Pedro Doria | Weblog

um pouco do mundo, todos os dias

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Publicado em March 2008

Mais um do NoMínimo no ar

31/March/2008 · 29 Comentários

Guilherme Fiuza tem blog. O endereço: www.guilhermefiuza.com.br

Há um certo pedaço da blogosfera política brasileira que andava carecendo de provocação inteligente. Pronto: lacuna preenchida.

Tags: Blogosfera · NoMínimo

A nova ultradireita européia é fascista?

31/March/2008 · 184 Comentários

O Thiago discorda de mim e acha que caracterizar a nova ultradireita européia de fascismo é um erro. Acho que é fascismo, sim. Mas ele tem um excelente argumento e toda razão ao apontar uma diferença crucial entre este novo movimento e aquele que reuniu a Europa nas décadas de 30 e 40 do século passado:

Essa nova ultradireita é um pouco mais complexa do que você retratou – e, por isso, acho que não lhe cabe o rótulo de fascista. Sua principal bandeira é, veja só, a defesa intransigente da sociedade aberta que europeus construíram nos últimos anos: uma sociedade que reconhece os direitos das mulheres, dos homossexuais e da livre manifestação de pensamento – direitos que pessoas de esquerda, aqui no Brasil (você e eu, por exemplo), gostariam de ver implementados.

O problema é que essa ultradireita européia não está disposta a aceitar uma cultura que não compartilhe de seus valores.

O resto está na caixa de comentários de Fitna e o novo fascismo europeu. (O link aponta direto para suas observações.)

No geral, tivemos uma discussão um bocado civilizada a respeito de um tema que, aqui, costumava descambar para a pancadaria. Muito obrigado a todos.

Tags: Europa

A canetada do TSE e os jovens
fora da conversa eleitoral

31/March/2008 · 51 Comentários

Por ignorância de como o mundo funciona, o TSE cometeu um erro muito, muito grave. Não é à toa que o eleitorado jovem está particularmente engajado na eleição que corre nos EUA. Os candidatos estão se comunicando com eles pelo meio de comunicação que adotaram. No Brasil, não é diferente. Seja na casa de um rapaz de classe média, seja num cybercafé da periferia paulistana, estão todos com 25 anos ou menos pendurados nos Messengers da vida. A partir desta canetada, a juventude foi cortada do diálogo eleitoral.

Minha coluna no Estado de S. Paulo, hoje, trata das novas regras do TSE para a campanha online. Não tem volta: usar a Internet na campanha de 2008 será, para quase todos os efeitos, ilegal fora do que chama de “página do candidato” – o tribunal sequer sabe a diferença entre “página” – webpage – e sítio/site. É um erro imperdoável, sério, desinforamado que não deve, em hipótese alguma, passar em branco.

Tags: Blogosfera · Brasil

Open thread do Weblog por email

31/March/2008 · 242 Comentários

Segunda-feira.

Aí à direita está a possibilidade de assinar o Weblog por email. Todos os dias, uma mensagem com os posts novos. A quem interessar possa.

Tags: Administrativas · Open thread

Uma moça às segundas

31/March/2008 · 13 Comentários

Ann Angel

Tags: Moças

Fitna e o novo fascismo europeu

30/March/2008 · 284 Comentários

Fitna foi ao ar, na Internet, no último 27 de março, quinta-feira. Está causando algum rebuliço na web conservadora – e, como de hábito, alguns de vocês vêm me cobrando a notícia pelo email e pelas caixas de comentários. É um filme anti-islâmico de 15 minutos de responsabilidade do deputado holandês Geert Wilders.

E é uma espécie de Mein Kampf, de Protocolos dos Sábios do Sião.

O objetivo de Wilders, um político ultra-direitista, é mostrar que em vários trechos do Corão está a pregação da violência; e que muitos clérigos muçulmanos pregam a violência. O Islã é isso, ele quer dizer. É um filme sádico, com cenas da execução de reféns de terroristas que busca apresentar a fé seguida por1 bilhão de pessoas no mundo como fundamentalmente má.

Não apenas a caracterização do Islã como o mal encarnado é simplista como também é errada. O Partido Libertário Popular holandês, que Wilders lidera, é a nova encarnação de um movimento tipicamente europeu. Não hesita em falsear a história com o objetivo de apresentar todo um povo como o responsável pelos males correntes.

