueceu de combinar com as famílias palestinas. Ninguém quer morrer assim. Mas o Idelber esqueceu de ler o final. Mobilizado, estava cego. Tinha tirado uma conclusão a respeito do que penso e esqueceu de ler o que de fato escrevi.
Foi também isto que fez quando voltou a meus posts sobre o Líbano. Sim, eu disse no início do conflito que Israel tinha o direito de se defender. Depois disse que o ataque foi um ato covarde. Demorei alguns dias para chegar a tal conclusão? Sim. A guerra demorou alguns dias para se revelar em toda sua crueza. É o contexto no qual tais posts foram publicados. Caracterizar minha opinião por um trecho sem incluir o fato de que revi a posição depois é o quê? Não tenho nenhuma dificuldade de rever posições quando cabe. Só não quero ser acusado pelo que pensei e não penso mais.
Daí Idelber segue para mais uma frase pinçada. O atual governo eleito palestino se recusa a reconhecer o direito de existência de Israel. Como conversar a paz com quem jura sua destruição na primeira chance que tiver? O Hamas se recusa a reconhecer o direito de existência de Israel. É fato. Está no programa do Hamas o objetivo de acabar com Israel. É fato. Que este objetivo seja colocado de lado para conversar a paz é uma condição, no mínimo, razoável. Conversas de paz começam com a pressuposição de que as partes não desejam mais a mútua destruição. E não uso este argumento, em momento algum, para legitimar a política destrutiva de Israel. Nada legitima o que o governo de Israel está fazendo. Quem lê o Idelber sai com a impressão de que estou justificando uma coisa, não outra.
Idelber me acusa de estar justificando atos israelenses num post em que os condeno. Antes de mergulhar numa peça de Ionescu ou Beckett, num romance de Kafka, é melhor jogar a toalha.
Não pretendo voltar ao assunto Israel, Palestina tão cedo. Trégua. O que ele produz é isso: até os amigos queridos param de ouvir o que você está dizendo para interpretar o que julgam ser o discurso de alguém que defende Israel. Não tenho ânimo de entrar numa discussão histórica sobre o que houve em 1948. Cansa a perspectiva da repetição dos mesmos argumentos de um lado, de outro, a inevitabilidade da surdez de ambas as partes. Cansa a perspectiva de saber que alguém lançará mão da palavra Holocausto e que ela sempre estará num contexto que fere – porque é impossível lançar mão do Holocausto sem ferir. Cansa a perspectiva de ter que discutir com gente que a gente gosta. E de ter que ouvir todos aqueles que aproveitam-se do discurso legítimo de defesa da Palestina para levantar de novo, discretamente, sutilmente, como se nada quisessem, o mesmo discurso que levou ao pesadelo dos anos 1940. É fácil dizer que não aconteceria mais. O vampiro de Dusseldorf está sempre à espreita.
Ainda sobre o assunto:
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farao kkkk ! ))))
“Acho super legal essa brigalhada toda que a gente faz aqui e tenho certeza que se nos conhecessemos, adoraríamos fazer essa zorra numa mesa de bar.”
De preferência lá na Faixa de Gaza :o))
Ta doido, meu?
Se eu entro lá, duvido que me deixem sair. Vão querer me trocar por 2000 rolos de papel higienico e minha familia ainda vai tentar deixar por 10 rolos.
Agora, sem sacanagem, não sei como se arruma tempo e disposição pra vir pra cá e ficar nervoso. Porra, com tanta coisa pra se preocupar de verdade, é maluquice frequentar um blog e destilar veneno biliar.
O PD disse que evitar colocar Gaza e Israel no mapa por um tempo. E agora, vou chutar o saco de quem??????
Onde eu vou achar uns bons sacos pra chutar como os que tem aqui?
Acho que o PD ficou impressionado com a decisão do Marcos Guterman de acabar com o blog, por causa do anti-semitismo desenfreado que corria por lá. Mas afinal, o anti-semitismo é tão antigo quanto os judeus, e será assim para sempre, está escrito.
Sei lá se é inveja da nossa inteligencia… bem, deixa pra lá. Vamos falar de outra coisa.
Quero que todos saibam que apesar de ser francamente pró-Israel por motivos óbvios, desejo de coração que se adote por lá o sistema de coexistencia pacífica como se ve no Saara aqui no centro da cidade no Rio.
Acho que Israel deveria fazer a paz com o Fatah e depois tentar atrair os palestinos de Gaza de modo a eles não elegerem mais o Hamas.
Aí, quem sabe?
Quanto aos Qassams, eu não sei. O bom seria o Hamas não fazer o jogo dos que não querem dar chance à paz.
Ueta,
“Um discaimer. Não falo hebraico. E, creio eu como a maioria dos não-falantes, sempre entendi Shoah como sinônimo de Holocausto.”
nada mais justo e compreensível.
“Agora minhas ponderações sobre seu comentário (na verdade sobre o texto que vc reproduz). Holocausto (palavracde origem grega), em português, como vc sabe, também não se refere única e exclusivamente ao extermínio dos judeus promovidos pelos nazistas.
Entrou no vocabulário da última flor, segundo o Houaiss, no século 16. O dicionário, por sinal, só lista como seu quarto sentido o massacre nazista.
“
Não sei se entendi corretamente o que você tentou dizer com isso, você se incomodaria em refrasear?