Todas as suras que ele pesca do Corão, evidentemente, podem ser encontradas lá. O Corão não nega suas origens judaico-cristãs. Do Deuteronômio ao Livro de Josué ao Gênese, os livros sagrados de judeus e cristãos estão recheados de recomendações não só à violência contra quem é diferente e tem crenças diferentes como até ao genocídio. A história do cristianismo é uma de intolerância. E a do Islã está farta de momentos de tolerância.

É preciso compreender, sim, porque movimentos intolerantes islâmicos estão em alta no mundo. Não é por algo inerente à religião e sim por decisões equivocadas em série do Ocidente. Duas destas foram particularmente graves.

A primeira vem de princípios do século 20, quando o Império Britânico decidiu colocar os seguidores de uma seita minoritária que caminhava para a extinção no comando das cidades sagradas de Meca e Medina. Aos wahabitas da família Saud foram dados de presente, numa só canetada, a cidade que todo muçulmano tem que visitar ao menos uma vez na vida e as maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo. Faz meio século que eles pegam o dinheiro do petróleo para financiar a construção de mesquitas em todo o mundo para divulgar sua visão arcaica e totalitária de uma religião muito mais variada do que isso. São mesquitas suntuosas que transformaram-se nas principais fontes de informação sobre o Islã no mundo.

Por que dar este presente aos Saud? Os britânicos tinham medo de dar tanto poder à família Hashemita, muito mais sofisticada, guardiões históricos de Meca e Medina, descendentes do profeta. Londres calculou que os Sauds seriam facilmente manobráveis.

O segundo erro grave é bem mais recente e recai sobre as mãos de um determinado grupo de estrategistas republicanos liderados por Dick Cheney e Donald Rumsfeld que tiveram poder nos governos Ford, Reagan e Bush, o atual. Com sua visão simplista que consideravam sofisticada do Oriente Médio fizeram uma política de identificar inimigos e financiar seus opositores. Assim, dinheiro aos sunitas para combater os xiitas do Irã. Dinheiro aos futuros Talibãs para combater a URSS. Dinheiro a Saddam Hussein para combater o Irã. Dinheiro aos sauditas, sempre. É assim que nasceu a al-Qaeda.

Não é apenas porque não compreende o Islã que o filme fascista holandês é simplista. É também porque considera os problemas dos jovens muçulmanos na Europa e no Oriente Médio equivalentes. Não são – e nem de perto.

Os rapazes que se juntam a grupos radicais ou terroristas no Oriente Médio não conhecem o Ocidente, foram criados no mundo islâmico e vivem, na maioria das vezes, sob ditaduras. Ali, cada país tem sua própria história.

Na Europa, os jovens radicais são em geral netos de migrantes. Já não falam o árabe – ou turco, ou seja lá o que for – familiar e nem se integraram à Europa. São vítimas de preconceito, são pobres. A volta à mesquita que seus pais abandonaram é uma busca por raízes. Juntam-se a grupos radicais como jovens de origem mexicana se reúnem em gangues em Los Angeles. E recorrem à violência. Em alguns casos, se transformam em criminosos, evidentemente. Mas achar que o Islã é o que os leva à violência é um erro. O Islã é a desculpa. Um jovem violento neto de marroquinos na Holanda e um militante do Hamas e um jovem Talibã não têm muito em comum.

Como é típico dos políticos fascistas, Wilders é também demagogo. Não foi por querer divulgar suas idéias a respeito do Islã que fez Fitna. Foi para provocar. Quer uma reação, quer bandeiras queimadas. Quer aparecer. E sabe que tem chances.

Logo no início do filme, apresenta a caricatura dinamarquesa de Maomé com o turbante bomba. Kurt Westergaard, o cartunista que o desenhou, está cogitando processar por quebra dos direitos autorais. Enquanto isso, o Partido Nacionalista Tcheco ofereceu solidariedade ao deputado cineasta. Partido Nacionalista Tcheco? Defendem pureza racial e tudo.

Tags: Europa · Islã

Uma entrevista aos sábados

29/March/2008 · 141 Comentários

O budismo pressupunha uma enorme quantidade de tempo e solidão para uma transformação que acontecia gradualmente ao longo de anos. Hoje, queremos tudo de forma instantânea. Espiritualidade instantânea. Resultados rápidos, somos todos muito pragmáticos. Ele dizia que precisávamos tirar o ‘eu’ do centro de nosso universo. Sabe aquele ‘eu’ que nos faz acordar às três da manhã, ‘por que isso acontece comigo? Por que não sou valorizado?’ Essas coisas nos arruínam. Buda mostrou como viver sem ver as outras pessoas de um ponto de vista ganancioso, como gente que poderia nos levar à frente de alguma forma. Se libertados do ‘eu’, podemos ampliar nossa perspectiva, podemos nos alinhar com o sagrado. Buda era um radical, muito mais do que aqueles que se dizem budistas, hoje. No Reino Unido, muitos que não se interessam por religião pensam no budismo como um caminho light: sem Deus, sem pecado, um pouquinho de ioga.

Não encontramos entre as escolas budistas o tipo de inimizade que protestantes e católicos mostraram uns pelos outros. Hoje, há o início de algo que podemos chamar de fundamentalismo budista, mas jamais houve inquisição, perseguição, Cruzadas, matança em nome de Deus. Buda de vez em quando fala dos antigos deuses da Índia sem rancor; os profetas bíblicos só citavam os antigos deuses com fúria. Eu não diria que intolerância está na raiz das religiões ocidentais, Judaísmo, Cristianismo e Islã. Mas intolerância nasce delas. É como se fosse uma tentação à qual os monoteístas se entregam de vez em quando. Quando você tem um deus personalizado, é muito tentador usar a religião para apoiar seus preconceitos. Religiões monoteístas são assim. Em toda geração há gente que caia nessa e há quem resista.

Karen Armstrong

Tags: Budismo · Cristianismo · Gente · História · Igreja Católica · Islã · Judaísmo · Religião

Open thread de sábado

29/March/2008 · 318 Comentários

Divirtam-se e sejam amenos que daqui me vou para o Rio de ônibus.

(Com alguma sorte, consigo um leito.)

Tags: Open thread

Adventures na Internet
pré-Web, um documentário

28/March/2008 · 30 Comentários

No Bloco I do Centro de Tecnologia da UFRJ, logo depois de passar a Coppe, havia uma sala cheia de computadores ligados à Internet lá por 1992, 93. É onde os estudantes de engenharia eletrônica passavam suas tardes, perdidos entre MUDs e MOOs, jogos de aventura em texto, interagindo com tantos num mundo sem Web.

Os text adventures viraram documentário.

via Leo Laporte

Tags: Artes · Pop · Tecnologia

Colômbia e Farc prontas para negociar

28/March/2008 · 245 Comentários

Um dos lugares comuns favoritos da direita contemporânea é que ‘com terrorista não se negocia’.

Mas é claro que se negocia. O Reino Unido resolveu seu problema com o IRA negociando. A Espanha negocia abertamente com o ETA. É assim que se resolve.

E assim, nesta mesma toada, o presidente colombiano Álvaro Uribe anuncia que está disposto a fazer aquilo que tem que fazer. Negociar com as Farc para trocar prisioneiros por reféns.

O anúncio chegou tarde. Mas chegou.

Tags: América Latina

O Japão como ele foi

28/March/2008 · 85 Comentários

ama.jpg



No início dos anos 20 do século passado, Iwase Yoshiyuki era um jovem advogado recém-formado que tornava à pequena cidadezinha de Onjuku, no Japão. Sua vida estava traçada: sua missão era assumir a destilaria de saquê da família. Mas, aí, alguém deu de presente para Iwase uma câmera fotográfica.

Ele foi para o mar.

Era frio, o mar. Tão frio que só é tolerável entre junho e setembro. As correntes eram fortes. Tão fortes que o mergulho só era possível durante uns 20 dias por ano. Naquele Japão ainda quase medieval no qual o contato do interior com o ocidente era quase nulo, viviam as amas. Eram moças, em geral jovens, que no período de mergulho enfrentavam o gelo da água e as fortes correntes para colher moluscos e algas.

As amas mergulhavam quase nuas em três turnos durante os dias de pouco risco, tinham uma considerável capa de gordura para agüentar o frio e muita força, um trabalho árduo e, por isso, valorizado. Mergulhavam por períodos curtos entre 60 e 80 vezes todos os dias. Ganhavam nestes 20 dias por ano muito mais do que a maioria das pessoas em Onjuku durante todo o ano.