“Por curiosidade pesquisei shoah na internet (moro nos EUA, portanto a pesquisa deu preferência a sites em inglês). 2,4 milhão de resultados. Avancei umas 15 páginas. Não encontrei um site sequer que não fizesse referência ao Holocausto (ou à série de TV sobre o episódio, ou aos vário museus sobre a tragédia que há no mundo).Nenhuma referência a shoah como referência a catástrofes em termos geréricos.”
Isso era absolutamente esperado. Escolha uma palavra em português com um sentido muito mais freqüentemente utilizado do que o outro e aplique o mesmo critério e o resultado será semelhante.
“Em Israel, como vc bem sabe, há o dia da (ou do, não sei) Shoah, que, quero crer, não se refira a catástrofes em geral, mas sim expecificamentea uma .”
O Holocausto com o H maiúsculo é chamado Ha’Shoah, “Ha” entra como “O”, daí o dia chama-se Yom Ha’Shoah.
Caso você deseje coloquei um scan do Oxford Hebrew-English em:
http://www.sendspace.com/file/oqri10
“Como afirmei antes, não falo hebraico. Mas o texto que vc publicou parece querer uma cortina de fumaça semântica para esconder o que de fato disse o infeliz do Ministro.”
Faz parte. Cada cabeça seu guia. O texto do Jerusalem Post não é lá dos mais isentos de fato mas se você observar, o NY Times fez diferente da Reuters e turma ao reportar:
“…by intensifying the rocket fire and extending their reach they are bringing onto themselves a worse catastrophe, as we will use all means to defend ourselves,”including a major ground operation.
Mr. Vilnai used the Hebrew word “shoah,” meaning catastrophe or holocaust, and rarely used for anything other than the Nazi extermination of the Jews.
A spokesman for Mr. Vilnai said he did not mean to make any allusion to the genocide.
http://www.nytimes.com/2008/03/01/world/middleeast/01mideast.html?_r=1&scp=1&sq=shoah&st=nyt&oref=slogin
claro que há israelenses e judeus de esquerda, senão como eu ia saber que a vida deles é dificil? Mas que burro.
Faraó no # 153: Cara, é a 1a. vez que leio um comentário sensato de sua parte por aqui. Ficou bom, continue assim.
Quanto a mim, acredito que Israel e o Hamas podem muito bem negociar uma trégua e um cessar-fogo durável (o Hamas já se ofereceu várias vêzes, e muito antes desta última invasao).
Sentar-se com a Fatah e o Hamas e negociar uma saída deste buraco sem fundo é a única soluçao viável. Nao existe outra. Israel nao conseguirá destruir o Hamas, mesmo com 10 outras invasoes, e fazer parar os foguetes (como nao conseguiu e nao conseguirá destruir o Hesbolá). Acôrdo de paz durável na regiao sem que o Hamas (e mais tarde a Síria) seja incluído na negociaçao entre Israel e o Fatah é impossível.
Nao tem nada de anti-semita ou anti-Israel no que digo; analistas militares no mundo inteiro sao da mesma opiniao. Voltar às fronteiras de 1967 e abandonar as colônias ilegais é a única saída sensata.
O limitrofe….conseguiu escrever algo sensato?…..HUMMMMM….tenho dúvidas!
Caramujo, acordo com aquele sírio?
porque as crianças isralelenses valem menos que as crianças palestinas?
Limítrofe, tem acento.
É sensato?
farao e hrp, limitrofes so far…))
chest 159, pergunte ao contrario…tipo assim :
“pq as crianças palestinas valem menos que as crianças israelenses ?”
Agora que isto esfriou um pouco, PD, e acho que só você virá aqui, a impressão que ficou: você teve com o Idelber uma gentileza que não vi nele.
[...] conta de nossa discussão na semana passada, Idelber Avelar me convidou para um debate a respeito de The Ethnic Cleansing of [...]
seu comentario sobre a palestina e que foi uma insensatez! mas o que se pode esperar de um judeu? consciencia nunca tiveram e nunca terao.Uma pessoa como voce que se faz de culta e informada aproveitasse para de forma sutil continuar com a sua agressao contra os palestinos, e e claro: de forma suave como cobras que voces sao!
assim por favor para ser um pouco sensato: nao escreva sobre a Palestina, e um favor que voce faz ao mundo. escreva sobre a natureza, sobre medicina, qualquer coisa, tenho certeza que obtera grande exito..
hah, gostei da comparação de Israel com a Rússia.
É verdade, Israel é muito pacifista. Via lá na Rússia reclamar de como eles são isso ou aquilo. Manda o GreenPeace reclamar da Rússia. Sabe o que acontece? Você leva uma bala na cara. Não acho certo, mas é ridículo como certos países são criticados enquanto outros muito mais violentos ninguém se arrisca a apontar o dedo. gostaria que a Rússia fosse mais aberta em seus meios de comunicação e então poderíamos ver o que é realmente mandar bala sem perdão.
Para os defensores dos palestinos de plantão, com sua agenda que nega/ignora a história e as guerras (iniciadas pelos árabes), e de como Israel dá cidadania para todas as etnias e religiões, bons livros de história estão aí, faça um bom uso deles.
Abraços
Sou um curioso sobre o conflito e existe muita coisa que não consigo entender. Por exemplo : Antes do Protetorado inglês, na região, como se definia o lugar ? Como viviam judeus e palestinos ? Como era administrada a área ? E por quem ? Será que alguem pode me explicar ?
Gostaria de obter, se possível, uma bibliografia isenta, se é que se pode ser isento nesse assunto, que melhor discorra sobre a história dos judeus e os conflitos na região