As amas, durante muitos séculos, é que colhiam as algas que revestiriam os tekkas da culinária japonesa de sushis e sashimis. Mas conforme a modernidade foi chegando, as amas se foram. Já na década de 60, não existiam mais seus mergulhos quase nuas, como não existiam mais os samurais ou mesmo o Japão do fim da Era Meiji que representavam.

As belíssimas fotografias de Iwase Yoshiyuki são a única documentação feita delas. Iwase morreu em 2001, aos 97 anos.

via Metafilter

Tags: Japão

Entre Hillary e Obama, há quem fique com Gore

27/March/2008 · 102 Comentários

Aos poucos, há um consenso se formando na imprensa norte-americana. O anúncio da candidatura de Barack Obama à presidência é apenas uma questão de tempo. Obama sentiu alguns dos ataques de Hillary Clinton, eles chegaram a mover as pesquisas, mas após seu histórico e incrivelmente franco discurso, na última semana, as pesquisas voltaram para onde estão há muito tempo.

Nas poucas primárias que restam, ele e Hillary devem sair com mais ou menos o mesmo número de delegados. Como a vantagem é de Obama, com ele devem ir os superdelegados. E não só por isso. Um colunista – lástima, perdi o link, esqueci quem foi – saiu-se com uma deliciosa comparação. Al Gore, John Edwards e Nancy Pelosi, a todo-poderosa presidente da Câmara, são os três super-hiper-delegados deste pleito. Mas se, como num romance de Agatha Christie, os três calharem de aparecer no mesmo trem com Hillary morta, são todos suspeitos. Não há um que não tenha uma história amarga com os Clinton. Mais um motivo para Hillary não poder contar com eles e com os superdelegados que os acompanham.

Então é Obama, como quer crer a imprensa norte-americana?

Em política, pode tudo. Ainda há dois cenários possíveis e um deles, evidentemente, é que uma derrapada do senador de Illinois faça sua campanha descarrilar, levando Hillary à vitória.

Outro cenário é aquele que o New York Observer e o colunista Joe Klein, na capa da revista Time desta semana, estão sugerindo. Al Gore candidato.

No desespero por não conseguir ganhar terreno, tudo leva a crer que Hillary aumentará o nível dos ataques contra Obama. Isso talvez não lhe dê a vitória mas, supõem alguns, pode enfraquecer demais o senador. Para que ele não seja o escolhido neste ponto, basta que menos de 100 dos superdelegados se abstenham de votar na convenção nacional. Assim, nenhum candidato chega à minoria simples necessária e há um impasse.

É a hora de Al Gore entrar. Klein propõe sua chapa dos sonhos: Gore-Obama.

Em política pode tudo, é verdade. Mas, como quer crer a imprensa norte-americana, de todos os cenários o cada vez mais provável se mostra: teremos uma disputa Obama contra McCain no segundo semestre.

Tags: EUA

Open thread do dia do apagão

27/March/2008 · 334 Comentários

À frente.

Tags: Open thread

Uma estante às quintas

27/March/2008 · 46 Comentários

Smansk Skewbookcase

Dica do Fábio Rodrigues

Tags: Estantes

Problemas no banco de dados

27/March/2008 · 58 Comentários

Foi uma longa noite seguida de uma longa madrugada.

Após um upgrade automatizado do sistema que serve ao blog, parte do banco de dados foi desta para melhor. Restaurar um backup de 60Mb importando-o para dentro do banco de dados, descobri, não era tão simples quanto parecia.

A bruxa anda solta por aqui. Na terça-feira, o case de um HD externo deu o último suspiro, morreu. É onde estão todas minhas músicas, coisas da vida digital. O primeiro medo é de que fosse o disco. Não era, está à espera de uma caixa nova.

E o Weblog está de pé novamente. Os comentários publicados das 18h de ontem para cá foram perdidos. É isso que dá jornalista mexer com siglas do tipo MySQL, PHP e quetais. Ao menos as categorias de todos os posts e a lista de blogs parceiros voltou ao ar. A culpa é minha e peço desculpas.

Uma boa idéia, agora, é encerrar esta série de Administrativas e tornar à vida cotidiana.

Tags: Administrativas

Voto em comentários

26/March/2008 · 26 Comentários

A primeira tentativa, a princípio, frustrou-se.

Gostei da idéia de ter votos para comentários mas o servidor não agüentou o tranco. O Weblog estava ficando muito lento, a ponto de cair.

Quaisquer sugestões técnicas são bem-vindas.

Tags: Administrativas

Open thread do Josef Mario

26/March/2008 · 141 Comentários

É que perguntar não ofende: o companheiro maoísta & bolivariano tem 89 anos há quantos anos, já? Os 90 não chegam nunca?

Tags: Open thread

TSE virtualmente proíbe campanha na Internet

26/March/2008 · 53 Comentários

Algo de gravíssimo acaba de acontecer e afetará brutalmente a condução das eleições municipais brasileiras, no fim do ano. Está na resolução 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral, no artigo 18, que trata das restrições à campanha online: ‘A propaganda eleitoral na Internet somente será permitida na página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral.’

O TSE acaba de proibir toda comunicação política eleitoral via YouTube, Orkut, Twitter. É possível que, dependendo da interpretação que se dê à resolução, um cidadão – qualquer cidadão – se veja proibido de manifestar suas opiniões políticas em seus blogs pessoais com banners. É como proibir o sujeito de vestir a camisa de seu candidato ou pendurar um button na lapela.

No momento em que campanhas eleitorais em todo o mundo aumentam seu escopo, atingem públicos que jamais atingiram, levam os mais jovens às urnas em massa, o TSE joga o Brasil repentinamente na Idade da Prensa de Gutenberg.

O pior, certamente, é que não houve má fé. Houve incompreensão. Aos 63 anos, é bem possível que o ministro relator Ari Pargendler não saiba distinguir um YouTube dum Yahoo!; um Orkut dum BitTorrent. Sua boa intenção é evidente: quis proibir o spam.

Mas, ao tentar impedir o abuso, inviabilizou qualquer campanha eleitoral que sirva para agregar a população em seu direito pleno de se informar, se relacionar, se organizar politicamente, trocar idéias para então escolher. Ao confundir um perfil no Orkut ou um canal no Twitter com um galhardete que suja a cidade ou mensagens mil que entopem a caixa de email, o ministro proibiu que os candidatos circulem nas ruas da Internet e se manifestem em busca de seus eleitores da mesma forma que fazem nas ruas das cidades, pessoalmente.

No Brasil de 2008, Barack Obama e Hillary Clinton não poderiam fazer a belíssima, disputada e plenamente democrática campanha que fazem e a blogosfera política norte-americana, partidarizada como é, sustentada com propaganda eleitoral, não poderia agir e organizar eleitores.

via Blog do Sergio Amadeu

Tags: Brasil

O Weblog, a democracia digital
e a Casa da Mãe Joana, coitada

26/March/2008 · 168 Comentários

Às vezes, lendo comentários no Weblog, fico francamente horrorizado. Como é possível que boas pessoas cedam tão facilmente e com tanta rapidez a seus instintos mais bárbaros?

Bem: esta é a Internet. Não deveria me surpreender.

Mas surpreende. Tenho uma história na lida com gente em rede. Fui sysop de dois BBSs antes de haver Internet comercial no Brasil. Fui moderador de várias listas. O Weblog tem cinco anos e meio. No conjunto, tenho uns 15 anos de experiência com comunidades digitais. É um ano mais do que minha carreira de jornalista. Já li um bocado a respeito de psicologia de massas. E tenho estudado muito democracia nos últimos tempos. Quero entender como ela será viável neste nosso mundo em que a praça central é eletrônica.

Agressividade no nível que tenho lido nas caixas de comentários nos últimos meses já vi igual em vários cantos da rede. Em comunidade eletrônica sob minha responsabilidade, é uma experiência nova.

Sempre fui a favor do uso de apelidos. Sempre fui de todo avesso a qualquer forma de censura. Sempre estimulei o diálogo. Há alguns blogs mais visitados do que este na Internet. Nenhum fora de grande portal é tão comentado. O Weblog é o que sempre quis que ele fosse: uma área de diálogo, não de monólogo do blogueiro.

Já ouvi de muitos companheiros da blogosfera que o Weblog era legal mas a caixa de comentários, intransitável. Queriam dizer que tinha muita gente que defendia com ardor opiniões contrárias às deles. Sempre considerei, comigo mesmo, este tipo de coisa elogio.

Mas ultimamente, não de todo mundo, apenas de alguns, mas com cada vez mais freqüência, com cada vez mais constância, não vêm mais idéias e sim ofensas; não há mais ironia e sim indelicadeza. Ser delicado, ser gentil, ser cortês: isso a gente não ensina. Mas todo mundo aqui é alfabetizado e sabe como se faz quando queremos ser agradáveis.

Quero a ajuda de vocês.

A primeira ajuda é um exercício de cortesia. Não é o tipo de coisa que a gente exige. Só se pede. Peço, por favor, respeito. A mim, como anfitrião. E a todos. Antes de falar, não custa, pergunte-se: ‘ofendo?’ Se achar que sim, evite. Ver duas pessoas se esmurrando num botequim é desagradável.

Não somos bárbaros, somos civilizados. Isto aqui é uma democracia. Todos são bem-vindos não importa o credo, a cor, as convicções, a idade, o sexo. Numa democracia, aquele com quem não concordamos tem pleno direito de expressar suas idéias. Podemos discordar; podemos até discordar enfáticos, mas jamais fazer suposições a respeito de seu caráter. Quem considera mau caráter ou ingênuo aquele no campo ideológico oposto é apenas alguém que tem muito ainda a amadurecer socialmente.

A segunda ajuda é para o caso de o primeiro pedido não surtir efeito.

Não vou moderar comentário por comentário. Não tenho equipe para isso. Não tenho tempo. O Weblog é meu segundo emprego. No dia-a-dia tenho cartão para bater e patrão a quem servir, outros leitores para quem escrever. Pela primeira vez, de três ou quatro meses para cá, a falta de tempo me impede de ler todos os comentários publicados. É impossível.

Além do mais, não sou deste tipo que anda comum na Internet. Gosto de diálogo corrido. De gente para discordar. Não quero comentário que só confirme o que penso, que só tenha elogio.

O que posso fazer? Quero ouvir vocês.

Posso vir a impor registro de nome, sobrenome, email, com login e senha, para todos comentaristas. Proibir o uso de apelidos (nicks). Ou que outras medidas?

Estou aberto a propostas. Isto aqui, afinal, é uma democracia. Mais do que isso, é uma comunidade. É um ambiente de todos vocês também.

Eu disse 15 anos de experiência com comunidades digitais? É verdade. Mas jamais estive à frente de uma comunidade com o tamanho que o Weblog adquiriu nos últimos poucos meses. Talvez seja uma questão de escala. Talvez a Internet à qual fui apresentado como usuário quase duas décadas atrás, nos tempos da Usenet antes da web, jamais volte. Tinha pouca gente. Quando estamos todos na mesma sala, falando ao mesmo tempo, deixamos de nos ouvir. Talvez a nostalgia de um ambiente cordial, na selva da Internet, seja a nostalgia de algo que passou e nunca mais voltará.

Talvez eu tenha que me conformar com o fato de que é assim e será para sempre.

Tags: Administrativas

Sarkozy e os métodos modernos
para lidar com blogs e afins

25/March/2008 · 75 Comentários

As questões de imagem do presidente francês resolvem-se assim: um consultor de Internet. Consultor? Isto. Se chama Nicolas Princen, tem 24 anos.

Depois de aparecer bêbado via YouTube, de soltar desaforos contra um citoyen e ver tudo parar na web, depois de se ver sempre mal, muito mal, em blogs diversos da França, achou que isto não era lá muito bom.

Seus assessores acreditam que os maus resultados nas eleições municipais de umas semanas atrás têm a ver com uma imprensa paralela na qual eles não vinham prestando muita atenção.

Nicolas Princen, pois. É o primeiro assessor presidencial do mundo dedicado exclusivamente à imagem de sua Excelência o presidente na web.

Seus problemas, o presidente francês os resolve assim. Um consultor exclusivo aqui, um intensivão de inglês ali.

Pois: franceses não gostam de outras línguas – ainda mais se a outra língua for o inglês. E esta frase é, evidentemente, um estereótipo. Como poucos executavam a caricatura melhor do que o ator britânico Peter Sellers, que ninguém esqueça o sotaque de seu inspetor Clouseau. É um inglês macarrônico, impossível.

Caricatura? É porque não viram o presidente Nicolás Sarkozy falando inglês.

Por conta, Sarko está dedicado a aulas intensivas de inglês. Quer fazer bonito na frente da rainha.

Tags: Blogosfera · Europa